Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Direto ao Assunto

Comentário no Jornal Eldorado: Estelionato nas mensagens do Intercept

Comentário no Jornal Eldorado: Estelionato nas mensagens do Intercept

A informação obtida com a leitura da troca de mensagens entre o arararraquer Walter Delgati Neto, o Vermelho, e Manuela d´Ávila, a companheira de chapa de Lula (dito Fernando Haddad), derrotada na eleição presidencial de 2018, é preciosa. O fato de os estelionatários que roubaram mensagens do aplicativo Telegram de cerca de mil agentes da lei inventaram diálogos demonstra de vez que se tratava de um negócio de estelionatários e põe em dúvida todas as outras que não foram periciadas.

 

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Assuntos para comentários na quarta-feira 27 de novembro de 2019
1 – Haisem – O que você diz da revelação de que o hacker Valter Delgati, o Vermelho, teria inventado algumas mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil na tentativa de incriminar Sergio Moro e a Lava Jato
2 – Carolina – Na editoria Política do Estadão hoje está publicada a notícia de que Votação na Câmara sobre segunda instância fica para abril. Que razões você vê para esse adiamento
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3 – Haisem – O que você quis dizer com o título que deu a seu artigo na página de Opinião do Estadão hoje: STF, o poder das antessalas
4 – Carolina – O que, na sua opinião, sinaliza a advertência feita pelo Conselho Nacional do Ministério Público ao coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol
5 – Haisem – Por que, a seu ver, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados abriu ontem dois processos e o PSL, partido de que até recentemente ele era líder, contra o deputado Eduardo Bolsonaro
6 – Carolina – Quais são as suas expectativas sobre a decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região de Porto Alegre sobre aplicação da decisão do Supremo Tribunal Federal de delatados falarem depois de delatores aplicando-a ou não à condenação de Lula, acusado de receber propinas para reformar a cobertura a ele atribuída no Guarujá
7 – Haisem – O que você achou da declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que eventuais convulsões similares às do Chile no Brasil possa levar à aplicação de um novo AI 5
SONORA_MAIA 2711
8 – Carolina – Alta do dólar traz incertezas sobre preços e cortes de juros – esta é a manchete de primeira do Estadão de hoje. O que é que provocou esse rebuliço todo

Nesta quarta-feira no Estadão: STF, o poder das antessalas

Nesta quarta-feira no Estadão: STF, o poder das  antessalas

José Nêumanne

Ministros do Supremo tentam fazer história agora, já que antes não tiveram de fazê-la

Ao elaborar a primeira Constituição da República, o jurista baiano Rui Barbosa imaginou um Supremo Tribunal Federal (STF) que exercesse o papel moderador do imperador Pedro II. Criou um poder com pesos demais e freios de menos. A escolha de grandes juristas para ocupá-lo mascarou esse problema. O marechal Castelo Branco chegou a criar cinco vagas, mas logo depois, no Pacote de Abril, Geisel e Golbery mantiveram os 11 de um time de futebol. Até que veio a democracia de 1988 e os civis no poder substituíram os sábios de antanho pelos ocupantes das antessalas dos palácios que passaram a ocupar na democracia dos que nunca tinham comido mel e se lambuzaram todos.

Em Memórias do Esquecimento, o jornalista e militante da esquerda armada contra o regime militar Flávio Tavares reconheceu o papel honroso desempenhado em sua biografia por um dos cinco ministros adicionados por Castelo. Trocado pelo embaixador Charles Elbrick, Tavares teve seu habeas corpus negado pelo Superior Tribunal Militar. Mas no STF, sua defesa, apresentada por Evaristo de Moraes e George Tavares, foi aceita pelo relator Adalício Coelho Nogueira, que fez história ao dar o primeiro habeas corpus a um acusado pela então novíssima Lei de Segurança Nacional. Essa decisão passou, então, a regular pleitos do gênero.

Certa vez, o colega Carlos Marchi e eu almoçamos com Tavares no restaurante do Estado, ocasião em que ele nos alertou, com desalento: “Vocês ainda vão testemunhar quão nefastos serão os resultados da ignorância de Lula sobre o futuro do Brasil”. Na ocasião, o ex-sindicalista estava em seu primeiro mandato e os resultados de sua arrognância (neologismo cunhado por Roberto Campos, misturando arrogância com ignorância) ainda estava a produzir pérolas de suas escolhas para o mais alto grau do Poder Judiciário. Lula abandonou critérios que nortearam a presença de Nelson Hungria e outros grandes nomes do Direito na vida acadêmica e na cena forense.

