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Coluna semanal para o site Rice: De volta ao buraco sem luz

Coluna semanal para o site Rice: De volta ao buraco sem luz

 

 

Segue abaixo artigo semanal que a Ric Comunicação põe à disposição de todas as publicações impressas do Brasil.

 

 

 

 O Grupo Ric de Comunicação põe à disposição de emissoras de rádio e jornais impressos ou em edição virtual três podcasts de três minutos cada e um artigo por semana. Interessados em publicar este material original deve entrar em contato com mash.leonardo@gruporic.com.br

 

De volta ao buraco sem luz

José Nêumanne

Adiamento da demissão de Mandetta do Ministério da Saúde é mais uma batalha da barbárie contra a civilização do “mito” da militância  terraplanista, criacionista e figadal inimiga da ciência

Li O Mito da Caverna, de Platão, nos meus distantes 14 anos, nas horas obrigatórias de leitura na biblioteca do Instituto Redentorista Santos Anjos, em Campina Grande. Tenho uma frustração e uma inveja nessa leitura de pré-adolescência. Frustração por não ter me dedicado mais ao estudo de grego antigo para ler o texto magnífico no original. Inveja do ortopedista pediátrico Luiz Henrique Mandetta, que se orgulha de havê-lo lido 20 vezes. Como me disse certa vez Jorge Luís Borges, ler é uma atividade fútil. Útil é reler os bons textos. E estes são tão poucos…

Revelando um espírito refinado que não imaginava num profissional de medicina, normalmente mais dedicado à atualização de seus conhecimentos científicos do que à filosofia antiga ou mesmo à literatura, o ainda atual ministro da Saúde, sabe Deus até quando, aproveitou bem cada vez que abordou o gênio ateniense quando o usou à hora certa e na data exata. Citou o clássico da filosofia na entrevista coletiva em que contou ao País que esvaziara as gavetas do gabinete ministerial ao saber que seria demitido na segunda, à tarde, e, depois, voltara a enchê-las depois da desistência do chefe de pô-lo para fora do cargo público.

A meio século de haver folheado as páginas de papel bíblia nos ermos de Bodocongó, e com a memória prejudicada por velhice, diabetes e ameaça de coronavírus à porta, ainda me lembro do impacto daquela leitura única em todos os sentidos da palavra. A tragédia do homem primitivo que rompeu as cadeias das trevas do buraco em cujas bordas só via sombras, para conhecer o Sol, tinha o condão de transformar em fábula ancestral a rotina burocrática de uma atividade rasteira como é a política, atingindo a sordidez no momento por ele vivido. Séculos depois de concebida, a saga do descobridor da luz solar, que ilumina e higieniza, morto por seus antigos companheiros de redução a imagens caprichosas de chama e sombra, repetiu o embate milenar entre civilização humana e barbárie pré-histórica.

Ao sair do encontro com o carrasco após este desistir de lhe decepar a cabeça no cadafalso, o quase ex-ministro fez mentalmente a 21.ª leitura da obra platônica e se vingou, sem que o outro sequer sonhasse com  isso, com a suprema humilhação de torná-lo protagonista de um conto terrível e que ainda assim jamais entenderá a dimensão da luta entre conhecimento e ignorância. O presidente da República é um homem simplório. Saiu do Exército, que diz venerar, sem fazer um curso de estado-maior, num acordo de cavalheiros em que nenhuma das partes agiu como cavalheira. Numa solução típica de instituições fechadas em copas e galões, a Força expeliu-o do convívio dos camaradas de armas na patente de capitão para evitar que fora da caserna se conhecesse o delito do oficial acusado de terrorismo. Na reserva a decisão foi fundamental na formação do caráter do que não foi expulso. Seu herói militar não é Churchill, ex-lorde do almirantado que ganhou a 2.ª Guerra Mundial, nem De Gaulle, general francês que comandou a resistência de seu país, a França, ao abrigo de um aliado que foi ao longo da História o maior inimigo, a pérfida Albion. Mas um reles torturador da guerra suja em que as “gloriosas” Forças Armadas se meteram num banho de sangue de inimigos sem nenhuma chance de vencê-las.  O indesejado fez carreira como sindicalista fardado e parlamentar do mais baixo clero com pretensão a reverter na democracia, que surgiu dos escombros do gigante de pés de barro da ditadura militar, a má fama com justiça conquistada nos anos de chumbo. Sua homenagem ao réprobo dos porões da Rua Tutoia, coronel Brilhante Ustra, ao votar na sessão de julgamento do impeachment da inimiga acusada pelos que os convidaram a retirar-se dos quartéis no processo de expulsão, Dilma Rousseff, pela mesma falta, terrorismo.

