Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Coluna semanal para o site Rice: De volta ao buraco sem luz

Coluna semanal para o site Rice: De volta ao buraco sem luz

 

 

Segue abaixo artigo semanal que a Ric Comunicação põe à disposição de todas as publicações impressas do Brasil.

 

 

 

 O Grupo Ric de Comunicação põe à disposição de emissoras de rádio e jornais impressos ou em edição virtual três podcasts de três minutos cada e um artigo por semana. Interessados em publicar este material original deve entrar em contato com mash.leonardo@gruporic.com.br

 

De volta ao buraco sem luz

José Nêumanne

Adiamento da demissão de Mandetta do Ministério da Saúde é mais uma batalha da barbárie contra a civilização do “mito” da militância  terraplanista, criacionista e figadal inimiga da ciência

Li O Mito da Caverna, de Platão, nos meus distantes 14 anos, nas horas obrigatórias de leitura na biblioteca do Instituto Redentorista Santos Anjos, em Campina Grande. Tenho uma frustração e uma inveja nessa leitura de pré-adolescência. Frustração por não ter me dedicado mais ao estudo de grego antigo para ler o texto magnífico no original. Inveja do ortopedista pediátrico Luiz Henrique Mandetta, que se orgulha de havê-lo lido 20 vezes. Como me disse certa vez Jorge Luís Borges, ler é uma atividade fútil. Útil é reler os bons textos. E estes são tão poucos…

Revelando um espírito refinado que não imaginava num profissional de medicina, normalmente mais dedicado à atualização de seus conhecimentos científicos do que à filosofia antiga ou mesmo à literatura, o ainda atual ministro da Saúde, sabe Deus até quando, aproveitou bem cada vez que abordou o gênio ateniense quando o usou à hora certa e na data exata. Citou o clássico da filosofia na entrevista coletiva em que contou ao País que esvaziara as gavetas do gabinete ministerial ao saber que seria demitido na segunda, à tarde, e, depois, voltara a enchê-las depois da desistência do chefe de pô-lo para fora do cargo público.

A meio século de haver folheado as páginas de papel bíblia nos ermos de Bodocongó, e com a memória prejudicada por velhice, diabetes e ameaça de coronavírus à porta, ainda me lembro do impacto daquela leitura única em todos os sentidos da palavra. A tragédia do homem primitivo que rompeu as cadeias das trevas do buraco em cujas bordas só via sombras, para conhecer o Sol, tinha o condão de transformar em fábula ancestral a rotina burocrática de uma atividade rasteira como é a política, atingindo a sordidez no momento por ele vivido. Séculos depois de concebida, a saga do descobridor da luz solar, que ilumina e higieniza, morto por seus antigos companheiros de redução a imagens caprichosas de chama e sombra, repetiu o embate milenar entre civilização humana e barbárie pré-histórica.

Ao sair do encontro com o carrasco após este desistir de lhe decepar a cabeça no cadafalso, o quase ex-ministro fez mentalmente a 21.ª leitura da obra platônica e se vingou, sem que o outro sequer sonhasse com  isso, com a suprema humilhação de torná-lo protagonista de um conto terrível e que ainda assim jamais entenderá a dimensão da luta entre conhecimento e ignorância. O presidente da República é um homem simplório. Saiu do Exército, que diz venerar, sem fazer um curso de estado-maior, num acordo de cavalheiros em que nenhuma das partes agiu como cavalheira. Numa solução típica de instituições fechadas em copas e galões, a Força expeliu-o do convívio dos camaradas de armas na patente de capitão para evitar que fora da caserna se conhecesse o delito do oficial acusado de terrorismo. Na reserva a decisão foi fundamental na formação do caráter do que não foi expulso. Seu herói militar não é Churchill, ex-lorde do almirantado que ganhou a 2.ª Guerra Mundial, nem De Gaulle, general francês que comandou a resistência de seu país, a França, ao abrigo de um aliado que foi ao longo da História o maior inimigo, a pérfida Albion. Mas um reles torturador da guerra suja em que as “gloriosas” Forças Armadas se meteram num banho de sangue de inimigos sem nenhuma chance de vencê-las.  O indesejado fez carreira como sindicalista fardado e parlamentar do mais baixo clero com pretensão a reverter na democracia, que surgiu dos escombros do gigante de pés de barro da ditadura militar, a má fama com justiça conquistada nos anos de chumbo. Sua homenagem ao réprobo dos porões da Rua Tutoia, coronel Brilhante Ustra, ao votar na sessão de julgamento do impeachment da inimiga acusada pelos que os convidaram a retirar-se dos quartéis no processo de expulsão, Dilma Rousseff, pela mesma falta, terrorismo.

