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Comentário no Jornal da Gazeta: A culpa dos políticos

Comentário no Jornal da Gazeta: A culpa dos políticos

Verdadeiros vilões do caos são os políticos, não Parente e Petrobrás

(Comentário no Jornal da Gazeta quinta-feira 24 de maio de 2018)

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Comentário no Jornal Eldorado: Pé na cova

Comentário no Jornal Eldorado: Pé na cova

Ao ceder à chantagem do locaute dos transportadores rodoviários de cargas, o falecido, mas ainda não sepultado, governo Temer submeteu a Nação a dois crimes de uma vez ao altíssimo custo de R$ 5 bilhões a serem pagos ao longo dos sete meses de seu apodrecimento, que ainda teremos de suportar. O ex-vice imitou a antecessora, Dilma Rousseff, ao congelar o preço do óleo Diesel, e superou seu parceiro do MDB José Sarney, ao protagonizar a corrida aos postos de gasolina e o desabastecimento geral em troca de uma trégua de 15 dias, que ninguém pode garantir se será mantida. Além disso, desmanchando a política de preços da Petrobrás, completou a obra da destruição de nossa maior estatal iniciada pelos seus antigos aliados do PT de Lula e Dilma.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na sexta-feira 25 de maio de 2018, às 7h40m)

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Abaixo, os assuntos do comentário da sexta-feira 25 de maio de 2018-05-25

1 – Haisem “Acuado, governo vai subsidiar diesel e greve é suspensa” é a manchete do Estadão hoje. Quem ganhou e quem perdeu com o acordo que foi feito depois de quatro dias de paralisação dos caminhoneiros nas estradas e dois de negociações entre ministros de Temer e os chamados líderes dos que promoveram o protesto?

SONORA_PADILHA 2505

2 – Carolina Se o governo comemorou tanto o resultado final da negociação que os ministros anunciaram em entrevista coletiva convocada já tarde da noite, por que Temer, o chefe de todos eles, ausentou-se do anúncio do que foi resolvido?

SONORA_GUARDIA 2505

3 – Haisem Em que momento o Poder Legislativo exerceu na crise sua condição de representante da cidadania no processo decisório nacional no período em que a Nação se sentiu assustada e perplexa diante da perspectiva de afundar num caos inédito na História recente do Brasil?

4 – Carolina Nestes dias você insistiu muito na tecla de que o componente que mais pesa no custo do óleo diesel, no qual se concentrou o tal acordo para o fim do movimento, do ICMS, que é estadual. Por que em nenhum momento da crise nenhum governador apareceu para assumir algum tipo de responsabilidade e o governo federal não deu essa informação nem convocou uma reunião deles para assumir sua parcela na solução?

5 – Haisem O que a Nação pode esperar para daqui a 15 dias quando a trégua implorada pelo governo e aceita pelos líderes do tal movimento acabar e outra volta à normalidade terá de ser negociada?

6 – Carolina Por que o Poder Judiciário, que tem assumido protagonismo evidente nas decisões republicanas, simplesmente saiu do ar, só merecendo o registro da fofoca de um vazamento de uma conversa flagrada entre os ministros do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e Celso de Mello?

7 – Haisem Durante toda esta semana, as notícias davam conta de uma greve de caminhoneiros. Você diria que esse movimento teve alguma semelhança com os movimentos paredistas históricos, como as greves dos metalúrgicos do ABC, que participaram da derrubada da ditadura militar?

8 – Carolina Que momento histórico testemunhado em sua vida, então, lhe veio à memória nestes últimos dias de caos e capitulação?

SONORA Lobão Revanche Felipe de Assis

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Podcast Estadão Notícias: O alto custo do ICMS

Podcast Estadão Notícias: O alto custo do ICMS

Os caminhoneiros têm razão em protestar contra aumentos diários de diesel, mas, ao contrário do que imaginam, a principal culpada pela situação não é a política de preços da Petrobrás, que está saneando a empresa quebrada pelo populismo ensandecido do PT et caterva. O que mais pesa na formação desses preços são os impostos, mas zerar a Cide de nada adianta, pois sua participação é milimétrica. O peso maior é do ICMS dos Estados. O Rio de Janeiro, com a alíquota mais alta, chegando até a 36%, é o caso mais absurdo, pois, ainda assim, o Estado quebrou por roubalheira e má gestão. No entanto, o governo federal age na base do improviso e os governadores fingem que não é com eles para não perder votos. Assim, o impasse continua. É este meu comentário no Estadão Notícias, que está no ar no Portal Estadão desde 6 horas da quinta-feira, 24 de maio de 2018.

