Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

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Diário do Nêumanne: Fogo amigo

Diário do Nêumanne: Fogo amigo

Terça-feira 10 de maio de 2016

Fogo amigo

Luta sem limites de Dilma e seus aliados comunistas pelo mandato denota desapreço pela democracia burguesa

Lula já tinha ameaçado pôr o exército de Stedile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) nas ruas para garantir o mandato de sua afilhada e sucessora “Dilminha tchau querida”, até à bala, se necessário for, como garantiu Vagner de Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Este o fez, por sinal, na presença dela no próprio Palácio do Planalto. Hoje os grupos convocados por Lula (mesmo estando ele em casa, mudo) provocaram incêndios para cumprir a promessa.

Na verdade, não foi posto fogo no País, como garantiam que aconteceria, mas, sim, em pneus velhos, em várias cidades brasileiras. Alguns pontos cruciais para a circulação viária na mais populosa e menos petista das cidades brasileiras, São Paulo, sofreram as consequências da tática piromaníaca. Em nenhuma manifestação foi reunida uma quantidade sequer relevante de militantes. Mas em todas, graças à disposição desses chamados grupos sociais, o trânsito foi interrompido e os trabalhadores que seguiam para o expediente ou partiam em busca de trabalho, neste momento de desocupação massiva, tiveram enormes dificuldades para chegar ao trabalho ou às agências de empregos.

Em São Paulo, o prefeito petista e o governador tucano tiveram motivos demagógicos para não impedir que os gatos-pingados paralisassem a mobilidade urbana. Fernando Haddad é candidato à reeleição em outubro e Geraldo Alckmin imagina que poderá se candidatar à Presidência da República em 2018, na sucessão ao mandato iniciado por Dilma e provavelmente a ser encerrado por Temer ou por alguém que para isso vier a ser eleito.

Mais grave ainda é o fato de que a presidente, cujo desgoverno é uma espécie de zumbi, cadáver insepulto, permitiu que um grupo de manifestantes a seu favor ocupasse um andar inteiro da sede do poder republicano, que é público, e não sua propriedade privada. O uso do próprio como se fosse a sede de um sindicato ou de seu partido político dá bem a dimensão do amor que a chefa do desgoverno tem pelo Estado Democrático de Direito, que ela assumiu e jurou defender na posse. A distribuição de esqueletos financeiros pelas sedes da gestão federal lembra o ato escatológico do coronel Silvestre Péricles de Goes Monteiro, que rebocou com fezes o Palácio Floriano Peixoto, em Maceió, quando teve de transferir o governo do Estado de Alagoas a um desafeto político. E retrata fielmente o desapreço pela democracia dos ocupantes do governo, que defendem com unhas e dentes suas boquinhas, pouco se importando com o desemprego de 11 milhões de brasileiros, provocado por sua incompetência na gestão. Dilma em pessoa repete com insistência irritante que arriscou a vida pela democracia, sendo que, na verdade, combateu na esquerda armada uma ditadura de direita para implantar tirania do lado oposto do espectro ideológico. E agora apela para o poder perene do sufrágio universal, mercê do qual chegou à Presidência, cargo ao qual se agarra como se fosse o único sentido para sua existência, a despeito da vontade de todos os setores da sociedade, que dela só querem distância .

Ainda quanto a isso, é o caso de lembrar que Flávio Dino, planejador da tentativa de anular a votação da Câmara dos Deputados, e a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) militam num partido revolucionário que não aceita a democracia burguesa e professa sua substituição pela ditadura dita do proletariado. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) é uma dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, por se opor aos soviéticos, seguiu três linhas revolucionárias: a do chinês Mao Tsé-Tung, a do albanês Henver Hoxxa e, hoje, a do tiranete norte-coreano Kim Jong-un.

Como se vê, somente a paixão cega pode justificar que qualquer pessoa, professe ou não a ideologia deles, aceite como válidos seus argumentos a favor de firulas jurídicas como aquela com a qual Zé Cardozo quer invalidar o impeachment: o fato de líderes de bancadas as terem encaminhado para votar contra Dilma. O que, aliás, eles não deixaram de fazer a favor dela.

