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Destaques

Nêumanne Entrevista: No Brasil “tá tudo dominado”, diz Lasier

Nêumanne Entrevista: No Brasil “tá tudo dominado”, diz Lasier

1 – Compra de votos e promessas de cargos que decidiram eleições dos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, levaram o senador Lasier Martins a usar uma expressão usada por crime organizado e milícias sobre seus territórios, referindo-se aos três Poderes da República: “tá tudo dominado”. 2 – Tendo lançado e retirado sua candidatura em benefício de Simone Tébet, o senador gaúcho constatou no vídeo da série Nêumanne Entrevista desta semana que não há harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário, mas o poder foi entregue a uma “confraria”, ou seja, um grupo que usa o erário em benefício próprio. 3.- A existência de um jogo de cartas marcadas para levarem Lula e Bolsonaro à disputa do segundo turno na eleição de 2022, seria, segundo o entrevistado, “o fundo do poço, a suprema degradação da política brasileira, o supremo aviltamento”, disse ele. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Artigo no Estadão desta quarta-feira: República de bananas podres é de poucos

Artigo no Estadão desta quarta-feira: República de bananas  podres é de poucos

José Nêumanne

Governo compra parlamentares

para baixo clero corrupto ficar no poder

Desde 21 de abril o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a Polícia Federal (PF) investigar para descobrir financiadores e participantes de atos antidemocráticos que pregavam intervenção militar com Bolsonaro no poder. E o fechamento do Congresso e do “excelso pretório”. Na semana passada, a delegada encarregada, Denisse Dias Rosas Ribeiro, declarou-se incapaz de denunciar quem participou da subversão às portas do Quartel-General do Exército e quem pagou os fogos de artifício com que os fascistoides fingiram bombardear a sede do STF.

O ministro da Justiça do primeiro governo Lula, o criminalista Márcio Thomaz Bastos, tentou cobrir o sol com a peneira quando foi revelado que a PF fez escutas telefônicas não autorizadas pela Justiça de ministros do STF e do filho do ex-presidente. “É uma polícia republicana”, mentiu. Mas a PF não era guiada pela hierarquia funcional, e, sim, por petistas, liderados por Paulo Lacerda, que foi seu diretor, bem como da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), tucanos e viúvas do xerife Romeu Tuma. Há algum tempo, quem manda é Bolsonaro. Na sua facção milita o federal não identificado que delatou, segundo o empresário Paulo Marinho, ao então deputado estadual Flávio Bolsonaro que a Operação Furna da Onça fora adiada para evitar prejuízos à chapa de seu pai no segundo turno da eleição. E que o factótum do gabinete dele na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Fabrício Queiroz, teve pilhadas em sua conta pessoal “movimentações atípicas” pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O Grupo de Atualização Especializada em Combate à Corrupção (Gaecc) do Ministério Público do Rio (MP-RJ) reuniu provas de quatro crimes praticados pelo primogênito do presidente: peculato (uso de dinheiro público em benefício próprio), corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Dos 22 membros, uma foi nomeada pelo atual procurador-geral do Rio, Luciano Matos. E as outras 21 nomeações estão no freezer. Cláudio Castro, governador de plantão no Rio, é íntimo da famiglia Bolsonaro, em especial do filhote 001. O novo chefe do MP-RJ foi o mais votado entre os colegas, liderando a lista tríplice que foi encaminhada a Castro. Não se sabe como será conduzido o inquérito, que sofre bombardeio pesado de órgãos da Presidência da República. O pai em pessoa chefiou uma reunião da Abin e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), para, no mínimo, apresentar queixumes das advogadas de defesa do acusado, que nunca apresentou um argumento documentado contra o libelo dos procuradores, sempre recorreu a órgãos superiores do Judiciário para paralisar e obstruir seu trabalho.

