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Nêumanne entrevista Márcia Cavallari

Nêumanne entrevista Márcia Cavallari

Ibope constata que política brasileira está muito desacreditada

 

Márcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência, diz que brasileiros acham que os políticos trabalham mais em seu próprio benefício do que para a sociedade, mas escolhem parlamentares conhecidos e no poder

“Após o atentado houve um fortalecimento da candidatura de Jair Bolsonaro e um aumento nas intençõesde voto nele. A campanha de Jair Bolsonaro começou bem antes do ano eleitoral nas redes sociais, ele tem uma militância espontânea entre seus eleitores. E isso faz com que o seu voto seja consolidado, uma vez que ele é o candidato que apresenta a menor diferença entre a pergunta espontânea, sem apresentação dos nomes dos candidatos, e a pergunta estimulada, em que os candidatos são apresentados ao eleitor” disse Márcia Cavallari Nunes, CEO do Ibope Inteligência. Na série Nêumanne Entrevista, a especialista constatou uma contradição na série de levantamentos feitos pelo instituto na eleição a ser disputada neste domingo, 7 de outubro. De modo geral, observou ela, “a política brasileira está muito desacreditada, 79% concordam com a frase de que os políticos trabalham mais em seu próprio benefício do que para a sociedade. Outros 64% acreditam que a política brasileira impede que apareça um líder honesto e comprometido com mudanças para o povo”. Mas esta constatação contradiz outra conclusão que ela permite definir na entrevista: “Aparentemente, também não teremos uma grande renovação no Congresso, de acordo com nossas pesquisas de intenção de voto parasenador e deputado, os eleitores estão escolhendo, novamente, parlamentares já conhecidos, muitos deles no poder.”

Para Márcia, antecipação da campanha nas redes sociais tornou voto em Bolsonaro mais convicto. Foto: Acervo pessoal

Para Márcia, antecipação da campanha nas redes sociais tornou voto em Bolsonaro mais convicto. Foto: Acervo pessoal

Márcia Cavallari Nunes, atual CEO (chief executive officer) do Ibope Inteligência, é responsável pela direção-geral da empresa, além de se envolver diretamente na coordenação de projetos específicos/especiais. Formada em Estatística pela USP, tem mestrado em Ciências Políticas com ênfase em Pesquisa de Opinião Pública pela Universidade de Connecticut. No Ibope desde 1982, já ocupou, entre outros cargos, o de diretoraexecutiva e de gerente nas áreas de opinião pública e de estatística. Tem 36 anos de experiência em pesquisa de mercado e opinião, com atuação em projetos qualitativos e quantitativos. É vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep) e faz parte do Conselho do Centro de Estudos de Opinião Pública(Cesop) da Unicamp. Além disso, lecionou no curso de Pesquisa de Mercado, Mídia e Opinião com ênfase na Gestão da Informação da ESPM e no Curso de Extensão de Opinião Pública, Mídia e Estratégias de Comunicação Política do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). E coautora de diversos livros sobre pesquisa eleitoral.

Nêumanne entrevista Márcia Cavallari Nunes

 

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Artigo de Nêumanne na página Opinião do Estadão: O justiceiro e o pau-mandado

Artigo de Nêumanne na página Opinião do Estadão: O justiceiro e  o pau-mandado

De um lado, Lula é mesmo Haddad e, de outro, Bolsonaro, a opção contra o petista

A disputa marcada para domingo 7 de outubro nas urnas eletrônicas do Brasil não se travará entre democracia e autoritarismo, esquerda e direita ou pobres contra ricos. Nada disso: ela ocorrerá entre o justiceiro e o pau-mandado. Começou nas ruas em 2013 e não terminará no anúncio oficial pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dos vencedores nas urnas.

Em 2013, a classe média espoliada pelo Estado estroina, voraz e indiferente à realidade de lares e escritórios do País, saiu às ruas para clamar contra os péssimos serviços públicos prestados por gestores ineptos e insensíveis e a corrupção que depaupera o erário e joga a governança ética no lixo. A presidente da época, Dilma Rousseff, poste indicado por Lula da Silva, do PT, e eleita com a luxuosa ajuda do PMDB, de Michel Temer, respondeu com a promessa de comandar cinco pactos para responder à massa nas áreas de responsabilidade fiscal, reforma política, saúde, transporte público e educação. Ganha uma viagem para Xangrilá quem citar uma providência adotada por ela para melhorar qualquer dos setores.

