Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

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Nêumanne Entrevista 2019

Nêumanne Entrevista 2019

Wálter Maierovitch, Hildeberto Aleluia e Xico Graziano são os primeiros entrevistados da série NÊUMANNE ENTREVISTA 2019. Acesse a reprodução das edições em um único link. Clique aqui

Neste domingo no Aliás: Uma vida bem contada

Neste domingo no Aliás: Uma vida bem contada

Escritor, jurista, político e ex-chanceler

narra episódios importantes da história do Brasil

dos quais teve participação

A publicação mais imponente (1.789 páginas) e importante do mercado editorial brasileiro em 2018 – ano marcado no setor pelos pedidos de recuperação judicial das Livrarias Saraiva e Cultura – foi a reedição num só volume das memórias do político, jurista, ex-chanceler e literato mineiro Afonso Arinos de Melo Franco, A Alma do Tempo. Disponível também em edição digital à venda na Amazon, esta reedição com capa dura, lombada de 7,2 cm, vários textos introdutórios de expoentes da crítica, é um empreendimento de fôlego hercúleo, heroico e quase insano da editora Topbooks. A casa de José Mario Pereira, cujo primeiro grande sucesso foi outro volume de memórias de um homem público, A Lanterna na Popa, de Roberto Campos, edita mais um texto essencial para a compreensão da vida política, social e econômica do Brasil contemporâneo. Esgotada há quatro decênios a edição original em cinco tomos, a obra foi escrita numa língua portuguesa elegante, escorreita e canônica, à altura dos melhores entre os escritores que foram seus pares na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Obra do sul-africano William Kentridge, que usou páginas de livros para homenagear os escritores, inclusive alguns brasileiros

Obra do sul-africano William Kentridge, que usou páginas de livros para homenagear os escritores, inclusive alguns brasileiros

Quando a empreendeu, em sua casa na rua Dona Mariana, em Botafogo, no Rio, Afonso Arinos já era reconhecido como estilista de gênio por duas biografias clássicas. A primeira é Um Estadista da República, sobre seu pai, Afrânio de Melo Franco, uma espécie de paródia republicana e familiar do clássico de nossas letras Um Estadista do Império, de Joaquim Nabuco, retrato do reinado de dom Pedro II a partir da vida do próprio genitor, Nabuco de Araújo. Outra obra capital dele no gênero foi Rodrigues Alves, relato biográfico em dois volumes. O interessante nesta obra-prima da crônica política da Velha República é que biógrafo e biografado têm suas vidas cruzadas (e não “paralelas”, como as narradas por Plutarco) duas vezes. A primeira delas: a mulher de Afonso, Anah, era neta de Rodrigues Alves. A outra é um dos mais singulares episódios da História do Brasil. O paulista foi eleito presidente da República duas vezes. Cumpriu o primeiro mandato, mas por ter morrido, vitimado pela gripe espanhola, não foi empossado pela segunda vez e foi substituído pelo vice mineiro, Delfim Moreira, clássico exemplo da aliança café (de São Paulo) com leite (de Minas). Sepultado o chefe do governo, contudo, ficou patente a doença mental do substituto legal. E as oligarquias, que manejavam os cordéis republicanos à época, encontraram uma solução salomônica, entregando o governo de fato, antes da eleição de Epitácio Pessoa, a um ministro de confiança do morto e do sobrevivente: Afrânio de Melo Franco, pai de Afonso Arinos. Este, ainda imberbe, avistou na casa familiar no Posto 6 de Copacabana, onde testemunhou a histórica Revolta dos 18 do Forte, uma cena trágica e inesquecível. Enquanto a mãe e o irmão Cesário morriam de febre espanhola, o pai, à beira dos leitos da esposa e do filho em agonia, resolvia negócios do governo republicano.