Esse não foi o caso do inquérito da delegada federal Ribeiro, que ignorou o princípio fundamental do Código de Processo Penal (artigo 197), segundo o qual fatos públicos e notórios dispensam provas. E ignorou atentados à democracia, tais como o bombardeio com fogos de artifício da sede do STF e o passeio do helicóptero de Bolsonaro com seu ministro da Defesa, general Fernando Azevedo (de óculos escuros, tradicional figurino dos tiranetes latino-americanos), em apoio a golpistas munidos de cartazes, faixas e gritos de ódio à cidadania. Idêntica foi a atitude do juiz Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), ao encerrar inquérito sobre Frederick Wassef, ex-advogado de Flávio e lobista assíduo da intimidade palaciana, dispensado de explicar a presença do presidiário Queiroz em seu falso escritório de causídico de ocasião em Atibaia. Na decisão, ele foi acompanhado por Maria do Carmo, amiga de Flávio Bolsonaro e dada no STJ como madrinha de Kassio Marques, recente indicação do pai Jair ao STF. Dos bastidores brasilienses consta que Bello também é o favorito de Gilmar Mendes para o lugar de Napoleão Maia, recém-aposentado no STJ.

Essa dança macabra de cadeiras é rotineira em substituições de aposentados nos tribunais superiores. Da mesma forma, as emendas bilionárias de parlamentares foram assinadas pelo chefe do Executivo. Elas representam, contudo, muito mais o poder do Centrão do que a força do capitão artilheiro. O buraco, no caso, é mais embaixo: a garantia de impunidade para condenados, denunciados, acusados e suspeitos de corrupção. Isso confirma o que descreveu o desembargador paulista Fausto De Sanctis na série Nêumanne Entrevista em meu blog no portal do Estadão. Mais do que uma derrota das operações do tipo Lava Jato, trata-se de um retrocesso para as priscas eras a elas anteriores. Bolsonaro assume o aparente comando da operação “solta todos” porque ele, e não apenas os filhos, sabe o que fez no verão passado. É o que acusou, explicitamente, o deputado Kim Kataguiri, em outra entrevista dessa série.

Os ratos fugiram dos porões e subiram à torre de comando, onde o suposto capitão da nave a conduz para cruzeiro confortável, o mais distante possível das tempestades armadas pelas operações de combate à corrupção e às ações policiais contra o crime nesta república de bananas podres.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na página A2 do Estado de S. Paulo na quarta-feira 3 de fevereiro de 2021)

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No Blog do Nêumanne: “Venha a nós, e ao vosso reino, nada”

No Blog do Nêumanne: “Venha a nós, e ao vosso reino, nada”

José Nêumanne

Signo da generosidade franciscana virou lema de barganha de verbas por apoio, trocada pelo acréscimo à sentença da oração do Cristo na instauração da “democracia” sem povo dos populistas

Não há boa palavra que não possa ser distorcida e não acabe por expressar as piores intenções de quem nunca as teve boas. Nenhum filho de mulher tem uma biografia tão comprometida com a bondade, o desapego e o amor à natureza como o padre católico medieval, de família abastada e que viveu em plena, franca e santa pobreza: Giovanni di Pietro di Bernardone. Oito séculos depois de pregar suas melhores intenções, São Francisco de Assis, fundador da ordem franciscana e inspirador do nome do atual chefe da Igreja Católica, teve seu refrão mais célebre – “é dando que se recebe” – se tornado a inversão perversa e cínica para justificar a barganha vil e indecente de recursos públicos por proveitos privados.

Almir Pazianotto Pinto, que foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), atribuiu a inversão do lema franciscano no Brasil contemporâneo ao deputado do PMDB paulista Roberto Cardoso Alves, Robertão, numa paródia para substituir, em 1988, a prática do que era, então, mais popularmente definido como “toma lá, dá cá”, mais curto, mais grosseiro, mais direto. Em artigo publicado no Correio Braziliense, à véspera do último Natal, Pazianotto usou de sua experiência e da vivência política para bordar na bandeira do hoje célebre e reinante Centrão a adaptação canalha da piedosa generosidade franciscana.

