Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Direto ao Assunto

No Blog do Nêumanne: Casuísmo,  não!

No Blog do Nêumanne: Casuísmo,  não!

Ao ameaçar proibir prisão de condenados em segunda instância, STF recua ao Estado Novo e à ditadura militar

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve negada pela oitava turma do Tribunal Federal  Regional da 2.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, sua apelação contra a condenação a nove anos e meio de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, lavrada pelo titular da 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Sergio Moro. Como a decisão de colegiado na segunda instância encerra a discussão do processo no âmbito dos fatos – ou seja, ele é considerado criminoso pela Justiça –,  resta-lhe apenas apelar para as instâncias superiores em questões de Direito (contagem da pena, tipo de prisão, etc.). Torna-se inócua a discussão sobre o direito basilar do réu, a presunção da inocência. Além do mais, o ex-presidente petista torna-se inelegível por dispositivo da Lei da Ficha Limpa, que interdita a candidatura de condenados em segunda instância a mandatos políticos.

Como a política brasileira é um ambiente propício a adivinhações, profecias e que tais, contudo, discute-se muito mais o futuro incerto do condenado do que a decisão peremptória, tomada por três a zero, ou seja, unanimidade, na última discussão possível sobre o fato do crime. Agora. o debate corre por conta de duas consequências da confirmação da condenação. A que mais interessa é a da Ficha Limpa, posta em dúvida sobre os trâmites aos quais a defesa ainda pode recorrer para permitir registrar na Justiça Eleitoral a candidatura do eterno pretendente à Presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Ele também é considerado o único candidato viável de esquerda ao posto mais alto da hierarquia republicana. Outra questão que se introduz à discussão, mesmo diante do fato consumado, é a da eventualidade de o condenado vir a ser preso, ou melhor, ser dado início à execução de pena que lhe foi imposta.

Nestes interregnos entre apurações, a moda no Brasil são os levantamentos de opinião pública. O índice mais impressionante do último Datafolha, divulgado em dezembro do ano passado, é o que constata que mais da metade dos entrevistados (54%) querem que Lula seja preso. No quesito elegibilidade, o mesmo líder petista, à época já condenado a nove anos e meio de prisão na primeira instância, lidera a disputa presidencial com 36% dos votos definidos, superando, então, de longe, os adversários preferidos, Jair Bolsonaro (PSC), oscilando em 16% e 17%, e Marina Silva (Rede), entre 13% e 14%, nos cenários propostos. Dado quase importante quanto este diz respeito a preferência e rejeição. No caso da mesma pesquisa Datafolha, mantém-se o número dos eleitores que pretendem votar em Lula e cai o dos que não votariam nele de maneira nenhuma, com um detalhe: há mais eleitores que não votariam nele de maneira nenhuma (42%). Ou seja, devagar com o andor que o santo é de barro. E barro frágil.

E aí avulta a questão da possibilidade de prisão, determinada pelos desembargadores do TRF-4 em sua sentença, na qual a pena prevista inicialmente foi aumentada para 12 anos e um mês e ficou esclarecido que pode começar a ser executada assim que julgados os embargos de declaração. Convém esclarecer aqui mais uma tecnicalidade jurídica: como nenhum membro da oitava turma aceitou o recurso contra a condenação, o condenado não tem direito a embargos ditos infringentes, daquela natureza dos concedidos a vários réus do mensalão pelos membros do Supremo Tribunal Federal (STF), só cabendo à defesa de Lula agora apresentar os de declaração. Ou seja, que os julgadores informem à parte que recorreu em relação à dúvida, omissão ou contradição. Nem o mais apaixonado devoto do padim Lula tem esperança de o TRF-4 acolher embargos do gênero e, portanto, espera-se que sejam negados.

