Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Notícias

Bodas de trigo. Para Isabel há três anos

Peço licença aos prugilos
Dos Quelés da juvenia
Dos tofus dos audiacos
Da Baixa da silencia
Do Genuino da Bribria
Do grau da grodofobia
Com estes versos de Zé Limeira, o poeta do absurdo, abro esta concessão que faço a minha imagem de crítico, impiedoso, austero, duro e seco sertanejo para comemorar uma efeméride familiar. Isabel e eu comemoramos nesta sexta de festa 9 de junho de 2017 bodas de trigo, ou seja, três anos de casados. E não sinto vergonha nem pudor de me derreter todo e compartilhar com você dessa alegria incontida. Para a ocasião preparei um poema, o li e cheguei até a gravar um video fazendo essa leitura num post publicado em meu site Estação Nêumanne (www.neumanne.com)
Para ler, ouvir e ver a leitura em vídeo do ploema, clique no link abaixo:

Bodas de trigo. Para Isabel há três anos


Para ver o post no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

Bodas de trigo

Posse na APH: Discurso da historiadora Isabel de Castro Pinto na posse de José Nêumanne

Posse na APH: Discurso da historiadora Isabel de Castro Pinto na posse de José Nêumanne

Discurso da historiadora Isabel de Castro Pinto na posse de José Nêumanne Pinto na cadeira 2 da Academia Paulista de História na quarta-feira

1º de julho de 2015

Isabel de Castro Pinto e José Nêumanne Pinto na posse na APH

Isabel de Castro Pinto e José Nêumanne Pinto na posse na APH

Uma historiadora e um poeta.  Aqueles que antes de se conhecerem suas vidas já se cruzavam em O Silêncio do delator.  Era tudo ficção, invencionices de infância, misturadas às lembranças de adolescente em Campina Grande e a cruzada rumo à Paulicéia. Até que a Musa da História tratou de marcar esse encontro, irremediável pelo mais solene dos motivos: Isabel de Castro e José Nêumanne, desde tempos que não se conhecem em linha imaginária de Cronos, já se reconheciam como servos da musa, responsável por nossos encontros e, por que não, desencontros

Nos encontros nos amamos e o poeta rimou para sua Isabelescência. Nos desencontros travamos embates com a memória, sobre o tempo perdido de Proust e a francesa de Nevers, aquela de Resnais, em Hiroshima, meu amor, que, apaixonada por um alemão em tempos de guerra, foi forçada a esquecê-lo em tempos de paz. Angustiada, nesse diálogo travado com a memória, disse que se lembraria do envolvimento com o soldado germânico como grande símbolo do horror do esquecimento de um amor.  Nossa história, mesmo que nos lembremos dela todos os dias, iremos esquecê-la. Eu irei esquecer, você irá esquecer todo santo dia como se o esquecimento fosse uma espécie de entorpecente sobre o qual não temos como ter controle. Compreendi que o fio de Ariadne desta história é o fato de que, um dia, amando ou não, sendo inteiramente correspondidos ou não, vamos esquecer.

Não! Não, historiador! Graças a Clio e sob as bênçãos de Tucídides, eu não tive que esquecer para sobreviver à dor da sua ausência. Estou aqui. O reencontro aconteceu e o nosso delicioso sacrifício é ter de lembrar todo dia que nos devaneios do tempo e da vida cotidiana o gosto pela notícia, pelos poemas que me presenteia de tempos em tempos e a devoção à Musa dos historiadores nos farão próximos antes que termine este dia, antes que o mundo se acabe e antes que lembremos a Paraíba, Campina Grande, e sintamos vontade de voltar pra São Paulo que acolheu o poeta e agora a historiadora.

A Baronesa da Borborema, agora em plagas uspianas, orgulhosa de ser uma das pupilas do ilustre Jobson Arruda, relembra em uma de suas aulas primorosas, de elevado requinte acadêmico, um resumo de tudo que Santo Agostinho podia ensinar aos historiadores. De próprio punho, divagou com maestria: “Se para o teólogo Santo Agostinho, o ser é o tempo e o tempo é o ser, resta para a história ser o coletivo dos seres no tempo e, ao historiador, o senhor do seu tempo”.  Sei que o bispo de Hipona o toca e prontamente lembrei-me do poeta, não com a máxima do Santo, que em agruras profundas teria dito: “Senhor, dai-me a castidade, mas não agora”; mas do quanto que suas condutas o fazem crer que é, sem qualquer ranço de dúvida, o senhor de seu tempo de poeta, de jornalista, de homem público, de historiador e senhor daquilo que a vida dá de presente a poucos iluminados: talento, inteligência, eloquência e uma intimidade indiscutível com a palavra.

Que soem as trombetas da Clio, mais um imortal para o seu panteão é agraciado neste 1º de julho de 2015, e sua historiadeusa que fazia pose de moça malcriada e ensaiou dar as costas pra Pauliceia, porque desejava esquecer o seu amor perdido, hoje, assim como todos aqui presentes, chega à conclusão, que, assim como a Hiroshima de Alain Resnais, São Paulo foi feita sob medida para o amor.  São Paulo foi feita também sob medida para celebrar historiadores ilustres. Por isso mesmo estamos aqui.

Muito obrigada!

Posse na APH: Acadêmico Gaudêncio Torquato recebe Nêumanne em nome da APH

Posse na APH: Acadêmico Gaudêncio Torquato recebe Nêumanne em nome da APH

SAUDAÇÃO AO ACADÊMICO JOSÉ NÊUMANNE PINTO PELO ACADÊMICO GAUDÊNCIO TORQUATO, POR OCASIÃO DE SUA POSSE NA ACADEMIA PAULISTA DE  HISTÓRIA.

