Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Destaques

Nêumanne entrevista Isabel Lustosa – 2019 (11ª)

Nêumanne entrevista Isabel Lustosa – 2019 (11ª)

Vimos a luz ao sair da caverna
e a ela não voltaremos,
prevê professora

Para historiadora Isabel Lustosa, coisas do Brasil, que são o cerne da nossa identidade, incluídos os valores de humanidade, estão sendo destruídas a golpes de tuítes

Pesquisadora titular da Casa de Rui Barbosa, Isabel Lustosa confessa estar assustada com a onda obscurantista que assola o Brasil hoje. “Gente dizendo que a terra é plana, gente querendo negar as teorias de Darwin, gente negando a eficácia das vacinas, gente querendo pôr Deus em tudo, Ele que, aliás, não precisa disso, porque já está em toda parte. Tendo a ver essa onda como um refluxo que mais adiante será superado”, vaticina. Na edição desta semana da série Nêumanne Entrevista, a doutora em Ciência Política constata também que a destruição da memória de mais de 200 anos de História do Brasil no incêndio do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio, “resulta da ignorância e do desprezo pelas universidades, pelos intelectuais e artistas, pelo conhecimento cultural e científico, que dão hoje o tom da sociedade brasileira”. Segundo a autora do livro Insultos Impressos , demonstrando o papel fundamental da imprensa em nossa luta pela independência, “dentro dessa visão obscurantista, as coisas do Brasil, aquelas que constituem o cerne da nossa identidade, incluídos nossos valores de humanidade, de povo alegre, conciliador e acolhedor, vão sendo destruídas a golpes de tuítes”.

Para Isabel, quem dedicou a vida ao Museu Nacional viu no incêndio um sintoma trágico da realidade que o Brasil vive hoje. Foto: Wilton Jr./Estadão

Para Isabel, quem dedicou a vida ao Museu Nacional viu no incêndio um sintoma trágico da realidade que o Brasil vive hoje. Foto: Wilton Jr./Estadão

Nascida em Sobral, Ceará, Isabel Lustosa é pesquisadora titular da Fundação Casa de Rui Barbosa, doutora em Ciência Política desde 1997 pelo antigo Iuperj, atual Iesp-Uerj, membro do Pen Club e sócia do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).  Nas pesquisas que estiveram na base de sua tese de doutorado, defendida em 1997, sob o título Insultos Impressos, demonstrou o papel fundamental da imprensa no processo de independência do Brasil e como ela se constituiu, então, numa esfera pública que deu lugar a embrionárias e imprevisíveis formas de competição política. Nos últimos 20 e anos, a imprensa e a vida política do período joanino e do Primeiro Reinado têm sido o principal tema de suas investigações. Ocupou a Cátedra Simón Bolívar (IHEAL) da Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3, na França (2010-2011) e foi titular da Cátedra Sérgio Buarque de Holanda/Maison des Sciences de l’Homme/Paris para o período 2012-2015, atuando como professora visitante da Universidade de Rennes-2. É autora, entre outros, de Insultos Impressos: a Guerra dos Jornalistas na Independência (Companhia das Letras, 2000), O Nascimento da Imprensa no Brasil (Jorge Zahar, 2003), As Trapaças da Sorte: Ensaios de História e Política Cultural (EDUFMG, 2004).

Nêumanne entrevista Isabel Lustosa

Nêumanne – A que conclusão a senhora chegou ao ser informada de que a polícia descobriu que o incêndio ominoso que destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, resultou de um curto-circuito num aparelho de arcondicionado e que mais uma vez isso não conduzirá a nada que possa levar à punição de nenhum eventual responsável?

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Nêumanne Entrevista Romeu Tuma Jr. – 2019 (10ª)

Nêumanne Entrevista Romeu Tuma Jr. – 2019 (10ª)

Lula era agente duplo servindo

à polícia e às montadoras, diz Tuma

Delegado Tuma Jr. conta que petista informava a seu pai  quem era quem no movimento sindical e combinava greve  com multinacionais para obter vantagens negociais 

