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Direto ao Assunto

No Blog do Nêumanne: A volta dos que não foram

No Blog do Nêumanne: A volta dos que não foram

José Nêumanne

Velhos fantasmas de corrupção do passado voltam ao debate em buscas e apreensões no escritório de Bastos, morto há dois anos, e no computador de Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez

A Antônio Palocci, o autor da Carta dos Brasileiros, que tornou viável a aprovação da classe média, assustada com a possibilidade da ascensão ao poder na República do ex-líder sindicalista Lula, é atribuído um aviso de que não se devem deixar no caminho cadáveres insepultos. A metáfora dizia respeito ao abandono, no campo de batalha da política, de antigos companheiros que tombaram a serviço da causa socialista e por amor ao chefe. O próprio ex-ministro da Fazenda do avisado e ex-chefe da Casa Civil de seu poste, Dilma Rousseff, encarregou-se agora de exumar vampiros de um passado que já se pensava enterrado. De sua delação premiada, recusada pelo Ministério Público Federal, mas feita à Polícia Federal, emergem ainda os miasmas da Operação Castelo de Areia. E também o lixão secreto da guerra suja na privatização da telefonia.

A compra do voto do então presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), César Asfor Rocha, para livrar a Camargo Corrêa, delatada pelo ex-prefeito de Ribeirão Preto, provocou recentemente estardalhaço no noticiário e no confronto político cada vez mais polarizado. O chefão petista, tido como eventual concorrente (contra o então chefe da Casa Civil, José Dirceu) à sucessão do padim de Caetés, entregou na delação a peça que faltava no quebra-cabeças do desmanche. Ele contou aos agentes da lei que o advogado Márcio Thomaz Bastos, que fora advogado de Lula na Justiça Militar à época da ditadura, e ministro da Justiça em seu primeiro mandato presidencial, cuidou de planejar e organizar o desmonte. O primeiro passo foi prometer a Asfor a vaga do paulista Eros Grau no Supremo Tribunal Federal (STF), doce sonho de todas as estações dos causídicos do País, em particular de quem chega à cúpula dos tribunais de altíssimo coturno. Mas José Dirceu ganhou a preferência da presidente Dilma Rousseff, sugerindo para o lugar o carioca Luiz Fux, que para obter o galardão teria, segundo consta, prometido “matar no peito” na hora de julgar a companheirada no mais que momentoso, a época, processo do mensalão.

Escolhido o advogado e juiz no Estado do Rio para a ambicionada vaga, teria cabido, segundo Palocci, ao maquiavélico Bastos a entrega de um polpudo prêmio de compensação. Teria sido paga a Asfor a bolada nada modesta de R$ 5 milhões. Assim a  Castelo de Areia foi anulada e o maior escândalo de corrupção mundial só foi investigado porque saiu de São Paulo, onde Márcio Thomaz Bastos tinha muita ingerência sobre os juízes, com promessas de promoções, e agora passou para o Estado do Paraná.

Graças à força-tarefa do Ministério Público de Curitiba e ao ministro da Justiça e da Segurança Pública de Bolsonaro, o ex-juiz paranaense Sergio Moro, fora de São Paulo,  sede das maiores empreiteiras corrupteiras, a Lava Jato tem sido sucesso no combate à corrupção. Antecipei essa história toda no Jornal Eldorado, da Rádio Eldorado de segunda a sexta-feira das 7h30 às 8 horas, em meu canal com vídeos diários de YouTube e em artigos semanais aqui, no Blog do Nêumanne, e quinzenais na página de Opinião do Estado.

Esse item da delação do guerrilheiro e sanitarista provocou a deflagração da Operação Appius, que encarregou a PF de fazer busca e apreensão no escritório do hoje aposentado Asfor. A busca foi feita, a investigação corre em segredo de justiça. E das pistas de provas que dela emergirem dependem o sono e a paz do autor do voto que encerrou a operação contra a empreiteira Camargo Corrêa a partir da chicana da inadmissibilidade de provas obtidas de uma denúncia anônima. E mais, essa investigação atual é o início da Lava Toga, que mira a compra de sentenças e vai pegar magistrados e advogados satélites que atuavam para Márcio Thomaz Bastos. A conclusão a que se chega nos corredores da polícia e da Justiça é que a morte do advogado paulista que impediu a Castelo de Areia, se não tornou possível, no mínimo, facilitou o mensalão e, mais recentemente, o petrolão, investigado desde 2014 pela Lava Jato.

