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Direto ao Assunto

No Blog do Nêumanne: O filho de Jair e o marido de Verdevaldo

No Blog do Nêumanne: O filho de Jair e o marido de Verdevaldo

Coaf encontrou nas contas do deputado Miranda movimentações atípicas similares às que apontou na contabilidade do gabinete do filho de Bolsonaro na Alerj

Ainda em 2018, o Estado publicou informação exclusiva de que Fabrício Queiroz, ex-motorista do então deputado estadual fluminense Flávio Bolsonaro, teve movimentações financeiras atípicas de R$ 1,2 milhão flagradas pelo órgão de inteligência financeira, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Logo de saída, argumentou-se que não fora R$ 1,2 milhão, mas R$ 600 mil, pois a transação implicava depósito e saque. Tudo bem. E daí? Segue sendo quantia inusitada considerando a renda do investigado.

Muita água suja já passou debaixo dessa ponte. O pai do ex-deputado e agora senador, com faixa presidencial e tudo, teve de explicar R$ 24 mil depositados na conta da primeira-dama, Michelle. Disse que emprestou R$ 40 mil e aquilo era parte do pagamento. Quase um ano se passou e a versão de Queiroz, dita “plausível” por Flávio, mudou mais do que o tempo em São Paulo: ganhava dinheiro vendendo carros usados, essa foi sua pálida desculpa amarela. Nada que justificasse R$ 130 mil pagos em dinheiro vivo por tratamento de saúde que o obriga a morar no bairro do hospital mais caro do Brasil, o Albert Einstein: o Morumbi, em São Paulo. É o mesmo onde vive Marcelo Odebrecht, ora libertado em cumprimento de penas sempre piedosas aplicadas a corruptos e ricaços no Brasil. Seria mais comum encontrar policiais militares aposentados, caso de Queiroz, na favela de Paraisópolis, a uma distância também curta do centro médico de excelência. Mas, definitivamente, não é o caso.

Nem por isso o nobre senador teria motivos para tentar interromper o inquérito do Ministério Público (MP) do Rio sobre a gestão financeira do gabinete que ocupava na Assembleia Legislativa (Alerj) daquele Estado. Na ordem natural das coisas, presumíveis inocentes prefeririam ser investigados, inocentados e autorizados a cantar de galo no cafezinho do Senado por terem paralisado a investigação pela porta certa, a do arquivamento. Mas ele, não. Perdeu em todas as vezes que tentou, menos no último recurso de sua defesa, deferido em plantão pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

A benemerência é a prova mais contundente, capaz de calar, mas nunca convencer, os pios devotos da nova seita evangélica, o bolsonarismo militante, cujo teólogo-mor, Olavo de Carvalho, tornou o “mito” um deus, ao pregar o culto à imagem do papai presidente. O permanente advogado do PT incluiu na recepção do pedido esdrúxulo a decisão ainda mais inusitada de proibir o compartilhamento de informações do citado Coaf, da Receita Federal e do Banco Central com o Ministério Público e a Polícia Federal (PF). E anistiou na prática todos os investigados por crimes similares no País, incluindo a própria mulher, Roberta Rangel, e a do coleguinha Gilmar, Guiomar Mendes.

De repente, não mais que de repente, o pai de Flávio tirou do bolso do colete o nome do advogado-geral da União, André Mendonça, promovido na carreira inteira pela proteção de Toffoli, para o mui cobiçado posto do decano dodói do STF, Celso de Mello, a ser aposentado em novembro de 2020. Daqui a 14 meses. Muitas qualidades do dr. Mendonça, pastor presbiteriano, ainda desfilarão nos pronunciamentos do capitão, além dos já usados “terrivelmente evangélico” e “mais supremável do que Moro”. São prestações a serem honradas para garantir a troca.

Enquanto isso, o próprio beneficiário tem feito o que pode para evitar que o protetor ceda à pressão do plenário para convocar uma sessão que possa revalidar ou invalidar a mais do que infame decisão monocrática de Toffoli. O colega de plenário Alessandro de Oliveira (Cid-SE) tentou atravessar o samba do filhote aflito. E o primogênito do capitão não se fez de rogado: negou-se a assinar o pedido da instalação da CPI da Lava Toga. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), lançado e ungido pelo chefe da Casa Civil de papi, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), jogou a requisição no bueiro do inferno.

De olho na impopularidade crescente do STF, contudo, três dos quatro senadores do PSL, legenda pela qual se elegeu papai capitão, ajudaram a completar o número mínimo exigido para a instalação da incômoda comissão de inquérito. Flavinho teve de jogar fora a fama de bom menino e resolveu falar grosso com a parte que ele considera mais frágil, como machista de berço: a senadora Juíza Selma, que é do PSL de Mato Grosso, mas já anunciou em entrevista ao repórter Luiz Maklouf de Carvalho, do Estado, que, enquanto este texto circula no Blog do Nêumanne, ela já estará filiada ao Podemos.

