Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Direto ao Assunto

Comentário no Jornal Eldorado: A serviço do “quadrilhão”

Comentário no Jornal Eldorado: A serviço do “quadrilhão”

A substituição de Geddel, sua posterior prisão e o aparecimento dos R$ 51 milhões no apartamento na Graça, em Salvador, comprometendo-o, o irmão Lúcio, deputado da base de governo de Temer, e a mãe deles, Marluce, em nada tinham alterado o poder dos baianos na Secretaria de Governo, que Marun está prestes a assumir. Quando este foi convidado, com o tucano Imbassahy no cargo, avisei que Cunha mantinha os cordéis de suas marionetes na antessala do presidente. Assim, não restam dúvidas de que o “quadrilhão do PMDB” denunciado pelo ex-procurador Rodrigo Janot continua dando as cartas na República. O resto é lero. Vamos repetir: Cunha, Geddel e Henriquinho na cadeia, Rocha Loures em prisão domiciliar e Temer, Moreira e Padilha no palácio mandando no grande presídio Brasil.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 14 de dezembro de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 14 de dezembro de 2017 – Quinta-feira

Novo ministro da Secretaria de Governo, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) decidiu manter como seus assessores na pasta aliados do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do ex-deputado Eduardo Cunha, ambos do PMDB e atualmente presos no âmbito da Operação Lava Jato. O que significa isso?

Marun será empossado nesta quinta-feira, 14, em cerimônia no Palácio do Planalto marcada para 17 horas. “Vamos manter com certeza o Carlos Henrique e tudo indica também a Ivani, que é uma pessoa da nossa estrita confiança”, disse Marun ao Estadão/Broadcast. Ele se referia a Carlos Henrique Sobral e Ivani dos Santos, chefe de gabinete e secretária-executiva da pasta, respectivamente. Os dois estão nos cargos desde maio de 2016, quando Geddel assumiu a Secretaria de Governo. Por pressão do PMDB, eles continuaram nos postos mesmo na gestão de Antonio Imbassahy (PSDB-BA). Sobral e Ivani trabalham com Geddel desde quando o peemedebista era deputado federal. Os dois também assessoram Geddel quando ele foi nomeado ministro da Integração Nacional durante o segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois de deixar o governo, Ivani passou a trabalhar na liderança do PMDB na Câmara. Em 2015, quando Cunha assumiu à Presidência da Câmara, Sobral foi nomeado assessor especial da Casa.

Além de Ivani e Sobral, o presidente Michel Temer mantém outros aliados de Cunha no governo. Um deles é o advogado Gustavo do Vale Rocha, nomeado por Temer para o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República. Ele foi indicado pela Câmara dos Deputados para integrar o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) no biênio 2015-2017.

Nestes últimos dias, eu tenho dito e insistido aqui que a substituição de Geddel, sua posterior prisão e o aparecimento dos R$ 51 milhões no apartamento na Graça, em Salvador, compremetendo Geddel, o irmão Lúcio, deputado da base de governo de Temer, e a mãe deles, Marluce, em nada tinham alterado o poder do clã baiano no núcleo duro do poder no Planalto. Quando Marun foi convidado, com o tucano Imbassahy ainda no cargo, eu também avisei que Eduardo Cunha mantinha os cordéis de suas marionetes na antessala de Temer. A reportagem de Igor Gadelha, da Sucursal do Estadão em Brasília, confirma tudo o que lhe contei ao longo destes dias. Assim, não há dúvidas de que o chamado “quadrilhão do PMDB” denunciado pelo ex-procurador Rodrigo Janot continua dando as cartas na República. O resto é lero. Vamos repetir: Cunha, Geddel e Henriquinho na cadeia, Rocha Loures em prisão domiciliar e Temer, Moreira e Padilha no palácio mandando no grande presídio Brasil.

O que você diz da reclamação de figurões importantes dos partidos políticos estarem reclamando da quantia de “apenas” 1,7 bilhão de reais para o fundo partidário de campanha? É pouco mesmo?

