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Direto ao Assunto no YouTube: Bolsonaro acertou com Mandetta

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Pesquisa DataFolha revela que 76% dos entrevistados aprovam a atuação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, enquanto menos da metade, 33%. aplaudem a ação de seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro. Para 51%, este atrapalha e, para 40%, ajuda. São números reveladores, mas exigem uma leitura inteligente. Primeiro, quando o presidente nomeou o médico para comandar a pasta, ele era um obscuro membro do baixo clero, que poucos conheciam. E o fez contrariando a lógica do tal presidencialismo de coalizão, cuja receita era trocar cargo por apoio no parlamento. Foi, portanto, um acerto que merece aplausos, que, de certa forma, ainda põem o chefão do combate à pandemia do Brasil na disputa da reeleição daqui a 2 anos e 7 meses. O problema é que a primeira pessoa que tem de pensar nisso é o próprio Bolsonaro, que prefere, entretanto, “bicar” o subordinado por falta de humildade. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Coluna semanal para o site Rice: Vaivém de Bolsonaro mata muita gente

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Vaivém de Bolsonaro mata muita gente

José Nêumanne

Estratégia eleitoral do “gabinete do ódio”, comandado pelo filho Carlos, inspira ação errática do presidente, isolado em seu governo e no resto do mundo na guerra contra covid-19

 

Quando foi noticiado o primeiro caso de contágio do novo coronavírus no Brasil, o presidente da República, Jair Bolsonaro, preferiu debochar das fundadas preocupações de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a respeito da possibilidade de a covid-19 levar o sistema público do País ao colapso. Em consonância com seu ícone em política, Donald Trump, usou até o mesmo diminutivo que o presidente dos Estados Unidos empregou: “resfriadozinho”. Noticiário para ele e seus fiéis devotos nas redes sociais atribuíram os alertas médicos a histeria. Associando-a à disputa eleitoral para Presidência da República em 2022, na qual até agora tem aparecido como favorito, por falta de adversário à altura.

No domingo 22 de março, contudo, Trump deu ouvidos a Antony Faucci, celebrado infectologista norte-americano, que levou à Casa Branca o resultado de uma pesquisa da conceituadíssima instituição de ensino superior do país, a Johns Hopkins University. A previsão era aterradora: se não adotasse imediatamente o isolamento social dos cidadãos, morreria 1 milhão de americanos. Se os isolasse, o total cairia para 200 mil ou até 100 mil. Mesmo sendo enorme o contingente, a diferença levou o chefe do governo a mudar radicalmente de posição e imediatamente aderiu às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), da ONU. Então, começou a apelar para o cidadão ficar em casa, embora tenha encontrado forte reação de um adversário político poderoso, o governador do Estado de Nova York, democrata de esquerda, que o chamou de antiamericano por isso. No entanto, o republicano de direita tem feito o possível para não ser responsabilizado em ano eleitoral pelo milhão de cadáveres.

Não se sabe se pela condição de monoglota, Bolsonaro, que o visitou na Flórida pouco antes dessa mudança de posição, fez-lhe ouvidos de mercador. A descoberta de 18 casos de contágio em sua comitiva e a necessidade de se submeter a dois testes, que, segundo ele, deram negativo, não o demoveram da defesa da versão pessoal das medidas de eugenia de Adolf Hitler, pregando um tal de isolamento vertical, que manteria apenas os vulneráveis em casa, à espera do contágio inexorável por algum jovem assintomático da família. Pode não ser mera coincidência a lorota bolsonarista coincidir com a instalação do chefe do “gabinete do ódio”, o filho Carlos, no Palácio do Planalto, embora não passe de mero vereador no Rio. Certo é que a solução miraculosa nunca foi testada e mesmo os adeptos da teoria da histeria coletiva seguiram Trump no recuo. O esquerdista Manuel López Obrador, do México, adepto do beijo como método de se aproximar dos eleitores, foi o primeiro. Hoje, se nenhum tiver ainda recuado, as duas figuras mais notórias da eugenia de Jair Messias são o bolivariano Nicolás Maduro, da Venezuela, e o guerrilheiro comunista Daniel Ortega, da Nicarágua.

