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Destaques

Nêumanne Entrevista Fred Navarro (2019 – 18ª)

Nêumanne Entrevista Fred Navarro (2019 – 18ª)

Se contas públicas

continuarem deficitárias,

Brasil cairá num buraco negro,

diz escritor

Para Fred Navarro, antipetismo e facada elegeram Bolsonaro, e no futuro ideologia será tão útil quanto telégrafo e gravata borboleta

“No Brasil, o fundo do poço é só uma etapa rumo ao verdadeiro buraco negro que nos espera se não tomarmos juízo e pusermos as contas públicas no azul”, previu o dicionarista pernambucano Fred Navarro, protagonista nesta semana da série Nêumanne Entrevista no blog. Na sua opinião, duas forças elegeram Bolsonaro presidente: “Em primeiro lugar, disparado, o antipetismo, uma força poderosa ainda não dimensionada corretamente à esquerda ou à direita, nem estudada pelos futuros ou atuais doutores da USP, PUC, Unicamp, UFRJ ou UnB. E em segundo, a facada, um marco divisor no processo eleitoral”. Ele também não vê muito futuro no Fla-Flu permanente das ideologias na política nacional. “A ideologia, no futuro, será tão útil quanto o telégrafo e a gravata borboleta. Os governos dos países nórdicos já caminham nessa direção, a social-democracia (centrista) europeia também, as cabeças lúcidas no Canadá, na Austrália e no Japão, também. Obviamente, a estrada é longa para latino-americanos, africanos e boa parte dos países asiáticos, que ainda elegem ou legitimam, ou por bem ou sob pressão, títeres de interesses escusos, bandidos disfarçados de políticos, ladrões de cofres públicos, traficantes dos sonhos e do futuro de seus povos, enfim”.

Fred autografa seu Dicionário do Nordeste, cuja última edição (da Cepe) em 2013, com 716 páginas, conta com mais de 10 mil verbetes. Foto: Acervo pessoal

Fred autografa seu Dicionário do Nordeste, cuja última edição (da Cepe) em 2013, com 716 páginas, conta com mais de 10 mil verbetes. Foto: Acervo pessoal

A pedido do entrevistador, ele redigiu um texto para apresentá-lo ao leitor do Blog. Ei-lo:

62 anos em 25 linhas

Fred Navarro

Do pacato Recife, em meados dos anos 1950, onde nasci em 1957 no bairro de Campo Grande, até o Itaim-Bibi, onde moro na megalópole paulistana, são 62  anos de idas e vindas, acertos e erros, venturas e desventuras, como costuma acontecer com todos. Política, jornalismo, linguagem e cultura popular, teatro, histórias em quadrinhos, literatura e cinema. Desde a adolescência, nos tempos do velho ginásio, o que me interessou nessas áreas foi a possibilidade do debate permanente, a violação das fronteiras até então permitidas, a busca incessante por novos horizontes.

Aos 22 anos, no final dos cinzentos anos 1970, iniciei a carreira de jornalista como correspondente do jornal Movimento, publicado sob censura severa, mas um dos únicos porta-vozes da imprensa independente ou sem compromissos com o regime militar. A luta pela anistia trouxe de volta a Pernambuco, no começo dos anos 1980, Miguel Arraes, Francisco Julião e Gregório Bezerra, entre outros, e fui designado pelo jornal para entrevistá-los.

Para Fred, "a liberdade e a democracia são conquistas de uma luta danada, cotidiana, dependem do trabalho incansável, são frutos de uma batalha sem fim." Foto: Acervo pessoal

Para Fred, “a liberdade e a democracia são conquistas de uma luta danada, cotidiana, dependem do trabalho incansável, são frutos de uma batalha sem fim.” Foto: Acervo pessoal

Depois, em São Paulo, no final dos anos 1980, trabalhei dois anos na revista IstoÉ, como revisor e redator, e fui colaborador permanente do jornal Voz da Unidade, porta-voz então do clandestino Partido Comunista Brasileiro. Abandonei as redações no início da década de 1990 para me tornar sócio e diretor de duas assessorias de imprensa.