Já que falávamos de “quadrilhão”, vamos aos fatos. Ontem, à noite, por acordo, o Congresso aprovou o Orçamento da União de 2018. A proposta foi elaborada pelo deputado Cacá Leão (PP-BA) e já incorporou a previsão de crescimento de 2,5% do PIB. Ela prevê ainda um salário mínimo de R$ 965 para 2018. O Orçamento total chega a R$ 3,5 trilhões entre receitas e despesas. A maior despesa é com a Previdência Social. Ao todo, ele aumentou as despesas do governo para o próximo ano em cerca de R$ 5 bilhões. O Orçamento de 2018 chega a R$ 3,5 trilhões, incluindo pagamento do serviço da dívida. Apesar das pressões, a proposta fixou o Fundo Eleitoral em R$ 1,7 bilhão, como os parlamentares haviam acertado durante a tal da reforma política, na moda desde que Eduardo Cunha, o Caranguejo da Odebrecht, mandava e desmandava na Câmara dos Deputados. Além de R$ 1,7 bilhão para o Fundo Eleitoral, Cacá manteve a destinação de R$ 888,7 milhões para o Fundo Partidário, que já existe e cujo valor foi enviado pelo Executivo e mantido em seu parecer e inovou ao destinar R$ 250 milhões para a implantação do voto impresso nas próximas eleições, outra exigência da reforma eleitoral aprovada este ano. O deputado apresentou seu parecer final anteontem.

Cacá Leão disse que definiu o valor do Fundo Eleitoral com base na lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Michel Temer. A reforma política _ transformada em lei _ cria o Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Já batizado de “fundão”, ele será abastecido por valor equivalente a 30% do valor total das emendas parlamentares de bancada previstas para 2018 e ainda dos recursos equivalentes à compensação fiscal que era dada até agora às emissoras de rádio e televisão pela veiculação de propaganda partidária em anos não eleitorais. Segundo os dados da Comissão Mista de Orçamento, do total de R$ 1,7 bilhão, R$ 1,3 bilhão é o valor equivalente a 30% das emendas de bancada e o restante de R$ 400 milhões será o que as emissoras deixarão de receber. Essa valor de R$ 400 milhões é uma estimativa feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aceita pelo acatada pelo relator.

Mas os R$ 400 milhões são apenas uma estimativa, que o relator a rigor já colocou como conta própria, com base em valores de anos anteriores. Mas há pressões para que a verba aumente porque a redação da lei eleitoral 13.487/2017 fala em “valores equivalentes” tanto no caso das emendas como no caso da compensação fiscal. As emendas de bancada são aquelas emendas dentro do Orçamento da União que os parlamentares destinam para governos estaduais e municipais.

– Coloquei o valor que diz na legislação. Não recebi pressão nenhuma, pedido nenhum para aumentar o valor. Mas esse Fundo Eleitoral não está no teto de gastos e, se chegar um pedido, terei que analisar_ disse Cacá Leão. A seu lado, o deputado Claudio Cajado (DEM-BA) admitiu que há sim um movimento para aumentar o valor do fundo que vai financiar as campanhas dos políticos em 2018. O Fundo foi criado com apoio principalmente do PMDB e do PT, com a justificativa de que não há mais financiamento empresarial de campanha.

_ Acho pouco ter R$ 1,7 bilhão. Acho que poderia ser pelo menos R$ 2,2 bilhões, R$ 2,3 bilhões _ disse Cajado.

Nas reuniões fechadas da Comissão Mista de Orçamento, vários deputados cobraram o aumento da verba, alegando que a imprensa chegou a calcular em R$ 2 bilhões o valor do Fundo na época da aprovação da reforma política e que os parlamentares já estão “sendo criticados mesmo, então aprovar logo o aumento”.

Nos bastidores, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, o presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), especialista em Orçamentos, é apontado como o artífice da proposta, mas ele não confirma a ideia de apresentar um destaque neste sentido.