Ele indicou pessoas de seu convívio pessoal ou ocupantes de sua assessoria partidária. Ricardo Lewandowski era obscuro assessor do obscuro Aron Galante, ex-prefeito de São Bernardo do Campo, berço sindical de Lula. Desde os tempos de estudante de Direito, Dias Toffoli nunca teve outra ocupação na vida que não fosse trabalhar para o PT ou petistas no poder. Nunca produziu nada que pudesse ser confundido com uma obra do Direito e nunca foi mais do que assessor jurídico da Casa Civil e de bancadas petistas e advogado-geral da União na gestão federal sob o PT. O voto estapafúrdio por ele produzido para justificar o caso mais estrambólico da história da Justiça, em que misturou alhos (Receita Federal) com bugalhos (Coaf que virou UIF), resulta exatamente de uma ignorância crassa em que citou o título de uma coluna de Nelson Rodrigues A vida como ela é como se fosse uma frase dele. Isso fez com que fosse comparado a O homem que sabia javanês, conto satírico de Lima Barreto, protagonizado por um vigarista que se passava por professor do idioma remoto, desmascarado quando não comprovou o que dizia saber, seu meio de vida.

A procuradora mineira Cármen Lúcia, autora de belas frases (“cala-boca já morreu” e “caixa 2 é crime”), mera retórica vazia, é outra escolha do profeta de Caetés que passa longe da fama de um Moreira Alves.

Nelson Jobim, o político gaúcho que já se orgulhou de ter alterado a redação de tópicos da enxundiosa Constituição que hoje nos governa para o bem e para o mal, é autor do veredicto mais correto para ser justa sua escolha para fazer parte do time do STF. Ele, que já foi ministro do tucano Fernando Henrique e do petista Lula e também membro e presidente do STF, cunhou uma exata justificativa para escalar o Olimpo desse poder dito “moderador”: “Para ser ministro do Supremo é preciso fazer História antes”. Nada de fazer depois!

A partir dessa sábia definição é possível concluir que, após a farra populista posterior à queda da ditadura e ao fim da dita Nova República, nenhum o cumpriu para alcançar o topo da Justiça, incluindo o autor. José Sarney indicou Celso de Mello, assessor de seu ministro da Justiça, Saulo Ramos, famoso advogado que indicou o então subalterno para o posto e depois o descreveu de forma escatológica no livro de memórias Código da Vida. Pode-se discordar da escatologia, mas não do fato de o hoje decano não ter algum feito histórico antes do STF similar aos de Evandro Lins e Silva, Victor Nunes Leal, autor do clássico de ciência política Coronelismo, Enxada e Voto, e Hermes Lima, cassados pelo regime militar.

Fernando Collor nomeou o primo Marco Aurélio, cuja carreira é uma boa definição de nepotismo disponível no serviço público: foi nomeado juiz do Trabalho por influência do pai e desembargador do Tribunal Regional do Trabalho pelo general Figueiredo a pedido do pai poderoso, Plínio Affonso de Mello. Fernando Henrique promoveu um habitante do planeta das antessalas do poder civil, Gilmar Mendes, egresso de uma Procuradoria da República, para soltar antigos companheiros do mesmo ambiente, Paulo Preto, assessor técnico de Aloysio Nunes Ferreira na gestão presidencial tucana, entre muitos outros privilegiados.

Alçada de cargos da burocracia da Justiça do Trabalho para tribunais superiores, Rosa Weber foi nomeada por Dilma Rousseff e desde então tem mostrado enorme dificuldade para ler textos de seus votos, da lavra de assessores, como o foi no mensalão o ex-juiz Sergio Moro. A experiência de Michel Temer no ensino do Direito não o levou a indicar um jurista do porte de Cândido Motta ou Prado Kelly, nomeado por Castelo, preferindo Alexandre de Moraes, que fez carreira sob Kassab e Alckmin. Mas não História.

Aliás, nenhum dos 11 atuais fez. Talvez por isso se empenham muito em fazer agora. E normalmente no lado errado.

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na PagA2 do Estado de S. Paulo da quarta-feira 27 de novembro de 2019)

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Comentário no Jornal Eldorado: Viva Moro!

Comentário no Jornal Eldorado: Viva Moro!

Moro, o salva vidas

Sabotado no Congresso, que ainda não aprovou seu pacote anticrime e tudo indica que não aprovará, o ministro da Justiça, Sergio Moro, tem provado competência no serviço em dados que mostram a redução de 22% dos assassinatos violentos nos primeiros meses de 2019 comparados com igual período no ano anterior. Enquanto é atacado por políticos assustados com a possibilidade de serem acusados na Lava Jato, o ex-juiz paranaense deixa claro nos números da violência, com 8.663 vidas poupadas de brasileiros, que essa falácia de Lula e de Gleisi Hoffmann de que deve ser inocentado e ter sua condenação suspensa deveria ir direto para o lixo da História.