(Publicado no Blog do Nêumanne no Estadão)

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/fogo-amigo/

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Direto da Redação da Rádio Estadão: Circo mambembe no Congresso

Direto da Redação da Rádio Estadão: Circo mambembe no Congresso

A decisão monocrática de Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara de Deputados, de anular o voto livre de 367 colegas. te, pai, mãe, padrinho e mandante. Ele merece ser punido, mas também terão de sê-lo quem está por trás dessa decisão que torna o País vítima da galhofa do mundo: Dilma, Cardozo e, sobretudo, Mercadante Oliva, que reapareceu depois de passar um tempo escondido na Esplanada dos Ministérios e puxou a comemoração de circo mambembe que antecipou em quase um ano o carnaval de 2017

(Comentário no Direto da Redação 3 da Rádio Estadão – FM 92,9 – na segunda-feira 9 de maio de 2016,às 18 horas )

http://radio.estadao.com.br/audios/detalhe/radio-estadao,a-anulacao-do-processo-de-impeachment-na-camara-pelo-presidente-em-exercicio-waldir-maranhao-e-tema-da-coluna-direto-ao-assunto,579548

No Diário do Nêumanne: A cara de pau de Paulo Teixeira

No Diário do Nêumanne: A cara de pau de Paulo Teixeira

A cara de pau de Paulo Teixeira

José Nêumanne

Petista quer tornar impunes empreiteiros acusados de corrupção na Lava Jato e anular votação do impeachment porque líderes a encaminharam

Os principais jornais brasileiros trazem hoje notícia, com chamada na primeira página, de que a segunda maior empreiteira de obras do País, a Andrade Gutierrez, teve seu acordo de leniência homologado na semana passada pelo juiz federal Sergio Moro. Pelo acordo, a empresa ressarcirá a União em R$ 1 bilhão, E pede desculpas publicamente à sociedade em anúncios de quase uma página nas mesmas publicações.

Ao longo de todo o ano de 2015 e dos primeiros quatro meses de 2016, o jurista Modesto Carvalhosa, um dos maiores especialistas em combate à corrupção no País, escreveu vários artigos na página de Opinião do Estadão denunciando medidas provisórias (MPs) e portarias da lavra de Dilma Rousseff que criam empecilhos à punição de empreiteiras denunciadas por cobrar mais do que deveriam numa licitação normal e pagar propinas a agentes públicos, burocratas de vários escalões na União e nas estatais, membros de altos escalões do Executivo e parlamentares. Ninguém no governo, em sua base parlamentar, na oposição ou nas instâncias judiciárias até hoje deu a mima atenção às evidências apontadas com crueza, clareza e sensatez pelo professor de Direito.

No dia seguinte à homologação, 6 de maio, o distinto público foi informado das denúncias do Ministério Público Federal feitas contra o ex-senador Gim Argello, companheiro de caminhadas matinais de dona Dilma, por ter  recebido pixulecos pagos no propinoduto de obras superfaturadas da Petrobrás. Foi denunciado ainda outro preso em outra fase da Lava Jato, o empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC. Na entrevista, um dos membros da força-tarefa, o procurador federal Deltan Dallagnol, aproveitou a ocasião para chamar a atenção da Nação para um fato que vinha passando em brancas nuvens no noticiário: a Medida Provisória nº 703, que trata desses acordos de leniência em geral.

Essa providência legal absurda foi assunto de artigos de Carvalhosa em 29 de dezembro de 2015 e 13 de fevereiro de 2016, nos quais ele esclarecia alguns pontos que a desmoralizam. E o procurador deu na entrevista informações sobre mudanças na MP, que ainda tratam com mais leniência grandes empresários acusados de furto.

Desde dezembro, quando foi editada a MP 703, informações capitais dadas por Carvalhosa em seus artigos no Estadão caíram no vazio de um Congresso desinteressado do que é fundamental para o País. Eis algumas:

– Acordo de leniência só cabe quando firmado com apenas uma empresa. Se mais de uma o assina, perder-se-ia o efeito positivo que a delação permite com a leniência.

– “Em vez de generalizar o regime diferenciado, um hipotético governo idôneo, a esta altura do desastre, o que faria? Simplesmente teria adotado o sistema de performance bond, quebrando, por meio dele, a interlocução direta entre as empreiteiras e os agentes do Estado, tal como há 120 anos se pratica nos EUA. Esse consagrado seguro de obras públicas transfere para as seguradoras a responsabilidade pelo justo valor contratado, pela fiscalização efetiva das medições dos serviços e pelo estrito cumprimento dos cronogramas. Mas o atual grupo que domina o País nada fez e nada fará nesse sentido”, explicou Carvalhosa no Estadão.