Diante disso, afigura-se claramente a perspectiva da decretação da prisão, automaticamente, pela própria corte. Se isso ocorrer, previu o presidente Temer, não se sabe se por temor ou prevenção, o País será “tensionado”, seja lá o que isso queira dizer. A História recente não autoriza o pródigo e incauto arroubo de Sua Excelência. Em 2015, quando o impeachment da afilhada de Lula  Dilminha passou a assombrar a tigrada, Lula em pessoa sacou a ameaça que até hoje ecoa no mundo político e inquieta tímidos e espertinhos: “Também sabemos brigar, sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas”. Mais explícito ainda foi o presidente da Central Única de Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, que, no Palácio do Planalto, transformado em trincheira da resistência dos continuístas, disparou: “Se esse golpe passar, não haverá mais paz no País”. Na verdade, só os 12,5 milhões de desempregados da crise provocada pela irresponsabilidade populista de Lula e Dilma, com a cumplicidade dos sindicalistas da CUT, de fato não tiveram paz desde a instalação da crise. Já Stédile e Vagner foram desmentidos pelos fatos. O impeachment passou com apoio de mais de dois terços da Câmara e da maioria da população e nem mesmo a bazófia impune de Vagner o fez perder a própria paz.

O vice que elegeu Dilma duas vezes com seu partidão não foi forçado a atender aos berros de “Fora Temer”, assim como o amigão deste, Gilmar “deixa que eu solto” Mendes, não teve de sair do STF para atender aos que gritam seu sobrenome junto com a interjeição hostil “fora” num raro voo em avião de carreira, como se viu neste fim de semana, quando voltava para casa depois de um reconfortante séjour na velha Lisboa.

Agora a ameaça se repetiu. Antes da condenação, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), exibiu o tamanho do erro de sua escolha pelo chefão para o cargo ao produzir o disparate: “Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais do que isso, vai ter que matar gente. Aí, vai ter que matar”. No dia seguinte, teve de recorrer à velha desculpa de que era apenas uma força de expressão.

Expressar-se sempre foi o forte de Lula, nunca o de Gleisi. Mas, depois da condenação, ela arriscou: “A partir deste momento, é radicalização da luta”. Mais imprudente foi o senador Lindbergh Farias, que foi além do presidente do PT de São Paulo, Luiz Marinho, que recorreu ao lugar-comum de “apagar fogo com gasolina”. Lindinho pregou “a rebelião das ruas, a desobediência civil”, misturando bugalhos nazistas com alhos pacifistas, como se estes não fossem como água e óleo, que não se misturam. Inspirou-se no próprio Lula, que, em entrevista à Playboy dos tempos de greve, disse que seus heróis favoritos eram Hitler e Gandhi. “Se prenderem o Lula, aí, meu amigo, a vitória é no primeiro turno”, completou, prevendo o que o Datafolha já tinha insinuado: a possibilidade de um presidiário disputar a eleição mais relevante do País.

A não ser que estejam incorretos os jornais deste fim de semana, que flagraram uma conspiração em marcha, o STF prepara-se para recuar na decisão anterior de permitir a prisão de condenado em segunda instância. Gilmar Mendes já virou a casaca. E Alexandre de Moraes, que substitui Teori Zavascki, namora a hipótese do terceiro turno, ou seja, da “terceira instância”, apresentada por Dias Toffoli, que nunca passou num concurso para juiz, mas foi advogado do PT e da República na hora conveniente.

Permito-me contar um particular. Cármen Lúcia telefonou-me para convidar para a sua posse na presidência do STF. Declinei. No telefonema,  ela garantiu, de forma incisiva, que, tendo sido vencedora por três vezes na decisão sobre a segunda instância, não agendaria a votação do princípio novamente, como insiste o relator, Marco Aurélio Mello. Caso ela recue, jogará por terra todo o esforço que tem feito para sustentar sua biografia em saliva, fazendo as melhores frases da cúpula do Judiciário, mas nem sempre as confirmando com atos. O recuo ao tal trâmite em julgado, em nome da presunção da inocência, que nem um bebê de colo daria ao presidente que a nomeou para o STF, Lula em pessoa, é um casuísmo. Como aquele da Lei Teresoca, do Estado Novo, sob os auspícios de Chico Ciência, e os dos drs. Gaminha e Buzaid, a serviço da ditadura militar. Lei Luloca? Vade retro!

