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No Blog do Nêumanne: A farsa da ‘pagologia’

No Blog do Nêumanne: A farsa da ‘pagologia’

No Brasil vigora um sistema de faz de conta, uma farsa, que protege quem está no poder, quem paga, quem promove, quem nomeia e quem demite. Não é uma proteção ideológica, mas só adesão ao ‘pagou, levou!’

Joesley Batista foi preso preventivamente por insider trading. Diga-se que  foi a primeira prisão preventiva por esse crime comum e rasteiro, mas de nome sofisticado, em inglês de Oxford, em nossos tristes trópicos. Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso disse que o Estado brasileiro é “rancoroso e vingativo, a JBS sofreu retaliação após denunciar o presidente Temer de participar de esquema de corrupção. A JBS é terra arrasada. Já estão lá a Polícia Federal, a Receita Federal e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM)”.

No Caderno Economia, o Estado revelou que a CVM condenou Eduardo Cunha e Lúcio Funaro a pagarem multa de R$ 8,9 milhões. Os dois foram acusados de ter obtido ilegalmente ganhos de quase R$ 2 milhões do fundo de pensão Prece, dos funcionários da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), do Rio de Janeiro. O processo foi instaurado em 2012 para apurar operações realizadas entre 2003 e 2006.  A Prece está tecnicamente quebrada desde junho de 2010, segundo reportagem de O Globo. “O quadro encontrado na Prece é de terra arrasada”, é a conclusão do texto. Mas a CVM ainda não veio a público justificar-se por ter ficado parada como um dois de paus à época do roubo propriamente dito. Como explicar que o órgão encarregado de acompanhar as transações no mercado financeiro e garantir que elas sejam praticadas dentro da legislação vigente tenha engolido uma manada de elefantes desmemoriados na savana, como se tivesse sido reduzida a um ínfimo e inocente inseto em voo?

Em junho, a CVM condenou a ex-presidente Dilma Rousseff pela compra da famigerada Dusty (“Ruivinha”) da petroleira belga Astra em Pasadena, no Texas, EUA. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), essa transação causou prejuízo de mais de US$ 580 milhões à Petrobrás. À época, a ex-presidente da República chefiava a Casa Civil de Lula e presidia o Conselho de Administração da estatal.

Antes de Joesley Batista ter gravado Temer, Eduardo Cunha era o todo-poderoso presidente da Câmara dos Deputados e Dilma Rousseff, presidente da República. A CVM, então, nada percebeu, nada investigou, ninguém puniu. É possível seus membros não terem espirrado ao inalar o pó levantado pela manada de elefantes passando ao largo do nariz deles?

Segundo O Globo, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral pagava mensalão ao chefe da Procuradoria da República no Estado do Rio à época, Cláudio Lopes. Por isso as denúncias contra o governo do emedebista, que frequentou os palanques de Lula, Dilma e, depois, do falso oposicionista tucano Aécio Neves, não eram apuradas.

Eduardo Cunha, deputado federal influente no Rio desde o governo Collor, usufruía os favores daquele agente do Estado pago para acusar delinquentes. Antony Garotinho, cuja candidatura ao governo do Estado do Rio nesta eleição é contestada pelo Ministério Público Eleitoral por compra de votos, republicou em seu blog que “na gestão de Cláudio Lopes à frente do MP Estadual ficou conhecido como Engavetador-Geral porque mandou para a gaveta todos os pedidos de investigação que envolviam o governo Cabral. Mas esse caso agora é crime de prevaricação. Usou o cargo e a informação sigilosa do inquérito que investigava Eduardo Cunha para avisar o deputado, que com autorização judicial tinha sido grampeado. O (então) procurador-geral da República, Roberto Gurgel, está mandando o processo para o Supremo (sic)”. E Garotinho lembrou que “Cabral vinha pressionando a presidente Dilma para conseguir a nomeação de Cláudio Lopes para uma vaga no STJ. Chegou a mudar uma lei estadual só para seu amigo poder disputar. Depois dessa fica difícil (sic).”

