Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Direto ao Assunto

Comentário no Jornal da Gazeta: Os irmãos Neves

Comentário no Jornal da Gazeta: Os irmãos Neves

Simpatia do STF por irmãos Neves não evitará que Aécio afunde

(Comentário no Jornal da Gazeta da terça-feira 20 de junho de 2017)

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Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: Olha o Carainho aí, gente!

Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: Olha o Carainho aí, gente!

O Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – foi aberto com meu Direto ao Assunto sobre a votação iniciada ontem e a ser concluída hoje sobre a delação premiada de Joesley, da JBS, no STF. Comentei ainda as provas que Funaro, contador de Cunha, apresentou à PF contra Geddel, ex-ministro e amiguinho de Temer; a caradura de Hélio José, Temer e Putin fingindo que são contra a corrupção; as derrotas das reformas e o aniversário da megadívida da telefônica Oi. Alexandre Garcia abordou o o começo da votação no Supremo, o TCU e a Previdência ‘insustentável” e o fracasso do desarmamento. Eliane Cantanhêde contou que o STF deve decidir hoje se Fachin continua com o caso JBS – que, tecnicamente, não é da Lava Jato – e se mantém a delação da empresa, que foi a mais camarada de todas. E também revelou a irritação de Lula, que está à espera da decisão de Moro sobre o tríplex e nem foi avisado da reunião da esquerda do PT com movimentos aliados ao partido  A reunião teria sido, segundo Catia Seabra, da Folha, para tratar de um novo partido. Sônia Racy relatou negócios escusos da JBS. E o assunto de Marília Ruiz foi a punição da FIFA ao grito idiota de “bicha” pelas torcidas nos estádios.

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carainho

 

 

Comentário no Jornal Eldorado: Por debaixo dos panos

Comentário no Jornal Eldorado: Por debaixo dos panos

O presidente Michel Temer ainda não tinha saído de Moscou nesta quarta-feira, quando teve a péssima notícia dos depoimentos-bombas dados à Polícia Federal pelo contador de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do bando do PMDB na Câmara, Lúcio Funaro. Na avaliação dos investigadores, os contatos feitos por WhatsApp entre a mulher deste, Raquel, e Geddel Vieira Lima, ex-secretário de Governo de Temer, reforçam a suspeita de que o baiano estaria preocupado com uma possível delação premiada do contador. O advogado dele, Bruno Espiñeira,  fez chegar à PF ‘impressos de ligações’ recebidas por Raquel e encaminhadas por um certo ‘Carainho’, que, para PF, é Geddel. Então, provas não faltam, não é?

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 22 de junho de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íintegra da degravação do comentário

Eldorado, 22 de junho de 2017, quinta-feira

Com dois votos a favor tomados na reunião de ontem do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), será retomado hoje, à tarde, o julgamento sobre os limites da atuação do juiz na homologação dos acordos de colaboração premiada. Já dá pra prever o resultado?

Acho que dá. Até agora, já votaram os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes em defesa da competência do relator para homologar o acordo de colaboração premiada. Fachin e Moraes também convergiram no entendimento de que a delação da JBS deveria ter sido distribuída, por prevenção, a Fachin. Vamos ouvir parte do voto de Fachin, Nelson?

SONORA_FACHIN

“Não pode o Poder Judiciário substituir a opção lícita, válida, aquele acordo de vontades entre o Ministério Público e o colaborador”, disse Moraes.

Prejuízo com  a tentativa de consertar pode terminar sendo maior, com a desmoralização do instituto da delação premiada. Tudo indica que a posição de Barroso, que ainda não votou, prevalecerá sobre a histeria de Gilmar Mendes que não perdoa a Lava Jato, desde que ela focou no PSDB.

Lembrar cooperação internacional EUA FBI Modesto Carvalhosa, atitude interncional depois da queda das torres gêmeas em Nova York. Permitir Estado quebrar a palavra não é uma boa. Unanimidade nacional contra benefícios dados a Joesley, que apareceu ontem de boné e deu oito horas de depoimento à PF, Mantenho minhas desconfianças em relação a Janot e Fachin sobre sua parcialidade, possível gratidão a Lula. Outra unanimidade nacional que se firma é a desconfiança geral em torno do presidente Temer.