Ao longo dos últimos 20 anos, paralelamente às atividades como jornalista e empresário, publiquei os livros Assim Falava Lampião – 2.500 Palavras e Expressões (1998) e Dicionário do Nordeste (2004). A última edição do segundo (Cepe Editora, 2013, 716 páginas), lançada em 2013, conta com mais de 10 mil verbetes. Em São Paulo, nos anos 1990, foram publicadas as HQs Deixem Diana em Paz e Espelho do Tempo, baseadas em roteiros originais de minha autoria, com desenhos em bico de pena do desenhista e escultor pernambucano Cavani Rosas. Deixem Diana em Paz, em 2013, foi adaptada para o cinema, em animação dirigida pelo jornalista Júlio Cavani, filho do artista.

Sou colaborador da revista Continente, do Recife, e da Revista Bula, de âmbito nacional, além de escrever eventuais artigos para em blogs e sítios da internet dedicados à política e à cultura.

Nêumanne entrevista Fred Navarro

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Nêumanne Entrevista Flávio Tavares (2019 – 17ª)

Nêumanne Entrevista Flávio Tavares (2019 – 17ª)

Brasil parece aberto à aventura

e a aventureiros, diz escritor

 

Testemunha de momentos importantes na História recente do País, Flávio Tavares só encontra um modelo exemplar de 1988 para cá: a improvável gestão de Itamar

 

“O Brasil me parece aberto à aventura e aos aventureiros em quase tudo. Há muito já não há ‘esquerda’ nem ‘direita’. Nem pensamento sobre ‘o que fazer com o País’”, vaticinou o jornalista, escritor e militante político gaúcho Flávio Tavares. Protagonista de momentos históricos dos últimos 60 anos no Brasil, tais como a rede da legalidade de Brizola, de 1961, o golpe militar de 1964, a guerra suja no regime autoritário instaurado depois e a restauração da democracia, com a volta dos exilados — ele incluído –, Flávio Tavares está muito preocupado com o que pode acontecer neste país no futuro próximo. Da Constituição de 1988 para cá, o protagonista da série Nêumanne Entrevista desta semana neste blog citou apenas um exemplo positivo, o daquele de quem menos  se esperava: o vice que substituiu Collor depois do impeachment. “O breve período de Itamar Franco foi o mais fecundo, honesto e proveitoso dos tempos da nova Constituição.  A estabilidade monetária do Plano Real nasceu com ele, sem alarde, como todas as ações de seu governo. A corrupção não teve campo para pastar. Itamar vinha da velha estirpe nacionalista de defesa da soberania econômica anterior ao golpe de 1964 e foi fiel a isso. O ‘Fusca do Itamar’, o veículo que ele levou a ser novamente produzido, após ser abandonado durante anos, ficou como símbolo de como o simples é também fecundo”.

“A sociedade de consumo e, por outro, o pedantismo do PT terminaram com as posições político-econômicas”, acha Flávio, na foto ao receber o prêmio da APCA em 2004. Foto: Acervo pessoal

“A sociedade de consumo e, por outro, o pedantismo do PT terminaram com as posições político-econômicas”, acha Flávio, na foto ao receber o prêmio da APCA em 2004. Foto: Acervo pessoal

 Formado em Direito, professor (aposentado) da Universidade de Brasília (UnB), Flávio Tavares, ou Flávio Freitas Hailliot Tavares, dedicou-se ao jornalismo. Nasceu em 1934 no Rio Grande do Sul, militou na Ação Católica e integrou o Partido Socialista, simbiose comum na época para distanciar-se dos comunistas. Dirigente estudantil, em 1954 participou do Conselho Mundial da União Internacional de Estudantes, na Universidade de Moscou, e conheceu a chamada “Cortina de Ferro”. Conheceu também a China, então afastada do mundo e não membro da ONU. Foi colunista político em Brasília da antiga rede de jornais Última Hora. Em 1963 participou da estruturação da Faculdade de Teologia da UnB, a funcionar em junho de 1964 e “abortada” pelo golpe de 1.º de abril. “Estudar os novos deuses da sociedade de consumo foi visto como subversão comunista”, explica Flávio. Na Faculdade de Comunicação da UnB lecionou, então, História da Opinião Pública. Demitido com outros 15 professores, 95% dos docentes da UnB renunciaram. Participante da resistência armada, foi preso e torturado. Em 1969 integrou o grupo de 15 presos políticos libertados em troca do embaixador dos Estados Unidos. Exilado no México, depois na Argentina, foi correspondente do Estado com o pseudônimo de Júlio Delgado. Sequestrado pelo Exército uruguaio em visita a Montevidéu, foi libertado em campanha da qual participou até o papa Paulo VI.