Mas, no ano seguinte, a mesma chapa, negociada pelo chefão Lula com Temer de vice, venceu a eleição presidencial, sob a égide do maior estelionato eleitoral da História. Este se manifestou de duas formas. Sob a batuta do marqueteiro João Patinhas Santana e de sua mulher, Mônica Moura, os vencedores enganaram os eleitores com uma publicidade asquerosa que acusava falsamente a ex-petista Marina Silva de conluio com banqueiros para impedir que os pobres comessem. A propaganda eleitoral foi paga com propina na veia: dinheiro de empreiteiras beneficiadas em contratações públicas para iludir o cidadão incauto e comprar uma oposição de fancaria do candidato derrotado, o tucano Aécio Neves.

Depois, o TSE os inocentou dos crimes cometidos e denunciados que vitimaram o eleitor, não pela falta de provas, alegada por seu presidente Gilmar Mendes, mas pelo excesso delas, conforme denunciou o relator Herman Benjamin.

Esta, porém, não foi a primeira – e nada indica que será a última – agressão absurda à lei praticada pela cúpula do Judiciário, vigilante na defesa de quem os tenha nomeado. Do escândalo do mensalão saíram indultados pela distraída Dilma Rousseff e perdoados pelo leniente plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) todos os seus mandantes petistas e aliados. Até hoje ainda cumpre pena o bode expiatório, dito operador, Marcos Valério Fernandes de Souza. Exceção à regra, José Dirceu reincidiu no crime enquanto cumpria pena de 30 anos e meio de cadeia. Ainda assim, foi solto pelo Trio Solta o Ladrão da Segunda Turma do STF: o presidente do clube, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

Acontece que esses arreganhos de impunidade têm sido desafiados desde 2014, só por isso um ano histórico: afinal, nele teve início a Operação Lava Jato, na qual policiais, procuradores e juízes federais devassaram o maior caso de rapina dos cofres públicos da História, o petrolão. No último quadriênio, a Nação brasileira passou a conviver com uma realidade estranha à tradição de desrespeito ao direito mais pétreo de nossa ordem constitucional, a igualdade de todos os cidadãos, pobres ou ricos, perante a lei, primado do Estado de Direito. Uma mistura de ousadia, honestidade e conhecimento dos truques dos corruptos lavadores de dinheiro levou às celas – antes reservadas apenas para pretos, pobres e prostitutas – magnatas como o empreiteiro Marcelo Odebrecht e políticos poderosos e populares como o padim Lula.

A devassa desmontou a farsa da cruzada ética dos socialistas de araque, mas a maior de suas vítimas foi Aécio Neves, que saiu da derrota para Dilma como a esperança de 50 milhões de brasileiros que nunca acreditaram nos petistas ou se frustraram com eles. Mas foi flagrado nas investigações como sócio minoritário, nem por isso menos desprezível, deles.

A Lava Jato e filhotes deram à Nação a confiança de que chegara a hora de desratizar os palácios infestados dos três Poderes da República. A ilusão do verão do desemprego, da bala perdida e dos R$ 50 milhões entesourados no apê dos Vieira Lima respondia ao mote “não reeleja ninguém”.

Mas o acordão do outono não tardaria a desmontar a bomba que ameaçava explodir a engenharia perversa do desalento da Nação assaltada. A eleição de outubro foi planejada como a sagração da primavera da baixíssima renovação do Congresso garantindo o foro privilegiado, da liberdade do capitão do time de Lula e da fé renovada no poder demiúrgico do famigerado presidiário.

Do inverno de desesperança majoritária para cá os institutos de pesquisa flagraram na alma nacional as únicas saídas que ora lhe parecem viáveis. Como já está provado que Lula é Haddad, ou seja, o preposto não é mais o poste, mas pau-mandado e codinome do real titular da chapa triplex, o sonho de voltar a viver sob os eflúvios de seu mandato de bonanças sem ter de se submeter às catástrofes de madame Rousseff tornou viável a hipótese de incluir os condenados do mensalão e do petrolão no perdão geral a todos os gatunos.

