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No Blog do Nêumanne: Pornografia no passado de Greenwald

No Blog do Nêumanne: Pornografia no passado de Greenwald

Clonagem do celular da líder do governo no Congresso lembra caso do Intercept, cujo dono, com passagem pelo submundo da pornografia nos EUA, tornou-se herói da liberdade de imprensa aqui

A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann, divulgou um vídeo em sua rede social revelando que teve o telefone celular clonado por criminosos que mandaram mensagens falsas do aplicativo Telegram, que usou na campanha eleitoral, mas desde então o dispensou. No vídeo, Joice disse ter descoberto a possível invasão ao receber um telefonema do jornalista Lauro Jardim, o que estranhou. “Tive a certeza disso depois que esses farsantes procuraram, via Telegram, o jornalista Lauro Jardim. De madrugada, eu cheguei em casa e havia uma ligação do colunista do Globo no meu celular. Achei extremamente estranho. Uma ligação de madrugada, que história é essa? Uma ligação num horário desses! Respondi a mensagem e, então, ele me disse que estava respondendo a mensagens minhas no Telegram. Só que eu não mandei nenhuma mensagem em Telegram nenhum”, relatou a deputada.

Joice informou que acionou a polícia para investigar o acontecido e resolveu informar o fato ao maior número possível de pessoas para evitar novos mal-entendidos que lhe possam trazer problemas. Ela faz bem em tornar pública sua denúncia, porque, infelizmente, esse tipo de crime dificilmente é desvendado pela autoridade policial. Além disso, não há no Brasil escopo legal para enquadrar esse tipo de delinquente, por falta de leis em que seu crime seja tipificado. O autor destas linhas já foi vítima de crime virtual e, mesmo tendo sido o autor original das mensagens identificado pela polícia, não foi possível apená-lo, pois ele pediu desculpas e o advogado advertiu para a dificuldade de qualquer juiz puni-lo, de vez que ele se havia desculpado.

O episódio protagonizado pela deputada é muito mais complicado do que o caso acima narrado. E, de fato, se assemelha mais ao escândalo político provocado pelo conta-gotas venenoso do site The Intercept Brasil, com o qual um militante político tenta prejudicar o combate à corrupção no País. A primeira semelhança óbvia é o uso do aplicativo russo Telegram, do qual não se sabe quem é o dono, quem o financia e qual a sede, de cuja localização depende qualquer ação penal que se queira instaurar. Os invasores da linha telefônica da líder do governo no Congresso ainda não iniciaram seu bombardeio na guerra da destruição de reputações e não se sabe que tipo de prejuízos pretendem causar-lhe. Mesmo assim, é possível estabelecer pontos de contato. A começar que o alvo é o mesmo, ou seja, os inimigos na guerra política declarada no Brasil, de forma explícita, desde a divisão estabelecida na reeleição de Lula em 2006. Mas, mesmo sendo Joice uma guerreira atrevida, não tem a dimensão de Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

Portanto, não dá para prever danos políticos semelhantes. Embora já se possa antecipar que dificilmente a Polícia Federal (PF), incapaz de evitar a facada em Bolsonaro e identificar quem pagou os advogados do agressor, terá disposição e competência para identificar e prender os bandidos. É possível antecipar que a disposição do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de defender o sigilo da cidadã, também representante do povo (ou não é?), não será a mesma que teve ao blindar o senador Flávio, primogênito do presidente da República, Jair Bolsonaro, de investigações sobre cumplicidade em “rachuncho” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Até porque a líder do governo no Congresso não terá poder para indicar o ministro que substituirá o decano em novembro de 2020. Nem de dificultar inquéritos de lavagem de dinheiro de políticos corruptos e traficantes de drogas e armas.

Isso sem falar em companheiros de jornada do advogado reprovado em dois concursos para juiz de primeira instância, cuja carreira foi feita à sombra do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda hoje incapaz de entoar algo que não seja a cantiga da perua (“é uma só”) Lula Livre. Flávio blindado pode ter sido bom pretexto para calar Fabrício Queiroz e, assim, engavetar eventuais informações sobre milícias do Rio; os ex-tesoureiros do PT denunciados pelo antigo chefão Antônio Palocci; empreiteiros encrencados em delações premiadas na prejudicada Operação Lava Jato; e, last but not least, chefões do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) para esvaziar presídios de segurança máxima.

