Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

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Nêumanne Entrevista. Eurico (1): Bolsonaro votou em Lula em 2002

Nêumanne Entrevista. Eurico (1): Bolsonaro votou em Lula em 2002

A excelente entrevista com o professor Eurico Figueiredo, especialista em Forças Armadas, foi interrompida por uma queda de sinal de internet. Aqui está a primeira parte na qual #euricofigueiredo definiu #jairbolsonaro como portador de uma personalidade gelatinosa, que muda muito, lembrando que ele votou em #luizaerundina em 1999, em #cirogomes no primeiro turno de 2002 e naquela mesma eleição em #lula no segundo turno. O especialista lembrou ainda que o #presidentedarepublica tem uma personaidade autoritária, que rejeita a crítica e não aceita a democracia. O protagonista da série #neumanneentrevista desta semana analisou também que o #chefedoexecutivo tem uma visão simplista e dicotômica da política, o que é a própria negação da mesma, de vez que a gestão pública admite vários partidos, várias opiniões e o debate entre elas. #joseneumannepinto. #diretoaoassunto. inté. e só a verdade salvará nossas vidas.

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No Blog do Nêumanne: O profano direito de cobrar dízimo na pandemia

No Blog do Nêumanne: O profano direito de cobrar dízimo na pandemia

José Nêumanne

Fiel ao hábito do patrão, Bolsonaro, de usar o santo nome da liberdade em vão, Marques libera cultos presenciais proibidos por prefeitos e, assim, aumenta contágio e morte por covid

Ganha uma passagem de ida sem volta a Budapeste quem comprovar a legitimidade da tal Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) para exigir do ministro Kassio Nunes Marques que desprezasse decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). E, com isso, negasse autonomia para prefeitos e governadores decretarem restrições de circulação em territórios sob sua jurisdição. É como se o fã-clube de Gabriel Barbosa mandasse reabrir o cassino por ele frequentado. Ou se o clube recreativo dos ex-alunos da Universidade Federal do Piauí ganhasse o troféu perpétuo de melhor agremiação recreativa do carnaval de Teresina.

Não pense o leitor que a troça acima supera a realidade. É apenas uma pálida descrição da deletéria liminar monocrática do cidadão em questão, ao contrariar frontalmente, e na maior caradura, decisão unânime do plenário do “excelso pretório”, cada vez mais indigno da denominação pomposa, decidindo sobre o tema. Na quarta-feira 15 de abril de 2020 foi publicada a seguinte notícia, não por algum veículo da “extrema imprensa”, alvo do ódio do gabinete ao lado do de Bolsonaro, mas pelo boletim oficial Notícias STF: “O Plenário (sic) do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, confirmou o entendimento de que as medidas adotadas pelo Governo Federal na Medida Provisória (MP) 926/2020 para o enfrentamento do novo coronavírus não afastam a competência concorrente nem a tomada de providências normativas e administrativas pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), em sessão realizada por videoconferência, no referendo da medida cautelar deferida em março pelo ministro Marco Aurélio na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6341”. Se dúvida houvesse, e nunca houve, quase um ano depois, em 5 de março passado, o mesmo STF, ao qual em teoria Marques pertence, reafirmou a decisão para que mugidos do gado bolsonarista deixem de repetir a patacoada sem sequer ruminar.

Isso não impediu, contudo, que o patrão do bolsonarismo continuasse entoando a ladainha de que a cúpula do Poder Judiciário o havia proibido de interferir no combate ao contágio do novo “coroné vírus”. Apesar de o relator, Marco Aurélio Mello, atual decano, ter insistido em negá-lo. E quando o boiadeiro faz soar o berrante, o gado o ecoa. O capetão sem noção não dá bola e apela sem parar, de forma patética, para a liberdade individual, chamando governadores e prefeitos de “tiranetes” por decretarem medidas de isolamento social para dificultar o contágio por contato. Foi então que entrou em ação a Anajure e atacou o “atentado à liberdade religiosa” na proibição de ofícios religiosos à hora em que a pandemia se propaga, causando mortandade. Hipócritas, repita-se designando as reses anônimas. A insignificante associação, que inspira o causídico favorito de Bolsonaro, PT e Centrão, defende mesmo é o direito pelo qual pastores, bispos, padres, mulás ou quaisquer agentes do comércio da falsa fé lutam: a livre cobrança do dízimo. Não é com o credo religioso que os donos dos shopping centers das seitas fazem fortuna, mas com a mudança de bolsos da moeda sonante durante os ritos.

