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Comentário no Estadão às 5: Segundo turno sui generis

Comentário no Estadão às 5: Segundo turno sui generis

Tudo indica que, além de um primeiro turno diferente com surpresas que pegaram de calças curtas até os institutos de pesquisa mais conceituados, esta eleição presidencial vai ter um segundo turno no mínimo sui generis. Quando se esperava, por exemplo, que, com uma margem de 20 milhões de votos para alcançar o primeiro colocado, Jair Bolsonaro, do PSL, o codinome de Lula, Fernando Haddad, do PT, fosse liberado para procurar alianças com candidatos derrotados para agregar forças, ele preferiu se agarrar ferrenhamente ao candidato de verdade, enquanto Jair Bolsonaro também não parecia interessado em garantir já os 50% mais um. Este é meu comentário no Estadão às 5, ancorado por Emanuel Bomfim e retransmitido do estúdio da TV Estadão na redação do jornal por Youtube, Twitter e Facebook na segunda-feira 8 de outubro, às 17 horas.

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Comentário no Jornal Eldorado: aprimorando a democracia

Comentário no Jornal Eldorado: aprimorando a democracia

A moda do momento no Brasil é desqualificar o primeiro turno da eleição presidencial a pretexto de condenar a radicalização entre esquerda e direita dos dois mais votados e que, por isso, estão no segundo turno. Esta é uma crítica de pessoas autoritárias e preconceituosas que se sentem acima do bem e do mal para julgar quem pode, ou não deve, presidir a República nos próximos quatro anos. A democracia brasileira só amadureceu e se fortaleceu com a disputa de um pleito que, ao contrário de muitos anteriores, não foi deturpado nem fraudado por campanhas bilionárias, práticas de estelionato explícito e outros vícios que, estes sim, prejudicam o Estado de Direito em nome de nobres conceitos, que não se realizam.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 8 de outubro de 2018, às 7h30m)

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Assuntos do comentário da segunda-feira 8 de outubro de 2018-10-07

 

1 – Haisem – Durante toda a campanha eleitoral que está em curso políticos que sentiam o cheiro da derrota, jornalistas brasileiros ou estrangeiros apressados em seus julgamentos e intelectuais decretaram que a disputa a ser decidida nas urnas era entre direita e esquerda. Computados os votos do primeiro turno, o candidato tido como nazifascista teve m48,26% dos votos. Isso quer dizer que metade do povo brasileiro é radical de direita?

SONORA BOLSONARO PT

 

2 – Carolina – O fato de ter chegado a menos de dois pontos porcentuais da vitória em primeiro turno assegura o triunfo no segundo turno para o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, ou, ao contrário disso,  o descredencia para ganhar a eleição e governar o Brasil a partir de 1.º de janeiro de 2019?

 

3 – Haisem – Como saem dessa refrega eleitoral emocionante instituições tidas como pétreas na política brasileira como o horário eleitoral obrigatório no rádio e na televisão, o fundo partidário e a Presidência da República, cujo ocupante não apenas não teve um candidato para chamar de seu, tornando-se, ao contrário, um peso para qualquer pretendente?

 

4 – Carolina – Que destino terá o PSDB, que, até a última eleição, disputou voto a voto a presidência da República com o PT e nesta apresentou um candidato que teve quase todo o tempo do horário do rádio e da TV e uma coligação enorme e terminou em quarto lugar com pífios 4% dos votos e com desempenho humilhante no Estado que governou, São Paulo?

 

5 – Haisem – A que a estratégia de Lula de impor a própria candidatura, apesar de ser inelegível por ser ficha-suja e estar condenado e preso,  conduziu o futuro de seu partido, o PT, depois do massacre sofrido nas eleições municipais de 2016?

SONORA HADDAD DEMOCRATAS

 

6 – Carolina – Quem estava certo de que bastaria concorrer para garantir o foro privilegiado com a reeleição e terminou com a notícia amarga de que não voltará ao Congresso Nacional em 1.º de janeiro próximo e terá de conviver com o risco de responder na Justiça comum por eventuais deslizes na área criminal?

 

7 – Haisem – Como saiu desta eleição a reputação dos sempre requisitadíssimos institutos de pesquisa de intenções de voto, na sua opinião?

 

8 – Carolina – Quais são os campeões de votos que chamaram sua atenção nas disputas pelos governos estaduais, para o Senado Federal e para a Câmara dos Deputados?

No Blog do Nêumanne: O preso e o oficial

No Blog do Nêumanne: O preso e o oficial

No segundo turno, cidadão decidirá de uma vez se quer continuar sob a gestão do Estado-empresário que virou larápio ou se ainda lutará contra velhos partidos e políticos que dele se servem

A eleição de 2018, a ser decidida em 28 de outubro próximo, foi disputada sob a égide das fake news, expressão inglesa da moda que serve para disfarçar palavras mais duras na língua do caolho Camões, tais como mentira, lorota e estelionato. O Tribunal Superior Eleitoral finge combater as que circulam nas redes sociais e ficaram famosas por causa dos tweets do presidente dos EUA, Donald Trump. Mas não se conhece autoridade no Estado brasileiro que investigue pra valer as notícias falsas que deturpam e fraudam, de verdade, a decisão soberana do eleitor em campanhas e palanques, do bico de pena da Primeira República às urnas eletrônicas.