O que mais tem contribuído para provocar dores de cabeça em Temer em Moscou e agora em Oslo, para onde vai?

É que, na negociação para fazer delação premiada, um aliado do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o contador Lucio Bolonha Funaro, está produzindo depoimentos bomba. Ontem foi noticiado que ele comprometeu o presidente com dinheiro do FI FGTS, ou seja, do trabalhador neste ambiente de 14 milhões de desempregados. Ontem foi noticiado que ele entregou à Polícia Federal reproduções de diálogos entre sua mulher, Raquel Funaro, e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, do Governo Michel Temer. As correspondências pelo aplicativo WhatsApp foram registradas em oito datas entre 17 de maio e 1 de junho deste ano – neste período a Operação Patmos, que pega o presidente, já estava em curso. Na avaliação dos investigadores, os contatos reforçam suspeita de que Geddel estaria preocupado com uma possível delação premiada de Lucio Funaro. Por isso, procurou Raquel. Funaro está preso na Papuda, em Brasília, desde 1 de julho de 2016, quando foi alvo da Operação Sépsis. Por meio de seu advogado, Bruno Espiñeira, o aliado de Eduardo Cunha fez chegar à PF ‘impressos de ligações’ recebidas por Raquel via WhatsApp. As ligações foram feitas por um certo ‘Carainho’, que, segundo os investigadores, é Geddel.

Temer fez ouvidos de mercador a todos os avisos de que tinha de se livrar de seu núcleo mole no Palácio Moreira, Eliseu Padilha e Geddel – episódio com Calero.

E parece que a coisa no Congresso não anda lá muito bem. Nesta semana as notícias da reforma trabalhista, tida como favas contadas, não são boas. Dá para resolver esse imbróglio?

Até dá. Mas no mesmo dia em que Temer exagerou nos superlativos certíssimo, fortíssimo, e nos neologismos como desprezável, a oposição impôs ontem o segundo revés consecutivo ao governo na tramitação da reforma trabalhista. Um dia após a derrota na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, governistas tiveram de ceder na agenda do projeto e já reconhecem que o texto só será votado em plenário no mês de julho, às vésperas do início do recesso legislativo. Até o início da semana, era dada como certa a votação em plenário na próxima quarta-feira, 28.

Adiar a tramitação faz parte da estratégia da oposição que, diante do reconhecimento de que o governo tem votos suficientes para aprovar o projeto, prefere jogar com o tempo para tentar atrair mais descontentes. A sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), hoje, foi mais um sinal de que o governo parece perder força no Congresso.

Comissão não vale nada, mas o efeito desse noticiário negativo noutra reforma, a da previdência, pode desmoralizar de vez o papo de governo das reformas que Temer tem lá em Moscou.

Um dos três votos da base aliada que ajudaram a derrotar a reforma trabalhista em  comissão do Senado, o senador Hélio José (PMDB-DF) afirmou nesta quarta-feira, 21, ter sido alvo de retaliação do governo com a demissão de dois indicados seus em órgãos do Executivo. Em um discurso de oposição, acusou o presidente Michel Temer de chantagem e cobrou sua renúncia.

E o que você me diz da adesão do senador Hélio José à luta contra a corrupção e também contra a reforma trabalhista? 

É que o governo retaliou o voto contra do renanzista Hélio José contra a reforma trabalhista exonerando Vicente Ferreira, que deixou a Diretoria Planejamento e Avaliação da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), e Nilo Gonsalves, exonerado do cargo de superintendente do Patrimônio da União no Distrito Federal (SPU-DF). Vamos ouvir o mais novo Varão de Plutarco e Pai dos Pobres de Brasília

 SONORA_HÉLIO

Gravações feitas nesta semana e divulgadas pela internet mostram o senador Hélio José (PMDB-DF) defendendo em 2 de agosto a indicação de um ex-assessor para o cargo de superintendente da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) no Distrito Federal. Nos áudios, o político diz que nomeia “a melancia que quiser” para o posto e que quem não “estiver com ele” pode “cair fora”. “Isso aqui é nosso. Isso aqui eu ponho quem eu quiser, a melancia que eu quiser aqui, eu vou colocar”, diz o senador em um trecho da conversa.