A quebra da paz social é má lorota. O impeachment de Dilma, a condução coercitiva, a condenação em primeira instância, a confirmação em segunda e a perda do passaporte de Lula – tudo isso passou em brancas nuvens, sem tempestades maiores. Ninguém se incendiou em praça pública, como o monge budista o fez pela paz no Vietnã. E, para concluir, a deusa Clio mandou mais uma ironia para o caso: Obama e Bono Vox não foram a Porto Alegre clamar por Lula. E ele foi privado de chorar as mágoas em Adis Abeba, Paris ou Berlim –  onde, diziam os antigos, ainda há juízes.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 29 de janeiro de 2018)

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Comentário no Estadão às 5: Lorotas temerárias

Comentário no Estadão às 5: Lorotas temerárias

Em circuito em emissoras de rádio e televisão de São Paulo – Bandeirantes, Amaury Júnior e Sílvio Santos – o presidente Michel Temer voltou a defender a lorota de que preferia vencer Lula nas urnas a vê-lo preso, de vez que a prisão do adversário “tensionaria” o País. Em primeiro lugar, em que preceito o “constitucionalista” de Tietê se apoia para defender a hipótese de um condenado por crime em segunda instância, caso do ex-dirigente metalúrgico, dispute qualquer eleição? Em segundo lugar, quem garantiria que ele seria agora, a dez meses da disputa, que ele seria derrotado. “Tensionado” fica o País por ter um chefe do Executivo que recebeu um delinquente na calada de noite no palácio onde vive, e se livrou de investigação criminal comprando com dinheiro público maioria da Câmara? Isso é cuspir na faixa presidencial. Este é um dos comentários que fiz no programa Estadão às 5, transmitido do estúdio da TV Estadão no meio da redação do jornal, ancorado por Adriana Ferraz e retransmitido pelas redes sociais Youtube, Twitter, Periscope Estadão e Facebook na segunda-feira 29 de janeiro de 2018, às 17 horas.

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Comentário no Jornal da Gazeta 2 : A serviço de políticos

Comentário no Jornal da Gazeta 2 : A serviço de políticos

Apesar do TRF4, STF continua trabalhando para sua freguesia política

(Comentário no Jornal da Gazeta 2 quinta-feira 25 de janeiro de 2018)

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Comentário no Jornal da Gazeta 1: Sem lei não há democracia

Comentário no Jornal da Gazeta 1: Sem lei não há democracia

Com Lula fora da lei, asseclas e oportunistas também se arriscarão

(Comentário no Jornal da Gazeta 1 quinta-feira 25 de janeiro de 2018)

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Podcast Comentaristas da Rádio Eldorado: Descrédito e galhofa

Podcast Comentaristas da Rádio Eldorado: Descrédito e galhofa

Meu Direto ao assunto abre o Podcast Comentaristas da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na manhã de 26 de janeiro de 2018 constatando que Lula fica fora da lei ao declarar que não respeita decisão definitiva da Justiça de que é corrupto; juiz substituto de Brasília manda PF recorrer o passaporte do petista, aumentando a lista dos que o PT acusa de o perseguirem politicamente; se Cármen Lúcia ceder a pressões de Marco Aurélio e Gilmar pondo em votação de novo princípio da possibilidade de prisão para condenados em segundo instância, instituindo assim a Lei Luleco, aumentará o descrédito e a galhofa sobre sua gestão e sua grei; e a incapacidade de esta aprender as lições do julgamento no TRF4. Eliane Cantanhêde comenta o PT ratificando pré candidatura Lula, o que era óbvio, enquanto a Justiça do DF manda aprender o passaporte dele, fechando-se, com isso, o cerco; e STF deve manter logo imbróglio Cristiane Brasil, garantindo direito de decisão do STJ. Alexandre Garcia fala sobre ameaças de Stedile; passaporte de Lula; e ficha limpa em teste. E, em Direto da Fonte, Sonia Racy aborda o bloco pós-carnaval homenageando a ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

Para ouvir meu comentário, clique no play abaixo:

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Comentário no Jornal Eldorado: Lei Luleco