O fundo para a campanha é a prova de que continua tudo como dantes no cartel de Abrantes. Eu disse cartel, não quartel, pois graças a Deus é remota qualquer chance de intervenção militar. Mas os falsos representantes do povo agem como se fossem os membros de um cartel que age apenas em seus interesses próprios, vagando e rondando pelo País. Dane-se o País!

O pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, afirmou, na noite desta terça-feira, pelo Facebook, a cerca de dois mil internautas que “Justiça boa é a rápida”, sobre a definição do julgamento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que está marcado pelo Tribunal Regional Federal 4a Região (TRF4) para o dia 24 de janeiro. Ciro está chamando Lula e o PT pra briga, é?

“Há queixa de que a denúncia foi muito rápida, mas acho que a gente não pode inverter as coisas. Justiça boa é a rápida. Ela falha é quando demora”, disse. A transmissão ao vivo de Ciro Gomes acabou bombardeada por seguidores do pré-candidato ao Planalto Jair Bolsonaro, que teceram comentários de todos os níveis ao adversário político. Os comentários também foram rebatidos por internautas contrários a Bolsonaro, apelidados de ‘Bolsomitos’. Durante 38 minutos, Ciro recebeu 4,9 mil comentários e teve seu vídeo compartilhado 1,7 mil vezes.

Ciro está coberto de razão, é claro. Não há dúvida quanto a isso. Só tenho a dizer que o ex-governador do Ceará encarnou o próprio Conselheiro Acácio, símbolo do óbvio ululante criado por Eça de Queiroz. Tem um momento na vida que até os políticos profissionais são obrigados a falar a verdade. Foi este momento de Ciro, pelo visto. É claro que o pessoal do PT não gostou. Mas e daí?

Este não parece ser o momento de Lula que resolveu vir a público dizer que, se for culpado, não quer ser candidato. Será que agora ele não sabe mais se é culpado, ou não? O que significa esse se?

Um dia após o Tribunal Federal Regional da 4.ª Região (TRF4) marcar para o dia 24 de janeiro o julgamento do ex-presidente Lula na Operação Lava Jato, o petista declarou que é inocente, que não abre mão de sua honra, que caráter não se vende em supermercado e que sua resistência não é feita em causa própria, mas pelo PT. “Já desmoralizaram a política, os partidos. Eu fico muito puto que a classe política não reaja. Eu faço minha resistência não é por mim, não. É pelo PT”, disse em reunião das bancadas do PT da Câmara e do Senado, nesta quarta-feira, 13, em Brasília.

Condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses por corrupção e lavagem de dinheiro em 1.ª instância, em 12 de julho, no caso triplex, Lula pediu para que os petistas ergam a cabeça para vencer a batalha diante das acusações contra ele e o partido. Em discurso, que durou aproximadamente 30 minutos, Lula afirmou que há uma tentativa de impedir que o PT volte ao poder. “Não quero ser candidato por ser candidato. E não quero ser candidato se for culpado. Eles (acusadores) que apresentem à sociedade uma única culpa. O máximo que conseguem dizer é que Lula sabia”, disse.

O presidente de honra do PT disse que não quer que os petistas tenham um candidato “escondido” na sua candidatura, ou seja, um candidato que participa do pleito para não ser preso. Lula ressaltou que tudo que não quer é ser condenado sendo inocente. “Se apresentarem provas contra mim de todas as acusações, terei a satisfação de vir aqui e dizer que não posso ser candidato.” O que continua sendo impressionante no Lula é sua capacidade de criar e modificar suas patranhas.  A cada instante ele vem com alguma novidade para vender para seus prosélitos que acreditam em qualquer lorota que ele conte. A polícia o investiga por vários crimes de muitas naturezas. O Ministério Público o denunciou. A primeira instância da Justiça o condenou. A um mês e meio da decisão da segunda, que pode determinar sua ficha limpa ou suja, ele continua tentando por dúvidas sobre as decisões dessas instituições importantes do Estado brasileiro, que nada têm que ver com política, mas com policia e Justiça. A verdade é que por mais que ele percorra o País e fale sem parar, sempre com repercussão nos meios de comunicação, cada vez menos se confirma a fantasia de que ele conta com apoio popular para confirmar seu lorotário. Sua visita ao Rio na semana passada foi mais um tremendo fiasco político, como já o fora no Nordeste. E, por falar em Nordeste, ontem foi 105 aniversário de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e vou pedir ao almirante Nelson que execute aqui o hino da diáspora nordestina, Pau-de-arara, dele  e Guio de Morais.