Em seu artigo que tem como título o lema atual do troca-troca, ele registrou, sem dó nem dolo: “A pulverização partidária, a ausência de compromissos ideológicos e a leviandade na administração dos interesses públicos, converteram a Câmara dos Deputados e o Senado numa espécie de supermercado, onde se negocia apoio ou oposição ao Poder Executivo. Palavra, assinatura, honra e dignidade podem ser comprados. Quando o presidente da República, de olhos na reeleição, à falta de liderança política e desprovido de partido próprio, pratica o toma lá dá cá, torna-se refém da Câmara dos Deputados e do Senado. É quando a negociação política de alto nível corre pelo ralo. Deixa de zelar pelos interesses da nação para se transformar em comércio de emendas parlamentares, de medidas provisórias, de ministérios, de diretorias de estatais e de sociedades de economia mista. Nessas circunstâncias, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado adquirem poderes excepcionais, porque, segundo o Regimento Interno, são senhores da pauta, da ordem do dia e da condução dos trabalhos”, escreveu, revelando algo que testemunhou. Em quatro anos de vigência, a Constituição “cidadã”, conforme afirmação de Ulysses Guimarães, que a presidiu, assim como ao partido em que Almir e Robertão militaram, criou o ambiente moldado à medida para esse figurino.

Hoje, 32 anos depois, tendo o Centrão se apoderado das transações nada republicanas que comandam nossos destinos, o principal líder do grupelho, criado e cevado no antifranciscanismo vigente, Arthur Lira, já encomendou uma nova bandeira e nela um novo lema para a indulgência plena de seus sócios proprietários. E, ao mesmo tempo, para a negação ao cidadão do princípio básico da teoria dos pais fundadores da democracia moderna, 500 anos depois do padroeiro dos humildes. Convidado a resumir sua proposta para a disputa da presidência da Câmara, não se fez de rogado e recitou à frente das câmeras sua versão do “Mateus, primeiro os meus”: sob sua chefia, a Câmara será do ‘nós’ e não do ‘eu’. Sua pretensão, claro, é projetar uma Casa mais plural e menos submetida ao poder do presidente, contrapondo-se ao antecessor, Rodrigo Maia. Mas, ao vê-lo e ouvi-lo frente a câmeras e microfones anunciando novos tempos para o País, lembrei-me muito mais da paródia popular à segunda invocação do Pai Nosso, oração por excelência do próprio Jesus Cristo (Mateus, 6, 10). Ao comentar o “venha a nós o vosso reino”, na Catequese sobre o Padre Nosso, o papa Francisco deu-lhe o significado que o pregador imaginou, ao ensiná-la aos fiéis: “o senhorio de Deus fez-se próximo dos seus filhos.”  Assim, como no caso do lema franciscano original do Centrão, seu atual sumopontífice, sem querer, querendo, como diria Chaves, terminou por permitir sua leitura correta com um provérbio nascido da prática da hipocrisia com o lema da antiga prática: “Venha a nós, e ao vosso reino, nada”.

Robertão morreu num acidente de automóvel há 25 anos. Ricardo Fiúza, citado como ele no lúcido artigo de Pazianotto, perdeu sua luta contra o câncer há seis anos em casa, no Recife. Eduardo Cunha, o mais bem-sucedido líder do Centrão, que os dois primeiros criaram, mofa numa cela de prisão em Curitiba, condenado por corrupção, à espera de que a benemerência da maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) o livre, embora com a real intenção de limpar a ficha sujíssima de Lula. Ele deve orgulhar-se do mais leal dos discípulos: Lira deu um dos meros dez votos contra a cassação do ex-presidente da Câmara que cassou Dilma Rousseff, e não evitou o inevitável. Lira não deve ser acusado de excesso de franqueza por incorporar o próprio vademecum da impunidade para todos da grei, uma vez que ele não teve a intenção de avisar ao povo brasileiro que este está fora do pacto. Pois reservou tudo de bom e do melhor só para ‘nós’ do bando: perdão de penas, verbas parlamentares bilionárias e nomeação de parentes e apaniguados no novo torpe conluio do poder.

Evangelho quer dizer boa nova. No vademecum de Cunha e Lira a primeira pessoa do plural não se reserva ao “povo de Deus”, mas aos “eleitos” do próprio cabaré, que administra o inferno parao resto da Nação.