 A Juíza Selma não quis entrar em detalhes na entrevista publicada no Estado de domingo, mas até os patos que nadam no lago que circunda o palácio onde papai Jair trabalha já estão sabendo que Sua Excelência não usou com a nobre colega parlamentar palavras compatíveis com o bom trato social. O nada nobre colega acusou-a pelo telefone de, digamos, atrapalhar (o verbo usado é impublicável neste blog familiar) o governo. Esta acusação contra a CPI ainda não havia sido usada antes para justificar a decisão do senador Bolsonaro de se opor a ela. Trata-se, por isso, de uma indiscrição imperdoável. Mas antes da intervenção do padrinho Toffoli, por exemplo, ele costumava associar as peraltices contábeis de seu ex-assessor Queiroz às tais tentativas de prejudicar o governo do papai.

A criação de ruídos e tumultos na relação entre os Poderes foi usada pelo líder do Senado no governo (é isso mesmo que quis escrever), senador Fernando Bezerra Coelho, para votar contra a PEC do senador Oriovisto Guimarães (Pod-PR), que impunha limites a decisões monocráticas e prazos de vista para supremos mandatários do mandarinato absoluto do STF. Outra, que também foi usada, seria sua natureza inconstitucional. A deputada estadual paulista Janaina Paschoal, professora da Faculdade de Direito, e do PSL como Flavinho, já deu seu parecer contrário. Com a autoridade no assunto que nem Coelho nem o “01” do capitão têm.

Por falar em Oriovisto Guimarães, convém acrescentar que na entrevista desta semana a este Blog do Nêumanne ele narrou, sem os pruridos que a senadora teve na entrevista impressa, que o pacto Alcolumbre-Maia-Toffoli-Bolsonaro é moeda corrente nas reuniões do Congresso. Flavinho, encarregado de cuidar da justiça entre partes, negocia seus termos na calada da noite em residências oficiais de pactuários. Nessas ocasiões, pratica a postura educada dos meninos de boa família, instruídos pelos pais comme il faut: em volume baixo, prefere o linguajar escorreito das piadas de caserna aos palavrões desferidos contra inimigos em reuniões de milicianos e seus parentes.

No universo ecumênico da política brasileira, não é incomum que problemas comuns ocorram com militantes de tendências opostas. O nome de André Ceciliano, petista que preside a Alerj, era o mais citado por quem acusava a “extrema imprensa” de proteger a esquerda, pois este não tinha o mesmo destaque do filhote do presidente. Agora, contudo, sobe às highlights da mídia o deputado David Miranda (PSOL-RJ), flagrado por movimentações financeiras de R$ 2,5 milhões, o dobro do flagrado com Queiroz/Bolsonaro. Primeira explicação: “só” teria sido R$ 1,75 milhão. Já tinha visto isso em algum lugar, leitor amável?

Pois então. E mais: Glenn Greenwald, o mais novo herói do ministro do STF Gilmar Mendes, chamou de “corruptos” e “propagandistas” da Lava Jato os repórteres do Globo Juliana Dal Piva e João Paulo Saconi, que publicaram a notícia. Como é público e notório, a operação de agentes da lei investiga em nome do Estado casos de corrupção. E os repórteres publicaram o que poderia ter sido feito por qualquer um. O Ministério Público do Rio esclareceu a quem interessar possa, o casal Miranda Greenwald inclusive, que a investigação é de 2014 (mesma data da Lava Jato) e os dados sobre o parlamentar se tornaram públicos em agosto.

Ao contrário do que seus parceiros repetem, Greenwald não é jornalista. De suas origens se sabe que trabalhou na indústria da pornografia em Nova York, de cuja prefeitura sonegou impostos. No caso famoso de seu site IntercePT Brasil, há indícios de que estaria divulgando mensagens obtidas ilicitamente pelos “arararraquers”. E, assim, como esclareceu na semana passada o presidente do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, em Porto Alegre, desembargador Victor Laus: “Diuturnamente, no tribunal, anulamos várias investigações  derivadas de prova ilícita. Nesse caso, nós não podemos sequer começar uma investigação porque tudo se origina de uma prova ilícita, uma invasão de privacidade daqueles usuários do aplicativo Telegram”. Deu para entender?

JOSÉ NÊUMANNE PINTO

Jornalista, poeta e escritor

(Publicada no Blog do Nêumanne na segunda-feira16 de setembro de 2019)

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Comentário no Jornal da Gazeta: Flávio põe Bolsonaro numa fria

Comentário no Jornal da Gazeta: Flávio põe Bolsonaro numa fria

Desde que foi noticiada investigação da movimentação financeira atípica de seu motorista no gabinete da Alerj, Flávio Bolsonaro tem feito o possível para se livrar da investigação, mostrando que não acredita na própria inocência, pois só insiste em evitar inquérito. O acordão feito pelo pai presidente com o presidente do STF, Dias Toffoli, resultou na suspensão da investigação, mas não da suspeita e, ao tentar, em vão, fazer Juíza Selma desistir de apoiar CPI da Lava Toga, ficou claro que blindagem não o exime de suspeita.

