Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Comentário no Jornal da Gazeta 1: Torrando o futuro

Comentário no Jornal da Gazeta 1: Torrando o futuro

Bando de loucos torra dinheiro público como se não houvesse amanhã

(Comentário no Jornal da Gazeta 1 quinta-feira 12 de julho de 2018)

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Comentário no Jornal Eldorado: Vale tudo pelo poder

Comentário no Jornal Eldorado: Vale tudo pelo poder

Desde sua fundação, o Partido dos Trabalhadores (PT) sempre oscilou entre a adesão à velha democracia burguesa e à ruptura revolucionária do Estado de Direito, sempre que a ordem constitucional prejudique seus projetos de poder. É o que acontece nesta semana, iniciada com a tentativa frustrada do desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, de soltar Lula na marra e que agora continua com a enxurrada de habeas corpus protocolados no Tribunal Superior de Justiça. Mal a presidente do STJ, Laurita Vaz, negou 143 pedidos padronizados de habeas corpus para o petista preso, ficou sabendo que invadiram a secretaria mais 105 nos mesmos moldes. Essa avalanche, que paralisa o tribunal em férias, é mais do que chicana: é criminosa sabotagem.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 12 de julho de 2018, às 7h30m)

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https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-1207-direto-ao-assunto

Para ouvir Canção da América, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, com Elis Regina, clique no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=IsdXY7gUnh0

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https://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/sabotagem-criminosa/

Abaixo, os assuntos do comentário da quinta-feira 12 de julho de 2018:

SONORA Canção da América Milton Nascimento e Fernando Brandt Elis Regina

https://www.youtube.com/watch?v=IsdXY7gUnh0

1 – Haisem Como é possível que, depois de ter rejeitado 143 habeas corpus padronizados para Lula mais 105 já foram protocolados na portaria do Tribunal Superior de Justiça ontem?

2 – Carolina O que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pretende ao pedir ao Superior Tribunal de Justiça e ao Conselho Nacional de Justiça punição exemplar para o desembargador Rogério Favreto, que no domingo armou o maior barraco para soltar seu ex-chefe Luiz Inácio Lula da Silva, contrariando Deus, o mundo e o povo da rua?

3 – Haisem Por que se tornou necessária e até que ponto será obedecida a proibição pela juíza das execuções penais de Curitiba, Carolina Lebbos, para que o mais popular presidiário do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, saia de sua cela na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, para participar de debates e comícios na campanha eleitoral?

4 – Carolina A quem interessa divulgar notícias falsas ou parciais como a de que o juiz Sérgio Moro estava de férias em Portugal quando respondeu à convocação feita pelo desembargador Rogério Favreto para mandar soltar Lula e a de que a presidente do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz, mandou soltar o médico Roger Abdelmassih, acusado de estuprar suas pacientes?

5 – Haisem Se a obrigação de pagar frete mínimo viola o princípio constitucional do primado da economia de mercado e proíbe qualquer tipo de tabelamento, como você tem insistido aqui, por que, então, a Câmara dos Deputados aprovou relatório do deputado Osmar Terra (MDB-RS) instituindo essa modalidade? E, de lambujem, os transportadores ainda foram anistiados do pagamento das multas que lhes são cobradas por violar preceitos legais com a inclusão no relatório de projeto do deputado Nelson Marquezelli, dono de caminhões?

6 – Carolina A manchete do Estadão hoje – Pautas aprovadas no Congresso têm custo superior a 100 bilhões de reais – chega a ser assustadora. O que é possível fazer para cobrar do Poder Legislativo o mínimo de responsabilidade social numa crise tão grande como é a do Brasil agora?

7 – Haisem Mesmo sem custo para o contribuinte, a decisão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados inocentando o deputado João Rodrigues, condenado pelo Supremo, altera em alguma coisa a imagem perante o povo do Poder Legislativo, que representa o cidadão?

8 – Carolina O que você tem a dizer da definição da final da Copa do Mundo da Rússia entre as seleções da França e da Croácia?

