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Direto ao Assunto

Comentário no Jornal Eldorado: Torquemadas ridículos

Comentário no Jornal Eldorado: Torquemadas ridículos

As mensagens postadas em redes sociais pelos cidadãos que tiveram seus domicílios invadidos pela sanha persecutória de Alexandre de Moraes, relator do inquérito aberto em causa própria pelo presidente do STF, Dias Toffoli, revela que ambos, Torquemadas contemporâneos em dupla, perderam completamente o senso do ridículo. Um cabo da polícia teve que responder por uma mensagem que dá o exemplo da intervenção no Judiciário no Peru e o general reformado do Exército Paulo Chagas sugeriu a criação de um tribunal especial para julgar os que se acham “supremos”. Eles são só dois exemplos do “circo de horrores” (como definiu o juiz Maierovitch) em que se tornou a Corte omissa de intocáveis.

_61U6908.jpg BRASILIA BSB DF 21 03 2019 NACIONAL STF/DIAS TOFFOLI O Plenario do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma analise de referendo a medidas cautelares deferidas pelo ministro Edson Fachin nas Arguicoes de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs) 524 e 530, ajuizadas, respectivamente, pelos governos do Distrito Federal e do Para contra decisoes que determinaram o bloqueio de contas para assegurar o pagamento de debitos trabalhistas de empresas publicas. Apos a leitura do relatorio e da manifestacao das partes na tribuna, o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, suspendeu o julgamento, para prosseguimento na sessao de hoje. na foto Alexandre de Moraes e Dias Toffoli FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO

BRASILIA BSB DF 21 03 2019 NACIONAL STF/DIAS TOFFOLI O Plenario do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma analise de referendo a medidas cautelares deferidas pelo ministro Edson Fachin nas Arguicoes de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs) 524 e 530, ajuizadas, respectivamente, pelos governos do Distrito Federal e do Para contra decisoes que determinaram o bloqueio de contas para assegurar o pagamento de debitos trabalhistas de empresas publicas. Apos a leitura do relatorio e da manifestacao das partes na tribuna, o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, suspendeu o julgamento, para prosseguimento na sessao de hoje. na foto Alexandre de Moraes e Dias Toffoli FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO

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Assuntos para o comentário da terça-feira 17 de abril de 2019-04-16

1 – Haisem – O que levou a procuradora-geral Raquel Dodge a pedir e o relator Alexandre de Moraes a negar o encerramento do inquérito que o presidente do STF, Dias Toffoli a abrir em teoria para proteger a si próprio e a seus pares de fake news e ofensas e terminou levando à censura de uma notícia que o envolve

2 – Carolina – Quais são, a seu ver, os verdadeiros motivos do relator do inquérito, Alexandre de Moraes, a aceitar o papel dado por Toffoli e terminar por recorrer à censura a uma notícia baseada em documento oficial, sem conter nenhum adjetivo que possa ser classificado como ofensa

3 – Haisem – O que incomoda tanto o ministro Dias Toffoli para levá-lo a enfrentar a Nação com essa obsessão em salvaguardar a honra do Supremo

4 – Carolina – Em contrapartida, por que os outros chefes de Poderes foram omissos ou reticentes, negando-se a falar diretamente sobre o ocorrido e dando as definições com palavras existentes na língua portuguesa como censura e retrocesso

5 – Haisem – A decisão de Fachin dando cinco dias para Moraes se explicar atende à revolta que tomou conta de vários setores da sociedade brasileira contra as medidas adotadas por Toffoli, cumpridas por Moraes e apoiadas por Gilmar e Lewandowski

6 – Carolina – Que papel o ministro da Justiça, chefe da Policia Federal, pode desempenhar nesse episódio em que seus subordinados estão sendo instados a interrogar cidadãos que não infringiram a lei, como é o caso dos jornalistas de O Antagonista e de sua revista Crusoé

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7 – Haisem – Por que o ministro Marco Aurélio Mello e o vice-presidente Hamilton Mourão se manifestaram de forma tão categórica a respeito do assunto, do qual Bolsonaro, Rodrigo e Alcolumbre fugiram

8 – Carolina – A que general você se dirigiu no título de seu artigo hoje na página 2 do Estadão Nunca houve milícias “do bem”, general?