Como se vê, o Ministério Público Federal (MPF) não é, como pretendem seus membros, completamente isento e inocente nesta República do faz de conta. Maracutaia similar à de Cláudio Lopes fez Marcelo Miller, quedeixou o MPF em abril de 2017 para atuar no escritório Trench Rossi Watanabe, responsável pelo acordo de leniência da J&F, controladora da JBS, dos irmãos Batista. Mas, como ele admitiu, assessorou executivos da JBS antes de ter deixado seu cargo de procurador. Pasme: o processado Miller foi aprovado na primeira fase de um exame para juiz substituto do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3), em São Paulo. Seu nome consta da lista de aprovados divulgada na terça-feira 14 de agosto.

Esses procuradores de santos e justiceiros nada têm, mas são devotos da “pagologia” reinante, encaixam-se o título de Apareceu a Margarida, monólogo de Roberto Athayde, interpretado por Marília Pêra. E nas letras deMargarida, do baiano de Bom Jesus da Lapa Gutemberg Guarabira, e marchinha de carnaval de João Roberto Kelly, inspiradas numa brincadeira infantil de roda falando do súbito aparecimento de uma pessoa que há muito não se via. Pois nessa torpe história de contaminação pelo roubo não falta mais o que faltava: o MPF. A Justiça já estava na lama pelas acusações de Palocci de que o ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Cesar Asfor teria recebido propina para barrar a Operação Castelo de Areia, morta e enterrada sob os auspícios do criminalista Márcio Tomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula, este hoje preso em Curitiba.  Como dizia Eliana Calmon, quando era corregedora nacional de Justiça,  existem no Judiciário “bandidos de toga”.

O escândalo do mensalão da Procuradoria-Geral da República (PGR) no Rio ilumina o fato de o Ministério Público Federal em São Paulo nunca ter feito nada contra as empreiteiras com sede na capital paulista. Só que aí, depois, apareceram o juiz Sergio Moro e a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, os off-broadways. Pois só desde então deu no que deu.

Os governantes aparelham o Estado e o status quo blinda o poder: este é um sistema prostituído. Lula achava que tinha um caso de amor com o Estado, mas assim que ficou fora do poder acabou preso. Michel Temer está protegido hoje, mas nem Deus sabe se continuará sendo depois de passar a faixa presidencial ao vencedor da eleição presidencial de outubro. Quando a arma mudar de mãos,  Temer deixará de atirar e setornará alvo. Ou algum ingênuo ousa apostar que MPF,  PF, Justiça, Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central (BC), etc., etc., não apontarão contra ele seus fuzis de mira oportunista?

Se o Partido dos Trabalhadores (PT) eleger seu candidato,  o atual presidente poderá encomendar o caixão. As pesquisas eleitorais, com Lula – condenado em segunda instância, preso e inelegível pela Lei da Ficha Limpa, à frente – atestam que a confiança da população nas instituições é baixa. E que a higienização institucional se limita a mais do mesmo da velha esperança de o que está pior pode melhorar. Não é uma tendência.

Os juízes Sergio Moro e Marcelo Bretas, estranhos nesse ninho, autênticos off-broadways, até agora estão furando essa blindagem. Mas a distribuição do Fundo Partidário reelegerá esse Congresso corrupto: “90% dos deputados e 65% dos senadores candidatos sepultam o devaneio de ‘não reeleja’ ninguém”. Como alertei na semana passada em artigo no Estado, “dos seis pretendentes à Presidência da República com chance, nenhum se compromete com o que de fato importa: o combate a privilégios, política econômica para pôr fim à crise e ao desemprego e o basta à impunidade de criminosos armados e de colarinho branco”. Acrescente-se  a esse caldo podre proposta já anunciada de candidatos à Presidência – Ciro Gomes, o poste de Lula e Geraldo Alckmin com um Centrão para chamar de seu – da premiação com  indulto aos corruptos e atenuações nas leis de combate a corrupção.

Pois o Estado é leal a el-rei e sempre faz o serviço sujo de quem estiver no pudê. As chances de esse sistema mudar são próximas de zero: vista grossa para o governo e chumbo grosso para os adversários. Continua agora valendo o que escrevi na quarta-feira da semana passada no jornal: O Brasil tem tudo para não dar certo tão cedo. O resto é faz de conta, sem ninguém para fazer as contas que precisam ser feitas para que algum dia dê.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne segunda-feira 27 de agosto de 2018)

Para ler no Blog do Nêumanne, Politica, Estadão, clique no link abaixo:

https://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/a-farsa-da-pagologia/

No Blog: Nêumanne entrevista Paulo Melo

No Blog: Nêumanne entrevista Paulo Melo

Chega de Lula!

