Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

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Sinfac Sp: Palestra de José Nêumanne Pinto

Sinfac Sp: Palestra de José Nêumanne Pinto

 

 

Palestra em Piracicaba: Pinga, bola e moda de viola

Palestra em Piracicaba: Pinga, bola e moda de viola

Para suportar as doenças institucionais do Brasil só com uma boa pinga produzida pelo centro acadêmico de excelência de nossa agro-indústria.

A tentativa apressada e desesperada da Câmara dos Deputados de aprovar e passar para o Senado Federal a batata quente de uma reforma constitucional alterando os sistemas eleitoral e de governo e garantindo financiamento para suas campanhas bilionárias é uma forma de usurpação do poder popular. Apesar da pressão exercida pela sociedade, que já compreendeu o alcance do golpe que está sendo aplicado neste momento por meios cínicos e escusos, o que, pelo menos até agora, impediu que o plenário da Câmara aprovasse com três quintos (308) do total dos votos, essa ignomínia, o que está sendo feito inspira-se obviamente na tática bolivariana que transformou a vizinha Venezuela numa ditadura.

De início, os desprezíveis deputados tentaram repetir até o sistema eleitoral que levou o país avassalado por Hugo Chávez e Nicolás Maduro à situação atual: a tal da lista fechada. Quando o Brasil ainda vergava sob a falta de liberdade na ditadura militar, a Venezuela era governada por um Estado de Direito, mas de aparências. O voto era administrado por elites excludentes, corruptas e submetidas ao poderio do maior comprador de seu único produto de exportação: todo o petróleo para os Estados Unidos. A ditadura partidária exercida pela AD social-democrata e pelo Copei socialista cristão terminou ruindo sobre seus pés de barro e permitindo a escalada da ditadura esquerdista apoiada pelas forças armadas e pelos mais pobres, que se sentiam injustamente excluídos dos benefícios do regime.

A agonia do Estado patrimonialista brasileiro, em palestra para a Acipi Foto: Moreno/Acipi

A agonia do Estado patrimonialista brasileiro, em palestra para a Acipi Foto: Moreno/Acipi

Os parlamentares brasileiros não conseguiram impor o sistema de lista fechada, que funciona bem em países parlamentaristas, como a Alemanha, mas se mostra nefasto em nações de instituições frágeis como a nossa. No entanto, a lista foi imediatamente substituída pelo “distritão”, com o qual os hierarcas partidários pretendem manter-se eternamente no poder por um truque de mera aparência democrática. Isso foi desmascarado por brasileiros democratas e decentes e a proposta tem sido modificada de acordo com as possibilidades de sua aprovação. O mesmo acontece com a ideia absurda de um fundo de nome bonito de sustentação da democracia, mas que serviria apenas para manter o esquema de corrupção que contaminou a última eleição presidencial, seja na campanha dos vencedores governistas, seja na da falsa oposição comprada a peso de propinas.

Palestra no auditório da Universidade Metodista de Piracicaba em 12/08;2017. Foto:Marcelo GermanoAcipi

Palestra no auditório da Universidade Metodista de Piracicaba em 12/08/2017. Foto:Marcelo GermanoAcipi

Tive a oportunidade de denunciar esse esquema escabroso de furto do voto popular numa palestra no tradicional Congresso Empresarial, que a Associação Comercial e Industrial de Piracicaba, no interior paulista, tem realizado nos últimos 20 anos, com muito sucesso. Usei a oportunidade para recorrer a uma metáfora apropriada: a luta verdadeira hoje se trava entre as forças empreendedoras de cidades como a que visitei esta semana e os parasitas sanguessugas de Brasília, que só cuidam de depauperar a seiva da produção econômica e da liberdade política para enriquecer por meios ilícitos. Isso funciona desde o século 19, nos estertores do Segundo Império, como foi descrito pelo gênio de Machado de Assis numa crônica para jornal em que definiu o embate entre o País oficial e o Brasil real. E hoje também retrata ao desmanche do Estado patrimonial brasileiro em estágio agônico, provocado pela ambição desmedida e pelo desprezo pela moral e pelos bons costumes de elites cínicas, viciadas e corrompidas.