 

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Assuntos dos comentários de terça-feira 26 de novembro de 2019

1 – Haisem – Por que, mesmo ainda não tendo o Congresso aprovado seu  pacote anticrime, o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, tem apresentado números positivos no combate à violência, como acaba de constatar índice de violência apurado pelo portal G1, da Globo

2 – Carolina – O que você tem a dizer sobre a notícia dada pela Coluna do Estadão, segundo a qual a arrecadação com a venda de bens apreendidos com traficantes mais do que dobrou na gestão do mesmo Moro na Justiça

3 –Haisem – Por que, na sua opinião, o relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, não aceitou recurso da defesa de Lula de adiar julgamento de seu cliente marcado para hoje no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região em Porto Alegre

4 – Carolina – O que você acha do resultado da pesquisa que mostra que 45% da população brasileira acha que o Judiciário interfere demais nos outros Poderes, o Executivo e o Legislativo

5 – Haisem – Que motivos teve, a seu ver, o ministro Gilmar Mendes para, contrariando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a que pertence, permitir a entrada da Ordem dos Advogados do Brasil na defesa do advogado José Roberto Santoro, a quem ele concedeu salvo-conduto

6 – Carolina – A que conclusão você chega ao ler a notícia de que estudo da Anistia Internacional constata o favorecimento de governos estaduais da Amazônia à pecuária ilegal em áreas protegidas da floresta tropical

7 – Haisem – A encenação da ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, para mostrar como é difícil a mulher calar pode incluí-la na lista dos candidatos aos prêmios de interpretação deste ano

8 – Que assunto você está abordando em seu artigo semanal no Blog do Nêumanne

 

 

Direto ao Assunto no YouTube: Moro, o salva-vidas

Direto ao Assunto no YouTube: Moro, o salva-vidas

Na gestão do ex-juiz Sergio Moro no Ministério da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro, 8.663 brasileiros tiveram suas vidas garantidas pela ação do Estado brasileiro. É que até setembro, foram registrados 30.864 assassinatos, 22% menos do que os 39.527 do mesmo período no ano passado. O número é alto ainda, é claro. Mas quem não comemora, principalmente quando se sabe as dificuldades que o ministro vem enfrentando para implantar sua política de combate ao crime e mais ainda no quesito específico da corrupção, onde eventuais alvos empenham-se em cancelar suas sentenças, desmoralizá-lo, processá-lo, condená-lo e até prendê-lo, como preconiza o ladrão e lavador de dinheiro Lula, condenado em três instâncias e solto, palitando os dentes pelas ruas das cidades brasileiras. Já pensou se ele tivesse apoio? Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Comentário no Jornal Eldorado: Gleisi não está blefando

Comentário no Jornal Eldorado: Gleisi não está blefando

Eleita para mais um mandato, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, não estava blefando quando disse que quer ver Lula inocentado com o cancelamento pela Justiça da condenação de Sérgio Moro, que seria condenado e preso. Num aparente desatino delirante de devota crente nos milagres de seu “santo” favorito, ela conta mais uma vez com a ajuda da cúpula da Justiça, que não tem faltado ao patrono que nomeou seus ministros para adaptar a lei da ficha limpa aos desígnios absurdos do condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

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Assuntos para comentários na segunda-feira 25 de novembro de 2019

1 – Haisem – Você acha que Gleisi Hoffmann, reeleita presidente do Partido dos Trabalhadores, não estava blefando quando disse que quer ver Lula inocentado e Sergio Moro condenado e preso

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2 – Carolina – O que você acha da declaração do autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, de que Lula esteve preso por ser o ladrão que é

3 – Haisem – Manchete do Estadão de ontem revela que Maioria do Congresso se diz a favor da prisão em segunda instância. Quais são as dificuldades, então, para que ela seja devidamente adotada

4 – Carolina – Que conseqüências poderão advir da decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Og Fernandes, de mandar prender o juiz federal Sérgio Sampaio como resultado da Operação Faroeste, que trata de grilagem de terras no Oeste da Bahia

5 – Haisem – Que conexão pode haver entre a Operação Appius, que investiga compra de voto do ex-presidente do STJ César Asfor Rocha e uma forma de se fazer a Operação Lava Toga; apesar da sabotagem dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia

6 – Carolina – Qual é, a seu ver, a importância da revelação de que não foram os auditores da Receita Federal, mas a empresa de celulose Fibria, ex-Aracruz, que vazou informações sobre dados contábeis da mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, Guiomar Mendes

7 – Haisem – O que você diz sobre a convocação de eleições diretas para a presidência da Bolívia como é prevista em lei de autoria da presidente interina Jeanine Añez

8 – Carolina – Que tal é comemorar os dois títulos mais importantes do futebol profissional em 24 horas e sem jogar a rodada de um deles

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No Blog do Nêumanne: O faroeste, segundo Gleisi Hoffmann

No Blog do Nêumanne: O faroeste, segundo Gleisi Hoffmann

José Nêumanne

Eleita de novo presidente nacional do PT, deputada paranaense definiu no congresso do partido sua bandeira: inocência para Lula e condenação e prisão para Moro

Nos moldes do centralismo democrático stalinista, mantido a ferro, fogo e saliva pelo Partido dos Trabalhadores (PT), a deputada paranaense Gleisi Hoffmann assumiu por mais um período a presidência da agremiação, por indicação do chefe supremo, Luiz Inácio Lula da Silva. Condenado em três instâncias por nove julgadores – um juiz, três desembargadores e três ministros –, o ex-presidente perdeu o rótulo conveniente de “preso político”, embora sua condição coubesse até a semana passada no de “político preso”, cunhada em tempos antigos pelo colega Reinaldo Azevedo, hoje um dos maiores entusiastas da condição de mártir dele. Isso não quer dizer que tenha perdido a narrativa. Ao contrário. Livre, Lula agora disputa a condição de inocente para depois realizar o lema do faroeste pelo avesso que seus devotos pretendem berrar em uníssono nos comícios petistas pelo País: “Lula inocente e Moro, condenado e preso”.

Esse absurdo total da troca do mocinho pelo bandido nasceu de uma estratégia elaborada com a combinação feita por um ianque formado nas escolas do crime em Nova York na condição de empresário da pornografia e sonegador de impostos. De acordo com relatos confiáveis do New York Times e do Washington Post, essa é a verdadeira saga de Glenn Greenwald, que se diz herói e mártir de um caso de traição da pátria, conhecido como WikiLeaks, sob a chefia de um sócio chamado Julian Assange, que neste momento está apelando para a condição de doente mental a fim de receber tratamento médico na prisão onde hoje mora na velha Albion, que pode até ser considerada pérfida, mas nunca foi reduzida à condição de carcereira de inocentes desde que instituiu a mais democrática de todas as monarquias na face do planeta.

Pois é, o vulgo Verdevaldo foi recebido por Lula em sua prisão de fancaria na sala de hospedar agentes em trânsito na Polícia Federal na sede da instituição em Curitiba, pátria da Operação Lava Jato, que acabou com a era da prisão exclusiva para pretos, pobres e prostitutas para inaugurar a investigação que levou à cadeia corruptos de vários escalões. Do topo da empresa da propina, a Odebrecht, cujo chefão, Marcelo, viveu na cadeia até recentemente e hoje porta uma vistosa tornozeleira na própria mansão no Morumbi, em São Paulo. Dos píncaros da República há muitos representantes de escol, mas o mais alto em posto continua sendo o “guerreiro do povo brasileiro”, o papai herói que resta à esquerda esmagada na eleição pela direita liderada pelo capitão Jair Bolsonaro, Lula da Silva. Na tal “sala de estado-maior”, reservada pelo herói do povo, Sergio Moro, por mera benevolência, os dois planejaram um conto do vigário de fazer corar frade de pedra em adro de carmelitas descalças: o Vaza Toga.

O projeto, engendrado num encontro na cadeia de fancaria que o ex-sindicalista ocupou de abril do ano passado até a última semana, o ex-pornógrafo que editou o furto de Assange de segredos do Pentágono elaborou e levou à prática um plano que não teria nada para dar certo em sua terra natal, mas caiu como uma luva no Brasil. Uma quadrilha de “arararraquers” (denominação genial da coleguinha Cora Rónai) invadiu os segredos de mensagens trocadas no aplicativo russo, sem dono conhecido, Telegram. E neles garimpou material para apresentar ao público a narrativa da conspiração entre Polícia Federal, Ministério Público Federal e o ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro, para manter na prisão o mártir popular, cujo feito histórico mais conhecido foi ter criado uma crise econômica que desempregou 13 milhões de brasileiros, cuja saída será lenta e gradual, como nos tempos da abertura do general Geisel, no penúltimo sopro do regime militar.

