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No Blog do Nêumanne: O Brasil está entregue aos bacilos

No Blog do Nêumanne: O Brasil está entregue aos bacilos

José Nêumanne

Bolsonaro, deputados, senadores, governadores e prefeitos encaram previsão de mortandade por coronavírus no inverno como algo que pode ser evitado com lorotas, piadas e demagogia barata

Dia destes Isabel leu para mim artigo de Leonardo Coutinho, colunista da Gazeta do Povo, de Curitiba, residente em Washington, DC, que, sinceramente, me estarreceu. Ao correr da leitura conheci fatos estarrecedores. Segundo ele, em 2 de fevereiro, quando já era conhecido no mundo inteiro, o coronavírus, egresso de morcegos e cobras vendidos em mercados para serem cozinhados na região de Wuhan, na China, o prefeito de Florença, Dario Nardella, lançou uma campanha sob o tema “abrace um chinês” contra “o preconceito, a exclusão e o terrorismo psicológico”. Ele e outros políticos esquerdistas, contou Coutinho, espalharam peste similar: a notícia falsa de que o vírus não era contagioso. Ainda de acordo com a mesma fonte, o governador do Lácio, Nicola Zinganetti, que posou sorridente com Lula, comunicou que estava feliz por ter sido inoculado por poder contribuir para socializar a doença respiratória e criar imunidade. Imbecis da esquerda ainda vendem suas fake news com desfaçatez.

Mais de um mês e meio depois, o secretário da Saúde da Lombardia, na mesma Itália, disse que não há mais vagas em suas UTIs. Vindo de lá, o primeiro contaminado pelo coronavírus no Brasil foi localizado e isolado. A médica Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP, liderou o grupo de cientistas brasileiros que sequenciou o vírus em 48 horas após a confirmação do primeiro caso brasileiro. Esse é um feito magnífico, que merece o reconhecimento de todos nós pelo pioneirismo. Recentemente, essa mesma cientista disse ao UOL acreditar que o pico no Brasil do novo coronavírus ocorrerá entre abril e maio, ou seja, no começo do inverno quando as doenças respiratórias atingem seu ápice, exigindo esforço concentrado nos prontos-socorros e ambulatórios brasileiros. O governador de São Paulo, João Doria Junior, que certamente foi informado do fato pelo infectologista David Uip, que chefia no Estado o combate ao que já virou pandemia por decisão da Organização Mundial de Saúde, nem sequer cumprimentou a especialista, que mora na mesma cidade que ele. Se tivesse mostrado um mínimo de curiosidade, poderia ter tomado a providência sensata de não comparecer à festa de 1.200 pessoas que comemoraram a estreia da rede de televisão americana CNN no Brasil. Perdeu a boa oportunidade de cancelar o ágape, ao tomar conhecimento do problema por cujo combate é o principal responsável no Estado, mas não desperdiçou a oportunosa ensancha de alfinetar o presidente da República por negligência mais grave.

Não faltou razão a Dória. Afinal, o único político sensato do Brasil, Janaina Paschoal, deputada pelo PSL que chegou à Assembleia Legislativa de São Paulo com 2 milhões de votos, classificou de indefensável a atitude de Bolsonaro, que chegou a cogitar de seu nome para formar chapa com ela para a eleição presidencial. Quando o noticiário sobre a epidemia mundial começou a ocupar espaço e tempo nos meios de comunicação, o capitão desdenhou dos efeitos maléficos do vírus importado da China.

Na semana passada, enquanto Doria, Rodrigo Maia, David Alcolumbre e outros maiorais da República da insensatez festejavam a chegada da CNN, Bolsonaro encontrava-se com Donald Trump na Flórida. Na volta foi constatado que seu secretário especial de Comunicação, Fábio Wajngarten, tinha contraído o bacilo. Na noite desta segunda-feira 17 de março tinha sido notificado o 13.º caso de contaminação na comitiva. Donald Trump, que se encontrou com o maiorial brasileiro, disse que não foi contaminado. O primeiro exame de Bolsonaro também o declarou imune, embora falte um teste para garantir o diagnóstico. Seu anfitrião em Miami, o prefeito Francis Suárez, foi diagnosticado como contaminado.