Do lado oposto, a fresta achada pelas vítimas dos desgovernos do PT e do PMDB aliados se voltou para o único dos candidatos viáveis à Presidência que não fez parte das quadrilhas que limparam os cofres da República nem figura no rol de eventuais beneficiários do “solta os meus que não permito que prendam os seus”.

Pode-se dizer que Jair Bolsonaro, do PSL, só não participou da bandalheira em que se lambuzaram PT, PCdoB, PDT, PMDB, PSB, PP, PSC, PRB e, last but not least (por último, mas não por menos), PSDB e DEM, porque não tinha importância no jogo do poder que bancou o bicho da corrupção nos últimos 16 anos. E daí? Importa agora é que o duelo travado é, de fato, entre Lula, vulgo Haddad, e Jair, o mais escrachado de tudo quanto representa seu oposto. E o resto é lorota.

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na página A2 do Estado de S. Paulo quarta-feira 3 de outubro de 2018)

No Blog do Nêumanne: O “bucho furado” de Zé Dirceu

No Blog do Nêumanne: O “bucho furado” de Zé Dirceu

Ao confessar que “é uma questão de tempo para o PT tomar o poder” e comparar Lava Jato com “polícia política”, petista repete Dilma e revela o que devia ter ficado em segredo

No tempo do reino de dom Joaquim Barbosa na “Suprema Corte”, quando foi denunciada, processada e condenada a trupe que comandou e operou o maior assalto aos cofres da República até então conhecido, José Dirceu de Oliveira foi dito “chefe da gangue”. Junto com ele foram apenados dirigentes de sua sigla, políticos da base aliada, entre os quais o delator petebista Roberto Jefferson, operadores do mercado financeiro e um publicitário, apelidado de “operador”. Lula passou ao largo. A misericordiosa ocupante do poder, Dilma Rousseff, indultou os companheiros da banda política da quadrilha, contemplados com o perdão pela nobilíssima “Suprema Corte”. Hoje o único preso é o operador, Marcos Valério Fernandes de Souza. Dirceu, tido como “capitão do time”, era exceção, por ter sido flagrado em delinquência no petrolão enquanto cumpria pena do mensalão.

Era, mas não é mais. Condenado a 30 anos e meio por corrupção passiva e organização criminosa, foi libertado,  com pito do atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no juiz que lhe quis impor tornozeleiras, Sergio Moro. Em qualquer vara mequetrefe perto da zona do baixo meretrício, o habeas corpus não poderia ter sido assinado, pois na Justiça deveria importar a “suspeição” pelo fato de que Sua Excelência tinha sido subordinado do réu, à época em que advogou para o Partido dos Trabalhadores (PT). Mas no Brasil o Direito Romano e suas filigranas, tais como a igualdade de todos perante a lei, só têm valor quando exercidos contra desafetos e inimigos jurados. O certo é que a decisão foi aprovada em votação da Segunda Turma do tribunal, com a adesão automática e entusiástica de seus companheiros do trio Solta Gatuno, composto por ele, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. E desde junho goza as delícias do sol da zona cacaueira e de outros locais aprazíveis, fora da cela, o cidadão que fundou, dirigiu, comandou e unificou o partido em torno de seu líder único, Lula.

Na prisão, assim como Adolf Hitler e Antonio Gramsci, o militante que organizou o congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna (SP) que caiu nas garras do hediondo delegado Sérgio Fleury, alinhavou suas memórias de guerreiro e amante latino no livro Zé Dirceu – Memórias Volume 1 (Geração Editorial). Neste preciso momento, dedica-se à suada, mas nada desagradável, tarefa de divulgar os tais alfarrábios.

Foi então que de repente, não mais que de repente, lhe cruzou os caminhos da liberdade um solerte repórter do celebrado diário espanhol El País e lhe perguntou sobre a possibilidade de o PT ganhar as eleição e “não levar” por causa da oposição da direita. E ele respondeu o seguinte: “Acho improvável que o Brasil caminhará para um desastre total. Na comunidade internacional isso não vai ser aceito. E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição”. Seu projeto, como contou na entrevista, é o seguinte: “Tem que acumular força. Eles (a direita) priorizaram a mobilização popular, deles, da classe média, durante o nosso governo”.