O leitor desavisado poderá perguntar-se por que de repente os bolsonaristas, que sempre acusam quaisquer adversários de “esquerdopatas”, defendam com tanto fanatismo teoria cara a essas figuras e aos maiores responsáveis pela tragédia que enluta a Itália, todos de esquerda. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, apoiou uma campanha sob o lema “Milano no ferma” (Milão não fecha). O presidente brasileiro tentou imitá-lo com a campanha “O Brasil não pode parar”, mas as mensagens sumiram das redes sociais em que foram postadas. Outro prefeito, o de Florença, Dario Nardella, lançou uma cruzada contra o preconceito, incentivando os toscanos sob o lema “Abrace um chinês”. O governador do Lácio. Nicola Zingaretti, participou com o citado anteriormente da divulgação de fake news segundo os quais o novo coronavírus não seria transmissível entre humanos. Os três são do Partido Democrático, denominação equivocada de um grupo de legendinhas de esquerda.

 O primeiro brasileiro a ser associado ao vírus maldito contraiu-o em Milão, cujo prefeito aconselhou por telefone o governador paulista, João Doria, a insistir no isolamento social como forma de evitar que a velocidade do contágio produzisse vítimas suficientes para provocar o colapso do sistema público de saúde do Estado mais rico do Brasil, com a possibilidade de repetir a cena de caminhões do Exército transportando cadáveres em Bergamo, como Milão situada na zona mais crítica, o norte da Itália.

Nada disso convenceu Bolsonaro. Benjamin Netanyahu uniu-se aos adversários em Israel e aos vizinhos palestinos no combate à covid-19 pelo isolamento social. Narendra Modi, visitado pelo presidente brasileiro em viagem de volta do Oriente ao Brasil, isolou 1 bilhão e 300 milhões de indianos. Mas o capitão reformado preferiu envergonhar os brasileiros ao atribuir ao diretor-presidente da OMS, Tedros Adhamou, apoio à sua alucinação. E este o desmentiu. Após anunciar sua disposição de se unir a prefeitos e vereadores, que critica duramente, num hipócrita pronunciamento em rede de televisão, recebido com panelaços, compartilhou em 1.º de abril, dia da mentira, mensagem de um anônimo com cenas do Ceasa de Contagem, na Grande Belo Horizonte (MG). Desmentido pela Secretaria de Agricultura de Minas Gerais e pela própria ministra da Agricultura, Tereza Cristina, Bolsonaro apelou para a histeria do desabastecimento com uma fake news, que antes atribuíra a quem de fato entrou na guerra contra o vírus chinês na hora certa e fazendo a coisa certa. Essa teimosia insana já fez muitas vítimas, mas, infelizmente, a proximidade de Carlos prenuncia uma hecatombe próxima à que evitou que seu ídolo Trump caísse na mesma armadilha.

*Jornalista, poeta e escritor

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No Blog do Nêumanne: Só Bolsonaro não quer ir para casa

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José Nêumanne

Em sua pregação contra quarentena geral para combater a covid-19, presidente desautoriza ministro da Saúde e defende isolamento vertical, que ninguém testou nem aprova neste nosso planeta

Uma falsa dicotomia atrapalha – e muito – a desequipada, desestruturada e desgovernada máquina pública brasileira na enorme força que precisa ser feita para enfrentar a pandemia da covid-19, que ameaça transformar-se na maior praga da História da humanidade. De um lado, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, angariou grande simpatia do público e aplausos dos meios de comunicação na cobertura do único fato relevante do noticiário recente, ao defender a adoção de medidas práticas indispensáveis para evitar ao máximo possível a enorme mortandade a ser causada pela velocidade espantosa com que o coronavírus, egresso da China, se reproduz e contagia. Seu chefe, Jair Bolsonaro, apavorado com a possibilidade de perder o favoritismo na corrida eleitoral de daqui a dois anos e sete meses, usa seu poder monárquico para tentar fugir à responsabilidade do desastre econômico que terá atingido o mundo inteiro quando o microrganismo for neutralizado por alguma droga ou pela capacidade de imunização dos infectados que conseguirem sobreviver.

De posse da decisão das medidas preventivas, o deputado do DEM na chefia da pasta encarregada de realizá-las, apoia a quarentena, por ser a principal recomendação da Organização Mundial e Saúde (OMS). E pela comprovação de ser o único meio de reduzir a velocidade do contágio. O Instituto Butantan calculou que a taxa de transmissão do vírus no Estado de São Paulo caiu nos últimos dez dias de um indivíduo infectando seis outras pessoas para um contaminado transmitindo a doença para apenas duas.  Segundo o secretário de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann Ferreira, analisando os números de novos casos registrados no Estado comparados com os do País, é possível perceber uma subida menos acentuada da curva. Segundo ele, isso quer dizer que a estratégia de isolamento social contra a covid-19 já mostra resultados positivos.

