Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Direto ao Assunto

Comentário no Jornal Eldorado: Fanático feriu Bolsonaro

Comentário no Jornal Eldorado: Fanático feriu Bolsonaro

A facada desferida no abdome do deputado Jair Bolsonaro (PSL) pelo servente de pedreiro Adélio Bispo de Oliveira não resultou de um gesto isolado de um doente mental, versão que alguns oportunistas apressadinhos nos querem impor goela abaixo. O agressor não tinha nenhum motivo pessoal para esfaquear a vítima e seu solícito advogado chutou a lógica para longe ao dizer que seu cliente não queria matar, mas apenas ferir seu alvo. Os resultados do gesto assassino falam por si só para desmentir essa lorota. Trata-se de crime político, que atenta contra a democracia e tem que ser tratado com rigor, total busca da verdade e sem explorações nojentas.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na sexta-feira 7 de setembro de 2018, às 7h30m)

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Assuntos para o comentário de 7 de setembro de 2018

 

1 – Haisem – O atentado contra o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora, Minas Gerais ontem, à tardinha, foi um gesto isolado de loucura, uma agressão fortuita a uma pessoa desconhecida ou um ato de terrorismo político contra a democracia?

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2 – Carolina – Após a facada, a Polícia Federal, responsável pela segurança dos candidatos na eleição de outubro pronunciou-se oficialmente contando que prendeu o “suspeito” e socorreu a vítima, levando-a ao hospital. Isso basta para que a Nação entenda que os responsáveis pela escolta de Bolsonaro cumpriram, de fato, seu dever?

 

3 – Haisem – O presidente Michel Temer chamou o fato de intolerável. O estepe de Lula na campanha eleitoral, Fernando Haddad, disse aos sites My News e Congresso em Foco que seus correligionários, que são democratas, não podem aceitar provocações. Geraldo Alckmin, do PSDB, retirou os ataques ao candidato ferido de sua propaganda no rádio e na televisão. O que você tem a dizer sobre as reações de autoridades e adversários à atitude de violência contra o deputado? Em que o atentado mudará a campanha?

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4 – Carolina – Que atitudes você espera agora de Temer, do PT, do PSOL, partido de extrema esquerda em que o agressor militou até pouco tempo atrás, e os adversários em geral do candidato do PSL deveriam adotar para que o episódio de Juiz de Fora não tenha funestas conseqüências sobre a campanha e o Estado de Direito no Brasil?

 

5 – Haisem – Depois que o relator da Lava Jato, o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, negou recurso do PT para cancelar a condenação que impede Lula de disputar a eleição presidencial, o decano do STF, ministro Celso de Melo, também adotou a mesma postura. O que os lulistas estão esperando para cumprir ordens peremptórias dos juízes?

 

6 – Carolina – O que você achou das indignadas mensagens de Michel Temer nas redes sociais contra seus ex-aliados Geraldo Alckmin e Fernando Haddad?

 

7 – Haisem – Que tipo de incômodo podem ter criado para o presidente da República as conclusões do inquérito sobre propinas da Odebrecht ao MDB que o comprometem, assim como também lançam suspeitas sobre seus auxiliares próximos Eliseu Padilha e Moreira Franco?

 

8 – Carolina – Quem é a convidada e qual é o principal tema da edição desta semana da série Nêumanne entrevista publicada no Blog do Nêumanne?

 

Comentário no Estadão Notícias: Crime de Juiz de Fora é político

Comentário no Estadão Notícias: Crime de Juiz de Fora é político

Ao homem pobre, negro e esquerdista que esfaqueou o deputado Jair Bolsonaro, do PSL, não podem ser concedidas atenuantes da violência seja por sua condição social, seja por sua militância política, seja por alguma eventual debilidade mental de que possa ter sintomas. Ele não era um desafeto pessoal com motivos particulares para tentar ferir e assassinar a vítima, mas, ao contrário, é uma pessoa mobilizada pela divergência de natureza ideológica com o político que o levou a atacá-lo. Ou seja, um terrorista, cujos objetivos e interesses precisam ser devassados pela polícia para que a Nação possa ser esclarecida de tudo e as eleições não venham a ser contaminadas por sua brutalidade. Este é meu comentário no Estadão Notícias, no ar desde 6 horas da sexta-feira 7 de setembro de 2018.