Cercado por essas evidências, Sua Excelência voltou ao País e fez sua live das tardes de quinta-feira ao lado do ministro da Saúde, o deputado Luiz Henrique Mandetta, que tem sido elogiado por especialistas por sua atuação no comando da reação federal brasileira ao micro-organismo egresso da China. Portando máscara cirúrgica, a exemplo do subordinado ao lado, o chefe do governo recomendou a seus seguidores nas redes sociais que não comparecessem às manifestações marcadas para domingo 15 por causa do risco de contaminação. Seu apelo contradisse compartilhamento no WhatsApp de um anúncio dos atos. Depois de ser criticado forte e injustamente por políticos e magistrados que, segundo ele, com razão, “têm medo de povo”, contudo, voltaria a conclamar os seguidores a apoiá-lo na árdua luta pela governança contra a velha política.

No domingo, à frente do Palácio do Planalto, “teve contato direto com ao menos 272 pessoas em cerca de 58 minutos de interação com apoiadores na frente do Palácio do Planalto”, conforme registrou o Estado em análise feita a partir de vídeo publicado em sua página no  Facebook. Segundo essa análise, ele manuseou no minimo 128 celulares, trocou uns quatro objetos com a plateia, entre eles um boné, que pôs na cabeça, e cumprimentou 140 pessoas. Conforme revelou o vídeo, “parte dos cumprimentos, nos primeiros 50 minutos do vídeo, é de ‘soquinhos’ nas mãos das pessoas ou mesmo apertos de mãos. Nos cinco minutos finais de interação, o presidente alcançou pelo menos 80 apoiadores correndo com a mão estendida e cumprimentando várias pessoas na sequência”. Infectologistas e até aliados próximos do presidente reprovaram sua atitude.

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra, completou a infeliz iniciativa sendo fotografado ao lado do chefe. Agências são instituições criadas para evitar abuso econômico de empresas ou do Estado em processos de privatização. Seus dirigentes não são subordinados do presidente, mas o citado comportou-se como vassalo, súdito. Sua presença deu à cena uma lamentável característica de farsa após a explicação dada por Barra. O responsável pela vigilância da saúde pública e privada no Brasil disse que fora ao encontro de Bolsonaro para uma conversa privada no palácio de despachos num domingo livre. O pretexto do encontro particular é pior do que feira ruim ou saco furado, que minha avó chamava de desculpa de cego.

Foi também lamentável a tentativa de mais uma vez contrariar o que ele próprio já havia afirmado e negado antes, ao dizer ao apresentador de televisão José Luiz Datena, da Band, em entrevista exclusiva, que nunca havia conclamado ninguém para ir às ruas. O vaivém de confirma e nega não pega bem num presidente da República de qualquer republiqueta. No entanto, nada se compara à evidência de que o chefe do Executivo ainda não tem a noção completa de dois deveres de seu cargo. O primeiro é o de preservar a confiabilidade e a credibilidade emanada de seu posto máximo. O segundo, o de contrariar diretrizes de sua condição de último chefe no combate a quaisquer males que ameacem seu povo.

Ainda no domingo Bolsonaro disse que só deve lealdade ao povo e a Deus. Convém lembrar-lhe que jurou cumprir a Constituição e as leis da República quando assumiu o mais alto posto da administração federal e da política pública no Brasil. Quanto ao povo, em cujo nome exerce legitimamente o poder por delegação de “cada cidadão, um voto”, deve preservar, com o que estiver ao seu alcance, sua saúde e seu bem-estar. Quanto a Deus, qualquer crente sabe que é fonte de vida e esta está acima da política e até mesmo da democracia.