Ainda em seu périplo pelo País para lançar lembranças de atos heroicos e amantes inesquecíveis, Dirceu disparou contra os procuradores federais que o denunciaram. Disse, literalmente, que “o Supremo, em 2016, deu poder de investigação ao Ministério Público. Qual é o resultado? Agora há investigações sigilosas. Inclusive o ministro Gilmar Mendes tem criticado isso. Tem que tirar o poder de investigação do Ministério Público. O Ministério Público só é para acusar. O Ministério Público virou uma polícia política. Não há controle nenhum. E mais: uma corporação com os maiores privilégios do Brasil”.

Tal mistura de alhos com bugalhos não pode ser tratada apenas como queixa de réu pilhado em delito na tentativa de desqualificar seus acusadores. Ela representa, na verdade, os lamentos comuns de outros chefões de organizações criminosas que dilapidaram e dilapidam os cofres públicos em nome de benemerências a desassistidos e de justiça social,para encher as burras de suas legendas de dinheiro furtado do povo e enriquecer pessoal e ilicitamente. E não flagra apenas o exercício do célebre jus sperniandi, expressão jocosa em falso latim vulgar que significa direito de espernear. Ao contrário, ela traduz a disposição de poderosos mandatários nos três Poderes da República de garantir a impunidade de si mesmos e da própria grei, além de prejudicar e, se possível, apenar os agentes do Estado que tenham constatado, investigado e processado seus delitos contra o patrimônio do cidadão.

Quando a entrevista a El País foi publicada, a primeira lembrança que veio à mente de qualquer brasileiro maior de 60 anos foi a da frase atribuída a Luiz Carlos Prestes, em 1963, época em que era secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Sob João Goulart, os comunistas ocupavam cargos importantes no governo federal, mas não se consideravam ainda suficientemente poderosos. A constatação foi expressa pelo “cavaleiro da esperança” (apud Jorge Amado) na sentença: “Estamos no governo, mas ainda não estamos no poder”. O uso da expressão autoritária “tomar o poder” aproxima a frase de Dirceu da de Prestes, que, como a História registra, deu com os burros n’água.

Um ano depois, os militares derrubaram o governo constitucional de Jango e o PCB, com Prestes, teve de se esconder na clandestinidade. Hoje as condições para uma ruptura institucional desse gênero parecem distantes. E o próprio pretendente a profeta o reconhece na entrevista.

Na crítica feita ao Ministério Público Federal (MPF), contudo, Dirceu foi menos candidato a cassandra doapocalipse e mais cronista de uma situação que ele, como factótum de Lula no partido e no governo, domina como participante do “acordão” que, sem dúvida, está sendo urdido. E que influencia de forma direta a disputa eleitoral de vários cargos poderosos na política, principalmente o mais alto de todos, a Presidência da República.

Ao site piauiense AZ Dirceu misturou o trabalho de investigação da polícia e de denúncia do MPF e o comparou aos processos de perseguição aos adversários de Estado e do regime executados pelos órgãos repressivos de ditaduras como as de Adolf Hitler, seu herói Josef Stalin e seu ídolo Fidel Castro. No site 180, também do Piauí governado por um petista, Wellington Dias, ele acionou sua metralhadora giratória contra o STF, do qual disse que um governo petista reduzirá ospoderes, mudando até o nome, que passaria de Supremo para “Corte de Justiça”. Nem os amigos protetores escaparam de suas rajadas erráticas.

Na verdade, nunca o STF deu ao MPF permissão para conduzir investigações criminais. Os procuradores até pressionam o Supremo a reconhecer que quem pode o mais pode o menos, mas a pressão tem sido rechaçada pela Polícia Federal (PF), e nada de novo foi dado. A militância dele é contra a delação premiada, usada por americanos e italianos na investigação de organizações criminosas, pelo acesso que permite à intimidade das gangues. Ela foi incorporada à Justiça brasileira por leis assinadas, primeiro, por Fernando Henrique e, depois, por Dilma. E, de fato, sem ela dificilmente a Lava Jato e seus filhotes teriam conseguido os feitos de que se orgulham e que tanto agradam à sociedade cansada de impunidade.