Para cineasta e ex-analista do CNPq, petista “já deu o que tinha de dar”, está muito rico e agora deve submeter ao julgamento da História seu legado de recessão, desemprego e inflação

O cineasta e ex-analista do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Paulo Melo disse que “o grande esforço nacional seria no sentido de esquecer Lula, por um simples e prosaico motivo: ele já deu o que tinha a dar”. Segundo o assistente de direção do filme Menino de Engenho, de Walter Lima Jr., “bem ou mal, que a História, no seu tempo devido, o julgue, que diga realmente em que importaram para o Brasil seu poder e sua glória. Quanto à fortuna, se é o caso da financeira, essa ele já tem usufruído de há muito”. Na série Nêumanne Entrevista, publicada semanalmente neste blog, Melo afirmou ainda que, “de toda essa confusão armada pelo PT, nada indica de que Lula possa vir a fazer algo de significativo para o País, se que é verdadeiramente chegou a fazer, haja vista o legado de recessão, desemprego e inflação que ele deixou. Em causa própria, inteligente e esperto como poucos, fez até demais. Deixou até de ser uma pessoa para se tornar uma ideia”.  E mais: “Nessa podridão em que está envolvida a classe política, e num país sem partidos políticos verdadeiros, o fato de ele ter cometido crimes e por eles estar cumprindo pena pouco importa, até o ajuda, pois para muitos, em especial no nosso irremediável Nordeste, ele é mesmo um preso político, quem sabe um mártir e talvez até mesmo um santo”,ponderou Melo.

Paulo Melo: "Estamos engalfinhados em discussões radicalizadas de uma nota só e desafinada, que só levam a um febril culto à personalidade" Foto: Acervo pessoal

Paulo Melo: “Estamos engalfinhados em discussões radicalizadas de uma nota só e desafinada, que só levam a um febril culto à personalidade” Foto: Acervo pessoal

Paulo Melo nasceu em João Pessoa (Paraíba), em maio de 1943. Graduado em Filosofia pela UFPB, com especialização em administração cultural pela UnB/OEA. Diretor da Divisão de Documentação e Cultura (1968-9), do Teatro Santa Roza (1970-5) e do Departamento de Assuntos Culturais/Diretoria Geral de Cultura (1975/79), órgãos da Secretaria de Cultura do Estado da Paraíba, diretor das quatro primeiras edições do Festival de Areia (1976-1979) e diretor da Editora da Universidade Federal da Paraíba (1979-1980). No CNPq, em Brasília, assumiu as funções de coordenador editorial (1980-6) e secretário dos Órgãos Colegiados (1991-2013), incluindo diretoria executiva (redação da ata de 364 reuniões) e conselho deliberativo (organização e secretaria executiva de 128 reuniões). Foi assessor especial da Secretaria de Cultura da Presidência da República (1990-1), gestão de Ipojuca Pontes. Participou de 11 filmes: foi assistente de direção em Menino de Engenho (1965), de Walter Lima Jr.; Onde a Terra Começa (1967), de Ruy Santos; Fogo Morto(1976), de Marcos Farias, e Soledade (1975) e Batalha de Guararapes (1977), ambos de Paulo Thiago; produtor executivo de O Homem de Areia (1980), de Vladimir Carvalho; co-roteirista e autor da pesquisa em Poética Popular (1970), de Ipojuca Pontes, e Incelência para um Trem de Ferro (1973), de Vladimir Carvalho; e diretor dos curtas-metragens Contraponto sem Música (1968), com Virgínius da Gama e Melo, Paraíba, prá seu Governo (1969), e A Última Chance (1973). Escreveu na imprensa de João Pessoa no período de 1959-1980.

Nêumanne entrevista Paulo Melo

 

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No Estadão desta quarta-feira: O Brasil tem tudo para não dar certo tão cedo

No Estadão desta quarta-feira: O Brasil tem tudo para não dar certo tão cedo

País está dividido entre os que se deixam seduzir pelo populismo e os que o rejeitam

O ano começou com uma expectativa generalizada de que teria início nele algo que um romancista inspirado chamaria de “o verão de nossas esperanças”. Antes de setembro chegar, trazendo a primavera, ninguém precisará ser muito pessimista para lembrar, neste “inverno de nossas desilusões”, que agosto é, de fato, um mês de muito desgosto e que o verão de 2019 em nada corresponderá aos sonhos de renovação de oito meses atrás. Por quê?

