Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

BLOG

No Blog do Nêumanne: Petistas furtaram e a culpa é dos outros, jura Haddad

No Blog do Nêumanne: Petistas furtaram e a culpa é dos outros, jura Haddad

 

No Jornal Nacional candidato petista ao Planalto usou autocrítica de Tasso para inculpar Cunha, Temer e tucanos pela rapina geral da República nos desgovernos de Lula e Dilma

A transformação de estepe em poste de Lula em cadeia nacional, na primeira sabatina a que se submeteu na televisão comercial como candidato a presidente da República, foi uma excelente oportunidade para o público já enfronhado nas circunstâncias reais que impediram a candidatura do ex conhecer os dotes que fizeram o substituído escolher o substituto.

Os entrevistadores William Bonner e Renata Vasconcellos usaram grande parte dos 27 minutos que lhes couberam da entrevista ao vivo para cobrar do professor da Universidade de São Paulo (USP) algo que se assemelhasse a uma autocrítica. Essa estratégia, como se sabe, é um antigo truque retórico de engodo da opinião pública, useiro e vezeiro em partidos comunistas, ao qual, aliás, nunca aderiu o Partido dos Trabalhadores (PT), que se diz socialista, mas sempre foi inimigo de comunistas. Agora Fernando Haddad, que nos redutos petistas do Brasil profundo é chamado de “Andrade”, revelou que o partido se dispõe a adotar a autocrítica dos outros para com ela conseguir o efeito supremo de transferir para adversários crimes dos quais seus correligionários são acusados pela polícia e pelo Ministério Público e severamente apenados pelos juízes de primeira e segunda instâncias. Não é propriamente uma inovação, muito menos uma surpresa, mas não deixa de revelar uma estratégia de simulação, no mínimo, interessante, embora não se saiba quando e se produzirá efeito.

A oportunosa ensancha foi dada ao poste petista por um adversário de alto coturno. No sábado, o Estado publicou entrevista exclusiva do repórter de política Pedro Venceslau, enviado especial a Fortaleza, na qual o ex-presidente nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e presidente do Instituto Teotônio Vilela, da mesma legenda, Tasso Jereissati,fez uma autocrítica em regra das atitudes de seus aliados. Na entrevista, o “Galego”, como é conhecido pelos íntimos, soltou a língua, com a qual despejou fogo amigo de matar de inveja qualquer dragão.

De início, vituperou correligionários que recorreram à Justiça Eleitoral para exigir a recontagem dos votos na eleição de 2014, pondo em dúvida o triunfo dos adversários Dilma Rousseff e Michel Temer. Na opinião de Jereissati, notório adversário de Lula e irmão de um dos maiores amigos do desafeto, Carlos, dono do Shopping Center Iguatemi e da La Fonte, o pedido de recontagem afronta a democracia. Além disso, o cearense não poupou ferinas condenações à adesão do PSDB ao governo de Michel Temer logo após o impeachment de outro poste de Lula, Dilma Rousseff. Haddad seria um tolo se não usasse as mágoas fratricidas do adversário. E, como se sabe sobejamente, tolo Haddad não é.

Então, para defender a correligionária Dilma, o “Andrade” recorreu ao fogo amigo de Tasso para retirar dela a pecha de ter sido o pior presidente da História de nossa insana República. Nessa teoria econômica, digna de um prêmio qualquer das Nações Unidas, a mais nova simpatia ideológica do petismo condenado por corrupção, a “púcara búlgara” (apud Campos de Carvalho) tinha tudo para surfar na onda de sucesso e benfeitorias do antecessor, papai Lula. Mas sucumbiu às pautas-bomba aprovadas no Congresso por seu ex-vassalo e, depois, inimigo Eduardo Cunha, do “quadrilhão” do PMDB, hoje MDB, só para atender aos interesses do grupo do então vice-presidente, que, como se viu, conspirou para tirar a titular da chapa do poder e assumir o trono presidencial, naquilo que a petista Fátima Bezerra chamou de “gópi”. E mais: aproveitou-se Haddad, oportunista como um ponteiro de rede para fazer um ponto sem bloqueio na quadra de vôlei da política: sôfregos por poder, os derrotados tucanos  lambuzaram-se do mel republicano aderindo ao “golpista” Temer.