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Comentário no Jornal Eldorado: Com as calças na mão

Comentário no Jornal Eldorado: Com as calças na mão

Parte relevante do que ocorre em decorrência do protesto de caminhoneiros contra a alta diária e imprevisível dos preços do diesel deve-se – segundo Marcelo de Moraes, do BR18 – à inércia do governo Temer, causada por absoluta e absurda falta de informação. Os bambambãs do Planalto imaginavam que só teriam de lidar com o controle político da gritadeira contra o aumento dos combustíveis e, apesar de terem enfrentado problema similar no fim do governo da ex-chefe Dilma, agiram atabalhoadamente e improvisaram no caos, como se habituaram a fazer para apagar o caos instalado pelo desabastecimento de gasolina, produtos perecíveis e até do esvaziamento dos tanques de querosene, o que bagunçou a aviação comercial no País.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 24 de maio de 2018, às 7h30m)

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Para ouvir O Dia em que a Terra parou, com Raul Seixas, clique no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=9FwZWjCI02M

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Abaixo, os assuntos do comentário da quinta-feira 24 de maio de 2018

1 – Haisem  A manchete do Estadão é a seguinte: “Petrobrás cede e reduz preço do diesel para conter greve”. O que mais pode fazer o governo Temer para paralisar o movimento de protesto contra os aumentos de combustíveis de petróleo pelos caminhoneiros, normalizando o fornecimento de combustível e alimentos, tumultuado pelas paralisações das rodovias?

SONORA_ELISEU PADILHA 2405

2 – Carolina A promessa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de restaurar algumas reonerações a empresas poderá facilitar a atuação do presidente nessa difícil negociação com os caminhoneiros?

SONORA_PARENTE 2405

3 – Haisem Por que a polícia mineira aceitou os termos de rendição do ex-governador Eduardo Azeredo, acenando-lhe com a decisão do juiz das execuções penais de Belo Horizonte, Luiz Carlos Rezende e Santos, que o liberou de usar algemas e uniforme de presidiário e autorizou o começo do cumprimento da execução de sua pena não numa prisão comum, mas num quartel da Polícia Militar em Belo Horizonte?

4 – Carolina O que inspirou o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Edson Fachin a autorizar os membros da comissão externa da Câmara dos Deputados a visitarem o presidiário mais famoso do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, contrariando a proibição decidida pela juíza de execuções penais de Curitiba, Carolina Lebbos?

5 – Haisem O que propiciará à História do Brasil a decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região de Porto Alegre, conhecido como da Lava Jato, de negar embargos impetrados pelo ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, condenado a seis anos de reclusão?

6 – Carolina O que acontecerá com o currículo coroado de Henrique Meirelles depois de passar por essa campanha, na qual teve de aceitar Elsinho Mouco como marqueteiro para manter o apoio do ex-chefe Michel Temer?

7 – Haisem Que fichas o presidente do Senado, Eunício Oliveira, tem para desafiar o presidente da República e chefão do MDB, dizendo que do partido ninguém o tira com uma frase curta e grossa: não vou sair e ninguém me tira”?

8 – Carolina O que inspirou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes de conceder habeas corpus a nove réus da Lava Jato, incluindo Hudson Braga, ex-secretário de Obras do Estado do Rio, e Carlos Miranda, que se proclamou companheiro do ex-governador Sérgio Cabral há 30 anos na roubalheira que envergonha o Rio de Janeiro?