São Paulo, 1 de julho de 2015

Acadêmico Gaudêncio Torquato recebe Nêumanne em nome da APH

Acadêmico Gaudêncio Torquato recebe Nêumanne em nome da APH

SAUDAÇÃO AO ACADÊMICO JOSÉ NEUMANNE PINTO PELO ACADÊMICO GAUDÊNCIO TORQUATO, POR OCASIÃO DE SUA POSSE NA ACADEMIA PAULISTA DE HISTÓRIA.
São Paulo, 1 de julho de 2015

Senhor Presidente da Academia Paulista de História
Dr. Luiz Gonzaga Bertelli
Senhor Vice-Presidente
Dr. Ruy Altenfelder
Senhoras e Senhores

“Quando o marinheiro e seu navio são jogados de um lado para o outro por muitos dias, em meio à tempestade e em um mar desconhecido, ele naturalmente utiliza a primeira pausa da tormenta, o primeiro raio de sol, para descobrir qual é a sua latitude e o quanto as intempéries o afastaram de seu verdadeiro curso. Tentarei adotar a prudência do marinheiro antes de ser levado para ainda mais longe nas ondas desta apresentação”.
Essa pequena lição de Daniel Webster, reconhecido como o primeiro grande orador norte-americano por ter proferido magistral discurso, em 1820, por ocasião do bicentenário do desembarque dos peregrinos nos EUA, é a pista a seguir nesta peroração.
Na verdade, temo ser tragado pelas ondas revoltas desse oceano de expressão, que é José Neumanne Pinto, cujas águas inundam continentes, fazendo desaguar suas correntes nas praias do jornalismo e da literatura, nos lagos da poesia e da prosa, nas fontes da pesquisa, esta que é importante ferramenta da história, chegando até as ondas do rádio e da TV, onde se ouve um verbo incisivo, e culminando com a verve hilária do contador de casos.
As águas nêumannianas se espraiam por entrâncias e reentrâncias da palavra, onde ela habite, seja na casa das letras impressas, no abrigo das vias eletrônicas, seja nas novas tecnologias e até nos versos musicais. A par de sua presença nos registros da História. Por que não? Explico: ao usar a lupa jornalística para descrever e interpretar a vida institucional do país ao longo das últimas décadas, a obra de José Neumanne insere-se na vasta coleção de documentos que contam e interpretam fatos sobre nossa moldura histórica.
Daí o lead que resume esta locução: estamos diante do jornalista – que passou pelos corredores da reportagem, da edição e hoje se senta na bancada mais alta dos comentários e editoriais; do escritor – que abriu trilhas no universo da ficção e no mundo real; do poeta de mil facetas; do agudo analista da mídia eletrônica, do historiador de nossa trajetória contemporânea, enfim, do homem cheio de ardor e paixão, prolífero na arte de produzir hinos ao amor. São facetas que se amalgamam em um perfil de talento, que deixa transparecer um espírito irrequieto, ou, como ele mesmo confessa, um “temperamento avoado, difícil, irreverente”.
Tal dualidade, marca permanente do seu caráter, produz dois tipos de linguagem: uma, a de Zaratustra, o profeta de Nietsche, que a designa como a linguagem do povo, dosada de contundência: “de modo por demais grosseiro e sincero falo eu, para o gosto dos casquilhos (Nota: Casquilho significa janota, indivíduo que se veste com o rigor da moda). E mais estranha ainda soa minha palavra aos ouvidos de todos os plumitivos e escrevinhadores”. (Nota: Plumitivo significa escritor ou jornalista sem mérito).
A segunda é a linguagem da paixão, da beleza e da leveza, do canto terno e doce, a linguagem da simulação e da sedução, que junta, nos contextos, conceitos, histórias, mulheres, sonhos e viagens, entes que habitam seu coração; como lembra Jean Baudrillard, esta linguagem é a verdadeira alegria da escrita por expressar “a possibilidade de sacrificar um capítulo inteiro por uma única frase, uma frase inteira por uma única palavra; a possibilidade de tudo sacrificar por um efeito artificial ou uma aceleração no vazio”.
Senhoras e Senhores
Amigas e amigos
Aceitando a sugestão de René Descartes para que uma pessoa perdida na floresta evite andar de um lado para outro e caminhe sempre no mesmo sentido, não retrocedendo, sigo em frente pela linha que começa na região de nossas origens, pelo vínculo que nos une ao centro do polígono da seca, a extremidade do alto sertão paraibano, no oeste, e o extremo oeste potiguar, que se tocam nos confins dos dois Estados, Paraíba e Rio Grande do Norte. (Eis as coordenadas geográficas – latitude -06º 31’03” Sul, longitude 38º 24’28’’ Oeste- onde antigamente era Belém, depois Canaã e, hoje, Uiraúna, terra onde Neumanne apareceu neste mundo, aos 18 de maio de 1951.
Reminiscências povoam minha memória. No topo da Serra, Luís Gomes, onde nasci; embaixo, Uiraúna, a 10 quilômetros, o sonho dos jovens das décadas de 50/60, que desciam a serra para as noitadas na boêmia localidade, que se orgulhava de abrigar a melhor banda de música da região, cujo conceito de qualidade chegava a todo o Nordeste. Que terrinha animada e com gosto de pecado. Quem viveu aqueles tempos há de recordar a estridência do piston de Anchieta Pinto, progenitor do nosso laureado, figura que aparece com destaque no meu painel mental com as bochechas formando duas bolas, soprando com força o instrumento, à moda Dizzy Gillespie, o virtuoso trompetista da corrente bebop no jazz moderno.
Por anos e anos a fio, a banda de música Uiraúna dava o tom maior da Festa da nossa Padroeira, Senhora Santana, culminando com o Baile na noite de 26 de julho. Que figura inesquecível a do cônego Anacleto, cujas histórias, narradas por Nêumanne, fazem gargalhar ouvintes. O pároco foi o primeiro preceptor do nosso escritor e poeta, ao indicar a ele o rumo dos livros nas estantes da Casa Paroquial de Jesus, Maria, José.
Que boa praça o médico e político, ex-prefeito de Uiraúna, Oswaldo Cascudo, obstetra que acompanhou os 11 partos de minha mãe, Chiquita, em Luís Gomes, de quem fui o primeiro, e puxou Neumanne a fórceps do ventre de sua mãe, Mundica. Sei que dei trabalho para nascer, mas não a ponto de ser puxado a fórceps, fato que credito ao formato mais acentuado da cabeça deste meu primo. Basta comparar nossas cabeças. Nossas mães aparentadas nasceram em sítios da região. Muito chegada à leitura, e de quem ouviu, pela primeira vez, a magistral poesia o “Navio Negreiro”, de Castro Alves, dona Mundica escolheu para o filho o nome Newman, em homenagem ao cardeal inglês, grande orador e santo católico, mas a tabeliã acabou cometendo o nome Nêumanne. Coisas da época e da região. Eu mesmo nasci no mês 4, abril, mas o tabelião me registrou no mês 5, maio, pelo que acabei ganhando um mês de lambuja no calendário da vida.
Quanto ao sobrenome Pinto, ele herdou dos seus descendentes da região do Rio do Peixe. Consta que, no século XVIII, a região foi doada em forma de sesmaria ao alferes Alexandre Moreira Pinto e a João Nunes Leitão. Esse Alexandre foi o tronco da grande árvore dos Pintos.