No Blog: Nêumanne entrevista Elena Landau

No Blog: Nêumanne entrevista Elena Landau

Para Elena Landau, como instituições não funcionam, é hora de refundar o Estado, convencendo pessoas a desistirem de milagreiros e soluções fáceis e erradas

“O Estado brasileiro não precisa apenas ser reformado, mas refundado”, pontua a economista e advogada tucana carioca Elena Landau, entrevistada do Blog do Nêumanne esta semana. Decepcionada com o desempenho da seleção brasileira na Copa da Rússia, a botafoguense e defensora de Neymar Jr. não é pessimista quanto à continuação da discussão da pauta reformista, apesar da desistência da reforma da Previdência. Temerosa pelo futuro da economia, da democracia, do filho e do neto, ela constata que “as instituições não estão funcionando. Governo fraco, Congresso apenas tentando sobreviver, STF rachado, dando péssimo exemplo”. Tudo a leva a crer que “veremos de novo anos perdidos e um encontro com o destino populista autoritário. Na América Latina temos o exemplo do Chile, mas parece que o Brasil escolheu ser Bolívia… ou Venezuela.” Neste ano eleitoral, porém, enxerga uma luz no fim do túnel: “A luz que falta é as pessoas pararem de buscar milagreiros e soluções – supostamente — fáceis”.

Para Elena, as pessoas precisam ser convencidas a deixarem de esperar milagreiros e soluções fáceis

Para Elena, as pessoas precisam ser convencidas a deixarem de esperar milagreiros e soluções fáceis

Elena Landau é economista e advogada formada em ambos os cursos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde também recebeu o título de mestre em Economia. Foi professora do Departamento de Economia da PUC-RJ e da Faculdade de Direito da FGV-RJ, assessora econômica da presidência do Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e consultora e diretora jurídica da Associação Brasileira das Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE). Foi ainda conselheira da Vale, da Cemig e da AES e presidente do Conselho da Eletrobrás. Organizadora e autora dos Tomos I e II do livro Regulação Jurídica do Setor Elétrico, autora de diversos artigos nas áreas do Direito e da Economia, com destaque para os temas da privatização, energia elétrica e organização do futebol no Brasil. Atualmente é sócia do escritório de advocacia Sérgio Bermudes, membro do Conselho Consultivo da Comgás e presidente do Conselho Acadêmico do Livres. Escreve um artigo quinzenal no Caderno de Economia do jornal O Estado de S. Paulo.

Elena em palestra na New York University

Elena em palestra na New York University

A seguir, Nêumanne entrevista Elena Landau:

Nêumanne – No início da Copa, enquanto no paredão das redes sociais se atirava em nosso único supercraque, Neymar Jr., mesmo caído, a senhora foi uma rara voz nos meios de comunicação a defendê-lo, numa atitude, mais que generosa lúcida, de vez que importavam duas conquistas: a Copa e o título de melhor jogador do mundo para um brasileiro. A reversão dessas expectativas a surpreendeu, decepcionou ou frustrou? A senhora, como muitos outros, exigia do jogador que se submetesse humilde e democraticamente a perguntas de repórteres na zona mista do estádio em Kazan, em vez de se recusar a isso?

Elena – Fiquei muito impressionada com o que fizeram nas mídias e redes sociais com Neymar. Chocou-me ainda mais o bullying dos próprios brasileiros. A quem interessa isso, a não ser aos próprios adversários? Não sei se foi complexo de vira-lata, incômodo com o sucesso dele, inveja mesmo. Mas foi um assédio virtual inaceitável. Ele é um jogador excepcional. Veio de uma lesão grave e se dedicou à recuperação para a Copa. Foi caçado em campo no primeiro jogo, o juiz não coibiu a deslealdade. Ele se defendeu do jeito que pôde.  Exagera? Quem nunca catimbou em campo? Qual seleção não fez isso? Um falso moralismo sufocando e ignorando o talento. Só quem perdeu foi a seleção brasileira. Mas, ainda assim, ele foi de longe o melhor jogador da equipe, todas as estatísticas mostram isso. Melhor jogador da Copa não virá porque fomos eliminados. Mas seria uma competição difícil: Modric, Griezmann, Hazard. Mbappé, tantos nomes incríveis. Esta Copa mostrou grandes jogadores. Continuo achando nosso elenco o melhor. Não acho que tenhamos jogado mal contra a Bélgica, mas não era nosso dia. A mídia arrasou com Neymar porque ele deveria dar entrevistas num dia tão difícil para ele? Para cobrarem dele os absurdos que falaram dele ao longo dos jogos? Ou para pedirem desculpas? Teve jornalista dizendo que ele precisava de tratamento psiquiátrico. O que vimos em todos os jogos foram jogadores emocionados, vários choraram. E por que só Neymar errou ao chorar? Para a imprensa, o choro dos outros era diferente. As faltas nos outros eram faltas de verdade, as nele, não. Nem depois de um pisão desleal que ele recebeu o agressor levou cartão. Vimos simulações patéticas da seleção inglesa e foram exatamente Cantona e Lineker que liderarem as críticas ao Neymar. Não sei o que faria no lugar dele.

