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No Estadão desta quarta-feira: Que diacho de democracia é esta?

No Estadão desta quarta-feira: Que diacho de democracia é esta?

Será que os tucanos pensam que, anistiando Lula agora, eles também serão perdoados?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso praticamente lançou uma campanha nacional pela anistia exclusiva de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, na convenção de seu partido, o PSDB, que fingiu, ao longo de 13 anos e meio, ser oposição e depois entrou, mas agora saiu, do governo-tampão de Michel Temer. “Prefiro combatê-lo na urna do que vê-lo na cadeia”, disse. Noves fora o erro de português na frase (do que no lugar de uma simples preposição a), a sentença é um habeas corpus preventivo que nem Gilmar Mendes concederia. O “presidenciável” do PT foi condenado a nove anos e meio de prisão na primeira instância, aguarda julgamento de recurso na segunda e as possibilidades de ele vir a ser inocentado são mínimas. O que autoriza o sociólogo a considerá-lo apto a ser votado, se a Lei da Ficha Limpa não o permitiria?

Bem, os destaques da reportagem que relatou esse disparate, assinada por Anne Warth, Daiene Cardoso, Felipe Frazão e Pedro Venceslau, publicada na página A4 deste jornal no domingo 10, a respeito da convenção da véspera, sábado 9, passam a impressão, talvez imprecisa, de que os tucanos têm uma razão forte para isso. “As urnas os condenarão (Lula e o PT) pelo desgoverno, pelo desmonte e pelas obras inacabadas”, disse o presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, governador de São Paulo e pule de dez na posição de disputante da sucessão presidencial pela legenda. Como Mané Garrincha perguntou ao técnico Feola no vestiário da partida contra a União Soviética na Copa da Suécia, os senhores combinaram com os russos?

Que nada! As ruas roucas de tanto gritar se calaram, mas qualquer pessoa que frequente um bar de periferia em qualquer metrópole brasileira sabe que nada disso resiste a um átimo de raciocínio racional. Primeiramente, para Lula se candidatar a Justiça terá de absolvê-lo, partindo do pressuposto de que o multirréu está certo: é perseguido pela Polícia Federal (PF), pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Justiça. Ou seja, sem chance!

Last but not least – por último, mas não menos importante –, como diriam os súditos de Elizabeth II, o ninho do tucanato empavonado afunda na titica. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) chegou tão perto de vencer a eleição contra Dilma e Temer que não faltam argumentos lógicos a quem acredita que a disputa foi fraudada. Desse fato emergiu a possibilidade de o neto do dr. Tancredo brilhar no cenário nacional como a voz do contra, aquele que poria fim aos desmandos e à roubalheira patrocinados pela aliança PT-PMDB na dúzia de anos anteriores. Mas qual o quê?! O sonho de consumo da sociedade indignada perdeu o cartaz ao ser identificado como “Mineirinho” no propinoduto da Odebrecht.

Flagrada com a boca na botija imunda, a esperança nacional reencarnada passou a ser vista como um réprobo, uma figura a respeito da qual nenhuma família decente comenta algo na ceia diante das crianças. Seus instintos assassinos revelados entre palavras de baixíssimo calão lhe reservaram um lugar no fundo do lixo da História, ao lado dos notórios Eduardo Cunha e Sérgio Cabral. E o partido afundou junto no lamaçal da vergonha alheia. Sua passagem pelo ato em que Fernando Henrique e Alckmin falaram foi sintetizado no olho da reportagem do Estado a esse respeito: “Investigado na Lava Jato, senador mineiro não foi anunciado em convenção, não fez discurso e foi vaiado”.

Essas duas evidências, se não eliminam, no mínimo dificultam esse paraíso na Terra dos tucanos emplumados no qual o multirréu será perdoado e ungido candidato só para perder para Alckmin. Baseados em quê? “Eu ganhei de Lula duas vezes”, contou Fernando Henrique. É verdade. E daí? Por enquanto, o PSDB perdeu até o respeito pela própria História, ao aceitar cargos do presidente que os derrotou nas urnas e não fechar questão em prol da reforma da Previdência – não por ele, mas por nós.