Aliás, a atuação de Márcio Thomaz Bastos já me chamava a atenção desde antes, muito antes da operação citada acima. Em meu livro O Que Sei de Lula, editado pela Topbooks, do Rio de Janeiro, em 2011, o capítulo 11 (Polícia Pública, Interesses Privados) já relatava casos e fatos suficientes para demonstrar a mentira da PF, dita republicana, sob a liderança do então ministro da Justiça. Por conta dessa farsa, diga-se de passagem, a PF sempre teve sua imagem, nos dois desgovernos Lula, comparada com a dos Intocáveis dos tempos da Lei Seca em Chicago. Na verdade, seus agentes perseguiram implacavelmente o que aparecia à superfície como sendo negociantes ambiciosos, empresários acusados de sonegação e parlamentares oposicionistas que tiveram a má sorte de entrar na linha de tiro da chefia do governo. Mas, apesar de sua natureza o exigir, nunca foi propriamente um  exemplo de disciplina no serviço público.

Agora, com a Operação Appius, a Justiça Federal em São Paulo decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal do antigo escritório de advocacia do ex-ministro da Justiça do governo petista, eminência parda do ex-cliente Lula e que morreu em 20 de novembro de 2014, tendo então sua banca encerradas as atividades logo depois. A devassa nos dados do escritório de Thomaz Bastos foi decretada pelo juiz João Batista Gonçalves, da 6.ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Ou seja, a caixa de Pandora do Judiciário foi aberta. Como diria minha piedosa avó paterna, dona Nanita Germano, Deus tomará conta. E viva Moro!

  Outra indiscrição do figurão do PT que comandou a campanha da primeira eleição do poste de Lula movimentou as tropas de caça-fantasmas do combate à corrupção. O caso antecede a entrega da faixa de presidente da República de Fernando Henrique Cardoso a Lula. A estatal Telebrás foi dividida entre consórcios de grandes grupos empresariais nacionais associados a telefônicas estrangeiras.

O decreto-lei vigente quando Lula assumiu a Presidência da República não permitia que a Telemar comprasse a Brasil Telecom, as quais atuavam em áreas diferentes,  porque assim definia o Plano Geral de Outorga (PGO) – Decreto Lei 2.534, de 1998. Para a Oi comprar a Telemar era preciso que a Anatel alterasse seu texto. O primeiro passo do desgoverno petista foi a Oi, com o apoio do Lula, aparelhar a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para doar a parte do leão às controladoras brasileiras do consórcio, à empreiteira Andrade Gutierrez, de seu amigo Sérgio Andrade, e à La Fonte, de outro amigo, Carlinhos Jereissati, irmão de seu desafeto político Tasso Jereissati. Essa história pode ser recontada agora também graças à delação premiada de Palocci.

A 69.ª fase da Operação Lava Jato, Mapa da Mina, pegou Lula, Lulinha, Gamecorp, sítio em Atibaia e  Oi/Telemar, resultado de uma maracutaia das maiores do desgoverno de Lula e do PT. Foi a chamada supertele verde-amarela, uma das campeãs nacionais, como o petista queria, mas em calote e propina. A megaempresa quebrou em 2016, com uma dívida de R$ 65 bilhões, e deu um calote de R$ 15 bilhões no BNDES.

A Oi/Telemar só virou a supertele verde-amarela pretendida porque o então presidente mudou a lei do PGO em 2008. Com o documento que batizei de Lei Telezoca, lembrando a intervenção do ditador Getúlio Vargas, em 1943, para garantir o pátrio poder de seu às vezes amigo, às vezes inimigo Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello.

Em abril de 2008, a Oi comunicou a trapaça da compra da Brasil Telecom por R$ 5,8 bilhões, operação que para ser concluída dependia da alteração do texto do PGO. Em janeiro de 2008 o então presidente da Andrade Gutierrez, Otavio Azevedo, escreveu um e-mail contendo a minuta do decreto que alteraria a lei. Em março, Lula designou Zunga, amigo de Lulinha e do citado Otávio Azevedo, para o Conselho Consultivo da Anatel. Em setembro, o então presidente nomeou Emilia Maria Silva Ribeiro, amiga de Otavio Azevedo, José Sarney e Renan Calheiros, para o Conselho Diretor da Anatel. Em outubro, a Anatel aprovou a alteração no Plano de Outorga, como queriam Otavio Azevedo e Pedro Jereissati. Ou seja, esta é a volta dos que não foram neste país desgovernado e furtado.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Artigo publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 23 de dezembro de 2019)

