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No Blog do Nêumanne: Petistas furtaram e a culpa é dos outros, jura Haddad

No Blog do Nêumanne: Petistas furtaram e a culpa é dos outros, jura Haddad

 

No Jornal Nacional candidato petista ao Planalto usou autocrítica de Tasso para inculpar Cunha, Temer e tucanos pela rapina geral da República nos desgovernos de Lula e Dilma

A transformação de estepe em poste de Lula em cadeia nacional, na primeira sabatina a que se submeteu na televisão comercial como candidato a presidente da República, foi uma excelente oportunidade para o público já enfronhado nas circunstâncias reais que impediram a candidatura do ex conhecer os dotes que fizeram o substituído escolher o substituto.

Os entrevistadores William Bonner e Renata Vasconcellos usaram grande parte dos 27 minutos que lhes couberam da entrevista ao vivo para cobrar do professor da Universidade de São Paulo (USP) algo que se assemelhasse a uma autocrítica. Essa estratégia, como se sabe, é um antigo truque retórico de engodo da opinião pública, useiro e vezeiro em partidos comunistas, ao qual, aliás, nunca aderiu o Partido dos Trabalhadores (PT), que se diz socialista, mas sempre foi inimigo de comunistas. Agora Fernando Haddad, que nos redutos petistas do Brasil profundo é chamado de “Andrade”, revelou que o partido se dispõe a adotar a autocrítica dos outros para com ela conseguir o efeito supremo de transferir para adversários crimes dos quais seus correligionários são acusados pela polícia e pelo Ministério Público e severamente apenados pelos juízes de primeira e segunda instâncias. Não é propriamente uma inovação, muito menos uma surpresa, mas não deixa de revelar uma estratégia de simulação, no mínimo, interessante, embora não se saiba quando e se produzirá efeito.

A oportunosa ensancha foi dada ao poste petista por um adversário de alto coturno. No sábado, o Estado publicou entrevista exclusiva do repórter de política Pedro Venceslau, enviado especial a Fortaleza, na qual o ex-presidente nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e presidente do Instituto Teotônio Vilela, da mesma legenda, Tasso Jereissati,fez uma autocrítica em regra das atitudes de seus aliados. Na entrevista, o “Galego”, como é conhecido pelos íntimos, soltou a língua, com a qual despejou fogo amigo de matar de inveja qualquer dragão.

De início, vituperou correligionários que recorreram à Justiça Eleitoral para exigir a recontagem dos votos na eleição de 2014, pondo em dúvida o triunfo dos adversários Dilma Rousseff e Michel Temer. Na opinião de Jereissati, notório adversário de Lula e irmão de um dos maiores amigos do desafeto, Carlos, dono do Shopping Center Iguatemi e da La Fonte, o pedido de recontagem afronta a democracia. Além disso, o cearense não poupou ferinas condenações à adesão do PSDB ao governo de Michel Temer logo após o impeachment de outro poste de Lula, Dilma Rousseff. Haddad seria um tolo se não usasse as mágoas fratricidas do adversário. E, como se sabe sobejamente, tolo Haddad não é.

Então, para defender a correligionária Dilma, o “Andrade” recorreu ao fogo amigo de Tasso para retirar dela a pecha de ter sido o pior presidente da História de nossa insana República. Nessa teoria econômica, digna de um prêmio qualquer das Nações Unidas, a mais nova simpatia ideológica do petismo condenado por corrupção, a “púcara búlgara” (apud Campos de Carvalho) tinha tudo para surfar na onda de sucesso e benfeitorias do antecessor, papai Lula. Mas sucumbiu às pautas-bomba aprovadas no Congresso por seu ex-vassalo e, depois, inimigo Eduardo Cunha, do “quadrilhão” do PMDB, hoje MDB, só para atender aos interesses do grupo do então vice-presidente, que, como se viu, conspirou para tirar a titular da chapa do poder e assumir o trono presidencial, naquilo que a petista Fátima Bezerra chamou de “gópi”. E mais: aproveitou-se Haddad, oportunista como um ponteiro de rede para fazer um ponto sem bloqueio na quadra de vôlei da política: sôfregos por poder, os derrotados tucanos  lambuzaram-se do mel republicano aderindo ao “golpista” Temer.