Chego ao final da primeira reta lembrando que, desde sua infância e adolescência, o estudante José Nêumanne Pinto foi um voraz consumidor de livros, o que lhe conferiu sólida bagagem nas ciências humanas e nas artes. Aliás, os livros, para nós, da geração de 50/60, são ainda apreciados do jeito que Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, descrevia a maneira como o imperador Pedro II também os apreciava, ou seja, com a satisfação dos cinco sentidos:
“visual, pela impressão exterior ou o aspecto; tátil, ao manusear a maciez ou a aspereza das páginas; auditivo, pelo brando crepitar ao folheá-lo; olfativo, pelo cheiro pronunciado de seu papel impresso ou fino couro da encadernação e gustativo, seja pelo sabor intelectual do livro, seja pelo meio físico, ao umedecermos ligeiramente as pontas das folhas para virá-las”.
Tais sensações o nosso novo acadêmico passou a desenvolver desde Uiraúna, quando estudou no Grupo Escolar Jovelina Gomes, no Ginásio Professor Afonso Ferreira, da Fundação Padre Ibiapina; e em Campina Grande, onde começou a ascender na escada das letras, estudando no Seminário dos redentoristas em Bodocongó, no Colégio Estadual da Prata, no Centro Estadual Campinense, e dirigindo o Cineclube Glauber Rocha. E mais adiante, por ocasião do deslanche profissional, já no Sudeste, quando a literatura passou a ser o centro de sua atenção, com a ajuda de pessoas que o aproximaram do universo da expressão: nas fontes literárias e poéticas, Ronaldo Cunha Lima, Mario Chamie e Nélida Pinõn; João Batista Lemos, Jaime Negreiros e Mauro Guimarães, na seara jornalística.
Ao longo de mais de quatro décadas, trabalhando nos mais diferentes nichos da palavra, tornou-se José Nêumanne figura exponencial na análise e crítica dos costumes políticos; polemista de primeira grandeza; escritor com a pena focada no inventário de seu tempo; poeta de alma sensível; repórter de faro investigativo.
Amigas e amigos
Passo, agora, a uma segunda abordagem, escolhendo, como mote para o desdobramento desta sequencia, pequena lição de Schopenhauer em seu escrito sobre A Arte de Escrever. Nele, pontua sobre a arte de pensar, a escrita, a leitura, a avaliação de obras, o mundo da erudição.
Diz: “há três tipos de autores- em primeiro lugar, aqueles que escrevem sem pensar. Escrevem a partir da memória, de reminiscências, ou diretamente a partir de livros alheios. É a classe mais numerosa. Em segundo, há os que pensam enquanto escrevem. Pensam justamente para escrever. São bastante numerosos. Em terceiro, há os que pensaram antes de se pôr a escrever. Escrevem apenas porque pensaram. São raros”. Completa a lição com o argumento de que aqueles que escrevem tirando a matéria diretamente de suas cabeças são os verdadeiramente dignos de serem lidos.
Classifico o escritor José Nêumanne Pinto nesta terceira categoria. A matéria-prima de sua escrita provém do intelecto privilegiado, que sabe engrenar de maneira ímpar consoantes e vogais, as primeiras, como lembra Schopenhauer, constituindo o esqueleto das palavras e estas, sua carne. O esqueleto é (no individuo) inalterável, e a carne, muito mutável em termos de cor, qualidade e quantidade. Justapostas, expressam pensamentos significativos de modo que todos compreendam, livrando-os da quantidade dos textos ruins, “essa abundante erva daninha da literatura que tira a nutrição do trigo e a sufoca”, nos termos provocadores do filósofo alemão.
Não por acaso, em seu discurso de posse na Academia Paraibana de Letras, Nêumanne caminha na mesma vereda, ao expressar indignação: “uma literatura vulgar e uma arte mal educada substituem em nossos dias os velhos conceitos de beleza e delicadeza”, seguramente na onda de uma “cafajestice que assola o mundo como as velhas pragas medievais, invadindo a vida familiar, o aprendizado na escola e o primado do demérito”. Sob essa mesma teia crítica, indignou-se Ortega Y Gasset, quando, nos anos 20, gritou do alto de um penhasco em Engadine, nos Alpes suíços: – “Vejo subir a preamar do niilismo”.
José, o paraibano de Uiraúna, construiu sua obra, lapidando cada frase, cada texto, esculpindo cada contexto, procurando seguir o curso das construções nos terrenos da obra investigativa, do romance, do poema e da análise jornalística. Sempre longe dos baixios da vulgaridade. E sempre buscando a qualidade.
Sob essa textura, pinço enxertos do ciclo de conferências que Ítalo Calvino realizou na Universidade de Harvard, em 1985/1986, quando definiu com brilho valores literários que mereciam ser cultivados e preservados neste milênio. Surgiu daí o Livro Seis Propostas para o Próximo Milênio. Receoso de subir o sagrado altar dos hermeneutas literários, porém, usando a bengala da ousadia, atrevo-me ao exercício de identificar no conjunto da obra de José Nêumanne traços das propostas descritas pelo grande autor nascido em Cuba e que viveu na Itália.
Valho-me, antes, para fugir de qualquer excesso, da locução do poeta, escritor, político, o saudoso Ronaldo Cunha Lima, que assim o recepcionou na Academia Paraibana de Letras:
– José Neumanne Pinto é um escritor do cotidiano comunitário, deste gerando poesia à guisa de comunhão social. Tal perspectiva, orientada para a presença humana contingente, porque ligada à consciência de tempo e espaço, permite o livre transitar do poeta pelos domínios da prosa, às vezes temperada com primorosos relatos jornalísticos.
– Os poemas de Nêumanne enunciam os fluxos de relembrança, as paisagens soterradas no espírito do autor.
– Os versos de Nêumanne transmitem motivos neles estampados, como se advindos da geometria de molduras que encerrassem pinturas eloqüentes.
Vejamos o que o nosso novo acadêmico pensa sobre poesia:
– A poesia é algo como um solo de saxofone durante uma noitada de jazz. Nela, o artista se sente desobrigado das imposições da prosa e se ergue diante da platéia, contando apenas consigo mesmo, e começa a produzir uma cascata de efeitos cujas sutilezas e cujos labirintos saltam direto da sua alma para a alma justaposta do espectador, sem intermediários.
Rumemos direto ao assunto (na esteira de um bordão que usa), abrindo o painel de valores desenhado por Calvino. O primeiro é a Leveza, valor que enxergava na poesia de Giacomo Leopardi, o poeta do lirismo, da suavidade, das imagens de extrema leveza, como o vôo e o canto dos pássaros; a voz de uma mulher que canta na janela; a transparência do ar e, sobretudo, a lua. Sim, a lua, a bola iluminada nos céus, que ganhou numerosas aparições em sua obra. Como esta:
– É doce e clara a noite e não há vento
e calma sobre os tetos e entre os hortos
repousa a lua, ao longe revelando
serenas as montanhas
Agora, a Lua de Nêumanne, em Solos do Silêncio:
A lua se estilhaça na água
Como uma granada
Caindo no jardim
Mergulho no lago
Bebo o leite do luar
Me farto todo