Mas Jair Messias Bolsonaro diz que é mentira. O Butantan é mais uma instituição que ele desqualifica sem nenhum fato que comprove a desqualificação. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística foram alvos dos disparos do “gabinete do ódio” chefiado pelo dito filho 02, Carlos Bolsonaro. De fato, o instituto pertence à hierarquia do governo do Estado de São Paulo, chefiada por João Doria, principal adversário do presidente em 2022. Mas seus dados foram confirmados por estudo do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, que reúne pesquisadores da Fiocruz, da PUC do Rio e do Instituto D’or de Pesquisa e Ensino. E este chegou à mesma conclusão de que a implementação de medidas de contenção logo após a notificação dos primeiros casos de covid-19 pode levar a um impacto positivo na redução da propagação da pandemia. O estudo comparou curvas de contaminação de diversos países e identificou que na Coreia do Sul, onde as medidas foram aplicadas logo após as primeiras confirmações de contágio, a curva foi achatada. O exemplo oposto é o da Itália, cujas tentativas de conter a velocidade do contágio do coronavírus, sob pressão política, foram inicialmente substituídas por mensagens de pretenso combate ao preconceito, como “abrace um chinês”, da lavra do prefeito de Florença, o esquerdista Dario Nardella. Ou contendo falsas informações de que o novo coronavírus não seria contagioso, com apoio do governador do Lácio, Nicola Zingaretti. A campanha intitulada Milão não fecha foi apoiada pelo prefeito da cidade lombarda, Giuseppe Sala, que, depois dos resultados desastrosos, admitiu que “pode ter errado”. A versão tupiniquim – O Brasil não pode parar – sumiu e ninguém sabe, ninguém fez e ninguém viu.

O chefe do Executivo brasileiro embarcou nessa canoa furada, desperdiçando a oportunidade rara de aprender com a prévia experiência estrangeira. Com base em mensagens antigas na internet, inspirou-se no seu grande ídolo internacional, o presidente dos EUA, Donald Trump. Deste Bolsonaro imitou a comparação da pandemia com uma “gripezinha”. Só que o dito conhecimento de inglês do filho 03, Eduardo, levou o clã e seus fanáticos seguidores a não acompanharem nas redes sociais a evolução da opinião do chefe do governo americano. Em poucos dias Trump abandonou a postura antiquarentena, em defesa da manutenção do emprego, e tornou-se fervoroso adepto do isolamento social. Disso decorreu o erro cometido pelo gueto bolsonarista na internet ao tentar desacreditar registro que fiz no canal de YouTube de que Trump informou que recorreria ao isolamento total com tal entusiasmo que seu adversário, o democrata de esquerda Andrew Cuomo, prefeito de Nova York, o chamou de antiamericano. A ironia da história é que, atrasado, nosso presidente monoglota aderiu ao inimigo do amigo por receber informações distorcidas do filho que pretendia nomear nosso embaixador em Washington.

Desse erro resultou a decisão desastrosa do pai dos néscios de desafiar o próprio ministro da área, Mandetta, indo passear nas ruas de Brasília no domingo 29 de março. E como havia feito antes, na manifestação a favor de seu governo e contra seus adversários no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso Nacional, teve contato físico com desconhecidos, a pretexto de “ouvir o povo”. Tal atitude instaurou uma situação anômala na História da República, em que o chefe do governo passou a opor-se à política oficial, que, em teoria, nunca havia abandonado. Numa desesperada tentativa de evitar que se lhe atribuísse a recessão, que produzirá inevitavelmente um aumento exponencial do desemprego, ele se agarrou ao lema que seu ídolo ianque havia jogado no lixo, em nome de premissas falsas adotadas de forma cínica e oportunista. Ele, que nunca manifestara nenhuma empatia pelos mais de 11 milhões de desocupados na economia, tornou-se de repente o defensor da teoria esdrúxula e nada cristã de que manter o emprego é mais importante do que se manter vivo.

Os fatos, contudo, não corroboram a tentativa desesperada de se isolar no mundo e no próprio Ministério. Na semana passada, na base do improviso, como de hábito, abriu uma entrevista coletiva dada pelos presidentes do Banco Central, Roberto Campos Neto, do BNDES, Gustavo Montezano, e da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, para anunciar a esmola de R$ 40 bilhões para informais, desempregados e trabalhadores de baixa renda. Como 64% das medidas anunciadas anteriormente, estas também ainda não saíram do papel. No caso, nem sequer a equipe econômica as formulou. Um vexame!