Hoje o Brasil precisa de um estadista que governe para todos, e não apenas para prosélitos. Seu dever agora seria aconselhar os cidadãos a ficarem em casa, evitarem contato físico com outras pessoas até passar o período de velocidade da contaminação, que é este, segundo o reitor da Universidade de Campinas (Unicamp), Marcelo Knobel. Sábio conselho. Se for o caso, pode até usar força para evitar aglomerações. Da mesma forma que o dever dos políticos atacados nas manifestações de domingo é aprovar sem delongas os R$ 5 bilhões pedidos por Mandetta. E empregar Fundos Partidário e eleitoral para salvar vidas ameaçadas pela covid-19. E se Doria quer enfrentá-lo na eleição presidencial de 2020, que adote medidas empregadas em Itália, Espanha, França, Chile, etc. O Brasil e o Estado de São Paulo precisam de autoridades com hombridade, que não se apoiem em macheza, mas, sim, em capacidade de persuasão, sensibilidade e força para tomar decisões certas e urgentes.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Artigo publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 16 de março de 2020)

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Artigo de José Nêumanne Pinto: Caso Suzi, vergonha para o jornalismo

Artigo de José Nêumanne Pinto: Caso Suzi, vergonha para o jornalismo

Exploração sentimental da solidão de transgênero que violentou e trucidou criança pobre de 9  anos envergonha médico de grife e campeã que já foi monopolista de audiência

No domingo 1.º de março, o Fantástico, da Globo, exibiu quadro apresentado pelo infectologista Dráuzio Varella abordando casos relacionados com a saúde, como o faz há 30 anos. O tema foi a vida de transgêneros nos presídios brasileiros. Todos sabemos que nosso sistema prisional emula na vida real as narrativas mais horripilantes do que se imagina que seja o inferno e, desta vez, a carga emocional foi acima do normal, mas sofreu ao longo da semana uma reviravolta de 180 graus.

Entre depoimentos críticos e outros positivos, um fato raro quando se fala de locais aos quais o então ministro da Justiça da petista Dilma Rousseff, José Eduardo Martins Cardozo, preferia a morte, como declarou publicamente, um gesto do apresentador do quadro teve impacto incomum. Ao ser informado pela entrevistada, identificada como Suzi Monteiro, internada num presídio em Guarulhos, na Grande São Paulo, de que não recebia visitas, correspondência nem presentes em oito anos de pena, comoveu-se o celebrado esculápio. Num rompante gravado e retransmitido, Varella, autor de dois livros sobre o Carandiru e colunista aos domingos da Folha de S.Paulo, levantou-se abruptamente e se ofereceu ao abraço da entrevistada. Editada como um capítulo de telenovela, com música de fundo e apelo piegas, a cena levou mais de 200 pessoas a remeterem para o endereço da detenta cartas e presentes. Na guerra do Ibope, o decadente programa semanal da antiga Vênus Platinada pode ter recuperado ali índices de audiência de um passado que ficou remoto.

Na semana posterior, contudo, a situação inverteu-se totalmente quando o site O Antagonista identificou a solitária “heroína” do dr. Varella como autora de um dos homicídios mais repugnantes da história dos crimes de pedofilia na periferia pobre e abandonada de São Paulo. Há dez anos, ainda com identidade masculina, a trans surpreendeu um filho de 9 anos de Aparecida dos Santos dormindo em casa, violentou-o, assassinou-o e escondeu o corpo, localizado depois já em estado de avançada putrefação. Qualquer pessoa com um mínimo de tirocínio, ao topar com a figura do assassino, saberia que o crime torpe foi cometido também com enorme supremacia de força e peso do assassino sobre sua vítima.

Quando a notícia foi dada, ficou patente que o médico de grife e a Globo, que nada tem de boba, cometeram violações de profissionalismo e ética elementares com a exploração sentimentaloide da solidão da presidiária. O crime é público e notório, com a agravante de a assassina ter sido condenada a 36 anos de prisão. A defesa apelou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando que o cumprimento máximo de pena, então, era de 30 anos (agora são 40), mas o relator do caso, ministro Nefi Cordeiro, manteve-a, certamente motivado pela sórdida motivação do criminoso.