“Lula era o tipo de agente duplo, ou seja, passava informações privilegiadas ao meu pai sobre movimentações dos sindicalistas e fazia o jogo das montadoras de veículos para conseguir atender às reivindicações tanto dos empresários quanto dos trabalhadores”, disse o policial Romeu Tuma Jr. nesta edição semanal da série Nêumanne Entrevista neste blog. Autor do best-seller Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado (Topbooks), ele também falou a respeito da investigação sobre a morte do prefeito de Santo André Celso Daniel, quando este coordenava o programa de governo do ex-líder sindical em sua primeira campanha vitoriosa para a Presidência da República. “Condenaram alguns indivíduos como executores, mas, pessoalmente, tenho a convicção de que o Dionísio Severo seria um deles e não foi apontado no processo que se encerrou, fruto da investigação feita pela outra equipe (…). Quanto aos mandantes, não se puniu ninguém e creio que, com a morte do Sérgio Sombra, a última esperança reside numa eventual delação premiada dos empresários de Santo André presos e condenados por participação no esquema de propina comprovado. Ficou muito claro para mim que não interessava aos governos federal e estadual da época investigar mais nada”, revelou.

Tuma aposta que mandantes do assassinato de Celso Daniel não foram descobertos por absoluto desinteresse do Estado e da União: Foto: Acervo pessoal

Tuma aposta que mandantes do assassinato de Celso Daniel não foram descobertos por absoluto desinteresse do Estado e da União: Foto: Acervo pessoal

Paulistano, casado, pai de quatro filhas e avô de uma neta, Romeu Tuma Jr. é advogado e sócio fundador do Escritório Romeu Tuma Sociedade de Advogados. Bacharel em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e Faculdades Integradas Guarulhos (FIG) (1978 a 1982), diplomou-se no Curso Superior de Polícia pela Academia de Polícia Civil do Estado de São Paulo (2000). É especialista em segurança pública e polícia judiciária, tem experiência em projetos de segurança com cidadania, integrando atuação policial, equipamentos sociais, ações de cidadania e direitos humanos. Habilitado em Processo Legislativo e Direito Eleitoral, atuou como Autoridade Central Brasileira em inúmeros acordos de cooperação jurídica internacional em matéria penal, civil, extradição e em questões migratórias, especialmente acordos multilaterais no âmbito do Mercosul. É delegado de polícia da classe especial da Polícia Civil do Estado de São Paulo  e foi secretário nacional de Justiça, do Ministério da Justiça. É delegado de polícia comissionado na Polícia Federal e foi o primeiro chefe da Interpol em São Paulo. Na política, exerceu mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (2003 a 2007), na qual presidiu as Comissões de Segurança Pública e de Defesa dos Direitos do Consumidor, além de ter sido eleito corregedor parlamentar e vice-presidente da Comissão de Administração Pública. Já publicou seis livros, entre os quais se destacam Assassinato de Reputações – Muito Além da Lava Jato (2016), Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado (2013) e Máfia dos Fiscais, Reflexões Sobre oCrime Organizado (2000).

Nêumanne entrevista Romeu Tuma Jr.

Nêumanne – O senhor se lembra precisamente de como conheceu pessoalmente Luiz Inácio Lula da Silva, em que circunstâncias e com qual frequência chegou a conviver com ele?

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Nêumanne entrevista Astier Basílio – 2019 (9ª)

Nêumanne entrevista Astier Basílio – 2019 (9ª)

Esquerda armada não lutou

por democracia

nem venerou Goulart, diz poeta

No relato da guerrilha comunista Astier constatou que presidente deposto em 1964 só foi procurado no exílio por seu adversário, o direitista Lacerda

O poeta, crítico, jornalista, dramaturgo e professor paraibano Astier Basílio, que tem pesquisado e escrito, inclusive no blog O Estado da Arte, no portal do Estado, reuniu argumentos e documentos para desfazer dois mitos da “resistência” da esquerda na cena política brasileira: a de que teria pegado em armas para defender a democracia contra a ditadura militar e a de que o ex-presidente João Goulart, homenageado por Fernando Haddad com o nome do Minhocão, substituindo o de outro ex-presidente, o marechal Costa e Silva, tivesse sido herói e exemplo para seus militantes. “Se a esquerda armada lutava pela democracia, então, obrigatoriamente, tinha de ter sido a favor de Goulart. Os fios para enjambrar a tessitura dessa mentira demandaram alguns remendos”, disse ele, que atualmente estuda na capital da Carélia, no norte da Rússia. E na série Nêumanne Entrevista deste blog, nesta semana, ele completou: “Talvez seja por essa razão que nos últimos anos, sobretudo após a chegada da ex-guerrilheira Dilma Rousseff ao poder, houve uma espécie de reescritura do passado, no qual o presidente deposto foi elevado à categoria de herói da esquerda. O curioso é que não houve uma voz que se levantasse a pedir sua volta quando foi apeado do poder. Nenhuma placa com os dizeres ‘volta Jango’ se ergueu nas passeatas contra a ditadura. Nas listas dos presos políticos trocados em sequestros, João Goulart não figurou nem simbolicamente. E, ironia das ironias, talvez o único grande gesto de consideração, depois do golpe de Estado que o depôs, foi-lhe acenado pela  direita, em 1966.  Quem o visitou no exílio não foi nenhum líder guerrilheiro, nenhum prócer da esquerda, mas ninguém menos que Carlos Lacerda. O ex-governador carioca viajou ao Uruguai para articular a Frente Ampla, que restauraria as eleições”.Astier Basílio é poeta, dramaturgo e jornalista.

