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Direto ao Assunto

Comentário no Jornal da Gazeta 1: Sua Excelência, o presidiário

Comentário no Jornal da Gazeta 1: Sua Excelência, o presidiário

Lula quer escolher vara, juiz natural e foro para discutir sua inelegibilidade

(Comentário no Jornal da Gazeta 1 quinta-feira 28 de junho de 2018)

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No Blog do Nêumanne: Artimanhas do ministro Mello

No Blog do Nêumanne: Artimanhas do ministro Mello

O ministro do STF Marco Aurélio Mello não tinha como não saber que habeas corpus que concedeu ao multicondenado Eduardo Cunha, o Caranguejo da Odebrecht, de nada valeria ao beneficiado, de vez que será mantido preso para cumprir mais duas penas por corrupção. Concedê-lo foi um truque para mostrar suas armas – a decisão autocrática – na cruzada em que combate, no Quinteto do Purgatório, com Toffoli, Gilmar, Lewandowski e Celso, para desafiar a jurisprudência determinada e confirmada por seis dos onze membros do colegiado, ao qual pertence, mas não respeita. Para tanto recorrem a um dispositivo constitucional que não existe, pois aquele se refere a “considerar culpado”, e não a “prisão” ou “liberdade”. Nada mais do que um truque rasteiro! Este é meu comentário no Estadão Notícias, no ar desde 6 horas da sexta-feira 29 de junho de 2018.

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Comentário no Jornal Eldorado: O poder de Lula preso

Comentário no Jornal Eldorado: O poder de Lula preso

O Brasil é um país tão surrealista e absurdo que, preso comum, condenado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na segunda instância, Lula continua dando ordens onde menos se esperava que tivesse poder: a cúpula do Poder Judiciário. Sua defesa é tão implicante que se dá ao desplante de rejeitar relator, decidir em que plenário do STF seu cliente, que responde a mais seis processos criminais, pretende ser julgado e passou a ocupar o tempo de um colegiado que deveria estar cuidando de outros assuntos mais relevantes a decidir sobre uma miríade de recursos que não interessa a ninguém mais do que ao criminoso em questão e seu público cativo de adoradores. Como a chicana é prática comum na desmoralizada Corte, isso não tem fim.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – da sexta-feira 29 de junho de 2018, às 7h30m)

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Para ouvir O rabo do jumento, com Elino Julião, clique no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=UAylW5n8_uk

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Assuntos do comentário da sexta-feira 29 de junho de 2018

SONORA O rabo do jumento, Elino Julião

https://www.youtube.com/watch?v=UAylW5n8_uk

1 – Haisem Por que será que o Supremo Tribunal Federal aceita sem sequer se espantar desafios arrogantes e sem justificativa da defesa de Lula, um preso comum, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, tentando impor em que plenários devem ser julgados os recursos, o relator que deve cuidar do processo e outros privilégios que nada têm a ver com trânsito em julgado nem muito menos com inocência?

2 – Carolina O ministro do STF Marco Aurélio tem algum motivo muito bom, muito justo e muito criterioso para conceder habeas corpus ao ex-deputado Eduardo Cunha, mesmo sabendo que ele está cumprindo mais duas condenações por ter cometido uma infinidade de crimes e que, por isso não seria solto?

3 – Haisem Por que mesmo com Lula preso e, portanto, sem autorização para ter convívio social com quem quer que seja, e sabendo que ele é inelegível de acordo com a lei da ficha limpa, os institutos de pesquisa insistem em consultar eleitores entrevistados sobre sua vontade de votar nele, embora esses institutos e os meios de comunicação que divulgam seus levantamentos saibam que a candidatura dele não será possível?

4 – Carolina Que motivos teve a Justiça de primeira instância do Distrito Federal para processar criminalmente o ex-procurador federal Marcelo Miller, o marchante Joesley Batista, Francisco de Assis e Silva, executivo da J&F, e a advogada Esther Flesch, ex-sócia do escritório Trench Rossi e Watanabe?