Há, entretanto, algo ainda mais sórdido e grave na escolha de Lula como rival preferencial pelos tucanos nas eleições gerais do ano que vem: é a suprema soberba que os maiorais do partido assumem de que eles se acham acima do bem, do mal e da Constituição. Que autoridade tem o PSDB para abolir o Estado de Direito, no qual o império deve ser da lei (e não dos parlapatões da política), para atropelar uma norma legal de iniciativa popular e firmar um alvará de soltura para um condenado contra o qual foram apresentadas carradas de denúncias, delações e provas? A Veja da semana traz uma foto de Lula com o ex-ditador líbio Muamar Kadafi ilustrando a notícia de que, em sua proposta de delação, o ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de madame Rousseff promete contar que o PT recebeu US$ 1 milhão para a campanha do então candidato e presidente, em 2002. Agora já não se trata apenas de corrupção pesada, mas de grave crime de traição à Pátria. Ao qual os tucanos se acumpliciam.

Enquanto Lula “voltava à cena do crime” (no dizer de Alckmin) no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e cometia o desatino de inculpar policiais federais, procuradores e o juiz Sergio Moro pela roubalheira na Petrobrás, cometida em seus dois mandatos e em mais um e meio de sua afilhada, os tucanos ofereciam seu pescoço ao eleitorado. Isso lembra o conselho de Antônio Carlos Magalhães, que os tucanos adotaram como deles, de não votarem o impeachment do “sapo barbudo” (apud Brizola) para “sangrarem o porco” na eleição de 2006. Resultado: Lula esmagou Alckmin em 2006 e Dilma repetiu o feito sobre Serra em 2010 e Aécio em 2014. Como disse Talleyrand sobre os Bourbons, os sabichões “não aprenderam nada e não esqueceram nada”.

Será que eles acham que, se anistiarem seu adversário preferido, também serão eles perdoados? OK, está tudo muito bom, está tudo muito bem, eles venceram, batatas fritas… Mas, nesse caso, que diacho de democracia é a esta, hein?

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pag.2ª do Estado de S. Paulo da quarta-feira 13 de dezembro de 2017)

Comentário no Podcast Comentaristas da Jornal Eldorado: E a mala é crime, sim!

Comentário no Podcast Comentaristas da Jornal Eldorado: E a mala é crime, sim!

Meu Direto ao Assunto abriu o Podcast Comentaristas da Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na terça-feira 12 de dezembro de 2017 tratando dos seguintes temas: o homem da mala atribuída a Temer virou réu; Marun vinga o chefão antes de assumir a Secretaria de Governo; Lula e Bolsonaro são ameaçados de punição por antecipação de campanha por Gilmar; e os humores mutantes sobre a possibilidade de aprovação da reforma da Previdência. Eliane Cantanhêde abordou os empresários em ação pela reforma da Previdência (o que eles têm mesmo a ver com isso?) e o Rio continua lindo, mas…. está cada vez mais sem candidatos em 2018, enquanto agora mais dois são condenados. Alexandre Garcia comentou Rocha Loures viando réu; o fiscal da Receita que trabalhou por 24 anos para a JBS; e o caixa dois de Haddad. E, em Direto da Fonte, Sonia Racy informou sobre a idade do homem e da mulher para aposentadoria.

Para ouvir meu comentário, clique no play abaixo:

Para ouvir todos os comentários, clique no link abaixo:

http://brasil.estadao.com.br/blogs/estadao-podcasts/ouca-os-colunistas-do-jornal-eldorado-desta-3a-feira-12-12-17/

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http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/a-mala-e-crime-sim/

Comentário no Jornal Eldorado: De quem é o dinheiro?

Comentário no Jornal Eldorado: De quem é o dinheiro?

O ex-deputado e ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures está solto. A decisão de torná-lo réu em primeira instância foi inusitadamente rápida e não deixa dúvidas quanto à realização do crime. Resta saber como a Polícia Federal e o Ministério Publico Federal produzirão as provas necessárias para chegar à pessoa à qual a quantia era destinada. Não é lógico que seja o próprio Loures, um mero estafeta que ocupava um gabinete no Palácio do Planalto. Mas não basta lógica. São necessários fatos. O Supremo Tribunal Federal ainda poderá julgar o pedido do advogado do presidente Temer, Eduardo Carnelós, para devolver o processo ao STF pelo fato de a natureza do crime ser a mesma. De qualquer maneira, ficou muito claro que Temer, Moreira e Padilha temem mesmo o avanço da investigação até eles perderem seu foro privilegiado. E a retórica do STF não engana ninguém com mais de 30 de QI. Impunidade dos poderosos é lá mesmo.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na terça-feira 12 de dezembro de 2016, às 7h30m)