Segundo o Observatório de Política Fiscal, ligado ao Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, o pacote em que o PR quer embasar sua tentativa de atuar como pai dos pobres aponta gastos equivalentes a pouco mais de 2% do produto interno bruto (PIB), troco de padaria, esmola de porta de igreja. E a Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados americana) aprovou na sexta-feira 27 um pacote de ajuda de US$ 2,2 trilhões, 5,3% do PIB do país – o maior de sua História – para ajudar indivíduos e empresas a lidarem com a crise econômica provocada pela pandemia e fornecer aos hospitais com necessidade urgente de suprimentos médicos. Mais humilhante ainda para o Brasil é a previsão de que essa ajuda chegará a 11,7%, quase seis vezes mais que a nossa.

Na Europa a comparação com o Brasil é mais humilhante. No Reino Unido, o total de medidas chega a 17% do PIB. Na Espanha, país muito atingido pelo vírus, o programa já anunciado pelo governo soma os mesmos 17% do PIB, média europeia. O instituto da FGV acrescentou que Alemanha e França “vão em caminhos muito similares”, com suportes equivalentes a 12% e 13,1% do PIB, respectivamente.

Ocioso informar que, com a adesão de quem antes se opunha ao isolamento social total, caso do britânico Boris Johnson e do mexicano López Obrador, Bolsonaro ficou sozinho na defesa do indefensável, nunca testado em lugar nenhum: o isolamento exclusivo para idosos e vulneráveis. Nem neste Brasil dos dois governos que se opõem, o da tentativa de salvar vidas e o da narrativa de salvar empregos, o presidente da República tem plateia para aplaudir suas pérolas retóricas, como “terão mortes, paciência”, ou “todos morremos, pô”. O presidente do STF, Dias Toffoli, seu amigão do peito, e o interino do Senado, Antônio Anastasia, manifestaram-se contra sua guerra a Mandetta. E seu “posto Ipiranga” particular, o ministro de Economia, Paulo Guedes, cunhou uma sentença para competir com as dele: “Eu, como economista, preferia a retomada. Eu, como cidadão, quero ficar em casa”. Pelo visto, no mundo ou no Brasil só Bolsonaro não quer. Vai lá saber por quê!

·        Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne em 30 de março de 2020)

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A luta que Jair e João perderão em 2022

 

José Nêumanne

Presidente da República e governador do maior Estado da Federação têm razão quando se agridem, mas nenhum dos dois sairá ileso na batalha que travarão em dois anos e sete meses

Até quarta-feira 25 de março de 2020 havia sido registrado no Brasil um total de 57 mortes e 2.433 casos confirmados de covid-19, a terrível pandemia espalhada pelo mundo pelo novo coronavírus, importado da ditadura comunista da China, que virou o mais disputado mercado do mundo. Os números são modestos. Na vida real as estatísticas são maiores.

No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro reuniu-se com os governadores do Sudeste para discutirem estratégias comuns contra o microrganismo mortal. A repercussão do pronunciamento do chefe do governo federal em cadeia de rádio e televisão na noite anterior tinha sido tão catastrófica que o isolamento “horizontal”, que ele havia execrado na ocasião, tornou-se “vertical”, ou seja, exclusivo para idosos com doenças. O que era terrível e assustador ficou patético, sendo polido.

No debate entre chefes de Executivos por via virtual, o governador do Estado de São Paulo, João Doria, disse que o presidente deveria “dar exemplo ao País, e não dividir a nação em tempos de pandemia”. Tinha razão. O presidente retrucou: “Se você não atrapalhar, o Brasil vai decolar e conseguir sair da crise”. Não foi o único governador presente a manifestar sua reprovação. Todos estavam certos. E daí? Ninguém ganhou, ninguém empatou. No fim todos perderão.

O pronunciamento foi o mais desastroso de um presidente desde sempre. Tomei nota dos sete pecados capitais do chefe do governo.

1 – Vigarice – O presidente pediu ao Congresso um decreto de “calamidade pública” para gastar o que quiser com combate à pandemia e agora chama o isolamento social de histeria. Fê-lo porque não sabe o que quer dizer calamidade ou por confundir histeria com pizzaria?

2 – Ignorância – Sua Insolência disse que o Brasil é completamente diferente da Itália, mas se esqueceu de falar das semelhanças entre China, Espanha, Itália e Estados Unidos, agora no epicentro da pandemia, em especial Nova York, conforme declarou a Organização Mundial da Saúde. Será que o capitão se esqueceu da própria origem italiana?

