Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

BLOG

Comentário no Jornal Eldorado: Governo anuncia vacinas que não comprou

Comentário no Jornal Eldorado: Governo anuncia vacinas que não comprou

Pelo quinto dia seguido, o País registrou na quarta-feira 3 de março o recorde de mortes por covid-19 em 24 horas, com 1.840 óbitos. Com o agravamento da crise sanitária, o Ministério da Saúde diz ter acertado a compra de 99 milhões de doses da vacina da Pfizer e negocia a aquisição do imunizante da Janssen, após rejeitar durante meses propostas das duas empresas. Após meses de negociação, o governo federal decidiu, afinal,  comprar a vacina contra covid-19 produzida pela Pfizer/Biontech, que não confirmou o fechamento do negócio com a velocidade compatível com a situação. Até prova em contrário, dá para confirmar a tragédia anunciada, mas ainda não é possível apostar na esperança da vacina mais usada no mundo inteiro para imunizar o Brasil. São Tomé é, por enquanto, o padroeiro deste comentarista.

Para ouvir comentário clique no play abaixo:

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique aqui. 

 

Assuntos para comentário da quinta-feira 4 de março de 2021

1 – Haisem – Com recorde de 1,8 mil mortes, Brasil compra doses da Pfizer – Este é o título da chamada do lugar mais alto da primeira página da edição impressa do Estadão de hoje.  A que estatística tétrica o País terá de chegar para nossos dirigentes políticos e líderes econômicos acordarem e reagirem

2 – Carolina – PIB cai 4,1% em 2020, País deixa grupo de dez maiores economias – Esta é a manchete da primeira página do jornal desta quinta-feira.  O que levou a essa catástrofe econômica e o que pode nos tirar desse poço que parece não ter fundo

3 – Haisem – Senado aprova texto da ajuda emergencial – Este é outro título de chamada na primeira página do Estadão hoje. Que alento nos traz essa notícia para as vítimas mais pobres da pandemia e da recessão, a seu ver

4 – Carolina –  Ministério de Educação promete punir fala política em Universidade – Este é o título de mais uma chamada de primeira página do jornal de hoje. Em que esse tipo de autoritarismo intolerante pode ajudar a instrução superior neste país sem esperança

5 – Haisem – Um terço de comissão que analisa a Lei da Improbidade pode se beneficiar do projeto – Este é o título de chamada na capa do Portal do Estadão. A que conclusões é possível chegar dessa notícia do levantamento feito pela Ong Transparência Brasil, a pedido do Estadão, na comissão da Câmara de Deputados que debate a lei em teoria imaginado para punir deputados federais desonestos

6 – Carolina – Qual a importância da notícia de que a namorada do empresário que vendeu a mansão ao senador Flávio Bolsonaro assessorou o ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça, que liderou os votos da Quinta Turma favoráveis ao primogênito do presidente da República

 

Estreia! Comentários na Rádio Blue Med 013 de Santos

Estreia! Comentários na Rádio Blue Med 013 de Santos

1 – 01/03 – Rosa Weber detém ímpeto de Bolsonaro de usar de forma politiqueira UTIs para covid. 
 
2 – 02/03 – Ataque da Câmara a humorista Danilo Gentili é asquerosa censura autoritária. Para ouvir o comentário, clique aqui. 
 
3 – Hoje ´Bolsonaro é responsável pela apatia com que Brasil enfrenta pandemia. Para ouvir o comentário, clique aqui. 
estreia2

No Blog do Nêumanne: Para genro de Sílvio, SUS pertence ao patrão

No Blog do Nêumanne: Para genro de Sílvio, SUS pertence ao patrão

José Nêumanne

Ministro das Comunicações confunde erário, que é público e permanente, com propriedade particular do chefe, que é pessoal, ao divulgar lista de verbas para UTIs como se fossem doações

As ditas “raposas felpudas” da política de Minas Gerais à época da democracia muito liberal regida pela Constituição de 1946 pensavam que para qualquer político profissional tornar-se figura nacional relevante precisava partir do prestígio eleitoral pessoal em seu Estado natal. Nestes nossos tempos de neoevangelismo mercantil, essa lição da sabedoria do PSD e da UDN de antanho nada vale, pois manda o brocardo evangélico “ninguém é profeta em sua terra”, simplificação vulgar da palavra de Jesus Cristo, tal como transcrita pelo evangelista Lucas: “Nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra”. Aluízio Alves, contudo, não se tornou um nome de relevo na República brasileira por ter sido editor-chefe da Tribuna da Imprensa, jornal de Carlos Lacerda, no Rio, mas por seus mandatos de governador e deputado federal pelo Rio Grande do Norte, a ponto de iniciar dinastia de governadores, prefeitos e parlamentares potiguares até hoje.