Para ouvir, clique no play abaixo:

Ou clique no link abaixo e, em seguida, no play:

https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-1212-direto-ao-assunto

Para ouvir Vingança, com Lupicínio Rodrigues, clique no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=ZXFginzWtFc

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http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/de-quem-e-o-dinheiro/

Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 12 de dezembro de 2017 – Terça-feira

Em que a decisão da primeira instância de tornar réu Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala, pode mudar o destino da investigação sobre o “quadrilhão do PMDB” e o presidente Temer?

O juiz Jaime Travassos Sarinho aceitou denúncia do Ministério Público Federal e transformou o ex-assessor do presidente Michel Temer Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) em réu no caso da mala de 500 mil reais entregue por um executivo da JBS. Gravado e filmado em negociações e ao receber uma mala, o ex-assessor presidencial irá responder ao processo penal na 10ª Vara Federal em Brasília por corrupção passiva.

A denúncia é a mesma oferecida contra Michel Temer por crime de corrupção passiva e que teve o prosseguimento inviabilizado por decisão da Câmara dos Deputados. Após a decisão dos deputados, o relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enviou para a primeira instância a parte da acusação formal que trata de Loures. A acusação foi retificada pelo procurador Frederico Paiva, na Procuradoria do Distrito Federal.

No entendimento do juiz Jaime Sarinho, verifica-se que “há substrato probatório mínimo que sustenta a inicial acusatória, existindo, portanto, justa causa pra a deflagração da ação penal”. Sarinho é juiz auxiliar na 10ª Vara Federal, em Brasília, e participa de sorteio de processos que não envolvam lavagem de dinheiro e organização criminosa. O caso foi sorteado entre ele, o juiz titular Vallisney de Souza Oliveira e o substituo Ricardo Leite.

Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala de 500 mil reais  do executivo da JBS Rcardo Saud. O ex-assessor seria um intermediário entre o presidente e o empresário Joesley Batista. O pagamento era parte de 38 milhões de reais que Batista teria prometido para que o grupo político do presidente atuasse em assuntos de interesse da JBS no Cade – Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Ao receber a denúncia, o juiz afirmou que os relatos da acusação estão “materializados” nos relatórios policiais, áudios, vídeos, fotos e diversos documentos colhidos na investigação feita pela Polícia Federal e PGR. Sarinho elenca doze documentos que, em tese, materializam a acusação contra Rocha Loures. Entre eles, o áudio da conversa entre Joesley Batista e Rocha Loures, os relatórios de análises produzidos com base nas conversas interceptadas do ex-assessor e os depoimentos de Joesley, Ricardo Saud e de Florisvaldo Caetano, todos funcionários do Grupo J&F.

“Concluo que a peça acusatória cumpre os requisitos formais, descreve fatos que, em tese, são criminosos e está amparada em elementos de convicção que, em exame preliminar, confortam as circunstâncias de fato e de direito nela relatadas”, apontou o juiz em seu despacho.

Rocha Loures está solto. A decisão de torná-lo réu em primeira instância foi inusitadamente rápida e não deixa dúvidas quanto à realização do crime. Resta saber como a Polícia Federal e o Ministério Publico Federal produzirão as provas necessárias para chegar à pessoa à qual a quantia era destinada. Não é lógico que seja o próprio Loures, um mero estafeta que ocupava um gabinete no Palácio do Planalto. Mas não basta lógica. São necessários fatos. O Supremo Tribunal Federal ainda poderá julgar o pedido do advogado do presidente Temer, Eduardo Carnelós, para devolver o processo ao STF pelo fato de a natureza do crime ser a mesma. De qualquer maneira, fica claro de que Temer, Moreira e Padilha temem mesmo o avanço da investigação até o momento em que eles próprios vierem a perder o foro privilegiado. E, sobretudo, que aquela farofa retórica do STF não deve enganar ninguém com mais de 30 de QI. Impunidade dos poderosos é com ele mesmos.