 

Elena discorda dos críticos do desempenho de Neymar na Copa da Rússia

Elena discorda dos críticos do desempenho de Neymar na Copa da Rússia

N – A senhora acha que a conquista, que não houve, da taça produziria um efeito positivo que superaria a própria festa da vitória, mexendo no ânimo dos cidadãos humilhados pelo desemprego em massa, angustiados com a falta de perspectivas pessoais e coletivas e indignados com o comportamento dos figurões do Estado brasileiro na gestão pública?

E – Nunca misturei política, economia e futebol na vida. Não vou começar agora. Foi assim no regime militar quando o tri foi comemorado, apesar da ditadura. A Copa está dando um show. Torcidas, globalização, jogos incríveis. Nem a nossa economia nem a crise política receberiam impacto nenhum do hexa. Claro que serve para memes e piadas. Campeões em 1994 e 2002, com FHC, derrota de 7 a 1 com Dilma. E mesmo com o maior vexame da história da nossa seleção Dilma foi reeleita.

Com Newton Santos e Didi, do Botafogo, este melhor jogador de nossa primeira Copa, em 1958

Com Newton Santos e Didi, do Botafogo, este melhor jogador de nossa primeira Copa, em 1958

N – A senhora, como muitos patrícios de boa vontade, esperava que a boa escolha da equipe econômica pelo substituto da presidente deposta, que, sem dúvida, foi alvissareira, seria capaz de por si só afastar de vez o fantasma assustador da crise, que ainda paira sobre nós?

E – Nunca confiei muito no MDB. O fisiologismo lá faz parte do DNA. Acho que nunca votei no partido. Mas a equipe econômica fez e faz diferença. Este governo interrompeu a recessão profunda herdada de Dilma. A expectativa de retomada de crescimento e emprego não se consolidou, mas estamos muitas vezes melhor que antes. Fui contra o impeachment e continua achando um erro, não pelos argumentos de golpe, porque não foi, mas porque interrompemos uma curva de aprendizado do eleitor, que ainda não entendeu que o lulopetismo é receita certa para fracasso econômico e nada além do velho populismo latino-americano. Muitas reformas avançaram, como TLP, a trabalhista, outras mudanças micro, a discussão sobre Previdência, alterações na governança das estatais. E a equipe não se resume aos seus ex-ministros, pois ambos saíram e a equipe, com Guardia e Esteves, continua sendo uma ilha de sanidade no sanatório geral.

N – A contaminação pelo micróbio da corrupção, que tornou o presidente Michel Temer refém da quadrilha do partido que presidia e lidera, adiou para quando o necessário esforço de reconstrução do Estado brasileiro, a partir de providências irreversíveis como, só para falar de uma, a reforma da Previdência?

E – Se o áudio do Joesley tivesse sido divulgado uns dias depois, a reforma da Previdência teria passado no Congresso. Acho que Temer deveria ter usado seu cacife político para votá-la antes ou junto com a PEC do teto. Depois perdeu a credibilidade e agora só pensa na própria sobrevivência. É refém do Congresso, que decide a pauta conforme os próprios interesses, em geral elevando gastos, e do Judiciário. A crise institucional é evidente. Mas não acho que tudo se tenha perdido, a importância da reforma da Previdência está posta, a intolerância com privilégios também. Outros temas virão: estabilidade do funcionalismo, melhor gestão das políticas públicas, privatização.  O Estado brasileiro não precisa apenas ser reformado, mas refundado.

N – Os efeitos benéficos do limite dos gastos públicos e da reforma trabalhista, o que se salvou, mas ainda assim corre riscos, do esforço da equipe econômica para tirar o Brasil do buraco, ainda têm condições de ser mantidos e tornar possível a retomada das reformas que faltam? Aliás, quais são, a seu ver, as prioritárias?