5 Haisem Por que o ministro da Defesa, general Joaquim Luna e Silva, defende a continuação da intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro se diariamente o Brasil é abalado com a notícia de uma nova tragédia nas ruas da ex-capital federal e até agora não foram descobertos e processados mandantes e executantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes?

6 – Carolina Qual o contraste que você percebe entre a decisão do juiz do Estado de Illinois que mandou o governo americano devolver um menino brasileiro a sua mãe e a atitude do presidente do Brasil, que se comportou como um capacho, e não como um governante de um país soberano, ao tratar do assunto com o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, no Itamaraty?

7 – Haisem Que lições o atentado do atirador solitário a jornalistas do Capital Gazette, de Annapolis, capital de Maryland, nos Estados Unidos, pode nos dar neste mundo cada dia mais perigoso e absurdo?

8 Carolina Você conheceu pessoalmente Toninho Buonerba, dono do Jardim di Napoli e inventor do polpetone, que morreu ontem, aos 82 anos em São Paulo?

Comentário no Jornal Eldorado: Insistente e grosseiro

Comentário no Jornal Eldorado: Insistente e grosseiro

Em sua insana ofensiva contra a jurisprudência várias vezes confirmada pela maioria do plenário do STF, o ministro Marco Aurélio Mello repetiu em território nacional e publicamente o que já havia dito para a televisão portuguesa: que a prisão após condenação em segunda instância viola a Constituição, embora não haja em nenhum dispositivo desse copioso e confuso texto nenhuma referência explícita a prisão e liberdade. Forçando a barra, como é de seu estilo, o espírito de porco da colenda Corte disse que em 28 anos de sua ruidosa atuação nela nunca viu uma pessoa resistir tanto a colocar um tema como faz a presidente Cármen Lúcia ao não agendar o debate em plenário num óbvio desrespeito a seis dos dez colegas, inclusive aquela que a preside.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 28 de junho de 2018, às 7h30m)

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Para ouvir Lorota boa, com Luiz Gonzaga, clique no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=dbQGICes3wI

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Assuntos do comentário de quinta-feira 28 de junho de 2018

1 – Haisem O que você tem a dizer sobre a revelação de que o patrimônio amealhado ao longo da vida pelo casal Lula e Marisa da Silva tenha ultrapassado os 12 milhões de reais?

2 – Carolina A decisão do ministro do STF Ricardo Lewandowski de proibir que o Executivo venda o controle acionário de estatais sem autorização do Congresso é correta ou apenas faz parte dessa nova moda do Judiciário se intrometendo na gestão dos dois outros Poderes da República, mesmo quando não lhe diz respeito?

3 – Haisem O que levou outro ministro do STF, Edson Fachin, a tentar negar o óbvio, que são suas repetidas derrotas em embates na Segunda Turma contra Gilmar, Lewandowski e Toffoli, principalmente no que diz respeito às tentativas do trio de criar obstáculos ao combate contra a corrupção empreendido por operações como a Lava Jato?

4 – Carolina O que significa o STF voltando a ser STF, no dizer de outro personagem desse imbróglio, o indefectível Gilmar Mendes, para explicar o inexplicável, ou seja, a divisão óbvia da última instância principalmente em torno de questões penais, que em teoria nem deveriam ser de sua conta e a colocação de picuinhas sobre os altos interesses republicanos?

5 – Haisem Que conseqüências poderão advir da decisão do relator da Lava Jato, Edson Fachin, de abrir diligências em torno das delações premiadas dos donos e executivos da J&F e anunciar que em seguida levará ao plenário a discussão que urge sobre a validade desses depoimentos e, o que ainda mais importante, das provas produzidas no contexto deles?

6 – Carolina A seu ver, o que levou o já antes aqui citado relator da Lava Jato, Edson Fachin, a perguntar que providências a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pretende adotara respeito da suposta entrega de 1 milhão de reais ao primeiro amigo do presidente Temer, coronel PM aposentado João Baptista Lima Filho?