As críticas tornam-se confissões e o hábil perito dos lances magistrais do partido é equiparado à sucessora na chefia da Casa Civil, Dilma Roussef, cuja inabilidade é notória. Como a nota oficial em que a ex-presidente confessou, tentando defender-se, a participação dela na decisão sobre a compra onerosa da refinaria da Astra Oil em Pasadena, foi considerada sincericídio de rara estultice, as declarações de José Dirceu revelam que ele está trilhando a mesma vereda. O “sincericídio” de Dirceu preocupa muito seus pareceiros do PT, conforme publicou Vera Magalhães no BR18. Pois acham que seu “bucho furado” pode tirar votos de quem não quer Bolsonaro, mas hesita em votar em Haddad. Aliás, quem na situação descrita cair nas torpes fantasias do “guerrilheiro” da Odebrecht não poderá mais dizer que não foi avisado.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne desde segunda 1 de outubro de 2018)

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Comentário no Jornal Eldorado: Haddad, a mosca da vez

Comentário no Jornal Eldorado: Haddad, a mosca da vez

A 10 dias do primeiro turno da eleição, o primeiro colocado nas pesquisas, Jair Bolsonaro, do PSL, ausente, foi esquecido pelos adversários que disputam a Presidência com o marketing negativo dos que parecem alijados da disputa final – Ciro Gomes, do PDT, Geraldo Alckmin, do PSDB, Marina Silva, da Rede, e Álvaro Dias, do Podemos – e deixaram o líder fora do debate SBT/Folha/Uol. Passaram a atacar o preposto de Lula, Fernando Haddad, do PT, com artilharia pesada, que ressuscitou a responsabilidade dos petistas na presente crise, os escândalos de corrupção do mensalão e do petrolão e outros de seus pontos fracos. Voto útil não colou, e a decisão se haverá segundo turno dependerá do voto envergonhado.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – 107,3 – na quinta-feira 27 de fevereiro de 2018, às 7h30m)

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Abaixo, os assuntos do comentário da quinta-feira 27 de setembro de 2018:

1 – Haisem – Por que será que ontem, no debate do SBT Folha e Uol, os candidatos que disputam um lugarzinho ao sol do segundo  turno – Ciro Gomes, do PDT, Geraldo Alckmin, do PSDB, e até Marina Silva, do Rede Solidariedade – resolveram bater no PT e em Fernando Haddad, logo neste momento em que este aparece consolidado no segundo lugar, ali logo abaixo de Jair Bolsonaro, do PSL, nas pesquisas de preferência do voto?

SONORA DEBATE 2709 A MARINA X PT

2 – Carolina – Você acha que foi justa a confirmação pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, em votação da ação encaminhada pelo PSB de Pernambuco, relatada pelo ministro Luís Roberto Barroso, da decisão da presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, de manter proibidos de votar os eleitores que não atenderam ao cadastramento biométrico obrigatório?

3 – Haisem – O que você achou da decisão do Tribunal Superior Eleitoral de autorizar o uso de Lula na campanha do candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, incluindo a frase Lula é Haddad, mas também proibir que sejam feitas gravações de apoio pelo ex-presidente condenado e preso em Curitiba?

4 – Carolina – Qual a relevância da análise feita pelo sociólogo Rubens Figueiredo na série Nêumanne entrevista desta semana a respeito do esperado e do inusitado na atual eleição para presidente da República?

5 – Haisem –Se o apelo pelo voto útil, feito principalmente pelo tucano Geraldo Alckmin, até agora não permitiu que o candidato decolasse, como registrou a manchete do Estadão, qual pode vir a ser, que tipo de voto pode aparecer agora que as pesquisas não teriam como registrar?

6 – Carolina – De que adianta o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região ter mantido a condenação do ex-chefe da Casa Civil de Lula e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores se ele já foi solto por decisão monocrática do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, confirmada depois pela maioria de seus colegas da Segunda Turma?

7 – Haisem – O que você tem a comentar sobre o discurso de estréia do primeiro presidente de Cuba que não pertence ao clã Castro, Miguel Díaz Canel, criticando a prisão e a proibição de Lula disputar a eleição presidencial no Brasil e também defendendo os companheiros deles Daniel Ortega, da Nicarágua, e Nicolás Maduro, da Venezuela?