Robinson Faria elegeu-se governador do mesmo Estado por razão independente de quaisquer ligações oligárquicas, mas não deixou de ter vencido o pleito pelo apoio de um agregado, Sílvio Santos, sogro de seu filho Fábio, que não conseguiu fazer seu sucessor por ter-lhe sucedido uma adversária. A professora paraibana Fátima Bezerra, que se tornou notória nacionalmente por ter cunhado a palavra “gópi” para definir o impeachment da correligionária petista Dilma Rousseff, foi o governador mais votado pelos potiguares na História e teve sua atuação nacional ofuscada pela do jovem deputado federal. Fábio foi nomeado ministro das Comunicações do desgoverno de Jair Bolsonaro pelo parentesco. O SBT do animador de auditório, notório por bajular governantes, aplaudiu e apoiou o chefe do Executivo, que considera o restante da chamada “mídia” inimiga mortal, em especial a Globo, líder em audiência. Outro ponto em comum de Robinson com Jair Messias é que ele foi processado pelo Ministério Público sob a acusação da mesma prática de extorsão de funcionários fantasmas bem remunerados que aflige a famiglia presidencial.

Nesta quadra sombria da pandemia de covid-19, Fábio passou a protagonizar ainda mais a cena administrativa nacional quando usou sua pasta para divulgar valores distribuídos pela União para o Sistema Único de Saúde (SUS) no atendimento aos casos graves da covid-19, provocada pelo novo coronavírus. Fê-lo com a intenção de responder à ação conjunta dos governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e da Bahia, Rui Costa (PT), reclamando ao Supremo Tribunal Federal (STF) da suspensão de verbas para funcionamento de unidades de terapia intensiva (UTIs) em postos públicos de saúde no plano nacional de combate à moléstia.

Fábio Faria não foi propriamente original. A confusão entre público e privado é um hábito arraigado nos clãs Faria e Bolsonaro, como atesta a denúncia de peculato pelo Ministério Público do Rio contra o primogênito do presidente. A transformação de ex-aliados tornados adversários políticos em inimigos figadais fica patente nas filiações partidárias dos Estados que reclamaram ao STF da redução de UTIs de dezembro para janeiro. E a mistura de mentira e insinuação de corrupção contra governadores é prática corrente da narrativa eleiçoeira da extrema direita militarista e golpista.

A ação de Doria, Dino e Costa foi rapidamente atendida pela relatora sorteada na cúpula do Judiciário para julgar a causa: Rosa Weber concedeu a liminar, a ser julgada pelo plenário. E argumentou, de forma categórica: “É de se exigir do governo federal que suas ações sejam respaldadas por critérios técnicos e científicos, e que sejam implantadas, as políticas públicas, a partir de atos administrativos lógicos e coerentes. E não é lógica nem coerente, ou cientificamente defensável, a diminuição do número de leitos de UTI em um momento desafiador da pandemia, justamente quando constatado um incremento das mortes e das internações hospitalares”. E mais: “Afigura-se o perigo da demora, que se revela intuitivo frente aos abalos mundiais causados pela pandemia e, particularmente no Brasil, diante das mais de 250 mil vidas vitimadas pelo vírus espúrio. O não endereçamento ágil e racional do problema pode multiplicar esse número de óbitos e potencializar a tragédia humanitária. Não há nada mais urgente do que o desejo de viver”, concluiu, com ênfase.

