Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Direto ao Assunto

Comentário no Jornal da Gazeta: Congresso trai o povo

Comentário no Jornal da Gazeta: Congresso trai o povo

As últimas votações no Congresso traem explicitamente a vontade do povo e instalam no poder que se diz seu representante uma cleptocracia controlada por chefões de organizações criminosas partidárias. A Câmara tornou lei um projeto esdrúxulo que favorece o crime eleitoral, dificulta a fiscalização e consagra na letra da lei a antiga prática de infratores flagrados serem dispensados sumariamente do pagamento de multas. Tudo isso é resolvido em serões na casa de Maia e as discussões em comissões ou audiências públicas são dispensadas.

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Direto ao Assunto no YouTube: STF manda e desmanda

Direto ao Assunto no YouTube: STF manda e desmanda

Gilmar Mendes mandou avisar que vai devolver sua vista ao recurso de Lula na Segunda Turma do STF antes de novembro. Seu voto na certa será para soltar o petista por ódio pessoal contra Moro e a Lava Jato desde que começaram a investigar tucanos sob sua proteção. Lewandowski disse que não vai esperar decisão de turma nem de plenário e julgará sozinho, contrariando a natureza colegiada do órgão, os processos da mesma operação. E Alexandre de Moraes decidiu que o dinheiro devolvido da roubalheira da Petrobrás será usado em educação e na Amazônia. Quem lhe deu esse poder de decidir o que fazer com dinheiro que pertence a todos? Não há 1 STF, mas 11. Não dá pra conviver com isso. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Comentário no Jornal Eldorado: Lei para proveito próprio

Comentário no Jornal Eldorado: Lei para proveito próprio

Aprovada na Câmara de Maia, lei que facilita crime eleitoral e de partidos e autoriza meliantes a pagarem advogados com dinheiro público não passou no Senado e voltou à origem. Alcolumbre traiu pacto da semana passada, mas pressão da sociedade e do grupo Muda Senado devolveu o texto para a Câmara, mantendo o fundão da eleição sem valor determinado e eliminando excrescências. Centrão vai se esforçar para manter o mostrengo original e cabe à sociedade reagir na quarta 18 da forma como venceu a batalha da terça 17 e exigir atitude de representante, e não de dirigente de clube privado, de parlamentares.
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Assuntos para o comentário da quarta-feira 18 de setembro de 2019

 1 – Haisem – A manchete do Estadão de hoje registra: Senado corta benesses a partidos, mas fundo eleitoral pode crescer. Que lições traz à política brasileira esta votação de ontem da lei que, em teoria, pretende reorganizar as disputas eleitorais e a contabilidade dos partidos

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 2 – Carolina – Na discussão específica do texto final aprovado pela Câmara e levado para aprovação do Senado qual senador você destacaria

 3 – Haisem – Que motivos tem o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes para marcar a votação da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, ministro da Justiça, na condenação de Lula em Curitiba

 4 – Carolina – Que significado querem dar o candidato favorito à eleição presidencial na Argentina Alberto Fernández e Chico Buarque ao marcarem visita para quinta-feira a Lula na PF de Curitiba

 5 – Haisem – PGR cita político como suspeito de mandar matar Marielle, revela Estadão na primeira página. Que contribuição você acha que a ex-procuradora-geral da República, Raquel Dodge deu à investigação da execução da vereadora e seu motorista Anderson Gomes, acusando o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio Domingos Brazão de ser um dos mandantes do crime

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 6 – Carolina – O que você acha que o futuro procurador-geral da República, Augusto Aras, tem em vista ao convidar a procuradora Thaméa Danelon, que você entrevistou para seu Blog recentemente, para a equipe dele

 7 – Haisem – Outro título do alto da primeira do Estadão é o seguinte: MP do Rio defende foro especial para Flávio Bolsonaro. Você tem ideia do que pode justificar essa medida

 8 – Carolina – Você acha que a resposta do ex-presidente Michel Temer no programa Roda Viva da TV Cultura anteontem de que não teria contribuído para o golpe contra Dilma Rousseff foi sincericídio ou não passou de um mero lapso de linguagem

No Estadão desta quarta-feira: Uma causa muito nobre e seus infectos parasitas

No Estadão desta quarta-feira: Uma causa muito nobre e seus infectos parasitas

Muita gente tece loas à democracia

para usar a vontade do cidadão em proveito próprio

José Nêumanne*, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2019 | 03h00

Quando Samuel Johnson, tido e havido como o intelectual por excelência na História do Reino Unido, cunhou sua mais famosa entre célebres sentenças definitivas, “o patriotismo é o último refúgio de um canalha”, referiu-se especificamente ao próprio partido político, o Patriotas. O sábio sentia-se incomodado com a invasão da sigla por oportunistas, que se aproveitavam para defender não a causa patriótica a que se referia a denominação, mas diversas maneiras de se aproveitarem do nacionalismo para negócios e interesses próprios. Os movimentos anticolonialistas e o espírito bélico das duas guerras mundiais no século 20 transformaram sua frase em libelo contra o nacionalismo, usado com êxito por nazistas e fascistas.