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No Blog: Nêumanne entrevista Mary Del Priore

No Blog: Nêumanne entrevista Mary Del Priore

Somos todos culpados pelo incêndio do museu, acusa historiadora

Autora de 41 livros sobre História do Brasil, Mary Del Priore pergunta: “o que esperar de uma corja de ladrões incompetentes que nunca pisaram num museu?”

Emocionada com o trágico incêndio que devorou a coleção insubstituível do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, domingo, no Rio, a historiadora Mary Del Priore, disparou: “a pergunta devia ser: o que fazemos com a nossa indiferença?” Em sua opinião, “ao buscar “culpados” pelo incêndio, raramente pensamos que os culpados somos nós, o povo. Qual a parede que não está pichada? Qual o busto ou placa de bronze que não foi derretido? Quantos casarões coloniais não viraram estacionamento? Quantos pais levam filhos aos museus, em vez de levá-los ao shopping? E pior, quantos se incomodam com que isso aconteça? Passamos com absoluta insensibilidade diante das perdas de nosso patrimônio. Afinal, ele é ‘público’. A preocupação com o bem público não faz parte da mentalidade da grande maioria.” E não perdoou a chamada elite na sérieNêumanne entrevista: “Nossos ‘ricos’ preferem um apartamento em Miami ou uma quinta em Portugal a ajudar o País. Quanto às autoridades públicas, com raras exceções, o que esperar de uma corja de ladrões incompetentes que certamente nunca pisaram num museu?”

Autora do sucesso de crítica e vendas História da Gente Brasileira entende que solução da crise brasileira passa pela melhora radical da educação. Foto: Acervo pessoal

Autora do sucesso de crítica e vendas História da Gente Brasileira entende que solução da crise brasileira passa pela melhora radical da educação. Foto: Acervo pessoal

Mary del Priore é autora de 51 livros sobre História do Brasil, ganhadora de mais de 20 prêmios literários nacionais e internacionais, entre os quais, três Jabutis. Pós-doutorada pela École des Hautes Études em Sciences Sociales, de Paris,  lecionou nos Departamentos de História da FFLCH-USP e da PUC-RJ  e atualmente ministra aulas na pós-graduação da Universidade Salgado de Oliveira. Colabora com periódicos científicos e não científicos nacionais e internacionais, anima o programa Rio de Histórias, da Rádio CBN-RJ, é consultora de cineastas como Daniela Thomas, Beto Amaral e Estevão Ciavatta, sócia do IHGB, do IHGRJ, PEN Clube do Brasil e membro da Academia Carioca de Letras, entre outras academias internacionais, como a Real Academia de Espanha.

A seguir Nêumanne entrevista Mary Del Priore:

Mary Del Priore ladeada por seus amigos Luís Fernando Veríssimo, colunista, à sua direita e, à esquerda, Zuenir Ventura, acadêmico. Foto: Acervo pessoal

Mary Del Priore ladeada por seus amigos Luís Fernando Veríssimo, colunista, à sua direita e, à esquerda, Zuenir Ventura, acadêmico. Foto: Acervo pessoal

Nêumanne – Como frequentadora habitual do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, como pesquisadora e historiadora, qual foi seu sentimento após ter tomado conhecimento da tragédia terrível do incêndio que destruiu completamente aquela instituição pública de importância capital para a memória e a cultura brasileiras?

Mary Del Priore – Tenho um sentimento de profundo pesar, mesmo de luto, pois é uma perda que afetará as gerações futuras. Felizes os que conheceram o acervo do museu, puderam ali realizar pesquisas ou teses ou se encantaram em simplesmente percorrer os mesmos salões que percorreram a família de monarcas portugueses e, depois, os imperadores brasileiros. Lugar de memória de nossa História, o Museu Nacional não contava apenas a grande História, por ter sido palco da assinatura da independência ou espaço onde republicanos se reuniram para elaborar a Constituição de 1891, mas também da pequena história. Ali dom Pedro II tomava sua canja de galinha todas as noites, a imperatriz Leopoldina deu à luz nove filhos e faleceu em profunda solidão, dom João VI recebia seus súditos para o beija-mão ou dom Pedro I cruzava os jardins para encontrar a marquesa de Santos. Para além da belíssima coleção de história natural, que impressionava as crianças com múmias e dinossauros, foi-se uma parte da História do Império brasileiro. Para apagar novos incêndios só muita, muita educação!