A lição de espírito público e empatia humana, emanada da decisão da ministra, dificilmente será bem recebida por Fábio Farinha, Eduardo Pesadelo e Jair Boçalnaro. A nota oficial do Ministério da Saúde a esse respeito abusou do tom de cantina de caserna, ao concluir: “O pedido solicitado à nobre ministra é injusto e desnecessário, uma vez que o SUS vem cumprindo com as suas obrigações. Cabe, portanto, a cada governo fazer a sua parte”. Dois dias depois da decisão de Rosa Weber, o chefe de Farinha e Pesadelo, charlatão-mor da República Jair Boçalnaro, voltou a adotar retórica negacionista e desumana. Num encontro rotineiro com fanáticos seguidores, disparou: “Parece que quanto mais morrer, melhor para alguns setores da sociedade brasileira. Somos a oitava economia do mundo, nosso IDH não é tão bom perto do Primeiro Mundo. O que leva nosso país a ser o 26.º em morte por milhão de habitantes? Alguma coisa está acontecendo por aqui. Só pode ser o tratamento precoce, não tem outra explicação. Por que a grande mídia teima em criminalizar quem fala isso?”.

Resta saber se, na reunião do plenário para decidir sobre o pedido de Doria, Dino e Costa, os outros dez ministros do “pretório excelso” entenderão a aula de gestão pública e amor ao próximo dada por Weber.

  • Jornalista, poeta e escritor

Comentário no Jornal Eldorado: Bolsonaro, perversidade e sadismo

Comentário no Jornal Eldorado: Bolsonaro, perversidade e sadismo

A um ano do registro do primeiro caso da covid-19, o Brasil superou em 24 de fevereiro 250 mil mortos e passa pela pior fase da doença, com pico de internações e com ritmo lento de imunização. Para tentar frear o vírus, prefeitos e governadores voltaram a adotar restrições rígidas. Para os especialistas não há controle sobre a pandemia Só nas últimas 24 horas ocorreram 1.433 mortos. A média móvel foi de 1.129 e representa o recorde da pandemia. Imagem impressionante de uma multidão aglomerada durante a posse de dois ministros “da casa”, Onyx Lorenzoni e João Roma. no Palácio do Planalto assemelham-se a um Coliseu com cada vez mais vítimas e, enquanto isso, Bolsonaro parece passear entre cadáveres como se estivesse num show da Broadway. Perverso e pouco inteligente, ele manifesta um sadismo sem limites.

Para ouvir comentário clique no link abaixo e, em seguida, no play:

 

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Politica, Estadão, clique aqui.

 

Assuntos para comentário na quinta-feira 25 de fevereiro de 2021

1 – Haisem – Brasil atinge 250 mil mortes na pior fase em um ano da pandemia – Esta é a manchete da primeira página da edição impressa do Estadão de hoje. Por que atingimos esse patamar assustador e aonde mais poderemos chegar se tudo continuar da forma como está

2 – Carolina – Estado de São Paulo teme ficar sem leitos em três semanas – Este é o título de outra chamada de primeira página no jornal de hoje – Como foi, a seu ver, que chegamos a esse ponto em matéria de fracasso de combate à pandemia da covid 19

3 – Haisem – Senado aprova compra de vacinas pelo setor privado – Este é mais um título de chamada de primeira página do Estadão hoje. Em que essa decisão pode, ou não, a seu ver, diminuir a preocupação que o povo brasileiro começou a sentir em relação ao êxito do programa público de imunização quando começaram a faltar doses do imunizante nos postos

4 – Carolina – Blindagem de parlamentares avança no Congresso – Este é o título de uma chamada no alto da primeira página do jornal do dia. A que ponto que o Poder Legislativo, que diz representar a cidadania, pode chegar depois de dar esse passo rumo à impunidade de seus membros

5 – Haisem – Auxílio pode ser aprovado sem contrapartida – Eis outro título de chamada de primeira no Estadão desta quinta-feira. Que conseqüências poderão advir de mais esse passo dado no Congresso na direção da total irresponsabilidade fiscal desde a instauração do plano real

6 – Carolina – Petrobrás lucra 59 bilhões e 900 milhões de reais no quarto trimestre de 2020 – Este é o título de mais uma chamada de primeira página no jornal de hoje. Em que esse resultado anunciado autoriza o presidente Jair Bolsonaro a dizer que o presidente da empresa, que ele está afastando, Roberto Castello Branco, está “cansado”

Comentário no Jornal Eldorado: Flávio e Assef, juntos de novo

Comentário no Jornal Eldorado: Flávio e Assef, juntos de novo

Por 4 a 1, a 5.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro e anulou a quebra do sigilo bancário e fiscal do parlamentar nas investigações da extorsão de funcionários fantasmas na Alerj, iniciadas em 2018. No maior revés sofrido pelo Ministério Público do Rio até aqui, o STJ determinou que os investigadores retirem da apuração informações obtidas a partir da quebra do sigilo de Flávio e outros 94 pessoas e empresas. O Estadão reproduz a denúncia e Flávio não foi inocentado. A presença de Frederick Wassef ao lado do senador é um acinte abominável. Os idiotas não perceberam. Do primeiro peculato ninguém se esquece e a impunidade do primogênito é a maior obra do governo do papai limpa barra suja de filho delinqüente. Mas um dia o mandato e a impunidade acabam.