7 – Haisem Quais são os interesses nacionais ou dos cidadãos brasileiros que movem o ministro do STF Marco Aurélio Mello a cobrar da presidente Cármen Lúcia a inclusão da discussão da jurisprudência sobre prisão após segunda instância para o mais breve possível?

8 – Carolina O que terá acontecido na Copa da Rússia ontem, para a Confederação Brasileira de Futebol lamentar no mesmo dia em que a seleção encontrou seu jogo, venceu a Sérvia e classificou-se para as oitavas de final?

SONORA Lorota boa Luiz Gonzaga

https://www.youtube.com/watch?v=dbQGICes3wI

No Blog: Nêumanne entrevista Aninha Franco

No Blog: Nêumanne entrevista Aninha Franco

Solitária opositora de ACM e do PT, Aninha Franco, agitadora cultural em Salvador, vê luz no fim do túnel na sociedade “indignada, assustada, espoliada”

“Somos ex-colônia há pouco tempo, pois considero o Império um prolongamento colonial. Há 130 anos, humanos escravizados percorriam essas ruas do Pelourinho onde o Olodum percussiona e a República resiste ao populismo. Nossas Repúblicas Velha, Nova, Novíssima ainda não fizeram nada para humanizar esse passado”, dispara a poeta, dramaturga e, sobretudo, agitadora cultural que administra um espaço de prosa, poesia e gastronomia, a República Af, no Pelourinho, centro de sua cidade natal, Salvador, capital da Bahia de todos os santos. Militante petista à época do mando de Antônio Carlos Magalhães, hoje ela é pólo da oposição ao PT do novo patriarca, Jaques Wagner, o Jaquinho, favorito na disputa pelo Senado em outubro. No meio do atual conflito entre mortadelas e coxinhas, ela afirma, sem titubear: “Por experiência, devo dizer que ACM foi um opositor muito mais gentil que Jaques Wagner”. E quem quiser que negue.

Aninha Franco, nascida em 1951 em Salvador, naBahia, é leitora voraz e exigente, escritora de publicações homeopáticas. Hedonista. Assentadora de espaços culturais muito frequentados, o Bleff e o Espaço Bleff nos anos 1980, o Theatro XVIII nos Anos 1990 e 2000, a República Af nos anos 2010. Poeta até os anos 1990, historiadora cultural quando necessário, dramaturga sempre que necessário. Colunista, gourmet e bibliófila sempre. Atualmente, acompanha a edição de Anotações sobre o Fim doSéculo na Cidade da Baía, projeto que ganhou a Bolsa Vitae em 2004, com publicação prevista para este ano. E organiza os 14 mil títulos da República, sua cozinha e sua sala de degustações (Sala Ita) “para receber pessoas de bom gosto.”

Nêumanne entrevista Aninha Franco

Em sua República Af, em pleno Pelourinho, Aninha atua em política, poesia, teatro e cultura, especialmente a afro. Foto: Acervo pessoal

Em sua República Af, em pleno Pelourinho, Aninha atua em política, poesia, teatro e cultura, especialmente a afro. Foto: Acervo pessoal

JNP – Nós dois somos da geração em que a produção de arte e cultura era irmã gêmea da liberdade, da criatividade e também da irreverência e da rebeldia. O que está acontecendo no Brasil, que, nestes últimos anos, os artistas, pendurados em verbas do Ministério da Captura passaram a se submeter a partidos e políticos, numa devoção mais religiosa do que leiga?