A Coluna do Estadão informa que o relator da CPMI da JBS, deputado Carlos Marun (PMDB MT), vai pedir o indiciamento do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot na Lei de Segurança Nacional por ter concluído que ele instruiu o empresário Joesley Batista a gravar uma conversa com o presidente Michel Temer para produzir provas contra o peemedebista. Isso faz algum sentido?

Além de Janot, o relator também pedirá o indiciamento pelo mesmo motivo do ex-chefe de gabinete da PGR Eduardo Pelella e do ex-procurador Marcelo Miller. A conversa, no Palácio do Jaburu, serviu de prova para Janot denunciar o presidente Temer. A Câmara, contudo, negou abertura de processo contra o presidente pelo Supremo. Marun diz que os depoimentos e dados colhidos pela CPMI o fizeram chegar a essa conclusão. O deputado apresenta seu relatório hoje. A previsão é que deve haver pedido de vista, o que adiará a votação do texto. Depois de amanhã, Marun assume a Secretaria de Governo no lugar do ministro Antonio Imbassahy, de acordo com matéria dos repórteres da coluna  Leonel Rocha e Renan Truffi.

Marun, o anônimo deputado de primeiro mandato que atraiu os holofotes quando se prestou a todos os serviços de criado de quarto, valet de chambre, do presidiário Eduardo Cunha, chegou ao poder prestando o mesmo tipo de serviços, deixa comigo que eu faço o que o mestre mandar, para o presidente e o grupo acusado de pertencer junto com Cunha ao que Janot chamou de “quadrilhão do PMDB” Cunha, Henriquinho e Geddel na cadeia, Rocha Loures solto, mas agora réu e os três mandachuvas Temer, Moreira e Padilha. Janot pôs os pés pelas mãos e saiu da Procuradoria Geral da República sem explicar suas lambanças, a mais evidente das quais foi a mudança de patrão do procurador Marcelo Moller. Mesmo assim, a interpretação de Marun a esta altura parece mesmo vingança, nada mais; É coisa pra samba canção de Lupicínio Rodrigues, como conta o crítico Zuza Homem de Melo em seu livro Copacabana. Pelo que se depreende da notícia em questão, a vingança da turma é não deixar pra Janot nem um cantinho de seu pra poder descansar.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, disse que atos antecipados de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro poderão levar à condenação por abuso de poder econômico e à cassação de uma eventual diplomação caso sejam financiados de maneira irregular. Será que o TSE pode chegar a esse ponto?

Na semana passada, Gilmar foi voto vencido em decisões que rejeitaram processos contra os dois pré-candidatos sob a acusação de antecipação da campanha eleitoral. Segundo ele, o tribunal voltará a discutir o assunto em fevereiro e poderá adotar uma posição mais “enfática”.

Em sua avaliação, a pergunta que deve ser respondida é não apenas se há campanha antecipada, mas quem a está financiando. “Há estruturas aí que já passam – jatinhos, deslocamentos de caravanas, ônibus, reunião organizada de pessoas e tudo mais. Tudo isso precisa ser avaliado. Acho que esse vai ser o tema do tribunal já em fevereiro”, afirmou o ministro em Washington, onde participou de assinatura de convênio que prevê o envio de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) para acompanhar as eleições presidenciais do próximo ano. “Alguém está financiando isso.” Gilmar disse que os ministros terão de traçar uma “linha”, além da qual atividades de candidatos antes do início oficial da campanha serão consideradas irregulares. Para ele, esse limite já foi ultrapassado por Lula e Bolsonaro. “Quem está financiando? Isso pode levar ao reconhecimento de abuso de poder econômico, que pode levar à própria cassação do diploma. É preciso ter muito cuidado com isso”, afirmou. “Mas isso está sendo registrado, embora nós tenhamos evitado – eu fui voto vencido – a aplicação de uma sanção”. Gilmar reconheceu que há uma “lacuna” na legislação, que dificulta a fiscalização de atos na fase de pré-campanha. O ministro voltou a manifestar preocupação sobre a potencial influência econômica do crime organizado nas eleições gerais de 2018, nas quais serão escolhidos o presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais.

