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No Blog do Nêumanne: O pato de Donald repetirá o patrão

No Blog do Nêumanne: O pato de Donald repetirá o patrão

José Nêumanne

Bolsonaro já avisou a quem interessar possa que seguirá modelo da invasão do Capitólio se perder a eleição de 2022 e não for adotado voto impresso, o que tem poucas chances de ocorrer

Duas notícias da semana passada, que aparentemente não têm relação entre si, revelam o alto risco corrido pela incipiente, mas até agora sólida, democracia brasileira de repetir autogolpes recentes da História da República: o de Getúlio, em 1937, e o da junta militar de 1969. O estancieiro gaúcho, que havia amarrado os cavalos da tropa no obelisco no Rio, em 1930, submeteu o movimento constitucionalista dos paulistas, em 1932, e assumiu a ditadura escancarada cinco anos depois, interrompendo a eleição presidencial em plena disputa entre Armando de Salles Oliveira e José Américo de Almeida. Após o impedimento do segundo presidente sob o golpe de 1964, marechal Costa e Silva, o vice-presidente civil, udenista e mineiro Pedro Aleixo, que se opusera ao Estado Novo getulista, teve a posse vetada, 32 anos depois, por uma junta militar. Composto pelo almirante Augusto Rademaker, pelo general Lira Tavares e pelo brigadeiro Márcio de Sousa Melo, o triunvirato escancarou a ditadura com “eleições” indiretas de três generais: Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.

Em 7 de janeiro passado, o capitão terrorista Jair Bolsonaro anunciou, sem medo de ser feliz, ao comentar o fiasco do golpe de seu patrão ianque, Donald Trump, na véspera, Dia dos Santos Reis: “Se nós não tivermos o voto impresso em 2022, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos”. Mais tarde, na live semanal de quinta-feira, insistiu: “Qual o problema nisso? Estão com medo? Já acertaram a fraude para 2022? Eu só posso entender isso aí. Eu não vou esperar 2022, não sei nem se vou vir (sic) candidato, para começar a reclamar. Temos que aprovar o voto impresso”. Eis a crônica do autogolpe anunciado, sem pudor, sem lógica e sem admitir contraditórios.

Em março passado, o presidente disse que apresentaria provas de que o pleito presidencial de 2018, vencido por ele, foi fraudado. Como de hábito, estava blefando: nunca apresentou sequer um indício de que o resultado da eleição tenha sido alterado de forma ilícita, contrariando a vontade do eleitor. Em novembro, seu patrão, Trump, perdeu a reeleição para o democrata Joe Biden por diferenças abissais: 74 delegados dos 50 Estados (306 a 232) e 8 milhões 59 mil e 741 sufrágios na votação popular (81.283.485 a 74.223.744). No entanto, abusou da “regra três” (como cantavam Toquinho e Vinicius no século passado), ao reclamar, sem provas, de ter sido “furtado”. Mas, como seu pato dos trópicos, o patrão ianque não revelou um indício de fraude que fosse, teve todas as ações rejeitadas nos Estados e não recebeu a proteção com que contava na Suprema Corte, onde seis dos nove ministros são conservadores, incluindo a última, que ele próprio indicou, Amy Coney Barrett ao arrepio da evidência de abuso pelos poucos dias que faltavam para o fim do mandato.

Como seu pato tupiniquim, o patrão abusado protagonizou um escândalo de dimensões ciclópicas ao pressionar o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, em telefonema de uma hora, revelado pelo jornal que denunciou o escândalo Watergate, The Washington Post. Carl Bernstein, um dos autores da reportagem, disse à CNN que esse caso ainda é mais escandaloso que o de Richard Nixon. No entanto, Trump o superaria ao convocar, em comício, uma turba de radicais lunáticos a invadir por quatro horas o Capitólio, sede do Senado e da Casa dos Representantes (equivalente à nossa Câmara dos Deputados), provocando o maior quebra-quebra institucional da História da democracia dos pais fundadores, desde 1776, há 244 anos. O mundo inteiro desabou sobre a cabeça do presidente dos EUA, com uma exceção. Mais uma vez, Bolsonaro não se fez de rogado ao comentar o vexame fascistoide de seu ídolo: “Você sabe que sou ligado ao Trump. Então, você sabe qual a minha resposta aqui”.

