Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Direto ao Assunto

No Blog do Nêumanne: Torquemada aqui e agora

No Blog do Nêumanne: Torquemada aqui e agora

O maior desafio da atualidade é preservar o direito à privacidade e à liberdade de pensar

Um dos personagens favoritos de minha pré-adolescência em Campina Grande foi o bodegueiro Joca Leite. Dono de uma tarimba (box) com mercadorias variadas à venda no Mercado Municipal da Prata, bairro onde ficava o colégio estadual, onde cursei os três anos do científico, ele tinha uma ojeriza com a qual eu simpatizava muito: sua repugnância ao fumo – fosse de rolo, cigarros, cachimbos ou charutos. Sua solução para livrar-se do mau cheiro e do mau gosto dos fumantes era singular: “Se eu fosse interventor do mundo, proibiria terminantemente esse vício miserável”. Para chegar a esse degrau na vida pública, porém, o irado comerciante nunca pretendeu ser síndico de prédio, pois, afinal, morava numa casa, nem iniciou carreira política disputando uma cadeira na Câmara Municipal. Seu antitabagismo era simpático porque se assemelhava à luta de Dom Quixote de La Mancha contra os moinhos de vento.

Não sei o que é feito de meu ídolo de pré-adolescência, mas considerando nossa abissal diferença de idade (eu tinha 15 anos e ele, mais de 60 nos anos 60), é pouco provável que permaneça no mundo dos vivos. Nunca convivi muito com ele, mas sua bazófia me veio à memória ao deparar com dois episódios de pequenas arbitrariedades do cotidiano que, entretanto, fazem parte de um perigoso delírio coletivo gerado na soma de milhões de individualismos doentios de natureza intervencionista no planeta da globalização cibernética. Refiro-me à bombástica repercussão da piada de péssimo gosto do apresentador suspenso do Jornal da Globo William Waack, transformada em motivo de seu afastamento da bancada do noticiário na Vênus Platinada. E à agressão que a filósofa americana Judith Butler, professora da Universidade da Califórnia, vinda ao Brasil para fazer uma palestra sobre a questão do gênero. Contra ela agiu a direita raivosa, cevada pela cegueira ideológica da esquerda, cujas gestões públicas federais, com seus titulares devida e legitimamente eleitos pelo povo, Lula e Dilma, provocaram a maior crise moral, política e econômica da História desta República insana e cada dia mais chata.

O calvário de Waack começou quando dois negros – o operador de VT Diego Rocha Pereira, de 28 anos, e o designer gráfico Robson Cordeiro Ramos, de 29 – vazaram vídeo e áudio em seu poder. Neles o apresentador desqualificou como “coisa de preto”, em gravação de dificílima compreensão, o buzinaço estridente e insistente de um transeunte, tirando-lhe a concentração na gravação de uma “externa” em que entrevistaria ao vivo, para o telejornal, do qual era âncora e estava ancorando dos EUA, um convidado para falar da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais, há um ano.

Ao se identificarem em entrevista à Rádio Jovem Pan, os autores da proeza contaram que passaram um ano até divulgare, o material em rede social porque tentaram negociá-lo, mas não o lograram. Não ficou claro de que negócio se tratava. Certo é que, depois que decidiram por o vídeo e o áudio nas redes, o assunto despertou imediato interesse da rede de televisão da qual Waack é contratado e esta, dizendo-se coerente com sua postura libertária e antipreconceituosa, o afastou provisoriamente tanto do jornal do canal aberto quanto do programa semanal que tem apresentado na GloboNews, com programação exclusivamente noticiosa, ou seja, all news (tudo notícias). Argumentaram que o jornalista é racista e “ofendeu”.

É mentira. Não se pode dizer que Waack é racista só porque, numa piada infeliz e sem graça, atribuiu genericamente a um “preto” o buzinaço que atrapalhava sua entrada ao vivo na cobertura da eleição. Errar é humano, já diziam os romanos muito antigamente. E é claro que Waack errou, reconheceu o erro e pediu desculpas.