A demissão que não houve resultou de um episódio rastaquera de ciúme vulgar. O ainda ministro da Saúde gravou um depoimento numa live – meio de comunicação favorito do capitão reformado por indisciplina -, protagonizada por ídolos da música sertaneja, entre os quais a dupla Jorge e Mateus. Era só disso que precisava o chefe para decidir livrar-se da ambição desmedida ao estrelato do subordinado. Convenhamos que nem chega perto de um delito como o terrorismo, nem de um deslize como a indisciplina. O inesperado desfecho, com a recondução do ministro à pasta, provocado pelo histérico temor do chefe de uma perspectiva de impeachment por crime de responsabilidade, após a intervenção de generais, parlamentares e ministros do STF, trouxe, contudo, à luz, quando já anoitecia no segundo dia da Semana Santa, a revelação de algo muito mais grave do que o ato.

Tendo jurado fidelidade à lei e à ordem em janeiro de 2019, Jair tem atuado como o Messias do retorno ao escuro cavernoso, com as labaredas desenhando nas pedras do buraco uma súcia que não fora exposta ao Sol: um bando dedicado à desmoralização do conhecimento acumulado e à consagração de um passado          que, zumbi, surgiu das cinzas da fogueira em que Giordano Bruno foi imolado. Bolsonaro lidera quem acredita na Terra plana em plena era das viagens espaciais, que a revelaram redonda, e imóvel, amaldiçoando o eppur si muove de Galileu Galilei. Como seu diabinho profano de orelha, André Mendonça, nega a evolução das espécies de Charles Darwin. Prefere a superstição à ciência. E, embora tenha virado caixeiro-viajante da cloroquina por mero oportunismo de marketing político genocida, considera a descoberta de Alexander Fleming instrumento de doença, não certeza de imunidade a bacilos e vírus. É isso!

Jornalista, poeta e escritoa coluna do Grupo Ric Mais)

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Comentário no Jornal Eldorado: STF fez Bolsonaro recuar

Comentário no Jornal Eldorado: STF fez Bolsonaro recuar

O presidente Jair Bolsonaro teve um motivo muito forte para tratar governadores que continua considerando inimigos porque decretaram isolamento social para reduzir a velocidade do contágio do novo coronavírus: o ministro do STF Alexandre de Moraes, atendendo a uma ação da OAB, proibiu que ele editasse decreto federal suspendendo essas decisões. Antes de falar à Nação em cadeia de televisão, ele deu entrevista a Luiz Carlos Datena fazendo piadas sobre a pandemia que parou o mundo, incluído o Brasil, e tratando o terrível vírus chinês como se fosse uma chuva passageira. Depois na fala do trono limitou-se a responsabilizá-los pela medida adotada sem consultá-lo e considerou o médico Kalil herói nacional só porque usou e está receitando dióxidocloroquina. Que coisa!

Para ouvir comentário clique no play abaixo:

 

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique aqui.

 

Assuntos para comentário na quinta-feira 9 de abril de 2020

 1 – Haisem – O que você achou da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes proibindo a intervenção do presidente da República, Jair Bolsonaro, de interferir nas decisões de governadores estaduais sobre isolamento social na guerra contra o novo coronavírus

2 – Carolina – Bolsonaro cita médico do Sírio para defender cloroquina – é título de uma chamada de primeira página do Estadão hoje. O tom menos agressivo, mas não tão conciliador, do presidente no pronunciamento em cadeia de televisão ontem o surpreendeu

3 – Haisem – Como você recebeu o fuzilamento sumário do epidemiologista paulista David Uip pelas hostes bolsonaristas nas redes sociais depois que o presidente Jair Bolsonaro exibiu receita de dioxicloroquina aviada por sua clínica para combater a pandemia

4 – Carolina – O que você tem a dizer sobre a votação marcada para hoje do plano emergencial para combate à covid-19 pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de uma pauta-bomba liberando 180 bilhões de reais para socorrer os Estados e congelando o Plano Mansueto

5 – Haisem – A seu ver, o Senado fez bem em recorrer contra a decisão do juiz federal Itagiba Catta Pretta Neto de bloquear verbas dos fundos partidário e eleitoral para beneficiar tratamento da convid-19

6 – Carolina –  Você se surpreendeu com a notícia de que a covid-19 matou mais em 43 dias do que dengue, H1N1 e sarampo ao longo de 2019

 

 

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Comentário no Jornal Eldorado: Amém a Bolsonaro não salva

Comentário no Jornal Eldorado: Amém a Bolsonaro não salva

O Brasil registrou ontem, em atualização da plataforma do Ministério da Saúde, 3.904 casos confirmados da covid-19, transmitida pelo novo coronavírus. O número corresponde a 487 novas confirmações em relação à última atualização, feita sexta-feira, dos dados da pandemia no País, 14% de incremento.  As mortes pela doença chegam a 114, com aumento de 22 casos em relação à última contagem. O índice de letalidade está em 2,9%. Ou seja: como qualquer pessoa sensata já esperava, não se confirmou a profecia do pastor Josué Valandro Jr., da igreja batista Atitude, do Rio, de que, com a graça de Deus e a força do presidente, nenhum brasileiro morreria da pandemia no domingo de Ramos, em que Jair Bolsonaro ouviu berros de amém à frente do jardim  do Palácio de Alvorada, em resposta a seus sermões de guerra;

Para ouvir comentário clique no play abaixo:

 

Para ouvir no Blog do Nêumanne no Estadão, clique aqui. 