N – Recentemente foi feita uma vaquinha para reabrir a sala dos dinossauros no museu da Quinta da Boa Vista. Além de ser uma vergonha inominável, o que dizer do desempenho de nossas autoridades, preocupadas apenas em dilapidar o patrimônio público e que foram incapazes de salvá-lo depois de dado esse sinal?

– A “vaquinha” não é problema, nem vergonha. Em museus europeus, notadamente nos ingleses, é comum o frequentador participar da aquisição de nova obra ou do restauro de partes do museu, com doações. Podem ser mínimas. Abre-se uma lista e deposita-se, com maior ou menor generosidade, uma quantia que servirá ao bem comum. Em outros países, EUA, França ou Holanda, os grandes mecenas se encarregam de colaborar com as instituições de cultura. Uma política fiscal impulsiona os donativos e alimenta a promoção social. Entre nós, raro o museu que não tenha uma sociedade de amigos. Sua eficiência, porém, varia de uma instituição para outra. No Brasil, nomes como Angela Gutierrez, Milu Villela, Paula e Sílvio Frota, Carlos Lessa através do BNDES e Roberto Marinho através da fundação que leva seu nome deram exemplo de civilidade impecável, restaurando o patrimônio ou dando acesso a suas coleções ao grande público. São casos raros e raramente copiados. Nossos “ricos” preferem um apartamento em Miami ou uma quinta em Portugal a ajudar o País. Quanto às autoridades públicas, com raras exceções, o que esperar de uma corja de ladrões incompetentes que certamente nunca pisaram num museu?

N – O que a envergonha mais: ter um criminoso condenado por crimes comuns como corrupção passiva e lavagem de dinheiro protagonizando as atenções em torno da disputa pela Presidência da República e um acusado por delitos como incentivo ao estupro e racismo com possibilidades reais de chegar ao topo do poder federal, ou não ver nenhum dos candidatos à eleição de outubro manifestar uma palavra de repúdio ao completo menoscabo do valioso patrimônio público acumulado em séculos?

M – Os eleitores dos candidatos descritos acima não estão preocupados com cultura, e sim com saúde, segurança e emprego. Ambos os candidatos são uma das caras do Brasil. Ao buscar “culpados” pelo incêndio, raramente pensamos que os culpados somos nós, o povo. Qual a parede que não está pichada? Qual o busto ou placa de bronze que não foi derretido? Quantos casarões coloniais não viraram estacionamento? Quantos pais levam filhos aos museus, em vez de levá-los ao shopping? E pior, quantos se incomodam com que isso aconteça? Passamos com absoluta insensibilidade diante das perdas de nosso patrimônio. Afinal, ele é “público”. A preocupação com o bem público não faz parte da mentalidade da grande maioria. E só corrigiremos isso com educação, com professores de História apaixonados pelo que fazem, com séries de TV que não transformem nossos personagens históricos em caricaturas, com obras acessíveis ao grande público. Não adianta ter museus impecáveis com salas vazias. Para que os brasileiros tenham interesse em respeitar o patrimônio histórico é preciso fazê-los entender que seu passado é parte do presente. Que a memória é parte de sua identidade. E que jamais saberemos quem somos se não soubermos quem fomos.

Foto publicada na orelha do livro de Mary Del Priore Matar para não morrer sobre trágico triângulo amoroso de Euclides da Cunha e Anna e Dilermando de Assis. Foto: Divulgação

Foto publicada na orelha do livro de Mary Del Priore Matar para não morrer sobre trágico triângulo amoroso de Euclides da Cunha e Anna e Dilermando de Assis. Foto: Divulgação

Rio de Janeiro, onde Mary nasceu e cenário da tragédia da Quinta da Boa Vista no domingo 2 de setembro de 2018, é tema de várias de suas pesquisas históricas. Foto: Acervo pessoal

Rio de Janeiro, onde Mary nasceu e cenário da tragédia da Quinta da Boa Vista no domingo 2 de setembro de 2018, é tema de várias de suas pesquisas históricas. Foto: Acervo pessoal

N – Será enganosa a impressão que o cidadão comum e leigo em História tem de que as elites dirigentes no Império e nos anos anteriores da República tinham mais pudor e vergonha na cara do que os atuais políticos que foram definidos por Raimundo Faoro como “donos do poder”?