A semana ainda não tinha começando quando o tucano de alta voltagem respondeu ao atual poste lulista com um truísmoarrebatador: “Usou uma reflexão honesta para proselitismo político”. Não sabe de nada o inocente! Político, filho de politico, empresário, herdeiro de fortuna paterna, o tucano do Ceará descobriu o Brasil de bicicleta, como dizem na Praça do Ferreira e na Praia de Iracema. Político que não usar deslize sincero de adversário como argumento de palanque está convidado a mudar de profissão com urgência. O caso é que Tasso não é bem um inocente, pois fez fogo amigo na cabeça de Geraldo Alckmin para ajudar um aliado de velhos tempos, Ciro Gomes, a chegar ao segundo turno numa disputa que parece fadado a ter com Jair Bolsonaro. Mas como tucano guarda balas especialmente para disparar no próprio peito, Tasso forneceu munição a Haddad, em movimento de subida nas pesquisas, enquanto Ciro afunda, vítima, como sempre, do próprio temperamento, digamos, mercurial. Ou seja, a bala entrou no rol das perdidas, num dos vários sentidos da palavra.

Tasso tinha meia razão. O pedido de recontagem de votos foi estúpido, mas em nada deslustrou a democracia. Num processo julgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) surgiram inúmeras provas de que o pleito de 2014 foi fraudado. E pior: por vencedores e vencidos. Então, a autocrítica do tucano omitiu evidências de recurso dos correligionários ao propinoduto da Odebrecht. Dilma deve ter tido mais votos do que Aécio Neves, mas isso não se deveu apenas ao apoio do padim Lula. Sem a presença na chapa de Michel Temer, levando a capilaridade do PMDB da época, madama talvez não tivesse sequer chegado ao segundo turno. Mas a sede de vingança do cearense impediu que ele aproveitasse seu sincericídio para constatar o óbvio. A “reflexão honesta” do antecessor de Ciro no governo do Ceará foi, então, no mínimo, incompleta. Se não ressuscitasse a candidatura de cachorro morto do ex-governador paulista, poderia pelo menos contribuir para a História.

A parte que Haddad acrescentou na sabatina no Jornal Nacional, contudo, não se limitou à tentativa de explicar como bonança a tempestade sob Dilma. Ele foi além.Primeiramente, reconheceu que, de fato, alguns petistas abusaram do acesso aos cofres do poder. Mas muitos dos que foram condenados (certamente o caso de Lula, que ele não citou) são mesmo vítimas do “abuso de poder” de policiais, procuradores e juízes federais, facilitado pelas delações premiadas. Uma versão desmente a outra, mas “Andrade” nunca teve mesmo compromisso com a lógica…

E, em segundo luar, além de confirmar a frase de Jean-Paul Sartre (em Huis Clos) segundo a qual “o inferno são os outros”, o preposto estepe que virou poste sem luz atribuiu sua derrota humilhante na eleição de 2016 à indução dos eleitores ao erro, da parte dos autores de pautas-bomba no Congresso e aproveitadores do “gópi”. Vamos aqui agora abrir parêntesis para a trajetória política curta e inglória de um professor da Universidade de São Paulo que resolveu tornar-se valet de chambre de seu líder, patrono e senhor, Lula da Silva. O ex-ministro de Educação não teve pejo em alardear seus feitos na pasta – Fies, Pró-Uni e outros adereços de marketing – no dia em que as Nações Unidas (que o PT agora não pode desqualificar) divulgaram seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Brasil ficou abaixo da Venezuela, estagnado em 79.º lugar. E isso não se deu por causa da recessão – segundo ele, de Cunha, Temer e PSDB –, mas pela educação,

Voltando à narrativa, o PT protagonizou com os aliados e ainda com a mão amiga da oposição de fancaria do PSDB a maior rapina dos cofres públicos da História, mas a culpa, conforme o mais novo contador de lorotas pseudo-históricas de palanque e debate, é de Satanás (apud Sartre). E o fato de ele ter tido menos votos do que a soma dos nulos e em branco na eleição municipal paulistana de 2016 deveu-se à burrice do povo, que o fez naufragar em todos os bairros periféricos da maior cidade do País. Ou melhor, da incapacidade que o brasileiro comum tem de resistir às ficções que a canalha política inventa para ludibriá-lo. Assim, ficamos sabendo por que Haddad e outros asseclas do presidiário mais célebre e celebrado do Brasil insistem em fantasias absurdas, tais como a injusta perseguição de um criminoso corrupto e lavador de dinheiro, que pretende votar e ser votado numa “cela de estado-maior”, que, ninguém sabe por quê, não é trocada por uma prisão de verdade, em que hoje cumprem pena pobretões, operadores do PT e empreiteiros corruptores.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne segunda-feira 17 de setembro de 2018)