  Convém desde já lembrar que, antes mesmo de atender aos rogos da mulher, Roberta Rangel, e da mulher do amigão do peito, Guiomar Mendes, como relata a revista Crusoé, do site O Antagonista, o ex-advogado-geral da União na gestão de Lula manifestou publicamente seu interesse em investigações do Coaf, do Ministério Público Federal (MPF) e da PF sobre o advogado americano Glenn Greenwald, proprietário do acima citado The Intercept Brasil. Detentor do conta-gotas para envenenar Moro, Dallagnol e outros agentes da lei envolvidos na condenação de empreiteiros amigos e chefões políticos do esquema de corrupção que quase levou a Petrobrás à falência e ajudou a enfiar o Brasil na fossa profunda da crise e do desemprego, este é personagem cujo sigilo bancário teria agora importância crucial.

Quem tiver interesse em conhecer o verdadeiro estofo do caráter do manipulador do conta-gotas mais temido do Brasil pode encontrar informações relevantes lendo reportagem de Eric Wempel publicada em 27 de junho de 2013 no jornal The Washington Post, familiarmente chamado de The Post até em título de filme de aventura do jornalismo investigativo. Quem o fizer será informado de que “o escritório do cartório do condado de Nova York mostra que Greenwald tem US$ 126.000 em sentenças abertas e contra ele datando de 2000, incluindo US$ 21.000 do Departamento de Impostos do Estado e da Secretaria da Fazenda. Também fala de um penhor de US $ 85.000”.

Conforme a mesma fonte, “Greenwald disse ao New York Daily News que está ‘preso’ às obrigações de Nova York”, mas está negociando “planos de pagamento” (ou seja, acerto de contas) com o IRS, equivalente americano da nossa Receita Federal. Numa postagem que Eric Wemple chamou de “preventiva”, Greenwald garantiu ainda que o jornal The New York Times também manifestou interesse por essa parte de seu passado.

Em 2013, Greenwald tinha 46 anos e tentou justificar esse passado que, como naquele filme de Hollywood, “o condenaria” com uma tentativa de generalizar a própria biografia: “Como a maioria das pessoas, vivi uma vida adulta complicada e variada. Não conduzi minha vida aos 18 anos com  intenção de ter uma família com valores de senador americano. Minha vida pessoal, como a de qualquer outra pessoa, é complexa e muitas vezes bagunçada” (em inglês, messy, palavra que também pode ser traduzida por confusa ou ainda obscura).

Há seis anos ele, agora com 52, disse estar negociando seus débitos com o Fisco. É notório que o grande chefão da máfia de Chicago Al Capone não foi condenado por seus crimes de morte, mas por sonegar Imposto de Renda mal declarado. Se Greenwald está mesmo negociando, não dá pra saber, porque a IRS não divulga. Então, é até possível confiar que esteja mesmo.

A Wemple ele confessou que, quando jovem, se envolveu com gente “complicada”. O repórter fuçou arquivos e descobriu que essa era, na verdade, gente barra pesada, do submundo, do basfond, um negócio na área da pornografia. Por exemplo, ele se tornou inimigo de Peter Haas, dono de uma companhia de produtos pornográficos, e também de seu amigo mais próximo, Jason Buchtel. À época da reportagem do Washingotn Post, Greenwald chamou Peter Haas de little bitch, literalmente, cadelinha, mas baixo calão para designar prostituto(a), ou ainda a good little whore(uma boa prostitutinha).

Aí se tornou inimigo do governo americano na gestão de Barak Obama por se ter juntado a Edward Snowden, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da Agência de Segurança Nacional (em inglês, National Security Agency, a NSA) que tornou públicos detalhes de vários programas que constituem o sistema de vigilância global da NSA americana, e Julian Assange, dono do site WikiLeaks, que os divulgou. Atualizando: Julian Assange ora responde por estupro na Suécia e por quebra de acordo de liberdade sob fiança no Reino Unido, estando, por isso, preso em Londres.

Desde 19 de agosto de 2013, quando seu companheiro David Miranda, ex-suplente de Jean Wyllys e hoje deputado pelo PSOL, foi detido no Aeroporto de Heathrow, na capital britânica, pela polícia, que o acusou de ter violado o protocolo 7 do Ato Antiterrorismo, Greenwald foi publicamente apoiado pelo governo brasileiro. À época, Dilma Rousseff disse ser a favor da liberdade de imprensa e, por isso, condenou EUA e Inglaterra. E, em seguida, abriu as portas para sua permanência legal no País.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne desde segunda-feira 22 de julho de 2019)

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Direto ao Assunto no Youtube: Até quando clonarão celulares?