Não é mesmo um cara de pau o sujeito?

E o que você me diz da cooperação internacional na luta contra a corrupção assinado ontem entre Temer e Putin em Moscou?

Por falar em cara de pau… Os governos da Rússia e do Brasil prometeram cooperar na luta contra a corrupção. Na declaração firmada após a reunião bilateral no Kremlin, sede do poder na Rússia, Temer e Vladimir Putin foram destacados 35 objetivos destacados na declaração bilateral, um foi especialmente dedicado ao tema da corrupção. “Os dois países entendem que a cooperação anticorrupção deve ter como objetivo a obtenção de resultados concretos.” Em ambos os países, entre outros casos de irregularidades, há suspeitas de desvios de verbas e de superfaturamento de obras públicas para a realização de grandes eventos esportivos. Assim como ocorreu no Brasil em 2014, a Rússia vai ser sede da Copa do Mundo no próximo ano.

Mudando de assunto, a recuperação judicial da Oi completou um ano anteontem e seu desfecho ainda é incerto. Os credores e os acionistas ainda enfrentam um impasse para aprovar o plano de recuperação judicial da empresa. E o próprio presidente da Oi, Marco Schroeder, admite que a cada dia que passa a aumenta a probabilidade de a empresa sofrer uma intervenção federal.

A dívida de R$ 64 bilhões com 55.080 credores fez da recuperação judicial da Oi a maior da história do Brasil – a lei foi criada em 2005. A complexidade do processo se deve não só aos valores envolvidos, mas também à importância da empresa. A Oi é a maior operadora em telefonia fixa do país e a quarta em telefonia móvel, com cerca de 70 milhões de clientes.

Diretores da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e integrantes do Ministério das Comunicações tentam convencer o Palácio do Planalto e auxiliares do presidente Michel Temer a publicar, o quanto antes, a medida provisória (MP) e o projeto de lei desenhados para resolver os problemas de empresas de telecomunicações em grave crise financeira. Anunciados há mais de um mês como formas de ajudar a solucionar a situação da Oi — em recuperação judicial com débitos de mais de R$ 63 bilhões —, a MP e o projeto de lei serviriam também para todas as empresas do setor que passam por problemas financeiros. Além da tele carioca, a medida seria considerada benéfica para outras companhias, como Nextel e a paranaense Sercomtel.

Um ano do megacalote da oi, o maior da história do Brasil, sem acordo com os credores e o Juarez Quadros ainda insiste em  trocar dividas da Oi com a uniao em crédito para a Oi! Juarez Quadros quer fazer gentileza com chapéu dos outros, no caso o nosso chapéu.
E que depois das delações já se viu que não tem favorecimento gratuito.
Porque deveria o cidadão doar para os acionistas caloteiros da Oi? Alguém tem que avisar a Juarez Quadros que ele não é dono da União.
Sem falar que Juarez Quadros foi indicado pelo Kassab, Renan e Temer

Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: Terça-feira de cinzas

Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: Terça-feira de cinzas

Dois pontos comuns nos comentários políticos do Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quarta-feira 21 de junho de 2017 foram o depoimento do contador Lúcio Bolonha Funaro contando como o presidente Michel Temer teria aceito propina de 20 milhões de reais da Odebrecht Internacional em operações do Fundo de Investimento do FGTS, ou seja, dinheiro suado do trabalhador agora atingido pelo desemprego e o dia de irresponsabilidade total no Congresso. Alexandre Garcia e eu tratamos desse assunto. Foi uma nova quarta-feira de cinzas antecipada para terça para o inquilino do Palácio do Jaburu. No meu Direto ao Assunto eu também comentei o relatório duro da Polícia Federal sobre as denúncias de Joesley Batista contra o presidente em entrevista à revista Época, e o tratamento especial dado pela Primeira Turma do STF à família Neves de Minas Gerais. E Alexandre referiu-se ao debate que ficou para ser travado nesta quarta, aí, quarta mesmo, sobre a manutenção, ou não, dos favorecimentos desproporcionais dados pelo MPF e pela PF, com anuência de Fachin, aos açougueiros delatores. Sônia Racy noticiou que o Ministério da Transparência vai reavaliar o programa Bolsa-Familia. E Marília Ruiz resenhou a novela entre Lugano e o tricolor do Morumbi.