AF – Sobreviver de arte sempre foi difícil no Brasil, país que surgiu de um entreposto colonial pra enriquecer a Europa. Durante séculos os artistas foram invisíveis e não serviam pra nada. Depois que a televisão lhes deu visibilidade, eles passaram a ser capturados pelo capital/governos do PSDB por meio das leis de incentivo, adaptadas em 2002 aos interesses lulopetistas de controle de pensamento e propaganda. O edital, por exemplo, que era uma ferramenta de incentivo aos jovens talentos até 2002, foi transformado em bolsa de controle artístico. Na Bahia, as comissões que selecionam produções servem ao lulopetismo e os artistas premiados, também. Os espectadores, que não são bobos, se recolheram em casa. A produção cultural baiana está assim neste momento.

N – A senhora virou uma espécie de bastião isolado da contestação na Bahia, que sempre foi um Estado inconformista, desde os tempos de Gregório de Matos, o Boca do Inferno, até o comunista Jorge Amado, o gênio iconoclasta Glauber Rocha e os tropicalistas Caetano Veloso e Gilberto Gil. O que mudou em seu Estado para que esse inconformismo virasse uma procissão de mendigos de verbas cantando loas ao chefão de ocasião e pedindo esmolas a el-rey?

A – A Bahia foi colonizada pelos jesuítas, a serviço do Vaticano. Os jesuítas controlaram sua educação e modelaram sua mentalidade de 1549 a 1759. Viver do Estado é uma prática enraizada na Bahia desde a colônia. E como viver do Estado e fazer oposição ao governo, na Bahia, são antônimos perfeitos, a oposição por aqui é sempre temporária. Faz-se oposição, mas não é nada sério.

Eu sempre estive na oposição. Fiz oposição a ACM, quase sozinha, da juventude à maturidade. O poder de ACM foi longo. Trabalhei para eleger o PT na Bahia, mas quando ele venceu me mudei pra oposição. Por experiência, devo dizer que ACM foi um opositor muito mais gentil que Jaques Wagner. Nos primeiros momentos do governo Wagner, em 2007, eu tive a impressão de que estava sob a gestão de Médici que nós sabemos como foi. Os lulopetistas subalternos são raivosos, ressentidos, e quando chegaram aos seus pequenos poderes acharam – ainda acham – que eram donos do Estado, com tudo o que havia dentro dele.

Aninha recebendo o Prêmio Remington de Poesia das mãos do presidente Austregésilo de Athayde na Academia Brasileira de Letras, em 1976. Foto: Acervo pessoal

Aninha recebendo o Prêmio Remington de Poesia das mãos do presidente Austregésilo de Athayde na Academia Brasileira de Letras, em 1976. Foto: Acervo pessoal

N – Nós dois somos de um tempo em que pessoas que discordavam umas das outras se respeitavam, pois mais do que a defesa desenfreada de convicções, que sempre termina em xingamentos grosseiros, quando não em desforço físico, valiam o fogo e a luz que surgem dos debates. O que, a seu ver, motivou essa transformação, que faz tanto mal à vida social e à necessidade de união para sairmos da encrenca em que nos metemos?

A – A existência de pensamento impõe esse respeito de que você fala. Somos de uma geração educada pela escola laica/pública para pensar, escola que sobreviveu pouco tempo. Quando os jesuítas, que detiveram o monopólio da educação brasileira até meados do século 18, foram expulsos, deixaram a lacuna enorme da educação da colônia, que depois de cem anos de República não foi preenchida. Mas parece que entre os anos 1930 e 1970 houve um projeto bom de educação laica/pública. Eu tive isso que a ditadura desmontou nos anos 1970. E que nenhum político fala em remontar. Por isso o Brasil está esse gigante “pela própria natureza”, à deriva, achando que Lula ou Bolsonaro estão aptos para governá-lo.

N – A Bahia já foi o território de Juraci Magalhães, tenente de 1930, e de Antônio Carlos Magalhães, o ACM, Toninho Malvadeza ou Toninho Ternura, dependendo das circunstâncias, e hoje é território impenetrável do PT, em que Lula é deus, Jaquinho Wagner, seu profeta e Rui Costa, o balançador de turíbulo. A senhora diria que esses coronéis de direita e esquerda seriam azeite de dendê da mesma garrafa?