Nunes Marques, o novo “guardião” da fé que não move montanhas, mas moedas, diz-se católico. Os “juristas” em que inspirou seu desprezo insultuoso pela decisão dos colegas do pináculo das jurisprudências se chamam evangélicos. Já que assim se designam os defensores e praticantes desse genocídio, vamos à “boa nova”, em que cristãos em geral fundamentam sua crença na conquista do paraíso celestial. João, a quem também se atribui a autoria do Apocalipse, escreveu no capítulo 2 do  evangelho que assina: “13 Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14 No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15 Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16 E disse aos que vendiam pombas: ‘Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!’”.

O livro bíblico dos Provérbios antecede o Novo Testamento no Velho. E foi sempre meu texto impresso favorito, desde as primeiras leituras na casa paterna e, depois, no Instituto Redentorista Santos Anjos, em Campina Grande. Ali se registra: “Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (15:3). No catecismo, ministrado pela beata Donária, fabricante das hóstias da missa do cônego Antônio Anacleto, e nas prédicas ouvidas na idade vetusta de hoje, aprendi que conversar com a divindade única e severa de hebreus e discípulos de Jesus é hábito a se adquirir em casa, na rua ou no escritório. Ninguém precisa deslocar-se até um templo para conversar com Jeová, Alá ou qualquer outra entidade máxima, que, ao contrário do que imagina o “pio” Kassio com K, não está só ao alcance do bispo Edir Macedo, dono da Record, ou do paletó do capetão, cujo segundo nome, Messias, é por este desprezado.

Nesta semana, que começou com a notícia de 331.530 mortes de brasileiros que contraíram a “gripezinha” do charlatão-mor, registrou-se que, após a ímpia bênção do douto “adevogado” Marques à realização de cultos e missas neste pior momento da pandemia de covid-19 no Brasil, a Igreja Mundial do Poder de Deus, do caubói Valdemiro Santiago, transmitiu no domingo 13 imagens de seu culto de Páscoa com a aglomeração de fiéis em seu principal templo na cidade de São Paulo. O Messias das falsas profecias e o “jurisinsulto” não querem liberdade para orar, mas para amealhar as poupanças das vítimas do culto à morte, que os anjos caídos da peste, movida a cloroquina, usam para reverenciar Satã no bezerro de ouro.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 4 de abril de 2021)

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Dois Dedos de Prosa no YouTube. Fagner: de Mucuripe a Serenata

Dois Dedos de Prosa no YouTube. Fagner: de Mucuripe a Serenata

– Na série #doisdedosdeprosa, #fagner contou histórias incríveis desde como ele e #belchior compuseram #mucuripe, canção gravada por #elisregina e #robertocarlos antes mesmo que os dois compositores cearenses fizessem suas primeiras gravações. 2 – O entrevistado falou também sobre a saga de regravar todos os clássicos dos seresteiros brasileiros em seu CD #serenata, lançado pela #biscoitofino, cuja primeira faixa inclui a participação especial de #nelsongoncalves, de quem foi amigo depois de um desentendimento público entre os dois. 3 – Ele falou ainda com carinho da ajuda que recebeu de @viniciusdemoraes e da admiração por amigos como #luizgonzaga e #zeramalho, de quem é vizinho no Jardim de Alá, mas não vê há muito tempo por causa da pandemia. #joseneumannepinto #diretoaoassunto. Inté. E só a verdade salvará as nossas vidas.