SONORA Raul Seixas O dia em que a terra parou, Welington Freire

https://www.youtube.com/watch?v=9FwZWjCI02M

No Blog: Nêumanne entrevista Mara Gabrilli

No Blog: Nêumanne entrevista Mara Gabrilli

“Santo André foi laboratório para mensalão e petrolão”, diz deputada

Filha de empresário achacado por bandidos armados no esquema de corrupção de Santo André, Mara Gabrilli constata que, pelo menos, tem sido feita justiça no caso Celso Daniel, escândalo que ainda aflige o Brasil

José Nêumanne

A deputada federal Mara Gabrilli, filha de um empresário de ônibus de Santo André – que foi uma das vítimas do achaque de administrações petistas da cidade sob o comando do prefeito Celso Daniel, executado a tiros no meio do mato –, acredita que esse esquema foi “laboratório” para mensalão, petrolão e outros escândalos posteriores. Lamenta que o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski tenha feito retroceder processos judiciais em que seus assassinos estavam sendo punidos e, também por isso, o mandante do crime, Sérgio Gomes da Silva, tenha morrido impune. Na sérieNêumanne Entrevista, ela também cita consequências em que vários envolvidos na corrupção e no assassinato pagaram por isso.

Mara Gabrilli, 50 anos, é publicitária, psicóloga e está em seu segundo mandato como deputada federal pelo PSDB de São Paulo. Foi secretária da Pessoa com Deficiência da Prefeitura da capital paulista e vereadora na Câmara Municipalpaulistana. Em 1994 sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica. Três anos mais tarde fundou o Instituto Mara Gabrilli, que fomenta pesquisas científicas para cura de paralisias, apoia atletas do esporte paraolímpico e realiza projetos sociais e culturais para o desenvolvimento de pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social. Recentemente, recuperou parte dos movimentos dos braços. É pré-candidata ao Senado Federal e candidata do Brasil ao comitê da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência. Em outubro de 2013 lançou pela editora Saraiva a biografia Depois DaqueleDia, escrita pela jornalista Milly Lacombe.

A seguir dez perguntas para Mara Gabrilli na série Nêumanne entrevista.

Mara Gabrilli lamenta que mandante da morte de Celso Daniel tenha morrido impune mercê de penada de Lewandowski Foto: Acervo Pessoal

Mara Gabrilli lamenta que mandante da morte de Celso Daniel tenha morrido impune mercê de penada de Lewandowski Foto: Acervo Pessoal

Nêumanne – Que tipo de sentimento a senhora tem quando lê, ouve ou vê a devassa promovida no Brasil por operações como a Lava Jato e, 16 anos depois da execução do prefeito petista de sua cidade, Celso Daniel, as providências continuam na estaca zero em termos da atuação da Justiça?

Mara Gabrilli – Olha, é claro que num mundo ideal o caso do assassinato do ex-prefeito Celso Daniel já estaria solucionado, com todos os envolvidos pagando suas penas atrás das grades. Mas acho que, ainda que lentamente, as coisas estão acontecendo. Há dois anos a 1.ª Vara da Fazenda de Santo André condenou o PT a devolver R$ 3,5 milhões aos cofres do município, e outros R$ 3,5 milhões a serem devolvidos de forma compartilhada pelo Ronan Maria Pinto, pelo Sérgio Sombra e pelo ex-secretário Klinger Oliveira. No ano passado, os desembargadores da 3.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmaram a sentença por unanimidade. O Sérgio Sombra está morto e o Ronan e o Klinger, condenados, com um pé na prisão. Uma multa de R$ 10,5 milhões ao PT também foi aplicada, tudo isso pelo envolvimento em esquema de corrupção instalado no setor de transportes públicos de Santo André, na gestão do ex-prefeito Celso Daniel (PT), executado a tiros em janeiro de 2002. Mas, sem dúvida, é um caso que ainda aflige não só os moradores de Santo André, mas de todo o Brasil. Eu confio na Justiça e ainda acredito que muita coisa sobre o assassinato do Celso Daniel virá à tona, mas estou satisfeita em saber que, de uma forma ou de outra, a justiça está sendo feita.

Mara Gabrilli atua como legisladora atuante na causa dos deficientes físicos na Câmara dos Deputados. Foto: Acervo pessoal

Mara Gabrilli atua como legisladora atuante na causa dos deficientes físicos na Câmara dos Deputados. Foto: Acervo pessoal

N – Que relação a senhora percebe haver entre a corrupção em Santo André, à época das gestões petistas, e o petrolão e o mensalão?