Afonso com o político udenista Milton Campos e o poeta Manuel Bandeira

Afonso com o político udenista Milton Campos e o poeta Manuel Bandeira

Vale a pena reproduzir neste texto um parágrafo da descrição feita pelo autor a esse respeito. Ele escreveu: “Ora, tal situação não podia deixar de repercutir na nossa casa. Esta, apesar das condições trágicas em que se encontrava a família, passou a viver cheia, dia e noite, não só de amigos verdadeiros, mas também de políticos cerimoniosos, de altos funcionários, bem como de aduladores e oportunistas habituais em tais ocasiões, que surgiam farejando vantagens e alardeando serviços ao poderoso ministro”. O Brasil era, pois, idêntico ao que é hoje.

Para o estudioso e interessado em História, a pena de Afonso Arinos recolheu vívidas impressões sobre a austera, mas apenas remediada, e não nababesca, elite mineira, com quem conviveu de forma íntima e familiar. Entre os episódios mais interessantes narrados ao correr da pena no cartapácio destacam-se um encontro fortuito na infância e um convívio parlamentar longevo com um dos mais poderosos políticos da primeira metade do século 20. Criança, antes da Revolução de 1930, que pôs fim à era das primícias republicanas, foi levado a um passeio de trem com o então ainda presidente da província de Minas (seria depois da República), Artur Bernardes. Enquanto Afrânio e seus companheiros de passeio proseavam no trem, o cavalheiro, isolado, recebia um a um, convidados a se sentarem ao seu lado.

Afonso no dia de sua posse na Academia Brasileira de Letras

Afonso no dia de sua posse na Academia Brasileira de Letras

Deixemo-lo narrar o caso. “Fiquei espantado quando o chefe do trem veio procurar-me, em nome do presidente. Fui logo e Bernardes mostrou-me uma cadeira a seu lado, onde me sentei, entre divertido e receoso. O presidente curvou-se um pouco para me ver melhor, perscrutou-me por detrás de seu pince-nez enfumaçado, de chapéu-coco na cabeça, todo limpo e esticado. Depois, em voz baixa, como se estivéssemos confidenciando coisas graves, perguntou-me pelo colégio, pelos estudos, pelos professores, insistindo, particularmente em saber por que eu não me matriculara no ginásio de Belo Horizonte. Nossa conversa demorou bastante, até que ele me despediu, desta vez risonho, com um cordial aperto de mão”. Afonso Arinos testemunhou o período presidencial do mineiro, marcado por um longo estado de sítio. Curioso é pensar que o gestor a quem foi atribuída uma frase que virou provérbio – “aos amigos, tudo; aos inimigos, o rigor da lei” – conviveria na velhice com Afonso, já na maturidade, no plenário da Câmara dos Deputados no belo Palácio Tiradentes, no Rio.

Afonso face a face com seu maior adversário, Getúlio Vargas

Afonso face a face com seu maior adversário, Getúlio Vargas

O autor ainda participou do episódio sangrento protagonizado pelo caudilho que liderara a dissolução da aliança do café com leite: Getúlio Vargas. Líder da União Democrática Nacional (a UDN, partido político nascido do “manifesto dos mineiros” para se opor ao Estado Novo do gaúcho), o filho de Afrânio fez um discurso a que se atribui o motivo pelo qual o então presidente eleito pelo povo em 1950 resolveu atirar no próprio peito para “sair da vida e entrar na História”. Quando presidia o Senado, Antônio Carlos Magalhães editou uma coleção de CDs com os pronunciamentos mais importantes da Casa e o incluiu na antologia. O orador, contudo, recolheu-se à humildade de tribuno consagrado ao registrar nas memórias uma de suas famosas diatribes contra Vargas. “Na verdade o discurso, embora longo, não teve nada de propriamente novo. Apenas colocou em termos que então me pareciam mais acertados, e que ainda me parecem válidos, a realidade histórica daqueles difíceis dias”. Em seguida, copiou as notas taquigráficas do pronunciamento que sacudiu a História recente do Brasil em sua maior tragédia. “Unidos em torno das instituições, salvaremos o Brasil: divididos pelo ódio, mergulharemos a pátria na escuridão”. Retirado do contexto histórico, 65 anos depois, soa como uma prudente (e sábia) profecia.