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Comentário no Jornal Eldorado: Aquele cai, não cai

Comentário no Jornal Eldorado: Aquele cai, não cai

Terça-feira, 21 de junho, para o presidente da República não esquecer. A PF mandou para o STF pedido para investigá-lo por corrupção passiva, por ter encontrado “incólumes evidências” nos elementos que lhe coube verificar atendendo ao procurador-geral Janot, agravado por Temer não ter se dignado a responder a nenhuma das 82 perguntas que lhe foram enviadas por escrito. Juiz federal da primeira instância em Brasília não aceitou processar criminalmente Joesley Batista pelas afirmações pesadas que lhe fez em depoimentos e na entrevista à Época. E o corretor Lúcio Funaro jogou uma pá de cal sobre suas pretensões de escapar do inquérito. E aí ele fica naquele “cai, não cai” do forró de Gonzaga.

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Para ouvir Pagode russo, com Luiz Gonzaga, clique no link abaixo:

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 21 de junho de 2017 – Quarta-feira

O relatório parcial enviado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) afirma que, pelos elementos reunidos no inquérito que tem como alvo o presidente Michel Temer, ‘são incólumes as evidências’ da prática de corrupção passiva por parte dele e e de seu ex-assessor especial Rodrigo da Rocha Loures. É pesado, hein?

De acordo com levantamento dos repórteres da Sucursal de Brasília do Estadão Isadora Peron, Rafael Moraes Moura e Breno Pires, no documento, a PF afirma que foi dada tanto a Rocha Loures quanto a Temer a oportunidade de “esclarecer diversos fatos”, mas o presidente optou por não responder às mais de 80 perguntas feitas pela instituição, além de ‘surpreendentemente’ pedir o arquivamento do inquérito.

Ou seja, o presidente partiu do pressuposto equivocado de que a melhor defesa diante da PF seria fazer o que está fazendo em público. Parece que a estratégia não colou… Pois, segundo os responsáveis pelo inquérito, “diante do silencio do mandatário maior da Nação e de seu ex-assessor especial, resultam incólumes as evidências que emanam do conjunto informativo formado nestes autos, a indicar, com vigor, a pratica de corrupção passiva”;

Para a Polícia Federal, está claro que Temer indicou Rocha Loures como interlocutor ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, durante a conversa que os dois tiveram no Palácio do Jaburu, em 7 de março.

O ex-assessor de Temer, então, teria atuado em favor dos interesses do grupo J&F em processo administrativo em trâmite no Conselho Administrativa de Defesa e Econômica (Cade), inclusive fazendo ligação para o presidente interino do Cade, Gilvandro de Araújo.

Segundo a PF, em conversa com Joesley, Rocha Loures disse que Araújo havia “entendido o recado” e os dois teriam passado a combinar como seria realizado o pagamento de 500 mil reais ao ex-assessor de Temer, que foi efetuado em uma pizzaria em São Paulo.

Temer secretário de segurança e presidente da Câmara não é ingênuo. Como pode acreditar numa proposta dessas? Eu que sou mais bobo desconfiaria de um cara me oferecer 500 mil por semana por 20 anos. Isso é propina que nem cocaína supervalorizada pagaria.

Além de Temer e Rocha Loures, a PF também indica que Joesley e o empresário Ricardo Saud respondam por corrupção ativa, por terem “oferecido e prometido vantagem indevida a servidor público”.

Quer dizer que, além dos dois processos de Temer, o penal por calúnia, injúria e difamação, e o cível pedindo indenização pelos prejuízos que lhe foram causados, o delator premiado ainda vai ter de enfrentar também a Justiça pelos delitos que ele confessou ao próprio Temer?