SONORA Pau-de-arara Luiz Gonzaga

https://www.youtube.com/watch?v=GPe0kyb6CIk

Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: Lula e a lei

Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: Lula e a lei

Meu Direto ao Assunto abriu o Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quarta-feira 13 de dezembro de 2017 analisando o agendamento do julgamento no TRF 4 dos recursos de Lula à condenação de Moro; o vexaminoso relatório da CPMI da JBS para favorecer o crime e dificultar o trabalho dos agentes da lei; a nova condição de réu do presidente do DEM; e o antigo entusiasmo de Bolsonaro pelas convicções bolivarianas de Hugo Chávez. Eliane Cantanhêde comentou o julgamento de Lula marcado para 24 de Janeiro, com grande impacto na eleição de 2018; e Carlos Marun tropeçando nas próprias pernas antes mesmo de assumir a Secretaria de Governo, pois seu relatoria da CPMI da JBS é uma lástima. Alexandre Garcia abordou os seguintes temas: Henrique Eduardo Alves virando réu pela Arena das Dunas; TRF-4 marcando o julgamento de Lula para 24 de janeiro; e, mesmo com as reformas da Previdência ou tributária em risco, certo é que é preciso investir mais em infraestrutura. Gustavo Loyola discorreu sobre a reforma da Previdência e acordos econômicos. E, em Direto da Fonte, Sonia Racy falou dos tribunais estaduais entregando quase 100% das informações relacionadas às cortes ao CNJ.

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Comentário no Jornal da Gazeta 2: Roubo para todos

Comentário no Jornal da Gazeta 2: Roubo para todos

Presidente do DEM tornado réu comprova que corrupção é para todos

(Comentário no Jornal da Gazeta 2 da quinta-feira 12 de dezembro de 2017)

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Comentário no Jornal da Gazeta 1: Quase todos por um

Comentário no Jornal da Gazeta 1: Quase todos por um

Muitos políticos tentam salvar a cara de Lula para safar a própria pele

(Comentário no Jornal da Gazeta 1 da quinta-feira 12 de dezembro de 2017)

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Comentário no Jornal Eldorado: Bazófia de malandro

Comentário no Jornal Eldorado: Bazófia de malandro

Caso não haja pedido de vista, o julgamento de Lula no TRF 4 aconteça mesmo em 24 de janeiro e a decisão da turma confirme a sentença de Moro, a decisão em segunda instância porá ordem no noticiário confuso e conturbado da eleição presidencial do ano que vem. A eventual candidatura de Lula, que só será confirmada se o tribunal o absolver, é tratada como favas contadas inclusive porque interessa a antigos adversários figadais, como os tucanos, que agora parecem bem interessados em vender para o eleitorado a própria preferência de derrotar o ex nas urnas em vez de vê-lo preso. Trata-se de uma bazófia infame, pois não há cidadão nenhuma acima da lei numa democracia e o PSDB não pode impor isso.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado da quarta-feira 13 de dezembro de 2017, às 7h30m)

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https://www.youtube.com/watch?v=j_lkNpNbN3w

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 13 de dezembro de 2017 – Quarta-feira

SONORA – Malandro demais vira bicho Bezerra da Silva

https://www.youtube.com/watch?v=G3uGM08Qmmc

Começar do começo

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) marcou para 24 de janeiro o julgamento do ex-presidente Lula na Operação Lava Jato. Que conseqüências isso traz para o cenário político do momento?