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Direto ao Assunto no YouTube: Bolsonaro na encuzilhada

Direto ao Assunto no YouTube: Bolsonaro na encuzilhada

Flávio Bolsonaro escapou do inquérito do MP do Rio sobre a gestão financeira de seu gabinete na Alerj, mas nunca se livrará da suspeita de rachuncho enquanto não provar sua inocência.  Agora se enroscou num telefonema grosseiro para a senadora Juíza Selma e se meteu numa enrascada porque ficou óbvio seu compromisso com Toffoli ao partir para ignorância em tentativa mal sucedida de impedir a CPI da Lava Toga no Senado. Papai Jair terá de pular essa fogueira ao sair do hospital e se preparando para discurso histórico que fará na abertura da conferência da ONU em Nova York. 

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Comentário no Jornal Eldorado: Congresso vota leis em interesse próprio

Comentário no Jornal Eldorado: Congresso vota leis em interesse próprio

Impressiona a desfaçatez com que congressistas têm votado em sessões rápidas leis de exclusivo proveito próprio. A exemplo do que aconteceu na Câmara, que conseguiu aprovar a tal lei contra o abuso de autoridades, o Senado tentou na semana passada e insistirá nesta tornar lei texto ainda mais infame, que inclui Fundo Partidário pago pelo contribuinte, de quase R$ 4 bilhões, pagamento com dinheiro público de advogados de políticos corruptos e perdão de multas a partidos.
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Assuntos para comentário da segunda-feira 16 de setembro de 2019

1 – Haisem – Qual é mpressiona a desfaçatez com que os congressistas brasileiros puseram em votação, uma atrás da outra, leis de seu interesse exclusivo, votadas em sessões rápidas sem audiência públicas preliminares e muitas vezes em meras votações exclusivas de líderes. Seguindo exemplo da Câmara, que assim procedeu para apra armadilha fatal que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, colocará sob os pés da sociedade brasileira na sessão de amanhã

2 – Carolina Por que você considera esse projeto de reorganização partidária tão funesto para a democracia brasileira neste momento pelo qual passamos

3 – Haisem – O que mais lhe chamou atenção na entrevista exclusiva que o ministro do STF Gilmar Mendes deu à Folha de S.Paulo domingo

4 – Carolina – Como você analisa a reação furiosa do deputado David Miranda, marido de Glenn Greenwald do site The Intercept Brasil a respeito da revelação pelo Ministério Público do Rio de movimentação financeira atípica na conta dele

5 – Haisem – Qual é sua reação à acusação feita pelo militante americano Gleen Greenwald aos repórteres do Globo que deram a notícia sobre a movimentação de David Miranda, chamando-os de corruptos e propagadandistas

6 – Carolina – A seu ver, qual é a relevânia da declaração do presidente do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região de Porto Alegre sobre o eventual uso de mensagens furtadas de celulares de autoridades para processar Sergio Moro e Deltan Dallagnol

7 – Haisem – O que é mais revelador na visita que o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, fez ontem ao presidente Jair Bolsonaro no hospital onde ele se recupera da última cirurgia provocada pela facada que ele sofreu em Juiz de Fora há um ano

SONORA_ PORTA VOZ A

8 – Carolina – Por que o deputado Eduardo Bolsonaro usou as redes sociais para manifestar a opinião contrária à CPI da Lava Toga da militante bolsonarista Paula Marisa

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Direto ao Assunto no YouTube: Gilmar antecipa voto contra Lava Jato

Direto ao Assunto no YouTube: Gilmar antecipa voto contra Lava Jato

O ministro do STF Gilmar Mendes antecipou seu voto no julgamento da questão da parcialidade de Moro ao considerar denúncias do IntercePT Brasil, que usaram mensagens obtidas criminosamente e nunca submetidas à perícia técnica oficial, sobre palestras cobradas por procuradores da Lava Jato, desprezando o princípio da imparcialidade do juiz, cobrada de Moro, cuja popularidade não leva em conta num claro desprezo ao publico que lhe paga o mais alto salário do serviço público para julgar de forma isenta e morar no País, e não em Portugal, como ocorre atualmente, graças aos altos lucros obtidos numa instituição privada de ensino, o IDP. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Direto ao Assunto no YouTube: Senador prefere Moro em 22

Direto ao Assunto no YouTube: Senador prefere Moro em 22

Senador Oriovisto Guimarães (Pode-PR), cuja emenda para limitar poder do STF foi derrotada no plenário do Senado por uma aliança entre esquerda, Centrão e governo Bolsonaro, disse que Moro teria tudo para ser o melhor ministro para substituir o decano Celso de Mello em novembro de 2020. Mas preferia que ministro da Justiça se apresente como opção para eleição presidencial em 2022. Em entrevista ao Blog do Nêumanne, reproduzida no site Estação Nêumanne (www.neumanne.com), ele contou ainda detalhes do acordão entre Alcolumbre, Maia, Toffoli e Bolsonaro, que também derrubou até agora instalação da CPI do Lava Toga, mas permitiu funcionamento de uma CPI para constranger a Lava Jato. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Oriovisto Guimarães , clique aqui.

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