Haverá alguma instituição no País pronta para segui-lo na aventura para ter êxito imitando o malogro de Trump? Apesar de sempre insinuar e, às vezes, afirmar que as Forças Armadas estão com ele e de manter em cargos bem remunerados oficiais da ativa e da reserva, invejáveis boquinhas, talvez não conte com sua ajuda numa aventura antidemocrática para impor o voto impresso. Que só interessa a seus amigos das milícias cariocas e aos coronéis que ainda restam nos grotões, alguns deles do Centrão. Na verdade, ele conta mesmo é com as milícias armadas, que parodiam o lema de seu mais novo aliado secreto, Lula da Silva: “O povo armado jamais será vencido”. O apoio que alicia é das Polícias Militares estaduais. E, segundo reportagem de Felipe Frazão, do Estadão em Brasília, já há no Congresso, à espera de votação, dois projetos de lei orgânica das Polícias Civil e Militar restringindo o poder de governadores sobre braços armados dos Estados e do Distrito Federal. Ninguém pode deixar de agir por desconhecimento. Na reunião ministerial de 22 de abril de 2020, gravada e transmitida para todo o País graças à clarividência do ex-decano do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, Sua Insolência defendeu claramente armar o que ele chama de “povo”. E mais: o capitão de milícias, que prestigia todas as formaturas de academias de PMs, não perde uma oportunidade de declarar sua posição favorável à tal “excludente de ilicitude”, que, na prática, inocenta todos os policiais acusados de abuso de autoridade em confrontos armados em comunidades, sejam quais forem as circunstâncias. Menos ainda o por enquanto presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Pois seu pai, o ex-prefeito César Maia, invocou o próprio testemunho para lembrar que, no golpe facistoide de Pinochet, no Chile, os “carabineiros” tiveram tal importância que o ditador adotou a corporação como quarta força armada. Nenhum dos 70 projetos de impeachment do candidato ao autogolpe, contudo, sai da gaveta do filhote, que, aliás, nasceu no Chile, não foi?

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda 11 de janeiro de 2021)

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Comentário no Jornal Eldorado: Bolsonaro segue Pinochet, diz César

Comentário no Jornal Eldorado: Bolsonaro segue Pinochet, diz César

Dois projetos tramitam no Congresso mudando leis orgânicas das Polícias Militares e Civis, tirando poder de governadores e violando a autonomia federativa prevista na Constituição. Na reunião de 22 de abril, Bolsonaro disse ter inteligência própria, embora lhe falte a propriamente dita, e grande parte dela está nas mãos de militares. Defende a excludente de ilicitude, que assegura impunidade a militares que matam em ações policiais E não perde uma cerimônia de formatura em academias militares, O pai de Rodrigo Maia, César Maia, lembrou que, no Chile, o golpe militar de Pinochet contou com os carabineros, por isso promovidos a quarta força armada. Muitos dos investigados na invasão do Capitólio no dia dos Santos Reis são de aparelhos de seguranças estaduais nos EUA.

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Assuntos para comentário da segunda-feira 11 de janeiro de 2021

1 – Projetos limitam poder de governadores sobre polícias civil e militar – Esta é a manchete da edição impressa do Estadão de hoje. Qual a sua avaliação sobre o propósito dessa iniciativa que interfere na autonomia federativa garantida pela Constituição

2 – Fim de auxílio pode jogar 3 milhões e 400 mil na extrema pobreza – Este é outro título forte de chamada na primeira página de jornal. O que ainda pode ser feito para evitar essa nova tragédia que atingirá os brasileiros mais pobres na completa tragédia social depois da pandemia e da recessão econômica dela resultante

3 – O que justifica, a seu ver, o pedido de explicações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa – ao Instituto Butantã, laboratório estadual paulista, para liberar para uso emergencial a Coronavac, que produz em parceria com o laboratório Sinovac chinês, no momento em que adota atitude oposta em relação à vacina da Astrozeneca em parceria com a Universidade de Oxford e a Fundação Instituto Oswaldo Cruz, federal,

4 – Para que aspecto do atual panorama jurídico chama a atenção a edição desta semana da série Nêumanne Entrevista com o desembargador Fausto De Sanctis do TRF-3, de São Paulo, que você publica desde ontem no Blog do Nêumanne no Portal do Estadão, sob o título Desembargador lamenta fim da Lava Jato

5 – 0 que você tem a dizer sobre o pedido de impedimento feito pelo desembargador Paulo Espírito Santo nos julgamentos relativos à Operação Lava Jato no Rio de Janeiro após atuar por mais de três anos no Tribunal Regional Federal da Segunda Região

6 – Câmara quer julgar Trump nesta semana – Esse é o título de uma chamada na primeira página do Estadão hoje. O que justifica essa reação radical do Congresso norte-americana à invasão do Capitólio na semana passada,