Comentário no Estadão Notícias: Moro e Guedes escanteados

Comentário no Estadão Notícias: Moro e Guedes escanteados

Ao não consultar e nem sequer avisar a Paulo Guedes, até então tido como seu “posto Ipiranga”, sobre a decisão de intervir na política de preços da Petrobrás para atender aos caminhoneiros, Bolsonaro deixou claro que o economista não é mais indemissível. Algo semelhante ocorreu com Sérgio Moro, herói popular do combate à corrupção, cujo pacote anticrime vaga pelos escaninhos do Congresso como um cão sem dono e a PF, sob suas ordens, agora serve de polícia particular ao STF. Indemissível agora apenas Onyx. Este é meu comentário no Estadão Notícias, no Portal do Estadão desde 6 horas da quarta-feira 17 de abril de 2019.

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Direto ao Assunto no Youtube: SS-TF dá uma de SS-NI

Direto ao Assunto no Youtube: SS-TF dá uma de SS-NI

soit-disant guardião da democracia no Brasil, STF, na verdade, atua como SS-TF, lembrando as tropas de assalto nazistas, SS, e o SNI, ou seja, SS-NI dos tempos do regime militar brasileiro. A esperança é que no dia seguinte ao do incêndio de Notre-Dame e da censura imposta pela dupla Dias Toffoli & Alexandre de Moraes à revista Crusoé (e não Cruzoé com zê de zebra), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, consiga o intento de provocar uma reunião do plenário da Corte, no qual a tendência é o infame golpe dado pela dupla ser derrotado por 7 a 4. De qualquer jeito, até lá tudo indica que os truculentos atiraram nos próprios pés, pois a citação de Toffoli no propinoduto da Odebrecht, que parecia reservada a redes sociais, foi dada com destaque em primeiras páginas de jornais e noticiários de rádio e televisão. Quanta burrice! Direto ao assunto. Inté, E só a verdade nos salvará!

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Comentário no Estadão Notícias: Para nunca mais esquecer

Comentário no Estadão Notícias: Para nunca mais esquecer

Conheci Notre-Dame de Paris lendo o romance de Victor Hugo na pré-adolescência no seminário redentorista de Campina Grande. A emoção se repetiu no filme original com Charles Laughton e no desenho de Walt Disney. Depois, me emocionei todas as vezes em que visitei a igreja no centro da cidade mais bonita do mundo. A última vez que visitei Quasímodo, o corcunda, foi de longe, do outro lado do Sena, na Livraria Shakespeare and Company com Isabel e, ao ver pela primeira vez na vida a primeira edição de Ulysses, de Joyce, no local onde foi impressa e lançada, sentados no jardim de frente para sua magnificência, ainda não sabíamos que seria a última vez, antes de ela ser destruída pelo fogo. Este é meu comentário no Estadão Notícias, no Portal do Estadão desde 6 horas da terça-feira 16 de abril de 2019.

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No Blog do Nêumanne: É a política real, seu bobo!

No Blog do Nêumanne: É a política real, seu bobo!

Bolsonaro descobriu no governo que a ‘nova política’ não terá de enfrentar a ‘velha’, mas a real, e subiu preço do Diesel a pedido de caminhoneiros enviado ao computador de Ônyx

Na campanha do democrata Bill Clinton para presidente dos Estados Unidos, seu marqueteiro, James Carville, ganhou fama internacional por conta de uma tirada de gênio que desconcertou os republicanos, no fim derrotados. O candidato movia os lábios dizendo “é a economia, estúpido!” sem pronunciar a frase agressiva. Referia-se ao assunto que mais interessa a qualquer eleitor em qualquer país do mundo: o bolso, que, segundo Delfim Netto, é o órgão mais sensível do corpo humano.

Neste momento aqui, nestes “tristes trópicos”, bem longe dos EUA e, ao que tudo indica, ainda mais longe de Deus, radicalizando a frase famosa de um presidente esquerdista do México, Lázaro Cárdenas (“pobre México, tan cerca de los Estados Unidos y tan lejos de Dios”), Bolsonaro parece metido numa camisa de sete varas sobre a era de nossa política. Na condição de único candidato isento de acusações da Operação Lava Jato e, portanto, favorito à vitória que acabou se confirmando, utilizou a marca da “nova política” contra a “velha”, comprometida pela ineficiência e, sobretudo, pela corrupção. No governo, ele e seus devotados fiéis das redes sociais repetem o refrão a todo momento. Mas a vida como ela é começa a lhe impor os fatos de um regime em que a Presidência, que ele ocupa legitimamente, pode muito, mas não pode tudo.