A semana ainda não tinha começando quando o tucano de alta voltagem respondeu ao atual poste lulista com um truísmoarrebatador: “Usou uma reflexão honesta para proselitismo político”. Não sabe de nada o inocente! Político, filho de politico, empresário, herdeiro de fortuna paterna, o tucano do Ceará descobriu o Brasil de bicicleta, como dizem na Praça do Ferreira e na Praia de Iracema. Político que não usar deslize sincero de adversário como argumento de palanque está convidado a mudar de profissão com urgência. O caso é que Tasso não é bem um inocente, pois fez fogo amigo na cabeça de Geraldo Alckmin para ajudar um aliado de velhos tempos, Ciro Gomes, a chegar ao segundo turno numa disputa que parece fadado a ter com Jair Bolsonaro. Mas como tucano guarda balas especialmente para disparar no próprio peito, Tasso forneceu munição a Haddad, em movimento de subida nas pesquisas, enquanto Ciro afunda, vítima, como sempre, do próprio temperamento, digamos, mercurial. Ou seja, a bala entrou no rol das perdidas, num dos vários sentidos da palavra.

Tasso tinha meia razão. O pedido de recontagem de votos foi estúpido, mas em nada deslustrou a democracia. Num processo julgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) surgiram inúmeras provas de que o pleito de 2014 foi fraudado. E pior: por vencedores e vencidos. Então, a autocrítica do tucano omitiu evidências de recurso dos correligionários ao propinoduto da Odebrecht. Dilma deve ter tido mais votos do que Aécio Neves, mas isso não se deveu apenas ao apoio do padim Lula. Sem a presença na chapa de Michel Temer, levando a capilaridade do PMDB da época, madama talvez não tivesse sequer chegado ao segundo turno. Mas a sede de vingança do cearense impediu que ele aproveitasse seu sincericídio para constatar o óbvio. A “reflexão honesta” do antecessor de Ciro no governo do Ceará foi, então, no mínimo, incompleta. Se não ressuscitasse a candidatura de cachorro morto do ex-governador paulista, poderia pelo menos contribuir para a História.

A parte que Haddad acrescentou na sabatina no Jornal Nacional, contudo, não se limitou à tentativa de explicar como bonança a tempestade sob Dilma. Ele foi além.Primeiramente, reconheceu que, de fato, alguns petistas abusaram do acesso aos cofres do poder. Mas muitos dos que foram condenados (certamente o caso de Lula, que ele não citou) são mesmo vítimas do “abuso de poder” de policiais, procuradores e juízes federais, facilitado pelas delações premiadas. Uma versão desmente a outra, mas “Andrade” nunca teve mesmo compromisso com a lógica…

E, em segundo luar, além de confirmar a frase de Jean-Paul Sartre (em Huis Clos) segundo a qual “o inferno são os outros”, o preposto estepe que virou poste sem luz atribuiu sua derrota humilhante na eleição de 2016 à indução dos eleitores ao erro, da parte dos autores de pautas-bomba no Congresso e aproveitadores do “gópi”. Vamos aqui agora abrir parêntesis para a trajetória política curta e inglória de um professor da Universidade de São Paulo que resolveu tornar-se valet de chambre de seu líder, patrono e senhor, Lula da Silva. O ex-ministro de Educação não teve pejo em alardear seus feitos na pasta – Fies, Pró-Uni e outros adereços de marketing – no dia em que as Nações Unidas (que o PT agora não pode desqualificar) divulgaram seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Brasil ficou abaixo da Venezuela, estagnado em 79.º lugar. E isso não se deu por causa da recessão – segundo ele, de Cunha, Temer e PSDB –, mas pela educação,

Voltando à narrativa, o PT protagonizou com os aliados e ainda com a mão amiga da oposição de fancaria do PSDB a maior rapina dos cofres públicos da História, mas a culpa, conforme o mais novo contador de lorotas pseudo-históricas de palanque e debate, é de Satanás (apud Sartre). E o fato de ele ter tido menos votos do que a soma dos nulos e em branco na eleição municipal paulistana de 2016 deveu-se à burrice do povo, que o fez naufragar em todos os bairros periféricos da maior cidade do País. Ou melhor, da incapacidade que o brasileiro comum tem de resistir às ficções que a canalha política inventa para ludibriá-lo. Assim, ficamos sabendo por que Haddad e outros asseclas do presidiário mais célebre e celebrado do Brasil insistem em fantasias absurdas, tais como a injusta perseguição de um criminoso corrupto e lavador de dinheiro, que pretende votar e ser votado numa “cela de estado-maior”, que, ninguém sabe por quê, não é trocada por uma prisão de verdade, em que hoje cumprem pena pobretões, operadores do PT e empreiteiros corruptores.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne segunda-feira 17 de setembro de 2018)