Lula foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses por corrupção e lavagem de dinheiro em 1.ª instância, em 12 de julho, no caso triplex. O TRF4 é o tribunal de apelação. Se a condenação de Lula for confirmada pelo colegiado, ele poderá se tornar inelegível pelos critérios da Lei da Ficha Limpa. Lula também poderá ser preso. Com base em jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), condenados em 2.ª instância podem ter sua pena executada. O ex-presidente será julgado na 8.ª Turma da Corte, composta por três desembargadores. O magistrado João Pedro Gebran Neto, relator da ação penal, já concluiu seu voto, mas ainda não o tornou público. Ontem o desembargador revisor Leandro Paulsen pediu que fosse marcada a data do julgamento. No dia 24 de janeiro, Paulsen deverá, então, entregar seu voto. O terceiro juiz da 8.ª Turma do TRF4, que cuida das ações relativas à Lava Jato, sesembargador Victor Luis dos Santos Laus, também poderá ler seu voto na sessão. Se ele pedir vista, no entanto, o julgamento poderá ser adiado.

O ex-presidente foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro supostamente recebido da empreiteira OAS por meio de reforma e melhorias no apartamento triplex situado no Guarujá, litoral paulista. A defesa de Lula tem reclamado enfaticamente do ritmo acelerado adotado pela Justiça na ação contra o ex-presidente. Segundo os advogados do petista, ele é alvo de ‘lawfare’, uso indevido dos procedimentos jurídicos para persegui-lo politicamente. No mérito, a defesa nega veementemente envolvimento de Lula em irregularidades. O ex-presidente é alvo de outros dois processos criminais na Lava Jato no Paraná, sob condução do juiz Moro – caso do sítio de Atibaia e outra ação sobre supostas propinas da Odebrecht na compra de apartamento em São Bernardo do Campo e de um terreno que abrigaria a futura sede do Instituto Lula. Contra a condenação imposta por Moro, no caso triplex, a defesa de Lula apelou ao TRF4. A sentença de Moro que condenou Lula subiu para o TRF4 no dia 23 de agosto, cerca de 40 dias depois da sanção imposta em 1.º grau. O Ministério Público Federal também recorreu à Corte, pedindo pena maior para o petista. Nesta ação do triplex, também foram condenados os empreiteiros Léo Pinheiro e Agenor Franklin Medeiros, da OAS. O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, foi absolvido da acusação de lavagem de dinheiro. Gebran Neto, o relator na Corte, levou cerca de cem dias para dar seu voto. Antigos aliados de Lula, entre eles expoentes do PT, já passaram pelo crivo do Tribunal da Lava Jato.O ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, por exemplo, foi absolvido em duas ações penais nas quais havia sido condenado por Moro. Em um terceiro processo, no entanto, os desembargadores da 8.ª Turma impuseram pesado revés a Vaccari, que está preso no Complexo Médico-Penal de Pinhais, região metropolitana de Curitiba, desde 2015. Neste processo, os magistrados da Corte de apelação ampliaram a pena do ex-tesoureiro de 10 anos para 24 de reclusão. O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil – Governo Lula) pegou 20 anos e dez meses de prisão em sentença de Moro. Ao ser julgado pelo Tribunal, Dirceu teve sua pena agravada para 30 anos e nove meses de reclusão. O ex-ministro está em liberdade por decisão do Supremo até que se esgotem todos os recursos.

Caso não haja pedido de vista e o julgamento aconteça mesmo antes de fevereiro e a decisão da turma confirme a sentença de Moro, a decisão em segunda instância porá ordem no noticiário confuso e conturbado da eleição presidencial do ano que vem. A eventual candidatura de Lula, que só será confirmada se o tribunal o absolver, é tratada como favas contadas inclusive porque interessa a antigos adversários figadais, como os tucanos, que agora parecem bem interessados em vender para o eleitorado a própria preferência de derrotar o ex nas urnas em vez de vê-lo preso. Trata-se de uma bazófia infame, pois não há cidadão nenhuma acima da lei numa democracia e o PSDB não tem direito adquirido de absolver in limine nenhum condenado em nome de serviços inestimáveis que não prestou à democracia. A respeito disso o Estadão publicou artigo meu na página 2 de hoje intitulado Que diacho de democracia é esta? Quanto à nova tese da defesa de Lula, fica valendo o aviso do sambista Bezerra da Silva, que conheci tocando zabumba no show de estréia de Zé Ramalho: “malandro demais vira bicho, eu já avisei pra você parar com isso’.