Nenhum repórter iniciante teria completado seu trabalho sem a informação básica sobre a diferença entre Suzi e outras trans, a maioria das quais, segundo informação dada no Fantástico, condenada por pequenos furtos. De início Varella se disse médico, e não juiz. Ninguém exigiria dele mais do que sensibilidade de cidadão ao cometer tão grave omissão, mas médicos não atuam para consolar assassinos, e, sim, para salvar vidas. Ainda bem que o responsável por essa monstruosa barriga, como se define uma notícia falsa no jargão jornalísticos, não se autoproclamou repórter. A profissão de jornalista é regulamentada, como a de médico, e ele não preenche os requisitos para exercê-la, conforme mostrou no caso.

Foram cometidos crimes mais graves ao longo da mistificação usada para comover multidões e anabolizar a audiência de um programa decadente. O tom da edição leva à indignação dos telespectadores ingênuos contra a família que abandonou sua parente. Mas ela tinha bons motivos para isso, pois, além do homicídio com agravantes, a condenada já havia antes tentado violentar menores no próprio núcleo familiar. Qualquer pessoa civilizada há de reconhecer que justiça foi feita com a assassina apenada. Cumprimentos também mereceria em qualquer registro imparcial do caso o fato de o Estado, normalmente omisso em agressões em celas, ter conseguido dar a Suzi proteção num ambiente em que normalmente pedófilos assassinos são torturados até a morte dentro de presídios.

Diante da repercussão do caso, Varella teve a caradura de criticar a exploração política dele, na certa referindo-se ao magnífico discurso da deputada Janaina Paschoal chamando os participantes do caso de “irresponsáveis”. A palavra é leve. Na verdade, tratou-se de crime.

Na terça-feira, 10 de março, o Jornal Nacional, da Globo, exibiu o vídeo em que o infectologista metido a comunicador pediu desculpas à família do menino assassinadoO editor e apresentador William Bonner também se desculpou, em nome do Fantástico e da emissora. “Apenas depois da exibição do quadro, o Fantástico tomou conhecimento da gravidade do crime e só nesta terça-feira a Globo se manifesta com mais clareza sobre o assunto, porque respeitou protocolos de segurança, protocolos que autoridades públicas não seguiram”, afirmou o âncora no encerramento do jornal. No caso, Dráuzio e Bonner se excederam em cinismo. Certamente não é caso de desculpas, mas de demissões. E se algum erro há a criticar das “autoridades públicas”, é o de não haver até agora punido severamente todos os participantes do gravíssimo episódio. Como escreveu Fernando Coelho, que foi competente chefe de reportagem do Fantástico, “essa história não é sobre gênero, sexualidade… É sobre um assassinato hediondo e um jornalismo incompetente”. E temos dito.

*José Nêumanne Pinto. Jornalista, poeta e escritor
Este é o artigo da quarta-feira, 11 de março de 2020, que mando para o grupo Ric de comunicação, coluna semanal oferecida para jornais nacionais

Nêumanne entrevista Oriovisto Guimarães

Nêumanne entrevista Oriovisto Guimarães

Senador prefere Moro

candidato em 2022

a ministro do STF

Para Oriovisto, sua PEC para limitar STF foi arquivada por PT, Centrão, Renan e Bolsonaro e há pacto entre presidente, Maia, Toffoli e Alcalumbre

O senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) disse que, se dependesse da sua vontade, “Sergio Moro não iria para o Supremo Tribunal Federal, ele seria candidato à Presidência da República e faria um bem muito maior a este país”. Protagonista da série Nêumanne Entrevista desta semana, ele atribuiu a derrota de uma emenda constitucional de sua autoria reduzindo o poder autocrático de ministros do Supremo Tribunal Federal, e dando-lhes prazo para concluir pedidos de vista, a uma fantástica e inusitada aliança. “Pela primeira vez eu vi o PT, o Renan Calheiros e o Bolsonaro trabalhando juntos, unidos com o mesmo propósito, para a derrubada da PEC 82/2019. Foi muito interessante ver o líder do governo, senador Fernando Bezerra, dizer: ‘O governo Bolsonaro recomenda o voto contra’. O PT também orientou todos os seus senadores a não votarem. E ainda ver o senador Renan Calheiros fazendo discursos enfáticos contra a PEC, defendendo a tese de que era uma interferência de um Poder sobre o outro”. E afirmou ainda: “O próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou nas Páginas Amarelas da revista Veja que esse acordo entre os três Poderes existe. Destacou que é o grande conciliador e construiu um pacto de governabilidade. Se esse pacto de governabilidade é contra o interesse público ou não, os próximos meses e anos é que vão dizer. Por enquanto, fica por conta da nossa maldade antever o resultado desse pacto, mas que ele existe, ele existe”.