Em 2005 teve início no Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento da Ação Penal 470, que ficou popular com o apelido de mensalão e radiografou a podridão das vísceras do primeiro governo soit-disant socialista da História, sob a égide do ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva. Nos debates do plenário da Corte, acompanhados com interesse antes só despertado pelos festivais da canção e pela Copa do Mundo, foi revelado ao povo um esquema de compra de apoio parlamentar com o erário sendo tratado como quirera.

Os “supremos” magistrados condenaram à prisão políticos de alto coturno, que trataram os partidos que dirigiam como se fossem organizações criminosas: José Dirceu e José Genoino, que tinham presidido o Partido dos Trabalhadores (PT), Roberto Jefferson, suserano do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Valdemar Costa Neto, rei do Partido Liberal (PL), que viraria Partido da República (PR), Pedro Corrêa, dirigente do Partido Progressista (PP), e outros.

Reza o folclore político que, instado a participar de um movimento para depor o então presidente Lula, o ex-chefão do Partido da Frente Liberal (PFL), hoje o Democratas (DEM), Antônio Carlos Magalhães, disse que preferia derrotá-lo nas urnas. Como a História, implacável, registra, Lula bateu o tucano Geraldo Alckmin na eleição de 2006. Os chefões das quadrilhas partidárias seriam, depois, indultados pela companheira Dilma Rousseff, que Lula elegeria sua sucessora, e, afinal, perdoados pelos companheiros nomeados para o fiel e desleal STF.

Mas, ah, ora, direis, ouvindo estrelas, o povo foi às ruas para reclamar daquilo que, antes de comandar a rapina nos cofres públicos, o PT chamava de “tudo o que está aí”. A rebelião das ruas, que apoiou o combate à corrupção por uma geração de jovens policiais, procuradores e juízes federais, porém, passou ao largo de alguma mudança de fato no Brasil que Machado de Assis chamava de “oficial”, em contraponto ao nobre, pobre e probo “País real”. No ano seguinte às espetaculares manifestações de rua em nossas cidades, 2014, Dilma foi reeleita com Temer e o PMDB na chapa em campanha de que, como depois revelaria outra devassa, nem os vencidos sairiam inocentes. Tudo como dantes no cartel de Abrantes.

Para cúmulo da ironia, levado a julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o triunfo da chapa que juntou a fome com a vontade de comer passou a ser dado como absolvida “por excesso de provas”. Mas a decisão, tomada numa sessão presidida pelo ministro do STF Gilmar Mendes, manteve Temer na Presidência, depois do impeachment da titular da chapa vencedora. E Dilma sem cargo, mas liberada para ocupar posto público por uma canetada praticada pelas mãos esquerdas do senador peemedebista Renan Calheiros e do então presidente do STF, Ricardo Lewandowski.

Isso ocorreu apesar do enorme entusiasmo popular com novo feito da Justiça em primeira instância, a Operação Lava Jato, iniciada em 2014 e responsável pela sequência da AP 470, levando às barras dos tribunais e às celas os maiores empreiteiros do Brasil, Marcelo Odebrecht à frente, e o ex-presidente Lula. Este havia saído incólume do mensalão por obra e graça da omissão do relator, tido como implacável, Joaquim Barbosa, e a atenta proteção do sucessor deste na presidência do STF, Lewandowski. O que não impediu que depois fosse condenado e preso como “chefe da quadrilha”.

No verão, esperava-se que se elegessem um presidente para limpar a máquina pública e um Congresso para apoiá-lo na guerra à corrupção. No inverno, 90% dos deputados e 65% dos senadores candidatos sepultam o devaneio do “não reeleja ninguém”. Dos seis pretendentes à Presidência com chance, nenhum se compromete com o que de fato importa: o combate a privilégios, política econômica para pôr fim à crise e ao desemprego e o basta à impunidade de criminosos armados ou de colarinho branco. Quem está em primeiro lugar nas pesquisas de preferência de voto é um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro a 12 anos e 1 mês de prisão.