3 – Egocentrismo – Em vez de lamentar cada um dos mortos, seja lá quantos forem, e confortar infectados, cujo total aumentará exponencialmente, disse que, atleta, enfrentará a pandemia como ela é: uma “gripezinha”. Faltam-lhe senso, sensibilidade e consciência cidadã de que todos são iguais perante a lei. Que religião professa o dito cristão, na qual idosos com saúde precária teriam por isso menos direito à vida do que jovens hígidos? Aliás, saiba ele, ninguém escapa da morte. Aos 65 anos, deveria saber que atletas mais preparados do que ele morreram – Ademar Ferreira da Silva, por exemplo – e outros inevitavelmente morrerão.

4 –Falta de educação – O pronunciamento foi fértil em ataques a governadores, imprensa, profissionais da saúde – corretamente tratados como heróis pelo povo que o elegeu presidente – e outros adversários, considerados vis inimigos. Em teoria, pronunciamentos do gênero deveriam ser ocasião para o chefe de Estado contar eventuais ações do governo. E não tribunas livres para guerrilha política pré-eleitoral sujíssima. Mamãe não ensinou direito civilidade ou ele nem ligou?

5 – Exercício ilegal da medicina – O capitão reformado receitou a droga hidroxicoloroquina, para tratar malária e lúpus, contra recomendação médica. O repórter Edilson Martins (ex-Pasquim), companheiro de visitas dos irmãos sertanistas Villas-Bôas a tribos indígenas, convive com a febre maldita transmitida pela carapanã, abundante em sua Amazônia de origem. Pelo WhatsApp avisou aos incautos clientes do infectologista amador dr. Jair que a substância destrói o fígado e leva homens à impotência.

6 – Nepotismo – Reportagem do Estado de S. Paulo, assinada por Vera Rosa, competente repórter responsável há muitos anos pela cobertura do Planalto e publicada no dia seguinte, dá conta de que o presidente “ se isolou ainda mais na crise do coronavírus. Desde que a calamidade pública começou a assombrar o dia a dia da população, Bolsonaro deu mais poder ao ‘gabinete do ódio’, núcleo ideológico que o incentiva a adotar um estilo cada vez mais beligerante … e desautorizou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Seu diabinho de plantão é o filho 02, Carlos, vereador no Rio de Janeiro e encrenqueiro por vocação.

7 – Irresponsabilidade e falsidade – A informação acima é confirmada pela citação no pronunciamento do tal “medicozinho da Globo”, que não teve o nome declinado, mas é o infectologista Dráuzio Varella. Este conseguiu que a Justiça proibisse a circulação de um vídeo em que despreza a hoje pandemia. Compartilhado por Carlos e pelo ministro da Devastação do Ambiente, Ricardo Salles, tal vídeo foi gravado há dois meses e divulgá-lo implica cometer ilícito que o presidente atribui frequentemente a seus desafetos da dita “extrema imprensa”: fake news.

Dizem que sua desastrada decisão foi provocada por despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello acolhendo parcialmente recurso do Partido Democrático Trabalhista (PDT) contra sua tentativa de barrar iniciativas de isolamento social decretada pelos governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio, Wilson Witzel, pretendentes ao trono (que ele ora ocupa) em 2022.

No dia em que o Japão adiou a Olimpíada para 2021 por causa da covid-19 e o premiê indiano, Narendra Modi, que ele visitou recentemente, decretou quarentena para 1 bilhão e 300 milhões de compatriotas, Bolsonaro e Doria anteciparam a guerra eleitoral sem dar a mínima para o aviso do médico urologista Miguel Srougi, professor da USP, que prevê mortes de pacientes nas filas nas portas dos hospitais públicos. A disputa está marcada para 2022. E pelo visto nenhum dos dois terá algo de bom para contar aos eleitores que elegerão o próximo presidente.