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Comentário no Jornal da Gazeta: Corrupto foi buscar lã e saiu tosquiado

Comentário no Jornal da Gazeta: Corrupto foi buscar lã e saiu tosquiado

O ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho, do PSB, tentou inculpar o MPF pela ordem de prisão em entrevista ao Uol. Mas procurador não prende. Quem mandou prendê-lo foi o desembargador Ricardo Vital, do TJPB. Além disso, sua entrevista foi publicada sob o impacto da apresentação de vídeos gravados em oito anos de reuniões para acertar propinas. Isso tornou sua versão indefensável.

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Direto ao Assunto no YouTube: Ricardo Coutinho e seus comparsas

Direto ao Assunto no YouTube: Ricardo Coutinho e seus comparsas

O ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho, flagrado pela PF e pelo MP na Operação Calvário – O Juízo Final 7, fugiu para o exterior e só voltou para o Brasil no primeiro dia das férias forenses. A estratégia deu certo: foi levado ao presídio comum, em João Pessoa, na madrugada do sábado e já à tarde o ministro Napoleão Maia, substituindo de forma esquisita o plantonista José Otávio de Noronha no STJ, decretou sua soltura. Em entrevista à Uol comparou-se com Lula, o que é uma espécie de confissão de seus crimes, revelados pessoalmente por três delatores no Fantástico, da Globo, para o país inteiro no domingo. A reportagem arrasadora pode decretar sua morte política. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará. 

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Direto ao Assunto no YouTube: Lembranças da família Capitão

Direto ao Assunto no YouTube: Lembranças da família Capitão

De minha adolescência nos anos 60 em Campina Grande, Paraíba, tenho vívidas recordações de casas que me acolheram com carinho, humor, sabedoria e informação por conta da amizade com meu pai. São descendentes do capitão Israel e, por causa da patente, passaram a ser conhecidos , não tanto como Gomes da Silveira, sobrenomes de cartório, mas, sim, os “capitão”. É uma estirpe de músicos e alfaiates e, um deles, Manoel Israel, de ofício coletor de impostos, surge na memória deste eterno menino de sertão como responsável pelo meu amor pela música, apesar de meu ouvido incapaz de distinguir uma nota, e presto homenagem a ele, juntando-me ao grupo que o celebra nesta data da festa da Sagrada Família, padroeira de nossa cidade natal, Uiraúna. Peço licença aos meus 349 mil inscritos para introduzir este vídeo feito por encomenda no domingo 22 de dezembro de 2019, aproveitando a folga dominical que dei aos comentários de política. Direto da memória. Inté. E só o afeto nos humaniza.

 

 

Campina Grande - PB

Campina Grande – PB

Direto ao Assunto no YouTube: O lado podre do STJ

Direto ao Assunto no YouTube: O lado podre do STJ

O ex-ministro Gilson Dipp, advogado do bandido socialista metido a herói Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba, conseguiu façanha de entrar e sair com habeas corpus no STJ com objetivo de ser julgado na vigência do recesso parlamentar. O objetivo era aproveitar plantão do presidente, João Noronha, para soltar o facínora. Mas este ficou incomodado com denúncia de O Antagonista de que seus filhos são advogados de Coriolano, irmão do ex-petista, e preferiu dar-se por suspeito, uma raridade em nossas altas “cortes”. E, nojenta manobra que incluiu considerar ausentes as ministras presentes Nancy Aldrighi e Maria Thereza de Assis Moura, o HC caiu nas mãos de Napoleão Maia, que absolveu o corrupto uma semana antes de ele deixar o governo num processo no TSE. Há juízes na Paraíba, mas em Brasília nem sempre. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Comentário no Jornal da Gazeta: Preso ladrão metido a herói

Comentário no Jornal da Gazeta: Preso ladrão metido a herói

O falso moralista Ricardo Coutinho, na verdade usurpador de verbas públicas destinadas a hospitais e escolas para pobres na paupérrima Paraíba, foi, afinal, confinado a uma cela. Sem o conforto de salas de quartel de bombeiros, mas, sim, no inferno prisional brasileiro num presídio de média segurança em bairro popular. Sua sórdida arrogância teve merecida punição pelos crimes que cometeu.

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