O economista Cláudio Porto, da Macroplan, acaba de divulgar a pesquisa Cinco cenários para o governo do Brasil 2019-2023, que conclui que qualquer governo terá de conviver com cinco condicionantes imediatos: renda per capita 9% abaixo da de 2014 e desemprego de 14 milhões de pessoas; contexto externo menos favorável do que o dos últimos anos; tensão permanente entre a população impaciente e a maioria fisiológica dos políticos; demandas da sociedade por mais e melhores serviços públicos, em confronto com a manutenção e a conquista de mais benesses pelo baronato de políticos; e combate à corrupção menos intenso.

Para enfrentar esses problemas o eleitorado, segundo Porto, divide-se pela metade, não entre esquerda e direita, mas entre a sedução do populismo e a saída não populista. A pesquisa, feita para a Macroplan pelo economista Flávio Tadashi entre 6 e 8 de agosto, situa em 16,1% a adesão ao populismo de esquerda; 17,4% ao de direita e 16,5% ao “de ocasião”. A saída não populista divide-se em 27% para a conservação do status quo e 23% para o “reformismo modernizante”.

As chances de o Brasil continuar a não dar certo são de 77% e as necessárias reformas e modernização para o País crescer e prosperar não são inviáveis, mas dependem de a maioria do eleitorado ser convencido de que a melhor saída seria essa.

Jornalista, poeta e escritor

 

No Blog do Nêumanne: ONU do B a serviço de Lula

No Blog do Nêumanne: ONU do B a serviço de Lula

‘The New York Times’, a BBC e a ONU não têm compromisso de lealdade com Estado de Direito brasileiro, mas o candidato condenado, o PT e o PCdoB deveriam respeitá-lo

Em abril, antes de ser preso em São Bernardo do Campo por ordem do Tribunal Federal Regional da 4.ª Região (TRF-4), de Porto Alegre, Lula lamentou que, por conta de um importantíssimo “compromisso”, perderia a chance de discorrer sobre como acabou com a fome no Brasil. Há na lamúria uma mentira e uma meia-verdade. A mentira foi desmascarada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que flagrou no Brasil pós-PT e PMDB de Lula, Dilma e Temer a existência de 26 milhões de patrícios desempregados e desiludidos, que nem procuram mais emprego.

Ele, de fato, fora convidado a participar não de um evento na programação oficial do órgão que trata da fome na Organização das Nações Unidas (ONU), a FAO, como foi divulgado no Brasil. Mas de uma reunião da cúpula da União Africana, cujos membros lideram regimes que não primam pela fidelidade aos princípios democráticos. A máquina de marketing político montada nos desgovernos Lula e Dilma fez um tremendo escarcéu a esse respeito. Pois a prisão, tratada pela cúpula petista e pela defesa do condenado em segunda instância como “perseguição para impedir sua candidatura”, teria impedido que gozasse os louros do reconhecimento daqueles tiranos da adoção no maior país da América do Sul de programas como o Bolsa Família.

Mesmo com seu líder cumprindo pena numa dita sala de “estado-maior”, como definiu o juiz Sergio Moro, que o encarcerou, a máquina de propaganda dos tentáculos do petismo espalhados em organizações internacionais não cessou de funcionar. Em 14 de agosto, o jornal The New York Times (NYT) publicou um artigo, de suposta lavra da pena (no sentido figurado) do ex, no qual exaltou programas de seu governo e chamou de “golpe” o impeachment do poste que elegeu presidente, Dilma Rousseff. Ou seja, o órgão de imprensa de convicções liberais que trava, ao lado de concorrentes, uma guerra contra o presidente Donald Trump, que os considera “inimigos do povo”, reproduziu as diatribes a que recorrem os advogados do apenado e dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), por cuja legenda requereu registro de sua candidatura à Presidência.