Nascido na cidade de Batatais, no interior de São Paulo, Oriovisto Guimarães se mudou ainda criança, com sua família, para Bela Vista do Paraíso, no norte do Paraná. Os estudos e o trabalho desde cedo estiveram presentes em sua vida. Aos 17 anos, independente da família, Oriovisto mudou-se para Curitiba. Prestou vestibular para Ciências Econômicas e Engenharia Civil na Universidade Federal do Paraná e foi aprovado em ambos os cursos. Na universidade, Oriovisto já ganhava a vida dando aulas particulares de Matemática e Física nos cursos preparatórios para vestibulares.

Oriovisto apresentou emenda constitucional para limitar poder tirânico do STF, mas não conseguiu três quintos para sua aprovação. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Oriovisto apresentou emenda constitucional para limitar poder tirânico do STF, mas não conseguiu três quintos para sua aprovação. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Anos depois, formou-se em Economia. No momento, viu a oportunidade de abrir a própria escola. Em 1972, com colegas professores, fundou o Curso Positivo. O projeto educacional foi ampliado com a criação de escolas de educação infantil, ensino fundamental e médio. Nos anos 80, Oriovisto fundou a Universidade Positivo e foi o primeiro reitor, cargo que ocupou durante 11 anos. Na mesma década o grupo expandiu-se e fundou a Positivo Informática, a maior indústria brasileira de computadores.

Em 2006 foi homenageado com a cadeira de número 6 da Academia Paranaense de Letras. Em 2012 deixou a presidência do grupo. Em 2018, aos 72 anos, filiado ao partido Podemos, assumiu um novo desafio: trabalhar pela transformação da forma como a política é feita no País. Foi eleito senador pelo Estado do Paraná com 2.957.239 votos.

Oriovisto com o colega senador e ex-governador do Estado do Paraná (que ambos representam) Álvaro Dias., líder do Podemos, pelo qual ele se elegeu Foto: Assembleia Legislativa do Paraná

Oriovisto com o colega senador e ex-governador do Estado do Paraná (que ambos representam) Álvaro Dias., líder do Podemos, pelo qual ele se elegeu Foto: Assembleia Legislativa do Paraná

Oriovisto quer, sobretudo, que os políticos não tenham privilégios como aposentadorias especiais; regalias absurdas, foro privilegiado e, principalmente, que os congressistas deixem de negociar seus votos em troca de cargos em empresas estatais e cumpram seu papel essencial de fiscalizar o governo e simplificar a legislação que regula a vida dos brasileiros. As reformas tributária, da Previdência, do Judiciário e política são atualmente seu foco do mandato.

Nêumanne entrevista Oriovisto Guimarães

Nêumanne – A seu ver, os 11 votos que impediram a aprovação de sua PEC do Visto e da Liminar, que reduziria o poder do Supremo Tribunal Federal (STF), evitarão para sempre, sempre, amém, a aceitação pelo Senado Federal da necessidade de algum tipo de controle sobre a dita suprema Corte, que não exerce a autonomia, mas a tirania de seu poder?