Coleguinhas apressados no Brasil e no exterior, acadêmicos militantes e analistas ignorantes e improvisados em geral detectam na revolta contra o Estado estroina e espoliador uma onda “conservadora”. O termo é suave para definir esse discurso infame. A palavra direita, usada com nojo e sem pudor, até por jornais de alta circulação, passou a ser mero eufemismo, quando cotejada com as lembranças do Holocausto e da ditadura militar, cujos fantasmas pairam em discursos de candidatos alijados do processo pelo poder soberano do eleitor. Um desses candidatos, Ciro Ferreira Gomes, coronel da República de Sobral nascido em Pindamonhangaba, usa termos como nazi-fascistas para definir os quase 50 milhões de brasileiros que deram o primeiro lugar no primeiro turno ao deputado e capitão reformado Jair Bolsonaro. O espelho do multipartidário do Ceará deve estar quebrado, porque filhote da ditadura é ele mesmo, civil servil dos militares de 1964, na condição de parlamentar da Arena. E com irrelevantes serviços prestados aos desgovernos petistas de Lula e Dilma, dos quais se aproxima e se afasta de acordo com as próprias conveniências.

Se tivesse frequentado aulas de História no grupo escolar, talvez lhe fosse permitido vislumbrar a realidade que muitos acadêmicos, incluindo historiadores, fingem não ver. Getúlio Vargas, estancieiro de São Borja, no Sul, tornou-se o pai dos pobres e a mãe dos ricos ao fundar o Estado-empresário na cidade onde os cavaleiros gaúchos amarraram seus pingos, antiga Corte e capital da República, São Sebastião do Rio de Janeiro. Desde os idos da ditadura do Estado Novo, os cidadãos brasileiros têm sustentado a ineficiência de uma casta burocrática incompetente e gulosa, pendurada nos milhões de cabides de empregos da máquina pública. Os militares, dos quais o candidato do partido fundado para manter a herança getulista foi valet de chambre (criado de quarto), insurgiram-se contra o populismo do caudilho, cuja memória é desde sempre patrimônio político do engenheiro Leonel Brizola e de seus prosélitos no atual PDT.

Só que, como diz a juventude dourada das praias de Fortaleza, Gegê já era. Agora a moda é Lula, o presidente mais popular da História da nossa República. Ciro Gomes não sabe e não quer aprender que, da mesma forma que serviu aos militares antigetulistas que aprenderam a tratar os políticos civis a seu serviço como “vivandeiras de quartel”, está fadado a passar a vida invejando e louvando os usuários de macacão e colarinho branco que hoje compõem a república da roubalheira. Sob os auspícios do ferramenteiro de Garanhuns, essa república bestializa o populacho inerte, sob o signo do Estado larápio, no qual o contribuinte espoliado sustenta não apenas os marajás, que se servem do serviço público, mas também os socialistas de araque, que surrupiam o erário sem deixar moeda.

Fora do jogo, Ciro voltará ao aprisco a que sempre pertenceu, apoiando Lula, que, driblando a leniente e serviçal dita “Justiça” Eleitoral, concorre à Presidência da República, ao transformar seu poste, preboste, preposto, pau-mandado e moleque de recados num simples codinome. Assim como Dilma Rousseff era Estela para confundir a repressão à guerrilha no regime militar, a que Ciro serviu, Lula fez a barba, vestiu a beca do Professor Preguiça e cobra a conta dos cidadãos que alimentou na urna mais próxima. Esta é outra lorota desta eleição: o ringue de MMA do espaço cívico não sedia lutas entre pobres e ricos, socialistas de araque e nazi-fascistas de ocasião, em suma, esquerda e direita. Trata-se apenas de uma disputa que vencerá ou a garantia da manutenção incólume do Estado-empresário, que sobrevive da miséria dos pobres e distribui prebendas entre miliardários, sob a gatunagem do bem, ou o justiceiro, que não parece bem saber como, mas promete ao cidadão indignado combater violência e furto.

Quase 50 milhões de brasileiros foram às urnas com medo, coragem, raiva e juízo para acabar com a farra do Estado-empresário que virou larápio. Não acabou no primeiro turno. E mais uma vez, no segundo, a cidadania brasileira decidirá de que lado está: se se disporá a desmontá-lo ou se se renderá ao carisma de Lula. Ou seja, perdoará liminarmente seus crimes, fartamente comprovados, em gratidão pelos anos de alívio em que se beneficiaram do Bolsa Família, frequentaram escolas nas quais nada aprenderam, viajaram de avião e compraram automóveis a perder de vista, que depois, desempregados pelo “gópi”, não tiveram mais como pagar?