Sobre o da indenização ainda não houve pronunciamento da Justiça. Mas, do da primeira instância Joesley já se livrou. O juiz federal Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara do Distrito Federal, não esperou o presidente voltar de Moscou e Oslo para rejeitar a queixa crime que ele moveu contra o empresário da JBS, Joesley Batista. Na decisão, o juiz definiu como  “patente a atipicidade das condutas narradas (calúnia, difamação e injúria) e a ausência de justa causa para se instaurar a ação criminal, fato que impõe a rejeição da queixa-crime”. Ele também recorreu ao direito de liberdade de expressão, ao dizer que, na entrevista à Época o o chamado querelado não teria cometido crime de injúria. Joesley, segundo ele, “narrou fatos e forneceu o entendimento que tem sobre eles, ação que se mantém nos limites de seu direito constitucional de liberdade de expressão”. E Temer teve que engolir mais esse fiasco na terça-feira fatídica na qual mal chegado tinhja começado sua visita à Rússia. É claro que sua defesa já avisou que vai recorrer, mas o impacto da recusa do juiz em abrir a causa já elimina parte do efeito que ele pretendia de aliviar o peso da denúncia da entrevista de Joesley à revista.

Também não deve ter agradado nada a Temer a notícia de que o corretor Lúcio Bolonha Funaro andou batendo com a língua nos dentes em relação a ele em depoimento dado à Polícia Federal, não acha?

Pois é. Como já se esperava, Funaro, tido como operador do PMDB de Temer e Eduardo Cunha, disse, em depoimento à Polícia Federal, que o presidente fez uma “orientação/pedido” para que uma “comissão” de 20 milhões de reais proveniente de duas operações do Fundo de Investimento do FGTS fosse encaminhada para a sua campanha presidencial de 2014 e, também, para a de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, em 2012.

As operações no FGTS eram relacionadas às empresas LLX e BRVias e são investigadas na Operação Sépsis, na qual Funaro foi preso, em julho de 2016. O depoimento de Funaro, prestado no dia 14 de junho, foi anexado ao relatório parcial do inquérito que investiga Temer por suposta prática de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa, enviado na segunda-feira, 19, pela PF ao Supremo Tribunal Federal. O corretor afirmou que ouviu do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que havia “conhecimento do presidente Michel Temer a respeito da propina sobre o contrato das plataformas entre a Petrobrás Internacional e o Grupo Odebrecht”. Em seu relato, o corretor citou ainda repasses para dois aliados de Temer, o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Quer dizer, caso seja firmado seu acordo de delação premiada, fatos novos tão reclamados pelos políticos, ansiosos por ficar usufruindo das verbas públicas para manter o governo respirando por aparelhos, não faltarão para fazê-los mudar de opinião. E não apenas contra Temer, mas também contra seus companheiros naquilo que Joesley chamou de Orcrim do PMDB da Câmara, da qual quem não está no planalto está na cadeia. De acordo com Funaro, Geddel teria recebido cerca de 20 milhões de reais por “operações” na Caixa – o peemedebista foi vice-presidente de Pessoa Jurídica. Já Moreira Franco teria recebido comissões pela sua atuação à frente da vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias, em 2009. “O declarante pagou comissão desta operação a Eduardo Cunha e a Moreira Franco, os pagamentos foram feitos em espécie, não se recordando dos valores neste momento”, disse o corretor. As defesas de Temer, Moreira e Geddel já mandaram dizer que não conhecem o corretor abelhudo. Será que vão todos processá-lo? E se os processos caírem na 12;º Vara Federal? Eu, hein, Rosa, ou melhor, Haisem^?

E que tal a notícia das inesperadas bolas debaixo das pernas que o governo levou na Comissão de Assuntos Sociais do Senado e na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara ontem?

Na CCJ da Câmara a base aliada cochilou e a PEC da eleição direta para presidente interrompendo o mandato dele caminhou. Decisão técnica. Importa o plenário. Na CAS do Senado aconteceu de tudo. Reforma trabalhista de cinco artigos melhorada por Rogério Marinho foi substituída pela de Paulo Paim. Bate boca de lavadeira entre Marta e Katia em lados e posturas opostas. Lady Marta foi repreendida por falta de educação pela barraqueira Kátia Abreu. Nosso Senado não para de nos decepcionar.