Para ouvir comentário clique no play abaixo:

 

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique aqui.

 

Assuntos para comentário da quarta-feira 24 de fevereiro de 2021

1 – Haisem – STJ invalida quebra de sigilo e esvazia denúncia contra Flávio – Esta é a manchete da edição impressa do Estadão de hoje. Que conseqüências essa decisão do Superior Tribunal de Justiça por 4 a 1 fortalece no Brasil a sensação de impunidade dos políticos no poder

2 – Carolina – Governo leva ao Congresso MP de venda da Eletrobrás – Este é o título de chamada no alto da primeira página do jornal hoje. Até que ponto essa decisão representa um passo do presidente Jair Bolsonaro para restaurar a crença do mercado nos ideais liberais do governo federal e na força readquirida por seu ministro da Economia, Paulo Guedes

3 – Haisem – Anvisa concede aval à vacina da Pfizer, ainda em negociação – Esse é o título de mais uma chamada no alto da primeira página do Estadão hoje. Até que ponto essa notícia alvissareira ressuscita a confiança do povo brasileiro na imunização contra a covid, iniciada há mais de um mês em São Paulo

4 – Carolina – Estado planeja lockdown noturno – Este é o título de mais uma chamada de primeira página do jornal de hoje. Será que a providência anunciada bastará para reverter os números cada vez mais preocupantes do contágio do novo coronavírus em São Paulo

5 –  Haisem – Alunos saem da escola sem saber matemática – Este é o título de outra chamada de primeira página do Estadão de hoje. O que essa informação tem a ver com o atraso crônico de nosso país em matéria de instrução pública e da educação em geral

6 – Carolina – Zoo é concedido por 30 anos e a 111 mil – Este é o título de mais uma chamada de primeira página do jornal de hoje. O que você tem a nos dizer sobre essa notícia

 

No Blog do Nêumanne: Autogolpe e guerra civil, eis a questão

No Blog do Nêumanne: Autogolpe e guerra civil, eis a questão

José Nêumanne

Carta de Jungmann ao STF revela fundados temores de que o atropelo do Estatuto do Desarmamento e a interrupção do rastreamento de armas pelo Exército massacrem brasileiros e a democracia

O político pernambucano Raul Jungmann foi ministro da Defesa, ou seja, chefiou os comandantes das Forças Armadas à época em que o cargo era de civis, e da Segurança Pública, desmembrada do Ministério da Justiça no mandato-tampão de seu ex-colega na Câmara dos Deputados, Michel Temer. Tem, portanto, biografia e autoridade para que seja levada a sério sua carta aberta, dirigida aos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), denunciando as intenções autogolpistas de Jair Bolsonaro e a possibilidade de uma inédita guerra civil. Sua militância notória no Partido Comunista Brasileiro, o velho Partidão mais de paz do que de guerra, não o descredencia, como imagina quem acompanhe com um mínimo de atenção os mugidos do gado bolsonarista e o bip-bip dos robôs do gabinete do ódio. Ao contrário. À exceção da tristemente famigerada “Intentona” de 1935, que serviu aos propósitos autogolpistas do Estado Novo de Getúlio Vargas, sua trajetória dos últimos 85 anos na pouco serena República tem sido mais pacífica e serena do que beligerante. O próprio Luís Carlos Prestes, que a comandou, seria cobrado por ter subido ao palanque do caudilho gaúcho no interregno democrático, apesar de o estancieiro ter entregado a mulher dele, Olga Benário Prestes, grávida, aos esbirros nazis de Hitler.

