
Direto ao Assunto, 25 de maio de 2013.
Expectativa do desempenho do novo ministro do STF Luis Roberto Barroso é de que o constitucionalista carioca, com humanismo e conhecimento técnico, ajude no Judiciário a fortalecer nossa democracia.
E tem mais:
Livro de Roberto Muylaert sobre gol que Barbosa tomou na final da Copa de 50 reconta uma história velha, surrada e desagradável com graça, humor, talento, elegância, encanto e simpatia. Vale a pena ler.
Nêumanne, 62° aniversário!
Almoço de comemoração em família do 62° aniversário no restaurante Nou em Pinheiros, São Paulo, SP:
Regina Coeli, Rejane (irmã dela), Paulo (marido de Rejane),
Georgina (avó materna de Pedro), Leandro (marido de Cecília), Cecília,
eu, Vladimir e Pedro.

Almoço de comemoração em família do 62° aniversário no restaurante Nou em Pinheiros, São Paulo, SP: Regina Coeli, Rejane (irmã dela), Paulo (marido de Rejane), Georgina (avó materna de Pedro), Leandro (marido de Cecília), Cecília, eu, Vladimir e Pedro.
E o forró não morreu
Caderno 2 + Música / Nordeste
Contra as profecias que enterravam o ritmo, homens fazem justiça com o próprio acordeom
No fim do século passado, rolou o maior estresse na música regional nordestina. Parte dele vinha de Fortaleza, onde o produtor Manuel Gurgel inventou uma nova fórmula de forró: conjuntos em que predominavam instrumentos eletrônicos e muita dança sensual de mulheres bonitas e de corpo bem torneado, com nomes de origem sertaneja (Mastruz com leite) ou insinuação sexual (Calcinha preta) eram compostos por músicos contratados pelo produtor. Este corria as praças exercitando, segundo seus desafetos, um velho costume herdado do Sudeste: o jabaculê, ou jabá: a compra de execução de discos em rádio. O gênero foi chamado pejorativamente de forró de plástico. A outra ponta do desafio à autenticidade do ritmo inventado por Luiz Gonzaga vinha de São Paulo, onde uma banda, a Falamansa, incendiou os salões de baile da Pauliceia Desvairada com um hit de arromba, Rindo à Toa.
Na virada do século, um gênio como o paraibano Antônio Barros, com mais de 700 sucessos juninos, entre os quais dois arrasa-quarteirões nacionais, Homem com Agá e Por Debaixo dos Panos, com Ney Matogrosso, foi obrigado a abrir shows no interior nordestino para as bandas de Gurgel. E instrumentistas do quilate de Jorge de Altinho e Oswaldinho do Acordeom, filho de Pedro Sertanejo, baiano que inventou as salas de dança do forró paulistano, e compadre de Gonzaga, passaram a ser apresentados como atrações nos shows da garotada urbana que fazia parte do chamado forró universitário (referência ao festival do Mackenzie, onde Falamansa surgiu).
Ao assumir a secretaria de Cultura do governo da Paraíba, Chico César, sertanejo de Catolé do Rocha, empunhou a bandeira do forró de pé de serra, com base em sanfona, triângulo e zabumba, formação adotada pelo rei do baião, que, em vez de ônibus, se deslocava numa Rural com seus acompanhantes interior adentro. Mas a reação soou frágil, de vez que o forró nada tem de autêntico: trata-se de uma invenção do grande marqueteiro que foi o gênio que fez de sua Asa Branca o hino informal do Nordeste.
Pouco mais de dez anos depois, ficou provado que as ondas se desmancham na areia e o mar continua. Gurgel mudou de ramo, o forró universitário não tem mais o impacto dos velhos tempos e o trio sanfona-zabumba-triângulo volta ao topo do pódio. Dois gênios da música regional nordestina – Antônio Barros e Genival Lacerda, seu Vavá –, da turma que foi acolhida por Gonzaga em sua casa em Lins de Vasconcelos, no Rio, são os remanescentes vivos do trio que Rilávia Cardoso e Ajalmar Maia, os dois maiores dançarinos de forró do maior São João do Mundo, em Campina Grande, Paraíba, homenageiam no Prêmio Luiz Gonzaga, grande festa da música regional, deste ano. O terceiro é o maestro Sivuca, que viajou para o além antes do combinado, como costuma dizer seu amigo Rolando Boldrin.