Relatório da CPI mista da JBS apresentado ontem prevê uma regulamentação para a delação premiada que modificaria o uso do instrumento. Uma das propostas é que os delatados sejam notificados de que o acordo foi fechado – e que eles foram citados – antes da homologação do acordo. Mas o que é que isso, minha gente?

Na prática, isso faria com que futuros investigados fossem avisados de que estão na mira dos investigadores. O item “proposição legislativa para regulamentação da delação premiada” consta do relatório parcial elaborado pelo deputado Wadih Damous (PT-RJ). No artigo 6º do projeto, o parlamentar estipula: “Concluídas as negociações sobre o acordo de delação premiada, o Ministério Público cientificará as pessoas delatadas, que terão o prazo de 15 dias para impugnar o acordo e juntar documentos comprobatórios”. No artigo seguinte, o projeto estipula que depois dos 15 dias, o MP encaminhará a delação, junto com as impugnações, ao juiz para homologação. “Quanto mais tempo o investigado tiver para produzir elementos comprobatórios melhor”, disse Damous. A homologação do juiz é considerada crucial para que o acordo de delação possa ser usado em medidas de investigação – como pedidos de quebra de sigilo bancário e telefônico, buscas e apreensões ou prisões preventivas. A delação costuma ser mantida em sigilo para que evitar a retaliação ao delator e a destruição de provas que podem ser úteis à investigação.

A proposta incluída no relatório é considerada temerária por procuradores, que veem nisso uma tentativa de inviabilizar os acordos. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) até o momento não aceita a impugnação de acordos de delação pelos delatados.

O projeto também estipula que só poderão firmar acordos de delação os investigados que estiverem em liberdade – presos, portanto, não poderiam lançar mão do instituto como instrumento de defesa.

Outro ponto controverso na propositura da CPI é sobre o que fazer quando uma acordo de delação é rescindido. Hoje, nesses casos, as provas e informações trazidas pelo colaborador ainda podem ser utilizadas em processos judiciais. A CPI defende que “serão nulas todas as provas obtidas através do acordo de delação premiada rescindido”. Nesse cenário, pelo novo modelo proposto pelos deputados, todas as informações prestadas e entregues pelo empresário Joesley Batista e pelo lobista Ricardo Saud, da JBS, inclusive as que apontam para crimes cometidos pelo presidente Michel Temer e seu grupo político, teriam que ser anuladas.

O jogo jogado entre Carlos Marun, leia-se Temer, e Wadih Damous, nela-se Lula, não é o ápice do cinismo, mas um aviso do que nos espera em 2018 até a eleição: o auge do cinismo sempre sendo superado e alcançando limites até hoje inimagináveis. A única solução pra eles é manda-los todos de volta para casa tacando-lhes um reeleja ninguém. Gente imprestável. Um tremendo fim de festa, um pisa na bola, um Zé Mané, diz Bezerra.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou ontem pópr 4 votos a 1, denúncia contra o senador e presidente do DEM José Agripino Maia (RN) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Isso o surpreendeu?

Que nada. Essa investigação foi aberta em 2015, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para apurar se o senador recebeu propina da construtura OAS em troca de auxílio político à empresa, para facilitar a liberação de recursos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) direcionados à construção da Arena das Dunas, para a Copa do Mundo de 2014. A empreiteira venceu a licitação da obra na gestão de Rosalba Ciarlini (DEM) no governo do Rio Grande do Norte. A denúncia afirma que o senador Agripino Maia influenciou a mudança de parecer do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte, que não havia aceitado, num primeiro momento, a documentação enviada pela OAS sobre a construção da Arena. O impasse travou inicialmente o repasse de recursos do BNDES à empreiteira. Pela atuação no caso, o senador Agripino teria recebido vantagens indevidas por meio de dinheiro em espécie e doação eleitoral da construtora.