Afonso com o também mineiro e memorialista Pedro Nava

Afonso com o também mineiro e memorialista Pedro Nava

Como dirigente da UDN, Afonso Arinos apoiaria a eleição de Jânio Quadros, que, feito presidente, o nomeou chanceler, mesmo sem ter ele feito carreira diplomática. Como chefe do Itamaraty, tentou evitar a crise da democracia posterior à saída de Jânio, sugerindo ao então presidente do Congresso, Auro de Moura Andrade, “a recusa da renúncia” — “cujas consequências”, observa, “eu logo entrevi, dadas a ausência de Goulart e a oposição que se formaria contra sua posse”. Seu telex não foi recebido e a História seguiu seu rumo implacável: o parlamentarismo imposto e o golpe que depôs o vice empossado.

Na saborosa leitura do pesado volume encontram-se, além de fatos, retratos impecáveis de grandes brasileiros com quem conviveu. Ele, que saudou o genial romancista Guimarães Rosa em sua entrada na ABL, fez perfis admiráveis, destacando-se as páginas em que falou da morte de Santiago Dantas e de Carlos Lacerda, seu companheiro na guerra de espadachins retóricos contra o PTB de Getúlio. Sobre o segundo é o caso de recorrer a seu estro para concluir este texto. “Carlos era feito para o triunfo na vida política e o prazer na vida pessoal. Não direi felicidade, porque é coisa indefinível e, no caso de certos santos, existe no próprio sofrimento”.

A Alma do Tempo é o documento de uma vida de relevo descrita com raras maestria psicológica e elegância estilística.

José Nêumanne Pinto

Serviço

A Alma do Tempo
Autor: Afonso Arinos de Melo Franco
Editora: Topbooks
1.789 páginas R$ 249,70
(O volume reúne cinco livros publicados entre 1961 e 1979)

Para ler no Portal do Estadão clique aqui.

Nêumanne entrevista Xico Graziano – 2019/03

Nêumanne entrevista Xico Graziano – 2019/03

Graziano diz sentir asco

do debate ideológico

sobre crime de Brumadinho

Para ex-presidente do Incra, catastrofistas vão perder, danos ecológicos logo serão reparados, mas nunca serão esquecidas as mortes das centenas de pessoas soterradas

O agrônomo e político Xico Graziano acha “quase nojentas as interpretações políticas sobre a tragédia humana” de Brumadinho (MG). Pois, a seu ver, “centenas de pessoas foram soterradas vivas na lama e assistimos a um embate deplorável entre a ‘esquerda’ e a ‘direita’ sobre quem devemos culpar”. E desabafa: “Sinto asco dessa ideologização do problema”. Para ele, os danos ecológicos provocados pelo arrombamento da represa de rejeitos minerais da Vale no Córrego do Feijão serão menores do que os produzidos há três anos em Mariana. Na edição da semana de Nêumanne Entrevista, neste blog, o especialista disse que gostaria que “as investigações deixassem o lado ambiental propriamente dito e corressem sobre os engenheiros e diretores que permitiram que tais desgraças acontecessem. Não há como tergiversar: cabe à Vale, e não ao governo,  a responsabilidade dessa tragédia”. E acrescentou: “Eu, que mudei de turma, na política, para apoiar Bolsonaro, pois não podia raciocinar com a possibilidade da volta da quadrilha vermelha ao poder, quero ver procedimentos distintos na apuração desse desastre”.