Pode parecer cínico e cruel, mas se trata apenas da realidade nua, dura e crua dos fatos. Foram tão bons os tempos do padim que não pode ser verdadeiro o discurso de quem atribui a felicidade àquela bonança, que, na verdade, fartura nunca foi. Não é simples mesmo estabelecer uma conexão lógica entre a carne gorda das vacas de antanho e os esqueletos esquálidos destes tempos de milhões de desempregados dormindo ao relento e pedindo uma esmola para matar a fome e um cobertor para suportar os rigores do inverno de nossa desesperança. Quem achar que a história não é boa não perderá por esperar o pior, que há de vir.

O capitão teve quase a metade dos votos válidos dos brasileiros, que não suportam mais pagar com seu emprego a incompetência do Estado-empresário, somada à volúpia infinita do Estado-larápio. Eles armaram uma tempestade de votos para dar uma goleada no primeiro tempo, mas o jogo, como diria Abelardo Barbosa, o Velho Guerreiro, só acaba quando termina. Nele o PT de Lula, vulgo Haddad, elegeu a maior bancada na Câmara dos Deputados, Casa do poder que manda na República da coalizão. Se ganhar a parada final, o que é muito difícil, mas nunca impossível, o partido dos tesoureiros onipresentes nos escândalos de corrupção escolherá entre velhos aliados suspeitos sob a mira da Lava Jato um presidente do Senado para chamar de seu. E a suprema casa da tolerância federal, que mantém o “guerrilheiro” José Dirceu ­- cumprindo pena de 30 anos e meio por corrupção passiva e lavagem de dinheiro – solto pelo presidente Toffoli, ex-advogado dele, e do solta-tucanos Gilmar.

A classe média reclamou do Estado que queimava sua poupança nas manifestações de rua em 2013 e foi traída na eleição fraudada de 2014, em que Dilma e Temer gastaram 1 bilhão e 400 milhões de reais, segundo Palocci, que coordenou a primeira campanha de madama tatibitate. E por Aecinho, que vendeu o ânimo opositor pelas migalhas que caíram da mesa do churrasco dos irmãos Batista e pelo propinoduto de uma empreiteira da Bahia de todos os demônios, onde Jaquinho das candongas reina mais absoluto. Os tucanos sapatearam na cova reservada para o PT no massacre das eleições municipais de 2016 e agora se escondem num túmulo abandonado, imaginando que serão esquecidos pelos que esqueceram.

O Senado sem Dilma será menos ridículo mercê do eleitor mineiro que tornou inócua a penada de Lewandowski, que lhe permitiu que ela disputasse cargo público antes de completar oito anos do quarentene após o impeachment. Bob Dylan será poupado dos assassinatos de Blowin in the Wind por Eduardo Suplicy. Lindbergh ficará rouco de responder a xingamentos de populares quando pensar que terá sido esquecido e sair às ruas. Requião e Ciro treinarão sua grosseria sem freios em torneios retóricos particulares entre eles. Ou seja, os lugares que eles não mais frequentarão se tornarão mais civilizados e agradáveis.

Mas é cedo para saber se a República larápia ainda será combatida por policiais, procuradores e juízes federais que atuam desde 2014 na Lava Jato. Isso dependerá da decisão medrosa, corajosa, raivosa e racional do cidadão no domingo 28. Graças a Deus, ele continua dono dos destinos da República. E resolverá se chegou, ou não, a hora da libertação do jugo de quem furta nosso suado dinheirinho se fazendo de defensores do povo.

  • Jornalista, poeta e escritor

Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 8 de outubro de 2018

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No canal do Youtube do Nêumanne: O Estado larápio

No canal do Youtube do Nêumanne: O Estado larápio

O segundo turno da eleição presidencial será uma excelente oportunidade para o cidadão brasileiro decidir de vez se aceita o Estado empresário de Vargas transformado em Estado larápio nos desgovernos do PT ou se optará por lutar contra ele a partir do ano que vem. No Estado de Direito o voto é que decide e os brasileiros que votaram no dia 7 de outubro merecem respeito. Este é o resumo do vídeo que circula em minha conta no Youtube.

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Comentário no Estadão Notícias: O partido dos grotões

Comentário no Estadão Notícias: O partido dos grotões

Estratégia vaidosa, insensível, autoritária e egoísta de Lula de tentar que a Justiça aceitasse sua candidatura de ficha-suja e, depois, de tornar Fernando Haddad seu preposto, poste, estafeta e pau-mandado, e agora codinome na urna, pode confinar o PT dos dois a regiões que Tancredo Neves batizou magistralmente de “grotões” do Brasil. Mesmo que o nome que está na urna ganhe o segundo turno da eleição presidencial de Jair Bolsonaro, o que é possível, mas pouco provável, será difícil, mesmo tendo a seu dispor a máquina do governo federal, que o partido usou para ganhar poder e enriquecer seus chefões, reconquistar a parte perdida do Brasil moderno e urbano, que trabalha e produz. Este é meu comentário no Estadão Notícias, no Portal Estadão desde 6 horas da segunda-feira 8 de outubro de 2018.

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