Nêumanne entrevista Flávio Tavares

 

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Nêumanne entrevista Tabata Amaral (2019 – 16ª)

Nêumanne entrevista Tabata Amaral (2019 – 16ª)

Deputada do PDT apoia reforma da Previdência

para combater desigualdade

Tabata Amaral, deputada federal que expôs desconhecimento de ex-ministro da Educação em comissão da Câmara, está preocupada com substituto dele

Embora seja filiada a um partido de esquerda, o PDT, e tenha apoiado Ciro Gomes para presidente e de ser entusiasta do processo de educação em Sobral, terra do ex-governador do Ceará, a deputada federal paulistana Tabata Amaral apoia a reforma da Previdência, com ressalvas ao projeto original do governo. Na edição desta semana da série Nêumanne entrevista no Blog, ela disse: “Quando sou confrontada com os dados da Previdência, quando vejo que ela é desigual, que ela gera desigualdade e que é uma coisa com a qual a gente tem de lidar, até porque como uma política jovem sou ainda mais responsável pelo futuro na minha visão, não posso simplesmente falar que sou contra, não posso me ausentar, não estou aqui no Congresso para ficar dando nota de zero a 10 para as coisas.” Segundo Tabata, “essa polarização (existente no Brasil) ameaça a democracia, na minha visão de cientista política e de pessoas muito estudiosas, mas também ela é muito ruim para as agendas sociais e econômicas do país. Não é por ser Previdência ou não: é uma questão séria que tem de ser enfrentada e meu posicionamento vai ser linha a linha e dizer o que funciona e lutar para mudar o que não funciona.”

Segredo do sucesso de Tabata é nunca ter perdido sua conexão com sua origem na Vila Missionária, periferia de São Paulo. Foto: Bruna de Alencar/Estadão

Segredo do sucesso de Tabata é nunca ter perdido sua conexão com sua origem na Vila Missionária, periferia de São Paulo. Foto: Bruna de Alencar/Estadão

Tabata Amaral nasceu em 1993 e foi criada na Vila Missionária, bairro no extremo sul da capital paulista. Aos 12 anos começou a colecionar medalhas em concursos de várias áreas da ciência, como matemática, química e astrofísica. Sempre contou com o incentivo dos pais e professores, que, desde cedo, enxergaram seu potencial e a ajudaram. No ensino médio, Tabata ganhou uma bolsa de estudos numa escola particular de São Paulo. Foi quando se deu conta do tamanho da desigualdade e da falta de oportunidades que existe no Brasil. Até então, fazer uma faculdade não estava nos planos dela, que percebeu que até os sonhos dos jovens da escola particular no centro de São Paulo eram diferentes dos daqueles que estudaram com ela em seu bairro. Mais uma vez incentivada por professores, inscreveu-se para várias universidades nos Estados Unidos e, com uma bolsa integral da própria instituição durante os quatro anos de curso, foi para uma das mais prestigiadas universidades do mundo: Harvard. Começou cursando astrofísica, mas logo no primeiro ano percebeu que sua verdadeira vocação: contribuir com melhorias para a educação no Brasil. Tabata formou-se em Ciência Política e Astrofísica e, ainda em Harvard, passou a estudar a fundo os principais problemas que o Brasil enfrenta na área da educação. Fundou, ao lado de outros dois colegas, o Mapa da Educação, movimento que tem como missão que todos os brasileiros tenham acesso a educação de qualidade. Também foi uma das cofundadoras do Movimento Acredito, organização suprapartidária que busca a renovação e a diversidade na política. Nas eleições de 2018, Tabata candidatou-se a deputada federal pelo PDT de São Paulo – inspirada em líderes do partido que trabalharam pela melhoria da educação pública em Sobral (CE) – e foi a sexta deputada mais votada do Estado. Recebeu 264.450 votos para representar o Estado no Congresso Nacional. Como deputada federal, suas principais bandeiras são educação, mulheres, renovação política, ciência e tecnologia.