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Nêumanne entrevista Chico Pereira

Nêumanne entrevista Chico Pereira

Artista prefere Brasil

na traseira do Primeiro Mundo

a na frente do Terceiro

Artista plástico Chico Pereira acha que seria interessante ver Europa protestando contra devastação do ambiente por China, Rússia, Índia e EUA

“O Brasil está numa encruzilhada para decidir se vai ser um país de frente do Terceiro Mundo ou se vai estar na  traseira do Primeiro. Escolheria este último”, dispara Chico Pereira, diretor do Museu de Arte Popular da Paraíba, em Campina Grande. Sobre a polêmica atual entre Macron e Bolsonaro, provocou: “Seria interessante ver a França e o resto rico da Europa liderando protestos contra a China e a Rússia, e também a Índia e os Estados Unidos, que juntos formam uma imensurável onda de devastação da atmosfera e dos biomas, centenas de vezes maior que a causada pelos incêndios das florestas e matas brasileiras”. Protagonista da semana na série Nêumanne Entrevista, ele falou de tudo um muito e arriscou: “A capacidade brasileira de se expandir para o centro-oeste e para a Amazônia criou uma marca e uma força incontrolável porque cresceu independentemente de governos e de ideologias. Um Brasil paralelo que se impôs pela força da sua produção, à frente da indústria nacional. Arranjou dois inimigos: internamente, o obscurantismo da agricultura socialista e toda a cadeia política à sua disposição, e externamente, os competidores que não conseguem produzir com a mesma eficiência e o mesmo preço, incluindo aí a produção destinada ao etanol. Essa guerra ambientalista entrou nas sutilezas de interesses vários, cujas performances se passam atrás de tênues cortinas, entre elas, também, aquelas de certezas científicas e até da boa vontade franciscana”.

Identidades estudantis de Chico do admissão à universidade, do pré golpe militar à direção do Museu de Arte de Campina Grande. Foto: Acervo pessoal

Identidades estudantis de Chico do admissão à universidade, do pré golpe militar à direção do Museu de Arte de Campina Grande. Foto: Acervo pessoal

Francisco Pereira da Silva Junior, o Chico Pereira, nasceu em Campina Grande (PB) 1944. Artista plástico com atuação desde os anos de 1960, participou da instalação do Museu de Arte Assis Chateaubriand, criado pela Campanha Nacional dos Museus Regionais, inaugurado em 1967, do qual foi diretor entre 1969 e 1974. À frente desse órgão participou ativamente dos movimentos para estabelecer uma política nacional de museus voltados para a educação e a formação de público. Foi membro da diretoria da Associação Nacional dos Museus de Arte do Brasil e professor do Departamento de Artes e Comunicação da Universidade Federal da Paraíba. Nesta instituição participou da criação e da coordenação do Núcleo de Arte Contemporânea. Foi coordenador de Extensão Cultural e da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários. Atualmente aposentado, por duas vezes foi vice-presidente executivo do Conselho Estadual de Cultura e subsecretário executivo de Cultura da Paraíba. Tem ocupado cargos e funções em instituições nacionais e internacionais de arte e arte-educação. Publicou obras nos campos das artes, do folclore e da geo-história, entre eles o livro Paraíba, Memória Cultural, em que registra a evolução cultural desse Estado desde a conquista do Rio Paraíba aos dias atuais. Foi pró-reitor de Cultura da Universidade Estadual da Paraíba e atualmente está à frente do Museu de Arte Popular da Paraíba. É membro da Academia Paraibana de Letras.

Nêumanne entrevista Chico Pereira

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Nêumanne entrevista Rubens Ricupero

Nêumanne entrevista Rubens Ricupero

Preocupa a Ricupero,

que chefiou pastas da Fazenda e Meio Ambiente,

boicote a nossos produtos

por mercados ricos, em especial europeus

 

 

Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda no governo Itamar, adverte que “pior até do que eventuais sanções comerciais de governos será o boicote espontâneo dos consumidores europeus, extremamente sensíveis às questões ambientais, que não comprarão produtos brasileiros se tiverem conhecimento da origem. A prova de que não se trata de fantasias são as declarações do ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, o maior exportador individual de algodão e o segundo de soja, que já está sentindo dificuldades em seus negócios. No mesmo sentido vão os pronunciamentos do presidente da Associação Brasileira do Agronegócio”. Protagonista da série Nêumanne Entrevista desta semana, o ex-embaixador do Brasil em Washington também discordou da escolha do deputado Eduardo Bolsonaro para o cargo mais importante do Itamaraty no exterior, por motivos que garante nada terem que ver com corporativismo diplomático. “O posto de embaixador deve ter institucionalidade, não pode servir para representar uma pessoa, uma família. Outro aspecto é a imparcialidade para julgar os assuntos. O pior defeito de um diplomata é se identificar com o governo estrangeiro e passar a defender os interesses desse país. É o que fez Eduardo Bolsonaro ao tomar partido público pela reeleição de Trump, ao declarar à Fox News que apoiava a construção do muro na fronteira com o México porque muitos dos imigrantes eram criminosos, ao afirmar que sentia vergonha pelos brasileiros imigrantes ilegais, gente honrada e trabalhadeira que emigrou por não ter encontrado oportunidades no Brasil.