A demissão que não houve resultou de um episódio rastaquera de ciúme vulgar. O ainda ministro da Saúde gravou um depoimento numa live – meio de comunicação favorito do capitão reformado por indisciplina -, protagonizada por ídolos da música sertaneja, entre os quais a dupla Jorge e Mateus. Era só disso que precisava o chefe para decidir livrar-se da ambição desmedida ao estrelato do subordinado. Convenhamos que nem chega perto de um delito como o terrorismo, nem de um deslize como a indisciplina. O inesperado desfecho, com a recondução do ministro à pasta, provocado pelo histérico temor do chefe de uma perspectiva de impeachment por crime de responsabilidade, após a intervenção de generais, parlamentares e ministros do STF, trouxe, contudo, à luz, quando já anoitecia no segundo dia da Semana Santa, a revelação de algo muito mais grave do que o ato.

Tendo jurado fidelidade à lei e à ordem em janeiro de 2019, Jair tem atuado como o Messias do retorno ao escuro cavernoso, com as labaredas desenhando nas pedras do buraco uma súcia que não fora exposta ao Sol: um bando dedicado à desmoralização do conhecimento acumulado e à consagração de um passado          que, zumbi, surgiu das cinzas da fogueira em que Giordano Bruno foi imolado. Bolsonaro lidera quem acredita na Terra plana em plena era das viagens espaciais, que a revelaram redonda, e imóvel, amaldiçoando o eppur si muove de Galileu Galilei. Como seu diabinho profano de orelha, André Mendonça, nega a evolução das espécies de Charles Darwin. Prefere a superstição à ciência. E, embora tenha virado caixeiro-viajante da cloroquina por mero oportunismo de marketing político genocida, considera a descoberta de Alexander Fleming instrumento de doença, não certeza de imunidade a bacilos e vírus. É isso!

Jornalista, poeta e escritoa coluna do Grupo Ric Mais)

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No Blog do Nêumanne: Bolsonaro, o Jim Jones do Vale do Ribeira

No Blog do Nêumanne: Bolsonaro, o Jim Jones do Vale do Ribeira

José Nêumanne

Presidente volta ao bolsonarismo de raiz em tentativa cega e desesperada de seguir seu vereadorzinho maluquinho para garantir passagem para segundo turno em eleição de 2022

Exatamente no momento em que o total de vítimas mundiais do novo coronavírus chinês ultrapassou o primeiro milhão, Jair Messias Bolsonaro leva seu segundo prenome à condição de destino manifesto para pregar um novo tipo de fanatismo suicida, à Jim Jones: a troca da morte certa pela economia incerta. O exemplo é do pastor de Indiana (EUA) que levou milhares de devotos da seita que fundou, Templo dos Povos, ao suicídio em Jonestown, na Guiana, após o assassinato em Georgetown, capital do país, do parlamentar norte-americano Leo Ryan e mais quatro pessoas. Fê-lo ao levar um punhado de devotos a gritarem “amém” após cada frase que pronunciava à frente de sua residência, o Palácio da Alvorada.

A cena não foi tão pavorosa quanto o suicídio coletivo de 1978, mas pode ser caracterizada como uma comédia de terror se associada a diversos fatos que compõem a moldura de um quadro ao mesmo tempo ridículo e terrível (adjetivo de uso preferencial por nosso Messias para definir o que ele supõe ser algo imenso). O chefe do governo comemorou o Domingo de Ramos, que abre a Semana Santa cristã, jejuando e comparecendo a concentrações num templo evangélico e no limite do jardim da residência presidencial. Enquanto isso, a Nação que o escolhera legitimamente para comandar o destino coletivo de uma das maiores economias do mundo convivia com uma previsão macabra. No dia anterior, manifestando sua fidelidade às diretrizes do ministro da Saúde, nomeado por ele, o número 02 da pasta, João Gobbardo, dizia que não havia como “flexibilizar” as medidas de isolamento social que evitam a subida vertiginosa dos índices de contágio e morte da covid-19. E que Bolsonaro sabota.

No mesmo sábado, 4 de abril de 2020, o advogado-geral da União, André Mendonça, encaminhou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ofício em resposta à ação movida contra o Messias atual pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) exigindo que ele se submeta às diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, a ele subordinado. O texto do candidato que Bolsonaro em pessoa já lançou à vaga do decano da Corte, Celso de Mello, por ser (não esqueça) “terrivelmente evangélico”, chega a ser espantoso por reunir em letra de forma sobre papel timbrado a afirmação mais surrealista que o pastor da cabeceira de Dias Toffoli já produziu.

