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Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: boca queimada

Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado: boca queimada

Meu Direto ao Assunto abriu o Podcast Comentaristas do Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – da quarta-feira 8 de novembro de 2017 flagrando o PT ao desistir do efeito Vaccari para salvar o padim Lula no tribunal do Rio Grande; a confissão do encarregado de contar a grana do Geddel; Cármen Lúcia dando uma de Lewandoski; o vandalismo de “populares” em fazendas produtivas na Bahia; e Refis até para o maior inimigo de Temer. Eliane Cantanhêde referiu-se ao reflexo negativo das manifestações de Temer e FHC no mercado: a Bolsa caiu e, aí, é tiro na Bolsa e tiro no pé; e ainda ao Centrão tirando proveito do tiroteio: PP, PTB e PR concordam plenamente com FHC: PSDB deve sair do governo para eles ficarem com as vagas. Alexandre Garcia também comentou a  Bolsa e o câmbio sensíveis às declarações de Temer; o deputado Celso Jacob no presídio recebendo auxílio moradia e a Operação Titânio no interior da Paraíba. Gustavo Loyola defendeu a reforma da Previdência. Em Direto da Fonte, Sonia Racy relatou a privatização da Eletrobras. E, em Perguntar Não Ofende, Marília Ruiz falou de Grêmio X Lanus pela Libertadores.

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Comentário no Jornal da Gazeta 2: Inimigo premiado

Comentário no Jornal da Gazeta 2: Inimigo premiado

Com nosso dinheiro, governo Temer perdoa dívidas até do maior inimigo

(Comentário no Jornal da Gazeta 2 de terça-feira 7 de novembro de 2017)

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Comentário no Jornal da Gazeta 1: Acordando do sonho

Comentário no Jornal da Gazeta 1: Acordando do sonho

Efeito Vaccari para absolver Lula no tribunal não passou de ilusão do PT

(Comentário no Jornal da Gazeta 1 na terça-feira 7 de novembro de 2017)

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Comentário no Jornal Eldorado: PT cai na real

Comentário no Jornal Eldorado: PT cai na real

Em decisão unânime, a 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, de Porto Alegre, mais do que dobrou a pena de 10 anos, dada pelo juiz Sergio Moro ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, passando-a para 24 anos.Em junho último, quando a mesma turma do mesmo TRF4 absolveu Vaccari por 3 a 2 sob a alegação de que as delações premiadas sem provas não bastavam para embasar condenações, houve intensa comemoração no PT, com declarações otimistas em relação ao recurso de Lula, principalmente por parte da presidente do PT, Gleisi Hofman. Vi ontem nos telejornais que petistas de alto coturno insinuaram que teriam caído numa pegadinha naquela ocasião. Eles estão tontos e não sabem para que lado correm para evitar cair na lona amparando-se nas cordas do ringue.  Quanta pretensão. Apressado, diz o ditado, come cru e ainda queima a boca.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quarta-feira 8 de novembro de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 8 de novembro de 2017

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) decidiu mais do que dobrar a pena imputada pelo juiz Sérgio Moro ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari. Que efeitos essa decisão pode ter sobre o recurso de Lula ao mesmo tribunal contra sentença do mesmo juiz?

No julgamento cujo resultado foi publicado ontem, a pena de Vaccari passou de 10 anos para 24 anos de prisão na Operação Lava Jato. A decisão ocorreu no âmbito da apelação criminal do publicitário João Santana, da mulher dele, Mônica Moura, do operador Zwi Skornicki, e de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, que recorreu na 3ª ação criminal em que foi condenado pelo juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Vaccari teve a condenação por corrupção passiva confirmada pelo Tribunal, que mais do que dobrou sua pena. Apesar de a 8ª Turma ter absolvido o ex-tesoureiro de dois dos cinco crimes pelos quais havia sido condenado em primeira instância, foi afastada a continuidade delitiva no cálculo da pena e aplicado o concurso material. Neste caso, os crimes de mesma natureza deixam de ser considerados como um só e passam a ser somados, resultando no aumento da pena. Essa ação trata das propinas pagas pelo Grupo Keppel em contratos celebrados com a empresa Sete Brasil Participações para o fornecimento de sondas para utilização pela Petrobras na exploração do petróleo na camada do pré-sal. Parte dos pagamentos teria ocorrido por transferências em contas secretas no exterior e outra parte iria para o Partido dos Trabalhadores.

Uma das contas beneficiárias seria a conta da off-shore Shellbill, constituída no Panamá, e controlada por Mônica Moura e João Santana. Eles seriam os terceiros. O dinheiro antes passava pela conta da Deep Sea Oil Corporation, controlada por Zwi Scornicki.