M – Outra época, outros perfis, mas nenhum deles hegemônico. Também no Império a elite política tinha bases econômicas muito diversas. Seus representantes saíam da Guarda Nacional, da Câmara dos vereadores ou eram indivíduos ricos de uma localidade. Muitos padres e juízes integravam os escalões políticos. O que contava eram os laços locais, regionais e as relações com o Estado.  Não por acaso, Getúlio Vargas tentou criar, com Luís Simões Lopes, uma escola nacional deAdministração, nos moldes da ENA francesa, para evitar o que vemos hoje no Congresso: semianalfabetos, sem nenhuma formação que lhes permita contribuir para o bem comum. Max Weber dizia que existiam políticos que viviam para a política e os que viviam da política. Parece que só temos os do segundo grupo. Hoje, a democracia representativa está fragilizada por vários motivos. Fronteiras porosas entre as divisões sociais, surgimento de uma classe média sem interesse em política, fragmentação das divisões esquerda e direita e divisões políticas que simplesmente desaparecem nas agendas, cada vez mais iguais, permitem a ascensão de oportunistas e incompetentes. E diante da instabilidade fazemos do passado um cenário nostálgico e ideal. Não foi bem assim.

N – Até que ponto o descaso dos responsáveis pela gestão do Estado brasileiro pode ser responsabilizado por uma tragédia irreparável e das dimensões dessa da noite de domingo?

M – Penso que os leitores estão informados de que o Estado brasileiro está claudicante. Que os representantes, no poder graças à democracia e ao voto, têm como objetivo básico seu único e exclusivo enriquecimento. Resultado? Não há dinheiro para o bem público. Os privilégios no serviço público, que é, aliás, péssimo, são escandalosos. A administração dos recursos públicos orçamentários, desastrosa. As pressões para a manutenção de privilégios fiscais e previdenciários, criminosas. A cultura “sangra”, como disse alguém? Sim. E vai sangrar até reformas previdenciária e fiscal serem aprovada, até termos caixa para alimentar as inúmeras necessidades dos vários ministérios. Até voltarmos a crescer. E crescer valorizando a educação, que é base de tudo, para todos.

N – O que explica a indiferença de nossos homens públicos e da sociedade em geral em relação à situação lamentável em que se encontra, por exemplo, o Museu da Independência, da USP, no Ipiranga, em São Paulo, e outras instituições da importância do Arquivo Nacional, da Biblioteca Nacional, etc.? Como deter esses crimes de lesa-memória e lesa-cultura, que estão aí à vista de todos, e nada se faz para acabar com o despautério?

M – Disse bem: à vista de todos. E o que faz a sociedade? Lê jornais, assiste na TV. E… segue em frente. Temos uma sociedade com parcelas mínimas sensíveis aos crimes de lesa-memória. A começar pelos políticos, que não fazem valer a Lei de Arquivos para os municípios, ou seja, a preservação da história da política municipal, pois ali os pesquisadores do futuro só encontrarão furos. “Aonde foi o dinheiro que estava aqui? O gato comeu!” Por que a ANPUH não se manifesta em torno da valorização e divulgação de tais instituições ou se cala no debate sobre biografias? Por que as universidades não dialogam nacionalmente com a escola pública para melhorar o ensino e mudar a camisa de força do vestibular de História? E a comunidade, o que faz pela preservação de sua cena histórica, a igreja, a praça e o coreto, os sobrados? Creio que o único momento em que vozes se levantaram contra o crime de lesa-memória foi nas décadas de 30 e 40: Gilberto Freyre e José Mariano capitanearam um movimento de valorização da arquitetura colonial e imperial, contra a devastação de bairros históricos e o crescimento de muros e paliteiros em todas as capitais. E Maria do Carmo Nabuco e o casal Ana Maria e John Parsons, que salvaram Tiradentes, nos anos 60.  A pergunta devia ser: o que fazemos com a nossa indiferença? Podemos imaginar que as desigualdades sociais permitem que as classes desfavorecidas não se identifiquem com a dita “alta cultura”, cultivando sua memória de outro jeito. O que poderia significar para um morador do Morro do Alemão o Museu Nacional, casa dos imperadores brasileiros? Nada, se ele não conhecer a História do Brasil.

 N – Como profunda conhecedora da História do Brasil, a senhora é capaz de identificar em algum momento dela uma situação tão desoladora como esta em que nos encontramos agora, como resultado da crise ética, econômica, financeira e institucional, para a qual não parece haver saída possível?