*Jornalista, poeta e escritor

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José Nêumanne

Com seu auxiliar Heleno infectado, presidente ainda se recusa a aceitar a gravidade da pandemia, regozija-se por ter confraternizado com militantes à frente do Palácio e não fez o que devia

 

Em entrevista coletiva em que todos usavam máscaras quando ouviam e nunca quando falavam e sem manter a distância de mais de dois metros recomendada como prudente para não contrair nem transmitir a covid-19, o presidente Jair Bolsonaro não fez o que lhe cabe. E parece não ter entendido a gravidade da pandemia, embora tenha sinalizado, ufa, que não está fritando seu excelente ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, deputado escolhido para o cargo – graças a Deus – por ele próprio e por recomendáveis critérios técnicos. Neste momento, o que a parte do País que ainda tem juízo e quer sobreviver espera é que ele, no mínimo, faça um apelo para que quem puder fique em casa e mantenha o mínimo possível de contatos pessoais. Já é um avanço notável, mas ficou faltando algo fundamental, que diferencia um estadista de um político qualquer.

Durante muito tempo Sua Excelência menosprezou o risco representado pela contaminação do novo coronavírus. Viajou para a Flórida num momento em que o mundo inteiro já tinha conhecimento da situação dramática na China, onde o vírus foi inoculado pela primeira vez, e na Itália, de onde a moléstia se alastrou pelo mundo. O mais importante chefe de Estado do mundo, Donald Trump, também incorreu no mesmo engano e cometeu o terrível erro de receber a comitiva dele. O fato de 18 membros terem constatada a contaminação até a noite desta quarta-feira 18 de março de 2020 já fala por si só da imprudência de ambos. No entanto, ainda na entrevista coletiva que convocou na companhia de vários ministros envolvidos com o combate ao alastramento do mal, ele errou gravemente ao insistir em condenar o que considera “histeria”, mostrando que não percebeu a dimensão do que acontece agora no mundo inteiro.

Bolsonaro perdeu também na entrevista a oportunidade que lhe foi dada de pedir desculpas à Nação pela irresponsabilidade de cumprimentar com tapinhas nas mãos manifestantes do ato convocado para apoiá-lo e criticar os corretamente odiados chefões partidários e maganões do Judiciário. Disse que só o fez porque o teste a que se submeteu no Hospital das Forças Armadas, de presença do novo coronavírus, deu negativo. Pena nenhum repórter tê-lo questionado, como deveria fazê-lo, sobre que tipo de sensibilidade, premonição ou informação ele tem de que nenhuma daquelas 272 pessoas que ele tocou ao longo de 58 minutos à frente da rampa de descida do Palácio do Planalto poderia haver-lhe transmitido o terrível micro-organismo malsão. Será que nenhum ocupante dos outros gabinetes instalados naquele prédio é capaz de saber e lhe comunicar que a saúde de um chefe de governo é bem público e ele deve zelar por isso?

Essa entrevista pode ser comparada com outra, na Casa Branca, na véspera, mais ou menos na mesma hora. Nesta Donald Trump, com ar compungido no rosto sem máscara, como convém a um executivo com seu poder, disse: “Temos de lutar contra esse inimigo invisível. Acho que é desconhecido, mas o estamos conhecendo muito melhor”. Mike Spence, o vice, pediu aos americanos que adotem as ações recomendadas pelos infectologistas, nos próximos 15 dias. Talvez por nunca haver entendido que ele foi eleito, sim, mas com um substituto eventual que deve ser respeitado e convidado  como o americano, o capitão nem convocou o outro componente da chapa vencedora, o general Hamilton Mourão. Entre outros presentes ao reconhecimento do erro que o chefe do governo mais poderoso do mundo cometera ao não levar a sério a guerra bacteriológica, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse algo que o brasileiro ainda não aceitou: “A atual situação é pior do que o 11 de Setembro para o setor aéreo”. Referia-se ao atentado terrorista de Osama bin Laden às torres gêmeas. Não faltaram outros exemplos similares no mundo. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, adotou medidas para evitar a disseminação da covid-19, entre as quais a possibilidade de usar tecnologia de ponta para detectar doentes em locais de aglomeração.

Em vez disso, “seu” Jair preferiu renovar seus ataques à imprensa, misturando a atividade com fake news, apesar de não respeitar a verdade em vários momentos. Disse, entre outros insultos, que os meios de comunicação não trataram com o mesmo rigor presidentes que enfrentaram situação semelhante. A imprensa combateu a ditadura militar e não deu paz a nenhum político corrupto, do direitista Paulo Maluf aos esquerdistas sob o comando de Lula. Aliás, nunca houve momento tão grave no Brasil, a não ser em 1919, quando o presidente eleito Rodrigues Alves morreu de gripe espanhola sem ter tomado posse, sendo substituído por um vice louco, Delfim Moreira, até que Epitácio Pessoa o sucedeu. A forma irresponsável como ele tratou a própria saúde talvez não chegue a esse desfecho, e felizmente é notório que Mourão tem saúde mental de sobra.