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

https://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/petistas-furtaram-e-a-culpa-e-dos-outros-jura-haddad/

 

No Blog do Nêumanne: Democracia apunhalada

No Blog do Nêumanne: Democracia apunhalada

Tentativa de assassinar candidato à Presidência não pode ser tratada como ato insano de ‘lobo solitário’, pois é, de fato, atentado contra liberdade e direito de discordar e disputar eleição

O servente de pedreiro Adélio Bispo de Oliveira, mineiro, 40 anos, tem, como todo brasileiro, liberdade para, em nome dos ideais que o levaram a filiar-se ao PSOL e depois desfiliar-se, discordar de todos quantos não professem sua fé revolucionária e, no limite total, insultar quem dele discorde. Mas qualquer bebê de colo tem plena noção de que não lhe assiste autorização da sociedade para, munido de uma arma branca, ferir e tentar matar quem não comungue de seus ideais revolucionários e antidemocráticos. Ao fazê-lo, atentou contra o maior bem de que dispõe qualquer ser humano, a vida. Só que fez muito mais: cometeu um grave crime político de lesa-liberdade contra o Estado de Direito, que assegura a todos, sem exceção, permissão para pensar, empreender, expressar-se, concordar ou discordar e seguir qualquer credo religioso ou partidário.

O que aconteceu no fim da tarde de quinta-feira 6 de setembro em Juiz de Fora (MG) foi a terceira ocorrência criminal grave na política brasileira neste ano de sangue, ódio e medo. O primeiro teve lugar em 14 de março no centro do Rio de Janeiro e nele foram vitimados a vereadora do PSOL Marielle Franco e o motorista, Anderson Gomes, executados a balaços de um fuzil automático usado por atiradores até agora não identificados, que passavam num carro ao lado do ocupado pelos baleados. Em 27 de março, 13 dias depois, um atirador até agora não identificado pela autoridade policial – Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Civil do Paraná ou Polícia Federal (PF) – alvejou com um revólver um ônibus da caravana que seguia o pretendente à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). E Jair Bolsonaro, deputado federal pelo Partido Social Liberal (PSL) disputando idêntico posto, foi esfaqueado, sobreviveu e está internado em estado gravena Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, depois de ter sido submetido a uma laraparoscopia na Santa Casa de Misericórdia na cidade onde foi ferido.

Tudo o que se conhece sobre autorias ou motivação dos três crimes, todos graves, embora cada um com sua natureza específica, é o que tem sido dito em evidentes platitudes ou em desinformação declarada, de forma leviana e sem base em nada de concreto, pelo ministro extra extra ordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann. Nada do que foi “informado” pela autoridade máxima responsável pela “insegurança” nacional serve para uma nota de pé de página num compêndio de História do Brasil. Ele revelou detalhes vagos sobre suspeitas dos assassinos até hoje desconhecidos do massacre no Rio. Considerou “inaceitável” o tiro que acertou a lataria do ônibus de devotos de Lula e não feriu ninguém. Agora, enquanto seus subordinados da PF ainda investigavam a participação de eventuais cúmplices do agressor do candidato que concorre de verdade em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto e também em rejeição, o chamou de “lobo solitário”. Como rezava o samba-canção, “e daí, e daí?”.

Da execução do Rio, do tiro disparado na estrada entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no Paraná, e da punhalada na democracia no interior de Minas, por enquanto, o público interessado só conhece o que a incompetência proverbial dasPolícias Civis e Federal em matéria de investigação de crimes contra a vida autoriza: a autoria desconhecida nos dois primeiros casos e questões não respondidas no outro. A execução de Marielle e Anderson abriu a temporada das conjecturas oportunistas da guerra política em ano de campanha. A esquerda mendaz preferiu elegê-la mártir da revolução, em vez de mobilizar sua artilharia contra a incompetência das polícias do Rio e da intervenção militar na Segurança do Estado, todos incapazes de resolver um crime cujos autores deixaram óbvios vestígios. A direita infame preferiu satanizar a vítima, como se ela tivesse disparado os projéteis, e não sido o alvo deles. E recorreu a crimes similares contra cidadãos anônimos, como se uns justificassem o outro, critério estúpido, desumano e inócuo. Enquanto Jungmann anunciava à Nação que milicianos suspeitos estavam sendo investigados e seu chefe, o presidente Temer, comemorava o êxito da operação incapaz de resolver um crime de repercussão internacional, os brasileiros com um mínimo de inteligência e pundonor choravam a própria sorte, entregue a essa gente incapaz e mentirosa. A viúva de Marielle, Mônica Benício, contou, pasme, que só neste fim de semana a polícia lhe pediu a senha do telefone da vítima para investigar suas chamadas. Cinco meses depois do crime…