E – Este ano estamos só cuidando de sobreviver. Estou acompanhando a privatização das distribuidoras da Eletrobrás. Espero que o futuro presidente ponha as reformas para andar. Infelizmente, quem está liderando as pesquisas fala de reformas só no conceito, não nos detalhes, e assim não vejo como vão criar ajuste fiscal. Tanto Ciro como Bolsonaro, se mantiverem o que estão falando até agora, vão piorar a crise fiscal, porque têm visão errado sobre Previdência e a forma de cumprir o teto. As reformas prioritárias, para mim, são as do Estado (gestão, funcionalismo e privatização) e o choque na educação.

N – Fala-se muito em crise de falta de legitimidade de Michel Temer e, por isso mesmo, espera-se, talvez de forma exagerada, que o presidente que vier a ser eleito em outubro, portanto, daqui a três meses. Mas terá ele, ou não, autoridade e força política para impor um programa reformista, mesmo que a renovação do Congresso não nos livre da sabotagem das medidas necessárias pelos políticos privilegiados e suspeitos de corrupção?

E – Ele não terá opção. Ou faz as reformas ou vamos para inflação ou controle de dívida, novo nome para calote. Não há milagre fora das reformas. Previdência, abertura comercial, simplificação e transparência tributária, desonerações, melhoria da gestão pública… E todo presidente começa seu mandato com credibilidade. Tem de ter experiência política e veia democrática para fazer as reformas. Na base do grito, como querem alguns, não passa nada.

N – Até agora não se revelou na campanha presidencial nenhum candidato que tenha assumido, como deveria, o papel de condutor da opinião pública para livrar a sociedade brasileira da marcha do rebanho de ovelhas rumo ao abismo inevitável. A senhora confia que ainda possa aparecer alguém que empolgue os mais de 40% dos eleitores sem candidato consultados pelos institutos de opinião com o discurso de “sangue, suor e lágrimas” de Churchill, que levou o mundo à vitória contra o Eixo nazi-fascista?

E – Não vejo. O melhores nomes, começando pelo meu favorito, Alckmin, não têm esse perfil. Nem Marina. Ao que parece, ninguém quer sangue nem lágrimas, muito menos suor, na construção de solução duradoura. Os líderes na pesquisa são os que estão propondo soluções fáceis, e erradas.

N – Em sua estreia na coluna quinzenal no caderno de Economia do Estadão, a senhora escreveu um artigo sereno, mas demolidor, contra a atitude do ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski, que agiu como líder do sindicato dos privilegiados que levam o País à bancarrota, argumentando com dados jurídicos de grande precisão. O que fazer para levar a cúpula do Poder Judiciário a servir ao cidadão nas lutas contra a corrupção e as benesses dos mandriões do serviço público, e não a funcionar como roleta-russa para a sociedade, como o fez até agora?

E – As instituições não estão funcionando. Governo fraco, Congresso apenas tentando sobreviver, STF rachado, dando péssimo exemplo. Ativismo jurídico, seja para que lado for, é o primeiro dos vícios recentes a serem consertados. O número exagerado de decisões monocráticas dificulta que se firme jurisprudência. Votos vencidos são usados para justificar decisões, ignorando-se posição do colegiado. Um individualismo excessivo, e não um tribunal. Além de bate-boca na frente das câmeras. Tudo isso contaminou instâncias inferiores, como se viu nessa escandalosa manobra recente do habeas corpus pedido no plantão do TRF-4. Difícil será a população entender por que não se aplica o que diz a Lei da Ficha Limpa de forma clara. Por que há fichas-sujas governando com base em liminares? Por que 78 recursos não são suficientes para se esgotar uma questão? Espero que um governo eleito, de perfil democrático, é obvio, consiga liderar um processo de fortalecimento institucional, como fez FHC.

O lado viajante de Elena em Petra, a cidade de pedra na Jordânia

O lado viajante de Elena em Petra, a cidade de pedra na Jordânia

N – A senhora teme pelo destino da economia ou pelo futuro da democracia no caso de vitória da direita neomilitarista truculenta ou da demagogia populista e larápia, que apresentam candidatos que têm mais preferência dos votos nas pesquisas até agora conhecidas?

