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Nêumanne entrevista Márcia Lígia Guidin

Nêumanne entrevista Márcia Lígia Guidin

Educadora prefere instrução suprapartidária

a PT e escola sem partido

Márcia Lígia, da Editora Miró, critica demagogia do ProUni de Lula e “colmeias” do colegial unificado dos militares e simpatiza com um ministério só para educação e cultura

“Educadores sérios queremos uma escolha sem o partido da esquerda nem o da direita. Queremos uma escola suprapartidária”, diz a doutora em Literatura pela USP e dona da pequena editora Miró Márcia Lígia Guidin. Ela discorda frontalmente da exaltação dos programas demagógicos pelo candidato petista derrotado à Presidência em outubro, Fernando Haddad, afirmando que  “o ProUni formou  apenas  alguns despreparados  profissionais, que pouco contribuirão para o crescimento dos índices educacionais. Qualquer coisa servia, desde que  se criassem índices de crescimento, que, claro, são desmentidos todos pela divulgação dos resultados acachapantes de avaliações internacionais sobre nós”. E, ao mesmo tempo, diz-se preocupada com a escolha do filósofo colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodríguez pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, “porque é  um intelectual extremamente conservador, o que significa radicalismo, e traz  como  ostensiva bandeira  a adesão à ideia da horrenda Escola  sem Partido (ou seja, da escola sem a  “doutrinação” do que chamam de ‘esquerda’). A  luta para aprová-la no Congresso está cada vez mais forte. Um educador verdadeiramente sério não pode concordar com tal proposta.”

Márcia Lígia diz: "Vamos ver como fica o que mais me assusta e mobiliza, como cidadã e docente: a combalida educação deste país." Foto: Acervo pessoal

Márcia Lígia diz: “Vamos ver como fica o que mais me assusta e mobiliza, como cidadã e docente: a combalida educação deste país.” Foto: Acervo pessoal

Márcia Lígia Guidin nasceu em São Paulo, no bairro do Tatuapé, em 1950.  Naquela época a região era reduto de espanhóis e italianos, exatamente essa a sua origem, acrescida aí da veia  germânica de sua mãe. Estudou sempre em escola pública do Estado, da alfabetização ao fim do ensino médio, e na USP, da graduação  ao  mestrado e doutorado. Por isso dedicou sua vida docente a tentar restituir à sociedade tudo o que sua formação acadêmica  lhe trouxe. Cursou Letras Vernáculas e Germânicas  na graduação, na Faculdade de Filosofia e Ciências  Humanas. Seu mestrado e doutorado abordaram respectivamente análises críticas  de obras de Clarice Lispector e Machado de Assis. Deu aulas da Unip e na ECA-USP. Em andamento há um  estudo de pós-doutorado que analisa  o ensino de literatura nos livros didáticos. O ingresso de Márcia no mundo editorial começou nos anos 1980, como leitora crítica de editora Ática. Tornou-se organizadora de coleções de livros paradidáticos e universitários. Há anos concilia sua vida de professora universitária aposentada com atendimento e aconselhamento a escritores, inéditos ou não. Ministra palestras e cursos de pós-graduação, além de escrever crítica literária regular para o jornal Rascunho. Sua pequena editora, Miró Editorial, edita obras universitárias para adoção em salas de aula. Pertenceu ao Conselho Curador do Prêmio Jabuti por 12 anos.