Assim como na chacina do Estácio, berço das estripulias dos sambistas de antanho fugindo de chefes da polícia, o tiro no ônibus da caravana de Lula continua sem explicação das autoridades policial e judicial que esclareça mais do que os exames periciais divagando sobre o ângulo geométrico do cano da arma que disparou ou a solução do enigma da velocidade com que o ônibus se movia (ou não) quando foi alvejado. Jungmann decretou-o “inaceitável”. Mas até agora a evidência que salta do episódio, que pelo menos não deixou vítimas, é que a chefia dos policiais encarregados da investigação, passando pelo autor do truísmo, “aceita”, sem exigir explicação nenhuma, a inépcia de seus subordinados. Enquanto isso, os ditos “pescadores em águas turvas” põem a imaginação para funcionar apontando para os inimigos que teriam atirado, no mínimo, para assustar os peregrinos do lulismo. Ou para devotos do padim, que teriam atirado para adicionar cheiro de pólvora à teoria da perseguição imaginária com que vendem a militantes crédulos do Brasil e do mundo a fancaria hagiológica de que, além de carismático, seu líder é mártir dos exploradores de sempre, só por ser bom para pobres e desvalidos.

A vítima da tentativa de assassinato em Juiz de Fora correu risco de morte, está viva, grave, em estado grave, mas bem na UTI em São Paulo. Em princípio, ele foi beneficiado pela multiplicação automática de horas em copiosa cobertura no noticiário da campanha. Sua cota no horário no rádio e na televisão é de 9 segundos e ele passou a ocupar o noticiário (e não os comerciais) em minutos que superam muito os dos campeões do PSDB e do PT. Mesmo quando tiver saído do hospital e continuado a campanha, a audiência da grade da programação e a leitura das páginas nobres dos meios da comunicação produzirão em seu favor mais efeitos do que a soma do tempo no horário da propaganda de todos os seus adversários. Se prevalecer a experiência de que a comiseração é um elemento forte de simpatia e até apoio na política, é provável que o atentado possa beneficiá-lo na disputa. A retirada da propaganda agressiva do campeão do tempo e das iniciativas estúpidas, Geraldo Alckmin, do PSDB, já poderá favorecê-lo duplamente: por ter sido insultado na propaganda do adversário, ao mesmo tempo que era ferido de morte por um inimigo ideológico, teve reduzida sua altíssima rejeição.

A PF teria muito a explicar ao chefe Jungmann, se este estivesse interessado em explicações. A facada é uma imperdoável falha de segurança. A oportunidade para se redimir dela será dada por uma investigação completa, isenta e transparente do crime. Há dúvidas que estão aí para ser dirimidas. Quem pagou as aulas de Adélio numa academia de tiro onde praticavam os filhos da vítima, na distante Santa Catarina? Que generoso cliente paga a um quarteto de advogados grã-finos para defender a tese oportuna de que ele é doido, agiu sozinho e obedeceu a uma ordem divina? Por que o advogado mentiu de forma tão abjeta quando lhe atribuiu o desejo de ferir, mas não matar, com uma facada no abdômen?

Não dá para imaginar que Bolsonaro tenha ficado feliz com a exposição na mídia depois de ter corrido o risco que correu. Mas o que menos interessa agora são eventuais vantagens do candidato ferido. O Estado de Direito no Brasil depende de informações precisas, isentas e lógicas da autoridade policial que investiga o caso. O resto é lana caprina. Ao contrário do que faz crer a nota venenosa do PT contra a entrevista do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, ao Estado, este tem razão e fala a verdade. Os riscos para a sobrevivência e a higidez de nossa democracia aumentarão se nada for esclarecido tintim por tintim. E isso vale para os três atentados deste ano: a execução de Marielle e Anderson, o tiro no ônibus da caravana de Lula e a facada em Bolsonaro.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne segunda-feira 10 de setembro de 2018)

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

https://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/democracia-apunhalada/

Nêumanne entrevista Mary Del Priore

Nêumanne entrevista Mary Del Priore

Somos todos culpados pelo incêndio do museu, acusa historiadora

Autora de 41 livros sobre História do Brasil, Mary Del Priore pergunta: “o que esperar de uma corja de ladrões incompetentes que nunca pisaram num museu?”