A noite tem perfume
De gardênia
E a cidade geme,
Qual fera ferida
Solos do silêncio,
Líquidos
No ar sem brisa,
Embalam mistérios
Neste cais cúmplice!
Um pouco mais da alma nêumaniana.
Em Barcelona, Borborema, que traduz uma viagem física desde o Nordeste até o leste espanhol, deparamo-nos com um jogo surpreendente e emocionante, nas palavras do poeta e crítico Álvaro de Sá.

Barcelona

As abóbadas da Sagrada Família,
Como o templo,
Nunca têm fim.
Alongam-se como as lanças do Cid
E conduzem as cores de seus estandartes,
Na guerra contra os invasores,
Que arrombaram a porta do mar.
O capitão enfrentou os mouros,
O catalão se armou contra o céu.
Pois estas abóbodas ferem
A ordem normal das coisas, anômalas
Superfícies
De formas ondulantes,
Imitando o mar de Cartago.

Borborema

No topo da Borborema,
A cidade se compõe
De cabeça, tronco e membros.
O cérebro engarrafado
Dos poemas tribunos
(Ronaldo, Raimundo),
Profetas e loucos soltos
(Carboreto, Biu do violão).
O peito de aço
Dos robôs da Politécnica
E o ventre maciço
De alguns mascates.
Mãos habilidosas
De mecânicos e artesãos,
Da cartomante Natinha,
Do pistoleiro da Carminha
E dos catadores de algodão.
Milhares de pés
Da centopéia do forró,
Músculos de bailarino
E asas no mocotó.

Sua poesia é recheada de musicalidade, a sonoridade que aprendi a ouvir, no Seminário Santa Terezinha, em Mossoró, quando o padre Frederico nos obrigava a decorar versos de grandes poetas, como aquele de Virgílio, no 8º livro da Eneida. Vejam esta obra prima de composição, que junta o choque sonoro de consoantes fortes e a repetição de sons para imprimir força à descrição:
– Quadrupedante putrem sonitu quatit úngula campum
– Das patas com o bater em pó desfeito
– Soa o chão com o tropel de quadrúpedes

Descrevendo o Encontro de Cristino com Virgolino na Viola de seu Raimundo, Nêumanne nos brinda com a sonoridade do verso:
– Onde o pé e onde o passo,
Onde a espada e o rosário
Bruto e móvel, duro e mira.
Pó, madeira do Calvário,
Pedra imóvel, couro em tira,
Dor sem cura, céu no laço.