Para o relator do caso, ministro Luís Roberto Barroso, há elementos de provas suficientes para o recebimento da denúncia. Ele frisou que, na mesma época em que emissários de Léo Pinheiro, empreiteiro da OAS, levaram recursos em viagem para o Rio Grande do Norte, se verificaram depósitos de origem não explicada nas contas de Agripino Maia. “A questão dos depósitos serem fracionados, em quantidades para evitar alertar as autoridades financeiras, é um dos indícios de recebimento de vantagem indevida”, afirmou Barroso.

Trata-se de um combo da corrupção. A corrupção atinge governo, oposição, direita, esquerda e centro. Famílias tradicionais de políticos também não estão isentos nem imunes. Maia, tradição mais que secular na política da Paraíba e do Rio Grande do Norte. O pai de Agripino foi governador do Rio Grande do Norte, o tio, governador da Paraíba e ministro. Isso só reforça a importância de, no mínimo, manter os dispositivos legais que tornaram possível o trabalho de faxina que tem sido feito por agentes federais, procuradors e juízes honestos e competentes. Tentativas como a da CPMI da JBS para livrar Temer, Lula e gente como Aécio e Agripino são crimes de lesa-pátria de escroques cínicos.

Mas a descoberta, que circula nas redes sociais, de que Bolsonaro já foi foi bolivariano na vida é surpreendente, não é mesmo?

De fato, por essa eu não esperava. O pré-candidato à Presidência da República, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) classificou como “jogo sujo” a divulgação nas redes sociais do conteúdo de uma entrevista que ele concedeu ao Estado em 1999 sobre Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela morto em 2013. Na época, Bolsonaro afirmou que a chegada de Chávez ao poder era uma  “esperança para a América Latina”. O deputado ainda classificou o venezuelano como uma “pessoa ímpar”, afirmou que “gostaria muito que sua filosofia chegasse ao Brasil” e disse que não era anticomunista. Na entrevista, realizada meses após Chávez assumir o poder pela primeira vez, Bolsonaro diz acreditar que ele faria no país vizinho o que os militares fizeram no Brasil em 1964, com muito mais força. “Ele não é anticomunista e eu também não. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar. Nem sei o que é comunismo hoje em dia.” Este é mais um caco de vidra de campanha. Eleição não é para amadores. E se tem uma coisa que Bolsonaro é é amador. Inclusive como malandro. Vale pra vale o aviso do Bezerra: você fala demais, meu rapaz. E como dizia vovó, quem fala muito dá bom dia a cavalo.

SONORA – Malandro demais vira bicho Bezerra da Silva

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Comentário no Podcast Comentaristas da Jornal Eldorado: E a mala é crime, sim!

Comentário no Podcast Comentaristas da Jornal Eldorado: E a mala é crime, sim!

Meu Direto ao Assunto abriu o Podcast Comentaristas da Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na terça-feira 12 de dezembro de 2017 tratando dos seguintes temas: o homem da mala atribuída a Temer virou réu; Marun vinga o chefão antes de assumir a Secretaria de Governo; Lula e Bolsonaro são ameaçados de punição por antecipação de campanha por Gilmar; e os humores mutantes sobre a possibilidade de aprovação da reforma da Previdência. Eliane Cantanhêde abordou os empresários em ação pela reforma da Previdência (o que eles têm mesmo a ver com isso?) e o Rio continua lindo, mas…. está cada vez mais sem candidatos em 2018, enquanto agora mais dois são condenados. Alexandre Garcia comentou Rocha Loures viando réu; o fiscal da Receita que trabalhou por 24 anos para a JBS; e o caixa dois de Haddad. E, em Direto da Fonte, Sonia Racy informou sobre a idade do homem e da mulher para aposentadoria.

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