Emocionada com o trágico incêndio que devorou a coleção insubstituível do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, domingo, no Rio, a historiadora Mary Del Priore, disparou: “a pergunta devia ser: o que fazemos com a nossa indiferença?” Em sua opinião, “ao buscar “culpados” pelo incêndio, raramente pensamos que os culpados somos nós, o povo. Qual a parede que não está pichada? Qual o busto ou placa de bronze que não foi derretido? Quantos casarões coloniais não viraram estacionamento? Quantos pais levam filhos aos museus, em vez de levá-los ao shopping? E pior, quantos se incomodam com que isso aconteça? Passamos com absoluta insensibilidade diante das perdas de nosso patrimônio. Afinal, ele é ‘público’. A preocupação com o bem público não faz parte da mentalidade da grande maioria.” E não perdoou a chamada elite na série Nêumanne entrevista: “Nossos ‘ricos’ preferem um apartamento em Miami ou uma quinta em Portugal a ajudar o País. Quanto às autoridades públicas, com raras exceções, o que esperar de uma corja de ladrões incompetentes que certamente nunca pisaram num museu?”

Autora do sucesso de crítica e vendas História da Gente Brasileira entende que solução da crise brasileira passa pela melhora radical da educação. Foto: Acervo pessoal

Autora do sucesso de crítica e vendas História da Gente Brasileira entende que solução da crise brasileira passa pela melhora radical da educação. Foto: Acervo pessoal

Mary del Priore é autora de 51 livros sobre História do Brasil, ganhadora de mais de 20 prêmios literários nacionais e internacionais, entre os quais, três Jabutis. Pós-doutorada pela École des Hautes Études em Sciences Sociales, de Paris,  lecionou nos Departamentos de História da FFLCH-USP e da PUC-RJ  e atualmente ministra aulas na pós-graduação da Universidade Salgado de Oliveira. Colabora com periódicos científicos e não científicos nacionais e internacionais, anima o programa Rio de Histórias, da Rádio CBN-RJ, é consultora de cineastas como Daniela Thomas, Beto Amaral e Estevão Ciavatta, sócia do IHGB, do IHGRJ, PEN Clube do Brasil e membro da Academia Carioca de Letras, entre outras academias internacionais, como a Real Academia de Espanha.

A seguir Nêumanne entrevista Mary Del Priore:

Leia mais…

Nesta quarta-feira no Estadão: Incêndio no Museu Nacional foi um crime

Nesta quarta-feira no Estadão: Incêndio no Museu Nacional foi um crime

Políticos prometem reconstruir o prédio para que gerações futuras não os incriminem

Os 20 milhões de itens expostos ao público, objetos de pesquisa e testemunhas à mão da memória e da História do Brasil ainda ardiam no incêndio que devastou o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, por não haver água nos hidrantes do prédio, e vários oportunistas já vinham à tona para se aproveitarem da tragédia.

O esqueleto de Luzia, a mulher mais antiga do continente, resistente a 12 mil anos de intempéries, era apenas uma imagem virtual quando os repórteres dos telejornais, enfrentando a desinformação absoluta com a necessidade de falar alguma coisa, noticiaram que a polícia terá de descobrir e revelar se o incêndio foi acidental ou criminoso. Truísmo é pouco para definir essa platitude. Minhas senhoras, meus senhores, o que se assistiu na noite de domingo passado foi ao assassinato sem piedade de milhares de anos da História do País e da humanidade pelas castas que dilapidam há séculos o patrimônio público. A documentação do registro da passagem do mamífero bípede, impropriamente definido como racional, e da identidade nacional de uma pretensa civilização, instalada nestes tristes trópicos em substituição à barbárie dos silvícolas, anterior a ela, virou cinzas molhadas pelos jatos impotentes de uma (!) escada de bombeiros jorrando água suficiente para apagar uma fogueira junina, se muito.

A primeira instituição científica nacional, fundada há 200 anos por dom João VI, o rei fujão de Portugal, sucumbiu a descaso, insensibilidade, estupidez, incompetência, desídia e rapina de sórdidas castas elitistas de políticos ambiciosos, gestores públicos irresponsáveis e intelectuais militantes.

Os acadêmicos José Sarney e Fernando Henrique, o breve Itamar Franco, os populistas Lula da Silva e Dilma Rousseff e os oportunistas Fernando Collor e Michel Temer não deram a museu algum um segundo de atenção, só usada para ludibriar eleitores e comprar congressistas para se reeleger ou escapar de impeachment, fugir de inquéritos ou prorrogar prerrogativa de foro.