Comentário no Jornal Eldorado: Lei Luleco

Caso se confirme a notícia dada nos jornais de que a presidente do STF, Cármen Lúcia, cederá à pressão de Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello para alterar a jurisprudência da possibilidade de prisão para condenados em segunda instância, seria o caso de lembrarmos aqui Marx na antológica abertura do livro O 18 Brumário de Luis Bonaparte, quando o velho barbudo lembrou que seu mestre Hegel dizia que a História sempre se repete, acrescentando que acontece como tragédia e se repete como farsa. Refiro-me à bazófia geral de que foi merecedora na ditadura do Estado Novo a lei com que Getúlio Vargas atendeu ao caso específico de seu às vezes desafeto e às vezes aliado  Chatô, determinando seu pátrio poder sobre a filha fora do casamento Teresa Acuña, a Lei Terezoca. A mudança terminaria parindo uma Lei Luleco, somente para atender ao caso particular de Lula. O que seria uma vergonha definitiva em hora imprópria, pois o TRF4 de Porto Alegre acaba de dar o exemplo exatamente oposto.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na sexta-feira 26 de janeiro de 2017, às 7h40m)

Para ouvir clique no link abaixo e, em seguida, no play:

https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-2601-direto-ao-assunto

Para ouvir Plunc Plact Zuum, com Raul Seixas, clique no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=tGREGUlcklM

Para ouvir, clique no play abaixo:

Ou acesse o Blog do Nêumanne, Política, Estadão:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/lei-luleco/

Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 26 de janeiro de 2018 Sexta-feira

SONORA Raul Seixas O carimbador maluco
https://www.youtube.com/watch?v=tGREGUlcklM

Haisem Após ter formalizada sua candidatura à Presidência da República pelo PT, Lula avisou que não respeitará a decisão da Justiça. Quais as conseqüências desse gesto?

Um dia depois de ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) a 12 anos e um mês de prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não respeitará a decisão da Justiça. Em ato político que aprovou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, nesta quinta-feira, Lula conclamou os militantes a uma ofensiva nas ruas para defendê-lo e pregou o enfrentamento político. “Esse ser humano simpático que está falando com vocês não tem nenhuma razão para respeitar a decisão de ontem”, afirmou o ex-presidente, em reunião da Executiva Nacional do PT. “Quando as pessoas se comportam como juízes, sempre respeitei , mas quando se comportam como dirigentes de partido político, contando inverdades, realmente não posso respeitar. Senão perderei o respeito da minha neta de 6 meses, dos meus filhos e perderei o respeito de vocês.” Lula chegou a se comparar a Jesus Cristo, ao afirmar que o filho de Maria e José foi condenado à morte sem provas. “Jesus Cristo foi condenado à morte sem dizer uma palavra, recém-nascido. E, se o José não corre, ele tinha sido morto. E olhe que não tinha empreiteira naquele tempo, não tinha Lava Jato”, disse. E aí tentou se corrigir: “Eu sei que a imprensa vai dizer ‘Lula se compara a Jesus Cristo’. Longe disso”.

No editorial Lula passa dos limites, o Estadão registrou que Lula da Silva tem ultrapassado todos os limites que uma pessoa pública deveria respeitar, por mais contrariada que esteja. Pode-se dizer que o chefão petista, agora condenado por corrupção, comporta-se como líder sedicioso, incitando à desobediência civil sem que nenhum de seus direitos tenha sido violado no processo que o condenou.

Santo, Lula nunca foi. Anteontem, lembrei em meu artigo intitulado O vendedor de greves publicado na página 2 do Estadão eu lembrei que o líder histórico dos metalúrgicos do ABC, que ajudou a derrubar a ditadura, foi acusado de ser um traíra da própria classe ao vender greves – ou seja, de ser um traíra, como diriam seus companheiros do movimento operário nos estertores da ditdura militar, à Odebrecht, segundo depoimento do patriarca Emílio, nunca negado. No mesmo artigo, ele também foi acusado de ter sido alcagüete desse mesmo movimento por Romeu Tuma Jr em seu livro Assassinato de reputações. Nenhuma dessas informações foi contestada na Justiça e agora tudo isso parece apenas passado, pois ele se pôs fora da lei ao ter sentenciada de forma definitiva pela Justiça, como deve ocorrer num país civilizado e democrático, pois a condenação do TRF4 considera o fato como definido e só poderá haver a partir de agora recursos em questões de direito, não tendo mais o que discutir a respeito dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, que restam definidos de forma cabal. Desde o impeachment de Dilma tenho registrado aqui neste microfone que Lula e o PT estavam voltando ao sindicalismo. Ontem eles entraram na clandestinidade dos tempos da luta armada contra a ditadura militar.