Essa discussão despertada pelo post de Carlos Bolsonaro é o momento de, sem abrir mão das conquistas civilizatórias da democracia (governo do povo), parodiar a sentença do século 18 na “pérfida Albion” no debate político aqui e agora. A primeira reação provocada pela crítica exposta em redes públicas é sobre poder, relevância e respeito que se deve, ou não, ao autor. Ao lê-la, este escriba lembrou-se de uma anedota clássica do século 20. Diz-se que Pierre Laval, primeiro-ministro da França, ansioso para evitar que os alemães invadissem seu país, sugeriu a Josef Stalin que ganhasse apoio dos católicos aproximando-se do papa Pio 12 para fazer frente a Adolf Hitler. Stalin teria respondido: “O papa?! E quantas divisões (militares) tem o papa?”. Ao ouvir a história, Eugenio Pacelli teria respondido: “Diga a meu filho Josef que ele encontrará minhas divisões no céu”. O filho “02” do presidente da República é um general sem bastão de um exército desarmado de seguidores em redes sociais. Um Aedes aegipti tem poder mais demolidor sobre o regime do que ele.

É mais nociva para nossas instituições democráticas sua falta de representatividade do que arroubos da prole do capitão, esta ou a ameaça de fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) com cabo, soldado e jipe.

A sensação de que a democracia no Brasil é o último refúgio dos corruptos não resulta da impaciência de um vereador nota zero na Câmara do Rio, nem das grosserias do pai dele contra a alta comissária dos Direitos Humanos nas Nações Unidas e Brigitte Macron. Mas da insidiosa mistura que os pseudoarautos do chamado governo do povo, pelo povo e para o povo fazem de seus interesses pessoais e de classe com a vontade popular. A Câmara dos Deputados – composta por um sistema de proporcionalidade que faz o voto de um paulista que mora no Acre 13 vezes mais poderoso do que um acriano eleitor em São Paulo – atua como um clube fechado de líderes de partidos, e não como o poder da cidadania.

Fala-se muito em “democracia representativa” no Brasil, mas a verdade é que, da forma como ela tem funcionado na prática, está mais para uma “cleptocracia partidária”. A distorção matemática, que impede a verdadeira representação do cidadão, relegada ao Executivo de União, Estados e municípios, tem um filhote infame na instituição que exerce o poder de fato no tal “presidencialismo de coalizão”. A Câmara tem 30 bancadas, recorde na História da República. Isso provoca um distanciamento crucial das votações em relação ao cidadão. Ao talante de seu chefão, leis de importância capital para a lisura e a consequente reputação da Casa são submetidas a votações simbólicas pelos líderes das bancadas, que decidem em alinhamento com as direções partidárias, sem prévias audiências públicas.

O texto da lei contra o abuso de autoridade, por exemplo, foi aprovado no Senado e ficou dois anos na Câmara, até passar em rito sumário e votação só de líderes. Deputados presentes tentaram exigir do presidente da sessão, Rodrigo Maia, verificação de quórum para fazer votação nominal, mas ele impôs sua vontade pessoal, jogando a democracia no lixo em nome dela própria.

Outro soit-disant arauto da democracia, Davi Alcolumbre, tentou golpe similar na semana passado para aprovar no Senado projeto ainda mais infame, em teoria, de reorganização dos partidos, mas teve de adiar para esta pela insistência de testemunhas de seu cinismo. Esse projeto autoriza parlamentares acusados de corrupção a usar recursos públicos para remunerarem advogados e dispensa partidos de pagarem multas por infrações à lei eleitoral. Os deputados da esquerda e do Centrão, com ajuda de parte da base governista, lutam para aumentar o fundo eleitoral para absurdos R$ 3,7 bilhões, aprovaram a permissão para os partidos pagarem passagens aéreas para filiados ou não com dinheiro público e retiraram as contas bancárias dos partidos dos controles da Receita Federal de Pessoas Politicamente Expostas. Um execrável descalabro!