Ora, direis, museu não dá voto. Aliás, é difícil encontrar algo de interesse público que dê votos a quem os disputa na arena cada vez menos ética da política brasileira. Votos se vendem e se compram com vil metal, empregos privilegiados na estroina e corrompida máquina pública nacional e também ideologias generosas somente na aparência. A gestão do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, por exemplo, cabe à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cuja administração é compartilhada por partidos da extrema esquerda sem representatividade popular, PSOL e PCdoB, em aliança com representantes da elite partidária que dá as cartas na República, embora se denomine como “dos Trabalhadores”.

A cúpula dos três Poderes, a intelligentsia acadêmica e, pasme, os responsáveis diretos pela indigência da instituição que ardeu choram e se lamuriam pelo destino dela, como gângsteres que levam flores ao velório das vítimas de sua brutalidade. O presidente Temer divulgou nota oficial quando ainda faltava água para apagar o fogo: “Incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional. Hoje é um dia trágico para a museologia de nosso país. Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros”.

O ministro da Cultura, Sérgio de Sá Leitão, disse que “certamente a tragédia poderia ter sido evitada”, numa tentativa absurda de transferir apenas para os governos anteriores as causas do desastre, que, segundo Walter Neves, antropólogo que pesquisava o esqueleto de Luzia, foi “anunciado”. A culpa não é apenas do governo atual, é claro, mas é principalmente deste. Leitão age como um sujeito que cai do décimo andar, sai caminhando e pergunta aos transeuntes o que aconteceu. E ninguém foi demitido!

É inútil querer que os incendiários da Quinta da Boa Vista respondam pela omissão do Estado, que se negou a gastar caraminguás para dotar o mais antigo museu nacional de chuveirinhos automáticos e extintores de incêndio que a lei exige de qualquer boteco da periferia. Mas, já que não se dispuseram a abrir mão dos bilhões do Fundo Partidário para salvar o museu extinto, que nos poupem de sua hipocrisia. E sendo inútil exigir que façam algo para a tragédia não se repetir no Arquivo Nacional e na Biblioteca Nacional, podiam fazer o que sempre fizeram: esquecer o tema. E nada de reconstruir o prédio para as gerações futuras se esquecerem de sua participação no crime.

Os candidatos ao posto mais elevado, cujos currículos frustram os cidadãos carentes de um presidente que evite que a economia arda, sabotada pela corrupção do PT, de seus aliados, entre os quais o MDB, e dos falsos oponentes do PSDB, reduziriam o teor de cinismo de suas campanhas se não chorassem sobre a aguinha que não evitou que o incêndio se alastrasse.

A Universidade de São Paulo (USP) e o ex-governador do Estado Geraldo Alckmin devem explicações sobre o cupim que ameaça a integridade das paredes do Museu do Ipiranga, fechado à visitação desde 2015 e com obras a serem iniciadas no ano que vem. Ou quando, enfim, não chegarem as calendas gregas. Fernando Haddad, o estepe de Lula, não terá como explicar seu silêncio no governo do patrono, quando foi ministro de Educação, sobre a ominosa situação em que a memória nacional embolora, apodrece e arde, enquanto os chefões partidários enriquecem ilicitamente. Nenhum dos dois projetos assinados por Jair Bolsonaro e aprovados em seus 27 anos na Câmara diz respeito a esse assunto. A militância ecológica de Marina Silva não inclui uma denúncia da penúria dos museus, tema também excluído da enxúndia demagógica de Ciro Gomes.

Só restará como testemunho da inépcia deles Bendegó, meteorito que caiu perto de Canudos e resistiu ao fogo feroz.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na página A2 do Estado de S. Paulo da quarta-feira 5 de agosto de 2018)

Para ler no Portal do Estadão clique no link abaixo:

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,incendio-do-museu-nacional-foi-um-crime,70002488267

Diário da Crise no Blog do Nêumanne: A vingança do PT

Diário da Crise no Blog do Nêumanne: A vingança do PT

Se Fernando Haddad, o estepe de Lula, vencer as eleições, Moro e a turma do MPF de Curitiba correm risco de serem presos. E o PT não precisa de motivos para prender. Eles inventam. O PT é famoso por derrubar reputações. Criam falsas notícias e repetem cansativamente até virarem verdades, no conhecido estilo Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler. Recentemente, Fernando Haddad, oficialmente vice de Lula, e verdadeiramente estepe e mais um poste de Lula, vem atacando o Lava Jato. Haddad afirma que “milhões de empregos foram perdidos desnecessariamente”. Como assim Haddad? O desemprego está no nível que está pela lambança dos governos do PT e principalmente pelo governo de Dilma Rousseff. Estas são as anotações que faço nesta terça-feira 4 de agosto de 2018 no Diário da Crise no Blog do Nêumanne.