Prossigamos na trilha do magistral escritor de O Visconde Partido ao Meio, Os Amores Difíceis e O Cavaleiro Inexistente.
Rapidez, eis o segundo valor.
Calvino explica a rapidez de estilo e de pensamento como desenvoltura, mobilidade, a capacidade de juntar as partes no todo. Também distingo essas qualidades na expressão do nosso poeta, escritor e jornalista. Transparece todo tempo em sua expressão o vulcão expressivo a expelir larvas de criatividade, embaladas na fumaça dos sentimentos mais arrebatados, seja de indignação, repulsa, solidariedade, amor e paixão.
Exemplo é o denso relato no livro “O que sei de Lula”, uma obra que, no dizer do jornalista Flávio Tavares, reúne a “agilidade do repórter com a sensibilidade do poeta”. Ou, como escreveu seu predileto amigo Mario Chamie: “Guardadas as distâncias, as proporções e as diferenças de assunto e época, José Nêumanne realiza neste O que sei de Lula a proeza de uma prosa que ecoa esta advertência de Carlyle – “Centenas de homens são capazes de suportar as suas próprias adversidades, mas não muitos saberão dignificar os seus próprios triunfos”.
Sobre esta obra, o sociólogo Leôncio Martins Rodrigues também relata:“Os fatos narrados são fatos que viveu. Em alguns casos, esteve presente, Nêumanne conhece os personagens…Poucas pessoas armazenaram tanta informação sobre a política brasileira…..mais do que um simples repórter, descobridor e narrador de fatos, Nêumanne é um analista capaz de aprofundar e conectar os eventos particulares a situações mais gerais, às teorias e interpretações sobre o Brasil. ….um intelectual interessado (e angustiado) pelo que acontece em nossa pátria e na política brasileira.” Capacidade de reunir o maior número de informações gerais e específicas. Com rapidez. E lucidez.
Exatidão é a terceira vertente literária de Ítalo Calvino, o cinzel que o escultor usa para lapidar sua obra, inserir a visão particular, apor um diferencial, narrar o detalhe, ser preciso na narrativa, evitando fórmulas abstratas, anônimas, as dobraduras da linguagem – esses efeitos retóricos que diluem significados, ocupando muito espaço para dizer pouco. Para ele, o gênio de Borges é o exemplo de exatidão: “cada texto seu contém um modelo de universo ou de um atributo do universo – o infinito, o tempo, o inumerável”.
Percebam esse matiz, por exemplo, nesse curto e belo conto que pinço do livro de apontamentos, aforismos e pequenos ensaios, de Elias Canetti, chamado El Suplicio de Las Moscas:
– Misia Sert dominava a arte de caçar moscas. Estudava pacientemente os modos destes animais até descobrir o ponto exato em que havia de introduzir a agulha para pregá-las uma ao lado da outra sem que morressem. Exímia na arte de fazer colares de moscas vivas, entrava em frenesi com a celestial sensação do roçar das patinhas desesperadas em seu colo”.
Em Mengele, a Natureza do Mal, Nêumanne produz um relato da vida, das aventuras e peripécias de um dos mais caçados nazistas de Auschwitz, Joseph Mengele, que vivia num bucólico sítio nas proximidades de São Paulo, e morreu acidentalmente numa praia de Bertioga. A letra precisa pode ser conferida em passagens como esta:
“Em Günzburg, os Mengele são uma família importante. A economia da pequena cidade perdida no meio das colinas depende, basicamente, da boa saúde financeira da fábrica de máquinas agrícolas fundada por Karl Mengele, um filho de fazendeiros nascido em 1885. O comissário sabe que hoje Karl-Heinz, neto do patriarca, é mais importante na região que seus parentes do lado dos Hupfauer, família com cujo capital Karl Mengele abrira a fundidora, depois de casar-se com Walburga, quatro anos mais velha e, então, muitas vezes mais rica”.
Já em Atrás do Palanque, uma aula de jornalismo investigativo, segundo o jornalista Augusto Nunes, Neumanne descreve os bastidores da campanha presidencial de 1989, usando sua condição de observador privilegiado da cena político-institucional para esboçar um dos mais detalhados relatos do pleito que deu a vitória a Fernando Collor de Melo. Urge lembrar que o jornalista acompanhara, anteriormente, toda a trajetória de Luiz Inácio.
Mas é em O Silêncio do Delator, Prêmio Senador José Ermírio de Moraes, da Academia Brasileira de Letras, de melhor livro de 2004, que José Nêumanne chega ao cume da montanha. Trata-se de uma obra que exibe, com força, a capacidade do artista em compor um gigantesco painel de uma época ou, ainda, de uma geração. Usa, com mestria, a imbricação de técnicas do jornalismo e da literatura, nos moldes que Truman Capote o fez no clássico A Sangue Frio, onde narra o brutal assassinato da família Clutter, no Kansas (EUA), em 1959. Como se sabe, o livro de Capote foi um marco na criação do chamado New Journalism, caracterizada pela hibridez da narrativa jornalística com a narrativa ficcional.

Em O Silêncio do Delator, transparece a multiplicidade, que Calvino enxergava como valor insubstituível para a literatura enfrentar o desafio de descrever a complexidade inextricável do mundo, ou, em outras palavras, a visão múltipla de sujeitos, vozes, olhares, sentimentos, desejos, expectativas, sonhos, frustrações.

A apresentação do livro resume esse painel: “romance e inventário de amor e desamor, aventura e desventura, ilusões e desilusões, encantos e desencantos sobre sexo, política, drogas, moda, art pop e rock and roll, em sete vozes que ressoam canções dos Beatles, Bob Dylan, Caetano Veloso, Belchior…”
Imagine-se, agora, esse “romance e inventário de amor e desamor, aventura e desventura, ilusões e desilusões, encantos e desencantos sobre sexo, política e drogas, art pop e rock and roll” – como se apresenta o livro -– sob a teia dos múltiplos eventos que agitaram a década de 60. Lembro alguns:
– a renúncia de Jânio Quadros; a guerra nuclear por um fio, após mísseis russos retirados de Cuba; a posse de Jango; Martin Luther King e o famoso discurso Eu Tenho Um Sonho; o assassinato de Kennedy; a marcha da Família com Deus pela Liberdade; o golpe militar; os atos institucionais; o show Opinião, com Nara Leão, Zé Keti e João do Vale; os mortos e torturados pela ditadura; os generais e os anos de chumbo; a VPR e a luta armada; a ALN de Marighella; a contracultura; o assassinato de Luther King; a ocupação da Sorbonne; o movimento estudantil e a passeata dos 100 mil no Rio; Bob Dylan, Caetano, Gil, Belchior, os Beatles; a chegada do homem à Lua; e o festival de Woodstock que reuniu 400 mil pessoas, em 1969, na cidade de Bethel, Estado de Nova Iorque.
Quão ricos eram aqueles tempos! Quanta beleza no movimento musical dos mineiros, que culminou, em 72, na criação do Clube da Esquina, onde pontificavam Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Ronaldo Bastos, Toninho Horta, Wagner Tirso e ele, Fernando Brant, que acaba de fazer sua travessia:
– “Quando você foi embora fez-se
Noite em meu viver
Forte eu sou, mas não tem jeito
Hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha e nem é
Meu este lugar
Estou só e não resisto, muito
Tenho pra falar”.

Oh, tempora, oh, mores, caro José!
A amizade era a cola de nossas vidas. Como descrevia Fernando Brant no canto de Milton:
– Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a
Distância digam “não!”