O PT lançou a pré-candidatura de Lula à Presidência em reunião de sua Executiva como forma de mostrar que não aceitará o que chama de “julgamento político”. O partido vai recorrer da sentença do TRF-4, mas sabe que, como a decisão foi tomada por unanimidade pelos três desembargadores, a chance de reverter o quadro é remota.

Carolina Mas o juiz substituto da 10.ª Vara do Distrito Federal, Ricardo Leite, mandou apreender ontem o passaporte de Lula. Portanto, é mais um agente da lei a ser incluído na lista que parece não ter fim dos conspiradores contra a candidatura de Lula. Isso não debilita ainda mais essa hipótese da perseguição para tornar a candidatura inviável?

 Completamente. Essa decisão de um juiz substituto, o titular é Vallisney de Souza Oliveira, impediu a ida do petista para a Etiópia. O Instituto Lula anunciou o cancelamento da viagem a seis horas do embarque para o país africano. A decisão foi informada ao Sistema de Procurados e Impedidos da Polícia Federal e o ex-presidente está proibido de deixar o Brasil.

Leite determinou ainda a apresentação do documento em 24 horas. Ontem, a defesa de Lula afirmou que o passaporte será entregue ainda hoje à PF. A decisão foi tomada no âmbito da Operação Zelotes, que apura tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa na compra dos caças suecos Gripen e na prorrogação de uma medida provisória. É útil lembrar que este é um dos seis processos que restam contra Lula na Justiça.

Anteontem o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, confirmou a condenação imposta a Lula pelo juiz Sérgio Moro, da Lava Jato em Curitiba, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá (SP). A pena foi elevada de 9 anos e 6 meses para 12 anos e 1 mês de prisão e será cumprida após a análise dos embargos de declaração, único recurso cabível, que não altera a decisão.

Lula embarcaria às 2h30 para Adis Abeba, capital etíope, com a volta programada para o dia 29. Ele participaria de um encontro da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), a convite da União Africana, que reúne 54 países. Ao pedir o recolhimento do passaporte, os procuradores Anselmo Lopes e Hebert Mesquita afirmaram que a execução provisória da pena do petista no caso do triplex “pode ocorrer em questão de semanas”. Eles escreveram também que “é possível afirmar que passou a existir risco concreto” de “possível fuga do País”.

Em seu despacho, o juiz federal da 10ª Vara de Brasília, Ricardo Soares Leite, afirma ver ‘real e iminente probabilidade’ da prisão do petista. A decisão já chegou às mãos da Polícia Federal. A defesa de Lula se diz estarrecida, palavra introduzida no linguajar habitual dos petistas por Dilma Rousseff em suas declarações fora de tom do impeachment, com o despacho de Leite. Definitivamente, a palavra não traz bom agouro.

 “Objetivamente, a confirmação da sentença proferida pelo juízo federal da 13ª Vara da Subseção Judiciária de Curitiba, com penal inicial prevista em regime de reclusão, em desfavor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, tornou real e iminente a probabilidade de sua prisão, conforme entendimento hodierno (atual) do Supremo Tribunal Federal”, escreveu Leite.

Haisem Mas o Uol noticiou que a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve pressionar a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), a pautar novamente alguma ação que leve à discussão sobre a prisão após sentença em segunda instância, de acordo com fontes ligadas à Corte. Isso não mudaria substancialmente a questão da prisão?