Desculpas bastam, resolvem? Isso pode ser discutível. Mas a verdade é que o deslize do profissional de comunicação foi feito em privado e, neste caso, o mínimo que se pode dizer é que ele tem, como qualquer cidadão, direito à privacidade. O delito de racismo no Brasil é grave, previsto em lei e mesmo quando a ofensa é privada será passível de punição penal se a vítima reclamar seus direitos na Justiça. Não foi o que aconteceu. Se a piada privada é racista, sua divulgação pública é que é ofensiva. Nenhum cidadão está imune a uma gravação de áudio ou vídeo num momento de intimidade e essa invasão também é passível de repulsa e condenação, tanto moral quanto penal.

Há, ainda, nesse caso, outro aspecto, o político. Os divulgadores do vídeo e do áudio privados não se identificaram como militantes políticos, mas apenas como negros atingidos pelo racismo do acusado. Mas não se pode deixar de lembrar, nesta ocasião, que o maior líder da esquerda brasileira, Luiz Inácio da Silva, é pródigo em piadas contra mulheres (“grelo duro” é apenas a mais grosseira), homossexuais (“Pelotas exporta viados”) e machistas. Feministas e militantes homossexuais de esquerda nunca cobraram dele desculpas. Isso, contudo, importa menos, de vez que  Waack, personagem do caso, se desculpou.

Mas Waack não está sendo crucificado por ser racista. Não conheço – e até agora não apareceu nenhum registro – manifestações do apresentador afastado do Jornal da Globo de grosserias do gênero em seus textos, suas intervenções nos debates do programa Painel, que apresentava, ou em palestras e outros eventos públicos de que tenha participado.

Quanto a esse particular, Pitigrilli tornou famosa sua afirmação de que “toda pessoa tem seus cinco minutos diários de imbecilidade. A diferença entre as pessoas brilhantes e as demais é que, em seus minutos de imbecilidade, os brilhantes ficam quietos.” No caso de Waacl, ele teve alguns segundos de imbecilidade e sua crucificação nu em praça pública por militantes da intolerância, nestes tempos de fogueiras da inquisição na internet, é tirânica, absurda, injusta e cruel. Acontece que Waack não está sendo exposto e maltratado por ser racista, mas por ser um jornalista independente. E também por seu talento. Os medíocres organizados e que formam quadrilhas de detratores nas redes sociais não perdoam um profissional brilhante, independente, que exerce aquela frase famosa de Millor Fernandes, segundo quem livre pensar é só pensar. Reputo Waack como o jornalista mais competente de nossa geração e um correspondente de guerra comparável ao mitológico Joel Silveira.

Na condição de jornalista independente, sem ter procuração para defender o profissional, homenageio os colegas José Roberto Guzzo, Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo, que tiveram a coragem de vir a público denunciar esses novos Torquemadas, fascistinhas de esquerda e de direita que não toleram a convivência pacífica e não perdoam os erros alheios por menores e menos relevantes que sejam, embora sejam muito condescentes com a cafajestice de seus ídolos particulares. O palpite infeliz do apresentador só foi levado ao público pela atitude clandestina, covarde e oportunista de seus detratores.

Torquemada também inspirou o lamentável episódio protagonizado pela autora do livro Problemas do Gênero – Feminismo e Subversão da Identidade, publicado em 1990, mas que não a tornou propriamente conhecida no Brasil. Eu mesmo nunca tinha ouvido falar nela. Ao contrário de muitos que protestaram contra a queima de um boneco de bruxa com o rosto da filósofa na frente do Sesc Pompeia, onde ela fez sua palestra, apesar dos protestos. Teria muito a reclamar se a palestra tivesse sido cancelada por causa do ódio sem motivo que ela despertou. A queima da boneca de bruxa não a feriu, da mesma forma que seus livros, suas aulas e sua militância no movimento gay (e mesmo na ideologia de gênero) não prejudicaram ninguém. Somente impulsos fascistoides e psicopatológicos e manifestações de loucura ideológica podem explicar, embora nunca justifiquem, a atitude absurda de uma manifestante que tentou agredi-la e deu um tapa numa mulher que se prontificou a protegê-la no Aeroporto de Congonhas, quando ela já havia embarcado no avião.