Assuntos para comentário da quarta-feira 8 de abril de 2020

1 – Haisem – País tem 114 mortos num dia; cidades relaxam quarentena – diz a manchete de primeira página do Estadão de hoje. O que as duas notícias trágicas explicam uma a outra

2 – Carolina – Justiça destina para saúde verba da corrupção – revela outro título de chamada de primeira página do Estadão. Você acha que providências desse tipo ajudam mesmo a deter a velocidade de contágio do novo coronavírus nas três próximas semanas, previstas como as mais trágicas para nós pelos especialistas

3 – Haisem – Será que a decisão do juiz Itagiba Catta Preta Neto bloqueando fundos partidário e eleitoral para usá-los no combate à pandemia sobreviverá aos recursos e às manobras dos chefões partidários

4 – Carolina – O que você achou do anúncio feito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de que a instituição reduzirá R$ 150 milhões de suas despesas para contribuir com o esforço nacional contra a contaminação pelo novo coronavírus

5 – Haisem – O que você tem a dizer sobre a declaração do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de que ainda é cedo para investir na dioxicloroquina como remédio para a covid-19 e da cobrança dos bolsonaristas para o infectologista David Uip revelar se lhe foi ministrado ou não o remédio para malária em seu processo de cura

6 – Carolina – Qual é sua opinião sobre a velocidade da distribuição dos tais 600 reais por mês pelo Ministério da Cidadania usando a Caixa Econômica Federal para assalariados de renda mais baixa, autônomos e microempresários

 

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Comentário no Jornal da Gazeta: Uip cobra respeito de Bolsonaro

Comentário no Jornal da Gazeta: Uip cobra respeito de Bolsonaro

Na trilha do general Augusto Heleno, que virou bobo da corte do Planalto, Bolsonaro publicou receita de diaxicloroquina da clínica do epidemiologista David Uip, tentando atingir o governador de São Paulo, João Doria. Reformado como capitão em processo em que era acusado de terrorismo, presidente nada ganha violando  sigilo da saúde de médico muito respeitado.

Para ver comentário no Jornal da Gazeta da quarta-feira 8 de abril de 2020, às 19 horas, clique no play abaixo:

 

 

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Comentário no Jornal Eldorado: E a caneta de Bolsonaro?

Comentário no Jornal Eldorado: E a caneta de Bolsonaro?

O fim de semana foi marcado por encontros que o presidente Bolsonaro manteve com aglomerações na frente do portão do Palácio da Alvorada, onde mora, e num templo evangélico na comemoração do domingo de Ramos, reuniões que configuravam claro enfrentamento do isolamento social aconselhado pelo Ministério da Saúde de seu governo para combater o novo coronavírus. Nesses encontros deixou clara sua insatisfação com o titular da pasta, Luiz Henrique Mandetta, afirmando que tinha a caneta para demitir as estrelas de seu ministério. Na segunda-feira 6 chegou a ser noticiado que ele tinha resolvido demitir o ministro, mas a demissão não se confirmou evitada por pressões do STF, do Congresso Nacional e de generais no Planalto. Quanto à caneta, ninguém sabe, ninguém viu.

Para ouvir comentário no Jornal Eldorado da terça-feira 7 de abril de 2020, às 19 horas, clique no play abaixo:

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique aqui.

Assuntos para comentário da terça-feira 7 de abril de 2020:

1 – Haisem – Mandetta fica e pede melhor condição para trabalhar – diz título de chamada de primeira página no Estadão de hoje. Que lições traz a crise que o presidente Jair Bolsonaro criou ao anunciar que demitiria o ministro da Saúde

2 – Carolina – O que, de fato, você acha que aconteceu para fazer o presidente mudar de opinião e, no fim das contas, manter o ministro em sua pasta

3 – Haisem – O que o levou a comparar Jair Messias Bolsonaro com o pastor norte-americano Jim Jones que, em 1978, levou milhares de seguidores ao suicídio coletivo em Jonestown, na Guiana, em seu artigo publicado ontem no Blog do Nêumanne

4 – Carolina – Os especialistas que o governador de São Paulo, João Doria, levou para a entrevista coletiva em que fez o anúncio da novidade o convenceram de que realmente a extensão da medida era necessária

5 – Haisem – Que razões você acha que levaram o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski a exigir o aval dos sindicatos nos acordos trabalhistas que suspendem parte da jornada e do salário propostos pelas empresas aos empregados durante a pandemia

6 – Carolina – Você acha que é para valer a ameaça de suspensão de acordos comerciais da China com o Brasil por causa da provocação feita pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, nas redes sociais

 

 

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