Cármen sempre resistiu à ideia. Quando me telefonou para convidar para sua posse, ele me disse, em tom muito irritado, que já tinha sido vencedora três vezes em votação para mudar a decisão do chamado trâmite em julgado para a possibilidade de o juiz mandar prender condenados com pena confirmada em segunda instância. Já naquela ocasião, ela deixou claro que fazia questão de encerrar sua gestão sem colocar o tema novamente na pauta do plenário, composto por 11 magistrados, para evitar uma mudança no entendimento do STF. Com seu voto, um dos seis vencedores o Supremo decidiu em 2016 que a sentença deveria começar a ser cumprida depois que um tribunal referendasse a decisão de primeira instância. Marco Aurélio Mello, o relator da ação, foi um dos cinco votos vencidos. Mas a situação mudou de figura quando Gilmar Mendes, que tem exercido grande influência sobre a presidente, anunciou sua mudança de opinião, passando a votação teoricamente para 5 a 6, com os vencidos de antes passando a vencedores e vice-versa. Indicado por Temer para o STF e ex-secreário de Alckmin, Alexandre de Moraes, que substitui Teori Zavascki, que votou pela nova súmula, também pode mudar o voto passando para 7 a 4. A não ser que a notícia não seja verdadeira e Cármen não ponha a questão em nova votação, que desfigurará uma decisão histórica do Supremo que atende a uma necessidade de que a Justiça seja feita, principalmente agora depois da decisão basilar tomada pelo TRF4.

Relator de duas ações que podem levar o STF a rever o entendimento, o ministro Marco Aurélio liberou para análise os casos levados pelo PEN (Partido Nacional Ecológico) e pelo Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).  Pessoas próximas a ela dizem que ficou inviável manter o assunto fora do debate, e, por isso, a ministra deveria pautar novo julgamento dentro de três meses.

Caso isso ocorra, é o caso de lembrarmos aqui a famosa assertiva de Marx na antológica abertura do livro O 18 Brumário de Luis Bonaparte, quando o velho barbudo lembrou que seu mestre Hegel dizia que a História sempre se repete, acrescentando que acontece como tragédia e se repete como farsa. Refiro-me à bazófia feita com a lei com que Getúlio Vargas atendeu ao caso específico de seu às vezes desafeto e às vezes aliado Chatô, determinando especificamente seu pátrio poder sobre a filha fora do casamento Teresa Acuña, a famosa Lei Terezoca. A mudança terminaria parindo uma Lei Luleco, somente para atender ao caso particular de Lula.

O que seria definitivamente uma vergonha na hora mais imprópria, pois o TRF4 de Porto Alegre acaba de dar o exemplo exatamente oposto.

Carolina Será o Supremo Tribunal Federal capaz de aprofundar sua péssima imagem, que também atinge a do Poder Judiciário como um todo, perdendo a oportunidade de seguir o bom exemplo do TRF 4?

Ontem eu chamei a atenção de vocês para o comportamento exemplar da oitava turma do STF no julgamento de anteontem. A este propósito, peço licença para citar dois momentos antológicos sobre este fato histórico exemplar. Um é um editorial do Estadão hoje. Um exemplo a ser seguido O comportamento dos desembargadores que integram a 8.ª Turma do TRF-4 é um exemplo a ser seguido por todos os juízes. Se um julgamento daquela magnitude e importância para o País pôde ser conduzido de modo ágil, técnico, discreto e respeitoso, é inconcebível que casos menos rumorosos também não possam ser tratados da mesma forma.

O outro é do professor Joaquim Falcão, da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas do Rio, publicado no blog do Noblat, na Veja.

Falcão começa o artigo Uma nova geração de magistrados pede passagem assim: A transmissão ao vivo do julgamento do TRF4 permitiu ao público compará-lo com os julgamentos que se tem visto no Supremo Tribunal Federal. A postura dos magistrados, raciocínio, método de análise, forma de se comunicar, tudo é diferente.

Não há competição pessoal ou ideológica entre eles. Nem elogios recíprocos. Cada um é si próprio. Não há troca de críticas veladas, ou aplausos desnecessários. Ou insinuações jogadas no ar. Mais ainda: não há exibicionismo. E conclui assim: Apresentou ao Brasil uma nova maneira de pensar, expressar e construir a justiça. Provavelmente a maneira de magistrados se comportarem na televisão, na internet, e até nos julgamentos sem transmissão, nunca mais será a mesma. Uma nova geração pede passagem. Faço minhas essas sábias palavras

SONORA Raul Seixas O carimbador maluco

https://www.youtube.com/watch?v=tGREGUlcklM

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