Nêumanne entrevista Márcia Lígia Guidin

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Comentário no Jornal Eldorado: Lewandowski delinquiu

Comentário no Jornal Eldorado: Lewandowski delinquiu

A menos que tenha sido extinto o Estado de Direito no Brasil, onde todos os cidadãos ainda gozam de plena liberdade para manifestar suas opiniões, o Excelentíssimo Ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski cometeu grave ofensa a essa isonomia ao ameaçar de mandar a Polícia Federal prender advogado que lhe disse sentir vergonha de ser brasileiro por causa dessa instituição. Quem quer ser respeitado deve, primeiro, se dar ao respeito, o que não acontece com esse senhor nem com nenhum de seus outros dez colegas de toga. Omissão dos passageiros diante de sua agressão arbitrária também merece reprovação, assim como o covarde e interesseiro silêncio do sindicato dito OAB.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quarta-feira 5 de dezembro de 2018, às 7h30m)

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Zanin, advogado de Lula, age no STF como se fosse o verdadeiro patrão de Lewandowski e Gilmar. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Zanin, advogado de Lula, age no STF como se fosse o verdadeiro patrão de Lewandowski e Gilmar. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Assuntos para comentário da quarta-feira 5 de dezembro de 2018

1 – Haisem – Advogado Cristiano Caiado diz a Lewandowski que STF é uma vergonha e o ministro manda a PF prendê-lo. Seria o caso?

2 – Carolina – Por que Gilmar Mendes pediu vista do julgamento do pedido de liberdade de Lula à Segunda Turma do STF?

3 – Haisem – Fachin atende a pedido de Dodge e abre investigação sobre eventual caixa 2 de Onyx Lorenzoni, seis deputados e três senadores

4 – Carolina –  Bolsonaro anuncia que reforma da Previdência será fatiada

5 – Haisem – Em encontro com deputados do MDB Bolsonaro faz frase de efeito ao defender aprofundamento da reforma trabalhista “É horrível ser patrão no país”

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6 – Carolina – Estados Unidos investigam Temer no inquérito dos portos

7 – Haisem – Dono da OAS  paga 28,5 milhões de fiança para não ter de ficar na cadeia da Lava Jato

8 –  Carolina – Caminhoneiros já se articulam para nova paralisação das estradas em janeiro

No Blog do Nêumanne: De quatro em quatro o STF enche a pança

No Blog do Nêumanne: De quatro em quatro o STF enche a pança

Ao chantagear Temer, deputados e senadores para ter reajuste, STF disse que não é aumentado há quatro anos e omitiu que seus gastos com pessoal quadruplicaram em 20 anos

Tentando justificar o injustificável reajuste de seus subsídios de R$ 33 mil para R$ 39 mil, o Supremo Tribunal Federal (STF) usou como pretexto o fato de seus membros não terem recebido aumento algum nos últimos quatro anos. Nenhuma evidência demoveu seus membros da premência de suas necessidades básicas, que teriam deixado de ser atendidas pela defasagem denunciada. Os vencimentos reajustados agravam a situação precária das contas públicas, que já assombram o distinto pagante com o fantasma de uma despesa em cascata de, no mínimo, R$ 4 bilhões até, no máximo, R$ 6 bilhões. Nem a obviedade de que a proximidade de inadimplência na Previdência e em outros setores do Estado, que pode levar à incapacidade de honrar os compromissos cada vez mais gravosos do Tesouro Nacional, nos enche de pavor neste momento em que 12 milhões de brasileiros estão desempregados. Nem a constatação de que quem tem o privilégio de um emprego seguro na economia real não sabe o que é um aumento desde o início da crise, em 2014.

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Nêumanne Entrevista 2018

Nêumanne Entrevista 2018

Trinta e três personalidades da política, cultura, literatura, arte e dos esportes concederam entrevistas disponibilizadas nesta Estação Nêumanne.

Acesse todas as entrevistas num único link: clique aqui.