8 – Carolina – Por falar nele, o que você achou da repentina e surpreendente aparição do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na Assembléia Geral da ONU, na qual ele fez um discurso em que disse aceitar a possibilidade de conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, na mesma reunião, sugeriu o encontro, mas também não descartou intervenção na Venezuela?

Comentário no Jornal Eldorado: Eleitor rejeita tutela

Comentário no Jornal Eldorado: Eleitor rejeita tutela

Ante derrota que eles mesmos preveem, mas não é líquida nem certa, para candidato de direita Jair Bolsonaro, do PSL, Alckmin, Centrão, Ciro e Marina vendem ilusão da “terceira via” para evitar radicalismos alertando para possível desastre, caso favorito nas pesquisas vença no primeiro turno ou chegue ao segundo, provável, mas não inexorável. Enquanto isso, o PT, que conta com o preposto de Lula, Fernando Haddad, no segundo turno, aproveita-se da troca da “eleição sem Lula é fraude” e do “Lula Livre” pela hashtag “#elenao”, mas não adere nem ao manifesto de seis centrais sindicais sem a CUT, por saber que continua no jogo e, se perder a eleição, vai se consagrar como oposição à mão. Insultar o cidadão é uma fria.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 24 de setembro de 2018, às 7h30m)

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Abaixo, os assuntos para o comentário de segunda-feira 24 de setembro de 2018

1 – Haisem – Quais serão, a seu ver, os efeitos que serão produzidos pelo manifesto que alguns artistas, empresários, advogados e ativistas ameaçam, conforme noticia o Estadão, assinar e divulgar numa tentativa de evitar uma eventual vitória do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro?

2 – Carolina – O que tem a atual campanha eleitoral de original e atraente a ponto de a popularíssima cantora Anitta virar protagonista de um desafio feito por alguns dee seus colegas de profissão para que ela aderisse ao hastag Ele não?

3 – Haisem – A nota assinada por seis centrais sindicais contra “o projeto fascista de Bolsonaro” produzirá, em sua opinião, algum efeito prático no resultado da eleição presidencial, cujo primeiro turno ocorrerá no domingo 7 de outubro próximo?

4 – Carolina – O candidato à Presidência da República pelo PSLJair Bolsonaro, está dando os retoques finais no que vem sendo chamado de “Manifesto à Nação”, no qual pretende fazer um compromisso em defesa da democracia, responder às críticas de racismo e misoginia, e reiterar ao mercado de que trabalhará pelo ajuste fiscal. Essa iniciativa terá, a seu ver, algum efeito prático?

5 – Haisem – O que você acha que levou o candidato que no momento lidera as pesquisas de opinião pública na disputa pela Presidência, Jair Bolsonaro, no PSL, a advertir, em petição ao Tribunal Superior Eleitoral, sobre a eventualidade de fraude na coleta e contagem dos votos?

6 – Carolina – Página 4 do Estadão hoje abre a editoria de Política com a notícia de que “Centrão já discute segundo turno sem Alckmin”. Será que é o caso de dizer que tem traição à vista por aí? Essa eventual perspectiva o surpreendeu ou você já esperava por ela?

7 – Haisem – Você se surpreendeu com a notícia dada pelo repórter Marcelo Godoi, do Estadão, segundo a qual os inquéritos abertos pela Polícia Federal contra organizações criminosas tenham como protagonistas delitos de natureza política, superando o segundo lugar, ocupado pelo tráfico de drogas?

8 – Carolina – É verdade mesmo que a senadora Gleisi Hoffmann e a ex-presidente Dilma Rousseff, ambas do PT, também terão de se explicar à autoridade policial a respeito do decreto das concessões dos portos no inquérito protagonizado pelo presidente Michel Temer e por seus assessores Moreira Franco e Eliseu Padilha?

No Blog do Nêumanne: Por que não?

No Blog do Nêumanne: Por que não?