*Jornalista, poeta e escritor

 (Publicado na segunda-feira 1 de fevereiro de 2021 no Blog do Nêumanne)

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Nêumanne Entrevista: Bolsonaro irá para a cadeia, diz Kataguiri

Nêumanne Entrevista: Bolsonaro irá para a cadeia, diz Kataguiri

1 – Em Nêumanne Entrevista Kim Kataguiri, nesta semana, o deputado federal por São Paulo, lançado na política como líder do Movimento Brasil Livre (MBL) nas grandes manifestações nas ruas em 2013, acusou a Câmara dos Deputados de, por vil interesse, se omitir quanto aos crimes de responsabilidade de Bolsonaro, “e também a crimes comuns”, que, segundo ele, não devem ser punidos apenas com impeachment, mas também com cadeia. 2 – O chefe do Executivo, segundo o parlamentar, intervém na PF, no MPF e em outras instituições para livrar os filhos, mas muito mais a ele próprio: “pelo caráter dele, se fosse só o filho, ele já o teria abandonado”. 3 – Para o entrevistado, Bolsonaro é o pior gestor da pandemia da covid 19 no mundo inteiro. 4 – Ainda conforme ele, o capitão de milícias não vê no PT e em Lula, uma ameaça ideológica, mas, sim, uma utilidade política e eleitoral. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Artigo no Blog do Nêumanne: O inferno é aqui e Bolsonaro é seu capetão

Artigo no Blog do Nêumanne: O inferno é aqui e Bolsonaro é seu capetão

José Nêumanne

Covid bate recordes de casos e óbitos, Congresso folga para eleger presidentes, STF suspende sessões, povo não pode ir às ruas, desemprego cresce e presidente vai a treino do Flamengo

Atrasado em relação a Reino Unido, União Europeia, Argentina, México, Chile, Israel e Índia, entre muitos outros países, o Brasil começou a vacinar profissionais da saúde, idosos em asilos, indígenas, quilombolas e penetras da elite governante no domingo 17. O governador de São Paulo, João Doria, saiu na frente, (1) porque tinha a Coronavac, sino-brasileira, com aplicação autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por cinco a zero; e (2) porque a Índia não entregou antes 2 milhões de doses da AstraZeneca-Oxford fabricadas pela Serum. Espumando de ódio, o presidente Jair Bolsonaro proibiu ministros de negociarem com paulistas e mandou polícia, órgãos de “inteligência” (aliás, burrice) e engavetadores amigos devassarem eventuais ilícitos do produtor do imunizante disponível, o Butantan, com 119 anos de ótima reputação.

Da justificada euforia pela ressurreição da esperança o cidadão brasileiro passou a soluçar de pânico ante a iminência de faltarem insumos para a produção em território nacional, com a insuficiência do produto imunizante: 10 milhões de doses para 212 milhões de habitantes. A incúria é recente. No ano passado, o atual governo negociou com a Pfizer, presente em EUA, Reino Unido, Europa, Israel, etc., 70 milhões de doses para 2021. Mas a compra não foi feita. E o Brasil perdeu lugar na fila, apesar dos alertas da própria farmacêutica para a elevada demanda pelo imunizante na pandemia. Em sua costumeira lorota de caixeiro viajante da “pílula do câncer”, o capitão cloroquina disse que quem quiser vender ao Brasil ofereça o produto. Agora quem paga a conta sabe que foi oferecido e recusado. A prioridade de gastos públicos no Brasil é comprar votos nas eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. Prioritário é o ódio preconceituoso do chefe do governo e de seu gado, que se deixa contaminar pelos perdigotos do “mito” (ou “minto”) perverso. Jamais a imunidade de rebanho, que poderá devolver a normalidade perdida ao povo, mero alvo teórico do populismo obscurantista.

A experiência brasileira recente em imunização data de 1962, no governo Jango Goulart, que declarou guerra à varíola, erradicada do território nacional desde 1973, em plena repressão do governo Emílio Médici, no recrudescimento da ditadura militar. Desde então, Ernesto Geisel, João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e, agora, Jair Bolsonaro caíram na lorota, cara aos chefões das organizações partidárias, de que melhor seria comprar vacinas baratas no exterior do que produzi-las no Instituto Butantan, de São Paulo, e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio. Enquanto isso, bilhões de dólares eram queimados no furto organizado dos governos petistas, cuja impunidade é garantida pelo populismo de direita do gabinete do ódio do capitão de milícias.