O material exposto ao público pelo site The Intercept Brasil, comandado pelo pornógrafo, que também deixou num ex-amante e sócio o maior inimigo na Nova York natal, tinha leite insuficiente para encher um pires de gato. Mas que rato vai importar-se com isso, ora bolas? Imediatamente a Band News, a Folha de S.Paulo e a Veja compraram as denúncias provocadas pelo roubo das mensagens e tornaram discursos ensandecidos como o de dona Gleisi aproveitáveis, embora nada verossímeis. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tornados inimigos por lealdade política a grupos denunciados por roubo do erário, caso de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e outros que preferem ficar à sombra, já passaram por cima da questão das provas ilícitas porque roubadas, criminosamente. A esquerda sem voto, mas com a complacência de alguns eleitos que contam com a graça do perdão de sua participação na roubalheira, a patota do Centrão, encontrou nas sutilezas da narrativa razão de sobrevivência. E a lenha da fogueira arde.

Gleisi Hoffmann — acusada de ter financiado campanha milionária para o Senado com o furto mensal de aposentadorias de servidores do Ministério do Planejamento, à época chefiado pelo marido, Paulo Bernardo, também político da cúpula do PT — navega pelos mares infectos da calúnia com a desenvoltura de quem deixou de competir para o Senado e se abrigou na votação proporcional da Câmara dos Deputados para sobreviver, a fim de empunhar a bandeira das novas batalhas anunciadas. Na ocasião da consagração da nova presidência, ela berrou a plenos pulmões, como sempre faz: “(A liberdade de Lula) não é a que nós queríamos. Nós queremos a anulação da sentença de Moro. Aliás, queremos a prisão de Sergio Moro pelas barbaridades ele que praticou”. Como de hábito, ela apenas repetiu o refrão que lhe cabe ecoar nos ambientes públicos. Repetiu o que o chefe mandou dizer e diz sempre que pode e que o deixam falar. Estamos no país do faz de conta, no qual se mofa da Justiça porque ela permite. E basta.

Lula é deus da esquerda. E Gleisi, sua suma pontífice. Ele está solto porque os compadritos do Supremo, que ele, Sarney, Fernando Henrique, Dilma e Temer nomearam, fingem não perceber a clara violação da lei sob o brilho dos holofotes nos showmícios em que a fantasia substitui a verdade dos fatos, numa peça de ficção de horror e escárnio.

Apesar do discurso oportunista de ministros dos altos tribunais, que não são juízes, como o são os de primeiro e segundo grau, regra geral, Lula não é inocente. Nada disso. Ele continua sendo corrupto e lavador de dinheiro, não apenas condenado pela primeira sentença de Moro, que ele escolheu como adversário a desafiar. As provas dos crimes pelos quais foi condenado duas vezes e que se acumulam em outros seis processos na Justiça abundam e somente os inimigos do império da lei no Brasil, na ONU e em países socialistas como Venezuela, México e Espanha usam para suas próprias fantasias delirantes, em suas paróquias políticas. Ou seja, o lema da inocência é lorota e essa prosa de corredor de presídio não engana mais o povo brasileiro. Basta comparar as manifestações públicas em Curitiba, São Paulo, São Bernardo do Campo, Salvador e Recife com o que se esperava de protestos contra seus carcereiros para perceber o fiasco que se prenuncia para as campanhas municipais, que o partido de Lula e Gleisi pretende usar para eleger prefeitos no ano que vem e deles fazer portos de partida para uma eventual candidatura presidencial do ex-presidiário.

Ninguém se deve enganar. Os próximos passos dos devotos do lulismo nas altas Cortes, sob o comando de Dias Toffoli, o semialfabetizado Maquiavel de Marília, Ricardo Lewandowski, o rasurador da Constituição no julgamento do impeachment de Dilma, e Gilmar Mendes, o parceiro de Paulo Preto, serão usar o veredicto do fim da segunda instância para autorizar prisão de condenados como cancelamento da Lei da Ficha Limpa, adaptando-a a essa jurisprudência de analfabetos que mudam o sentido de “considerar culpado” por “ser preso”. Não será surpresa para este escriba se, com o material furtado pelos “arararraquers”, os mesmo mandriões cancelarem a condenação de Moro, passando por cima do TRF-4 e do STJ, e até mesmo, se não houver reação pesada dos omissos de sempre, o punirem, de forma a desmoralizá-lo, mesmo que não o prendam.

Mas ainda há o povo. Os resultados eleitorais de 2020 e 2022 podem mostrar que o brasileiro não engole essa presunção de poder absoluto de quem nunca foi votado. Sob pena de a democracia ir para as cucuias. Mas, e se não for, quem ficará com as batatas da vitória?

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 25 de novembro de 2019)

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