A primeira coisa a destacar nesta notícia é que Gilmar está em Washington. Estes ministros do Supremo não param de viajar. A última votação no colegiado ficou em suspenso porque o ministro Luis Roberto Barroso estava viajando. Só viajam, não param quietos para votar o que precisam votar. A segunda coisa é que tudo não passa de farofa retórica, lero lero. A Justiça Eleitoral não merece essa denominação porque tudo corre solto para candidatos, partidos e políticos em geral. A História está cheia de exemplos em que delitos eleitorais passam batidos e esse da campanha antecipada corre solto desde que a instituição foi criada. O exemplo mais claro dessa evidência foi a absolvição por excesso de provas da campanha de Dilma e Temer em 2014 na campanha mais corrupta da História. Aposto que nada vai acontecer em relação a isso e serve apenas a Gilmar para cumprir sua determinação de não sair dos holofotes da fama. Se trabalhassem mais e aparecessem menos esses senhores togados fariam melhor pela democracia.

Na sua opinião, quais são as chances de a reforma da Previdência vir a ser aprovada ainda este ano, como prentende o governo?

Emanuel Bomfim disse ontem no Estadão às 5 que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, muda mais de humor do que de camisa. Ontem foi o dia de ele estar mal humorado. E falou sobre a importância de se ter um quórum suficiente para discutir e votar a reforma da Previdência.  Toca aí, Nelson

SONORA 1212 MAIA

Em compensação, o ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira, teve mais calma para comentar os desafios de aprovar a reforma, não mais este ano, que parece improvável, mas sim no ano que vem:

SONORA 1212 OLIVEIRA

Certo é que o texto proposto pelo governo para a reforma da Previdência, apesar de necessário, não vai resolver o problema da aposentadoria no Brasil. Essa é opinião do professor da PUC-RJ José Marcio Camargo e do presidente do Insper, Marcos Lisboa. Segundo eles, após as alterações realizadas pela equipe de Michel Temer para conseguir sua aprovação no Congresso, possivelmente, o próximo governo já terá de propor novas alterações. Os economistas participaram ontem do Fórum Reforma da Previdência, evento organizado pelo ‘Estado’ e que reunião estudiosos e especialistas do setor com o ministro da da Secretaria-Geral, Moreira Franco. Eles discutiram os pontos centrais do projeto em debate no Congresso Nacional e as alternativas para a seguridade social brasileira

Questionado pela colunista do ‘Estado’ Vera Magalhães, mediadora do evento, se o atual projeto proposto pelo governo de Michel Temer seria suficiente para resolver a questão do défcit da Previdência, o economista José Marcio Camargo, da PUC-Rio, foi enfático: “Teremos de fazer outra reforma”, disse. O presidente do Insper, Marcos Lisboa, fez uma abordagem semelhante e observou que a reforma foi fatiada. “Foi uma opção que foi feita”, disse.

O humor de Rodrigo Maia pode virar feito biruta de aeroporto, mas as concessões que o governo tem sido obrigado a fazer confirmam que isso de nada adianta, pois não é realista pensar que a reforma como está sendo proposta vai ter o papel que dela se espera de salvar as contas públicas.

SONORA Vingança Lupicínio Rodrigues

https://www.youtube.com/watch?v=ZXFginzWtFc

Estadão às 5, transmitido pela TV Estadão: O homem da mala é réu

Estadão às 5, transmitido pela TV Estadão: O homem da mala é réu

A notícia de que o deputado federal afastado e ex-assessor de extrema confiança de Temer Rodrigo da Rocha Loures, filmado ao sair às pressas da Pizzaria Camelo carregando uma mala com R$ 500 mil, que, segundo Joesley Batista, da JBS, que se fez passar por ele para entrar à noite no Palácio do Jaburu para um encontro com o presidente, seriam destinados a este, virou réu na primeira instância é alvissareira por dois motivos. Primeiro porque ele mesmo, pelo visto, não ficará impune sob a égide do STF. A segunda é que a investigação do caso em si não será extinta com a volta à alçada do STF, como queria Carnelós, o advogado do chefe do governo. Este é um dos assuntos do Estadão às 5, transmitido pela TV Estadão direto de seu estúdio no meio da redação do jornal, ancorado por Emanuel Bomfim, comentado por mim e retransmitido pelas redes sociais Twitter, Periscope Estadão, Youtube e Facebook na segunda-feira 11 de dezembro de 2017, às 17 horas.

Para ver o vídeo clique no link abaixo:

Para ver no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/os-segredos-da-mala/

Artigo do Blog do Nêumanne: E tudo está no seu lugar mesmo?

