Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Direto ao Assunto

Comentário no Jornal Eldorado: Abutres de todo lado

Comentário no Jornal Eldorado: Abutres de todo lado

Os “abutres” da democracia (apud Raul Jungmann) não são apenas os arautos da intervenção militar, que têm sido repudiados pelos próprios objetos de sua devoção, mas também os ativistas opostos, que tentam surfar no mar revolto da rebelião dos transportadores. Quem quer depor Temer, por exemplo, parte do pressuposto de que o atual presidente não tem legitimidade, porque não foi eleito pelo voto popular, o que é mentira, pois ele fazia parte da chapa de Dilma na reeleição de 2014 e o chama de “golpista”, omitindo também ter votado nele. Da mesma forma, a outra bandeira da esquerda, “Lula livre”, é antidemocrática, pois o ex petista não passa de um preso comum e cumpre pena por furto do erário, composto pelos impostos de toda a sociedade.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quarta-feira 30 de maio de 2018, às 7h30m)

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https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-3005-direto-ao-assunto

Para ouvir O sonho de um caminhoneiro, com Milionário & José Rico, clique no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=aPDnKRzPlOI

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http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/abutres-dos-dois-lados/

Abaixo, os assuntos dos comentários da quarta-feira 30 de maio de 2018

1 – Haisem O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que “inescrupulosos” vão pagar. Em sua opinião, depois de ter cedido em absolutamente tudo o que exigiram caminhoneiros rebelados, responsáveis pela maior crise de abastecimento da História do Brasil, o Estado brasileiro terá alguma autoridade para apená-los, multá-los e cobrar essas multas?

2 – Carolina Os petroleiros decidiram entrar em greve por 72 horas, apesar da decisão do Tribunal Superior do Trabalho de declarar ilegal sua greve dos e ainda lhes aplicar multa de 150 mil reais por dia, mostrando que medidas do gênero não serão suficientes para evitar uma cascata de movimentos paredistas no Brasil no rastro das concessões do Temer ao movimento dos caminhoneiros?

3 – Haisem Não dava para evitar pelo menos as contradições grotescas entre as informações dadas pelo pessoal do talk show montado pela cúpula do governo federal e os dados da Polícia Rodoviária Federal e das Forças Armadas dando conta da existência de concentrações e bloqueios de rebeldes que Padilha e Marun negavam?

4 – Carolina Que conseqüências funestas para a ordem e a paz social no Brasil advirão nos próximos sete meses até o fim do fraco e desmoralizado governo sem rumo de Michel Temer e do MDB?

5 – Haisem Existe o risco de uma crise institucional que deságüe na deposição de Temer, na intervenção militar já ou na pressão para que o preso comum mais famoso do Brasil, Lula, seja libertado? A democracia tem condições de conviver com esses “abutres”, definição pesada usada pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann?

6 – Carolina Por falar em Lula, ele tem razões para se manifestar perplexo com a caos causado pelo desabastecimento provocado pelo movimento dos caminhoneiros nos postos de gasolina e nas centrais de vendas de alimentos no País?

7 – Haisem Que consequências positivas trará para o combate à corrupção dos políticos no Brasil a condenação do deputado Nelson Meurer, do PP do Paraná, por 5 a 0, e negativas sua decisão de não condená-lo por receber propina disfarçada de doação eleitoral?

8 – Carolina A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, tem razão quando diz que candidato condenado em segunda instância não pode se candidatar por causa da Lei da Ficha Limpa?

SONORA Milionário e José Rico Sonho de um caminhoneiro

https://www.youtube.com/watch?v=WZhEt_La1W4

Nesta quarta-feira no Estadão: No Brasil do quem pode grita mais e chora menos

Nesta quarta-feira no Estadão: No Brasil do quem pode  grita mais e chora menos

Direita bárbara e esquerda cínica tentam usar o caos para acabar com Estado de Direito

Caminhoneiros autônomos, transportadoras de cargas e empresas que possuem frotas movidas a diesel sequestraram o Brasil, recorrendo apenas a bloqueios rodoviários para impedir a distribuição de combustíveis e alimentos . E o débil e inerme desgoverno lhes doará R$ 13,5 bilhões em sete meses, sacados dos impotentes cidadãos. Mas esse não é o preço mais alto a ser cobrado da Nação pelas carretas paralisadas: há um golpe em pleno curso por ditaduras acalentadas por bandos irresponsáveis da direita bárbara e da esquerda cínica. A primeira exige intervenção militar e a segunda, Lula livre e presidente de novo. Quem vai ganhar? Melhor não apostar. O prezado leitor certamente perderá, no mínimo, o valor da aposta.