Astier sobre o sucesso de Putin: "O caráter viril, forte, é exaltado como uma virtude imprescindível a um líder que conduza a Rússia. E ele sabe muito bem isso" Foto: Augusto Pessoa

Astier sobre o sucesso de Putin: “O caráter viril, forte, é exaltado como uma virtude imprescindível a um líder que conduza a Rússia. E ele sabe muito bem isso” Foto: Augusto Pessoa

Autor de 14 livros, entre os quais Funerais da Fala (Prêmio Novos Autores Paraibanos, 2000) e Finais em Extinção (Prêmio Nacional Correio das Artes, 2010). É citado em Uma História da Poesia Brasileira (Ermakof, 2004), de autoria do escritor Alexei Bueno.  Em 2014 venceu o prêmio nacional de dramaturgia da Funarte, com a peça Maquinista, levada aos palcos pelo grupo cearense Pavilhão da Magnólia. Seu último trabalho foi um musical em cordel, Marco do Rei do Ritmo, em homenagem a Jackson do Pandeiro, a ser lançado, pela editora Mondrongo, da Bahia, em junho. Em 2017, seu romance Supermercado Brasil Novo foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura. Com atuação nos cadernos de política e cultura, trabalhou como repórter, subeditor, crítico de teatro e literatura nos jornais Correio da Paraíba e Jornal da Paraíba e foi editor do suplemento Correio das Artes. É colaborador da revista Continente Multicultural, do Recife, e do blog Estado da Arte, do jornal O Estado de S. Paulo. Atuou como professor e coordenador do clube de conversação do Centro de Cultura Brasileira em Moscou. É bolsista do governo russo, estuda atualmente na faculdade preparatória, na Universidade Federal de Petrozavodsk, na República da Carélia. Mês que vem iniciará o canal no YouTube Direto da Rússia, no qual fará pequenas reportagens com o celular, além de comentar os mais importantes episódios e acontecimentos na área da cultura, da política e cotidiano em geral, da Rússia.

Nêumanne entrevista Astier Basílio

Astier diante da casa em que viveu Dostoievski, gênio da literatura russa, que venera desde as leituras de juventude na Paraíba. Foto: Acervo pessoal

Astier diante da casa em que viveu Dostoievski, gênio da literatura russa, que venera desde as leituras de juventude na Paraíba. Foto: Acervo pessoal

Nêumanne – O que o fez sair da Paraíba, perder o contato com os poetas populares que povoaram sua vida desde a infância e mudar-se para a distante e fria Rússia, com uma língua estranha e costumes totalmente diferentes?

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No Blog do Nêumanne: Ignorância e despudor

No Blog do Nêumanne: Ignorância e despudor

Tuítes de domingos de Bolsonaro (Jair ou Carlos?), reproduzindo vídeo nojento do carnaval num e notícia falsa do site Terça Livre noutro denotam, no mínimo, desconhecimento e falta de compostura

Uma simples calculadora, um instante de lucidez e alguns segundos de humildade cristã nos dedos de digitar dos Bolsonaros – o presidente da República, Jair Messias, e seu “pitbull” de estimação, o zero-dois Carlos, vereador no Rio de Janeiro, poderiam ter poupado dissabores a inocentes e dores de cabeça a seus assessores. Ainda embriagados pela espetacular vitória nas eleições e pela crença de que o mundo se resume a 480 toques de um tuíte, além do engano de que o povo brasileiro é representado por seus seguidores nas redes sociais, o rebento autor e o condescendente progenitor pisaram na jaca, chutaram o balde e entornaram o caldo.