Nêumanne entrevista Tabata Amaral

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Nêumanne entrevista Miguel Reale Jr. (2019 – 15ª)

Nêumanne entrevista Miguel Reale Jr. (2019 – 15ª)

STJ atestou que Lula recebeu vantagens, diz Reale

Um dos autores do processo de impeachment de Dilma adverte que outras ações judiciais podem impedir que Lula migre para o regime aberto, solução provável por faltarem presídios para semiaberto

Ao comentar a redução da pena de Lula concedida pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o jurista Miguel Reale Júnior. adverte: “O problema do presidente Lula não está nesse processo, mas nos demais. Já condenado pelo processo relativo ao sítio em Atibaia, espera sentença referente ao Instituto Lula e cinco outros processos em andamento na primeira instância, além de mais um na segunda”. Protagonista da semana na série Nêumanne Entrevista, o autor do processo pelo impeachment de Dilma Rousseff, em parceria com Janaina Paschoal e Hélio Bicudo, o ex-ministro da Justiça alerta para a possibilidade de o regime semiaberto, para o qual o petista poderá ser transferido a partir de setembro, ser convertido em aberto. Eexplica por quê: “O regime semiaberto deixou de ser aplicado, como preveem o Código Penal e a Lei de Execução Penal, pois, por incúria da administração, não há presídios semiabertos, como colônias agrícolas ou agroindustriais, sendo cumprida a pena como se fosse prisão albergue. Mas na falta de presídios semiabertos, a única forma é aplicar o sistema aberto”.

Reale descreveu cotidiano do brasileiro no governo Bolsonaro: "A cada manhã cumpre saber qual a nova impropriedade presidencial". Foto: Acervo pessoal

Reale descreveu cotidiano do brasileiro no governo Bolsonaro: “A cada manhã cumpre saber qual a nova impropriedade presidencial”. Foto: Acervo pessoal

Miguel Reale Jr. dedicou-se à advocacia criminal, fazendo júri e depois assumindo causas de direito penal econômico. Hoje cuida mais de pareceres e advocacia nos tribunais. Fez carreira acadêmica, doutoramento, livre-docência e depois titularidade em Direito Penal na Faculdade de Direito da USP – Largode São Francisco. Militou em órgãos de classe, vindo a ser presidente da Associação dos Advogados de São Paulo em 1978 e depois membro do Conselho Federal da OAB. Foi ministro da Justiça (2002), secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo (1993), presidente do Conselho Federal de Entorpecentes (1987) esecretário estadual da Administração e Modernização do Serviço Público de São Paulo (1995). Fez parte dacomissão elaboradora da parte geral do Código Penal e da Lei de Execução Penal, de 1980-1984. Em 1982 ingressou no PMDB. Foi presidente da Comissão de Diagnóstico do Sistema Criminal Brasileiro e da comissãoelaboradora dos anteprojetos de lei modificativos da parte geral do Código Penal, bem como da Lei de Execução Penal (2000), membro da Comissão de Estudos Constitucionais, assessor especial da presidência da Assembleia Nacional Constituinte, presidida pelo dr. Ulysses Guimarães (1987). Presidiu a comissão encarregada da análise da responsabilidade do Estado em face dos mortos e desaparecidos políticos durante o regime militar (1995-2001). É autor de diversos livros de doutrina, coletânea de pareceres jurídicos e de artigos, bem como de romances e livros de contos. É membro da Academia Paulista de Letras e da Real Academia de Jurisprudencia y Legislación, cuja reunião em Madrid contou com a presença do então rei Juan Carlos e da rainha. Fundou e dirigiu o Instituto de Estudos Culturalistas, em Canela, onde reúne cerca de 25 mil livros em biblioteca, sendo parte deles livros da biblioteca de seu pai, Miguel Reale.

Nêumanne entrevista Miguel Reale jr.