E – Temo por tudo, economia, democracia, pelo futuro do meu filho, do meu neto. Veremos de novo anos perdidos e um encontro com o destino populista autoritário. Na América Latina temos o exemplo do Chile, mas com essas opções que você cita parece que escolheu ser Bolívia… ou Venezuela.

N – A seu ver, pode surgir ainda este ano uma luz que ilumine e guie no fim do túnel, mas que não seja sarça ardente nem farol do trem descarrilado que se precipita rumo ao abismo?

E – Estou muito pessimista. Os candidatos estão aí. Na minha opinião, o melhor deles é Alckmin. Tem experiência, sabe negociar com parlamentares, é ótimo administrador, tem o melhor resultado na segurança pública do País. O dele é o melhor assessor econômico de todos. E é um democrata. A luz que falta é as pessoas pararem de buscar milagreiros e soluções – supostamente – fáceis.

 

Nêumanne entrevista Elena Landau. 13ª. Edição da Série 10 Perguntas. http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne

Nêumanne entrevista Elena Landau. 13ª. Edição da Série 10 Perguntas. http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne

Comentário no Estadão às 5: Chicanas a perder de vista

Comentário no Estadão às 5: Chicanas a perder de vista

Quando todos esperavam que o truque sem vergonha dos três deputados em conluio com o desembargador aloprado do TRF-4 esgotaria o estoque de chicanas dos defensores de Lula que se espalham pelo Brasil, nesta quarta-feira 11 de julho, a presidente do STF, Laurita Vaz, que já havia dado adequado cala-boca ao militonto incompetente que mandou soltar o preso, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, anunciou que recusou 143 habeas corpus para o mesmo criminoso. O vexame da vez é que eram todos padronizados, embora assinados por chicaneiros diferentes. Ou seja, o PT não se cansa de tentar desmoralizar o Poder Judiciário brasileiro com seu inesgotável cinismo e seu interminável despudor. Este é um dos assuntos que comentei no Estadão às 5, transmitido do estúdio da TV Estadão na redação do jornal, com ancoragem de Emanuel Bomfim e retransmissão nas redes sociais Youtube, Twitter, Periscope Estadão e Facebook na quarta-feira 11 de julho de 2018, às 17 horas.

Para ver o vídeo clique no link abaixo:

https://www.facebook.com/estadao/videos/2630132223668490/

estadao5

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https://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/chicanas-sem-limites/

No Blog: Desmoralizando a Justiça

No Blog: Desmoralizando a Justiça

Moro, Gebran e Thompson salvaram Judiciário da completa desmoralização do Estado de Direito, sabotado por deputados petistas e desembargador aloprado em golpe sujo e baixo que aplicaram no domingo

A incrível e absurda malandragem perpetrada por três representantes do povo de um partido que diz servir aos trabalhadores e respeitar a democracia, com a cumplicidade de um desembargador federal, no primeiro domingo da Copa da Rússia sem o Brasil, expôs a explícita desmoralização do nosso Estado de Direito. Finda a semana em que os flagrantes delitos no registro espúrio de sindicatos no Ministério do Trabalho afundaram o Poder Executivo no pântano do descrédito, a manobra escusa tentada para retirar Lula da cela pela porta dos fundos foi a gota d’água que inundou as enlameadas cavernas do Judiciário.

Às vésperas de agosto, mês tido como “do desgosto”, o cidadão brasileiro já tinha sido exposto a sórdidos truques de parlamentares, legitimados para legislar em nome do povo. O projeto do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) perdoando as dívidas das multas de caminhoneiros e transportadoras que provocaram pane seca e desabastecimento de combustíveis e víveres foi incluído no relatório de Osmar Terra (MDB-PR) que torna o frete mínimo obrigatório. Essa iniciativa do Legislativo, com as bênçãos do Executivo, que distribui verbas do depauperado erário a mancheias entre deputados das bancadas governistas, reproduz hoje a mesma relação sórdida já antes condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O arrombamento da ordem constitucional, que consagra o mercado livre, para resolver uma crise criada pela ousadia dos chantagistas, que expuseram a fragilidade de um governo impopular e desacreditado, não passa de uma versão contemporânea do mensalão, que abriu a temporada de caça aos gatunos.