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Nesta quarta-feira no Estadão: Uma “justiça” de mentira nesta república da trapaça

Nesta quarta-feira no Estadão: Uma “justiça” de mentira  nesta república da trapaça

José Nêumanne

Trapaceiro chefia Executivo, Centrão

controla Congresso e STF mente em votos

Primeiro presidente eleito pelo voto direto sob a Constituição de 1988, dita “cidadã” por Ulysses Guimarães, Fernando Collor prometeu combater privilégios e foi derrubado em impeachment por corrupção. Fernando Henrique nomeou o grupo responsável pelo Plano Real, que pôs fim à inflação, mas traiu o espírito da Lei de Responsabilidade Fiscal, que patrocinou, ao impor a própria reeleição, e nutriu o embrião do Centrão ao adotar o presidencialismo de coalizão (ou de colisão?). Lula entregou dois governos a empreiteiros corrupteiros, que, como relatou o figurão do Partido dos Trabalhadores (PT) Antônio Palocci, redigiram 900 de mil medidas provisórias, impostas ao Congresso. E levou seu poste Dilma Rousseff a ganhar duas disputas atribuindo a adversários o crime de surrupiar refeições do trabalhador, em campanhas de marqueteiros pagos por propinas de beneficiários, segundo vasto relato de magotes de delatores. Ela caiu do alto da torre em impeachment por contabilidade fajuta.

Em meio mandato, Itamar Franco foi o único da lista a honrar o cargo de 1988 para cá. Pilhado numa conversa marota com Joesley Batista, nos porões do Jaburu, Michel Temer chegou até a ser preso, quando seu meio mandato finou. E Jair Bolsonaro ganhou a disputa em 2018 aplicando golpes que aprendeu na prática da velha política, da qual se dizia exterminador. Em meio mandato, o atual chefe do Executivo superou os antecessores em trapaças: eleitos a bico de pena da Primeira República, apaniguados do ditador do Estado Novo fascistoide, o mar de lama de Getúlio, acusações contra JK, truques de Jânio e a corrupção censurada dos generais que deram o golpe em 1964. Vitorioso sem debates e eleito num palanque de leito hospitalar, ele traiu os votos que recebeu de antipetistas, de quem queria ver gatunos na cadeia e do soit-disant mercado, que confiou em suas lorotas de reformas e privatização. Sob a bandeira de “mais Brasil e menos Brasília”, ele acorrentou 100 milhões de brasileiros que produzem a 11 milhões e meio de marajás que desmandam na “Pátria amada”, que não ama os filhos deserdados.

Tudo sob vigilância e controle do Centrão de antanho, de Arthur Lira, sub-Cunha importado das Alagoas de Renan e Collor. E Rodrigo Pacheco, que imita Tancredo Neves por também ter nascido em Minas, sem, contudo, passar de um “Pacheco” do folclore publicitário: o torcedor abestalhado da melhor seleção dos tempos em que o Brasil era bom pelo menos no futebol. Com mais de 70 projetos de impeachment óbvio na gaveta, a dupla distribuiu R$ 3 bilhões de emendas parlamentares para tomar o poder no Congresso, mais desmoralizado hoje do que antes. E em vez de atender à necessidade premente do cidadão que morre sem ar em filas de UTIs lotadas, mercê do gosto pela morte do capetão sem noção, ora ensaia um golpe ao antigo modelo, convocando capitães da indústria e da banca para repetir 1889, 1937 e 1964. A medida saneadora urgente é adiada pelo desvio da trapaça, que eles conhecem bem.

Trata-se de mais um capítulo do “acordão” para salvar compadritos comprometidos nos autos das operações, principalmente a Lava Jato, do futuro em celas, como as que foram reservadas para Lula e Marcelo Odebrecht. E para cuja consecução só falta o acréscimo do acento agudo na segunda sílaba. Ninguém perde por esperar: o acórdão “vem aí”, como Jânio em 1960. Já começou a ser engendrado nas altas instâncias do Judiciário. O ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça João Noronha e o procurador-geral da República, Augusto Aras, deram a gazua para o primogênito presidencial, Flávio Bolsonaro, escapar das evidências da extorsão de funcionários fantasmas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e dormir no luxo da mansão de quase R$ 6 milhões. E a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu o expediente para, depois de higienizar a ficha suja do ex Lula, incriminar o juiz Sergio Moro, que o condenara.