O apressadinho de cotovelos apoiados na janela da frente de casa pode até imaginar: “A culpa é do Temer, então, que ele se dane”. É mesmo? Vamos aos fatos. O autor destas linhas tem 67 anos de idade e é do tempo do trem de ferro e das eclusas permitindo a navegação de balsas e barcaças pelas inúmeras bacias hidrográficas brasileiras. Tinha 4 anos quando o mineiro Juscelino Kubitschek, descendente de checos e telegrafista de origem profissional, apostou todas as nossas fichas no modal rodoviário. Desde que o simpático pé de valsa de Diamantina deixou o governo, há 57 anos, as ferrovias enferrujaram-se, o transporte hidroviário é um sonho distante e as rodovias são um imenso buraco com bordas asfaltadas, à exceção das privatizadas a custo de pedágio.

Durante a ditadura militar, que cassou os direitos políticos de Juscelino, Jânio e Jango, o general Ernesto Geisel teve a oportunidade de aprender, com a crise da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), que a opção do inventor dos “50 anos em 5” tinha sido uma roubada. Mas nem os catalogados no Almanaque do Exército nem os civis da Nova República ou eleitos pelo povo, tucanos e petistas, recuperaram trilhos e vias navegáveis. Alguns preferiram encher os bolsos, saqueando todas as “burras” da República.

Os cobradores da fragilidade do desgoverno abúlico, incompetente e inconsequente de Temer apontam-no como o responsável pelo caos. As ratazanas que roeram os cofres da viúva sob desmandos de Lula e Dilma, do PT, sejam os da esquerda populista ou os da velha cleptocracia herdeira dos coronéis da Guarda Nacional do Império convocados à rapina, votaram no constitucionalista de Tietê vice da tatibitate Dilma Rousseff, que nasceu em Minas e se criou nos pampas de Getúlio e Brizola. Em 2014 o “mercado” financeiro sufragou Aécio Neves, ora acusado de ter cobrado propina para se fingir de oposição, e com o impeachment de Dilma, em 2016, afagou as mãos de Temer, em que antes escarrava.

A posse do legítimo sucessor da rainha da quebra do decoro vernacular permitiu o paradoxo a que a Nação se submete há dois anos: sem forças para “estancar a sangria”, meta que o presidente do MDB, Romero Jucá, esperava atingir assim que Temer pusesse as mãos no leme da embarcação à deriva, o grupo no poder não consegue usá-lo como teria de fazê-lo.

E não há como. O “quadrilhão do PMDB”, ainda com P, de que foi acusado o grupo ora no poder pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, caiu na rede da devassa da maior roubalheira da História. Metade dos acusados e investigados está na cadeia e em simulacros para os quais é enviado quem goza das graças dos mui generosos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello: Eduardo Cunha, Henriquinho Alves, Rodrigo Loures e Geddel Vieira Lima, o petiz chorão de mãinha Marluce.

A outra metade, o trio desesperança Temer, Eliseu e Moreira, ficou no palácio e no poder por cumplicidade da Câmara dos Deputados e mercê da farta distribuição de merendas orçamentárias a suspeitos do Centrão. E da debilitação do que só se chama de governo por falta de nome adequado.

O desempenho do desgoverno foi muito abaixo de medíocre no caso. O chefe da Agência Brasileira de Inteligência (???), general Sérgio Etchegoyen, nada informou sobre a encrenca a vir. No quarto dia o presidente entregou carros que não rodam por falta de gasolina e comemorou a noite da indústria, paralisada por não dispor de combustível. O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, sumiu e ressurgiu falando grosso. E Padilha fez um acordo com líderes que nem os caminhoneiros reconhecem.