– Com isso, fica desfigurado o modelo de acordo de leniência instituído na Lei Anticorrupção para transformá-lo no instrumento de anistia plena, geral e irrestrita das 29 empreiteiras corruptas, trazendo-as de volta ao seio do Estado.

– A MP extingue ainda todos os processos judiciais e administrativos, com base em quaisquer leis vigentes, no que respeita às empreiteiras indultadas. Ficam também isentas de reposição dos valores furtados do erário. E, assim, as ações que o Ministério Público ou qualquer outro órgão ou ente administrativo promovam contra elas são extintas no momento da assinatura do tal “acordo de leniência”. As aspas têm, no caso, razão de ser.

Essas críticas valem para o acordo homologado quinta-feira As oito medidas por um Brasil melhor podem ser substituídas pelo efetivo uso de performance bond. Mas algo ainda pior e mais grave esteve para acontecer. Dois dias ante da homologação ora noticiada, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) apareceu  em públicodefendendo seu relatório na comissão especial propondo mais mudanças no texto final da MP 703. A votação foi adiada, mas o perigo de sua aprovação persistirá até 29 de maio quando a MP perde validade.

Deltan Dallagnol não se opõe à realização de mais de um acordo, desde que cada um traga fatos e provas novos que tenham, no contexto dos fatos já conhecidos, uma alta significância. Segundo ele, o conceito difundido na área de colaboração de que não se faz acordo com tubarão para pegar sardinha, mas sim o contrário, ou ainda com uma sardinha para pegar um cardume. Dallagnol citou na entrevista três mudanças que não lhe agradam no relatório:

– A combinação de preços entre empresas, prática conhecida como cartel, ficaria de fora dos acordos. Esse crime foi praticado pelas construtoras da Lava Jato.

– Provas entregues pelas empresas não poderão ser compartilhadas com as investigações criminais.

– As empresas poderão ainda pagar apenas multas para compensar a prática de atos considerados ilícitos, sem que reconheçam ter cometido crimes.

A medida provisória entrou em vigor em dezembro do ano passado E perderá a validade no fim deste mês. Se aprovado o relatório do deputado Paulo Teixeira na sessão da terça 10 de maio, o texto deve seguir para votação na Câmara e no Senado.

Os promotores da Lava Jato temem que, se o relatório de Teixeira virar lei antes de a MP se tornar perempta, no fim deste mais, tais regras prejudicarão a investigação do Ministério Público de casos de corrupção envolvendo empresas. Na coletiva que citei acima, o citado procurador Deltan Dallagnol disse que o relatório de Teixeira é um retrocesso na luta contra a corrupção: “Ele é um ataque direto às investigações do caso Lava Jato. Em várias dimensões, esse parecer é uma aberração, é um atentado contra o trabalho de investigação, contra o processamento de fatos criminais para o Ministério Público”.

Convém lembrar que, em depoimento prestado à Justiça Federal em Curitiba, o deputado fez em vão várias tentativas de interromper o processo de impeachment de Dilma. Na última delas, alegando nulidade dos 367 votos dos 513 deputados que aprovaram encaminhamento do processo ao Senado, em 17 de abril, por ser ilícito, segundo ele, encaminhamento de votação pelos líderes de bancadas, também feito por bancadas governistas. O mesmo verborrágico parlamentar teve a petulância de dizer ao juiz federal Sergio Moro que a Engevix, uma das empresas atoladas no pântano do petrolão, depositou R$ 190 mil em sua conta bancária por engano. E também que ele não se lembra mais de quem foi o benfeitor que, na verdade, o teria feito.

Quem, por bom senso e decência, der mais atenção aos acurados artigos do dr. Carvalhosa no Estadão e ao profícuo trabalho do dr. Dallagnol do que às arengas do caradura Teixeira poderá mostrar também sensatez se perceber a existência de um fio lógico conectando o depósito misterioso da empreiteira na conta do deputado à sua defesa da inimputabilidade de empreiteiras envolvidas na Lava Jato e do zumbi insepulto do desgoverno Dilma, que fica mais podre nessa fétida decomposição a céu aberto.