A – O dendê oligarca de ACM e o dendê aparentemente novo dos sindicalistas têm o mesmo ranço populista. ACM controlou a Bahia durante toda a sua vida adulta. Elegia-se senador e despachava como governador porque ele havia elegido o governador. ACM foi o inventor dos postes que Lula copiou. Controlava os três Poderes com uma habilidade que espantaria Montesquieu. Mas com esse poder exercido por tanto tempo, ele esqueceu de um detalhe importantíssimo: esqueceu que era mortal e estava aqui de passagem, como todos nós. Quando saiu da vida política baiana pela porta da morte, deixou uma massa pronta e deseducada para a política populista dos sindicalistas, que têm entre seus objetivos apagar a memória de ACM do Estado. Estamos neste momento de Bahia.

Homenagem do ator (Cinema Novo) e artista plástico Sante Scaldaferri a Aninha Franco e ao Theatro XVIII. Foto: Acervo pessoal

Homenagem do ator (Cinema Novo) e artista plástico Sante Scaldaferri a Aninha Franco e ao Theatro XVIII. Foto: Acervo pessoal

N – Do Pelourinho, onde fica sediada sua República, a senhora costuma andar para áreas longínquas do imenso território nacional. Quais seriam, segundo suas impressões de viagens, as principais causas da crise moral, política, econômica, financeira, espiritual e social que está levando nosso Brasil velho de Cabrália a virar frege e beleléu?

A – Somos ex-colônia há pouco tempo, pois considero o Império um prolongamento colonial. Há 130 anos, humanos escravizados percorriam essas ruas do Pelourinho onde o Olodum percussiona e a República resiste ao populismo. Nossas Repúblicas Velha, Nova, Novíssima ainda não fizeram nada para humanizar esse passado. E o presente continua perverso com qualquer brasileiro que não seja político. A capacidade de pensar, no Brasil, que sempre foi combatida com ferocidade, com esquartejamentos e torturas, hoje é combatida institucionalmente, com educação de péssima qualidade. Li em Hannah Arendt dos anos 1970 que, possivelmente, 6% de humanos pensavam no planeta e, portanto, eram racionais. Temo conhecer a porcentagem dos que pensam no Brasil de hoje. Mas a irracionalidade brasileira está exposta. E é mortal.

N – Por que a senhora nunca se engajou na palavra de ordem de muitos de seus companheiros de velhos tempos que pregavam o fim da corrupção e hoje querem o juiz Sergio Moro fora e o condenado Lula livre?

A – Eu sou anarquista desde que li Bakunin, quase adolescente. Nunca fui comunista ou socialista. A Polícia Federal invadiu minha casa em 1971 e me levou para o Dops por causa de um cordel que eu escrevi, A História de um Militante nas Unhas de Um Militar, e dei de presente ao meu namorado do PCB, contando como ele entregaria todo mundo quando fosse preso. Ele foi preso e me entregou. Eu estava com 19 anos, mas já sabia que o comunismo tinha um componente (im)previsível: a espécie humana.

Nos anos 1970, Aninha circulava na moto Rocinante, companheira a caminho do Forum (advogou) e das praias de Salvador. Foto: Acervo pessoal

Nos anos 1970, Aninha circulava na moto Rocinante, companheira a caminho do Forum (advogou) e das praias de Salvador. Foto: Acervo pessoal

 N – O que a senhora considera mais daninho para a moral, os bons costumes e os lhanos negócios republicanos: a roubalheira encampada pelo PT e seus cúmplices ou a comodista aceitação da propina pelo PSDB fingindo que era oposição para se dar bem na vida?