M – O Brasil conheceu, regionalmente, crises terríveis que esquecemos. Para ficar em alguns exemplos, as elites políticas provocaram a Revolta Federalista, com cerca de 30 mil mortos e a degola institucionalizada; na Bahia, em 1910, a “campanha civilista” de Rui Barbosa e Hermes da Fonseca  provocou o canhoneio da cidade, com luta campal e centenas de corpos chegando às praias de Rio Vermelho e Porto da Barra; sem contar São Paulo, em 1930, com luta armada entre irmãos, bombardeio da capital e do interior e milhares de mortos. Mas hoje a situação é nova e não pode ser comparada a nenhuma anterior. O Brasil mudou, mas o mundo também. A globalização e a digitalização são fenômenos recentes cujos efeitos em nosso país ainda não podemos medir. Crises? Todas têm seu fim. Resta saber se a atual trará melhoramentos estruturais que nos permitam concretamente progredir.

Mary Del Priore pergunta sem subterfúgios: "o que esperar de uma corja de ladrões incompetentes que certamente nunca pisaram num museu?”. Foto: Acervo pessoal

Mary Del Priore pergunta sem subterfúgios: “o que esperar de uma corja de ladrões incompetentes que certamente nunca pisaram num museu?”. Foto: Acervo pessoal

N – Que lições da História do Brasil poderemos compulsar para nos indicarem os caminhos de saída e de superação desse ambiente de desespero provocado pelo desemprego, pela falta de perspectivas denotada pela total ausência de espírito público e civismo até em momentos cruciais como as eleições gerais, incluída a presidencial, marcadas para outubro?

M – De fato, as instituições brasileiras, a Constituição e as organizações político-administrativas contribuíram, e muito, para provocar tal situação. Todos sabemos que o Brasil não pode mais suportar o custo de uma organização altamente ineficiente e corrupta. Reformar o sistema político é obrigatório, ou não teremos verdadeiras mudanças.

 N – O mensalão e a Operação Lava Jato deram à Nação a esperança de que, pelo menos, a devassa da corrupção ilimitada dos últimos anos pudesse identificar, punir e prender os responsáveis por essa poucavergonha, mas a reação organizada dos partidos e políticos põe essa perspectiva sob sério risco. Ainda crê que seja possível desatarmos ou deceparmos o nó górdio desse impasse? Como sairmos dessa encalacrada se não avançarmos no combate à impunidade, iniciado no último decênio?

M – Mensalão e Lava Jato são operações que merecem todo o respeito e apoio da sociedade, como, aliás, vêm recebendo. Sou grande admiradora de Sergio Moro. Mas elas apontaram uma judicialização crescente. Economias saudáveis não podem depender da decisão de juízes, que por mais sábios que sejam são inexperientes em inúmeros aspectos do que devem julgar. A deriva jurídica fornece um álibi segundo o qual o País se regeneraria por meios judiciais, sem atacar nem resolver as causas da corrupção. E mais: da ineficiência nacional. A economia do País estaria preparada para tal juducialização? O exemplo da Itália demonstra que as dificuldades de limpar um sistema corrupto dependem muito mais da adesão popular a certas regras do que da exemplaridade das condenações.

 – A senhora ainda tem alguma esperança de que, mesmo que leve muito tempo e exija muita paciência, o Brasil terá capacidade para se reerguer do estado atual de descalabro da administração pública e dessa mistura de indignação e indiferença da maioria silenciosa?

M – Sim. Penso que o Brasil tem 220 milhões de habitantes e é dotado de um tecido econômico capaz de fabricar de aviões a carros, de recursos naturais que vão de petróleo a commodities, e com a presença, até agora, de grandes empresas estrangeiras. O Brasil não tem problemas econômicos. Tem problemas políticos. E de políticos que não se empenham em resolver os problemas básicos de saúde, educação e segurança. De políticos que pouco fazem para resolver o problema de desigualdade pela criação de empregos, e não distribuição de bolsas. Mas com os vagabundos que elegemos como políticos as soluções não virão em curto prazo. Está na hora de assumirmos a possibilidade de votar como cidadãos conscientes. Se todos os brasileiros soubessem como a conquista do voto democrático foi difícil e sofrida, dariam mais valor ao gesto e… à História!

