Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Comentário no Jornal Eldorado: Bolsonaro devia renunciar

Comentário no Jornal Eldorado: Bolsonaro devia renunciar

No dia em que o Brasil contabilizou mais de 5 mil mortes por coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que lamenta, mas não tem o que fazer em relação ao recorde de 474 óbitos por covid-19 em 24 horas  Sua declaração é de uma desumanidade impressionante, indo do desprezo ao humor negro: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, disse o chefe do governo, referindo-se ao seu segundo nome. Ninguém está exigindo milagre de quem não tem nenhuma vocação para santo. Mas em nome de seu tão proclamado amor à Pátria, ele podia renunciar, por exemplo. Faria grande favor à Nação e permitiria que o general Hamilton Mourão unisse poderes e chefes de executivos federal, estaduais e municipais com a população para combater, como ele não faz,  a terrível pandemia.

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Assuntos para comentário na quarta-feira 29 de abril de 2020:

1 – Haisem – País passa de 5 mil mortes por coronavírus e supera a China – Esta é a manchete da edição do Estadão hoje. E a reação do presidente da República, Jair Bolsonaro, foi “E daí? Querem que eu faça o quê?” Quando será que ele vai tomar conhecimento da realidade, hein, Nêumanne

2 – Carolina – Qual é a grande novidade da política que foi anunciada como nova por Bolsonaro e seus apoiadores, mas se mostrou para lá de velha no episódio da demissão de Maurício Valeixo pelo presidente Jair Bolsonaro provocando o pedido de demissão de Sérgio Moro

3 – Haisem – Que bastidores da queda do ex-juiz Sergio Moro você tem a revelar hoje a nossos ouvintes

4 – Carolina – O que você acha que pode mudar com as investigações sobre as revelações de Antônio Palocci e as descobertas sobre os atos nada republicanos do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral

5 – Haisem – De que especificamente trata seu artigo intitulado Polícia Federal, uma santinha de pau oco, publicado na página 2 do Estadão de hoje

6 – Carolina – Notícia publicada hoje no Portal do Estadão dá conta de que o Departamento de Logística do Exército admitiu ao Ministério Público que, de fato, revogou três portarias de controle de armas e munições para “atender à administração pública e as mídias sociais”. Como diria o poeta Carlos Drummond de Andrade, “e agora, José?”

 

Direto ao Assunto no YouTube: Renuncia já, Bolsonaro!

Direto ao Assunto no YouTube: Renuncia já, Bolsonaro!

No dia em que foram notificadas oficialmente pelo Ministério da Saúde mais de 5 mil mortes por covid-19 no Brasil, mais do que na China, de onde veio o microrganismo terrível, alguém pediu que o presidente Jair Bolsonaro se pronunciasse sobre uma tragédia que enluta o Brasil e o mundo, ele não lamentou, não tentou consolar as famílias atingidas nem cumprimentou os profissionais da saúde que a enfrentam com uma bravura que contrasta com sua covarde indiferença. Só manifestou mais uma vez sua desumana indiferença dizendo exatamente o seguinte: ” “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, disse o capitão, em referência a seu nome do meio.” O governador de São Paulo, João Doria, que, segundo ele, não jogará esses cadáveres em seu colo, o desafiou a visitar as frentes de uma guerra de que faz questão de desertar. Ninguém espera dele milagre nenhum, mas serviria melhor à Pátria se evitasse a crise política e renunciasse. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade salvará.

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Artigo da coluna do Ric Mais: Moro sai do governo atirando

Artigo da coluna do Ric Mais: Moro sai do governo atirando

 

 

O Grupo Ric de Comunicação põe à disposição de emissoras de rádio e jornais impressos ou em edição virtual três podcasts de três minutos cada e um artigo por semana. Interessados em publicar este material original devem entrar em contato com mash.leonardo@gruporic.com.br

 

 

Moro sai do governo atirando

 

Ex-juiz delatou Bolsonaro, ao comunicar saída do governo jogando artefatos nucleares no mandato dele

 

Com Moro deixa o governo Bolsonaro a ilusão do combate à corrupção Foto: Dida Sampaio/Estadão