No sétimo dia, o chefe do Executivo mentiu. Disse que o governo negociou “desde o início”. De quê? Gabou-se dos “sacrifícios” do cidadão, como se fossem do governo, que não anunciou corte de gastos ou privilégios de partidos e políticos, mas, sim, privilégios para transportadoras e autônomos. Buzinas e sons de panelas vazias evitaram que fosse ouvido. Ninguém perdeu: a redução de 46 centavos no preço do diesel não chega às bombas, segundo disse o presidente do Sincopetro, José Gouveia, em entrevista à Rádio Eldorado.

Temer tinha ameaçado, antes, usar a força, mas exibiu um revólver de brinquedo. O ministro da Defesa, general Silva e Luna, apelou para o bom senso dos chantagistas. O Comando Militar do Sul usou um tom de entregador de flores, não de garante da lei. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, pôs a Polícia Federal à caça dos mandantes do locaute, mas o que disse, pelo visto, não assustou ninguém.

Com o Legislativo agindo como clube privado de parlamentares, e não um Poder que representa o povo, como de hábito, e o STF embuçado na retórica vazia da presidente Cármen Lúcia, as vivandeiras de quartéis, de que falava Castelo Branco em 1964, ressurgiram munidas de bandeiras e besteiras. Ao lado delas rosnaram “valentinhos” de esquerda, caso do preso mais famoso do Brasil, Lula, que se manifesta pela voz sem eco do líder do partido na Câmara, José Guimarães.

No país do quem pode grita mais e chora menos, estamos no mato acuados pela matilha.

José Nêumanne

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Página 2 do Estado de S. Paulo quarta-feira 30 de maio de 2018)

Para ler no Blog do Portal do Estadão clique no link abaixo:

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,no-pais-do-quem-pode-grita-mais-e-chora-menos,70002330234

Podcast Estadão Notícias: Chega de papo

Podcast Estadão Notícias: Chega de papo

Até agora, por incompetência e insensibilidade, o governo Temer conversou demais e não agiu como devia para resolver a crise de abastecimento de combustíveis e gêneros alimentícios por causa dos bloqueios de caminhoneiros nas estradas, apesar de estes configurarem crimes: interrupção do direito de ir e vir, locaute (greve de patrões), chantagem e sequestro. Depois de as autoridades terem cedido em tudo, bandeiras como redução de gasolina e etanol, Fora Temer, Intervenção Militar Já e Lula Livre se introduziram de forma sorrateira, aproveitando-se do sucesso do movimento. A paralisação passou, então, a ser subversiva e a ameaçar a democracia, exigindo, portanto, repressão policial, que ainda não se sabe se o governo tem poder para fazer. Este é meu comentário no Podcast Estadão Notícias, no ar no Portal do Estadão desde as 6 horas da terça-feira 29 de maio de 2018.

Para ouvir clique no link abaixo:

http://brasil.estadao.com.br/blogs/estadao-podcasts/estadao-noticias-crise-atual-reforca-o-peso-do-populismo-analisa-cientista-politico/

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/chega-de-papo/

Comentário no Jornal Eldorado: A hora da força

Comentário no Jornal Eldorado: A hora da força

O presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros, José da Fonseca Lopes, denunciou a presença de agitadores de grupos políticos radicais ameaçando caminhoneiros que ainda estão na estrada para dificultar a saída deles dos pontos de bloqueio. A denúncia não parece ser vazia, pois há algum tempo percebe-se a intromissão de reivindicações que nunca fizeram parte da pauta negociada com o governo, tais como redução dos preços de gasolina e etanol, “Fora Temer”, “Intervenção Militar Já” e “Lula Livre”. Chegou a hora de Temer provar que ainda comanda Forças Armadas, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal para debelar esse incêndio com o uso da força, prendendo os recalcitrantes e restabelecendo o direito de ir e vir de todos nas rodovias.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na terça-feira 29 de maio de 2018, às 7h30m)

Para ouvir, clique no play abaixo

Ou clique no link abaixo e, em seguida, no play:

https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-2905-direto-ao-assunto

Para ouvir Frete, com Renato Teixeira, clique no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=Jvtdb1jkwmQ

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/a-hora-da-forca/

Assuntos do comentário da terça-feira 29 de maio de 2018-05-28

1 – Haisem Tudo o que os caminhoneiros pediram lhes foi concedido de mão beijada pelo presidente Michel Temer. E agora eles estão querendo tabelamento da gasolina e do álcool, a derrubada do governo, Lula livre e a intervenção militar. Como reagir a essa nova “pauta” de reivindicações?