Nenhum candidato a fracassar nas urnas em outubro ou beneficiário de eventuais boquinhas que poderia usufruir com sua vitória pode pretender-se guia e tutor do voto soberano do eleitor

Findo o inverno da “eleição sem Lula é fraude” e do “Lula livre”, pois se esgotaram os esforços para driblar a Lei da Ficha Limpa nas altas instâncias do Judiciário, chegou a primavera do “ele não”. Com a chapa de direita do capitão reformado do Exército e deputado federal Jair Bolsonaro no topo das pesquisas de intenção de voto, excluído o ficha-suja Lula, condenado a 12 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, resta à esquerda e ao soit-disant “centro democrático” o podre expediente de desacreditar o eleitor a pretexto de desqualificar o candidato. As pesquisas os assustam muito: o político do baixo clero, de pífia atuação parlamentar, formando chapa com um general boquirroto da legenda de aluguel de propriedade do usuário do monotema eleitoral do “aerotrem”, Levy Fidelix, pode ganhar o pleito já em 7 de outubro, no primeiro turno, edificilmente não disputará o segundo, ou seja,  não está de todo afastada a possibilidade de chegar à Presidência da República pelo voto popular.

Para evitar o desfecho previsível e anunciado, mas nem por isso inexorável, um exército de corneteiros do apocalipse sepôs em marcha. A cantora baiana Daniela Mercury desafiou sua colega Anitta, que havia caído em pecado ao “seguir” amiga declarada eleitora do capitão demolidor, a negar-lhe apoio. Temendoas consequências do assédio, a outra se declarou, correndo,adepta do #elenao, hashtag da moda. “Quero deixar claro para vocês, se ainda não ficou, que eu não apoio o candidato Bolsonaro”, postou a cantora. Ciro Gomes, natural de Pindiamonhangaba, cidade paulista onde nasceu Geraldo Alckmin, e suserano da República de Sobral, colou na camisa do líder nas pesquisas o rótulo de “protofascista”. O PSDB parece disposto a liderar uma campanha para reformar a Constituição e proibir simpatizantes do venezuelano Hugo Chávez de disputarem eleições no Brasil, à exceção do PT de Lula, Dilma e Haddad, é claro. ACM Neto, presidente do DEM, prefeito de Salvador e timoneiro da nave tucana, que faz água em mar turbulento, foi além, ao sugerir que “eleição não pode ficar entre prisão e facada”. Marina Silva, adepta de panos quentes, filosofou: no primeiro turno, o eleitor pode votar no candidato do coração e deixar para evitar um desafeto na rodada definitiva.

Estado apurou que um grupo de “artistas, advogados, ativistas e empresários articula um manifesto contra a candidatura de Jair Bolsonaro”. Segundo Renata Agostini, uma versão preliminar do manifesto conta com cerca de 150 assinaturas, entre elas as de Maria Alice Setúbal, educadora e acionista do Itaú Unibanco, protagonista da campanha de Dilma contra Marina em 2014; do economista Bernard Appy, que foi secretário de Política Econômica do governo Lula; do empresário Guilherme Leal, sócio da Natura e financiador de campanhas de Marina; de Caetano Veloso, ex-devoto do “Lula livre” e eleitor declarado de Ciro; do advogado e professor da FGV Oscar Vilhena; e do médico Drauzio Varella.

Segundo a reportagem, “o documento intitulado Pela democracia, pelo Brasil não indica apoio à candidatura do Partido dos Trabalhadores (PT) nem de qualquer um dos adversários do deputado, mas afirma ser necessário um movimento contra o projeto antidemocrático do candidato do PSL”. Reza o texto: “É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial (sic). É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós (sic)”. O documento diz que o País já teve em Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello “outros pretensos heróis da pátria, aventureiros eleitos como supostos redentores da ética e da limpeza política”, mas que acabaram levando o Brasil ao “desastre”. E, em apelo às trágicas lembranças da 2.ª Guerra Mundial, os autores do relambório proclamam: “Nunca é demais lembrar, líderes fascistas, nazistas e diversos outros regimes autocráticos na história e no presente foram originalmente eleitos, com a promessa de resgatar a autoestima e a credibilidade de suas nações, antes de subordiná-las aos mais variados desmandos autoritários.”