Artigo do Blog do Nêumanne: E tudo está no seu lugar mesmo?

Ao comemorar vitória sobre oposição, Marun cantou Tudo está no seu lugar., mas talvez nem tudo esteja

“O deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS), relator da CPI mista da JBS e defensor de primeira hora do presidente Michel Temer, está sendo processado por improbidade administrativa quando era presidente da Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab). Em denúncia do Ministério Público Estadual, aceita pela Justiça, Marun é acusado, com outros 13 réus, de causar lesão ao erário em valores estimados em R$ 16,6 milhões.”

O parágrafo acima não foi escrito pelo autor deste texto, mas tem as credenciais de qualidade e veracidade do repórter Luiz Maklouf de Carvalho. E o aval, dado em 26 de setembro de 2017 por este Estado mais que centenário, cuja credibilidade foi amealhada mercê de suas lutas contra a escravidão, pela República, pela Constituição em 1932, contra o Estado Novo e contra a ditadura militar, que ajudou a deflagrar. Lá se vão 72 dias desde então e ela pode ser reproduzida praticamente na íntegra. A única substituição a fazer é a do cargo do parlamentar. Nestes primeiros dias da semana ele encerra o serviço que faz para o chefe Temer para desacreditar o trabalho nada defensável de Rodrigo Janot na tentativa de investigar o presidente. Sem, evidentemente, convencer ninguém de que o chefe do governo tem razão em proclamar a própria inocência na conversa que manteve com o réprobo Joesley Batista, da JBS, no porão do Palácio do Jaburu. O encontro só ocorreu por ter este berrado o codinome Rodrigo, prenome do então estafeta de confiança do presidente, que trocaria logo depois o gabinete do Palácio do Planalto pelo próprio lar no qual cumpre prisão domiciliar por haver sido filmado correndo com uma mala na qual foram encontrados R$ 35 mil a menos que os proclamados R$ 500 mil, depois também devolvidos ao dono desconhecido, que nunca surgiu para recolher a bufunfa e depositá-la num banco, sempre depois, como sói acontecer com correntistas normais, de justificar e provar a origem. Trata-se de Rodrigo Rocha Loures, deputado afastado após haver protagonizado a piada pronta: o cenário do vídeo é a Pizzaria Camelo, confirmando o ditado popular de que neste país malfeitos tendem a terminar em pizza.

Concluída a tarefa inglória, o ex-presidente da Agehab de Mato Grosso do Sul dedicar-se-á à outra, talvez mais árdua: articular o eufemismo dos eufemismos, de preferência pronunciado entre mesóclises e apodos, a dita base do governo. Sua missão será garantir os três quintos – 308 dos 513 votos de deputados federais e 47 dos 81 senadores – para aprovar a reforma da Previdência. Ou seja, lá o que for que esta tenha virado depois de devidamente pasteurizada por providências atenuadoras patrocinadas pelo relator Arthur Maia, sob a vigilância do chefe-mor e a débil aprovação de Henrique Meirelles.

O réu por improbidade administrativa vai realizar o sonho de consumo dos colegas que pertencem ao soit-disant Centrão, que, em troca de sua fidelidade canina, farão tudo o que o mestre desejar para minorar no que for possível o enorme sacrifício a ser feito pelo contribuinte para bancar mais uma vez, com a ajuda do alarido da esquerda que perde, mas não desanima, o déficit previdenciário nas contas públicas. Ele comandará o ambicionado gabinete onde se articulam as relações ditas institucionais (nem sempre confessáveis, ainda que se tornem públicas) do Poder Executivo com o Legislativo. Quando a chefia da Casa Civil era ocupada no primeiro governo Lula pelo comissário José Dirceu, o encarregado da tarefa era Valdomiro Diniz, flagrado em vídeo achacando o bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira. Este foi condenado. E Dirceu também, embora goze no momento do privilégio de sambar de tornozeleira na mansão em que se diverte com a mulher e a filha enquanto cumpre pena por furto qualificado. Valdomiro perdeu o poder, o cargo e a fama, mas desliza sorrateiramente pelo anonimato nas quadras de Brasília.