Duvida? Mas não faça pouco. Mendonça escreveu: “Ao contrário do que alega o autor [OAB], todas as medidas adotadas visam garantir as orientações não só do Ministério da Saúde, mas também da Organização Mundial da Saúde. Tais medidas também visam garantir o isolamento social necessário para evitar a rápida disseminação do novo coronavírus”. Afirmou ainda a AGU, em vernáculo deplorável: “Vale lembrar que o Poder Executivo é exercido pelo presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado. Assim, todas as orientações do Ministério da Saúde advêm, e por isso encontram a chancela, do próprio governo federal”.

Em resumo, o advogado-geral, nomeado pela Presidência da República para defender a instituição na Justiça, mentiu de forma descarada e absurda. Pois, na semana encerrada no sábado, Sua Isolência (de isolado insolente), de posse de seus poderes messiânicos de profeta do primado da economia sobre a vida, em entrevista à Rádio Jovem Pan, avisou que tem à espera na mesa presidencial decreto encerrando as medidas de restrição de contato social assinadas por quaisquer prefeitos e governadores que apresenta como seus eventuais adversários, leia-se inimigos, em pleito a ser disputado daqui a dois anos e sete meses (!). Se tiver um mínimo de respeito pela própria reputação e pelas vidas que podem ser extintas se a comédia de terror do pastor presbiteriano Mendonça o convencer, e alguma noção do que significa a instituição mais alta do Poder Judiciário, Moraes não pode ter reação que não seja rasgar a mentira e determinar que se limite aos fatos, sob pena de ser preso por desafiar o mais alto tribunal.

A reação ao insulto à toga que o ministro enverga não pode deixar de levar em conta o fato de que o advogado-geral responde pelo presidente, mas não tem, por isso, permissão para mentir. Nem para matar. Pois as consequências dessa mentira infame em papel timbrado do mais alto Poder ao lado poderão resultar em pilhas de mortos que não terão sido socorridos a tempo por respiradores mecânicos comprados dos chineses e entregues aos ricos e poderosos americanos do norte.

Três dias antes da mentira lavrada em forma de defesa perante o STF, ou seja, 1.º de abril, tido pelo povo como dia da mentira, o espírito de porco de orelha do chefe do Executivo, seu filho 02, Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro, postou nas redes sociais a seguinte patoacada: o Brasil “partiu para o socialismo” com a crise causada pelo novo coronavírus. “O desenho é claro: partimos para o socialismo. Todos dependentes do estado até para comer, grandes empresas vão embora e o pequeno investidor não existe mais”, pontificou. No manifesto o vereadorzinho registrou que o momento faz parte de um plano da esquerda para introduzir o socialismo no País. “Conseguem a passos largos fazer o que tentam desde antes de 1964. E tem gente preocupada com a fala do presidente”. Talvez por ignorância, Chico Kafta (versão tupiniquim do genial romancista tcheco Frank Kafka, de acordo com a besta quadrada que o pai de Carlos nomeou para destruir a educação pelo poder da burrice) terminou por lembrar uma piada da época da ditadura militar, que, segundo seus críticos mordazes, não teria sido instalada em 31 de março, como se comemorou nestes 36 anos, mas no dia seguinte, o da mentira. O autor da afirmação mais estúpida que alguém poderia ter perpetrado a respeito de um assunto devastador em nenhum momento levou em conta a falta de leitos de UTI, kits de testes e respiradores que pode acontecer agora porque o amigão de sua famiglia, Donald Trump, sequestrou em Miami o avião da entrega do material, como se fosse uma diligência do faroeste.

Não estranhe o prezado leitor a súbita entrada neste texto de um mero vereador carioca num assunto mundial. Mas até os gansos do lago à frente do Itamaraty sabem que o gabinete do ódio, chefiado pelo menino maluquinho e Maquiavel das Vivendas da Barra, é o laboratório em que se destila o veneno das pregações do jardim do Alvorada. Sentado à mesa dos ministros ao lado do pai, o vereador é o mentor dos miasmas com que este se expõe e expõe a quem lhe grita “amém” em cultos de falsos cristãos, que não se dão ao luxo de amar, e a ridículas manifestações de apreço do povo em manifestações que nunca passam de 50 ratos pingados.

Em entrevista ao Globo, o líder indígena Ailton Krenak fez uma descoberta que iluminou a manhã que entrou pela janela do quarto onde, direto da quarentena, escrevo este texto. O tal do “isolamento vertical”, obra e desgraça de analfabetos virtuais, é uma manifestação virótica de alto poder de destruição da confiança e de vidas que está em perfeita conjunção com a manifestação de quem acredita que a Terra é plana e imóvel, a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin é uma idiotice, vacinas matam, em vez de salvar, e a ciência é um engodo que não se pode sobrepujar aos cânones universais da fé dos vendilhões do templo. Batata, Ailton!