O público, no imenso auditório da Universidade Metodista de Piracicaba, foi composto por mais de 600 empresários, estudantes, professores, intelectuais e militantes políticos. No prazo reservado às perguntas e respostas, pude sentir o pulso da opinião pública no interior de São Paulo. Na capital da cultura caipira paulista, aprendi que o brasileiro mais impopular atualmente é o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, também ministro do Supremo Tribunal Federal. Mendes chega a ser menos popular do que Michel Temer, o presidente mais impopular da História. E do que Aécio Neves, que hoje simboliza a frustração do cidadão brasileiro em relação a uma oposição pela qual este pretendia ser representado, mas que terminou traindo a Nação por papel moeda em profusão em mochilas. Na ocasião foi presenteado com uma camisa do tradicional time de futebol do 15 de Piracicaba e uma garrafa da cachaça especial produzida num dos maiores centros de excelência acadêmica, em torno do qual se formou a tradição da agroindústria produtiva e vanguardista do Brasil de hoje, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Esalq. Para aguentar o Brasil hoje, só com uma boa pinga das margens do Rio Piracicaba, celebrado nas modas de viola.

Do mesmo Congresso Empresarial também participaram o historiador da Unicamp Leandro Karnal, colunista do jornal O Estado de S. Paulo, e o comentarista de economia Ricardo Sardenberg, do sistema Globo de rádio e televisão.

*Jornalista, poeta e escritor

Nêumanne em palestra na Unimed Norte e Nordeste

Nêumanne em palestra na Unimed Norte e Nordeste

O poeta, jornalista e escritor José Nêumanne Pinto fez palestra sobre a atual conjuntura na convenção da Unimed Norte e Nordeste em Natal na última quinta-feira 11 de agosto de 2017

Nêumanne em palestra na Unimed Norte e Nordeste em Natal na última quinta-feira 11 de agosto de 2017

Nêumanne em palestra na Unimed Norte e Nordeste em Natal na última quinta-feira 11 de agosto de 2017

Nêumanne no Roda Viva temático: “O peso da lei”

Nêumanne no Roda Viva temático: “O peso da lei”

Participei do Roda Viva temático sob o título de O peso da lei na TV Cultura de São Paulo, segunda-feira 17 de julho de 2017, às 22 horas, ncorado por Augusto Nunes. Nele constatei que o País vive uma crise gravíssima, da qual o lado mais trágico é representado pelos 14 milhões de desempregados, mas também a saída para este momento de angústia pode representar a redenção do Brasil de pecados históricos que estão sendo enfrentados pela Justiça. A economista-chefe da agência de investimentos XP, Zeina Letif, defendeu o primado da recuperação das contas públicas, que causam a crise que quebra empresários e desemprega empregados sobre as decisões judiciais e políticas. Mas a coordenadora do núcleo de combate à corrupção no Ministério Público de São Paulo, Thaméa Danelon deu prioridade à ação da Justiça contra a corrupção, contrariando posições do jornalista Reinaldo Azevedo, da BandNews e da Rede TV, que criticou duramente procuradores e juízes em atividade em devassas e inquéritos do momento.

Para ver a íntegra do programa, clique no link abaixo:

Para ver no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/crise-e-oportunidade/

Ricordanza della mia gioventù, lido pelo autor, Nêumanne

Ricordanza della mia gioventù, lido pelo autor, Nêumanne

Para ler e ouvir, um poema de José Nêumanne Pinto. “Ricordanza della mia gioventù. São Paulo, 30 de março de 2017, 88 anos de meu pai, Anchieta, se estivesse vivo, 5 anos de meu neto Giulio, de posse de meu futuro”.  O poema faz parte da antologia O quanto dela trago em mim, da editora Oficina do Livro, a ser lançada no dia 9 de maio.

 

Ricordanza della mia gioventù

 

ricord1

 

Lembro-me bem, e eu estava no cinema:
na tela o mar reproduzia aquele rito
de vem que eu vou e vai que eu fico,
espera e chegada, partida e espera.
Não, aquele não era o mar de minha infância,
pois não houve mar em minha infância:
nasci à beira de um rio seco e chucro,
que se chamava do peixe, ora vejam,
e raramente tinha algum nadando nele.
Quando o mar chegou à minha vida,
eu tinha mais de dez anos
e já mandava em mim.
Tinha deixado a casa dos meus pais
e dividia o quarto de dormir
com um magote de machos
trepados em beliches,
perdidos em longos corredores
como os do ano passado em Marienbad.