Obrigado, poeta das Minas Gerais!

Quanta beleza a nos cercar naqueles poéticos tempos. Não é mesmo, Neumanne? E aquele seu grande amigo, de cuja amizade também partilhei, Zé Rodrix, que fez sua viagem há 6 anos, deixando-os um toque de saudades e o bucolismo de seu canto:
“Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
……
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau a pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais”.

Pois bem, essa majestosa composição ganha traços inesquecíveis em O Silêncio do Delator.

Nêumanne, com seu morto usando a voz para penetrar na consciência e na memória de amigos, sob o arco-íris em um brilhante céu que cobre a passagem entre dois milênios, enche a caneta para fazer a cobertura de uma época, de uma cultura, dos modos de viver de toda uma geração.

O tempo aperta. Que mais posso dizer?
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Que, além dos livros aqui citados, há outros:
• Reféns do Passado – coletânea de artigos e ensaios políticos; A República na Lama – Uma Tragédia Brasileira – reportagem;
• Erundina: A mulher que veio com a chuva. Perfil Perfil jornalístico e biográfico da ex-prefeita;
• As Tábuas do Sol – poemas;
• Veneno na Veia – romance policial;
• As fugas do Sol – CD do CPC-Umes, São Paulo (1999) – com música original do maestro Marcus Vinícius de Andrade;
• Há uma Antologia, onde Neumanne selecionou e apresentou a antologia Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século para a Geração Editorial.
Também é co-autor de diversos livros:
• Partidos e Políticos;
• A Constituição que Nós Queremos ;
• Jornalismo é… –
• Com a palavra –
• Dicionário temático da Lusofonia – foi um dos 358 especialistas lusófonos escolhidos para redigir verbete sobre a história política brasileira no projeto dirigido e coordenado por Fernando Cristóvão, auxiliado por Maria Adelina Amorim, Maria Lúcia Garcia Marques e Suzana Brites Moita);
• Histórias inesquecíveis.
Letrista de canções em parcerias – canções gravadas por Zé Ramalho, Walter Santos, Gereba e Mirabô Dantas.
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Jornalista dos mais cáusticos, de verbo incisivo, Neumanne exibe brilhante travessia nos principais jornais do país, como Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil, Jornal da Tarde e O Estado de S.Paulo, onde foi editor de política e é articulista, ganhando fama por seus artigos contundentes e por sua expressão como editorialista. Nos últimos tempos, a mídia eletrônica também passou a conhecer sua linguagem cortante e precisa, a partir de um programa no SBT, Direto ao Assunto, e hoje na rádio Jovem Pan e TV Gazeta.
• Entre os Prêmios, títulos, troféus e honrarias, destaco:
• Prêmio Esso de Informação Econômica (com Maria Inês Caravaggi) em 1975, pela série “Perfil do Operário Brasileiro Hoje” (“Jornal do Brasil”);
• Prêmio Senador José Ermírio de Moraes, da Academia Brasileira de Letras, de melhor livro de 2004, com o romance O silêncio do delator;
• Troféu Dom Pedro I, como jornalista que mais prestou serviços à comunidade paulistana em 2006, concedido pela Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, “Sereníssima”, em 19 de março em 2007;
• Primeiro escritor paraibano a receber a Medalha do Mérito Literário José Lins do Rego, em 28 de outubro de 2007, por projeto do criador da condecoração, deputado estadual Fabiano Lucena;
• Membro da Academia Paraibana de Letras, empossado na cadeira nº 01 (Augusto dos Anjos) em 8 de setembro de 2008;
• Cidadão Paulistano por iniciativa do vereador Quito Formiga;
• Troféu Gonzagão, Campina Grande, PB, 21 de maio de 2013, ao lado de Sivuca, in memoriam, Antônio Barros e Genival Lacerda.

Chego ao final!

Não posso, porém, deixar de dizer duas palavrinhas sobre a pessoa, o homem, o jeito de ser de José Neumanne Pinto.
Vejo um pai cuidadoso e atento. Orgulhoso dos três filhos – Vladimir, Clarice e Cecília; um avô extremado de 5 netos; um perfil regado pelas águas da sedução e do amor. Aliás, tenho de algo a dizer sobre isso.

Essa figura faz do coração a ponte que o liga ao mundo. Não consigo ver Nêumanne afastado das emoções. Sem elas, seria um ente atrofiado. Os muitos amigos que o cercam estão sempre de ouvidos abertos para fruir cantos de paixão e amor. Para você saber, José: os gregos não escreviam obituários. Quando uma pessoa morria, contentavam-se em indagar: “ela viveu com paixão?” Grego, não tenho dúvidas, você seria um desses apaixonados.
Sua visão está sempre focada nos olhos de uma bela mulher. Tem sempre um adjetivo, um substantivo, um advérbio, um mimo expressivo para agradá-la, o que resulta invariavelmente em caudalosa torrente de versos. Vejo a dama Isabel de Castro Pinto, sua magnífica, que o acompanha para todos os lados. Mais um encanto em sua vida. A propósito, vocês sabem por que mulheres mais novas gostam de homens mais velhos? Achei interessante argumento em Baudrillard: “é que elas podem encontrar no olhar deles o reflexo de sua juventude, de sua graça atual e sensibilidade. Não poderiam encontrá-lo igualmente nos olhos de um homem jovem, porque aí o reflexo estaria dividido. Já para os homens, a mulher mais nova é a nostalgia de uma vida anterior, o sonho de um objeto puro com múltiplas diferenças e com um encanto amoroso multiplicado pela idade”.

Viu, garotão, está explicado!

E assim, com essas extensas palavras, concluo minha saudação. Sintetizando: José Neumanne Pinto é um ente plural, um ser polivalente, um amigo doce que, de repente, pode virar uma estátua de sal. Tese e antítese.

Este José não mede o peso ou impacto de suas observações – curta ou longa, doce ou grave, suave ou cáustica -, seja o interlocutor a mulher querida, o homem da rua, o ministro, o rico ou o pobre, o político ou o amigo mais próximo.