A máquina de propaganda petista, sem contar mais com os colunistas de aluguel nem com emissoras ditas públicas de rádio e televisão, cabides de emprego de militantes e simpatizantes, divulgou com estardalhaço o texto de seu profeta. Como se, por terem sido impressas sob o timbre do jornalão nova-iorquino, representassem uma adesão deste às teses absurdas de defesa de um criminoso e acusação contra a Justiça brasileira. Pois, como escreveu Fernando Gabeira em artigo no Globodesta segunda-feira 20 de agosto, Meditando com Daciolo, “para salvar Lula, é necessário condenar a Justiça”. Mas, na verdade  por mais que possa parecer estranho à patota esquerdista, numa democracia os jornais, especialmente os liberais, como o NYT, publicam rotineiramente opiniões estranhas e até opostas às deles. Este foi o caso do artigo em questão. Embora isso não impeça que, do lado de cá, em defesa da democracia que escolhemos para nos reger, não tenhamos comentários desairosos sobre esses registros de pulp fiction.

José Roberto Guzzo lembrou na Veja: “O que a imprensa mundial diz ao público é que Lula está preso porque lidera ‘todas as pesquisas’; se estivesse solto, seria candidato a presidente e ganharia a eleição, e ‘não querem’ que isso aconteça, porque ele voltaria a ajudar os pobres. Quem ‘não querem’? E o que alguém ganharia ficando contra ‘os pobres’? Não há essas informações. Também não há nenhuma palavra sobre o fato de que a presidência de Lula foi o período de maior corrupção já registrado na história mundial ­— realidade comprovada por delações, confissões e devolução de bilhões em dinheiro roubado. Mas e daí? Ninguém está ligando para o Brasil como ele é. O Brasil do Zé Carioca é muito mais interessante.”

O apoio que a cambada lulista acha ter encontrado na mídia burguesa, porém, não basta. Em pleno mês do desgosto, a fábrica de fake news, hoje por conta de robôs nas redes sociais, encontrou mais um tema para nutrir nos desinformados a ilusão de que o condenado e, portanto, inelegível pela Lei da Ficha Limpa conta com adesão internacional para defender sua candidatura inviável à Presidência da República. Fê-lo com a notícia de que certo “comitê” de direitos humanos da ONU, sempre a ONU, tinha intimado o Brasil, ou o governo brasileiro, ou seja lá o que for, a permitir que o condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro dispute as eleições, ao arrepio da lei.

O que houve de verdade? O comunicado a que recorreu a fábrica petista de fake news em exigência para permitir candidatura do condenado é um documento emanado de um “comitê” formado por 18 “especialistas” independentes – acadêmicos em geral – sem nenhum poder decisório ou mandatório. Ou seja, está sendo repetido o estratagema do convite da FAO, já denunciado por Carlos Brickman no site Chumbo Gordo: não havia – e não havia mesmo – nenhum registro no calendário de eventos oficiais daquele órgão da ONU do tal compromisso oficial. Agora também não há. A notícia foi dada (ou seja, vazada) pela BBC, não pelas Nações Unidas.

E tanto nunca foi oficial que a própria ONU divulgou nota na qual informou que a função do tal “comitê” é “supervisionar e monitorar” o cumprimento dos acordos internacionais de defesa dos direitos humanos. E fazer recomendações, sempre em entendimento e consultas com os países envolvidos. O texto dessa nota de informações não deixa dúvidas quanto ao uso impróprio da entidade na divulgação: “É importante notar que esta informação, embora seja emitida pelo Escritório das Nações Unidas para Direitos Humanos, é uma decisão do Comitê de Direitos Humanos, formado por especialistas independentes. (Logo) esta informação deve ser atribuída ao Comitê de Direitos Humanos”.

Ontem o título da coluna de Jânio de Freitas na Folha de S.PauloBrasil ignora tratados internacionais no caso de Lula, vai na contramão dessas conclusões falsas e apressadas. Já na quinta-feira 16 de agosto o comentarista de economia José Roberto Sardenberg registrou em seu artigo semanal na página de opinião de O GloboFake ONU, o seguinte: “Vai daí que são fake todas as notícias do tipo: ONU manda, determina, exige que Lula participe da eleição; Conselho da ONU decide a favor de Lula (forçando uma confusão do Comitê com o Conselho, por ignorância ou má-fé); decisão do Comitê é obrigatória”.