Na posse de Weintraub no MEC, Jair e Onyx, que indicou empossado e é único ministro indemissível, e não Guedes e Moro. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Na posse de Weintraub no MEC, Jair e Onyx, que indicou empossado e é único ministro indemissível, e não Guedes e Moro. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Aí ele, que já reprimiu meu desejo de apelar para o Vossa Excelência, que acho simpático, tendo proibido a expressão majestática por decreto, com pouquíssima chance de vê-la respeitada, já se viu obrigado a curvar-se não propriamente a “Sua Excelência o cidadão”, mas ao mais poderoso primado dos fatos. Esnobou a disputa pela presidência da Câmara e, com disfarçada simpatia de seu chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, viu o deputado fluminense Rodrigo Maia ascender à chefia da Casa nadando de costas. Com tríplice apelido – Botafogo no propinoduto da Odebrecht, Bolinha pela semelhança física com o personagem de Marge nos quadrinhos e Nhonho, o filho de Seu Barriga na série mexicana de TV Chaves –, o filho do ex-prefeito César Maia é tudo o que não se pode confundir com a “nova política” dos sonhos do presidente. Até porque tem a companhia do pai num inquérito que investiga delito similar ao de Onyx: caixa 2 em doação de campanha ­– que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o ex-chefe da Lava Jato, quer criminalizar.

Logo depois, como quase toda a população brasileira, acompanhou o Fla-Flu da eleição para a presidência do Senado e comemorou a derrota do mais odiado dos caciques da “velha política”, Renan Calheiros, e para mais um membro do DEM: Davi Alcolumbre. É possível que tenha comemorado até a metáfora bíblica da pedrada no cocuruto do gigante Golias…

Com um acréscimo de sorte: o amapaense foi lançado e festejado por  Onyx. Mas o moço está longe de merecer a aprovação na entrada do clube da “nova política”. Um inquérito que protagoniza foi arquivado pelo Tribunal Regional Eleitoral(TRE) de seu Estado, mas o Ministério Público Eleitoral (MPE) já o pôs no elevador para julgamento em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF). Para quem ainda se lembra da boutade de um filho de Bolsonaro – Eduardo, deputado federal por São Paulo -, Alcolumbre poderia tê-lo contrariado ao mandar para o cesto de lixo mais próximo da Mesa da Casa o pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dita da Lava Toga. Se bem que, para tanto, contou com a omissão de outro filho do presidente, o senador Flávio, que não assinou o pedido para sua instauração, em nome da estabilidade da República e das boas relações entre os Poderes. Eduardo não disse numa palestra que para fechar o STF bastaria “contar com um jipe, um soldado e um cabo”?

Mais de cem dias depois da posse, ao que tudo indica, Sua Excelência (oh, desculpe) pode estar começando a perceber que, para a dita “nova política”, mais dura, mais difícil e mais perigosa do que a “velha” é aquilo que os teóricos chamam deRealpolitik. Nem precisa traduzir, não é mesmo? O pior é que o próprio sumo pontífice da “nova política” tem feito a Nação relembrar seus velhos tempos de praticante da “velha”, agora em nome da real. Ah, vamos esquecer o alemão, porque era a língua em que escrevia o jornalista Karl Marx, que não suscita muitas simpatias pras bandas do Palácio do Planalto, certo?

Nem precisa puxar muito pela memória. Bolsonaro, que nomeou o novo presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco (com sobrenomes do primeiro chefe do regime militar com um ele a mais, que o presidente venera), pediu encarecidamente que este suspendesse o aumento de 5,7% no preço do diesel, contrariando um dos mais decantados dos dotes da “nova política” ­– liberalismo na economia e conservadorismo nos costumes, ou não era? Seu “posto Ipiranga”, ao qual sempre recorreria em casos da ciência de Keynes, estava fora do alcance, nos Estados Unidos, em viagem de trabalho. E Paulo Guedes não foi sequer consultado.

A decisão de desautorizar a política de preços adotada pela Petrobrás, empresa aberta, com controle acionário do cidadão brasileiro, representado pelo presidente, é mais coerente com antigas posições do deputado federal do que com o candidato que fazia e o presidente que continua fazendo juras de amor ao mercado. E isso leva a uma pergunta inquietante que não pode calar: até que ponto na calada da noite, a sós com o travesseiro, o parlamentar no exercício da Presidência é mais ouvido pelo chefe do governo e representante da Nação como sócio majoritário da maior empresa do País do que seu sempre citado tutor em economia?