No momento em que 196 povos do mundo inteiro se fecham em casa para evitar a contaminação inexorável (e terrível, aí se aplica corretamente o adjetivo aterrador) do novo coronavírus, o Messias pelo avesso empunha a espada que lhe foi retirada quando saiu do Exército sem ter chegado a major, por um acordo de cavalheiros em que ninguém agiu com cavalheirismo. A grande diferença da metáfora com que abri este texto é que Jim Jones só levou ao suicídio quem acreditava na loucura dele. Os terraplanistas e criacionistas de hoje, incluindo o pastor Mendonça, serão vetores de um vírus que, como disse a especialista Lígia Bahia, da UFRJ, em entrevista a Cecília Dantas para a coluna de Sônia Racy no Caderno2, não faz distinção ideológica, política ou etária entre seus alvos. Os fanáticos adoradores de torturadores acham que serão poupados, mas a Terra não é plana, Darwin, assim como Freud e Galileu, estava certo e vacina, assim como isolamento social, salva vidas. Centenas de milhares aqui. Milhões nos Estados Unidos. Como Don The Kid avisa todo dia.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 6 de abril de 2020)

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Direto ao Assunto no YouTube: Bolsonaro acertou com Mandetta

Direto ao Assunto no YouTube: Bolsonaro acertou com Mandetta

Pesquisa DataFolha revela que 76% dos entrevistados aprovam a atuação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, enquanto menos da metade, 33%. aplaudem a ação de seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro. Para 51%, este atrapalha e, para 40%, ajuda. São números reveladores, mas exigem uma leitura inteligente. Primeiro, quando o presidente nomeou o médico para comandar a pasta, ele era um obscuro membro do baixo clero, que poucos conheciam. E o fez contrariando a lógica do tal presidencialismo de coalizão, cuja receita era trocar cargo por apoio no parlamento. Foi, portanto, um acerto que merece aplausos, que, de certa forma, ainda põem o chefão do combate à pandemia do Brasil na disputa da reeleição daqui a 2 anos e 7 meses. O problema é que a primeira pessoa que tem de pensar nisso é o próprio Bolsonaro, que prefere, entretanto, “bicar” o subordinado por falta de humildade. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Coluna semanal para o site Rice: Vaivém de Bolsonaro mata muita gente

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Vaivém de Bolsonaro mata muita gente

José Nêumanne

Estratégia eleitoral do “gabinete do ódio”, comandado pelo filho Carlos, inspira ação errática do presidente, isolado em seu governo e no resto do mundo na guerra contra covid-19

 

Quando foi noticiado o primeiro caso de contágio do novo coronavírus no Brasil, o presidente da República, Jair Bolsonaro, preferiu debochar das fundadas preocupações de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a respeito da possibilidade de a covid-19 levar o sistema público do País ao colapso. Em consonância com seu ícone em política, Donald Trump, usou até o mesmo diminutivo que o presidente dos Estados Unidos empregou: “resfriadozinho”. Noticiário para ele e seus fiéis devotos nas redes sociais atribuíram os alertas médicos a histeria. Associando-a à disputa eleitoral para Presidência da República em 2022, na qual até agora tem aparecido como favorito, por falta de adversário à altura.

No domingo 22 de março, contudo, Trump deu ouvidos a Antony Faucci, celebrado infectologista norte-americano, que levou à Casa Branca o resultado de uma pesquisa da conceituadíssima instituição de ensino superior do país, a Johns Hopkins University. A previsão era aterradora: se não adotasse imediatamente o isolamento social dos cidadãos, morreria 1 milhão de americanos. Se os isolasse, o total cairia para 200 mil ou até 100 mil. Mesmo sendo enorme o contingente, a diferença levou o chefe do governo a mudar radicalmente de posição e imediatamente aderiu às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), da ONU. Então, começou a apelar para o cidadão ficar em casa, embora tenha encontrado forte reação de um adversário político poderoso, o governador do Estado de Nova York, democrata de esquerda, que o chamou de antiamericano por isso. No entanto, o republicano de direita tem feito o possível para não ser responsabilizado em ano eleitoral pelo milhão de cadáveres.