No domingo de carnaval, à noite, a conta de Twitter atribuída a Jair M. Bolsonaro compartilhou um vídeo infame no qual um homem manipulava o próprio orifício extremo de seu aparelho excretor, enquanto outro despejava explicitamente a urina de sua bexiga sobre a cabeça dele. O fetiche é conhecido como golden shower (chuveiro dourado). E Bolsonaro, seja o pai, seja o filho, completou a cena grotesca com um texto absolutamente incompreensível. Foi o seguinte: “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conslusões (sic)”. Cálculos feitos pela assessoria palaciana dão conta de que 69% das reações nas próprias redes sociais foram negativas.

Por falta de espaço para reproduzir o estupor com que vídeo e texto foram recebidos, selecionarei aqui, para gáudio do leitor, duas frases de artigo do ex-deputado federal Fernando Gabeira, que sempre fez questão de ressaltar a excelente relação que manteve na Câmara com o ex-colega. O título sintetiza o texto publicado no Globo de segunda-feira 11 de março de 2019 (página 2): O fim da picada. E é. Vamos às frases. “Opresidente usa a mesma tática da imprensa sensacionalista: isola um fato escabroso, mostra-o nos detalhes e tempera com uma lição de moral, para atenuar a culpa da curiosidade mórbida. Mas nem a imprensa sensacionalista mostraria o que Bolsonaro mostrou.” E “o Brasil é surpreendente, mas jamais pensei numa situação dessas: um presidente da República postar um vídeo pornográfico e perguntar por golden shower no tuíte seguinte”. O tuíte em que Bolsonaro (qual dos dois, afinal?) pergunta qual o sentido da expressão citada acima pode até ser sincero e autêntico, no estilo mais apreciado do chefe da Nação. Afinal, ele nunca se envergonhou de reconhecer que é monoglota (traduzindo: não fala inglês, porque só fala português). Apesar de ser notório admirador de americanos.

Uma semana depois do fuzuê provocado pela cena grotesca, que chocou muita gente, contudo, Bolsonaro (seja o pai, seja o filho) superou a tentativa de se mostrar pregador e cobrador de moral,compartilhando uma cena, mais do que imoral, grotesca, ao tentar provar que a “imprensa” quer ver sua caveira. O site Terça Livre atribuiu à repórter Constança Rezende e ao jornal O Estado de S. Paulo a declaração de que teria a “intenção” de “arruinar Flávio Bolsonaro” e o governo chefiado por seu pai, Jair.

A suposta declaração apareceu entre aspas no título do tuíte, mas não foi extraída de nenhuma das falas do áudio editado, recebido com euforia e fervor pelos bolsonaristas mais entusiastas, inclusive o pai e o filho. Às 20h51 Jair M. Bolsonaro compartilhou a mensagem cometendo o descuido de reproduzir em legendas o que a jornalista realmente fala. Quem tem noções mínimas da língua de William Shakespeare não deve perder tempo procurando a confissão, pois ela simplesmente, se existiu, não foi gravada. A publicação da legenda evitará alguma explicação apressada da equipe de panos quentes do Planalto, pois nem Carlos, o mago das redes sociais, conseguirá fazê-la ressuscitar dos ruídos que ocuparam a gravação. O máximo que encontrará serão frases como “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”, que o Conselheiro Acácio, personagem-símbolo do óbvio ululante de Eça de Queiroz, poderá até reivindicar como de sua lavra, mesmo não sendo, apesar do sobrenome comum, parente do sargento PM Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Este tenta justificar-se ao Ministério Público do Rio contando a história da multiplicação econômica dos cabos eleitorais no gabinete, mas da qual o chefinho nada sabia, coitado.