Essa queima de bruxas pode ser tão inofensiva como as fogueiras de Judas na brincadeira de Sábado de Aleluia. Desde que não venham acompanhadas de agressões físicas nem de interferências indesejáveis na carreira de um profissional que só pode ser acusado de não ser uma vaquinha de presépio dos Torquemadas de sempre, aqui e agora.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, na segunda-feira 13 de novembro de 2017)

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Estadão às 5: Chantagistas levianos

Estadão às 5: Chantagistas levianos

Vingando-se de Temer, mas sem atingirá o presidente e, sim, o povo, o Congresso Nacional desenterra velhos projetos para dar prejuízos ao erário e, asso,m, forçar a barra para o governo não cumprir a meta bilionária do déficit fiscal, demonstrando sua irresponsabilidade com o País. Só que isso não chega a ser surpreendente: Eduardo Cunha também aplicou esse truque sujo com Dilma, usando exatamente os mesmos fiéis súditos do Centrão, que agora cobram a fatura de seu apoio fisiológico à decisão da maioria absoluta da Câmara que não autorizou a abertura de investigação pelo Supremo do chefe do governo, pedida pelo ex-procurador Janot. Este foi o principal tema do Estadão às 5, programa ancorado por Emanuel Bomfim, com comentários meus, levado ao ar pela TV Estadão no estúdio no centro da redação do jornal e retransmitido pelas redes sociais Youtube, Twitter, Periscope Estadão e Facebook, na segunda-feira 13 de novembro, às 17 horas.

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Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: PSDB em farelos

Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: PSDB em farelos

Meu Direto ao Assunto abriu o Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado da sexta-feira 10 de novembro de 2017 na Rádio Eldorado – FM 107,3 – comentando a destituição de Tasso em mais um vexame de Aécio; a tentativa de Temer de perpetuar seu superforo privilegiadíssimo de presidente; o golpe do Congresso contra a lei da ficha limpa; e o grotesco episódio da suspensão de William Waack pela Globo. Eliane Cantanhêde abordou a destituição na marra de Tasso por Aécio, agradando ao Planalto e aumentando o racha no PSDB, sem Alckmin ter visto, ouvido nem sabido; e também do empurra-empurra: quem vai liderar reforma da Previdência, Temer ou Rodrigo Maia? Alexandre Garcia falou sobre a reforma da Previdência pela metade e a destituição de Tasso por Aécio no PSDB; e fez uma consideração sobre soberania e fronteiras. Em Direto da Fonte, Sonia Racy contou que Alckmin convidou Pedro Parente para almoçar, sem pauta definida. E, em Perguntar Não Ofende, Marília Ruiz descreveu a situação do Egídio no Palmeiras.

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Comentário no Jornal da Gazeta 2: Gracinha sem graça

Comentário no Jornal da Gazeta 2: Gracinha sem graça

Tentativa de Temer perpetuar impunidade é graça sem graça nenhuma

(Comentário no Jornal da Gazeta 2 da quinta-feira 9 de novembro de 2017)

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Comentário no Jornal da Gazeta 1: Um vexame atrás do outro

Comentário no Jornal da Gazeta 1: Um vexame atrás do outro

Destituição de Tasso leva Aécio a cometer mais um vexame

(Comentário no Jornal da Gazeta 1 da quinta-feira 9 de novembro de 2017)

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Comentário no Jornal Eldorado: O tiranete do Solar dos Neves