Mas esse tipo de índole ganha a explicação dos antigos!
Horácio, em Ars Poetica, proclamava:

“Pictoribus atque poetis quidlibet audendi semper fuit aequa potestas”. Quer dizer: “aos pintores e poetas sempre se concedeu igualmente o poder de ousar o que lhes aprouvesse”.

Outra forma de dizer a mesma coisa é: “poetis et pictoribus omnia licet”. Aos poetas e pintores, tudo é permitido!
Fecho a palavra com Epílogo, pequeno conto de Jorge Luís Borges:
– Um homem se propõe a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos, povoa um espaço com imagens de província, de reinos, de montanhas, de baías, de naus, de ilhas, de peixes, de moradas, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem de seu rosto”.

O labirinto de linhas e curvas que tentei esboçar é a imagem que minha memória guarda de José Nêumanne Pinto, filho de Mundica e Anchieta.

Parabéns, José, seja Bem-Vindo!

Muito Obrigado!

Posse na APH: Presidente da APH, Luiz Gonzaga Bertelli, saúda Nêumanne

Posse na APH:  Presidente da APH, Luiz Gonzaga Bertelli, saúda Nêumanne

Pronunciamento do presidente da Academia Paulista de História (APH), acadêmico       Luiz Gonzaga Bertelli, por ocasião da solenidade de posse do jornalista e escritor JOSÉ NÊUMANNE PINTO, no Teatro CIEE,

em 01/07/2015.

Presidente da APH, Luiz Gonzaga Bertelli, saúda Nêumanne

Presidente da APH, Luiz Gonzaga Bertelli, saúda Nêumanne

Platão, figura que desafia a lenda, autor de vasta obra filosófica, preocupou-se com o conhecimento das verdades essenciais, que determinam a realidade e, a partir disso, estabeleceu os princípios éticos, que devem nortear o mundo social.

O seu pensamento foi absorvido pelo cristianismo primitivo e, junto com o seu mestre Sócrates e o discípulo Aristóteles, lançou os alicerces sobre os quais se assentou as bases de toda a filosofia ocidental.

Platão, descendente da melhor nobreza, nasceu em Atenas, por volta do ano de 428 a.C. O seu nome próprio era Aristolles.

À sombra da Aldeia de Platão, criada em 387 a.C., em Antenas, onde o filósofo grego reunia-se com os seus discípulos, no renascimento italiano, vieram a florescer as numerosas instituições na Europa, intituladas Academias. Após a sua morte, alguns dos discípulos deslocaram-se para Assos, onde vieram a fundar uma espécie de filial da Academia.

Nos dias atuais, as academias são organizações estruturadas, voltadas ao cultivo das disciplinas literárias, científicas e às tradições históricas.

As academias, como é o caso da nossa de História, têm o grande mérito de promover a investigação dos fatos notáveis, propiciando a colheita documental, até então desconhecida.

Os franceses utilizavam a palavra Academia para nomear as unidades administrativas mais abrangentes do ensino superior, que correspondem ao que, hoje, na maior parte dos países, se chama Universidade.

Numa tarde de dezembro de 1972, foi lançada a iniciativa de criar-se uma Academia de História no nosso Estado, tomando como modelo o estatuto da Academia Paulista de Letras, por iniciativa do historiador, Tito Lívio Ferreira, que propôs a elaboração da lista dos 40 primeiros integrantes.

O medalhista Álvaro da Veiga Coimbra idealizaria o desenho da insígnia, tendo como lema de Cícero (o maior orador latino, nascido no ano 106 a.C.): “A História é a testemunha do tempo, a luz da verdade e mestra da vida”.

O início do funcionamento da Academia Paulista de História         far-se-ia, contudo, em 2 de fevereiro de 1973, na efeméride comemorativa da instalação da Assembleia Legislativa Provincial de São Paulo.

Em 1989, na presidência do acadêmico Duílio Crispim Farina, seria editado o primeiro número do “Boletim da Academia”, o qual viria a transformar-se no veículo oficial de comunicação dos historiadores paulistas.

A publicação transformou-se na “Revista da Academia (Revista do Historiador)”, publicada, hoje, bimestralmente.

Queremos nas nossas Academias conservar a nossa História, a nossa civilização e a nossa língua, herdada dos colonizadores portugueses.  “Última flor do lácio, inculta e bela.   És, a um tempo, esplendor e sepultura… E em que Camões chorou, no exílio amargo”, como dissera Bilac.

“Bela” sim; inculta, não. Talvez bravia e singela como o povo brasileiro que a adotou. Desconhecida e obscura se não a cultivarmos com afinco. “Nem rude nem doloroso idioma”, pois é sabida a suavidade dos encadeamentos vocálicos da língua portuguesa.

Não diremos como Fernando Pessoa: “Minha pátria é a língua portuguesa”, pois a nossa identidade é lusófona. Pois, é nessa língua que pensamos, sonhamos e escrevemos.

Parabéns, portanto, à língua portuguesa. Parabéns, sobretudo, a todos nós seus filhos muito amados.

Somos habitantes de um País continental, com temperaturas e ecossistemas dispares, raças, caras e cores distintas, origens, costumes e sotaques os mais diversos.

Contudo, estamos irmanados nos mais de 400 mil vocábulos e na rica sintaxe desse idioma único falado no Brasil, o que se constituiu no mais autentico “milagre brasileiro”.

Logo mais, o notável jornalista, poeta e escritor, José Nêumanne Pinto será saudado pelo também insigne jornalista, professor e escritor, Gaudêncio Torquato.

O novo acadêmico, José Nêumanne Pinto irá ocupar a cadeira nº 02 deste sodalício, cujo patrono é o historiador Júlio Meilli e o antecessor o historiador José Sebastião Witter.

José Nêumanne Pinto nasceu em Uiraúna na Paraíba e escreve poemas desde os 14 anos.

Caríssimo José Nêumanne Pinto, nas academias, nós vivemos da perenidade e renovação dos quadros dos acadêmicos, após as suas mortes.

Para que as academias não pereçam, à cada vaga, temos que pesquisar aquele que a preencha e dignifique.