Com Moro deixa o governo Bolsonaro a ilusão do combate à corrupção
Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro disparou uma saraivada de bombas atômicas contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, em pronunciamento no qual comunicou seu pedido de demissão do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública. Por exemplo: acusou-o de praticar duas vezes falsidade ideológica, ao violar o Código Penal e, ao mesmo tempo, cometer crimes de responsabilidade, passíveis de abertura de processo de impeachment pela Câmara para ser julgado no Senado, no ato da demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. “Demissão a pedido”, definiu o decreto assinado por ele e pelo ainda então ministro, Moro. No pronunciamento pela manhã, o ex-ministro disse que não o assinou e o demitido lhe garantiu que nunca pediu demissão. Na resposta dada no fim da tarde, em discurso confuso de 43 minutos, chamado de “coletiva”, o chefe mentiu ao dizer que o ex-diretor-geral da PF comunicou seu pedido de saída por cansaço numa reunião virtual com superintendentes. E a reunião foi cancelada para os seus participantes acompanharem a fala de Moro.

O ex-subordinado fez acusações gravíssimas contra o ex-chefe. Contou que ele lhe disse querer mudar a chefia do órgão de Estado para poder ter acesso a relatórios sigilosos de investigações da PF. Para impedir que isso ocorra sob a nova direção da instituição, o relator dos inquéritos autorizados para devassar fake news e o comício subversivo de domingo à frente do QG do Exército pelo Supremo Tribunal Federal – STF –, ministro Alexandre de Moraes, determinou que os delegados encarregados sejam mantidos. Bolsonaro reconheceu que, de fato, recebe relatórios de informações secretas das Forças Armadas e outras repartições, e não vê por que não possa fazê-lo com a PF. Em que Moro mentiu?

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao STF um inquérito específico sobre tais acusações para atestar se Bolsonaro realmente cometeu crimes de que foi acusado, entre eles advocacia administrativa, ou se Moro praticou denunciação caluniosa. Como dizem os comentaristas esportivos, agora é ver quem tem mais vasilhame para trocar.

A opção é impeachment ou autogolpe. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, terá uma semana, por decisão do decano do mesmo STF, Celso de Mello, para por, ou não, em votação a autorização, por três quintos dos deputados, para abrir o impeachment. Para conquistá-los, Bolsonaro fez do Planalto balcão para comprar com dinheiro público parlamentares do centrão, que tem maioria no plenário. Assim, evita imitar Dilma, que topou briga com Cunha e perdeu. E repete Temer, que comprou os votos necessários, mas jogou fora a oportunidade de entrar na História como um presidente de respeito.

*Jornalista, poeta e escritor

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Artigo no Estadão nesta quarta-feira: Polícia Federal, uma santinha de pau oco

Artigo no Estadão nesta quarta-feira: Polícia Federal, uma santinha de pau oco

Alçar PF ao altar, como fizeram Bolsonaro e Moro em bate-boca, é ledo engano

Emendar a Constituição com tradições ou ambições corporativistas, como escolha do procurador-geral da República e autonomia administrativa e financeira da Polícia Federal (PF), não garante combate lícito e justo ao crime e à corrupção nem as torna preceitos do Estado de Direito. Tal discussão, que parecia vencida depois da autorização ao presidente Jair Bolsonaro para nomear o procurador Augusto Aras chefe do Ministério Público Federal (MPF) sem que este fizesse parte da lista tríplice encaminhada pelos colegas ao chefe do governo, é reaberta na rumorosa troca do diretor-geral da polícia judiciária da União. As revelações de abusos feitas pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro ao ex-chefe não bastam para legitimar demandas de autonomia dos servidores da instituição.

São abjetas e próprias de um governante que ignora o significado em cada uma de suas letras do termo “impessoalidade”, previsto no Texto Magno, as alegações do ocupante do mais poderoso posto da República. Mais chocante do que o relato de crimes de responsabilidade e outros delitos previstos no Código Penal, a serem usados num processo de impeachment pelo Senado sob a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), ou numa ação penal de apelo à mesma Corte, em ambos os casos com prévia autorização de três quintos da Câmara dos Deputados, foi a forma desrespeitosa como o alvo reagiu. A confirmação abusiva de que a demissão de Maurício Valeixo da direção da PF atendia a uma intervenção política, traduzida pelo eufemismo “interagir”, foi assumida na expressão de desprezo com que ele respondeu à questão em rede social: “E daí?”. O capitão de gravata encerrou o assunto da nomeação do chefe de uma instituição de Estado com o refrão do samba-canção de sucesso de Miguel Gustavo, cujo subtítulo parece profético: “Proibição inútil e ilegal”. E o estilo cafona (que lhe é peculiar) de sertanejo sofrência em queixumes de bolero piorou algo que já parecia cheirar mal.