Justiça seja feita: o mundo todo passou a depender das poderosas indústrias farmacêuticas das populosíssimas China e Índia. E o Brasil, a mendigar a boa vontade das duas potências farmacêuticas, pois seus laboratórios de genéricos, criados com a quebra de patentes capitaneada pelo engenheiro-economista José Serra na gestão tucana, nada podem fazer, já que não produzem o procuradíssimo ingrediente farmacológico ativo (IFA). Nem detêm – ora direis, quem sabe até quando – a transferência tecnológica do IFA pela Sinovac e pela filial chinesa da britânica AstroZeneca. Os defensores da compra de vacinas baratas na China e na Índia se escafederam, escapando da justa fúria dos entes queridos dos mais de mil brasileiros que morrem por dia de covid enquanto seu IFA não vem. Na série Nêumanne Entrevista, publicada no Blog do Nêumanne do portal do Estadão, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta batizou de imunização “aos soluços”. Ou seja: chega vacina, aplica vacina, vacina acaba, para vacinação até chegarem novas doses, etc. A quem perde entes queridos por falta de vacina resta soluçar de dor e saudade.

Em Manaus e Porto Velho, brasileiros morrem afogados no seco. O intendente incompetente da Saúde, general Eduardo Pesadelo, refugiou-se às margens do Amazonas, com data incerta para voltar ao gabinete, para tentar fugir da mira do protetor-geral da famiglia Bolsonaro, Augusto Aras. Este pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigá-lo por omissão criminosa pela falta de oxigênio. O petista baiano, que deve o cargo ao chefe do carregador de doses, ainda não foi informado (talvez porque tenha notório ódio à comunicação da verdade) de que o sinistro da doença apenas obedece a ordens expressas e públicas do capitão terrorista.

Deputados federais e senadores só pensam naquilo: a composição das Mesas que dirigem as Casas que, só em teoria, representam o povo. O chefe do governo conta com a eleição de dois paus-mandados. Um é o deputado Arthur Lira, figurão do Centrão e fiel anspeçada de Eduardo Cunha, o Caranguejo do propinoduto da Odebrecht, hoje cumprindo pena por furto qualificado. Contra ele, Baleia Rossi, do MDB, é frequentador assíduo de beija-mãos no palácio. E o senador Rodriguinho Pacheco enfrenta Simone Tebet, que se declara contra o impeachment de Bolsonaro, invocando o “sentimento do povo”, que não pode sair à rua na pandemia.

Ainda assim, o caloteiro, que não pagou as doses confiscadas do Butantan, as únicas disponíveis no Brasil até a chegada das adquiridas do laboratório Serum, abusa do recesso da cúpula do Judiciário, fingindo ser Caronte, o canoeiro que atravessa o Hades, rio da morte. Em plena alta do desemprego na recessão, gazeou o expediente em dia útil, invadindo na sexta-feira 22 o treino do Flamengo, imaginando-se acima do bem na condição de agente do mal. Por enquanto, panelaços e carreatas correspondem à queda da popularidade nas pesquisas. E, sobretudo, o mais importante: o pato pateta não conta mais com o patrão, Donald Trump, para dar aval ianque ao planejado autogolpe. Mais do que qualquer outro breve contra a ditadura da crueldade negacionista, pesará até 2022 Joe Biden na Casa Branca, fiel da balança de freios e contrapesos da ótima democracia.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 25 de janeiro de 2021)

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Nêumanne Entrevista Luiz Henrique Mandetta

Nêumanne Entrevista Luiz Henrique Mandetta

Mandetta prevê vacinação aos soluços

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta diz-se muito triste com a desastrada logística do general Pesadelo, intendente incompetente da imunização na abertura de seu fictício e atemporal plano nacional de vacinação. O protagonista da série Nêumanne entrevista da semana teme que, com atrasos nas entregas de insumos para a produção da coronavac no Butantã e o envase da Astrazeneca/Oxford na Fiocruz, a aplicação do imunizante ocorra aos soluços: chegam doses, são aplicadas, faltam doses, para tudo até novos fornecimentos forem feitos. O ex-deputado federal matogrossense revelou fatos imiportantes do início da luta contra a pandemia, que esclarecem os episódios mais recentes. Contou, por exemplo, que Bolsonaro, sua famiglia e outros radicais de dirfeita impuseram obstáculos a suas boas relações com chineses e indianos para facilitar a compra de máscaras e testes produzidos pelos sócios no Brics. Numa dessas ocasiões foi proibido de receber o embaixador da China em Brasília pelo ex-chefe. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará

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