Para ler a íntegra das anotações clique no link abaixo:

https://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/diario-da-crise-terca-feira-4-de-agosto-de-2018/

No Blog do Nêumanne: O Estado a serviço do crime

No Blog do Nêumanne: O Estado a serviço do crime

O cidadão brasileiro quis renovar os quadros políticos, mas os partidos impuseram a própria vontade para garantir sua permanência no poder e a descriminalização da corrupção

E Lulinha “guerra e ódio” perdeu mais uma votação num tribunal superior por goleada. Desta vez foi 6 a 1 no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 16 pedidos de impugnação do registro de sua candidatura pelo Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência.

Bem que poderia ter sido por 7 a 0. Seria a lógica dos fatos, sem fantasias ideológicas, e também de decisões anteriores de todo o Judiciário. Condenado em primeira instância a nove anos e meio pelo juiz Sergio Moro, o ex-presidente levou surras de 3 a 0 na turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) e de 5 a 0 no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ). E ainda sem complacência nas decisões monocráticas dos relatores dos recursos, Gebran Neto, em Porto Alegre, e Félix Fischer, em Brasília. Caindo no plantão de Laurita Vaz, à época presidente do STJ, foi mantida, da mesma forma, a decisão do TRF-4 de deixá-lo preso “na sala de estado-maior” na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

O preso mais famoso do Brasil perdeu de novo, por maioria simples, quando o habeas corpus pedido pela defesa subiu para julgamento no STF: 6 a 5. O ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, puxou os votos para ele ficar privado de liberdade. Com ele votaram, em abril, Alexandre de Moraes, Luís Barroso, Luiz Fux, Rosa Weber e a presidente Cármen Lúcia. Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes e o decano Celso de Mello deramos votos perdedores. E, em votações na Segunda Turma do STF, Fachin perde suas tentativas de punir, às vezes com voto de Celso de Mello e sempre contra a maioria formada pelo trio Parada Mole: Lewandoswki, Toffoli e Gilmar.

A sessão histórica do TSE em que o registro da candidatura do PT foi negado começou com a leitura do relatório didático e na mosca do relator Luís Roberto Barroso. Parecia nem haver muito a discutir. Pois a Constituição de 1988 consagrou a figura da lei de iniciativa popular. Lula e o PT foram convencidos por Ulysses Guimarães a assinar e apoiar esse tipo de legislação fora dos cânones. A Lei da Ficha Limpa é a mais popular das iniciativas partidas do povo sem intermediação e atendeu a um apelo da população, acompanhada pelos petistas, a favor da moralização da atividade política e da gestão pública. Na Presidência, Lula em pessoa promulgou a lei. Mas a sempre irônica deusa Clio, que, segundo os gregos, manda na História, logo fez-se presente: o militante que assinou a lei proibindo candidaturas de políticos com a fichasuja caiu nas malhas do Código Penal, personificando um dos pré-requisitos que a norma acrescentou à letra constitucional: condenados em segunda instância não podem disputar eleição nenhuma. Assim mesmo, sem mais.

Não há nem pode haver exceções à regra. Mas os devotos de padim Lula tentaram criar uma inovação: o signatário da Lei da Ficha Limpa teria de ser a exceção à regra e, mesmo condenado e cumprindo pena, ter sua pretensão presidencial autorizada pela Justiça Eleitoral por exigência da mesma instituição do Estado de Direito que havia tomado a iniciativa da legislação contra a corrupção: o povo. A Lei da Ficha Limpa fora avalizada por mais de 1,5 milhão de assinaturas de cidadãos aptos a votar. A exceção exigida pelos lulistas teria como base apenas pesquisas de intenção de votos, que não sãomeio válido de aferição para eleger ninguém.

À falta de um dispositivo constitucional que garanta impunidade plena ao chefe de Estado que promulgou a punição, a defesa do preso e seu partido inventaram um slogan de muito apelo e lógica nenhuma: “Eleição sem Lula é fraude”. E recorreram a uma recomendação assinada por dois dos 18 peritos do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) exigindo que, em nome do povo – que nem consultado o fora em plebiscito, referendo ou disputa eleitoral –, o “Brasil” (seja lá o que diabo for isso) permita a um condenado em segunda instância disputar pleito, seja qual for ele, inclusive o presidencial.