Não se sabe se pela condição de monoglota, Bolsonaro, que o visitou na Flórida pouco antes dessa mudança de posição, fez-lhe ouvidos de mercador. A descoberta de 18 casos de contágio em sua comitiva e a necessidade de se submeter a dois testes, que, segundo ele, deram negativo, não o demoveram da defesa da versão pessoal das medidas de eugenia de Adolf Hitler, pregando um tal de isolamento vertical, que manteria apenas os vulneráveis em casa, à espera do contágio inexorável por algum jovem assintomático da família. Pode não ser mera coincidência a lorota bolsonarista coincidir com a instalação do chefe do “gabinete do ódio”, o filho Carlos, no Palácio do Planalto, embora não passe de mero vereador no Rio. Certo é que a solução miraculosa nunca foi testada e mesmo os adeptos da teoria da histeria coletiva seguiram Trump no recuo. O esquerdista Manuel López Obrador, do México, adepto do beijo como método de se aproximar dos eleitores, foi o primeiro. Hoje, se nenhum tiver ainda recuado, as duas figuras mais notórias da eugenia de Jair Messias são o bolivariano Nicolás Maduro, da Venezuela, e o guerrilheiro comunista Daniel Ortega, da Nicarágua.

O leitor desavisado poderá perguntar-se por que de repente os bolsonaristas, que sempre acusam quaisquer adversários de “esquerdopatas”, defendam com tanto fanatismo teoria cara a essas figuras e aos maiores responsáveis pela tragédia que enluta a Itália, todos de esquerda. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, apoiou uma campanha sob o lema “Milano no ferma” (Milão não fecha). O presidente brasileiro tentou imitá-lo com a campanha “O Brasil não pode parar”, mas as mensagens sumiram das redes sociais em que foram postadas. Outro prefeito, o de Florença, Dario Nardella, lançou uma cruzada contra o preconceito, incentivando os toscanos sob o lema “Abrace um chinês”. O governador do Lácio. Nicola Zingaretti, participou com o citado anteriormente da divulgação de fake news segundo os quais o novo coronavírus não seria transmissível entre humanos. Os três são do Partido Democrático, denominação equivocada de um grupo de legendinhas de esquerda.

 O primeiro brasileiro a ser associado ao vírus maldito contraiu-o em Milão, cujo prefeito aconselhou por telefone o governador paulista, João Doria, a insistir no isolamento social como forma de evitar que a velocidade do contágio produzisse vítimas suficientes para provocar o colapso do sistema público de saúde do Estado mais rico do Brasil, com a possibilidade de repetir a cena de caminhões do Exército transportando cadáveres em Bergamo, como Milão situada na zona mais crítica, o norte da Itália.

Nada disso convenceu Bolsonaro. Benjamin Netanyahu uniu-se aos adversários em Israel e aos vizinhos palestinos no combate à covid-19 pelo isolamento social. Narendra Modi, visitado pelo presidente brasileiro em viagem de volta do Oriente ao Brasil, isolou 1 bilhão e 300 milhões de indianos. Mas o capitão reformado preferiu envergonhar os brasileiros ao atribuir ao diretor-presidente da OMS, Tedros Adhamou, apoio à sua alucinação. E este o desmentiu. Após anunciar sua disposição de se unir a prefeitos e vereadores, que critica duramente, num hipócrita pronunciamento em rede de televisão, recebido com panelaços, compartilhou em 1.º de abril, dia da mentira, mensagem de um anônimo com cenas do Ceasa de Contagem, na Grande Belo Horizonte (MG). Desmentido pela Secretaria de Agricultura de Minas Gerais e pela própria ministra da Agricultura, Tereza Cristina, Bolsonaro apelou para a histeria do desabastecimento com uma fake news, que antes atribuíra a quem de fato entrou na guerra contra o vírus chinês na hora certa e fazendo a coisa certa. Essa teimosia insana já fez muitas vítimas, mas, infelizmente, a proximidade de Carlos prenuncia uma hecatombe próxima à que evitou que seu ídolo Trump caísse na mesma armadilha.

*Jornalista, poeta e escritor

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No Blog do Nêumanne: Só Bolsonaro não quer ir para casa

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José Nêumanne

Em sua pregação contra quarentena geral para combater a covid-19, presidente desautoriza ministro da Saúde e defende isolamento vertical, que ninguém testou nem aprova neste nosso planeta

Uma falsa dicotomia atrapalha – e muito – a desequipada, desestruturada e desgovernada máquina pública brasileira na enorme força que precisa ser feita para enfrentar a pandemia da covid-19, que ameaça transformar-se na maior praga da História da humanidade. De um lado, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, angariou grande simpatia do público e aplausos dos meios de comunicação na cobertura do único fato relevante do noticiário recente, ao defender a adoção de medidas práticas indispensáveis para evitar ao máximo possível a enorme mortandade a ser causada pela velocidade espantosa com que o coronavírus, egresso da China, se reproduz e contagia. Seu chefe, Jair Bolsonaro, apavorado com a possibilidade de perder o favoritismo na corrida eleitoral de daqui a dois anos e sete meses, usa seu poder monárquico para tentar fugir à responsabilidade do desastre econômico que terá atingido o mundo inteiro quando o microrganismo for neutralizado por alguma droga ou pela capacidade de imunização dos infectados que conseguirem sobreviver.

