Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Direto ao Assunto no YouTube: O Estado policial de Lula

Direto ao Assunto no YouTube: O Estado policial de Lula

Nos governos Fernando Henrique, o PT usava os procuradores Luiz Francisco, vulgo Torquemada, e Guilherme Shelb, para atormentar os tucanos no poder. Depois, mercê do trabalho de seu primeiro ministro da Justiça, Marcio Thomas Bastos, Lula montou um verdadeiro Estado policial reforçando PF e MPF. Ao mesmo tempo, Bastos garantia a impunidade de empreiteiros amigos, como Camargo Corrêa, no episódio Castelo de Areia. É o caso de dizer agora que o petista está vendo efeito do feitiço virar contra o feiticeiro. É o que narro no artigo publicado no Blog do Nêumanne no Portal do Estadão. Para ler o texto clique aqui.  Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.play

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Comentário no Jornal Eldorado: Feitiço contra feiticeiro Lula

Comentário no Jornal Eldorado: Feitiço contra feiticeiro Lula

No artigo semanal no Blog do Nêumanne, O Ovo da Serpente, chamei a atenção para o fato de que o “ovo da serpente” do poder adquirido pela PF e pelo MP, que resultou no combate à corrupção de operações como a Lava Jato, agora contestadas com a revelação de contatos por aplicativo Telegram entre Moro, Dallagnol e outros procuradores, foi gestado no primeiro governo Lula, sob a égide de seu ministro da Justiça. O criminalista Márcio Thomaz Bastos, escolado nos júris criminais, fortaleceu as duas instituições para manter sob ameaça judicial adversários do governo e do PT ou livrar de culpa parceiros em falcatruas, como a Camargo Corrêa na Operação Castelo de Areia. Morto Bastos, Lula, para quem ele advogou na Justiça Militar, está vendo agora o feitiço se virar contra o feiticeiro e tentando virar o jogo.

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Assuntos para o comentário da terça-feira 18 de junho de 2019:

 

1 – Haisem – Por que cargas d’água você resolveu abrir seu artigo semanal no Blog do Nêumanne, editado ontem à noite, com a história velha e esquecida dos procuradores Torquemada e Shelb para falar do hackeamento dos celulares de autoridades que combatem corrupção no Brasil hoje

 

2 – Carolina – E o que tem a ver a atuação do criminalista e ex-ministro da Justiça no primeiro governo Lula, Marcio Thomaz Bastos, a ver com o caso que foi revelado pelo site The Intercept Brasil, editado pelo americano Glenn Greenward, e está causando tumulto geral na República agora

 

3 – Haisem – Por que você retomou agora em seu Blog, que normalmente não lida com dados históricos, mas com notícias recentes, a denúncia que fez em seu livro O Que Sei de Lula sobre a atuação do petista e de seu advogado em processos na Justiça Militar à época do regime autoritário para instalar um estado policial no Brasil após a redemocratização

 

4 – Carolina – E o que você chama a atenção numa das recentes entrevistas de Lula para o fato de ele ter dado um spoiler espetáculo ao anunciar aos repórteres que o foram visitar na cela de Estado Maior de Curitiba de que logo se vingaria do ex-juiz Moro e do procurador Dallagnol

 

5 – Haisem – O que, a seu ver, aconteceu agora que Joaquim Levy, um economista com passagens pelos governos de Sérgio Cabral, Lula e Dilma, se transformou numa espécie de favorito de gente tão diferente como Rodrigo Maia e Mailson da Nóbrega, do PT que execrou sua passagem no governo Dilma e do jornal antipetista britânico Financial Times

 

6 – Carolina – Quais são as chances do financista escolhido por Bolsonaro e Guedes para presidir o BNDES, Gustavo Montezano, conseguir cumprir a tarefa com a qual o presidente se comprometeu com o eleitorado que o levou à Presidência da República, e na qual executivos mais badalados no Brasil, como Sílvia Bastos, Paulo Rabelo de Castro e agora Joaquim Levy malograram fragorosamente

SONORA_PORTA VOZ 1806

 

7 – Haisem – O que você tem a dizer sobre o recorde espetacular da Odebrecht, que, com dívidas de quase 100 bilhões de reais, está pedindo a maior recuperação da História

 

8 – Carolina – Você acha que o procurador da Lava Jato Carlos Lima, que acaba de deixar o cargo para se aposentar, tem razão ou apenas defende seus antigos companheiros e certamente amigos ao dizer que hackeamento dos celulares de Moro, Dallagnol, Janot, Abel, Gabriela e outras autoridades que combatem a corrupção foi feito com o objetivo específico de soltar Lula e destruir Moro

As respostas às quatro primeiras perguntas resumem argumentos que usei no artigo O Ovo da Serpente, publicado neste blog desde segunda-feira 17 de junho de 2019. Se tiver interesse em lê-lo, clique aqui.