SON ORA_FONSECA 2905

2 – Carolina A Polícia Federal abriu inquéritos para apurar se está havendo realmente locaute das transportadoras de cargas neste movimento que aparece apenas sob o signo politicamente correto de uma pretensa greve de caminhoneiros autônomos. Você acha que esta é a hora de fazer isso?

3 – Haisem Reportagem de Vera Rosa no Estadão revela bastidores da crise no governo com a notícia de que a cúpula do governo admite que subestimou o movimento e agora teme que a situação tome as proporções de 2013, provocando uma comoção social que poria a estabilidade democrática em risco. Você acha que, de fato, chegamos a tal ponto?

SONORA_TEMER 2905

4 – Carolina Qual a semelhança entre o mitológico rei Pirro, cuja experiência militar iniciou uma tradição ancestral da vitórias relativas em guerras, e os grupos empresariais e políticos que comemoram o sufoco passado pelo governo Temer com o movimento dos caminhoneiros?

5 – Haisem Por que além da urgência para o projeto das reonerações das folhas de pagamentos das empresas, Executivo, Legislativo e Judiciário não fazem um pacto para economizar gastos e com isso evitar sobrecarregar o contribuinte com mais impostos numa carga tributária que já é reconhecidamente exagerada e opressiva?

6 – Carolina Por que a Petrobrás, que quase foi quebrada pela interferência dos governos petistas de Lula e Dilma, está agora vendo seu patrimônio despencar, embora a gestão de Pedro Parente venha sendo muito elogiada exatamente pela autonomia e pela reconquista do valor da empresa?

7 – Haisem Que motivos há para que especialistas em Direito questionem a legalidade da greve convocada pelos petroleiros de Paulínia para amanhã? O mesmo vale para a greve dos professores das escolas particulares

8 – Carolina Por que a delação de Leo Pinheiro, da OAS, personagem importante das reformas dos imóveis do ex-presidente Lula, emperrou durante dois anos e só agora parece estar chegando a uma solução viável, ao que parece uma notícia muito ruim para pelo menos 14 políticos enrolados nas investigações da Lava Jato?

SONORA Frete Renato Teixeira

https://www.youtube.com/watch?v=Jvtdb1jkwmQ

No Blog do Nêumanne: O Maquiavel do iê-iê-iè

No Blog do Nêumanne: O Maquiavel do iê-iê-iè

Com apoio de astros da canção e de quem quer levar vantagem ou ver Temer fora, locaute das transportadoras torna-se xodó de oportunistas

Num show em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, a orquestra executou os primeiros acordes de uma canção de muito sucesso desde os anos 1980, e o autor, Roberto Carlos, o rei do iê-iê- iê, permitiu-se uma introdução engajada. “Às vezes”, disse ele, “os fins justificam os meios. Meu carinho e meu respeito por todos os caminhoneiros que estão fazendo todo esse movimento. As causas que eles estão reivindicando com certeza não são causas só deles. São nossas causas. Meu abraço e meu carinho para esses nossos heróis caminhoneiros de todas as estradas. Para a gente realizar este show, por exemplo, temos o trabalho de caminhoneiros valentes. Caras que enfrentam coisas incríveis”. Em seguida, entoou os primeiros versos de uma canção de amor romântico descabelado, que tem tanto que ver com a saga “heroica” de seus personagens quanto a Marselhesa com a máquina de degolar do dr. Joseph-Ignace Guillotin.

