Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

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No Blog do Nêumanne no Estadão: Areia de castelo na ampulheta

No Blog do Nêumanne no Estadão: Areia de castelo na ampulheta

Não é suspeito, aliás, suspeitíssimo, que agora que começaram a reaparecer vestígios de crime da Operação Castelo de Areia, enterrada pelo ex-ministro da Justiça no primeiro governo Lula, Márcio Thomaz Bastos, um juiz de primeira instância venha determinar a destruição das provas?

De fato, é, no mínimo, estranho. O descarte do material foi determinado em 10 de agosto pelo juiz federal Diego Paes Moreira, da 6.ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Ele atendeu a pedido da defesa de três ex-dirigentes da construtora Camargo Corrêa – Darcio Brunato, Fernando Dias Gomes e Pietro Giavina-Bianchi. Eles argumentaram que as provas foram anuladas em julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de 2011.  Em sua fundamentação, o magistrado indicou que a inutilização das provas consideradas ilícitas é prevista no Código de Processo Penal e que a decisão do STJ que anulou a operação não é mais passível de recurso –  situação que na linguagem jurídica é denominada trânsito em julgado.

O ato de fragmentação dos papéis e de apagamento e quebra de mídias chegou a ser agendado para o dia 23 de agosto, mas foi desmarcado, após pedido de vista da Procuradoria da República em São Paulo. Ao devolver os autos à 6.ª Vara, na semana passada, a procuradora da República Karen Kahn citou reportagem da Folha de S.Paulosobre delação de Palocci na Lava Jato e pediu o adiamento do descarte, pelo menos até ser definido o fechamento da colaboração premiada do ex-ministro da Fazenda de Lula.  A procuradora  alegou que a destruição dos volumes da Castelo de Areia poderá prejudicar a apuração sobre as afirmações de Palocci, caso a delação dele seja assinada com a força-tarefa da Lava Jato, conforme informou a assessoria de imprensa do Ministério Público.

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No caderno Aliás, do Estadão: Herói tratado como um vilão

No caderno Aliás, do Estadão: Herói tratado como um vilão

Em “Guerra fria e política editorial”,
a historiadora Laura de Oliveira retrata o editor Gumercido Rocha Dórea como vassalo dos interesses ianques no Brasil

Como qualquer gênero literário, a ficção científica apresenta aos leitores obras de baixa qualidade ou de esplêndida feitura. Por falta de espaço para elaborar uma lista dos piores livros da modalidade, o autor pede vênia ao leitor para ser dispensado de listá-los. É preferível, para quem escreve e para quem lê, elencar textos que alcançaram o estágio do sublime e que serviram de base para narrativas de alta magnificência em outras artes. É o caso de 2001 – Uma odisseia no espaço, do britânico Arthur C. Clarke. Dele foi extraído o clássico de cinematografia com o mesmo título, dirigido pelo americano Stanley Kubrick. É antológica a cena do primata jogando um osso no espaço com o corte da edição permitindo que o espectador o veja transformar-se numa nave sideral.

FR12 SÃO PAULO - SP - 29/08/2017 - ALIÁS - GUMERCINDO ROCHA DÓREA - Gumercindo Rocha Dórea, fundador da editora GRD, que está com 93 anos. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

FR12 SÃO PAULO – SP – 29/08/2017 – ALIÁS – GUMERCINDO ROCHA DÓREA – Gumercindo Rocha Dórea, fundador da editora GRD, que está com 93 anos. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

Um livro britânico e um filme ianque. Será a ficção científica uma exclusividade dos vencedores da Guerra de Secessão? Que dizer de Solaris? Nada poderia ser tão pouco imperialista como uma obra dirigida pelo soviético Andrei Tarkovski no tempo em que a União Soviética ainda existia. E mais: a fita é baseada no romance do polonês Stanislaw Lem, no qual também, diga-se de passagem, baseou-se o gringo Steven Sorderbergh, sulista de Atlanta, para produzir sua própria versão em cinema – exemplo do alcance planetário e extra-ideológico do gênero.

O autor destas linhas é de uma geração de brasileiros privilegiados que conheceram a modalidade multinacional sem ter de aprender russo para ler Cem anos à frente, novela de Kir Bolitchov (1978), e assim conhecer a descrição avant la lettre do corriqueiro celular de nossos dias. Ou fruir em inglês corrente a magnífica prosa de Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury. O baiano Gumercindo Rocha Dórea criou uma editora, a GRD, que lançou em português romances, novelas e contos que inspiraram a fundação de clubes de ficção científica pelo País inteiro, permitindo a patrícios monoglotas conhecerem o gênio de Isaac Asimov. Assim como livros proibidos de dissidentes do regime stalinista, como o celebrado Nós, de Ieuguêni Zemiatin. De lambujem, lançou prosadores na língua pátria da estirpe de Fausto Cunha, autor de As Noites Marcianas, Gerardo Mello Mourão, Rubem Fonseca e Nelida Piñon, que dispensam apresentações.