MG – Sempre digo que a corrupção em Santo André foi o laboratório para o mensalão e, depois, para o petrolão: empresários, como era o caso do meu pai, eram achacados e ameaçados por bandidos armados, para pagarem propina ao grupo da prefeitura. O dinheiro deveria ir para o caixa 2 do PT, que financiaria a campanha do Lula para presidente em 2002. Esse foi o mesmo esquema usado para o mensalão e, mais tarde, descoberto com o petrolão, institucionalizado, em níveis e quantidades cada vez maiores. Os envolvidos eram os mesmos. Um deles, o empresário Ronan Maria Pinto, acabou sendo o elo entre o caso Celso Daniel e o petrolão. Possuindo informações privilegiadas dentro do grupo, Ronan chantageou o Lula, que pediu ajuda ao Bumlai e, através do Grupo Schahin, destinou o valor de, no mínimo, R$ 6 milhões para calar a boca do Ronan. Isso tudo não sou eu quem diz, está nos autos, fruto das investigações feitas pelo Ministério Público. Se tivéssemos conseguido cessar a corrupção em Santo André, talvez o País não estivesse na situação em que se encontra hoje.

N – A seu ver, por que, até hoje, é misteriosa a atitude da polícia estadual paulista, sob o comando de governadores de seu partido, o PSDB, ou aliados, em defesa da tese negada pelo Ministério Público de que a morte de Celso Daniel não passou de um crime banal de sequestro e morte?

MG – Olha, eu prefiro acreditar que a defesa dessa tese se deu por falta de provas. Com tudo o que aconteceu, com a morte de tantas testemunhas… Na época, minha família vivia assombrada por todas as ameaças que meu pai sofria, por tudo o que acontecia. Cinco dias antes do sequestro do prefeito, fomos avisados pelo irmão do Celso Daniel, que era nosso vizinho, de que o esquema acabaria. Que o Celso iria fazer parar o esquema de recolhimento de propina. E isso, note-se, aconteceu cinco dias antes de ele ser sequestrado. Pra mim, fica claro que a decisão dele de parar com o que ocorria ali não agradou a muita gente. Com tudo isso, como poderia não ser um crime político? Não por acaso, os principais envolvidos naquele esquema de corrupção estão na cadeia, envolvidos no mensalão, na Lava Jato e em outros tantos crimes. Aliás, para quem tiver interesse em saber mais sobre todo esse caso, tem um livro escrito pelo Silvio Navarro e lançado recentemente (Celso Daniel – Política, Corrupção e Morte no Coração do PT) que conta toda a história, muito bem detalhada. Ao ler o livro, não dá pra acreditar que se tratou de um crime banal e sem relação com toda a corrupção que acontecia ali.

 Na fisioterapia, deputada comemora cada progresso na reconquista dos movimentos. Foto: Acervo pessoal

Na fisioterapia, deputada comemora cada progresso na reconquista dos movimentos. Foto: Acervo pessoal

N – Como a senhora avalia a decisão do ministro do STF Ricardo Lewandowski, que, aliás, é de outra cidade do ABC, São Bernardo do Campo, de devolver o processo criminal às suas origens, ao conceder habeas corpus, que repousou anos na gaveta de seis presidentes da Suprema Corte antes dele, ao principal suspeito de ter sido o mandante do crime, Sérgio Gomes da Silva, anulando sentenças de condenação decididas por júri popular?

MG – Foi uma decisão lamentável, porque o Sérgio Sombra, tido como o mandante do assassinato, quase 15 anos depois de um crime bárbaro como esse, morreu impune. E isso só contribuiu para aumentar a sensação de impunidade e diminuir a crença do brasileiro na Justiça.

N – Por que, ao longo destes anos todos, em que a senhora, que chegou a ocupar um lugar na Mesa da Câmara dos Deputados, lutou para  exigir satisfações a esse respeito, seu partido, o PSDB, nunca tomou uma atitude para exigir das autoridades estaduais, da polícia e da Justiça a solução definitiva do assassinato?