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne no Estadão, segunda-feira 9 de maio de 2016)

Elis, a mais perfeita tradução do pop do sertão de Belchior

Elis, a mais perfeita  tradução do pop do  sertão de Belchior

José Nêumanne

Os violétricos. Este neologismo, síntese de memória e inovação, era um signo de nossa proposta, que ligava polos opostos, mesclando respeito e provocação. Belchior e eu planejávamos escrever um tratado sobre a fusão de viola de feira com guitarra elétrica. A obra não foi escrita e a palavra se perdeu, mas a geração teve sorte e fez sucesso: Fagner, Zé Ramalho, Mirabô, Alceu, Geraldinho, Marcus Vinicius, Pessoal do Ceará e outros autores retirantes. Com eles, as cantoras Elba e Amelinha.

Belchior morava na obra da casa de Irede Cardoso, minha colega no jornal e, depois, vereadora e militante feminista. Sem dinheiro para refeição e transporte, ia todo dia do Cemitério do Araçá, no Sumaré, até meu apartamento na Rua Caio Prado, na Consolação. Comíamos feijão de corda, preparado com esmero por Maria de Marinheiro: era a madeleine de Proust dele e o fazia voltar a sua Sobral natal. Ali, planejávamos o ensaio que não foi escrito.

Outro colega, Walter Silva Picapau, providenciou encontros que possibilitariam ao cearense realizar seu sonho de juventude. Levou-o para o programa Mixturação, no Teatro Record da rua Augusta, produzido pelo crítico que fora disque-jóquei. No palco cruzou com Raul Seixas, Simone, Ney Matogrosso e os Secos e Molhados. E ali reencontrou Fagner, o Pessoal do Ceará e Pekin. Walter apostava nos boleros deste último, mas ele nunca fez sucesso, voltou pro Ceará e sumiu. Alguns ascenderam ao estrelato, caso de Fagner e Belchior, que compuseram juntos Mucuripe, clássico registrado por Roberto Carlos, depois de Elis Regina.

No programa, ele também cruzou com o poeta, maestro, compositor e musicólogo Marcus Vinicius de Andrade, sob cuja direção musical produziu seu primeiro LP, por escolha do Picapau, que dirigia uma linha de jovens compositores e intérpretes pra Continental, de Alberto Byington. No apartamento de Marcus na Frei Caneca os dois engendraram seu disco de estreia. O resultado foi primoroso, mas não fez o sucesso comercial que merecia. Marcus introduziu no projeto de fusão pop-popular do artista o legado de George Martin com os Beatles.

O disco seguinte, Alucinação, feito no estúdio da Polygram, na Barra da Tijuca, foi uma espécie de grandes sucessos avant la lettre. Ali foram gravadas algumas das melhores canções de sua lavra. Duas – Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida – foram interpretadas de tal forma por Elis, com arranjos de César, que garantiram o sucesso enorme do show e do álbum Falso Brilhante, obra prima da dupla Elis e César. E incrementaram as vendas do próprio lançamento, agora quarentão.

Belchior virou um artista popular para o povão, o rei do circuito de churrascarias na periferia. E a maior cantora brasileira desde sempre o entronizou num alto altar no panteão da tal da Música Popular Brasileira. A Pimentinha de Porto Alegre e o pianista paulistano conseguiram de maneira mágica fazer o casamento perfeito entre a mistura de música e da poesia de repente do sertão com os sons da arte que consagrou Lennon e McCartney, Richards e Jagger. É difícil hoje saber se Belchior tem noção de que o sonho do compositor que amava mais a poesia, iniciado com Hora do Almoço, citada por seu inimigo de adolescência Fagner na gravação de Canteiros, foi realizado em tal plenitude que o melhor de sua obra inteira está no CD do show Falso Brilhante.

Qual falso, o quê? É o som sem jaça de violétrico no auge da perfeição.

Jornalista, poeta e escritor

Caderno 2 do Estadão, domingo, 8 de maio de 2016.