Comentário no Jornal Eldorado: O tiranete do Solar dos Neves

Aécio Neves cuspiu na cara de metade dos eleitores brasileiros: estes tiveram a ilusão de que ele seria o líder indicado para reconstruir o País depois da tempestade petista que assolou as contas públicas nacionais. Mas se dedicou ao ócio e à inutilidade após ter perdido a eleição por pouco para Dilma e Temer. Depois, acusado de ter recebido propina para participar do mesmo processo de roubo como oposição fake, Aécio virou vergonha nacional. Seu avô Tancredo deve se ter revirado no túmulo em São João Del Rey depois da destituição de Tasso pelo tiranete do Solar dos Neves. Esse neto está conduzindo o próprio partido e o legado familiar para um enterro político e moral na eleição do ano que vem. Mas tudo indica que o féretro não poderá ser conduzido para Minas, pois o remelexo de Tancredo será capaz de produzir um abalo sísmico de consequências imprevisíveis.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na sexta-feira 10 de novembro de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique no play abaixo:

Ou clique no link abaixo e, em seguida, no play:

https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-1011-direto-ao-assunto

Para ouvir Amigo, com Roberto Carlos, clique no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=pTF184kDl5c

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado a0 de novembro de 2017 – Sexta-feira

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) destituiu ontem à tarde, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) da presidência interina do PSDB. Que razão poderia ter o presidente afastado do partido para destituir o interino?

Segundo nota divulgada por Aécio, o motivo é a “desejável isonomia” entre os candidatos que disputarão o comando da sigla em dezembro. O tucano mineiro afirmou, ainda, que a sua decisão foi “absolutamente legítima”, “natural” e “necessária”.

SONORA 1011 AÉCIO

A alegação da isonomia é absurda. Em benefício próprio, Aécio desafia a Constituição que permite a reeleição de mandatários no exercício do cargo. Quem ele pensa que é para ficar acima da lei? Faz isso porque a Comissão de Ética do Senado, o partido e o Supremo Tribunal Federal agem como vassalos em relação a ele? É o hábito da vassalagem que o faz agir de forma autoritária e egocêntrica além da conta?

A candidatura de Jereissati foi oficializada ontem e ele deve ter como adversário na disputa o governador Marconi Perillo (PSDB-GO), que tem o apoio do grupo ligado a Aécio. Nos bastidores do partido comenta-se que o cearense tem um pacto com Ciro Gomes para apoiá-lo ano que vem, enquanto o governador de Goiás é sabidamente ligado a Lula e ao PT.

No seu afã tirânico, o presidente afastado nomeou o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman para comandar o próprio projeto sucessório.

Goldman disse que o senador mineiro tomou a decisão de destituir Tasso Jereissati do comando tucano porque tem “prerrogativa partidária” para isso, segundo o estatuto da sigla. “Aécio tem essa prerrogativa estatutária e eu apenas obedeço o estatuto. Vou procurar fazer uma disputa com mais isonomia”, disse Goldman ao Estado/Broadcast.

O ex-governador foi escolhido por ser o mais velho entre os oito vice-presidentes nacionais do PSDB. Segundo Goldman, é possível que, até a convenção, surja um terceiro nome.

Tasso e Aécio tiveram uma discussão dura antes do anúncio de que o senador cearense seria destituído da presidência do partido. O tucano mineiro pediu ao colega, na conversa, que renunciasse ao cargo para que houvesse “isonomia” na disputa. Tasso, então, segundo relato de aliados, respondeu em tom duro: “Você prorrogou seu mandato de presidente do partido sem consultar a executiva”. O cearense disse que não renunciaria e, diante do posicionamento, Aécio o avisou que, com base no estatuto, determinaria sua destituição.

SONORA _ TASSO

Aécio cuspiu na cara de metade dos eleitores brasileiros. Estes tiveram a ilusão de que ele seria o líder indicado para reconstruir o País depois da tempestade petista que assolou as contas públicas nacionais. Mas ele se dedicou ao ócio e à inutilidade depois de perder a eleição por muito pouco para Dilma e Temer. E depois foi acusado de ter recebido propina para participar do mesmo processo de roubo como oposição fake. Aécio é uma vergonha nacional. Seu avô Tancredo deve estar se revirando no túmulo em São João Del Rey depois dessa última atitude. O neto está conduzindo o próprio partido e o legado familiar a um enterro político e moral na eleição do ano que vem. O féretro não poderá ser conduzido para Minas, pois o remelexo de Tancredo será capaz de produzir um abalo sísmico.