Mais do que a História, contudo, dá força à advertência de Jungmann o fato indiscutível de relatar a mais simples e plana expressão da verdade. “Armamento evoca flagelo da guerra civil e massacre de brasileiros por brasileiros”, alertou Jungmann sobre quatro decretos do presidente da República, no manifesto em que clama por “urgente intervenção desta Corte visando a conjurar a ameaça que paira sobre a Nação”, conforme registra reportagem de Fausto Macedo e Samuel Costa, deste Estadão. Esses repórteres lembram que, “no último dia 12, o presidente Jair Bolsonaro editou quatro decretos de 2019 que regulam a aquisição de armas no País. Entre as mudanças, está o aumento, de quatro para seis, do número máximo de armas de uso permitido para pessoas com Certificado de Registro de Arma de Fogo. Além disso, também foram flexibilizadas a norma que exige autorização do Exército para compras de armas por caçadores e atiradores e a dispensa de registro dos comerciantes de armas de pressão junto ao Exército”. À época da edição de tais decretos, o autor destas linhas relatou a reação do então diretor de Fiscalização de Produtos Controlados pelo Exército, general Eugênio Pacelli, exonerado e, em seguida, transferido da ativa para a reserva em 25 de março de 2020. Na mesma ocasião, a procuradora da República no Distrito Federal, Raquel Branquinho, definiu a ação presidencial como violação da Constituição.

Em 22 de abril, conforme seria revelado depois, com a divulgação do vídeo por ordem do então decano do STF, Celso de Mello, o próprio chefe do Executivo, em reunião do Conselho de Governo, disse, em alto e bom som: “Eu quero todo mundo armado”. Desde a oportuna divulgação do vídeo em maio passado, foi possível verificar que ele se referia a facções de policiais militares de vários Estados, que lhe devotam fidelidade canina. Jungmann referendou todos os argumentos usados em comentários e textos deste escriba a respeito do perigo representado pela liberalização do comércio de armas e munições e pelo cancelamento de seu rastreamento. Conforme Macedo e Costa, “no texto, Jungmann defendeu que maior acesso a armas pela população aumentará os homicídios e impulsionará atividades criminosas, como as milícias e o tráfico de drogas. O ex-ministro alerta para ‘risco de gravíssima lesão  ao sistema democrático com a liberação, pela Presidência da República, do acesso massificado dos cidadãos a armas de fogo’ e atribui ao governo ‘erro ameaçador’”. Não falta quem argumente que bandos criminosos não se armam em lojas, mas no contrabando de armas. Essa manifestação coletiva de estupidez, contudo, não elide o fato de que, zeradas as alíquotas de importação e sem rastreamento possível, aumentará o total de revólveres e fuzis disponíveis, podendo ser adquiridos em lojas ou subtraídos em assaltos a arsenais e paióis de Polícias Militares e pelotões de Forças Armadas.

O argumento populista do capitão cloroquina para armar golpistas ou propensos a pôr fim à democracia pela força é desarmado pelo ex-deputado pernambucano com a mesma facilidade com que milicianos e traficantes, mancomunados secretamente, furtam armas das mãos de cidadãos inocentes. É uma falácia mal-intencionada a de que “o armamento da população deve ser feito para garantir a liberdade dos cidadãos de bem”. De fato, segundo Jungmann, isso evoca “o terrível flagelo da guerra civil, e do massacre de brasileiros por brasileiros”. A polarização radical nos está pondo a um passo desse inferno abissal. O ex-ministro lembrou que, em 2019 e 2020, as mortes violentas voltaram a crescer no País e que, ao mesmo tempo, os registros de compra de novas armas “explodiram”. E completou: “90%  a mais em 2020, relativamente a 2019, o maior crescimento de toda  série histórica, segundo dados da Polícia Federal”.

A violação descarada do Estatuto do Desarmamento (Lei n.º 10.826, de 22 de dezembro de 2003), ao arrepio do Estado de Direito, mostra como tudo isso é muito grave e realista. É, então, urgente que venha a ser levado em conta por quem quer que se diga defensor da democracia, mas prefira não reagir como deveria. A lembrança está no calendário disponível em qualquer escrivaninha de brasileiro. “Nossas eleições estão aí, em 2022. E pouco tempo nos resta para conjurar o inominável presságio”, avisou o ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne segunda-feira 22 de fevereiro de 2021)

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique aqui.

Página 1 de 13612345...1015202530...»
Criação de sites em recife Q.I Genial