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/o-pop-do-sertao-de-belchior/

No Diário do Nêumanne: Dez pílulas de um dia nada homeopático

No Diário do Nêumanne: Dez pílulas de um dia nada homeopático

Diário do Nêumanne
Quinta-feira 5 de maio de 2016

Dez pílulas capitais deste dia nada homeopático:

 What a difference a day makes, cantava a diva Dinah Washington. Que diferença um dia como hoje faz, gente! Vamos abordá-las em pílulas:

1 – Já tinha passado minha hora de 7 às 8 no Estadão no Ar da Rádio Estadão (FM 92,9) quando Isabel me avisou, como o chefe da polícia no samba de Donga, que Teori Zawascki havia interrompido o mandato de Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados. Na rádio só poderia comentar às 6 da noite, dez horas depois, no Direto da Redação. Tempo demais pra pensar no que falar, e não escorregar. Informação chegando pelo computador: o relator da Lava Jato ficou furioso com Lewandowski, porque o presidente pôs em pauta projeto da Rede, relatado por Marco Aurélio Mello, contra a preservação do mico Cunha na presidência daquela Casa, sem que ele tivesse decidido sobre o pedido do procurador Janot para atingir o mesmo objetivo. Nem um homem severo como aquele escapa da guerra de vaidades no Extremo Protelador Geral, que esperamos que um dia volte a ser Supremo Tribunal Federal. Em vez de comemorar, o Planalto viu conspiração para salvar Temer, cada vez mais candidato a substituir o correligionário no papel de vilão número 1 da turma da preservação da espécie petralha. Que coisa! Como uma transmissão ao vivo  pode reduzir a temperança de um varão! De fato, Cunha deixando de ser inimigo preferencial é uma grande perda – é o recado da Corte sob desconfiança.

2 – Antes disso, fiquei sabendo que um juiz federal de Brasília condenou nove acusados na Operação Zelotes. Todos lobistas. Nenhum dos réus pagou propina. E dos que receberam, só os sem foro privilegiado foram condenados. É, aliás, o que restou do mensalão. Os intermediários cumprindo longas penas e os receptadores, todos perdoados. Só faltam Zé Dirceu e Pedro Corrêa, ambos réus do petrolão. Continuam sub judice porque reincidiram no crime e desmoralizaram o sistema. Até agora faltava Valdemar Costa Neto, o Boy, que levou Lilian Ramos sem calcinha ao palanque do desprevenido carnavalesco Itamar. Ele foi perdoado, enquanto se mantém ocupado ocupando ministérios do futuro governo Temer. Nosso Brasil de sempre é como o rio de Heráclito de Éfeso: ninguém toma banho no mesmo rio, mas a água que banha é sempre a mesma. E, como dizia Jânio Quadros, mudam as moscas, mas as fezes são as de sempre.

3 – Que tal a Justiça autorizar a produção do filme Suzaninha Matou a Mãe e Foi ao Cemitério Levar Flores, hein? Que tragicomédia, sô!

4 – Será que Antônio Cláudio Mariz de Oliveira não está indo para o Ministério da Defesa para convocar as tropas para livrar os condenados da Lava Jato de cana, agora que eles vão assumir os mesmos ministérios do desgoverno Dilma na gestão Temer, esperança que se desmancha no ar? Vamos ter que convocar o velho Heráclito de novo, hein?

5 – Tive umas desavenças com Ronaldo Caiado no passado. Mas, ao ver e ouvir o descendente do oligarca goiano Caiado de Castro dar aulas de civilidade, coragem, brio e bons modos ao mal-educado coronelzinho mimado Lindinho de Tambaú e Nova Iguaçu no plenário da comissão de impeachment do Senado, deu-me vontade de estender a mão a Caiado e cumprimentá-lo pela paciência e pela ressurreição da velha lógica de Aristóteles e Santo Tomás, que aprendi com o padre holandês Bernardo no seminário redentorista de Bodocongó, em Campina Grande. Devia tê-lo feito. Qualquer dia o farei. Na sessão, aprendi ainda que minha colega e amiga Ana Amélia está anos-luz à frente das mulheres da bancada do chororô nos quesitos última flor do Lácio, civilidade e intimidade com a lei, desprezada por PT, PSOL e PCdoB. Será que as militantas falam albanês, hein?

6 – Considero Fernando Haddad o pior prefeito da história de São Paulo. Mas os taxistas não têm a menor razão de pô-lo sob suspeição só porque o sobrinho é gerente do Uber. Podiam ser menos corporativistas e cuidar mais das relações públicas com o cliente, ao invés de chutar a lógica desse jeito.

7 – Se Dilma poderá entrar para a História pela fraude fiscal e contabilidade destrutiva (apud Júlio Marcelo de Oliveira), o tucano Alckmin a acompanhará na condição de caloteiro e protetor de canalhas que não se envergonham de furtar merenda de criança na escola, certo?

8 – Recesso, pra que recesso, senhores senadores?