Ou clique abaixo no nome do entrevistado:

José Mario Pereira , Evandro Affonso Ferreira,  Guzzo, Deonísio da Silva, Fernando L. Schüler, Joice Hasselmann, Janaína Paschoal, Ipojuca Pontes, Márcia Cavallari, Rubens Figueiredo, Celso Lafer, José de Souza Martins, Mary Del Priore, Cláudio Porto, Paulo Melo, Augusto Nunes, Roberto Livianu, Luiz Flávio Gomes, José Paulo Cavalcanti Filho, Arthur Antunes Coimbra, Zico, Elena Landau, Afonsinho, Aninha Franco, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, Boni, Edmar Lisboa Bacha, Juca de Oliveira, Roberto Rodrigues, Mara Gabrilli, Heloisa Starling, Jacob Pinheiro Goldberg, Modesto Carvalhosa, Almir Pazzianotto, Paulo de Tarso

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Nêumanne entrevista José Mario Pereira

Nêumanne entrevista José Mario Pereira

Editor aposta em democracia mais forte

após crise sem precedentes

Zé Mario, da Topbooks, que lançou sucesso de Roberto Campos, diz que só o tempo dirá se Bolsonaro vai tornar País melhor fazendo o que o eleitor exigiu nas urnas

“Se examinarmos a História  do Brasil no século 20, encontraremos inúmeros momentos de crise ética, política e econômica, e analistas ora  pessimistas, ora esperançosos quanto ao futuro. Nos últimos anos o País deparou com uma crise ética e moral sem precedentes, cujas consequências ainda não podemos avaliar em toda a sua dimensão porque continuamos a ser surpreendidos, quase diariamente, por revelações escabrosas. Mas penso que a democracia brasileira sairá fortalecida desse processo e que os intelectuais e artistas podem desempenhar papel relevante como formuladores de ideias e alternativas para a crise que atravessamos.” É isso que pensa José Mario Pereira, entrevistado do Blog do Nêumanne nesta semana. Dono da Topbooks, cujo terceiro lançamento foi seu maior sucesso de público e crítica, A Lanterna na Popa, livro de memórias de Roberto Campos, que volta à moda com a escolha da equipe econômica do presidente eleito, Jair Bolsonaro, a cargo de Paulo Guedes, ousa agora fazer um aposta arriscada. O último título lançado por sua editora é A Alma do Tempo, da lavra de um dos políticos mais importantes da História de nossa República, o mineiro Afonso Arinos de Melo Franco, com 1.780 páginas. E o faz neste momento complicado do mercado editorial, agravado pelo pedido de recuperação judicial de duas grandes redes livreiras, a Cultura e a Saraiva, com dívidas milionárias, e em meio à crise ética, econômica, financeira e política em que o País está imerso. Mas nada disso o abala. “Temos excelentes livrarias, algumas maiores, outras menores, com ótima clientela e bem administradas. Talvez seja o caso de incentivar a criação de livrarias de bairro, pequenas, mas com bom estoque, com livreiros que  conheçam e gostem de livro. Frequento muito os sebos, alguns vendem livros novos também, e seus donos não reclamam de crise. As pessoas estão lendo mais, e vão aonde há novidades e preços razoáveis”, disse, justificando sua iniciativa.

 Zé Mario acha que, se Roberto Marinho estivesse vivo, teria evitado atritos entre profissionais da Globo e candidatos no último pleito. Foto: Acervo pessoal

Zé Mario acha que, se Roberto Marinho estivesse vivo, teria evitado atritos entre profissionais da Globo e candidatos no último pleito. Foto: Acervo pessoal