De posse da decisão das medidas preventivas, o deputado do DEM na chefia da pasta encarregada de realizá-las, apoia a quarentena, por ser a principal recomendação da Organização Mundial e Saúde (OMS). E pela comprovação de ser o único meio de reduzir a velocidade do contágio. O Instituto Butantan calculou que a taxa de transmissão do vírus no Estado de São Paulo caiu nos últimos dez dias de um indivíduo infectando seis outras pessoas para um contaminado transmitindo a doença para apenas duas.  Segundo o secretário de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann Ferreira, analisando os números de novos casos registrados no Estado comparados com os do País, é possível perceber uma subida menos acentuada da curva. Segundo ele, isso quer dizer que a estratégia de isolamento social contra a covid-19 já mostra resultados positivos.

Mas Jair Messias Bolsonaro diz que é mentira. O Butantan é mais uma instituição que ele desqualifica sem nenhum fato que comprove a desqualificação. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística foram alvos dos disparos do “gabinete do ódio” chefiado pelo dito filho 02, Carlos Bolsonaro. De fato, o instituto pertence à hierarquia do governo do Estado de São Paulo, chefiada por João Doria, principal adversário do presidente em 2022. Mas seus dados foram confirmados por estudo do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, que reúne pesquisadores da Fiocruz, da PUC do Rio e do Instituto D’or de Pesquisa e Ensino. E este chegou à mesma conclusão de que a implementação de medidas de contenção logo após a notificação dos primeiros casos de covid-19 pode levar a um impacto positivo na redução da propagação da pandemia. O estudo comparou curvas de contaminação de diversos países e identificou que na Coreia do Sul, onde as medidas foram aplicadas logo após as primeiras confirmações de contágio, a curva foi achatada. O exemplo oposto é o da Itália, cujas tentativas de conter a velocidade do contágio do coronavírus, sob pressão política, foram inicialmente substituídas por mensagens de pretenso combate ao preconceito, como “abrace um chinês”, da lavra do prefeito de Florença, o esquerdista Dario Nardella. Ou contendo falsas informações de que o novo coronavírus não seria contagioso, com apoio do governador do Lácio, Nicola Zingaretti. A campanha intitulada Milão não fecha foi apoiada pelo prefeito da cidade lombarda, Giuseppe Sala, que, depois dos resultados desastrosos, admitiu que “pode ter errado”. A versão tupiniquim – O Brasil não pode parar – sumiu e ninguém sabe, ninguém fez e ninguém viu.

O chefe do Executivo brasileiro embarcou nessa canoa furada, desperdiçando a oportunidade rara de aprender com a prévia experiência estrangeira. Com base em mensagens antigas na internet, inspirou-se no seu grande ídolo internacional, o presidente dos EUA, Donald Trump. Deste Bolsonaro imitou a comparação da pandemia com uma “gripezinha”. Só que o dito conhecimento de inglês do filho 03, Eduardo, levou o clã e seus fanáticos seguidores a não acompanharem nas redes sociais a evolução da opinião do chefe do governo americano. Em poucos dias Trump abandonou a postura antiquarentena, em defesa da manutenção do emprego, e tornou-se fervoroso adepto do isolamento social. Disso decorreu o erro cometido pelo gueto bolsonarista na internet ao tentar desacreditar registro que fiz no canal de YouTube de que Trump informou que recorreria ao isolamento total com tal entusiasmo que seu adversário, o democrata de esquerda Andrew Cuomo, prefeito de Nova York, o chamou de antiamericano. A ironia da história é que, atrasado, nosso presidente monoglota aderiu ao inimigo do amigo por receber informações distorcidas do filho que pretendia nomear nosso embaixador em Washington.

Desse erro resultou a decisão desastrosa do pai dos néscios de desafiar o próprio ministro da área, Mandetta, indo passear nas ruas de Brasília no domingo 29 de março. E como havia feito antes, na manifestação a favor de seu governo e contra seus adversários no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso Nacional, teve contato físico com desconhecidos, a pretexto de “ouvir o povo”. Tal atitude instaurou uma situação anômala na História da República, em que o chefe do governo passou a opor-se à política oficial, que, em teoria, nunca havia abandonado. Numa desesperada tentativa de evitar que se lhe atribuísse a recessão, que produzirá inevitavelmente um aumento exponencial do desemprego, ele se agarrou ao lema que seu ídolo ianque havia jogado no lixo, em nome de premissas falsas adotadas de forma cínica e oportunista. Ele, que nunca manifestara nenhuma empatia pelos mais de 11 milhões de desocupados na economia, tornou-se de repente o defensor da teoria esdrúxula e nada cristã de que manter o emprego é mais importante do que se manter vivo.