Ao contrário de Bolsonaro, Jânio chegou à Presidência da República após ter sido eleito e cumprido mandatos na Câmara Municipal e na Prefeitura de São Paulo, no governo do Estado e no Congresso Nacional. Renunciou ao cargo mais alto e, depois, disputou o governo paulista e foi, de novo, eleito eempossado prefeito da maior cidade do País. Qual dos 150 eventuais signatários da cartilha citada tem a apresentar a seus prosélitos tantas demonstrações de apreço popular? Talvez tais manifestantes nem saibam, mas, consultando a Wikipédia, saberão que Fernando Collor “foi prefeito de Maceió de 1979 a 1982, deputado federal de 1982 a 1986, governador de Alagoas de 1987 a 1989 e o 32.º presidente do Brasil, de 1990 a 1992. Renunciou à Presidência da República em 29 de dezembro de 1992, horas antes de ser condenado pelo Senado por crime de responsabilidade, perdendo os direitos políticos por oito anos. Posteriormente, voltou às disputas eleitorais e, desde 2007, é senador por Alagoas”. Ou seja, as instituições continuaram funcionando.

Talvez não tivessem como encontrar notícias de que o desastre que ora vivemos e que pode resultar até na vitória de seu adversário preferencial foi provocado pelos catastróficos desgovernos do presidiário Lula e da futura senadora pelo PT de Minas, Dilma Rousseff. Com o auxílio luxuoso do vice Temer, que ajudou o poste de Lula a chegar à Presidência e, depois, beneficiou-se da incúria, incompetência e inabilidade da titular da chapa que derrotou o tucano Aécio Neves em 2014.

Os responsáveis pela “advertência” sobre os malefícios que podem advir de uma eventual (e não inevitável) vitória de Bolsonaro têm todo o direito de votar em quem bem entenderem e até mesmo de encontrar bons motivos para convencerem quem não os acompanha de que deveriam fazê-lo. O que não devem é se comportar como se fossem revisores universais da soberania popular ou, o que é pior, tentar tutelar a decisão do cidadão diante da urna. Cobrar de Jânio, Collor, Lula, Dilma, Temer e até de Aécio pela traição que cometeram no exercício do cargo público para o qual foram eleitos ou derrotados é lícito, válido e pode ser explicitado. Tentar censurar o eleitor enganado pelos erros de quem os ludibriou é nefanda má-fé de quem pratica esse ato vil, de mera covardia cívica.

Caso diferente é o de representantes de seis centrais sindicais que divulgaram, no sábado, 22 de setembro, nota de repúdio ao mesmo Bolsonaro. Sob o título Sindicalistas contra o projeto fascista de Bolsonaro, representantes da Força Sindical, das Centrais dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTBs), da Nova Central Sindical, da Intersindical e daConlutas a nota classifica Bolsonaro como “antitrabalhadores” e repudia o candidato do PSL “por sua postura antidemocrática, intolerante com minorias, que faz apologia da violência, e pela sua conivência com práticas repugnantes, como a defesa de torturadores”. Para os sindicalistas, a eleição de Bolsonaro pode representar “ameaça de retorno a (sic) ditadura militar”. A argumentação se insere na liberdade permitida pela luta política, da qual o marketing negativo faz parte, como, aliás, a propaganda dos partidos no rádio e na televisão exibe sem pudor nem justa causa.

Detalhe interessante no caso é que a Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT de Lula, Dilma e Haddad, não subscreveu o documento, a exemplo da União Geral dos Trabalhadores (UGT). A ausência tem motivo político: ao contrário do “Centrão”, ao qual se associa parte da esquerda viúva do presidiário de Curitiba, o partido deste tem noção de que está no jogo e se dispõe a disputá-lo para ganhar ou perder. No caso de derrotada por Bolsonaro, o que temem seus adversários da dita “terceira via” (risos gerais no salão), e talvez tenham razões que nós outros desconhecemos para tanto, os petistas sabem que logo ocuparão o confortável camarote da oposição. Dele combaterão à luz dos holofotes as catástrofes que profetizam Alckmin, Ciro e Marina, ao lado da pretensa censora de biografias Paula Lavigne. E, então, tirarão proveito, como já o fizeram antes, dos erros dos adversários, o que tornará lana caprina a culpa deles mesmos nos desastres provocados pelos próprios desgovernos.

Ou seja: ele não? Por que não?, cantarolava o signatário Caetano…

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne segunda-feira 24 de setembro de 2018)

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