 

Direto ao Assunto no YouTube: O autogolpe de Bolsonaro e as PMs

Direto ao Assunto no YouTube: O autogolpe de Bolsonaro e as PMs

1 – Bolsonaristas tentam impingir ao Congresso reformas nas leis orgânicas das PMs e das polícias civis estaduais sabotando o controle dos governadores e realizando o antigo sonho do capitão de milícias de assumir poder absoluto com apoio das corporações responsáveis pela segurança publica. 2 – Sabujo ministro da Justiça processará os jornalistas Ruy Castro e Noblat, que ousaram sugerir ao presidente que se mate. Um nojo! 3 – Diretor do Butantã, com tradição de 119 anos em imunização, Dimas Covas desonra o posto e o sobrenome para servir ao jogo sujo de Doria na batalha limpa da imunização. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Nêumanne Entrevista Fausto De Sanctis

Nêumanne Entrevista Fausto De Sanctis

Desembargador lamenta fim da Lava Jato

O desembargador paulista Fausto De Sanctis, que, na primeira instância, condenou os corruptos do clube das empreiteiras em São Paulo na Operação Castelo de Areia, interrompida no STJ, lamentou a extinção das operações de combate à corrupção, como Lava Jato de Curitiba e do Rio e Greenfield de Brasília. Na série Nêumanne Entrevista, o especialista em lavagem de dinheiro denunciou o retrocesso provocado pelos Poderes Executivo e Legislativo e pela cúpula do Judiciário que torna o Brasil um péssimo exemplo no mundo inteiro pela demolição constante e corrosiva com que o governo Bolsonaro, o Congresso Nacional e os altos tribunais do Judiciário, e com a ajuda do MPF, tornam leis que de fato puniram criminosos do colarinho branco autênticos valhacoutos em que bandidos poderosos se refugiam. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Comentário no Jornal Eldorado: Trump, palhaço em busca de circo

Comentário no Jornal Eldorado: Trump, palhaço em busca de circo

Depois de espernear até não poder mais, perdendo todas as disputas judiciais e não convecendo seu vice, Mike Spence, a alterar o destino da reunião de confirmação no Congresso, o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu transição ordenada após truculenta invasão do Capitólio, que terminou por confirmar a vitória de Joe Biden. Mas não dá para confiar no republicano: a crônica do golpe anunciado desde que  venceu a democrata Hilary Clinton em 2016 e a aposta radical e desesperada que ele fez numa estratégia de confronto à democracia fundada pelos Pais Fundadores há quase dois séculos e meio levaram a um impasse, cuja única solução é impeachment para conter danos do quebra-quebra institucional que provocou esse palhaço em busca de um circo, como definiu o brasileiro Ophir de Toledo, que vive na Flórida.

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Assuntos para comentário na sexta-feira 8 de janeiro de 2021

1 – Bolsonaro liga 2022 a atos nos Estados Unidos e é criticado – Este é o título de uma chamada de primeira página na edição impressa do Estadão hoje. Você interpreta essa afirmação como aviso, ameaça, prevenção ou esperneio do presidente da República

2 – Cresce movimento para afastar Trump – Este é outro título de chamada da primeira página do jornal de hoje. E o que você me diz de o fato de Trump ter mudado o discurso para evitar ser punido deixando seu discípulo brasileiro sem apoio internacional para tentar produzir o anunciado “efeito Orloff” na próxima eleição

3 – Coronavac tem eficácia de 78%, Saúde pede 100 milhões de doses – Esta é a manchete de primeira página do Estadão de hoje. E agora, José? Essa notícia está pondo fim à guerra política pela vacina contra covid no Brasil ou você acha que ela mal começou

4 – País relaxa nos cuidados e chega a 200 mil mortes por covid – Qual o tamanho do susto causado por essa notícia trágica e até que ponto ela pode convencer os cidadãos brasileiros a adotarem a prevenção recomendada pelos especialistas para deter o contágio da pandemia

5 – Senadora pode ganhar 52 mil reais por 15 dias no cargo – O que você acha que há a dizer sobre um gasto tão absurdo nesse momento de agonia e apreensão por que passa o Brasil agora

6 – Genival Lacerda, ícone do forró, morre aos 89 anos de covid-19 – Esse é o título de chamada de capa no Portal do Estadão. Que recordações você pode trazer a nós e nossos ouvintes sobre esse grande nome da música regional nordestina que agora sai de cena

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