O advogado de Temer, Eduardo Carnelós, pediu ao relator da acusação de Janot contra Temer que, ao contrário do que decidiu, não desmembre mais os processos dos acusados neles que não tenham foro privilegiado para a primeira instância. O que o moveu a fazer isso?

O dr. Carnelós ponderou – se é que se pode usar o verbo ponderar no caso – ao ministro Edson Fachin para que ‘reconsidere’ o despacho em que determinou o desmembramento do inquérito do ‘Quadrilhão do PMDB’ na Câmara. Segundo o defensor, a continuidade das investigações sobre quem não tem foro privilegiado, determinada pelo magistrado, gera o ‘risco de ocorrer colheita de prova sem a participação’ das defesas de Temer e seus ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), contra quem a ação está suspensa.

Depois de a Câmara dos Deputados barrar a análise no Supremo Tribunal Federal da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer e os ministros Franco (Secretaria-Geral da Presidência), por organização criminosa e obstrução de Justiça, o ministro Edson Fachin, da Corte máxima, decidiu desmembrar a denúncia para que tramite na primeira instância. Fachin decidiu enviar ao juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, a parte da denúncia pelo suposto crime de organização criminosa que se refere ao restante do núcleo político do PMDB da Câmara — o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), o ex-assessor especial da presidência Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

Já a parte da denúncia que é pelo crime de obstrução à investigação de organização criminosa, com relação a Joesley Mendonça Batista e Ricardo Saud, será encaminhada à Justiça Federal em Brasília.

O advogado do presidente afirma que ‘não se opõe à decisão’, mas pondera a ‘reconsideração’ do despacho.

“Ora, permitir que tal imputação tenha sequência em relação a alguns dos denunciados, e permaneça suspensa em relação a outros (dentre os quais, no dizer da absurda inicial acusatória, aquele que seria o líder da cerebrina organização criminosa), implica aceitar o risco de que, sem que estes últimos possam defender-se na eventual instrução criminal que venha a ser realizada, o julgamento dos fatos poderá atingir, irreversivelmente, aqueles que não puderam participar da colheita da prova, com prejuízo evidente a eles! “, afirma o defensor. E afirmou que ‘a própria produção probatória poderá constituir irreparável prejuízo àqueles que dela não tenham podido participar, porque a acusação contra eles permanecerá suspensa’.

Ou seja, a defesa do presidente está propondo a extensão preventiva do foro já superprivilegiado do chefe do governo a todos quantos sejam acusados de crimes em cumplicidade com ele. Temer é um pândego. E só algo muito sórdido pode justificar essa atitude: a certeza de que cometeu delitos que poderão comprometê-lo no futuro ao sair da presidência e perder o foro. Sua Excelência não perde uma ocasião para envergonhar o país que governa. Hoje é um títere nas mãos do abjeto Centrão e de outros deputados que impediram as investigações pedidas por Janot. E mesmo protegido por essa jabuticaba absurda que é não responder por crimes cometidos no exercício do Supremo quer impor à Nação uma espécie de indulgência perpétua para conseguir a impunidade perene.

Líderes de diversos partidos tentam reverter um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a inelegibilidade de 8 anos estabelecida na Lei da Ficha Limpa, implementada em 2010, pode ser aplicada em casos anteriores ao ano em que a regra começou a valer. Será que mais essa manobra contra o Judiciário será bem sucedida?

Por meio de um projeto de lei complementar do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), os deputados de 19 partidos querem “disciplinar” o alcance da lei, que torna inelegível condenados por abuso de poder econômico ou político. A informação foi dada na coluna Poder em Jogo, do GLOBO. A Lei da Ficha Limpa foi sancionada em junho de 2010 e começou a valer nas eleições seguintes, de 2012, mas por um placar apertado, de 6 a 5, o Supremo decidiu no início do mês passado que os políticos condenados antes de a lei entrar em vigor também podem ser atingidos por essa inelegibilidade de oito anos.