E Monteiro, berço de intelectuais como o crítico de cinema e filósofo católico José Rafael de Menezes, ministros do Supremo como Djacir Falcão e Rafael Mayer, e um dos maiores repentistas da história da poesia popular nordestina, Pinto do Monteiro, está presente nesta ressurreição na pessoa de dois sanfoneiros. Sanfoneiro desde os 7 anos, no circuito junino desde 1977, devoto de Gonzaga e Dominguinhos, Flávio José percorre o País com sua voz forte e meiga, apropriada para o forró romântico de sucessos como Caboclo Sonhador ou impregnado de costumes matutos como Tareco e Mariola. No ano passado, homenageou o centenário do fundador de sua profissão com um CD só de obras de seu Lua.
Dejinha de Monteiro, que adota a cidade natal no nome artístico, é também um sanfoneiro de primeira linha, na escola de Flávio José. Seu repertório é fundado em sucessos que falam de relações destruídas, amores findos e da desilusão do descompasso entre os casais – um sanfoneiro do século 21.
Em Campina Grande, Amazan continua fabricando suas sanfonas, enquanto os conterrâneos José e Luizinho Calixto mantêm a tradição da velho instrumento camponês de Sivuca, o fole de oito baixos: Zé Calixto no subúrbio do Rio, onde conviveu com Gonzaga, e o irmão ensinando a afinação quase impossível do instrumento no interior do Nordeste. E quem foi mesmo que disse que o forró morreu?
José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor
(Publicado no Caderno 2 + Música do Estado de S. Paulo de sábado 23 de março de 2013)
Nêumanne fala da tribuna do Senado em sessão de homenagem a seu amigo poeta e político Ronaldo Cunha Lima
Notícia (Reprodução: Agência Senado)
Poeta e político, Ronaldo Cunha Lima é homenageado no Senado
Em solenidade nesta segunda-feira (18), dia em que completaria 77 anos, o ex-senador Ronaldo Cunha Lima (1936-2012) foi lembrado por amigos, parentes e colegas de Plenário, tanto por sua carreira política quanto por sua dedicação às letras. Vários discursos citaram os poemas de Ronaldo, que ocupou uma cadeira na Academia Paraibana de Letras.
Para o presidente do Senado, Renan Calheiros, Ronaldo Cunha Lima “brilhou na defesa do povo paraibano e do povo brasileiro” em seu exercício parlamentar, encantando com sua “alegria, inteligência e humor refinado”. Renan resumiu a trajetória política de Ronaldo, ressaltando os cargos executivos e legislativos que ocupou em meio século de carreira, e salientou as dificuldades que ele passou durante o regime militar. Eleito prefeito de Campina Grande, em 1968, teve seus direitos políticos cassados no ano seguinte. Ele voltaria à prefeitura em 1983 pelo voto popular. Também foi governador da Paraíba (1991-1994) e deputado federal.
Além de ressaltar a carreira de Ronaldo, Renan lembrou algumas das grandes demandas do político, como a transposição do rio São Francisco e a cidadania plena das pessoas com necessidades especiais.
- A grave doença que lhe ceifou a vida retirou do nosso convívio um bravo político e privou-nos também de um apaixonado poeta. Sinto a ausência de um grande amigo, a quem hoje, com orgulho, reverenciamos sua memória – afirmou Renan.
Filho de Ronaldo, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), ressaltando a dificuldade de fazer um discurso em homenagem ao pai, já que estava tomado pela emoção, leu uma seleção de sonetos retirados dos diversos livros por ele publicados.
Entre os sonetos lidos, alguns dedicados à família, outros que falam da trajetória de Ronaldo, lembrado por Cássio como “um vitorioso, um visionário, um humanista, sobretudo”.
- Concluo, lembrando o que ele disse: “Quando meus filhos disserem a meus netos o quanto eu os amava e quando meus netos disserem a meus filhos que guardam lembranças minhas e de mim sentem saudade, não terei morrido nunca, serei eternidade.”
O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) lembrou a rivalidade entre Ronaldo Cunha Lima e seu pai, Antônio Vital do Rêgo (1935-2010), “seu mais histórico adversário e, no final de sua vida, um dos seus mais próximos amigos”. Em sua opinião, os embates políticos não podem impedir ninguém de reconhecer os méritos do oponente.
- Ele continuará a fazer falta.