Essa é a 21ª apelação criminal relativa à Operação Lava Jato julgada pela 8ª Turma do tribunal. A sentença da 13ª Vara Federal de Curitiba foi proferida em 2 de fevereiro deste ano.

Com essa decisão, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) manteve tendência de aplicar penas mais duras do que o juiz da Lava-Jato Sergio Moro. Levantamento feito pelo GLOBO mostra que, das 98 decisões referentes à operação avaliadas pela segunda instância, 63 foram alteradas. Em metade desses casos, a situação do réu piorou: o tempo de cadeia aumentou para 31 deles, enquanto outros 14 tiveram a pena reduzida. Há ainda, entre as decisões alteradas, casos em que o TRF-4 reformou não o tempo de pena, mas outros aspectos da sentença.

Em junho, quando o TRF4 absolveu Vaccari por 3 a 2 sob a alegação de que as delações premiadas sem provas não bastavam para embasar condenações, houve intensa comemoração no PT, com declarações otimistas em relação ao recurso de Lula, principalmente da presidente do PT, Gleisi Hofman. Vi ontem nos telejornais que petistas de alto coturno insinuaram que teriam caído numa armadilha. Eles estão tontos e não sabem para que lado correm para evitar cair na lona amparando-se nas cordas do ringue.  Quanta pretensão. Apressado come cru.

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, pretende estabelecer uma ponte de comunicação com o Congresso Nacional para conversar sobre a questão dos supersalários, em discussão no Legislativo. Será que Sua Excelência não tem assunto mais importante para o país do que os privilégios dos colegas juízes?

Fiquei perplexo com o que apuraram os repórteres Moraes Moura, Julia Lindner e Breno Pires, da Sucursal do Estadão em Brasília, com interlocutores da ministra. A Câmara dos Deputados ainda analisa um projeto elaborado pelo Senado Federal, que estabelece o que deve ser considerado no teto remuneratório fixado pela Constituição Federal ao funcionalismo público – atualmente, de R$ 33,7 mil, o equivalente à remuneração dos ministros do STF. Em meio à discussão sobre os supersalários dos três poderes, Cármen demonstra preocupação com a possibilidade de se cortar auxílio a juízes que atuam em condições insalubres ou de difícil acesso. A ministra também acredita que é importante analisar com cuidado a situação dos juízes eleitorais, que precisam receber auxílio para trabalhar em pleno ano eleitoral.

As incontáveis formas de driblar a proibição constitucional de qualquer servidor público ultrapassar o teto salarial, que corresponde ao salário de um ministro do STF, fatalmente terminarão se multiplicando com a pressão dos funcionários. O próprio STF já estabeleceu o direito ao privilégio de algumas categorias. E agora a presidente do STF repete seu antecessor Ricardo Lewandowski substituindo sua função de juíza pela de dirigente sindical dos colegas juízes. Não têm fim os dedos longos das mãos do Brasil oficial enfiadas nos bolsos dos cidadãos do Brasil real que pagam a conta. Isso provoca o desequilíbrio das contas públicas como a corrupção, que esses juízes, procuradores e outros privilegiados se jactam de combater.

Por falar em Supremo Tribunal Federal, acabou de chegar lá um documento interessante que traz alguns detalhes sobre aqueles 51 milhões encontrados no apartamento de um laranja de Geddel e Lúcio Vieira Lima em Salvador. O que você tem a dizer a respeito?

De fato, em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) ,Job Ribeiro Brandão, ex-assessor parlamentar dos peemedebistas Geddel e Lúcio Vieira Lima, afirmou que devolvia aos parlamentares a maior parte de seu salário de servidor úblico, na faixa de 80%, em uma proporção equivalente a 8 mil reais. Geddel era há até bem pouco tempo ministro da confiança extrema de Temer no Planalto, chegando até a derrubar o ex-ministro da Cultura Marcelo Caleiro, que o denunciou por tráfico de influência. Lúcio é membro da leal base aliada do presidente e teve papel preponderante na negativa da Câmara à segunda investigação pedida por Janot contra o presidente. Antes dessa manifestação, o investigado já havia confessado à Polícia Federal, no dia 19 de outubro, ter recebido do ex-ministro quantias de 50 mil a 100 mil reais para serem contados. Ele está preso em regime domiciliar por terem sido encontradas suas digitais nas cédulas do bunker de 51 milhões em Salvador. Job é assessor dos políticos da família há anos e já trabalhou para o pai, Afrisio Vieira Lima, falecido no ano passado, e para os irmãos Geddel e Lúcio.

À Polícia Federal Job afirmou que, a partir de 2010, passou, com mais frequência a receber de Geddel ‘dinheiro na residencia da mãe’ do peemedebista’, para que o contasse.