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Nêumanne entrevista Edilson Martins – 2019 (14ª)

Nêumanne entrevista Edilson Martins – 2019 (14ª)

Para ex-Pasquim, Lula preso

prova vitalidade da democracia

Jornalista diz que postagens em redes sociais são predominantemente lixo, inclusive as dele, esta é a era da estupidez planetária e quem quer credibilidade, por óbvio, não as procura

“Lula preso, apesar do desconforto de parte do STF e do STJ, de diferentes corporações, e Temer na fila da cadeia são provas da vitalidade atual da democracia brasileira. Da independência dos Poderes. Até quando nunca se sabe, num país  onde as experiências democráticas são pontuadas, interrompidas, por golpes de Estado”, pontifica Edilson Martins, jornalista, pioneiro em cobertura de ecologia e especialista em Amazônia na última resposta na edição desta semana da série Nêumanne entrevista. O colunista no lendário Pasquim, mítico jornal dito nanico, pioneiro em alternativa à chamada grande imprensa, é impiedoso com a nova versão daquela aventura editorial ao declarar: “nenhuma revolução, até hoje, foi mais democrática, mais contundente, mais desestabilizadora. Que o digam os jornalões. Elas estão promovendo a sacralização dos idiotas, dos imbecis, elevando à condição de filósofo um contador de lorotas, transformando farsantes em celebridades. O idiota tem à mão um jornal, uma rádio, uma TV, é acessado em todo o planeta. Ele deita e rola. O “efeito manada”, antes provincial, municipal, eventualmente nacional, agora é universal. Estamos vivendo o primado da estupidez planetária. Quem quer credibilidade não vai às redes. Por óbvio.”

Edilson trabalha há mais de 40 anos em jornalismo e cinema documental sobre a questão amazônica e a temática indígena. Foto: Acervo pessoal

Edilson trabalha há mais de 40 anos em jornalismo e cinema documental sobre a questão amazônica e a temática indígena. Foto: Acervo pessoal

Edilson Martins é jornalista, escritor e documentarista. Recebeu o prêmio Vladimir Herzog. Trabalhou como repórter especial no Jornal do Brasil, na revista Manchete e foi um dos colunistas do Pasquim. Criou a primeira coluna de ecologia – meio ambiente – na grande imprensa do País, Páginas Verdes. É autor de oito livros, dois de ficção, Makaloba e Bediai – O Selvagem e o Voo das Borboletas Negras. O livro Nossos Índios Nossos Mortos vendeu 400 mil exemplares, certamente um dos mais vendidos no País tratando da questão indígena. Nasceu no Acre, mas vive no Sul/Sudeste desde os 18 anos. O documentário Chico Mendes – Um Povo da Floresta, que tem sua direção e produção, foi um dos mais exibidos na primeira metade dos anos 1990 em todo o Ocidente. Trabalha há mais de 40 anos com a questão indígena, com a Amazônia e, principalmente, com a questão ambiental.  Prepara mais uma série para a televisão sobre a Amazônia. Foi amigo pessoal de Chico Mendes,  Orlando Villas-Bôas, dom Pedro Casaldáliga, Darcy Ribeiro e Apoena Meirelles.

Nêumanne entrevista Edilson Martins

Nêumanne – Recentemente, em entrevista a nosso colega Augusto Nunes na Rádio Jovem Pan, Jair Bolsonaro disse que se pudesse faria do filho Carlos ministro, pois foi ele que o levou à vitória no pleito presidencial. Esse é um, digamos, “mito” das redes sociais. Como “rato” do Facebook e congêneres, o senhor concorda com a assertiva do presidente e com o comportamento que ele tem adotado de governar apenas para o que prometeu a seus devotos em posts no Twitter? 

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Nêumanne entrevista Joaci Góes – 2019 (13ª)

Nêumanne entrevista Joaci Góes – 2019 (13ª)

Para Joaci, Bolsonaro já será mais popular

que Lula em 2020

Relator do Código do Consumidor acha que ação moralizadora da Lava Jato e choque de liberalismo produzirão impacto moral e material que porá fim à crise