Tendo o cargo recebido nome pomposo e poder real, assumiu-o no governo Temer o amigo do peito do chefe Geddel Vieira Lima. Filho do ex-deputado Afrísio e irmão do deputado Lúcio, o listado como “Carainho” no propinoduto da Odebrecht era chamado de suíno nos bancos da escola de que saiu qualificado de in-su-por-tá-vel por pelo menos um colega célebre, o poeta Renato Russo, aquele do Legião Urbana. Geddel meteu-se em palpos de aranha. Na Secretaria de Governo e amigo do “home”, chamou na chincha o ministro da Cultura, Marcelo Calero, para forçar a liberação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de certo edifício de luxo que ultrapassava gabaritos e tinha contabilidade pouco ortodoxa na Bahia de Todos os Santos, alguns nem tanto. Calero perdeu o emprego, mas logo Geddel se enredou na própria teia e também dançou. Na cela chorou como um bebê inconformado e foi premiado pela loteria dos habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas logo perderia a liberdade porque a Polícia Federal (PF) atribuiu ao clã Vieira Lima a propriedade de um apartamento que serviu de depósito para R$ 51 milhões em cédulas. Foi preso de novo e as investigações incriminaram a mãe, dona Marluce, e o mano deputado, levando o relator do caso no STF, o ministro Luiz Edson Fachin, a interditar a obra do edifício que, antes de ser construído, derrubou dois ministros. Que obra, hein?

No gabinete do Planalto o amigo-em-chefe instalou outro baiano, o tucano Antônio Imbassahy, formado nas hostes do dr. Antônio Carlos Magalhães e atualmente sob a égide do tucanato de fina plumagem. O chefe de todos recebeu a sugestão de aliados leais do tal Centrão de trocá-lo por alguém mais confiável e correligionário, o deputado de primeiro mandato Carlos Marun, para tornar viável o que até agora parece no mínimo incerto: aprovar a emenda constitucional da reforma da Previdência. O tucano ficou furioso, disse que dali não saía, dali ninguém o tirava e Aécio Neves foi a palácio exigir tratamento digno para os seus. Imbassahy foi, então, mantido até sexta, 8, véspera da convenção do PSDB, na qual o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi feito presidente nacional do partido e seu presumível candidato à Presidência da República em 2018. Mas há quem diga que quem ainda mandava e desmandava era o presidiário, não o ministro.

Carlos Marun não é um anônimo. Ele se destacou como feroz defensor de Eduardo Cunha quando o ex-presidente da Câmara dos Deputados e também ex-deputado, ainda filiado ao PMDB, seu amigo e protetor, entrou na alça de mira das operações de combate à corrupção. Organizou uma festa de aniversário do “Caranguejo” da Odebrecht com uísque e bolo de chantilly. Foi o único colega a discursar em defesa do mestre e um dos dez minguados votos que ele teve no plenário contra a cassação do mandato. Visitou o padrinho na cadeia, cobrando a passagem do contribuinte. Flagrado em pleno delito bajulando o amigo dileto, devolveu o dinheiro da passagem. E, quando isso aconteceu, já era o homem de confiança do chefe geral. Nessa condição, cantou Tudo está no seu lugar, sucesso de Benito de Paula, a cuja letra original ele acrescentou que a oposição nunca vai ganhar.

Agora, Sua Excelência assume a Secretaria de Governo com a dura responsabilidade de aprovar a reforma. Não vai ser fácil. Qualquer jejuno em matemática, caso do autor destas linhas, é capaz de prever que o Centrão tem força para derrotar qualquer emenda constitucional e, por isso, condição de chantagear. Mas, ao contrário do que os governistas esperam, faltam-lhe votos para aprovar, mesmo por pequena margem. A respeito da acusação, cuja notícia abriu este texto, tudo o que ele teve a dizer a Maklouf foi publicado no segundo parágrafo da reportagem, para sua defesa: “Estou me defendendo, e tenho certeza de que o processo resultará na minha absolvição”. Omitiu, é claro, as evidências que policiais, promotores e juiz possam ter a seu favor, como ele acredita e profetiza piamente.

Resta ainda saber até que ponto ele atenderá à expectativa de convencer 457 parlamentares a se deixarem seduzir por seu estilo truculento, que o colunista da Folha Bernardo de Mello Franco definiu como de “um pitbull no palácio”. Só aí se saberá se, enfim, de fato “tudo está no seu lugar”. Ou nem tudo?

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne, Politica, Estadão, na segunda-feira 12 de dezembro de 2017)

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