O ex-assessor ainda disse que ‘o dinheiro era apresentado, em regra, em envelopes pardos e as somas giravam em torno de R$ 50.000,00 a R$ 100.000,00’. Segundo Job, ‘a contagem era feita, em regra, em sala reservada que funcionava como gabinete’.

Até hoje Geddel não informou às autoridades a origem do dinheiro descoberto e fotografado. A imagem chocou e surpreendeu a população. Até hoje, dizem, Geddel tem funcionários de confiança operando no Palácio do Planalto. Até hoje Lúcio é homem de confiança da cúpula federal para negociações no Congresso. A contagem na casa da mãe é o ápice da vergonha representada por esse episódio grotesco.

Os proprietários da empresa começaram a fazer o cálculo nesta segunda-feira (6), dia em que também prestaram queixa do ocorrido à Polícia Civil de Correntina, município de 33 mil habitantes, a 914 km de Salvador.

Na semana passada, um grupo com mais de mil pessoas ocupou duas fazendas da cidade de Correntina, no oeste da Bahia, e chegou até a tocar fogo no galpão de uma delas, em protesto contra o tipo de irrigação que é feito nessas fazendas. O que foi feito até agora pela polícia baiana?

A fazenda foi praticamente destruída na quinta-feira passada por uma multidão de vândalos calculada entre 500 e mil pessoas, a maioria pecuaristas e agricultores, que invadiram o local em protesto contra o novo sistema de irrigação da Igaraschi, produtora de batata, cenoura, feijão, tomate, alho e cebola. Os manifestantes residem ao longo do Rio Arrojado e nos povoados de Praia, Arrogeando e São Manoel, e cujas propriedades estão situadas, boa parte delas, às margens do rio, do qual praticamente todos dependem para sobreviver. A insatisfação com o novo projeto de irrigação na fazenda Rio Claro já vinha de ao menos dois meses, quando começaram a ser construídas duas piscinas de 125 metros quadrados, com profundidade de seis metros.

Segundo a Polícia Civil, os manifestantes alegam que o nível da água do rio baixa quando as bombas do sistema de irrigação das fazendas são ligadas – além da Rio Claro, a Igarashi colocou sistema de irrigação em parte de uma propriedade vizinha, a Fazenda Curitiba, também invadida.

O sistema de irrigação nas duas fazendas possui, ao todo, 32 pivôs para captação de água do Rio Arrojado, que faz parte da Bacia do Rio Corrente, composto por quinze rios, seis riachos e cinco córregos.

Na manifestação, além dos pivôs de captação de água, os vândalos, tratados pelas autoridades do governo estadual petista como “populares” destruíram caminhões, máquinas colheitadeiras, uma retroescavadeiras, uma patrol, uma máquina pá carregadeira e ao menos dez tratores. Todo o sistema elétrico da fazenda foi danificado.

Se os manifestantes têm razão de reclamar que estão sendo prejudicados pela retenção de água pela empresa, as autoridades ambientais é que tinham de ter cuidado disso. A invasão é criminosa e tem de ser tratada como um caso de polícia que é. O Brasil está virando uma espécie de território sem ordem, sem lei e, portanto, sem progresso, o que atinge a todos nós, inclusive aos pequenos agricultores do Oeste baiano. Isso é uma ignomínia.

E, para concluir, o que você me diz de a JBS estar sendo beneficiada pelo Refis que perdoou dívidas e multas de deputados?

A empresa dos Batista aderiu ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), conhecido como o novo Refis, a fim de regularizar suas dívidas com o governo – débitos de INSS, PIS, Cofins e IR/CSLL inscritos ou não na dívida ativa da União. O valor nominal desses débitos totaliza cerca de R$ 4,2 bilhões.

Até 17 de maio, quando foi revelada uma conversa na calada da noite no porão do Palácio do Jaburu com o presidente Temer, o marchante Joesley Batista era tratado como o santo protetor dos abnegados políticos de todos os partidos sempre dispostos a darem o melhor de si em prol do progresso do povo brasileiro. Depois, passou a ser tratado como um bandido da pior espécie, que participou de uma armação para derrubar o governo e, com isso, condenar o Brasil ao atraso. O que condena o Brasil ao atraso é a repetição desses programas de perdão de dívidas para alguns privilegiados, enquanto o País afunda no rombo da meta fiscal das contas públicas, no desemprego dos trabalhadores e na quebradeira das empresas. Refis não é uma prática nova nem original. Mas nem por isso deixa de ser abusiva e nociva ao interesse coletivo. Pois é desleal com quem paga e incentiva a sonegação. Nesta República dos espertinhos amigos e financiadores do rei e da nova nobreza só se dá mal quem paga suas contas em dia. Inclusive os impostos que sustentam esses maganões e seus privilégios bilionários bancados à custa de propinas em troca de vantagens desse tipo. Ser brasileiro é uma vergonha.