Por que diacho, então, que eu chorei?
O que produziu o sal líquido
descendo bochecha abaixo
no silêncio da sala escura
no qual não ecoava o mar,
mas a voz dos poemas
de rimas, passos e requebros
de Manuel Maria Barbosa du Bocage?

Acho que era a voz da minha mãe,
que descia feito um riacho fresco
na noite escura do sertão seco que só.
Mas minha mãe não sabia Bocage de cor.
O que me pegou no peito
e me pôs no colo
foi a voz de minha mãe semeando a treva
com a luz, a força e, sobretudo, o ritmo
de Antônio Frederico de Castro Alves.
Aquele ritmo é que me era familiar,
aquele mar de palavras
despejando frescor salgado e sagrado
das senzalas navegantes
que partiram da África
para fabricar o banzo
no outro lado do mar infame.
A voz de minha mãe
atravessava aquele pélago
e inundava o coração mudo
do menino comovido,
que aprendia ali
naquele ermo escuro e fundo
as danças e os feitiços,
o amor e o desafeto,
a paz de pasmar
e a guerra de agarrar
nas profundas do Rio do Peixe.

Naquelas noites distantes
de parentes mortos agourando
e inimigos jurados tocaiando,
minha mãe era meu escudo,
minha mãe era minha pátria,
minha mãe era a língua portuguesa.
Amei a língua por amor a ela,
venerei a poesia por venerá-la,
abracei a pátria toda
dentro de seu regaço.

No meio da noite,
passava ao largo
o doido Labrada
vindo do cabaré de Cirilo Félix,
imitando com a boca
motores de explosão dos automóveis.
E nas escadas do Capitólio
nos versos do poeta apaixonado
“lá brada César morrendo:
no pugilato tremendo
quem sempre vence é o porvir”.
Chorei o sangue do general
no escuro das noites do sertão
e no escuro das salas de cinema.
A toga furada do senador,
a causa perdida do imperador
e o menino ferido de vida
das batalhas por travar
e dos sonhos por realizar.
Djalma Limongi Batista nem sabe
que o menino velho chorou
lágrimas de um rio do peixe
que nunca teve um cardume
pra chamar de seu.
E Dona Mundica, então,
que não está mais aqui
para me dar de mamar
ou beber o leite de vaca
na temperatura certa
e sempre muito doce,
que é a sanha do diabetes
que herdei de um primo dela,
Anchieta Pinto, meu pai.

Lembro-me bem, se me lembro,
lenço enxugando o rosto úmido,
cantando para mim mesmo
uma cantiga muito antiga de ninar,
descobri que naquelas noites velhas
de quase mais nem me lembrar
aprendi que viver é amar
e o resto é só morrer aos pedaços.

José Nêumanne Pinto

Mamãe com o primo Anchieta, meu pai

Mamãe com o primo Anchieta, meu pai

Para ouvir o poema:

  1. Clique no ícone de play abaixo

2.  Acesse o SoundCloud

https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/ricordanza

neuanne_antologia

 

Ricordanza della mia gioventù

A minha ama-de-leite Guilhermina
Furtava as moedas que o Doutor me dava.
Sinhá-Mocinha, minha Mãe, ralhava…
Via naquilo a minha própria ruína!

Minha ama, então, hipócrita, afetava
Susceptibilidades de menina:
“- Não, não fora ela!” – E maldizia a sina,
Que ela absolutamente não furtava.

Vejo, entretanto, agora, em minha cama,
Que a mim somente cabe o furto feito…
Tu só furtaste a moeda, o ouro que brilha…

Furtaste a moeda só, mas eu, minha ama,
Eu furtei mais, porque furtei o peito
Que dava leite para a tua filha!

——————

O soneto Ricordanza della mia gioventú, de Augusto dos Anjos.
Voz: Othon Bastos.

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