Por causa disso e de muito mais, Dórea sempre foi tratado como herói por cultores do gênero, caso de Bráulio Tavares, meu conterrâneo e contemporâneo de adolescência em Campina Grande, e Ataíde Tartari, paulistano. A historiadora Laura de Oliveira, premiada por sua tese sobre Guerra Fria e Política Editorial, detentora de láureas de saber acadêmico, com texto recentemente lançado em livro pela Universidade Estadual de Maringá, contudo, resolveu reescrever a história, ao feitio stalinista, que Zamiatin denunciou, atribuindo à ficção científica a sórdida condição de mera propaganda imperialista dos EUA e reservando a Dórea o papel de reles vassalo dos interesses da dominação ianque sobre o Brasil na metade do século 20, a soldo do ouro do Forte Knox. Tudo isso porque Dórea nunca escondeu sua condição de integralista, corrente política de inspiração fascista que teve importância na cena política dos anos 30 aos 60, abraçada por políticos e intelectuais como Dom Helder Câmara, San Thiago Dantas e Miguel Reale. Mas dela hoje só restam vagarosas lembranças, como o equivocado ideário autoritário de Plínio Salgado, autor de uma brilhante Vida de Cristo.

A capa do livro não deixa dúvidas quanto a suas intenções e distorções: Tio Sam, de casaca e calça listrada, senta-se no ombro do jovem editor, certamente soprando palavras de ordem para emitir doses fatais de veneno colonialista com o fito de escravizar nossa doce pátria espoliada. Se a capa é grotesca, o texto da autora é pior. Isso deixa a impressão de que a acadêmica foi movida pela intuição de que jamais a própria obra de vulgarização do marxismo-leninismo teria sido publicada por Dórea. Seja por professar ela ideologia antagônica à dele, seja por não ter o texto dela a qualidade exigida por ele na seleção dos originais a serem postos à venda.

Pela leitura do tatibitate menos do que sofrível texto a que a autora expõe o leitor e pelos deslizes editoriais que a tornam uma missão quase impossível, de tão espinhosa (a revisão deixou passar linhas repetidas em algumas páginas), a obra termina por fazer propaganda de Dórea, embora em nenhum momento lhe faça justiça.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no caderno Aliás, Cultura, Pag. 2, Estado de S. Paulo, no domingo 3 de setembro de 2017)

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Sinfac Sp: Palestra de José Nêumanne Pinto

Sinfac Sp: Palestra de José Nêumanne Pinto

 

 

Estadão às 5 da TV Estadão: A República dos filhotes

Estadão às 5 da TV Estadão: A República dos filhotes

No Brasil, que virou o reino encantado do Fufuquinha, com Temer na China e todos os filhotes ocupam os cargos de poder na republiqueta da pinga com mel – Rodrigo, filho de César, na presidência da República com votos de deputado fluminense, André, filho de Fufuca, no comando dos trabalhos da Câmara, Zequinha, filho de Sarney comandando o meio ambiente e Coelhinho, filho de Fernando, mineralizando a Amazônia, os desprezíveis deputados se engalfinham para tirar a maior vantagem possível na próxima eleição. Esta mistureba de mau caráter com cálculo ilícito foi a geleia geral brasileira que Pedro Venceslau apresentou em eu comentei no Estadão às 5 desta quarta-feira 30 de agosto de 2017, às 17 horas, transmitido direto do estúdio do meio da redação e retransmitido por Youtube, Twitter, Facebook e Periscope Estadão.

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No Estadão às 5, da TV Estadão: Desconfiança geral

No Estadão às 5, da TV Estadão: Desconfiança geral

Juízes de primeira instância que condenam e mandam prender delinquentes nunca antes alcançados pelos braços curtos da lei brasileira – caso de Sérgio Moro, da Lava Jato, ainda gozam da simpatia popular, mas, desde que se dedicaram a palestras em excesso e à exposição de suas ideais pessoais começam a perder prestígio. Ministros de altos tribunais que se dedicam a soltar comensais de seus banquetes atingem níveis de apreço popular abaixo da crítica. O mais baixo de todos é, claro, o de Gilmar Mendes: 3%. A pesquisa Ipsos que sustenta a manchete do Estadão – “Onda de desaprovação a autoridades cresce e atinge o STF” – foi noticiada por Adriana Ferraz e comentada por mim no Estadão às 5 da segunda-feira 28 de agosto de 2017, às 17 horas, na TV Estadão, em programa transmitido do estúdio da redação do jornal e retransmitido pelas redes sociais Youtube, Twitter, Facebook e Periscope Estadão.

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Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: Viés privatizante

Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: Viés privatizante

O Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 24 de agosto de 2017 começou com meus comentários sobre o anuncio de privatização pelo governo Temer; mais um capítulo da hedionda novela da auitorreforma dos políticos para se beneficiarem com plena indulgência; a dispensa de Rodrigo Maia abrir impeachment contra Temer pelo ministro Alexandre de Moraes, nomeado para o STF por Temer: o prende e solta de Moro e Gilmar; e as denúncias feitas em Brasília pela ex-procuradora da Venezuela, Luísa Ortega. Eliane Cantanhede e Alexandre Garcia também analisaram o anúncio do pacotão de concessões de Temer, com privatização em massa. E, em Perguntar Não Ofende, Marília Ruiz alertou que, apesar de ter vencido mais uma vez e se distanciado de segundo e do terceiro colocados, o Corinthians não se livrou dos transtornos que lhe causa a janela de transferência de jogadores.

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