Edson Fachin omitiu cinco anos de confirmações da competência da vara federal, abrindo a temporada de caça a Moro, ao exercer a memória tardia da militância petista, que o guindou ao nada excelso pretório. Gilmar Mendes, que humilhou o colega Nunes Marques por sua origem nordestina e citou os inimigos Modesto Carvalhosa e Rodrigo Janot, que nada tinham que ver com a pauta, mentiu. Foi seguido por Ricardo Lewandowski, que se referiu exaustivamente ao produto de invasão de sigilo telefônico de autoridades, mas a ignorou no voto. E a procuradora Cármen Lúcia, que dispensa sobrenomes, imitou o relator vencido na amnésia, mudando para dar o voto vencedor. Não se sabe se por gratidão ao ex-sindicalista, que a indicara comovido com os vestidos costurados pela mãe, assim como as próprias roupas por dona Lindu, ou pelo charme do colega ao lado. Votou entre uma bem remunerada palestra e outra do Instituto do Direito Público, do vizinho.

Nada combina mais com esta república da trapaça do que uma “justiça” de mentira, que, ao cobrar parcialidade do paciente, nunca lhe deu sequer um mísero segundo de defesa.

  • Jornalista, poeta e escritor

(Publicada na Pag. A2 do Estado de S.Paulo na quarta-feira 1 de abril de 2021)

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No blog do Nêumanne: Bolsonaro manda, o resto obedece

No blog do Nêumanne: Bolsonaro manda, o resto obedece

José Nêumanne

Logo se saberá que mudanças nos Ministérios da Saúde e das Relações Exteriores e eventual queda do ministro do Meio Ambiente não indicam adesão do capitão terrorista a razão, lógica e ciência

Na recentíssima História do Brasil, processos de impeachment são precedidos de intenso tráfego aéreo entre Brasília e São Paulo, com jatinhos particulares transportando parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) interessados em mudar presidentes da República. Esse tráfego foi bastante intenso quando o alvo era Fernando Collor, processo no qual o vice, substituto constitucional e, portanto, maior interessado, era o mineiro Itamar Franco. Mas este nem precisou mexer-se muito, deixando a articulação no Legislativo com Fernando Henrique, no Senado, e Roseane Sarney, na Câmara dos Deputados. Collor ainda tentou reagir com a mão pesada do líder da bancada do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) na Câmara, Roberto Jefferson, e os conselhos de Thales Ramalho, que tinha sido muito próximo de Tancredo Neves. A urdidura da rede defensiva para evitar a queda e suas contusões ficou a cargo do chefe da Casa Civil, Jorge Bornhausen, que ainda articularia um Ministério dito ético, com personalidades de bom nome. Mas teia e articulação não foram suficientes para dissolver o caldo fétido, mexido pelo presidente com a mão gorda e peluda de seu  caixa, Paulo César Farias, vulgo Paulinho Gasolina.

No caso de Dilma Rousseff, que era ainda mais desastrada do que  o alagoano nascido no Rio, tudo ficou nas mãos de Eduardo Cunha, o Caranguejo do propinoduto da Odebrecht no processo chamado de mensalão no STF. Toda a complicada conspiração que levou Collor ao solo foi substituída pela costura de uma conspiração, na qual pontificava o “quadrilhão” do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), para ocupar o poder na pessoa do vice escolhido por Lula para as chapas vencedoras de madame. A sólida aliança que havia evitado o impeachment e garantido a reeleição de Lula em plena efervescência do mensalão derreteu-se no fogo ateado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, e seu lugar-tenente preferido, Romero Jucá. A aliança, que levou o constitucionalista de Tietê ao cargo máximo da República, manteve-o lá, apesar de todos os esforços de um adversário institucionalmente poderoso, mas politicamente inofensivo, Rodrigo Janot, que não alcançou a maioria de três quintos necessária dos deputados federais para depor o ex-vice.