Os fatos, contudo, não corroboram a tentativa desesperada de se isolar no mundo e no próprio Ministério. Na semana passada, na base do improviso, como de hábito, abriu uma entrevista coletiva dada pelos presidentes do Banco Central, Roberto Campos Neto, do BNDES, Gustavo Montezano, e da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, para anunciar a esmola de R$ 40 bilhões para informais, desempregados e trabalhadores de baixa renda. Como 64% das medidas anunciadas anteriormente, estas também ainda não saíram do papel. No caso, nem sequer a equipe econômica as formulou. Um vexame!

Segundo o Observatório de Política Fiscal, ligado ao Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, o pacote em que o PR quer embasar sua tentativa de atuar como pai dos pobres aponta gastos equivalentes a pouco mais de 2% do produto interno bruto (PIB), troco de padaria, esmola de porta de igreja. E a Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados americana) aprovou na sexta-feira 27 um pacote de ajuda de US$ 2,2 trilhões, 5,3% do PIB do país – o maior de sua História – para ajudar indivíduos e empresas a lidarem com a crise econômica provocada pela pandemia e fornecer aos hospitais com necessidade urgente de suprimentos médicos. Mais humilhante ainda para o Brasil é a previsão de que essa ajuda chegará a 11,7%, quase seis vezes mais que a nossa.

Na Europa a comparação com o Brasil é mais humilhante. No Reino Unido, o total de medidas chega a 17% do PIB. Na Espanha, país muito atingido pelo vírus, o programa já anunciado pelo governo soma os mesmos 17% do PIB, média europeia. O instituto da FGV acrescentou que Alemanha e França “vão em caminhos muito similares”, com suportes equivalentes a 12% e 13,1% do PIB, respectivamente.

Ocioso informar que, com a adesão de quem antes se opunha ao isolamento social total, caso do britânico Boris Johnson e do mexicano López Obrador, Bolsonaro ficou sozinho na defesa do indefensável, nunca testado em lugar nenhum: o isolamento exclusivo para idosos e vulneráveis. Nem neste Brasil dos dois governos que se opõem, o da tentativa de salvar vidas e o da narrativa de salvar empregos, o presidente da República tem plateia para aplaudir suas pérolas retóricas, como “terão mortes, paciência”, ou “todos morremos, pô”. O presidente do STF, Dias Toffoli, seu amigão do peito, e o interino do Senado, Antônio Anastasia, manifestaram-se contra sua guerra a Mandetta. E seu “posto Ipiranga” particular, o ministro de Economia, Paulo Guedes, cunhou uma sentença para competir com as dele: “Eu, como economista, preferia a retomada. Eu, como cidadão, quero ficar em casa”. Pelo visto, no mundo ou no Brasil só Bolsonaro não quer. Vai lá saber por quê!

·        Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne em 30 de março de 2020)

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A luta que Jair e João perderão em 2022

 

José Nêumanne

Presidente da República e governador do maior Estado da Federação têm razão quando se agridem, mas nenhum dos dois sairá ileso na batalha que travarão em dois anos e sete meses

Até quarta-feira 25 de março de 2020 havia sido registrado no Brasil um total de 57 mortes e 2.433 casos confirmados de covid-19, a terrível pandemia espalhada pelo mundo pelo novo coronavírus, importado da ditadura comunista da China, que virou o mais disputado mercado do mundo. Os números são modestos. Na vida real as estatísticas são maiores.

No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro reuniu-se com os governadores do Sudeste para discutirem estratégias comuns contra o microrganismo mortal. A repercussão do pronunciamento do chefe do governo federal em cadeia de rádio e televisão na noite anterior tinha sido tão catastrófica que o isolamento “horizontal”, que ele havia execrado na ocasião, tornou-se “vertical”, ou seja, exclusivo para idosos com doenças. O que era terrível e assustador ficou patético, sendo polido.

No debate entre chefes de Executivos por via virtual, o governador do Estado de São Paulo, João Doria, disse que o presidente deveria “dar exemplo ao País, e não dividir a nação em tempos de pandemia”. Tinha razão. O presidente retrucou: “Se você não atrapalhar, o Brasil vai decolar e conseguir sair da crise”. Não foi o único governador presente a manifestar sua reprovação. Todos estavam certos. E daí? Ninguém ganhou, ninguém empatou. No fim todos perderão.