9 – Afinal, faltam seis ou oito dias para nos livrarmos de madama, Renan Calheiros? Vou ter de chamar o cabo Omena, assassinado em Alagoas pelos parentes dele, para assombrá-lo no escurinho da noite, visse?

10 – Sejam quantos dias forem, tá chegando a hora. Inté.

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No Diário do Nêumanne: Conselhos de algibeira

No Diário do Nêumanne: Conselhos de algibeira

Diário do Nêumanne
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Com pompa e caradura, mas sem candura

No relator do processo do impeachment dela no Senado Dilma execra os ingratos devedores de sua generosa gentileza

A ingratidão, esta pantera, como registrou o poeta Augusto dos Anjos,  é mesmo um defeito terrível. Dilminha, coitada, sua companheira inseparável, tem muitos ingratos a lamentar e uma vítima a reclamar da inimaginável ingratidão… dela. Lula, logo Lula, nunca a perdoou (nem esquecerá, pois dona Marisa não o permitirá) por não ter ela desocupado a moita, como se diz no Semiárido, só pra ele voltar ao trono em 2014, com pompa, circunstância e caradura. Depois vem a coleção particular, guardada na caixinha de mágoas dela. A senha inaugural vai pra Eduardo Cunha, que era da organização criminosa que seu padim é acusado de ter chefiado – e logo pelo ingrato a ambos Rodrigo Janot, que ela reconduziu ao cargo de procurador-geral da República e de quem ele se queixou num telefonema que tem dado muita enxaqueca a ambos. Cunha, quem diria, virou seu inimigo figadal. E por lana craprina: só porque ela, a conselho de Aloizio Mercadante Oliva e Cid Gomes – o tal que cometeu a impropriedade de xingar Teori Zavascki, que é viúvo, de “corno”; Janot, que não protagoniza capivara, de “ladrão” e Moro, o herói nacional da caça aos corruptos, de “picareta” -, apoiou Arlindo Chinaglia contra o peemedebista fluminense na eleição para a presidência da Câmara. Impeachment no dicionário da Vana Linhares é vingança de ingrato escroto. Ou seria de escroto ingrato? O penúltimo da lista foi Delcídio (teocida, assassino de Deus), por ela nomeado líder do próprio desgoverno no Senado. Quem já viu o sujeito cuspir na prebenda que recebeu, ora bolas? E acaba de chegar a vez do senador Antonio Anastasia, autor do competente relatório para a aceitação do processo do impedimento na dita Câmara Alta. Logo ele! Segundo a UOL, Dilma comentou com “interlocutores” que sempre teve uma relação “republicana” com o conterrâneo e que “Minas teve muita ajuda do governo federal”. Fica o degas aqui estarrecido. Tem como não ser republicana a relação entre um governador e o presidente da República Federativa numa democracia? Não teriam sido ambos eleitos pelo povo? O certo era Minas, Estado onde ela nasceu e que recentemente lhe deu a vitória na eleição contra o tucano Aécio Neves, antecessor do relator no governo do Estado, nunca ter ajuda do governo federal?

Dilma execra ingratos a mancheias. Foto/Divulgação Blog Estadão, Diário do Nêumanne

Dilma execra ingratos a mancheias. Foto/Divulgação Blog Estadão, Diário do Nêumanne

Pelo que entendi, Dilma quer ter, se não o monopólio, ao menos a primazia da ingratidão. Será que em algum momento, ao se preparar para defender o doutorado, que não defendeu, na Unicamp, Dilminha Tchau Querida ouviu falar da frase famosa de  Charles de Gaulle, aquele generalzão francês? Bem, a sentença, repetida aqui, pode valer pelos três lados: “A ingratidão é a maior virtude de um homem público”: ela própria, os que não são agradecidos a ela e, last but not least, Michel Temer, o mal agradecido dos mal agradecidos, aquele que quer tomar seu lugar só por ter cedido todos os votos que o PMDB lhe daria para ela ao menos chegar ao segundo turno da eleição presidencial. Nunca na História deste país uma modesta ingratidãozinha iria tão bem e seria muito útil, cívica, profícua e necessária como no governo que se prenuncia pra antes do feriado da Abolição. Ainda restamos nós, imperdoáveis ingratos que não agradecemos nem agradeceremos a imperícia incomum com que madama produziu o mais gravoso caos econômico e a mais nefasta crise política, geradas na perda total da moral e bons costumes, da História do Brasil. Certo?

José Nêumanne

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