Tudo o que se espera dele é que lidere o combate à covid-19 usando quaisquer aliados disponíveis, incluindo os meios de comunicação.

*Jornalista, poeta e escritor

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No Blog do Nêumanne: A guerra de todos e a arenga de Bolsonaro

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José Nêumanne

Todo o planeta se mobiliza para enfrentar o coronavírus, inimigo invisível e feroz, mas o presidente dá prioridade a sua arenga particular com governadores que só o combaterão em 2022

Atordoada com a quarentena a que está condenada agora para reduzir a velocidade do contágio da pandemia da covid-19, a população brasileira acordou para esta semana, na segunda-feira, com a notícia de uma facada fatal nos mais desvalidos, enquanto os marajás do serviço público continuam à la fresca. O governo Bolsonaro encaminhou ao Congresso Nacional medida provisória autorizando empresas a dispensarem por quatro meses seus funcionários, os mandarem para casa e não pagarem seus salários. Mas, depois da reação indignada no Twitter, ele usou o mesmo instrumento para informar ter revogado a suspensão dos salários. Não falou, porém, em como obrigar empregador a recontratar dispensados.

Antes de se refazer do choque do absurdo, o cidadão identificou-se, no sentido metafórico, com a tragédia vivenciada por Gregor Samsa, protagonista do romance Metamorfose, de Franz Kafka (ou kafta, como prefere o ministro da Educação do governo federal, Abraham Weintraub), logo após ter percebido que se tornara um inseto do tamanho de um ser humano . O que aconteceu na manhã de sol outonal foi que o pagador de impostos, o eleitor, que, em maioria, pôs no comando máximo do País o responsável por essa transformação de gente em barata, não foi informado de que a dita, mas não respeitada, União não aproveitou a oportunidade do combate ao vírus para suspender, nem mesmo temporariamente, privilégios de soit-disant servidores públicos, de fato se-servidores do público. Os marajás, que recebem salários altíssimos, muito longe do alcance do alfanje de el-rey milionário de votos, recebem todo mês, com ou sem vírus, “auxílios” de toda ordem: paletó, serviço odontológico, empurradores de cadeiras, moradia, etc.

Desembargadores, que ganham R$ 38 mil por mês, recebem mensalmente uma média de mais de que quatro vezes essa quantia, já absurda em si. Ainda assim, há procurador federal reclamando desse privilégio, insuficiente para que ele viva mais à tripa forra do que já vive. Políticos acumulam aposentadorias, não importando em que partido militem ou que cargo  ocupem na máquina pública. Os ex-presidentes Dilma e Lula vivem rotina de milionários e viajam para o exterior, onde repetidamente falam mal do País que os sustenta, quantas vezes quiserem. Os signatários do ato que desemprega em pílulas amargas pertencem todos à casta dos sempre servidos.

Em última análise, a omissão é uma autoajuda. Afinal, seja qual for o destino que lhe reservarem as urnas em 2022, ideia fixa no momento do chefe de Jorge Oliveira, que autorizou a ida de quatro assessores pagos pelo distinto público para acompanhar o petista em seu périplo europeu, o presidente e o secretário-geral da Presidência gozarão, no mínimo, de uma aposentadoria de barões, com reforma da Previdência e tudo. O ex-capitão nunca teve de dar um prego numa barra de sabão, como se diz no sertão de onde fui vindo, a vida inteira. Foi sempre um se-servidor do público, primeiro nos quartéis, depois no Poder Legislativo e agora no Executivo. Com sua aposentadoria poderá até ser generoso, doando parte do saldo a amigos de velhos tempos, como Fabrício Queiroz, repassando-lhe o soldo de oficial reformado e onerando os gastos públicos com sua retirada conjunta das atividades parlamentares e presidenciais. O ex-major da PM nem sequer precisará ser promovido ao mais alto salário do se-serviço da República, como pretende seu protetor, o comandante-chefe das Forças Armadas, das quais teve os serviços propriamente ditos dispensados. Mesmo que a vaga que lhe é reservada no Supremo Tribunal após a aposentadoria de Marco Aurélio Mello no ano que vem, seja dada a outro apaniguado, a reforma na caserna bastará para garantir o vinho francês de cada refeição.