Davi Alcolumbre, que, acumpliciado com o relator Roberto Rocha (PSDB-MA), arquivou o inquérito sobre a fraude na eleição que o pôs na presidência do Senado, em que foram computados 82 votos depositados por 81 senadores, e mantém a Casa sem Comissão de Ética, fez veemente defesa da democracia. Rodrigo Maia, eleito com 70 mil votos, no fim da fila da proporcionalidade, e feito presidente da Câmara com apoio do PCdoB ao DEM, também não perdeu a oportunosa ensancha para defender a nobre causa, da qual ele é um dos mais oportunistas parasitas.

O regime dos iguais foi desagravado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que se julga preterida por Bolsonaro, apesar de não ter figurado na lista tríplice dos colegas, e pelo decano do STF, Celso de Mello, que, sem condições de saúde de dar expediente, não cede o alto posto. Na Câmara dos Deputados, Eduardo socorreu o irmão “02” com a frase célebre “a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”, da lavra de Winston Churchill, primeiro-ministro britânico durante a 2.ª Guerra Mundial, ou “Wilson Church”, em sua prova rara de amor e erudição.

*JORNALISTA, POETA E ESCRITOR

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Direto ao Assunto no YouTube: Lei de Alcolumbre favorece crime

Direto ao Assunto no YouTube: Lei de Alcolumbre favorece crime

Sob patrocínio de Maia, Câmara aprovou PL 5029/19 sem audiências públicas nem debates em comissões. Aí passou-p para Alcolumbre, presidente do Senado, torná-lo lei em discussão iniciada antes da entrada do texto no protocolo do Senado. Os senadores se rebelaram e conseguiram do presidente pacto pelo qual o texto seria submetido antes à CCJ em sessão extraordinária na terça 17/09. Tentou tratorar o regimento de novo e pôs o projeto na cabeça da pauta. E organizações contra corrupção e bravos senadores, como Oriovisto Guimarães, impediram a quebra de trato e impuseram a ida do texto infame para a CCJ amanhã. Resumindo é a lei que descriminaliza caixa 2, dificulta fiscalização e ainda premia o criminoso que não usufruir essas vantagens pagar advogados caros com dinheiro público. Que tal? Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Comentário no Jornal Eldorado: Réstea de esperança no Senado

Comentário no Jornal Eldorado: Réstea de esperança no Senado

A semana pode estar começando com duas boas notícuias. Embora tenha sido noticiado que o estafermo Alcolumbre levará ao plenário votação apressada e irresponsável de mudanças na legislação partidária e eleitoral, espera-se que seja cumprido o compromisso de que só o fará após parecer da CCJ, à qual o texto em questão ainda não foi levado. E, salvo alguma surpresa de última hora, o senador Alessandro entregará à mesa requisição para instalação da CPI do Lava Toga com as 27 assinaturas regimentais. Como tudo o que vai ao Senado pode piorar, as duas boas notícias podem gorar, mas só se saberá disso quando esta terça acabar.

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Assuntos para comentário da terça-feira 17 de setembro de 2019

 

1, Haisem – O que o levou a ficar mais otimista a respeito do que pode acontecer esta semana depois de ter lido uma notícia do Senado de ontem

 

2, Carolina –Que efeitos foram produzidos pelo telefonema estúpido que o filho educado do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio, deu para a colega de plenário Juíza Selma e que efeitos maléficos ele produziu

 

3, Haisem– Qual foi a última contribuição do guru da família Bolsonaro na Virgínia, Olavo de Carvalho, está dando agora para mudar o nível da discussão política no Brasil

 

4, Carolina – O que o governador do Rio, Wilson Witzel, conseguiu com a decisão de romper com o presidente da República a três anos das eleições de 2022

 

5, Haisem – O que você achou do cavalheirismo do relator da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, ao aceitar sugestão da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e homologar a delação de Léo Pinheiro, da OAS

 

6, Carolina – As queixas que o mesmo relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, sobre os processos de políticos retidos pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, fazem dela uma espécie de versão contemporânea e feminina do célebre engavetador-geral da República, Geraldo Brindeiro,

 

7, Haisem  – Por que a Justiça Federal de São Paulo arquivou a denúncia do Ministério Público contra Lula e seu irmão Frei Chico no processo em que ambos são acusados de receberem mesada da Odebrecht

 

8 – Carolina – Qual o spoiler da semana no Blog do Nêumanne

SONORA – TRILHA SPOILER

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