Apesar de ser uma lei mal redigida e cheia de buracos, a ficha limpa é sem dúvida um avanço moralizante na sórdida prática da política do Brasil. Agora, sob a liderança dos líderes do partido do governo, Baleia Rossi, do PMDB, e da oposição, Carlos Zaratini, do PT, os bandidos e suspeitos do Congresso querem destruir também o seu legado. Mais uma vergonha a negar o ufanista Afonso Celso. Por que me envergonho do meu País…

Os militantes de movimentos negros que vazaram o vídeo que motivou a suspensão do jornalista William Waack de seus programas na Globo e na Globo News vieram a público dizer que o fizeram para debater o racismo e porque o colega ofendeu. Que dizer disso?

Dois jovens admitiram terem vazado o vídeo em que William Waack se prepara para uma passagem durante a cobertura da eleição de Donald Trump, no ano passado. Ele aparece reclamando de um motorista que buzina, afirmando que “é coisa de preto”.  Wiloliam foi afastado do Jornal da Globo depois do vazamento e seu programa na GloboNews, Painel, foi retirado do ar. O operador de VT Diego Rocha Pereira, 28 anos, e o designer gráfico Robson Cordeiro Ramos, 29, afirmaram à Rádio Jovem Pan que foram eles os responsáveis por divulgar as imagens.

É mentira. Não se pode dizer que William é racista porque, numa piada infeliz e sem graça, ele atribuiu genericamente a um “preto” o buzinaço que atrapalhava sua entrada ao vivo na cobertura da eleição presidencial americana no ano passado. Errar é humano, já diziam os romanos muito antigamente, e William errou, reconheceu o erro e pediu desculpas. Desculpas bastam? Muita gente acha que bastam inclusive esses petistas que chamam quem combateu os corruptos que levaram o Brasil a essa crise e a essa miséria num ambiente de pogrom ideológico nas redes sociais.

William não está sendo crucificado por ser racista. Pittigrili tornou famosa sua afirmação de que “toda pessoa tem seus cinco minutos diários de imbecilidade. A diferença entre as pessoas brilhantes e as demais é que, em seus minutos de imbecilidade, os brilhantes ficam quietos.” No caso de William, ele teve alguns segundos de imbecilidade e sua crucificação nu em praça pública por militantes da intolerância, nesses tempos de fogueiras da inquisição na Internet é tirânica, absurda, injusta e cruel. Acontece que William não está sendo exposto e maltratado por ser racista, mas por ser um jornalista independente. E também por ser brilhante. Os medíocres organizados e que formam quadrilhas de detratores nas redes sociais não perdoam um profissional brilhante, independente, que exerce aquela frase famosa de Millor Fernandes, segundo quem livre pensar é só pensar. Na condição de jornalista independente, sem ter procuração para defender o colega, venho aqui a meu público dizer que os jornalistas Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo tiveram a coragem de vir a público denunciar esses novos Torquemadas, fascistinhas de esquerda e de direita que não toleram a convivência pacífica e não perdoam os erros alheios por menores e menos relevantes que sejam. O palpite infeliz do apresentador só foi levado ao público pela atitude clandestina, covarde e oportunista de seus detratores, que tiveram acolhida da Globo, cuja mauvaise conscience a põe sempre na posição defensiva que a leva a dilapidar seu patrimônio por mera covardia. Não há nos quadros do jornalismo da rede de televisão nenhum jornalista que tenha o currículo, o talento e a independência de William, que é o melhor jornalista da nossa geração e está quilômetros-luz à frente e acima de deus detratores e dos carrascos que executaram a pena dos detratores.

SONORA Amigo Roberto Carlos

https://www.youtube.com/watch?v=pTF184kDl5c

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