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Nêumanne entrevista Rubens Barbosa

Nêumanne entrevista Rubens Barbosa

Brasil precisa avançar

na agenda das reformas,

aposta embaixador

 

Rubens Barbosa acha que sem reduzir papel do Estado e desburocratizar, Brasil não terá como aproveitar preferências com abertura do mercado europeu

 

 

Autorizado pela experiência adquirida como embaixador do Brasil em Londres e Washington, Rubens Barbosa acredita que “o acordo comercial Mercosul-União Europeia pode trazer, em médio prazo, em dois ou três anos, quando entrar em vigência, resultados bastante positivos para as exportações brasileiras, se melhorarem as condições de competitividade da economia e do setor produtivo nacional”. Protagonista do Nêumanne Entrevista da semana no blog, ele avisa que “para a redução do chamado custo Brasil devemos avançar na agenda de reformas, de redução do papel do Estado e da desburocratização. Sem isso dificilmente o setor industrial poderá beneficiar-se das preferências que receberá com a abertura do mercado europeu”. Barbosa prevê ainda que, seja qual for o resultado da eleição na Argentina, o Brasil não se afastará do vizinho, ao contrário do que parece que o faria por conta dos insultos trocados recentemente entre o presidente Jair Bolsonaro e o vencedor das eleições prévias de 11 de agosto, o peronista Alberto Fernández, “por determinismo geográfico”. O diplomata adverte ao governo brasileiro que o meio ambiente é um tema que entrou na pauta internacional para ficar.

Barbosa com Celso Lafer e Lídia Goldenstein, com mediação de Eliane Cantanhede, na série de debates sobre a reconstrução do Brasil na Unibes Cultural. Foto: Amanda Perobelli

Barbosa com Celso Lafer e Lídia Goldenstein, com mediação de Eliane Cantanhede, na série de debates sobre a reconstrução do Brasil na Unibes Cultural. Foto: Amanda Perobelli

Com título de mestrado da London School of Economics and Political Science (Escola Superior de Ciências Econômicas e Políticas de Londres) obtido em 1971, o embaixador Rubens Barbosa ocupou muitos cargos no governo brasileiro e no Ministério das Relações Exteriores: secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda; representante Permanente do Brasil junto à Associação Latino-Americana de Integração (Aladi); subsecretário-geral de Integração, Comércio Exterior e Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores e coordenador da seção brasileira do Grupo do Mercosul. Foi embaixador do Brasil em Londres de janeiro de 1994 a junho de 1999 e em Washington de junho de 1999 a março de 2004. Ocupou o cargo de presidente da Associação dos Países Produtores de Café (APPC), em Londres, por cinco anos.

Barbosa acha que o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia poderá abrir em médio prazo boas perspectivas para o Brasil. Foto: Daniela Ramiro

Barbosa acha que o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia poderá abrir em médio prazo boas perspectivas para o Brasil. Foto: Daniela Ramiro

O embaixador Barbosa escreve regularmente no jornal O Estado de S. Paulo e é autor de diversos livros, o último dos quais Um Diplomata a Serviço do Estado (2018). Rubens Barbosa é hoje consultor de negócios e ocupa, entre outros, os cargos de presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp e de diversos outros conselhos. É também presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (Gacint) da USP, presidente emérito do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos (Cebeu) e editor responsável da revista Interesse Nacional.

 

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