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Saiba mais sobre Mary Del Priore. Assista aos vídeos. Clique nos links abaixo:

Mary no Jô

https://www.youtube.com/watch?v=zmK1ntzPQp0

Mary Sala de Visita

https://www.youtube.com/watch?v=7L0GyBKNqoA

Nêumanne entrevista Mary Del Priore. 21ª EDIÇÃO DA SÉRIE 10 PERGUNTAS

Nêumanne entrevista Mary Del Priore. 21ª EDIÇÃO DA SÉRIE 10 PERGUNTAS

Comentário no Jornal da Gazeta 1: Atentado à liberdade

Comentário no Jornal da Gazeta 1: Atentado à liberdade

Facada em Bolsonaro não é agressão pessoal, mas ato contra democracia

(Comentário no Jornal da Gazeta 1 quinta-feira 6 de setembro de 2018)

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Estadão às 5: Bolsonaro esfaqueado

Estadão às 5: Bolsonaro esfaqueado

Atentado a Jair Bolsonaro em Juiz de Fora é um crime abominável contra a democracia, porque não há justificativa nenhuma para alguém tentar assassinar um cidadão que se candidata à Presidência da República, seja quais forem as diferenças de ideologias ou de atitudes entre agressor e vítima. O triste episódio traz também à tona a inoperância da Polícia Federal num trabalho elementar como é o de garantir a segurança de candidatos com registro assegurado pelo TSE,  caso do deputado do PSL. Urge agora que o Estado brasileiro seja rápido e eficiente, como não o foi na hora de evitar a agressão, para devassar a vida pregressa do autor e descobrir o que realmente causou seu gesto infame. Este é um dos comentários que fiz no Estadão às 5, transmitido do estúdio da TV Estadão na redação do jornal, ancorado por Emanuel Bomfim e retransmitido por Youtube, Twitter e Facebook na quinta-feira 6 de setembro de 2018, às 17 horas.

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Comentário no Jornal Eldorado: Lula, a farsa

Comentário no Jornal Eldorado: Lula, a farsa

Ninguém pense que a negativa do relator da Lava Jato no STF conterá o ímpeto de adiar o fim da falsa candidatura de Lula à Presidência pelo PT. A defesa do petista disfarçará sua frustração ao constatar que o voto sem nexo do ministro Edson Fachin na decisão do TSE a favor da impugnação da farsa da eventualidade de o inelegível ser autorizado a disputar a eleição seria repetido por este nos julgamentos levados à última instância. Afinal, além de protelarem a vil mentira, que mantém o eleitor enganado, esses recursos, aparentemente sem fim, nutrem o que os lulistas chamam de “perseguição” a seu ídolo, incluindo o menosprezo pela autonomia da Justiça brasileira a pretexto de sugestão da ONU.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 6 de setembro de 2018,às 7h30m)

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Abaixo, os assuntos para o comentário da quinta-feira 6 de setembro de 2018

 

1 – Haisem – O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, já rejeitou mais uma vez pedido da defesa de Lula para afastar o impedimento da candidatura do cliente à presidente da República. Quantos recursos mais ainda estão por vir?

 

2 – Carolina – Que esperanças de resgate da reputação e do desempenho das instituições de nossa democracia você encontra nas recentes declarações do novo presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro João Otávio de Noronha a respeito da forma como deve ser recebida a sugestão encaminhada pelo comitê de direitos humanos da ONU?

 

3 – Haisem – Que efeitos negativos você prevê para a candidatura do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, depois da ação ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo, que o acusa de improbidade administrativa?

 

4 – Carolina –O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Leher, e o diretor do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, Alexandre Kellner, estão saindo bem ou mal da catástrofe anunciada que foi o incêndio que devastou a instituição no domingo passado?

 

5 – Haisem – Por que, ao contrário de outros incêndios que tiveram grande cobertura da mídia historicamente, os bombeiros do Rio de Janeiro estão sendo tão criticados por seu desempenho na tentativa de debelar o fogo que consumiu o acervo de 20 milhões de itens do Museu Nacional?

 

6 – Carolina – O que você acha da postura assumida pelo presidente Michel Temer ao reagir ao descalabro da administração pública no Museu Nacional e em muitas outras instituições museológicas do País?

 

7 –Haisem – O que mais lhe chamou a atenção ao acompanhar as reações de pessoas destacadas nos cenários político, administrativo, artístico, cultural e científico ao incêndio na Quinta da Boa Vista?

 

8 – Carolina – Que papel foi desempenhado pela atriz Beatriz Segal na história do teatro e da televisão no Brasil?

 

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