Direto ao Assunto no Youtube: Até quando clonarão celulares?

A denúncia da líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), de que seu celular foi clonado e, para isso, criminosos usaram aplicativo russo Telegram que ela não usa desde a época da campanha em outubro do ano passado, é gravíssima. E a Polícia Federal precisa apurar rapidamente mais esse delito para evitar que se torne banal no Brasil. Até agora não se sabe como o site The Inercept Brasil tem lançado mão de supostas mensagens entre o ministro Moro, o procurador Dallagnol e outros agentes da lei no combate à corrupção, apesar da desenvoltura como o conta-gotas de seu editor, o advogado americano Glenn Greenwald, continua divulgando suas interpretações, apesar de nunca ter submetido nenhuma das mensagens divulgadas à perícia técnica oficial. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.
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Direto ao Assunto no YouTube: STF presta serviço ao crime

Direto ao Assunto no YouTube: STF presta serviço ao crime

Decisão monocrática estúpida do presidente do STF para blindar o primogênito de Bolsonaro e impedir investigações contra sua mulher, a do colega Gilmar Mendes, Lula, PT e outros compadritos faz enorme favor a traficantes de drogas e corruptos. Entre eles Glenn Greenwald, que tem processos pendentes no Fisco dos EUA por sonegação de impostos e também um condenável passado na área de produção de pornografia, conforme revela reportagem do Washington Post de 2013, que resgatei no velho Google de guerra. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Direto ao Assunto no YouTube: O que há de comum entre Lula, Toffoli e Bolsonaro

Direto ao Assunto no YouTube: O que há de comum entre Lula, Toffoli e Bolsonaro

O advogado-geral da União, André Mendonça, saudou Lula, vitorioso em em 2002, como “único presidente eleito pelo povo que veio do povo”. E fez carreira sob os auspícios do petista Toffoli, que o indicou para Temer, que o nomeou chefe da instituição em 2018. Sem estardalhaço, Bolsonaro o manteve. E agora admite que o chefe da AGU poderá vir a ser indicado por ele para o STF, tendo o presidente da Corte confidenciado a amigos que tudo fará que ele seja  aprovado na sabatina do Senado. Isso se o for, é claro. E por essas coincidências desagradáveis da vida, Toffoli atendeu pedido da defesa de Flávio Bolsonaro. Quem diria, não é? Direto ao assunto, Inté. E só a verdade nos salvará.

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Comentário no Jornal da Gazeta: Terrível aliado de Toffoli

Comentário no Jornal da Gazeta: Terrível aliado de Toffoli

A reportagem da Crusoé é lógica e verossímil. Não dá para duvidar que Toffoli atropelou seus pares do STF tomando a decisão maluca de destroçar o combate ao crime organizado e a corrupção no Brasil para blindar sua mulher e a de Gilmar Mendes. Mas quem lhe deu pretexto foi defesa de Flávio Bolsonaro ao pedir a providência para seu cliente. As reações completamente fora do esquadro do presidente Jair Bolsonaro em relação ao advogado-geral da União, André Mendonça, indicado por Toffoli, nomeado por Temer e mantido por ele, agora elogiado como “ministro terrivelmente evangélico”, provoca uma pulga atrás da orelha sobre alguma eventual recompensa no futuro para premiar a “boa vontade” do presidente do STF agora.

Para ver o comentário no Jornal da Gazeta da TV Gazeta na segunda-feira 19 de julho de 2019, às 19 horas, clique no play abaixo:


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Nêumanne entrevista José Murilo de Carvalho (2019 – 27ª)

Nêumanne entrevista José Murilo de Carvalho (2019 – 27ª)

Polarização afasta País

do rumo de crescer

e compartilhar riqueza,

diz historiador

 

Para José Murilo de Carvalho, radicalização difundida pelas redes sociais leva grande maioria de brasileiros a tomar posição