Comentário no Estadão Notícias: As carpideiras de Levy

Comentário no Estadão Notícias: As carpideiras de Levy

Políticos e agentes do tal de mercado que execraram a forma mal educada com que Bolsonaro dispensou o economista da presidência do BNDES fingem não ver que o presidente errou quando o nomeou, não quando o demitiu. Agora a batata quente de ter de enfrentar a corporação imensa e privilegiada do banco público e domá-la é do doutor em Finanças Gustavo Montezano, que dificilmente ainda encontrará alguma caixa preta a abrir, pois é improvável que petista Luciano Coutinho não tenha tido a cautela de deletá-la. Este é meu comentário no Estadão Notícias, desde 6 horas da terça-feira 18 de junho de 2019.

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Comentário no Jornal da Gazeta: Perfil novo para BNDES

Comentário no Jornal da Gazeta: Perfil novo para BNDES

Impressionante choro de exéquias pela saída de Joaquim Levy da presidência do BNDES não abalou a economia e sua substituição por Gustavo Montezano, secretário adjunto da Previdência, da equipe de Paulo Guedes, pode ser nova oportunidade para fazer o banco público capitanear as privatizações, ter reduzido o quadro de pessoal e o perfil megalô dos tempos do PT.

Para ouvir meu comentário no Jornal da Gazeta da segunda-feira 17 de junho de 2019, às 19 horas, clique no play abaixo:

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No Blog do Nêumanne: O ovo da serpente

No Blog do Nêumanne: O ovo da serpente

Uso do aparato policial do Estado de Direito teve origem no governo de Lula, sob inspiração do ministro da Justiça de então, Marcio Thomaz Bastos, advogado do ex-sindicalista na Justiça Militar

No meu artigo A Moro e Dallagnol ainda restará a opção pelo voto, publicado na pág. A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 12 de junho, comentei a polêmica do momento, causada por revelações do site The Intercept Brasil, de conversas, tidas como “nada republicanas” por interessados em confirmar a tese da defesa de Lula de parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro, deste com procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, coordenada por Deltan Dallagnol. À espera de novos vazamentos prometidos pelo editor da publicação que as expõe, o norte-americano Glenn Greenwald, convém tratar da origem dessa promiscuidade entre procuradores e juízes e a quem tais vazamentos favorece. A origem de tudo está naquilo que os historiadores do século 20 chamam de “ovo da serpente”, no caso do nazismo de Adolf Hitler. Isso remonta à era Lula.

O petista, então presidente, e seu ministro da Justiça, o criminalista Marcio Thomaz Bastos, que tinha sido seu advogado na Justiça Militar à época das greves dos metalúrgicos no ABC, que liderava, instigaram a Polícia Federal (PF), o Ministério Público (MP) e a Justiça a atuarem contra quem se arriscasse a se expor como oponente. Não eram, por óbvio, originais, pois copiaram práticas da Delegacia Especial de Segurança Política e Social (DESPS), versão federal dos Dops estaduais no Estado Novo fascistoide de Getúlio Vargas, que centralizou o aparato policial para perseguir e levar à  prisão adversários do regime. Já escrevi sobre esse assunto em artigo neste mesmo Blog do Nêumanne, Prostituição, fraude e sabotagem (segunda-feira, 13/08/2018, veja só que data!). No resumo do citado texto informei: “Nenhum candidato com chance de ser presidente ousou, no debate da Band, referir-se aos escândalos de mensalão e petrolão para não perder eventuais eleitores de Lula, político preso e ausente”.

Já então, não tinha a pretensão de trazer nada de original, pois o delegado Romeu Tuma Jr, em seu livro O Assassinato de Reputações: Um Crime de Estado (Editora Topbooks, 2016), revelara preciosas informações sobre o uso da Polícia Federal (PF) contra adversários do PT. Segundo Tuma Jr.,  Lula  instrumentalizou-a  para torná-la não de Estado, mas um instrumento pessoal de pressão e intimidação, pau mandado de partido, versão tupiniquim da Stasi alemã ou da terrivelmente famosa tcheca.

Para justificar o Estado policialesco, instalado no País na era Lula, Marcio Thomaz Bastos recorreu ao adjetivo “republicana” para definir a PF, mas as operações policiais, em sua época,  foram 25 vezes mais numerosas do que as que foram realizadas ao longo dos dois mandatos anteriores de Fernando Henrique Cardoso.

O ex-procurador da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou em palestras que os governos do PT permitiram o fortalecimento da PF e do MP. No tempo em que eu era repórter do Jornal do Brasil, comprovei que isso ocorrera ainda antes, em pleno mandarinato tucano. O ex-guerrilheiro e então deputado federal José Dirceu tratava a imprensa a pão de ló para fazer circular nos meios de comunicação as diatribes de dois procuradores federais que privilegiavam denúncias contra a gestão federal. Quem não se lembra do procurador Luiz Francisco, apropriadamente apelidado, à época, de “Torquemada”, o inquisidor? O pitoresco do detalhe histórico é que seu parceiro de dupla era um colega de corporação, Guilherme Schelb, hoje pregador evangélico e que quase chegou ao Ministério da Educação no governo, que se proclama antipetista, do capitão Jair Bolsonaro.  A serviço do PT, Luiz Francisco e Schelb infernizavam a vida do tucanato. A dupla sumiu, mas o efeito permaneceu.