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Nêumanne entrevista Aleluia – 2019/2

Nêumanne entrevista Aleluia – 2019/2

Para jornalista, esquerda não morrerá,

mas por algum tempo será minoria

Autor do livro O Futuro da Internet avisa que Bolsonaro chegou ao poder sozinho, perdeu 10 milhões de votos de um turno para outro, mas a massa está com ele

O jornalista baiano-carioca Hildeberto Aleluia, que atualmente se dedica em tempo integral a ler e escrever sobre o fenômeno da cibernética, que abalou o mercado e, em especial, as empresas de comunicação, diz que no último quarto de século os políticos brasileiros nos têm governado “com a cabeça e os olhos voltados para trás”. O protagonista desta semana da série Nêumanne Entrevista neste blog acha que eles não perceberam a mudança. Segundo Aleluia, “todas as políticas sociais desde o governo FHC estão voltadas para fomentar a miséria.” E dá um exemplo trágico: “Tanto o governo federal quanto os estaduais e os municipais incentivaram e incentivam a natalidade, achando estar apoiando os mais pobres. Estavam e estão criando miseráveis. O bebê de hoje é o arrimo da família pobre”. Para ele, “por formação e conveniências políticas, eles se esqueceram de criar uma nação jovem, preparada e desenvolvida. Aparelharam o principal instrumento para isso: as escolas e a universidade. Enquanto o mundo civilizado está medindo seu PIB em bytes, nossos governos trabalharam pensando na década de 1950, buscando soluções para uma infraestrutura tanto política quanto industrial que não existe mais.”

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Nêumanne entrevista Wálter Maierovitch – 2019/01

Nêumanne entrevista Wálter Maierovitch – 2019/01

Juiz narra barbaridades de Battisti

a pretexto da ideologia

Maierovitch diz que Suplicy mentiu para defender italiano, delinquente oportunista cuja organização terrorista aleijava vítimas para servirem de propaganda ambulante

O juiz Wálter Fanganiello Maierovitch, fundador e presidente do Instituto Giovanni Falcone de Ciências Criminais, que leu inúmeras vezes o processo em que o italiano Cesare Battisti foi duas vezes condenado por quatro crimes, garante que ele era um delinquente oportunista, que nunca quis trabalhar. Na volta depois das férias da série semanal Nêumanne Entrevista, publicada neste blog, o ex-ministro responsável pela Secretaria Nacional Antidrogas descreve em detalhes o que conhece dos autos e da História italiana, que lhe serve de pano de fundo, e atribui à esquerda brasileira “pura ignorância” para defendê-lo. Lula, Tarso Genro e outros petistas responsáveis por sua permanência de dez anos no Brasil nunca se deram sequer ao trabalho de consultar o que pensava a esquerda democrática de seu país de origem. O relato do professor de Direito Penal é confirmado pelo fato de a expulsão de Battisti pela Bolívia ter sido festejada por esquerda e direita na Itália. A esse relato Maierovitch adiciona o episódio cruel da carbonização de uma família de pobres trabalhadores italianos, cujo chefe militava num grupo neofascista, por outro facínora, Achille Lollo, adotado como ideólogo pelo PT, do qual foi expulso quando denunciado pelo entrevistado, e pelo PSOL, no qual militou até voltar para a Itália quando sua pena prescreveu.

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Nêumanne Entrevista 2018

Nêumanne Entrevista 2018

Trinta e seis personalidades da política, cultura, literatura, arte e dos esportes concederam entrevistas disponibilizadas no Blog do Nêumanne no Estadão e nesta Estação Nêumanne. Acesse num único link: clique aqui.

Ou clique abaixo no nome do entrevistado de seu interesse:

Marina Colasanti, José Augusto Guilhon, Márcia Lígia Guidin, José Mario Pereira , Evandro Affonso Ferreira,  GuzzoDeonísio da SilvaFernando L. SchülerJoice HasselmannJanaína PaschoalIpojuca PontesMárcia CavallariRubens FigueiredoCelso LaferJosé de Souza MartinsMary Del PrioreCláudio PortoPaulo MeloAugusto NunesRoberto LivianuLuiz Flávio GomesJosé Paulo Cavalcanti FilhoArthur Antunes Coimbra, ZicoElena LandauAfonsinhoAninha FrancoJosé Bonifácio de Oliveira Sobrinho, BoniEdmar Lisboa BachaJuca de OliveiraRoberto RodriguesMara GabrilliHeloisa StarlingJacob Pinheiro GoldbergModesto CarvalhosaAlmir PazzianottoPaulo de Tarso.

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