MG – Eu sempre procurei justiça pela população de Santo André e pela honra do meu pai, mas nunca quis partidarizar esse tema, tornar um PSDB x PT. Até porque, quando tudo aconteceu, eu ainda não era filiada a nenhum partido político e nem sonhava em entrar para a política. Na época, o PSDB incumbiu a Polícia Civil do Estado de São Paulo de investigar o caso e a resposta que deram foi se tratar de um crime simples, de latrocínio. Pra mim, não foi o que aconteceu. Mas, para o partido, o assunto parece ter se encerrado ali. Eu segui minha luta, por conta própria. Minhas denúncias ao Ministério Público, meus questionamentos aos envolvidos, feitos quando foram participar em comissões na Câmara dos Deputados, enfim, todo o meu esforço para tentar desvendar esse caso sempre foi por conta própria, nunca em nome do partido.

Deficiência não abala humor da parlamentar: no álbum, título da foto de antes do acidente é Mara-tona Foto: Acervo pessoal

Deficiência não abala humor da parlamentar: no álbum, título da foto de antes do acidente é Mara-tona Foto: Acervo pessoal

N – Sua atuação permanente e combativa em defesa dos cidadãos com deficiência tem produzido efeitos práticos e despertado algum toque de sensibilidade dos governantes, normalmente pouco interessados em quaisquer assuntos que não digam respeito aos interesses pessoais dos chefões dos partidos políticos?

MG – Não tenho dúvidas de que a minha simples presença entre os deputados já faz diferença no Congresso. Os parlamentares passam a conviver com a deficiência. Ainda mais no meu caso, que tenho uma deficiência severa e preciso de uma assistente pessoal em todos os momentos. Isso é uma novidade no Congresso. E conseguimos avançar muito nos últimos anos. Poxa, conseguimos aprovar a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que havia 15 anos tramitava no Congresso Nacional, sob o nome de Estatuto da Pessoa com Deficiência. É uma das legislações mais completas do mundo sobre o tema e já virou referência na ONU. Tivemos a criação da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, em 2015, o que pôs o tema nas discussões diárias da Câmara. Todos os projetos de lei que tratam do assunto passam por essa comissão, para que o mérito de cada projeto seja debatido. Tem muito projeto ruim que passa por lá e é nosso dever impedir o avanço desses textos, que retrocedem em direitos já conquistados com tanta luta. E agora vemos o número de candidatos com deficiência na política aumentando. Semanalmente recebo vereadores cadeirantes, cegos, de todo o País. Agora temos o Patrick Teixeira, um jovem com uma doença rara chamada mucopolissacaridose, pré-candidato à Câmara dos Deputados pelo Estado da Paraíba. Isso faz muita diferença para avançarmos ainda mais nessas questões.

N – A Operação Lava Jato já deixou claro que o melhor negócio lícito ou ilícito do mundo é a rapina dos cofres públicos e de estatais de grande peso, como a Petrobrás, empreendida por executivos dos três Poderes, chefões partidários e dirigentes de empresas públicas. A senhora tem alguma esperança de que a corrupção sistêmica será, pelo menos, atenuada?

MG – Em primeiro lugar, fico muito triste pela situação em que o País se encontra, mas a Lava Jato já é um divisor de águas na política brasileira e a justiça está sendo feita. Nessa eleição tão incógnita que será a de 2018, eu ainda acho que permeia o pensamento do eleitor uma sensação de que é preciso pesquisar melhor em quem votar, por conta de tudo o que aconteceu no País. Tenho, sim, a esperança de que essa corrupção, pelo menos, diminua. A evolução da internet, a tecnologia, as notícias em tempo real, tudo isso contribui para aumentar e facilitar a fiscalização. A própria população está de olho, fiscaliza, denuncia. Não que toda a corrupção do País vá acabar, mas com certeza a sensação de impunidade está mudando e isso, por si só, já ajuda a mudar a mentalidade, ou pelo menos inibe as atitudes de muitos políticos brasileiros. Há alguns anos, por exemplo, era inimaginável pensar que um ex-presidente da República estaria atrás das grades. Um ex-presidente que foi acusado de um crime, foi julgado e condenado. Fico triste, pois era uma esperança do povo brasileiro. E nos decepcionou. Enganou a todos nós, principalmente a população mais pobre. E mesmo preso continua enganando. Isso sem falar em dois ex-presidentes da Câmara dos Deputados…