O apoio de Roberto Carlos Braga, que era o alvo favorito dos engajados contra a ditadura militar por ser considerado o papa do estrelato “alienado” no Brasil, é algo a ser comemorado pelos “grevistas” das estradas como um feito realmente extraordinário. Até recentemente ele foi tão alheio a temas políticos que muitos atribuíam sua neutralidade suíça ao fato de se considerar realmente “rei” e, portanto, acima de meras querelas republicanas. Na verdade, imune a guerras que não dão lucro, como, por exemplo, pelos direitos humanos, ele sempre foi muito atento a causas que afetam seu patrimônio particular. Foi ao Senado com um grupo de estrelas defender a interferência estatal na atuação do Escritório Central de Arrecadação de Direitos (Ecad), na certa por sentir ameaçado seu naco no bolo autoral. Aderiu também à cruzada de famosos das artes para censurar biógrafos no mesmo Congresso Nacional, convencido de que incertos historiadores abelhudos não deviam ganhar rios de dinheiro à sua custa.

No ano passado, o prenome composto pelo qual ele zela muito, a ponto de processar para impedir o corretor imobiliário Roberto Cavalli de vender terrenos na praia do Conde, no litoral sul da Paraíba, usando as próprias iniciais, RC, foi citado falsamente em sites petistas. Segundo estes, ele teria dito no programa de Jô Soares que seria inaceitável o que está acontecendo com Lula e que o lugar do ex-dirigente sindical seria a Presidência da República. O portal boato.org desmascarou a fake news. Afinal, Jô não tinha mais um programa para chamar de seu e, ao contrário do que os apoiadores do petista disseminaram, o que se encontrou dele sobre a Lava Jato, cujas investigações já levaram Lula à cadeia após condenação em duas instâncias, foi chamar o juiz federal Sergio Moro de “maravilhoso”.

Agora o PT e a direita pitbull, que quer dois em um – Bolsonaro eleito presidente e intervenção militar – encontraram, enfim, uma declaração indiscutível em que novamente o criador da Jovem Guarda apoiou uma luta na qual a esquerda larápia e a direita truculenta se empenham com fervor. De verdade, o autor de Se Você Pensa meteu os pés pelas mãos. Sua homenagem aos heróis das redes sociais e novos veículos do “fora Temer” começa com o famoso lema comuno-fascista, que o georgiano Stalin viveu para confirmar no poder: “Os fins justificam os meios” – falsamente atribuído a Nicoló Maquiavel, conselheiro político, cujas pérolas da Realpolitik são populares há seis séculos.

Logo em seguida, Sua Majestade da guitarra elétrica decretou édito imperial conforme o qual as causas dos caminhoneiros são “as nossas”. De quem mesmo, cara-pálida? O decreto real merece um reparo que deve ser estendido aos noticiários nos meios de comunicação. A obstrução de pontos nas estradas de todo o País tem sido chamado de “greve”, definida no Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa como “cessação voluntária e coletiva do trabalho, decidida por assalariados para obtenção de benefícios materiais e/ou sociais, direitos trabalhistas, etc., ou ainda para se garantirem as conquistas adquiridas que, porventura, estejam ameaçadas de supressão”. Nos pontos de obstrução nas estradas (quebra da liberdade de ir e vir), reúnem-se, segundo os próprios participantes dos bloqueios, motoristas autônomos. Ou seja, que não trabalham para ninguém e, portanto, não fazem greves. A duração do movimento e sua pauta de reivindicações autorizam quem acredita que eles contem com apoio e infra-estrutura de transportadoras de cargas. Se for verdade, já é o caso de apontar a segunda ilegalidade, ou seja o locaute, aportuguesamento da expressão inglesa lock out, paralisação de patrões, proibida por lei..

O desgoverno federal tornou-se o principal responsável pelo caos gerado pelo desabastecimento de derivados de petróleo, que paralisou fábricas, aeroportos e transportes que não consomem diesel e centrais e mercados de frutas, verduras, carnes e hortaliças, por se ter mostrado incapaz de entender e reprimir à altura o terceiro crime cometido pelos soit-disants manifestantes: a chantagem. Na prática, uma espécie de sequestro em que os produtores, comerciantes e consumidores de outros derivados de petróleo e alimentos, incluindo o sr. Braga, somos vítimas, e não beneficiários eventuais das exigências de suas pautas.