Aliás, ainda na semana passada, em pleno espocar dos foguetões dos lulistas devotos, o colega José Fucs esclareceu no site BR18 do Portal do Estadão: “O comunicado revela, de qualquer forma, o grau de interferência política que predomina nas iniciativas do órgão e o seu aparelhamento pelos PTs do mundo e por países cujos interesses têm pouco ou nada a ver com a defesa da liberdade e dos direitos humanos. Não por acaso, em junho deste ano, os Estados Unidos decidiram se retirar da entidade, que inclui “exemplos” de democracia, como Angola, China, Cuba e Venezuela, em protesto contra suas críticas frequentes a Israel”. Os fanáticos do padim Lula poderão argumentar que o presidente norte-americano, Donald Trump, não é flor que se cheire em matéria de verdade, além de se declarar publicamente inimigo número um da imprensa livre de seu país. No entanto, ninguém de boa-fé ou de boa vontade pode considerar os ditadores comunistas dos países citados por Fucs como militantes da defesa da liberdade de dissentir de seus dissidentes internos.

The New York Times, a BBC, a ONU e os tais militantes, que não são diplomatas das “nações unidas”, mas “especialistas em direitos humanos”, normalmente de esquerda e que compõem o tal “comitê”, não assumiram nenhum compromisso de lealdade com as instituições do Estado de Direito vigente no Brasil por livre e soberana vontade majoritária do povo brasileiro. Os robôs a serviço da pregação ideológica da farsa da “perseguição de Lula para evitar que ele se candidate” não têm vontade própria nem discernimento. Mas, pelo menos em teoria, o PT e o PCdoB, que apoiam as pretensões presidenciais de Lula, e principalmente ele próprio deveriam respeitar e proteger nossas instituições democráticas, se é que pretendem mesmo disputar o voto do cidadão sob a égide delas.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no blog do Nêumanne na segunda-feira 20 de agosto de 2018)

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo):

https://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/onu-do-b-a-servico-de-lula/

Comentário no Jornal Eldorado: Dane-se o eleitor!

Comentário no Jornal Eldorado: Dane-se o eleitor!

Apesar de não ter conseguido transferir o relatório sobre os pedidos de impugnação da candidatura de Lula do PT à Presidência da República do sorteado Luís Roberto Barroso para Admar Gonzaga, que julgava outros quatro, pois a presidente do TSE, Rosa Weber, deixou mesmo todos os casos com o colega do STF, sua defesa pelo menos obteve do encarregado o compromisso de cumprimento de todos os prazos. Só isso empurra o julgamento definitivo no TSE para plena campanha eleitoral, o que provocará confusão jurídica e informação desencontrada, o que não atende ao direito do cidadão de ser informado com clareza sobre em que candidatos poderá votar. Ou seja, para o PT, dane-se o eleitor!

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 20 de agosto de 2018, às 7h30m)

Para ouvir clique no link abaixo e, em seguida, no play:

https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-200818-direto-ao-assunto

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

https://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/dane-se-o-eleitor/

Abaixo, os assuntos do comentário da segunda-feira 20 de agosto de 2018

1 – Haisem – Algum dos sete pedidos de impugnação da candidatura de Lula à Presidência da República que estão para ser relatados pelo ministro Luis Roberto Barroso no Tribunal Superior Eleitoral tem chance de sucesso antes que essa candidatura se imponha como fato consumado?

2 – Carolina – O Estado brasileiro corre algum risco de punição pela Organização das Nações Unidas se não cumprir o que se divulgou de permitir que o ex-presidente petista concorra mais uma vez à eleição presidencial em outubro próximo?

3 – Haisem – Que influência ainda tem o ex-deputado Eduardo Cunha de influir, como parece pretender, na eleição presidencial, seja quando apóia que Lula seja libertado para “derrotá-lo nas urnas”, seja ao se dizer alinhado à campanha de Henrique Meirelles, daquele que, por sinal, ainda é seu partido, o MDB?

4 – Carolina – Por que até agora nos debates entre candidatos à Presidência da República na televisão a responsabilidade de Lula, do PT, de seus aliados e até da oposição omissa e conivente pelo maior escândalo de corrupção da História não é debatida como deveria sê-lo para que o eleitorado seja informado desse fato histórico de alta relevância para todos?

5 – Haisem – Quando decidiram por 7 a 4 propor reajuste para seus próprios vencimentos em 16%, os ministros do Supremo Tribunal Federal, que inspiraram a mesma iniciativa também tomada pelo Ministério Público Federal, não tinham consciência de que a providência é ilegal porque eleva despesas além do teto, como aponta parecer da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, publicado ontem no Estadão?