Marcio Thomaz Bastos se vangloriava da reforma que queria fazer no Poder Judiciário e pela revolução que dizia ter feito na PF. Mas o fato é que o MP e a Justiça foram aparelhados. Isso está contado em meu livro O Que Sei de Lula (Editora Topbooks, 2011). E em inúmeros artigos de minha autoria publicados na página 2 do Estado.

Lula e Bastos foram useiros e vezeiros no uso da justiça como arma para perseguir e inabilitar seus adversários,  prática conhecida como lawfare. O caso mais célebre da manipulação da Justiça pelo lado oposto, ou seja, para proteger sócios em falcatruas, foi a Operação Castelo de Areia, instaurada em 2009 para investigar denúncias de corrupção da empreiteira Camargo Corrêa. Como registra a Wikipédia, em 5 de abril de 2011 a operação foi anulada pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a alegação de que denúncia anônima não poderia embasar investigações. A decisão foi inédita, contrariando a jurisprudência da corte, cujo entendimento anterior, em 33 decisões, permitia investigação a partir de denúncias anônimas. A decisão dividiu a doutrina. As denúncias anônimas são estimuladas em muitos países, entre os quais os Estados Unidos, que as adotam na chamada Foreign Corrupt Practices (Práticas Corruptas Externas). Em 7 de abril de 2011, o Ministério Público recorreu da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas em 2015 o ministro Luís Roberto Barroso rejeitou o recurso. Logo ele! O inspirador da manobra foi Bastos, ora pois. Ou seja, Lula inaugurou, foi atingido pela própria criação e agora reclama: é que o feitiço virou contra o feiticeiro.

No caso atual, a PF já abriu quatro inquéritos para apurar o autor da hackeragem e neles chegou a identificar que os arquivos foram capturados do celular do procurador Deltan Dallagnol. Não atingem apenas a Lava Jato, mas outros procuradores, como Rodrigo Janot, juízes, como Gabriela Hardt, e desembargadores, como Abel Gomes.

Avisei em vídeos e textos: a operação é caríssima e alguém investiu pesado nela. Parece que quem a fez conhece e deve ter tido colaboração de companheiros de hackeados. Como lembrava Vitorino Freire, protetor e depois desafeto de Sarney no Maranhão, “jabuti não sobe em árvores. Se está em cima, alguém o pôs”. Quem encomendou essas interceptações?  Qual o propósito? Quem está sendo favorecido com esses vazamentos? Em meu canal no YouTube, comentei coluna de Merval Pereira em O Globo. O colega conversou com Silvio Meira, um dos maiores especialistas em tecnologia e professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo Meira, “ninguém fez isso sozinho, não aconteceu por acaso, tem um desenho por trás.” Conversei com ele, que confirmou. E sei muito bem que ele sabe o que diz.

No artigo Em busca do hacker, no Estado, Pedro Doria vai ao ponto: o hacker existe, mas não é ele a fonte do Intercept, as informações recebidas pelo site teriam sido colhidas de dentro do prédio do Ministério Público de Curitiba.” Bingo! Ciumeira, vaidade, inveja. Motivo não falta.

Em entrevista ao Estado, Moro disse que existe um viés político-partidário na divulgação dessas mensagens. Uma delas passa pela soltura do condenado por corrupção e lavagem de dinheiro Lula. O Intercept justificou a publicação das mensagens roubadas de Deltan Dallagnol assim: “Moro e os procuradores da Lava Jato são figuras altamente controversas aqui e no mundo – tidos por muitos como heróis anticorrupção e acusados por tantos outros de ser (sic) ideólogos clandestinos de direita, disfarçados como homens da lei apolíticos. Seus críticos têm insistido que eles exploraram e abusaram de seus poderes na Justiça com objetivo político de evitar que Lula retornasse à Presidência e destruir o PT”. Em entrevista a Mônica Bergamo, daFolha de S.Paulo, e Florestan Fernandes, do El Pais,  em 26 de abril, Lula garantiu que iria “desmascarar o Moro e o Dallagnol.” Omitiu na entrevista como o faria. Mas se trata de um spoiler, no mínimo, suspeito. O momento foi preciso e o projeto, sob medida.

A Segunda Turma do STF vai julgar, em 25 de junho, o  pedido da defesa do petista em que demanda a suspeição de Moro.  O julgamento foi iniciado no segundo semestre do ano passado e interrompido desde dezembro, quando o ministro Gilmar Mendes pediu vista. Seria outro spoiler confirmado? O crime não foi gratuito e contou com a colaboração de hackers experientes e companheiros infiltrados, não obra do acaso. Na entrevista citada, Lula mostrou que estava, no mínimo, informado do  que estava em curso contra Moro. E esse tipo de combate subterrâneo lhe é familiar, desde o tempo de Bastos, quando a cobra desovou.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne, segunda-feira 17 de junho de 2019)

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