Equipamentos de fisioterapia, como a bola, são companhias permanentes de Mara Gabrilli. Foto: Acervo pessoal

Equipamentos de fisioterapia, como a bola, são companhias permanentes de Mara Gabrilli. Foto: Acervo pessoal

N – Por que a senhora assumiu uma posição firme contra o foro especial por prerrogativa de função e quais são as chances de que essa luta supere o absurdo que é a negação do conceito fundamental do Estado de Direito, qual seja, a igualdade de todos os cidadãos perante a lei?

MG – O foro atual é garantido pela nossa Constituição federal, de 1988. Quando foi criado, tinha razão de ser, que era proteger o exercício da função pública. Ele já existia em diversos lugares do mundo, mas aqui, no Brasil, essa razão foi desvirtuada. Segundo uma pesquisa recente do Senado Federal, cerca de 54 mil pessoas em todo o País têm direito ao foro. É muita gente! Precisamos desafogar o Supremo, que não está preparado para se dedicar a tantas ações penais. As ações acabam demorando muito para serem julgadas e aí surge o sentimento de impunidade, a sensação de que todos os cidadãos não são iguais perante a lei. É isso que precisamos mudar.

N – A representatividade das mulheres em cargos públicos é mínima, se comparada com a força do eleitorado feminino. O que a senhora pensa fazer para combater essa disparidade machista na representação política no Brasil?

MG – A representação da mulher na Câmara dos Deputados é de cerca de 10%, num universo em que mais da metade da população brasileira é formada por mulheres. Há uma clara sub-representação. Quando olhamos as associações de moradores de bairro, por exemplo, geralmente as mulheres são as líderes que atuam na ponta, cobrando melhorias na escola, na saúde, no transporte, no monitorando preços e fazendo política. O que acontece é que, em sua maioria, os partidos políticos ainda são extremamente machistas. Dificilmente dão oportunidades para mulheres disputarem cargos majoritários, por exemplo. E não é por falta de candidatas preparadas, é por boicote mesmo. Hoje, a legislação eleitoral garante que ao menos 30% dos candidatos sejam do sexo feminino e agora destina também uma verba do fundo eleitoral para as mulheres. O que acontece é que ainda temos muitos casos do uso de “laranjas”, mulheres que são inscritas pelos partidos simplesmente para cumprirem as cotas. Acho que a gente precisa repensar a forma de fazer política, repensar os partidos políticos. E não só em relação a gênero, mas em relação a muita coisa. Se no Congresso fôssemos ao menos 50% de mulheres, considerando que homens e mulheres têm pensamentos complementares, o Brasil estaria bem melhor.

N – Quais são suas expectativas em relação às eleições gerais de outubro e novembro próximos? A seu ver, o eleitorado vai se manifestar de forma a manter a democracia e avançar nas conquistas sociais das quais ainda estamos muito distantes?

MG – O Congresso Nacional perdeu a chance de fazer um reforma política efetiva para transformar o País. Tudo leva a crer que nas próximas eleições a taxa de renovação será baixa. Ficou difícil para quem não tem mandato ou ainda não é muito conhecido fazer uma campanha e divulgar seu nome de forma a conquistar o número de votos suficientes para se eleger. Ainda assim, tenho muita esperança de que, nos próximos anos, a gente consiga avançar em conquistas sociais. É para isso que trabalho todos os dias e tento, cada vez mais, expandir meu trabalho. Sou pré-candidata ao Senado Federal e, ao mesmo tempo, a candidata do Brasil ao comitê da ONU sobre as pessoas com deficiência, um órgão no qual o Brasil nunca teve representante. Temos de avançar em muitos temas. Combate à corrupção, políticas públicas de combate à discriminação, promoção da inclusão, defesa das minorias e dos direitos humanos. Carrego comigo a esperança de que ainda teremos um país melhor, mais digno e mais inclusivo para todos nós.

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Nêumanne entrevista Mara Gabrilli - 6a. edição

Nêumanne entrevista Mara Gabrilli – 6a. edição

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