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Comentário no Estadão Notícias: Bolsonaro e a fraude eleitoral

Comentário no Estadão Notícias: Bolsonaro e a fraude eleitoral

Sempre nos períodos eleitorais alguns candidatos denunciam a possibilidade de fraudes nas urnas eletrônicas os prejudicarem. No entanto, nos quatro anos entre as eleições os partidos políticos que dominam o Poder Legislativo e ocupam cargos poderosos no Executivo não tomam nenhuma atitude para fazer aprovar leis que, de fato, impeçam a interferência indesejável de fraudes na coleta e contagem de votos no sistema eletrônico, que é obviamente frágil, como comprovam ações invasivas de hackers em sistemas cibernéticos teoricamente mais infensos a vírus, como o Pentágono. Do leito do hospital em vídeo Bolsonaro voltou ao assunto e à impressão do voto, tema favorito da direita. Este é meu comentário no Estadão Notícias, no Portal do Estadão desde 6 horas da segunda-feira 17 de setembro de 2018.

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Comentário no Estadão Notícias: A ‘pax toffoliana’

Comentário no Estadão Notícias: A ‘pax toffoliana’

A notícia dada pela Empresa Brasileira de Comunicação, do governo Temer, a respeito da posse do novo presidente do STF, Dias Toffoli, definia seu perfil como o de  um conciliador, levando em conta a tarefa, que o próprio noticiado assumiu, de promover uma grande conciliação entre os poderes da República. Na verdade, a “pax toffoliana” não tem o espírito da democracia, pretendido por ele, pois se limita aos poderosos, que precisam de impunidade, e não da cidadania, que exige que os delinquentes da política profissional sejam punidos com base em dois princípios constitucionais que a cúpula do Judiciário não tem garantido: poder emanado do povo e igualdade de todos ante a lei. Este é meu comentário no Estadão Notícias, no Portal do Estadão desde 6 horas da sexta-feira 14 de setembro de 2018.

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Comentário no Jornal da Gazeta 1: A missão fácil e impossível de Toffoli

Comentário no Jornal da Gazeta 1: A missão fácil e impossível de Toffoli

Melhorar imagem do STF é missão fácil, mas impossível, para Toffoli

(Comentário no Jornal da Gazeta 1 quinta-feira 13 de setembro de 2018)

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Comentários no Estadão às 5: Toffoli: que juiz que nada!

Comentários no Estadão às 5: Toffoli: que juiz que nada!

O ministro Dias Toffoli tomou posse na presidência do STF um dia depois da votação do plenário sobre a prática do ensino domiciliar no Brasil, suficiente por si só para deixar claro para o cidadão mais ou menos esclarecido de que a chamada “suprema” Corte é um colegiado que pode ser considerado o mais medíocre da História. Foi guindado à cúpula do Judiciário pelos serviços prestados ao PT, do qual foi advogado, e a Lula, que o havia nomeado para o emprego pomposo e muito bem remunerado, mas insignificante, de advogado-geral da União. Como nunca passou num concurso para a magistratura, nunca foi um juiz de verdade e dedica singentes esforços para dar verniz de legalidade a medidas vexaminosas como o alvará de soltura a Dirceu, apenado como corrupto a 30 anos e meio de prisão. Este é um dos meus comentários no Estadão às 5, ancorado por Emanuel Bomfim, transmitido do estúdio da TV Estadão na redação e retransmitido por Youtube, Twitter e Facebook na quinta-feira 13 de setembro de 2018, às 17 horas.

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Comentário no Estadão Notícias: Que vergonha!

Comentário no Estadão Notícias: Que vergonha!

A conclusão do inquérito da Polícia Federal de haver indícios de que Michel Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha receberam mesmo R$ 14 milhões de propina da Odebrecht para seu partido, o PMDB, em troca da concessão do aeroporto internacional do Galeão e o prazo de 15 dias dado pelo relator do STF no caso, ministro Edson Fachin, para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se pronunciar sobre o caso, são graves. Numa situação delicada como a que vivemos agora, a Nação tomar conhecimento de que ocupa o mais alto poder da República um trio de suspeitos do crime de corrupção envergonha 200 milhões de brasileiros decentes e sacrificados. Este é meu comentário no Estadão Notícias, no Portal do Estadão desde as 6 horas da quinta-feira 13 de setembro de 2018.

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