Não foi esquecido – nem poderia sê-lo – que só num governo anterior ao dele a submissão da petroleira ao mercado na política de preços de um de seus principais produtos foi violada de forma ostensiva: no da petista Dilma Rousseff, pior lembrança impossível. Dilma em pessoa reforçou tal conexão ao sinalizar seu apoio, no estilo confuso de hábito, que, aliás, serve de inspiração a seus adversários do extremo oposto que agora defendem encarniçadamente a decisão presidencial. “Não é recuar do aumento de 5,7%”, pontificou a petista. “É impedir que a lógica da gestão da Petrobras seja submetida à lógica de curto prazo da especulação financeira”, completou em seu Facebook madama ex-“presidenta”.

Não foi à toa que a deputada mais votada da História, Janaina Paschoal (PSL-SP), com a lucidez, a objetividade e a clareza que lhe são próprias, enfrentou a questão em seu Twitter. “O L de liberal já não é tão liberal assim. O PSL está cada vez mais parecido com o PT. Eu digo e repito: partidos são verdadeiras prisões. É uma lástima!”, disparou. Ao abordar a possível mudança de nome de seu partido, ela não hesitou em apontar sua semelhança, até no discurso, com o PT derrotado nas urnas.

Mais do que a intervenção – que, como não podia deixar de ser, está sendo ferozmente negada nos pelotões de choque das redes sociais bolsonaristas – preocupa, contudo, o fato de ele ter atendido a uma pressão explícita dos caminhoneiros, que pararam o País em maio passado e obtiveram concessões absurdas e lesivas ao Estado de Direito no governo Temer, que comprovou ser mais temeroso do que temerário. Desta vez, seria injusto usar a justificativa do capitão com a velha política. No caso, por incrível que pareça, tem que ver com a “novíssima”. Os atendidos têm comunicação direta com Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil, padrinho do novo ministro da Educação, Abraham Weinstraub, e dos presidentes da Câmara e do Senado. A pressão de quem ganhou a parada é direta no computador dele no Planalto. Seria ingênuo achar que Bolsonaro poderia impedir que os caminhoneiros bloqueassem as rodovias, como já o fizeram, para paralisar o País, pois atende a uma parte de seu eleitorado, cujas mensagens lhe são levadas pelo único ministro indemissível da Esplanada, que não é Paulo Guedes nem Sergio Moro, mas o chefe da Casa Civil.

Com a devida vênia de quem esperava “a Pátria acima de tudo e Deus acima de todos”, está ficando claro que a política nem nova nem velha vigente após os 57 milhões e quase 800 mil votos dados a Bolsonaro corre o risco de estar sendo praticada de dentro da boleia de um caminhão. E nem sequer este escriba, filho de caminhoneiro e chefe político, pode festejar e se orgulhar da nova era que surge no horizonte neste instante. Como avisou Clinton aos eleitores: “Esta é a política real, seu bobo!”. Aliás, cabe explicar que o bobo em questão sou eu, tá?

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 15 de abril de 2019)

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Comentário no Estadão às 5H: “Cala a boca, gentalha!”

Comentário no Estadão às 5H: “Cala a boca, gentalha!”

Recentemente, quando estava em julgamento causa que comprometeria a liberdade de imprensa, a ministra do STF Cármen Lúcia fez mais uma de suas frases de efeito: “cala boca nunca mais”. Agora a dupla Dias Toffoli, presidente, e Alexandre de Moraes, relator do inquérito que o outro mandou abrir para combater a condição de instituição da democracia mais impopular de nosso Estado de Direito, parodiaram a sentença meramente retórica da colega dirigindo-se a nós outros, súditos impotentes, o édito imperial da ditadura da cúpula do Judiciário: “cala boca gentalha”. Ao censurar notícia de documento público da PF como ofensa à honra de um nobre membro da casta, o STF mostrou sua cara real. Este foi um dos meus comentários no programa Estadão às 5, retransmitido do estúdio da TV Estadão na redação do jornal por YouTube, Twitter e Facebook na segunda-feira, 15 de abril de 2019, às 17 horas.

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