SONORA_KATIA

O presidente Michel Temer afirmou ontem que a vitória do governo na votação da reforma trabalhista no plenário do Senado “é certíssima”. Depois da derrota na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o presidente convocou de última hora uma entrevista coletiva em Moscou, na Rússia, para onde viajou em missão oficial, para assegurar que vai reverter o resultado.

Temer fez questão de dizer que a derrota é “muito natural”, porque os projetos passam por várias comissões. “O que importa é o plenário”, disse.

SONORA_TEMER

Ele não deixa de ter razão. Mas pega mal ficar falando em governo de reformas e as reformas apanhando na Câmara porque ele levou parlamentares que tinham que ter ficado para garantir vitórias em votações apertadas. Além do mais há o inusitado de Renan Calheiros querendo bancar o herói da classe operária da música de Lennon, com seu anspeçada Hélio José, do PMDB do DF, votando contra. E, com o líder do PSDB com Temer em Moscou, ninguém estava lá para substituir Eduardo Amorim, de Sergipe, que votou contra. O Petecão, outro da base, ainda usou o golpe do João Sem Braço para não descontentar as centrais sindicais.

Como reconheceu o presidente nacional do PSDB, que não foi à Rússia, “o governo levou todo mundo para Moscou e esqueceu da votação”, provocou Tasso, questionando o fato de os principais articuladores tucanos no governo terem viajado com Temer para visita oficial à Rússia na mesma semana da votação na CAS. Citou o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), que fazem parte da comitiva. De fato, ninguém troca uma boquinha por uma reforma.

Por falar em PSDB, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) adiou para data incerta e não sabida a votação, na própria turma ou no plenário, o que está pendente de decisão, a votação para prender, ou não, o senador Aécio Neves. E ainda teve gente que se surpreendeu?

Por 3 a 2, a turma decidiu remover a prisão preventiva e aplicar a prisão domiciliar em relação aos três investigados no inquérito que envolve o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) que foram presos na Operação Patmos – Andrea Neves, irmã do tucano, Frederico Pacheco de Medeiros, primo dele, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar de Zezé Perrella (PMDB-MG). Também previsto para a sessão, os julgamentos dos dois recursos em relação Aécio foram adiados, ainda sem data prevista, para que o relator Marco Aurélio Mello analise um novo recurso apresentado pela defesa do tucano na manhã desta terça-feira em busca de levar ao plenário a decisão sobre o tucano. Vamos ouvir mais uma prova de que no Judiciário o óbvio é sempre trocado por uma bizarrice qualquer.

SONORA_BARROSO

É mais um caso de bola debaixo das pernas. Chicana de Alberto Zacharias Toron, que não dorme de toca. Marco Aurélio, que deve ter guardado a toca na gaveta. Luiz Fux com quem não tem essa de fatos novos. Mais um vexame para a coleção das lambanças da Suprema Corte. Resultado o 3 a 2 de antes virou 2 a 3. E Aécio dormiu acalentado pela esperança de ficar longe do inferno prisional brasileiro.

Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: Temer fora

Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: Temer fora

O Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – da terça-feira 20 de junho de 2017 começou com meu Direto ao Assunto criticando a viagem de Temer para fora do Brasil, enquanto a crise engrossa por aqui na semana em que a PF entrega o relatório parcial da investigação sobre ele pedida pelo PGR, Aécio Neves é julgado no STF, Eduardo Cunha chama Joesley de mentiroso e Gilmar Mendes mete o pau na Lava Jato. Esta é mais uma bizarrice irresponsável para a conta dele. Em seguida, Alexandre Garcia também comentou Aécio no Supremo e Temer na Rússia e depois na Noruega. E, por fim, descreveu Brasília no topo da corrupção. Sônia Racy entrou no debate sobre o acordo de leniência com os irmãos Batista. E Marília Ruiz discorreu sobre os problemas do craque Cristiano Ronaldo com o Fisco espanhol.

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