A ex-chefe da Casa Civil de Lula começou a complicar sua defesa ao comprar uma briga desnecessária com o Centrão, que aplicou na “presidenta” e no Partido dos Trabalhadores (PT) uma espetacular surra na disputa pela presidência da Câmara. Os processos investigados pela Operação Lava Jato, com denúncias de Deltan Dallagnol e sentenças de Sergio Moro, levaram Cunha para a cadeia, da qual só saiu recentemente graças à piedade de desembargadores e ministros, que o mandaram para casa com tornozeleira. Seu lugar-tenente de todas as horas, outro alagoano na história da República contemporânea, Arthur Lira, assumiu na condição de sub-Cunha a presidência da Câmara, à qual compete, de saída, dar a partida para quaisquer processos de impeachment do presidente de plantão. Se Rodrigo Maia, seu antecessor, não autorizou a abertura do processo por medo de perder na hora da disputa do voto, não ia ser o sucessor, eleito ao lado do mineiro Rodrigo Pacheco com a ajuda de R$ 3 bilhões de emendas parlamentares, que se aventuraria a tal ousadia. Ainda mais neste momento em que foi aprovada uma manobra nas despesas obrigatórias  para acomodar R$ 26 bilhões de quantias substanciais pelo relator-geral da Lei das Diretrizes Orçamentárias, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), que elevou o valor total do disponível para R$ 51,6 bilhões (o maior nível histórico), conforme levantamento recente do texto aprovado com muito atraso.

Na semana passada houve um frisson na capital depois que Lira deu a entender, num avoso cifrado em discurso na Mesa ao abrir uma sessão, avisando ao “primeiro magistrado” que poderia executar o que Maia nunca ousou com os processos engavetados. O aviso ganhou volume depois da publicação, em manchete no Estadão de domingo 28 de março, de reportagem de Felipe Frazão e André Shalders dando conta de que o aparente puxão de orelhas do sub-Cunha fora articulado em oito reuniões com pesos pesados do PIB brasileiro, ressuscitando aquela revoada de pássaros de aço dos tempos do desabamento de Collor et caterva. A notícia acendeu, segundo analistas, o sinal amarelo para os rompantes ditatoriais do ex-capitão terrorista no principal gabinete do Palácio do Planalto. Algo do gênero cria juízo ou a casa cai.

A grande importância do furo do Estadão no fim de semana é que, covarde como é, o chefe do Executivo poderia não levar sua valentia à praça para enfrentar uma conspiração do mercado com o Parlamento e, assim, mudaria sua desastrada postura sobre três pontos fundamentais, que seriam capazes de levar sua permanente obediência aos filhos e fanáticos do jardim do Alvorada para o arquivo mais próximo. São eles: a pandemia assassina, a política de apoio à garimpagem ilegal e ao desmatamento de nossa floresta tropical e a agressão subolavista a nosso maior parceiro comercial, a China. As mudanças nos Ministérios da Saúde e das Relações Exteriores e até mesmo uma eventual intervenção na pasta do Meio (na verdade, mau) Ambiente, que ainda nem sequer foi aventada, significam, contudo, muito pouco para quem imagina uma eventual guinada da postura bolsonarista em relação a esses pontos. O roque de xadrez no Planalto na tarde de segunda 29 confirma que Bolsonaro, como o príncipe di Salina do Gattopardo, de Giuseppe di Lampedusa, muda o time para ele mesmo não ter que mudar. O ministro da Saúde e das Relações Exteriores continua sendo Jair Bolsonaro. Ele é que continua mandando e mesmo quem obedece não tem o lugar assegurado, como se comprovou com o intendente incompetente, fiel vassalo confesso e ainda assim demitido. E seja quem for o novo chanceler, ele não terá como se aventurar no território, desconhecido no desgoverno federal, do desafio aos caprichos negacionistas e à sólida ignorância presidencial sobre qualquer assunto que mereça um raciocínio mais complicado do que contar os dedos da mão.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 29 de março de 2021)

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Dois Dedos de Prosa. Deonísio conta bastidores da literatura

Dois Dedos de Prosa. Deonísio conta bastidores da literatura

1 – O professor #deonisiodasilva, protagonista da série #doisdedosdeprosa desta semana neste canal, conta segredos guardados sob sete capas, como sua exclusão da banca examinadora do poeta #mariochamie, odiado pela esquerda reinante nas universidades. 2 – O romancista premiado pela #casadekasanericas pelo romance @avantesoldadosparatras, nova leitura da #retiradadalaguna, por júri presidido por #josesaramago, #premionobeldeliteratura, ele aconselha que se releia o clássico do #viscondedetaunay nestes tempos de #pandemia. 3 – No romance #lotteezweig, ele defendeu a hipótese de o escritor e sua mulher não se terem suicidado, mas executados a mando de seu inimigo #adolfhitler. #diretoaoassunto. #joseneumannepinto. inté. E só a verdade salvará as nossas vidas.

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