O pronunciamento foi o mais desastroso de um presidente desde sempre. Tomei nota dos sete pecados capitais do chefe do governo.

1 – Vigarice – O presidente pediu ao Congresso um decreto de “calamidade pública” para gastar o que quiser com combate à pandemia e agora chama o isolamento social de histeria. Fê-lo porque não sabe o que quer dizer calamidade ou por confundir histeria com pizzaria?

2 – Ignorância – Sua Insolência disse que o Brasil é completamente diferente da Itália, mas se esqueceu de falar das semelhanças entre China, Espanha, Itália e Estados Unidos, agora no epicentro da pandemia, em especial Nova York, conforme declarou a Organização Mundial da Saúde. Será que o capitão se esqueceu da própria origem italiana?

3 – Egocentrismo – Em vez de lamentar cada um dos mortos, seja lá quantos forem, e confortar infectados, cujo total aumentará exponencialmente, disse que, atleta, enfrentará a pandemia como ela é: uma “gripezinha”. Faltam-lhe senso, sensibilidade e consciência cidadã de que todos são iguais perante a lei. Que religião professa o dito cristão, na qual idosos com saúde precária teriam por isso menos direito à vida do que jovens hígidos? Aliás, saiba ele, ninguém escapa da morte. Aos 65 anos, deveria saber que atletas mais preparados do que ele morreram – Ademar Ferreira da Silva, por exemplo – e outros inevitavelmente morrerão.

4 –Falta de educação – O pronunciamento foi fértil em ataques a governadores, imprensa, profissionais da saúde – corretamente tratados como heróis pelo povo que o elegeu presidente – e outros adversários, considerados vis inimigos. Em teoria, pronunciamentos do gênero deveriam ser ocasião para o chefe de Estado contar eventuais ações do governo. E não tribunas livres para guerrilha política pré-eleitoral sujíssima. Mamãe não ensinou direito civilidade ou ele nem ligou?

5 – Exercício ilegal da medicina – O capitão reformado receitou a droga hidroxicoloroquina, para tratar malária e lúpus, contra recomendação médica. O repórter Edilson Martins (ex-Pasquim), companheiro de visitas dos irmãos sertanistas Villas-Bôas a tribos indígenas, convive com a febre maldita transmitida pela carapanã, abundante em sua Amazônia de origem. Pelo WhatsApp avisou aos incautos clientes do infectologista amador dr. Jair que a substância destrói o fígado e leva homens à impotência.

6 – Nepotismo – Reportagem do Estado de S. Paulo, assinada por Vera Rosa, competente repórter responsável há muitos anos pela cobertura do Planalto e publicada no dia seguinte, dá conta de que o presidente “ se isolou ainda mais na crise do coronavírus. Desde que a calamidade pública começou a assombrar o dia a dia da população, Bolsonaro deu mais poder ao ‘gabinete do ódio’, núcleo ideológico que o incentiva a adotar um estilo cada vez mais beligerante … e desautorizou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Seu diabinho de plantão é o filho 02, Carlos, vereador no Rio de Janeiro e encrenqueiro por vocação.

7 – Irresponsabilidade e falsidade – A informação acima é confirmada pela citação no pronunciamento do tal “medicozinho da Globo”, que não teve o nome declinado, mas é o infectologista Dráuzio Varella. Este conseguiu que a Justiça proibisse a circulação de um vídeo em que despreza a hoje pandemia. Compartilhado por Carlos e pelo ministro da Devastação do Ambiente, Ricardo Salles, tal vídeo foi gravado há dois meses e divulgá-lo implica cometer ilícito que o presidente atribui frequentemente a seus desafetos da dita “extrema imprensa”: fake news.

Dizem que sua desastrada decisão foi provocada por despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello acolhendo parcialmente recurso do Partido Democrático Trabalhista (PDT) contra sua tentativa de barrar iniciativas de isolamento social decretada pelos governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio, Wilson Witzel, pretendentes ao trono (que ele ora ocupa) em 2022.

No dia em que o Japão adiou a Olimpíada para 2021 por causa da covid-19 e o premiê indiano, Narendra Modi, que ele visitou recentemente, decretou quarentena para 1 bilhão e 300 milhões de compatriotas, Bolsonaro e Doria anteciparam a guerra eleitoral sem dar a mínima para o aviso do médico urologista Miguel Srougi, professor da USP, que prevê mortes de pacientes nas filas nas portas dos hospitais públicos. A disputa está marcada para 2022. E pelo visto nenhum dos dois terá algo de bom para contar aos eleitores que elegerão o próximo presidente.

*Jornalista, poeta e escritor

(Coluna semanal publicada pelo grupo Ric de Comunicação)

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