SONORA Absurdo Jota Quest

https://www.letras.mus.br/jota-quest/312141

No Estadão desta quarta-feira: Um cometa no abismo do cosmos

No Estadão desta quarta-feira: Um cometa no abismo do cosmos

Neil Ferreira nos priva de um convívio inteligente e feliz, mas fica seu brilho que ilumina

                 Neil Ferreira era um gênio. Ninguém precisa ser um redator de escol nem um publicitário de primeira linha para ter autoridade suficiente para fazer uma sentença tão exagerada e tão decisiva quanto esta. Bastava ser um cidadão comum, um Zé Mané qualquer, um humilde, mas imodesto filho de Deus, como o autor destas linhas de despedida e elogios, para saber que essa frase não é apenas definidora, mas também definitiva. O que dizer do redator premiadíssimo no Brasil e no exterior por seus textos orinais, simples e elegantes? Talvez o máximo de sua obra seja o leão que nas suas mãos virou símbolo do Imposto de Renda. Há no rei dos animais uma identificação com a atividade que desde então ele passou a simbolizar que o cliente – no caso, a Receita Federal, o governo da República, o conjunto de todos os agentes fiscais do Brasil – talvez nem tenha percebido: era típico de Neil esconder a ironia e até o deboche no alarido do óbvio. O felino-mor é majestoso e poderoso e também o rei dos predadores. E o que há de mais predador para o cidadão e consumidor brasileiro do que o bafo do fisco na sua nuca? Essa é a marca do gênio: o leão do Imposto de Renda equivale como ideia perfeita ao garoto da Bombril, criado por seu discípulo Washington Olivetto. Mas o supera numa distinção que consagra a marca. Virou a Brahma que define a cerveja, mesmo a produzida pelo competidor, como no causo de Vicente Matheus agradecendo as Brahmas que a Antarctica lhe teria mandado. Ou o Gillette que deixou de ser um cidadão impresso na embalagem da lâmina de barbear para virar a gilete, substantivo comum feminino dos dicionários. Nem São Lucas, o publicano que se fez evangelista, conseguiu superar a fera no imaginário de todos quantos penam sob as garras dos implacáveis cobradores de deveres fiscais.

                  A diferença do criador do símbolo do soberano da selva que assusta todo brasileiro pagador em dia de suas obrigações é que Neil Ferreira era gente. Esta pode parecer uma obviedade mais ululante do que todas as outras que mestre Nélson Rodrigues, redator de sua predileção, imaginou ou descreveu. Mas não é: Neil não era gente apenas por pertencer ao reino animal e ser um mamífero dotado de capacidade de raciocínio e livre-arbítrio. Era gente no sentido mais comum que existe. Ele era simples, não apenas no sentido de um cara célebre que se destacou dos outros pelo enorme talento individual, mas tratava seus dessemelhantes como se fossem não apenas semelhantes, mas iguais. A simplicidade nele não era hábito comezinho, mas dever de casa permanente. E quando isso se juntava à capacidade de criar, a coisa ganhava uma dimensão que não podia ser comparada com nada. Ou seja, o redator que fazia dupla com o diretor de arte José Zaragoza na badaladíssima DPZ, o mais fulgurante think tank da propaganda brasileira no auge da época em que ainda havia publicidade não apenas como negócio, mas também como arte, empenhava a modéstia como forma muito eficaz de comunicação. Assim, alcançava o panteão de desejos e ambições do homem comum pelo simples fato de ser um deles.

Neil Ferreira

Neil Ferreira

             Neil era um brasileiro indignado, que não contemporizava com nada que ofendesse o rigoroso campo ético no qual atuou a vida inteira como missão máxima. Seu talento inato de vender produtos e ideias com palavras e imagens, uma modalidade estética, se submetia e se completava com o rigor de uma cidadania comprometida com a ética, que não admitia deslizes nem variações. Seu ramo é o negócio de dourar pílula? Neil era inimigo dos placebos e preferia oferecer ouro em pó a seus parceiros, clientes e patrões no trabalho. Punha ao dispor deles um brilho que não ofuscava, mas servia para fazer enxergar melhor tudo o que estivesse ao redor. Agora que não haverá mais oportunidade de ouvir suas ideias do bem nem o papo salpicado de graça e picardia, todos os que convivemos com ele teremos de nos contentar com as lembranças do charme da simplicidade que nos legou num convívio que ele nunca se cansou de tornar cada vez mais profícuo. Ele foi, mas fica. Como um cometa que mergulhou no abismo do cosmos, mas deixou seu brilho em nossas retinas escancaradas.

  • Jornalista, poeta e escritor

(A ser publicado na Pag. Do Caderno 2 do Estado de S. Paulo da quarta-feira 8 de novembro de 2017)

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