O historiador José Murilo de Carvalho acha que “o Brasil já passou por momentos de polarização política que levaram a revoltas, guerras civis e golpes, como durante as décadas de 1890, 1930 e 1950. Hoje, embora a polarização seja mais verbal, ela é muito mais difundida, graças às redes sociais. Pode-se dizer que a grande maioria dos brasileiros tomou posição.  Não vivemos mais em tempos de revoluções, mas a polarização estéril afasta o País do único rumo que deveria tomar: crescer e compartilhar a riqueza”. Personagem da série Nêumanne Entrevista desta semana, o acadêmico mineiro assegura que “não se pode negar a legitimidade do mandato do capitão reformado. Mas será um duro teste para nossas instituições conter seus impulsos autoritários e, sobretudo, os riscos que correm em seu governo áreas fundamentais como as relações exteriores, a educação e o meio ambiente”. Autor de uma celebrada biografia de dom Pedro II, acredita que o imperador ensinaria o presidente “a respeitar as leis, garantir as liberdades, promover a educação e a cultura e se guiar pelo interesse público, como bom republicano que era”.

Nascido em 8 de setembro de 1939 em  Piedade do Rio Grande, José Murilo de Carvalho saiu do interior de Minas Gerais para iniciar seus estudos. Em 1965 formou-se em Sociologia e Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e a seguir foi para  os Estados Unidos cursar mestrado e  doutorado em Ciência Política na Universidade Stanford, na Califórnia. No mesmo lugar fez seu primeiro pós-doutorado, sendo o primeiro curso especificamente na área de História. É professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor honoris causa da Universidade de Coimbra.

José Murilo de Carvalho atuou profissionalmente em várias universidades, como Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro, Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade de Londres, Universidade da Califórnia, Universidade de Leiden (Holanda), Universidade de Notre Dame (EUA) e Universidade Stanford. Foi ainda pesquisador na  Fundação Casa de Rui Barbosa, na Fundação Getúlio Vargas, no Institute for Advanced Study (EUA), na Maison des Sciences de l’Homme e pelo Centre d’Étude des Mouvements Sociaux (França).

Para José Murilo, Bolsonaro teria a aprender com D. Pedro II, seu biografado, “a respeitar as leis, garantir as liberdades, promover a educação e a cultura e se guiar pelo interesse público, como bom republicano que era”. Foto: Wilton Jr./Agência Estado/AE Foto: Wilton Jr./Agência Estado/AE

Para José Murilo, Bolsonaro teria a aprender com D. Pedro II, seu biografado, “a respeitar as leis, garantir as liberdades, promover a educação e a cultura e se guiar pelo interesse público, como bom republicano que era”. Foto: Wilton Jr./Agência Estado/AE Foto: Wilton Jr./Agência Estado/AE

É vasta sua produção científica, que gira em torno  das  questões de nação, cidadania, justiça e liberdade político-social. Entre os diversos livros e artigos publicados pelo historiador destacam-se as obras A Formação das Almas (1990), na qual aborda o impacto da República na formação do imaginário popular, lançando mão, além das fontes tradicionais, de um vasto material cultural, como imagens plásticas, música, literatura e charges, e  A Cidadania no Brasil (2001), onde traça um longo percurso de como se deu a construção da cidadania no País. O primeiro livro rendeu-lhe os Prêmios Jabuti e Banorte de Cultura Brasileira, ambos em 1991. E com o segundo livro recebeu o Prêmio Casa de las Américas. Além desses, recebeu o prêmio de Melhor Livro de Ciências Sociais, em 1987, pela obra Os Bestializados (1987), e o Prêmio Jabuti por D. Pedro II, ser ou não ser. Entre diversos outros prêmios, destacam-se também as medalhas de oficial (1989) e comendador da Ordem do Rio Branco (1991), ofertadas pelo Itamaraty, e o Prêmio Almirante Álvaro Alberto, do CNPq.

José Murilo de Carvalho, Celso Lafer e Edmar Bacha são os únicos brasileiros a fazerem parte da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Ciências ao mesmo tempo. O historiador foi eleito para a  cadeira de Rachel de Queiroz na Academia Brasileira de Letras em 10 de setembro de 2004. Pode ser considerado um dos pensadores do Brasil.

Nêumanne entrevista

José Murilo de Carvalho

Nêumanne – Em 8 de setembro próximo, o senhor vai completar 80 anos. De tudo o que viveu neste quase século de existência o que mais o alegrou, o que mais o comoveu e o que mais lamentou ter visto, chegando talvez até o ponto de lastimar haver passado por aquilo?

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