O senador José Agripino (DEM-RN) saudou o “homem das letras e homem do povo”, com quem teve boa convivência, e exaltou a contribuição de Ronaldo Cunha Lima para a cultura. Também se pronunciaram os senadores Cyro Miranda (PSDB-GO), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Eduardo Suplicy (PT-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Cícero Lucena (PSDB-PB), além do advogado e ex-prefeito de Campina Grande Félix Araújo Filho, o jornalista José Nêumanne Pinto, Pedro Cunha Lima (neto de Ronaldo), Diógenes da Cunha Lima, presidente da Academia Norte-Riograndense de Letras, e o poeta Luiz Vieira.
Em memória de José Neudson Pinto, *03/05/1954 + 05/03/2013
De nossa infância, lembro-me que Neudson era um menino bonito e roliço, de pernas tão bem torneadas que o chamávamos de “coxa de mulher”. Nossa irmã Nicea o batizou e continuou chamando-o pela vida afora de Teteta. Ontem, me contaram que também o apelidaram de Borba Gato, referência à estátua horrenda de Santo Amaro. Uma injustiça: ele era mais alto do que eu e também mais encorpado, mas em nada lembrava o bandeirante. Como meu pai, José de Anchieta, ele era pacato, prudente e lento, quase lerdo. Talvez influenciado por nosso tio Raimundo, irmão de minha mãe, seu sonho sempre foi ser médico. Na certa só o Flamengo, uma paixão de família e cuja bandeira o acompanhou no caixão, podia competir com o interesse por sua profissão. Era cirurgião de abdome, mas virava clínico geral nas férias. Enquanto seus seis irmãos, eu inclusive, viajávamos para o exterior ou para o litoral no tempo livre, ele voava para a Fazenda Rio do Peixe, onde nasci, e atendia paciente e gratuitamente longas filas indianas de sertanejos pobres e sem médicos por perto. Estas viagens preenchiam a lacuna da saudade que ele sentia de nossa terra. Nunca se acostumou com João Pessoa, onde cursou a faculdade, nem com São Paulo, onde fez residência e operava. Sua conexão com o sertão de berço era permanente. Levava os filhos Alexandre e Ana Carolina com ele e lhes ensinou a amar nossas raízes a ponto de ficarem lá, mesmo quando estavam aqui, lembrados nas pegadas das patas de reses magras e sem valor comercial.
Ana Carolina vai levar suas cinzas para enterrar no quintal da casa onde só eu nasci: ele e mais quatro nasceram em Uiraúna e Anchieta Filho, em Campina Grande. Apesar de amar tanto a Medicina que levou o filho a aprender o ofício na Faculdade da USP em Ribeirão Preto, ele desafiava seus cânones fumando desbragadamente desde a adolescência. A nicotina levou a vida de meu irmão no dia em que a morte de Hugo Chávez foi anunciada. Por coincidência, o companheiro bolivariano morreu com a idade dele: 58 anos. No caso de Neudson, a menos de dois meses de completar 59 e 15 meses antes de chegar ao tempo de vida cumprido por nosso pai. Lastimo sua ausência, lamento a falta que sentiremos do humor irreverente, mas inocente, dele, nas reuniões de família. Mas não o condeno por ter preferido o tabagismo a mais um prazo de vida entre nós. Quem sou eu para condená-lo se também me mato diariamente ao ingerir açúcar com taxas explosivas de glicemia, similares às que assassinaram nosso pai? Agora estamos compartilhando a saudade dele com a viúva, Karen, e os órfãos. De certa forma, todos somos órfãos do mais afetuoso e próximo de toda a prole dos primos Mundica e Anchieta. Deus vele pelo conforto de sua alma e nos fortaleça para suportar sua ausência.

Da esquerda para a direita: Nairton, Noaldo, Neudson, Nicea, Mundica, Nilton, Anchieta Filho e Nêumanne
José Nêumanne Pinto
Política e Poder: “O que sei de Lula” em foco
Na Folha: “POLÍTICA E PODER. Livros investigam as relações de poder da política brasileira, falam sobre os grandes escândalos que o país presenciou e contam as histórias de líderes que marcaram época.”
Assista à entrevista de Nêumanne no programa do JÔ. Clique aqui!
Mais sobre o livro “O que sei de Lula”. Clique aqui!
Fale com Nêumanne





