Antes da condenação e prisão de Lula, seus asseclas providenciaram uma campanha em duas fases para uma eleição em dois turnos. Ela começaria com propaganda maciça da chapa Lula e Haddad para depois poderem acrescentar um acento agudo, passando para Lula é Haddad, ou “Andrade”, como se propaga num de seus mais fiéis redutos, o interior de Pernambuco, dominado pelos “socialistas” saudosos de Arraes e Campos.

A farsa foi submetida ao TSE e o julgamento da sexta 31 de agosto para o sábado 1.º de setembro finalmente adotou a decisão definitiva para por a falsa candidatura de quem não pode ser eleito no lixo da História. Assim se deu o julgamento, mas com uma exceção à regra geral. Fachin, o implacável relator da Lava Jato, votou a favor do óbvio relatório de seu colega Barroso, considerando Lula “inelegível”. Só que rasgou os dicionários, inelegível significa quem não pode ser eleito, ao autorizar o ex a participar da disputa eleitoral até passar pelo fabuloso “transitado em julgado”, como sugeriam dois “peritos” da ONU. Com isso despedaçou a Constituição, que não consagra comitês das Nações Unidas como revisores da Justiça brasileira, e a própria biografia de justo e honrado. Sua decisão, diga-se em seu favor, não altera a derrota acachapante sofrida pelo não candidato, mas levanta uma dúvida: como votará agora o relator da Lava Jato, que foi sempre implacável legalista tido como coerente?

O voto de Fachin só se apoia em sua biografia de esquerdista que apoiou publicamente Dilma na eleição presidencial. E reforça a mentalidade colonizada da esquerda brasileira, que Nélson Rodrigues batizou de “complexo de vira-lata”, ao dar valor a uma instituição internacional que não dispõe, como argumentaram os seis outros votantes, de poder vinculante sobre decisões do Judiciário brasileiro. Ponto final. E somente o futuro poderá desvendar o mistério do voto fora da curva dele.

Por enquanto, basta a clareza didática de Barroso, Jorge Mussi, Og Fernandes, Admar Gonzaga, Tarcísio Vieira e Rosa Weber, apesar da enxúndia do voto final dela. E nos resta testemunhar o PT desmoralizando a Justiça ao se negar a cumprir a decisão final da maioria de ter de substituir Lula por Haddad/“Andrade” e ainda justificando que o faz para “testar” até que ponto iria sua resolução sobre a qual não restam dúvidas.

Esta, aliás, é uma boa hora para contar que de gratuito o tal de horário eleitoral não tem nada. A propaganda partidária é financiada pelo erário. E o horário dito “gratuito” em emissoras de rádio e TV é bancado por isenção de impostos. A isenção fiscal equivale a cerca de 80% do que seria obtido com a venda publicitária. Segundo cálculo da ONG Contas Abertas, tal custo representa R$ 6,9 por eleitor. Além disso, as campanhas em geral são bancadas com dinheiro público. Os partidos têm à sua disposição R$ 1,7 bilhão do Fundo Eleitoral e R$ 888 milhões do Fundo Partidário para as eleições de 2018, despesas definidas pelo Congresso.

A distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral ficou assim: 48% conforme o número de deputados de cada partido na Câmara, 35% entre os partidos com ao menos um representante na proporção dos votos obtidos pelos deputados na última eleição e 15% de acordo com o total de senadores de cada sigla. O MDB foi o maior beneficiado, com direito a R$ 234,2 milhões, seguido pelo PT, com R$ 212,2 milhões e pelo PSDB, com R$ 185,8 milhões. Já o critério de distribuição do Fundo Partidário é o seguinte: 95% são distribuídos na proporção de votos obtidos por cada legenda na última eleição para a Câmara de Deputados e 5% divididos igualmente entre todas as siglas. O PT é o partido que tem direito à maior fatia do Fundo Partidário, seguido pelo PSDB. Esses números constam de reportagem do Igor Machado no Estado de 22 de junho de 2018.

As eleições são bancadas com dinheiro público e a forma da distribuição dos recursos privilegia os políticos que já estão no poder. O eleitor que quer renovar paga a conta dos políticos que exigem ficar.

É beneficiado quem comprou seus lugares com dinheiro de propina e aprovou uma lei para o Estado gastar para mantê-los no poder. Ganharam a corrida recorrendo a dopping financeiro. O lema da turma é não renovar e descriminalizar. E receberá os recursos dos fundos tendo ainda vantagem indevida sobre quem não aderiu ao esquema – o Estado a serviço do crime.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 3 de setembro de 2018)

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

https://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/o-estado-a-servico-do-crime/

Página 5 de 96«...34567...1015202530...»
Criação de sites em recife Q.I Genial