A parca indomável em sua ceifa, levou-nos a figura do seu antecessor José Sebastião Witter. Quando Witter ingressou nesta academia foi recebido pelo acadêmico e insigne professor emérito da Universidade de São Paulo e da Academia Campinense de Letras.

Legou-nos uma obra valiosa, que o professor Gaudêncio Torquato irá revelar-nos.

José Nêumanne Pinto: Permita-nos manifestar-lhe, mais uma vez, a nossa gratidão pela oportunidade de receber-lhe na cadeira que, a partir de hoje, será sua, em caráter vitalício e que certamente irá ilustrá-la, com o mesmo sentido de dignidade, que sempre soubeste imprimir a todas as suas ações e procedimentos.

Seja bem vindo, nobre amigo e confrade.

Presidente da APH, Luiz Gonzaga Bertelli, saúda Nêumanne

Presidente da APH, Luiz Gonzaga Bertelli, saúda Nêumanne

Na Quinta Poética

Na Quinta Poética

José Nêumanne Pinto participou em 23 de abril de 2015, às 19h30m, da 74ª Quinta Poética promovida pela Escrituras Editora na Casa das Rosas, em São Paulo. Sob a curadoria de Raimundo Gadelha, Álvaro Alves de Faria, Hamilton de Faria e Nêumanne leram seus poemas em público.

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De João Marcello Bôscoli e José Nêumanne Pinto pelo Whatsapp

De João Marcello Bôscoli e José Nêumanne Pinto pelo Whatsapp

Troca de mensagens entre João Marcello Bôscoli, primogênito de Elis Regina, e José Nêumanne Pinto, depois da vitória da Vai vai no carnaval de São Paulo tendo como tema a vida e a obra da mãe dele

Whatsapp de João marcelo Bôscoli


Querido José,
Aqui é o seu admirador, João – filho da dona Elis, com todo orgulho, amor e dedicação possíveis.

Obrigado pelo carinho comigo. Dia desses levei seu livro autografado pra casa e percebi (mais uma vez): taí um puta cara; alguém que seria amigo dela.
É maluco, mas apesar de não convivermos, sinto-me seu amigo.
Pelas ideias, clareza, inteligência e coragem.
E também pelo Petit, meu mestre, meu Sidney Poitier español de meias coloridas.
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Vamos nos ver mais!
A vida é bela e curta.
Façamos dela, sempre, algo maior.
Tal qual Elis.
Tal qual sua obra – repleta de significados.
Tal qual sua obra. É isso, José – sua obra.
De fora, posso te garantir: és bem mais importante do que imaginas.
Você deixa o Brasil maior.
Um abraço afetuoso,
João


P.S.: José, sei não haver mérito algum em ser filho da Elis. Tenho noção disso desde minha adolescência. É pura sorte.
O que faço é trabalhar duro pra manter sua chama viva. Sem mim aconteceria? Claro! É Elis.
Todavia, tento colaborar:

•2 DVDs
• 3 discos restaurados e remasterizados
• 1 exposição
• 2 livros (o melhor sai em abril, escrito pelo Julio Maria do Estadão)
• 1 musical (ainda em cartaz)
• 1 longa (será rodado esse ano)
• 2 mini séries na Globo (segunda será ano que vem; contrato assinado)
• 1 coleção da Folha com 26 discos e livretos dissecando cada um deles – pode conferir: foi recorde de vendas
• 1 desfile de escola de samba Vai•Vai/campeã – Elis já foi tema da Padre Miguel em 1987

Vem aí:

• Tenho já pronto pra lançar o disco Elis de 1972, primeiro disco com Cesar Mariano (faltam mais 25)

• Tenho 23 horas de imagens inéditas dela em TVs da Alemanha, Japão, Portugal, Itália e Chile

• O site oficial

• A loja oficial

É isso. Desculpe o tamanho do texto…
Resposta de José Nêumanne Pinto
Pronto como estou para enfrentar este ano de dois mil e cinzas, que começa depois do carnaval, foi uma agradabilíssima surpresa encontrar no whatsapp em meu celular sua calorosa, generosa e fraterna mensagem. Temos, de fato, João, os melhores motivos para manter uma relação próxima. Não fui propriamente amigo de Elis, mas convivi com ela ao longo de uns poucos anos sob as bênçãos de um bando de queridíssimos amigos comuns, primeiro Walter Silva Picapau, que se dizia meu “pai jornalístico” no começo na Folha. Depois, foram sendo incorporados Solano Ribeiro, Zuza Homem de Melo, Marcus Vinicius de Andrade, Fernando Faro e Zé Rodrix, que eram mais chegados de mim e dela do que eu dela e ela de mim. Mas tenho certeza, com seu aval agora, de que se Deus nos tivesse a todos dado a graça de conviver mais com Elis, aí sim, você tem razão, eu chegaria a ser honrado com a amizade dela. Acompanhei a apuração do samba em São Paulo (o que nunca tinha feito antes na vida) porque a Vai vai era a escola de Walter e de outro pai jornalístico meu, J. B. Lemos, corintiano como o Picapau. Mas o que me alegrou mesmo foi a escola provar que Elis, a estrela maior, não morreu. Esta mensagem segue por whatsapp para ganhar em rapidez, mas em e-mail acrescentarei o relato do dia maravilhoso em que recebi os presentes que você mandou para minha casa, evidências de seu zelo como filho e como profissional da musica. Urge aqui ainda concordar com sua proposta de compartilharmos a longa saudade que temos da maior cantora que já vi e ouvi na vida e de nosso querido Sidney Potier catalão, Paco Petit. Num jantar no Fasano, ao qual você compareceu, ele me disse: “Querido, você tem uma voz linda no rádio, uma voz de amigo”. Foi isso que me levou ao rádio e, depois, à TV. Li a biografia de sua mãe por Júlio Maria e de novo concordo completamente com você. Por mais esta coincidência, estou começando a pensar na possibilidade de lançar uma campanha aí: “Somos todos filhos de Elis”. Amém, abraço e beijo, Nêumanne

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