A – Os dois. PT e PSDB são iguais. A turma da Segunda Turma (Gilmar, Tofolli e Lewandowsky), nomeada por FHC e Lula para o STF, é a expressão precisa de como o PT e o PSDB são semelhantes e agem da mesma maneira.  Os dois fazem a mesma coisa com regras cerimoniais próprias. Por exemplo, um político do PSDB jamais chamaria sua propina de “pixuleco”. Aécio chamou seu acerto financeiro com Joesley de “empréstimo”. Mas, no final, os maços de dinheiro são a mesma coisa.

N – O que a senhora espera que aconteça na Bahia de Todos os Santos e no Brasil de todos os demônios para que, se não se ufane, como o conde Afonso Celso, ou não se orgulhe, como os patrícios que ainda choram quando ouvem o Hino Nacional nos pódios olímpicos, pelo menos não tenha mais motivos para se envergonhar e até se enojar de nossa Pátria?

A – Eu não tenho a mínima ideia do que acontecerá com a Bahia nos próximos anos. A era oligárquica de ACM acabou. E foi substituída por uma oligarquia sindicalista que tem ACM como modelo. Os sindicalistas repetem todos os defeitos de ACM, mas como são limitados intelectualmente não conseguem repetir suas virtudes. O Estado sindicalista perdeu todas as conquistas dos anos 1990 em cultura e turismo, sob o comando de ACM. E não consegue avançar em nenhuma área. Temos algumas das cidades mais violentas do Brasil, nós que há 30 anos éramos conhecidos por nossa cordialidade. Alguns dos 417 municípios do Estado não produzem nada e sobrevivem de Bolsas Família. E não percebo projetos para alterar isso, infelizmente.

Aninha com a comerciante Socorro, vizinha da biblioteca e da mesa de refeições de sua República Af, no Pelourinho. Foto: Acervo pessoal

Aninha com a comerciante Socorro, vizinha da biblioteca e da mesa de refeições de sua República Af, no Pelourinho. Foto: Acervo pessoal

N – Que critérios a senhora usará para escolher um candidato em quem votar nas próximas eleições de outubro, se é que pode haver algum?

A – Se nenhum dos candidatos me convencer de que pode alterar esse modelo horrível que nos governa desde sempre, votarei em alguém com nenhuma possibilidade de vencer. Já elegi o PT. Não quero ser cúmplice, mais uma vez, da deriva do Brasil.

N – Sua experiência de lutas política e cultural lhe permite enxergar uma luz no fim do túnel ou o farol do trem descarrilado, quando o resultado das contestadas urnas eletrônicas indicar um começo de reconstrução das ruínas da crise total ou a caminhada cega do rebanho de ovelhas?

A – Não vejo nada que possa ser considerado recomeço nos políticos e nas políticas brasileiras neste momento. Mas percebo uma sociedade no fim do túnel, indignada, assustada, espoliada. E nela tem luz.

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

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Nêumanne entrevista Aninha Franco. 11ª. Edição da Série 10 Perguntas. http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne

Nêumanne entrevista Aninha Franco. 11ª. Edição da Série 10 Perguntas. http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne

Podcast Estadão Notícias: Somos todos idiotas?

Podcast Estadão Notícias: Somos todos idiotas?

Chega a ser constrangedor comentar um entre os muitos destaques das decisões absurdas tomadas pela maioria da Segunda Turma do STF na tarde da terça-feira 26 de junho, mas, ainda assim, tomo a liberdade de escolher um tema: o arrogante desprezo manifestado por Gilmar Mendes, um dos responsáveis pelo despautério dos que impuseram mais uma derrota ao relator da Lava Jato, Edson Fachin, pela jurisprudência do colegiado e pela inteligência da patuleia que lhe paga o mais alto salário do serviço público no Brasil. Ao argumentar que a decisão de mandar soltar Zé Dirceu não desafia a autorização dada pelo plenário de dar início ao cumprimento de pena de condenados em segunda instância, Sua Magnificência nos chama todos de idiotas. Terá ele razão? Este é meu comentário no Estadão Notícias, no Portal do Estadão desde 6 horas de quarta-feira 27 de junho de 2016.

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