Durante curto interregno, a cúpula do Judiciário apoiou o combate à corrupção, efetuado por uma geração competente e proba de policiais, procuradores, juízes e desembargadores federais das instâncias iniciais. Isso deu à população espoliada a sensação de que a Justiça sanearia os altos e podres Poderes da República. Mas tal aliança durou muito pouco.

Logo as brechas, pelas quais criminosos de colarinho-branco passavam para ficar fora do alcance da lei, se abriram nas divisões internas da cúpula da atividade judiciária, em que boas iniciativas sempre sucumbiram ao corporativismo e à corrupção. Essas câmaras escuras são percorridas mercê da negação do decantado espírito da colegialidade, do qual somente uma ministra da “Suprema Corte”, Rosa Weber, parece ser adepta. Ao contrário dela, os outros quatro que deram votos vencidos na decisão pela jurisprudência que autoriza prisão de condenados em segunda instância – a dupla Mello e de Mello, Lewandowski e Toffoli – aliaram-se ao pagão novo Gilmar. E a desafiam em capciosas decisões monocráticas.

A tabelinha Lava Jato-STF não resistiu à nada gloriosa entrada dos tucanos nas listas dos delatados da operação. Isso causou a guinada de 180 graus de Gilmar, dos que apoiavam a jurisprudência firmada em três votações de 2016 para os adeptos da distorção de preceitos constitucionais. Essa prática é antiga. Tendo confessado que redigiu artigos da Constituição que não foram aprovados pela maioria do plenário, Nelson Jobim ora é tido por alguns como presidenciável da conciliação em outubro. E o  então presidente do STF Ricardo Lewandowski rasurou cinicamente o artigo da Constituição que proíbe condenados em impeachment de exercer cargo público por oito anos. A canetada, sugerida por Renan Calheiros, permite hoje que Dilma se candidate ao Senado pelo PT.

Quem não redigiu nem rasurou a Carta Magna apela para a leitura errada do artigo 5.º, segundo o qual ninguém é “considerado culpado antes do trânsito em julgado” de seu processo. A extensão da isenção da culpa à proibição da prisão ou à presunção de inocência, finda na segunda instância, não está no dicionário, mas pode ser incluída, mercê do “poder da grana, que ergue e destrói coisas belas” (apud Caetano Veloso).

Recentemente, o ministro Mello soltou traficantes condenados em segunda instância com a mesma desfaçatez com que Gilmar concedeu habeas corpus a clientes da banca da mulher. E Toffoli devolveu o ex-chefe Dirceu, condenado em segunda instância a mais de 30 anos de prisão, ao doce lar. Atribui-se a esse duas vezes apenado (no mensalão e no petrolão) o planejamento da molecagem do desembargador do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), Rogério Favreto, por ele indicado, a desafiar os colegas, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o STF, mandando soltar o mais famoso presidiário do Brasil.

Si non è vero, è ben trovato (se não é verdade é bem pensado), diria don Vito Corleone, O Poderoso Chefão da ficção de Mário Puzo. A fresta parecia promissora para o trio Paulo Pimenta, Paulo Teixeira e Wadih Damous, dois deputados federais e um levado à vaga aberta pela pressão do dirigente Quaquá na prefeitura do Rio. Um dos 27 desembargadores do TRF-4 em seu primeiro plantão teria de ser mais sensível à ideia “original” de que a pré-candidatura de Lula à Presidência seria o fato novo para lhe permitir conceder o habeas corpus pedido à sorrelfa. Meia hora depois do início do plantão do simpatizante na sexta-feira, deram à luz o mostrengo.

Como Toffoli, Favreto serviu a Dirceu. E como Toffoli mandou a jurisprudência da prisão pós-segunda instância às favas. Não havia mais a possibilidade de contar com o relaxamento da classificação do Brasil para a semifinal da Copa, pois a seleção de Tite fora eliminada duas horas e meia antes. Não é correto, então, perguntar se não combinaram com os belgas e pensar que a molecagem, de que a defesa de Lula se fingiu distante, passaria incólume na euforia geral.

Mas quando setembro vier, Toffoli, que como Favreto nunca foi juiz, será presidente do STF e terá à mão o martelo para triturar a jurisprudência dos colegas, Moro, o TRF-4 e o STJ.E tirar Lula da cadeia. Ingênuo será pensar que ele seria menos cínico que Favreto.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Página 2A do Estado de S. Paulo de quarta-feira 11 de julho de 2018)

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