Natural de Quixadá, Ceará, José Mario Pereira fundou a Topbooks em abril de 1990. Publicou, entre vários nomes importantes, Franklin de Oliveira, Otto Maria Carpeaux, José Paulo Paes, Luiz Costa Lima, Evaldo Cabral de Mello, Mary Del Priore,  Maria José de Queiroz, Roberto Campos, Afonso Arinos de Melo Franco, Olavo de Carvalho, Bruno Tolentino, Wilson Martins, Miguel Reale, Roberto Marinho, Nélida Piñon, Lêdo Ivo, Ivan Junqueira, Delfim Netto e José Neumanne Pinto. Também devolveu às estantes do País a obra de Manuel Bomfim e títulos há muito esgotados de Joaquim Nabuco, José Veríssimo, Oliveira Lima e Gilberto Freyre. No plano internacional, lançou livros fundamentais, como  a Areopagítica, de John Milton, os Panfletos Satíricos, de Swift, a Lírica, de Dante, Jerusalém Libertada, de Torquato Tasso, as Memórias de George Kennan, os Ensaios de David Hume e a obra completa de Rimbaud, traduzida por Ivo Barroso. O grande sucesso da Topbooks, que a tornou nacionalmente conhecida, é sem dúvida Lanterna na Popa, livro de memórias de Roberto Campos, lançado em setembro de 1994. O volume de 1.417 páginas rapidamente virou best-seller e alcançou a marca de 100 mil exemplares vendidos. Em 2002, Zé Mario – como é conhecido – foi convidado pelo Liberty Fund, de Indianápolis,nos Estados Unidos, para editar as traduções de dez livros do catálogo dessa prestigiosa fundação americana. Os primeiros títulos da coleção Liberty Classics começaram a chegar ao mercado brasileiro em novembro de 2003; um segundo programa, de mais dez títulos, foi aprovado em 2005, e já são 19 os livros editados. Como autor, Zé Mario escreveu José Olympio – O Editor e sua Casa, duplamente premiado: ganhou o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, e o Senador José Ermírio de Moraes, dado pela Votorantim, em parceria com a Academia Brasileira de Letras. Dono de imensa biblioteca, o editor da Topbooks é colaborador freqüente de jornais e revistas literárias.

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Nêumanne entrevista Evandro Affonso Ferreira

Nêumanne entrevista Evandro Affonso Ferreira

Palavra é tapete mágico

em que Evandro atravessa

abismo do indizível

Autor de Grogotó!, colecionador de prêmios literários, resume ofício em seu estilo minimalista e irreverente: tudo o que é ruim pra vida é bom pra literatura

Quando este entrevistador se referiu à “esquerda Rouanet” e aos efeitos na cultura pátria da lei que leva o nome de seu autor, o ficcionista Evandro Affonso Ferreira, protagonista da série Nêumanne Entrevista desta semana neste blog, não se fez de rogado e respondeu da forma como está acostumado a escrever. Antecipe aqui a leitura da resposta na reprodução ipsis litteris logo abaixo: “Rouanet… Em que esquina, rua, em que time joga esse senhor? Não conheço. Minha empreitada é escrever…. Escrevo possivelmente para driblar a inquietude; para, quem sabe, não deixar a esperança se desvanecer de vez. Hipóteses. Sei que juntos, palavras e eu, frustramos o inacessível, o acaso; decodificamos o insondável, desbastamos limites linguísticos. Sei que ela, a palavra, é meu tapete mágico sobre o qual atravesso abismo do indizível.”

Quando o entrevistador falou da esquerda Rouanet, Evandro perguntou: "em que time joga esse senhor?" Foto: Ninil/Acervo pessoal

Quando o entrevistador falou da esquerda Rouanet, Evandro perguntou: “em que time joga esse senhor?” Foto: Ninil/Acervo pessoal

Evandro Affonso Ferreira é autor de vários romances, entre eles, Minha Mãe se Matou semDizer Adeus (Record), Prêmio APCA de Melhor Romance do Ano; O Mendigo que Sabia de Cor osAdágios de Erasmo de Rotterdam (Record), Prêmio Jabuti de Melhor Romance do Ano; Não TiveNenhum Prazer em Conhecê-los (Record), Prêmio Bravo de Melhor Romance do Ano; e NuncaHouve Tanto Fim como Agora (Record), Prêmio APCA de Melhor Romance do Ano. Foi dono dos sebos Sagarana e Avalovara, em São Paulo, e como gerente da livraria Boa Vista recebia aos sábados visitas de Mário Chamie, Zé Rodrix, Aquiles do MPB4, Humberto Mariotti e outros intelectuais que davam tudo por um dedo da prosa doce e amarga dele.

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