6 – Carolina – Não seria o caso de os ministros do Supremo Tribunal Federal que ainda têm juízo e vergonha prestarem atenção e levarem a sério a advertência feita pelo ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega dos terríveis efeitos deletérios, inclusive retroativos, da liminar que o colega deles Ricardo Lewandowski deu sobre a privatização de estatais e suas conseqüências em nossas desastrosas contas públicas?

7 – Haisem – Levantamento feito pelo Estadão resultou na reportagem que resultou chamada no alto da primeira página de hoje dando conta que “desequilíbrio entre Estados aumenta no Congresso”. Quais são os efeitos indesejáveis que, na sua opinião, essa constatação produz na nossa democracia à brasileira?

8 – Carolina – Qual foi a notícia cultural que mais lhe chamou a atenção no noticiário cultural do Estadão neste fim de semana?

Nêumanne entrevista Augusto Nunes

Nêumanne entrevista Augusto Nunes

Augusto deixou Roda Viva por não aceitar interferências políticas

Jornalista conta que decidiu não renovar contrato com TV Cultura quando presidente da emissora deixou claro que não haveria independência neste ano político

“Houve um ataque em pinça ao jornalismo independente que sempre orientou a trajetória do Roda Viva”, contou Augusto Nunes, que era mediador do programa semanal de entrevistas mais importante da TV Cultura, para explicar sua inesperada saída do programa. Segundo ele, “as interferências indevidas da presidência da TV Cultura se tornaram mais frequentes. E se intensificaram as pressões do grupo hoje majoritário no Conselho Curador da fundação, liderado por Augusto Rodrigues, Jorge Cunha Lima e Belisário dos Santos Jr.”. Esses conselheiros acreditam que é preciso “ampliar o espaço ocupado ‘por gente de esquerda’, tanto no conjunto de entrevistados quanto nas bancadas de entrevistadores”, continuou. O desentendimento, descrito para a edição desta semana da série Nêumanne Entrevista, deu-se da seguinte forma: “Eles argumentam que a Cultura deve espelhar o ‘clima de polarização existente no Brasil, que se reflete nas redes sociais’”. E mais: “Documentos distribuídos entre os funcionários da TV Cultura, em sua essência, sustentam que a programação da Cultura, sobretudo o Roda Viva, deve entrar no clima de Fla x Flu vigente na internet. Eu penso o contrário: é preciso combater a radicalização dos confrontos políticos”.

Segundo Augusto, desgaste começou quando presidente e diretor de jornalismo da TV Cultura passaram a fazer a pauta do programa. Foto: Jair Magri

Segundo Augusto, desgaste começou quando presidente e diretor de jornalismo da TV Cultura passaram a fazer a pauta do programa. Foto: Jair Magri

Augusto Nunes da Silva, 69 anos, casado, duas filhas, começou a escrever no Nosso Jornal, em sua cidade natal, Taquaritinga, no interior de São Paulo. Estudou na Faculdade Nacional de Direito, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e, em 1970, transferiu-se para a Escola de Comunicação e Artes da USP, cujo curso de Jornalismo também não concluiu. Em 1971, foi revisor nos Diários Associados e, no ano seguinte, passou a atuar como repórter no jornal O Estado de S. Paulo. Em 1973 foi para a revista Veja, na qual chegou a editor de Política. Lá ficou até 1986, quando assumiu pela primeira vez a mediação do Roda Viva. Dirigiu as revistas VejaÉpoca e Forbes (edição brasileira) e os jornais O Estado de S. PauloJornal do Brasil e Zero Hora. Em 2010, voltou como debatedor fixo do Roda Viva. Nunes venceu quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo e foi incluído numa seleção dos seis mais importantes jornalistas do Brasil, feita pela Fundação Getúlio Vargas(FGV). Em 2009 voltou à Veja, na qual mantém desde então uma coluna. Em 2013 voltou a comandar o Roda Viva, de que saiu em março deste ano conduzindo entrevista com Sergio Moro, que bateu recorde de audiência. Desde 2016 Augusto Nunes trabalha na Rádio Jovem Pan, primeiro no matutino Morning Show e, depois, participando do vespertino Pingos nos Is.

A seguir Nêumanne entrevista Augusto Nunes

 

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