Estes são os caminhoneiros autônomos, as transportadoras, as grandes empresas proprietárias de frotas que consomem preferencialmente diesel, cujo preço passou a ser subsidiado com a subtração de 46 centavos por litro. Os sacrifícios a que Temer se referiu em sua fala do trono no domingo serão não do governo, como disse, mas do contribuinte, que arcará com o pagamento do resgate no valor de R$ 13,5 bilhões, divididos em prestações nos sete meses que ainda restam ao desgoverno Temer.

A benemerência do constitucionalista de Tietê com o chapéu dos outros brasileiros, entre os quais 24 milhões de desempregados e desiludidos, atenderá às transportadoras, como ele fez questão de acentuar, retirando-as das listas das empresas que não terão desoneradas suas folhas de pagamento. Criará uma figura estranha à pretensa ideologia liberal da atual gestão, qual seja, a reserva de mercado dos fretes da Companhia de Abastecimento (Conab). E revolucionará a relação entre capital e trabalho com o estabelecimento de um tabelamento mínimo do frete, uma jabuticaba inacreditável em que o doutor Michel superará seus dois mestres nesse gênero de malabarismos: o colega José Sarney e a ex-titular do cargo Dilma Vana Rousseff, ambos já batidos pelo discípulo no quesito impopularidade extrema.

Em favor de RC, o Único, pode-se dizer que suas vantagens pecuniárias, com o aumento da circulação da canção O Caminhoneiro, não podem ser comparadas nem com esses benefícios citados nem com os outros, de natureza política. O ex-presidente Lula, que está preso em Curitiba e consegue fazer-se ouvir do lado de fora da cadeia sempre que é visitado por algum companheiro, criticou a maneira como o desgoverno Temer tem conduzido a “greve” dos caminhoneiros contra o aumento no preço dos combustíveis e que paralisou o país ao longo da semana. Segundo o líder da oposição na Câmara, José Guimarães (PT-CE), Lula lhe disse: “A que ponto chegamos, o preço da gasolina, uma greve deste porte, cadê o governo, o governo não faz nada?”. Não é mesmo emocionante?

De Lula, contudo, não se podia esperar nada diferente. O mesmo não se pode dizer de Eunício Oliveira, presidente do Senado e correligionário do presidente, que se manifestou contra a política de preços da Petrobrás, à qual atribuiu a crise. Também pudera: o cidadão é candidato à reeleição e seu MDB é um dos 24 partidos que, sob a liderança do presidenciável Ciro Gomes, do PDT, quer reeleger o governador petista do Ceará.

O oportunismo populista deve ser considerado estranho na voz de Roberto. O mesmo se pode dizer do vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima, que rasgou os discursos liberais de seu partido, o PSDB, ao pedir a cabeça de Pedro Parente pelo crime de estar trabalhando corretamente para evitar a falência da Petrobrás, empreendida pela dupla Lula-Dilma. Ou da governadora do Paraná, Cida Borghetti, mulher do ex-ministro da Saúde de Temer, Ricardo Barros, ao declarar que no seu Estado não permitirá que tropas desmanchem os piquetes dos recalcitrantes praticantes dos crimes continuados de obstrução à mobilidade, garantida pela Constituição, locaute, sequestro e chantagem.

Jornalista, poeta e escritor

(Artigo no Blog do Nêumanne segunda-feira 28 de maio de 2018)

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Podcast Estadão Notícias: Inútil desespero

Podcast Estadão Notícias: Inútil desespero

Após aumentar a oferta de privilégios para consumidores de diesel – caminhoneiros autônomos, transportadoras de cargas, empresas com frotas, donos de caminhonetes e de carros de luxo movidos por esse combustível –, Temer faz apelo desesperado para que motoristas desfazerem bloqueios nas estradas: redução de 46 centavos por litro, manutenção das empresas na lista das  que terão desoneração nas folhas de pagamentos e garantia de privilégio nos fretes da Conab. Mas suas concessões desesperadas esbarram em dois impasses intransponíveis: não há como garantir que o desconto no custo chegue às bombas depois da distribuição e o desconhecimento do governo incompetente dos negociadores que os amotinados nem sequer reconhecem. Este é meu comentário no Podcast Estadão Notícias no Portal do Estadão desde as 6 horas da segunda-feira 28 de maio de 2018.

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