Nesse mister de mais uma vez apertar o pescoço do trabalhador de baixa renda, baixa instrução e baixa expectativa de vida e garantir o bem-bom de seus colegas de acepipes e convescotes do distante Planalto Central do País, para onde os remeteu Juscelino Kubitschek à sombra das marmotas arquitetônicas de Oscar Niemeyer, foi o melhor a apresentar como saída sem incomodar seus irmãos de opa. Algumas vezes cheguei a comentar, mas apenas de leve, e agora o faço com vigor, que o bem-sucedido chicaguiano Paulo Guedes tem um currículo acadêmico e de mercado, seja lá o que for isso, mas é sempre generoso com o patronato. E  fala mal dos marajás, mas nunca corta seus excessos. Os conceitos liberais de Milton Friedman inspiraram a ideia de só obrigar os patrões contemplados a fornecerem cursos online a candidatos a famintos que terão de vender o almoço que não comerão para comprar terminais de computadores fabricados por alguns dos amiguinhos da equipe econômica.

Os nobres egressos dos ventos gélidos do lago de Illinois copiaram o modelo da nobiliarquia monárquica absolutista na época dos Luíses da França. Os cursos online do dr. Guedes lembram uma das anedotas mais saborosas (desculpe o leitor o duplo sentido) da História da humanidade. Consta que, diante da multidão faminta clamando por pão nos jardins de Versalhes, maravilha da botânica fechada à visitação pública nestes anos duros de covid-19, a rainha Maria Antonieta perguntou, não se sabe se em francês do marido ou alemão dos ancestrais: “Se falta pão, por que não lhes servimos brioches?”. Mas a pueril e ingênua ignorância de madame chega a ser uma lembrança injusta se comparada com cursos online para desgraçados cujo suor sempre pagou a mais cara e sofisticada pâtisserie da mesa dos se-servidores servidos.

O presidente da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, disse que vê um risco de crescimento do desemprego para mais de 40 milhões de brasileiros em decorrência da pandemia da covid-19. “É um número assustador”, disse no domingo 22 em live com outros empresários. Duvida este autor que a MP de Guedes-Bolsonaro tivesse inspirado a conta do financista. Então, é o caso de imaginar que o atual número de desocupados da mão de obra nacional por obra e desgraça do saque generalizado do erário pela canalha do Partido dos Trabalhadores (PT), seus fiéis aliados e falsos oposicionistas (leia-se tucanos) será quintuplicado pela desfaçatez de um governo eleito para pôr fim ao despautério petista e de congêneres.

O presidente eleito por antipetistas e crédulos que imaginaram que ele manteria incólume o combate à corrupção ainda acredita que em 2022, quando as urnas forem abertas, os brasileiros de bem o sufragarão e afundarão os governadores que ousaram fazer o mínimo para evitar a aceleração do contágio do coronavírus no oblívio total. Do alto do palanque imaginário das falas do trono e das mensagens em redes sociais, Sua Insolência esbravejou na TV Record, de seu divulgador Edir Macedo: “Brevemente o povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavírus. Espero que não venham me culpar lá na frente pela quantidade de milhões e milhões de desempregados na minha pessoa”. Alto lá, capitão! Não seja tão otimista. Mesmo que a culpa não fosse também sua, e só da praga chinesa, sua reeleição correrá rico na tempestade de outubro daqui a dois anos e meio.

E se o renomado e respeitado cirurgião Miguel Srugi, da Universidade de São Paulo, tiver razão ao prever que pobres morrerão nas portas dos hospitais pelo contágio do vírus de Wuhan, a estatística tétrica poderá ser sacada de sua conta eleitoral. É uma ilusão sua imaginar que conseguirá convencer alguém mais do que seus devotos, tão fiéis quanto os de seu inimigo e sustentáculo Lula (pelo sinal oposto). Ou que ocorrerá a outrem, com juízo ou não, atribuir a tragédia ao horoscopista da Virgínia, de quem certamente tem usado argumentos para contrariar seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Numa transmissão ele afirmou que não há nenhum caso confirmado de morte por coronavírus no mundo – uma mentira sesquipedal – e que a pandemia, em sua opinião, seria “a mais vasta manipulação de opinião pública que já aconteceu na história humana”.

Caramba, quanta insânia! A questão é saber quem é mais insano: quem profere a blasfêmia ou quem a usa numa arenga particular contra adversários de uma eleição a ser disputada em dois anos e meio a pretexto de negar uma guerra declarada pela humanidade inteira. E ainda deixar de fora do sacrifício a horda de sanguessugas que sempre assola o País.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado segunda-feira 23 de março de 2020 no Blog do Nêumanne)

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