O político, empresário e intelectual baiano Joaci de Góes prevê que, “como o Bolsa Família deixa de ser do PT e passa a ser do novo governo, Jair Bolsonaro pouco a pouco vai substituindo o Lula na adoração popular, como se verá nas eleições municipais do próximo ano”. Protagonista da sérieNêumanne Entrevista desta semana no Blog do Nêumanne, o presidente da Academia de Letras da Bahia diz também que “o patológico patrimonialismo que se adonou dos recursos oficiais, num nível sem precedentes na História do mundo, responde pela grave crise em que estamos fundamente imersos. Dessa crise sairemos pela ação moralizadora conjunta da Lava Jato com o choque de liberalismo redentor que começamos a experimentar”. E completa: “A percepção de que cadeia é coisa para os três pês – pretos, pobres e putas – levou ao assalto ao erário brasileiro em dimensões estratosféricas. Mais grave ainda foi a sólida aliança que se formou entre a corrupção e a incompetência, levando à lona nossas maiores empresas públicas. O lado positivo desse monumental freio de arrumação é a generalizada compreensão de que a tarefa de produzir cabe ao setor privado, ficando o Estado (…) com o papel de grande agência reguladora da vida em sociedade, assegurando aos mais carentes um piso de renda que lhes assegure o exercício de uma cidadania digna”.

Joaci autografa seu livro Como Governar um Estado - O Caso da Bahia, editado pela Topbooks. Foro: Acervo pessoal

Joaci autografa seu livro Como Governar um Estado – O Caso da Bahia, editado pela Topbooks. Foro: Acervo pessoal

Joaci Fonseca de Góes é bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia, em 1963, fundou e dirigiu o grupo econômico Góes-Cohabita, dirigiu o jornal Tribuna da Bahia, de que foi proprietário, de 1970 a 1997, quando, o doou aos colaboradores, depois de financeiramente saneado, episódio entre raro e inédito na história da imprensa brasileira. Entre suas realizações, está a Faculdades do Descobrimento (Facdesco), instalada nos municípios de Cabrália e Porto Seguro, que dirigiu até que foi invadida e teve destruídos os seus livros pelos índios, diante da omissão da Funai. Eleito para a Constituinte de 1988, foi autor do artigo 165, parágrafos 5.° e 7.°, combinados com o artigo 35 das Disposições Transitórias, que obriga o Orçamento da União a obedecer a critérios demográficos na aplicação dos recursos regionais. As lideranças nordestinas, mas deixaram que o dispositivo constitucional, considerado por Rômulo Almeida a maior conquista do Nordeste em todos os tempos, virasse letra morta. Foi o relator do Código de Defesa do Consumidor, diploma legal que, sancionado em setembro de 1990, entrou em vigor em março de 1991.
Conferencista, orador e articulista, Joaci publicou os seguintes ensaios: Inveja Nossa de CadaDia, Como lidar com ElaAnatomia do Ódio; A Força da Vocação para o Desenvolvimento dasPessoas e dos Povos; (As) 51 Personalidades (mais) Marcantes do Brasil; As Sete Pragas do BrasilModerno; Como Governar um Estado – O Caso da Bahia. Assina uma coluna semanal no jornalTribuna da Bahia, é comentarista da Rádio Metrópole e consultor educacional das Obras Sociais Irmã Dulce. Ocupa a cadeira n.º 7 da Academia de Letras da Bahia, que tem como patrono José da Silva Lisboa, visconde de Cairu, e como fundador o gramático Ernesto Carneiro Ribeiro, que teve entre seus alunos Castro Alves, Rui Barbosa e Euclides da Cunha. Casado com Lídice Ferraz de Góes, tem dois filhos: Joaci Góes Filho, empresário, e Alex, cantor e compositor e dois netos

Nêumanne entrevista Joaci

 

Para Joaci, "a sólida aliança que se formou entre a corrupção e a incompetência levou à lona nossas maiores empresas públicas." Foto: Acervo pessoal

Para Joaci, “a sólida aliança que se formou entre a corrupção e a incompetência levou à lona nossas maiores empresas públicas.” Foto: Acervo pessoal

Nêumanne – Seu livro Como Governar um Estado – O Caso da Bahia, editado pela Topbooks, deveria ser adotado como uma espécie de vade mecum para qualquer gestor estadual no Brasil. Das lições que o senhor dá nele, quais são, a seu ver, as mais urgentes a seremadotadas no Brasil de hoje?

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