A resposta dura a essa afronta será dizer: e daí é que acusador e acusado incorreram num erro comum aos dois e generalizado ao tratarem tanto o MPF quanto a PF como se fossem instituições acima das fraquezas humanas. Esse é um engano sesquipedal, principalmente por ter sido cometido por um político que passou 28 anos no Legislativo e por um magistrado de longa carreira que se tornou para alguns um herói nacional e para suas vítimas, um réprobo em batidas de martelo.

Márcio Thomaz Bastos, que também foi ministro da Justiça (de Lula), rotulou a PF de “republicana” para fantasiá-la de instituição acima das querelas partidárias e esconder o fato notório de que nas gestões do PT a repartição pública foi usada para proteger aliados e perseguir adversários, na era pré-Carlos Bolsonaro. A briga pelo acesso aos segredos de inquéritos que devassam práticas criminosas da prole presidencial não dota o departamento de uma imagem de madeira maciça. Ela é a versão envernizada da santinha de pau oco usada por contrabandistas de ouro de Minas colonial para a metrópole.

A PF autônoma à época do PT, louvada por Moro, era apenas uma instituição indisciplinada, com virtudes e defeitos da alma humana dos seus membros, remunerados pelos cidadãos. O louvável trabalho executado por agentes que participaram com ele da Lava Jato não apaga as evidências de sórdidas batalhas intestinas e episódios de indisciplina em outras operações. Se o deputado Eduardo Bolsonaro tivesse dado expediente de rotina no departamento, em vez de fazer carreira política à sombra de papai, recebendo sem trabalhar em gabinete do PTB de Roberto Jefferson, que ora volta a servir ao clã, poderia ter informado a Jair que a associação de delegados que deste cobra autonomia institucional, funcional e financeira vive às turras com outras duas, de agentes e peritos. Autonomia para qual, caras-pálidas? E para quê?

Se o delegado Alexandre Ramagem não tivesse construído sua biografia de policial em cargos decorativos no Parlamento e na Agência Brasileira de Inteligência (quanta inteligência!), talvez pudesse ter informado ao chefão que queixas de cansaço de Valeixo em reunião com superintendentes não justificariam o “a pedido” do decreto de sua demissão. Se nem nisso ele foi capaz de ajudar, como poderia saber que a gestão quase impossível da direção-geral passa mesmo é pela habilidade para fugir ao naufrágio no mar dos cardumes de tubarões? Estes ainda disputam carniça na condição de viúvas de Tuma, PT-raiz dos tempos de Paulo Lacerda, PT grã-fino liderado por Luiz Fernando Corrêa (fiel ao legado de Bastos), PSDB de Marcelo Itagiba e bolsonaristas, que ainda não são capazes de garantir a realização dos sonhos de blindagem dos filhotes pelo dono (provisório) da caneta Bic. Como diria Romário, o craque, não o delegado dos inquéritos que assombram as noites no Palácio da Alvorada, os últimos “chegaram ainda agora e já querem se sentar perto da janela”.

E tem mais: nenhuma instituição armada pode ser autônoma, porque representaria um risco para a liberdade, valor fundamental.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na pág.A2 do Estado de S. Paulo na quarta-feira 29 de abril de 2020)

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Direto ao Assunto no YouTube: Festa no bolsopetismo

Direto ao Assunto no YouTube: Festa no bolsopetismo

Festa no “gabinete do ódio” do príncipe das trevas Carlos Bolsonaro: o rei pai todo poderoso já tinha garantido o meio de campo com o comensal de banquetes petistas e de ministros do STF Augusto Aras na Procuradoria-Geral da República,. Nomeou André Mendonça, vassalo do advogadinho do PT que preside o Judiciário, Dias Toffoli, para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. E instalou a República Monárquica das Bananas Terrivelmente Tropicais de Glicério no mesmo Vale do Paraíba onde também nasceu o novo titular da pasta que foi de Moro. Para a direção geral da Polícia Federal foi entronizado Alexandre Ramagem, que tem pouco tempo de prática na política judiciária, mas conta no currículo com dois meses em que morou no castelo de el rei no condomínio Vivendas da Barra. Até agora deu tudo certo no plano traçado por Frederick Wassef, advogado do príncipe herdeiro Flávio, e Arthur Lyra, avalista do faminto no Centrão no acordão com as bênçãos dos desafetos do ex-juiz no Congresso. O duelo ainda não terminou e dele não sairá vencedor quem sacar primeiro, mas quem tiver mais munição. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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