A origem dessa montagem mambembe é Allan Santos, editor do tal Terça Livre, que atraiu os devotos dos Bolsonaros com uma manchete sensacionalista: “Bomba!!!! Jornalista do Estadão confessa: ‘a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo’”. E sua fonte, um blog do “francês” Jawad Rhalib, que se apresenta como jornalista e poupa Allan Santos e os Bolsonaro da primeira acusação, que já não se apoiava em fatos e ganhou a descrição de “denúncia”. Segundo notícia publicada segunda-feira 11 na página 8 de sua edição de política, o Estado registrou: “Constança não deu entrevista ao jornalista francês nem dialogou com ele. Suas frases foram retiradas de uma conversa que ela teve em 23 de janeiro com uma pessoa que se apresentou como Alex MacAllister, suposto estudante interessado em fazer um estudo comparativo entre Donald Trump e Bolsonaro”.  Eis aí uma boa missão para Leonardo de Jesus, o Léo Índio, primo de Carlos e frequentador assíduo dos gabinetes do Palácio do Planalto, sem cargo, mas com um crachá amarelo que lhe permite atravessar portas indevassáveis aos mortais comuns. Os seguidores do Terça Livre e de Carlos e Jair M. Bolsonaro certamente fariam festa com entrevistas de Rhalib e, quem sabe, MacAllister. Por que deixar passar uma chance destas, hein?

Por enquanto, há a esclarecer que a primeira reportagem sobre o caso Fabrício Queiroz não foi escrita por Constança, mas pelo repórter Fábio Serapião, da Sucursal de Brasília. Se Allan Santos e seus sequazes se dessem ao trabalho de ouvir, ver ou ler algum de meus comentários, muitas vezes achincalhados por eles, poderiam ter evitado esse erro crasso. Afinal, chegaram ao preciosismo de encontrar origens genealógicas para a “missão” da moça: ela é filha de Chico Otávio, veterano e brilhante repórter do Globo, não por acaso certamente, autor de um primoroso levantamento sobre milicianos do Rio, a que o ex-deputado Flávio dedicou pronunciamentos, medalhas e empregos para seus parentes, conforme está registrado no acervo do jornal carioca, à disposição de Rhalib e Santos.

Tudo isso pertence a um mundo particular das redes sociais, às quais os Bolsonaros atribuem a vitória eleitoral de outubro. Uma simples calculadora de caixa de padaria desmente esse mito. Jair M. Bolsonaro tem 3,6 milhões e seu filho Carlos, 973 mil seguidores no Twitter. O público do presidente no Facebook é de 9.357.973. São números impressionantes, mas cabe argumentar que no primeiro turno o número 17 na urna eletrônica obteve 49.269.990 votos: 30.119.023 mais do que a turma que o acompanha no Facebook. E ainda convém lembrar que Bolsonaro foi eleito no segundo turno com 57.796.986: 54 milhões a mais do que os seguidores no Twitter. Ou seja: o “povo” a que o chefe do governo se explica nas redes sociais, é menor do que o contingente de mais de 12 milhões de desempregados que ele se comprometeu a socorrer com a retomada da economia e continuam a viver nas calçadas, num espetáculo dantesco de miséria que ainda é encenado no Brasil. Essa parte a calculadora de padaria resolveria.

O exército de vingadores do capitão perseguido pela mídia não dispõe de votos no Congresso para dar ao governo a vitória necessária para tapar o rombo da Previdência Social, construído com a ajuda do chefe, que era parlamentar do baixo clero, que por 27 anos pregou que o buraco não existia. E pior: como foi aqui demonstrado matematicamente, esses cruzados não são suficientes sozinhos para levá-lo ao segundo turno em 2022. Pois ele também foi eleito pelos desiludidos com a política, profissão abraçada por seus amados filhos, e, sobretudo, por quem não suportava mais a roubalheira do PT e da esquerda, em sociedade com MDB e PSDB. Repetir a desqualificação da imprensa, imitando Lula, é trair todo o povo brasileiro. Sem humildade para reconhecer isso nem lucidez para constatar a realidade das ruas, o capitão nem precisa fazer como o califa de Bagdá, Harum Al Rashid: vestir-se de cidadão comum e compartilhar o pão que o diabo amassou com os desempregados nas calçadas. Basta pensar um pouco. Pode, então, descobrir que a reflexão é sempre um ato de sabedoria.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 11 de março de 2019)

José Nêumanne Pinto

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 11 de março de 2019)

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique aqui.

Nêumanne entrevista Malu Ribeiro – 2019 (8ª)

Nêumanne entrevista Malu Ribeiro – 2019 (8ª)

Brumadinho ficar impune é desrespeitar

as vítimas e o futuro, diz ambientalista

Malu Ribeiro, da SOS Mata Atlântica, compara o que viu que se tornou o rio Paraopeba contaminado por rejeitos minerais ao panorama de um campo após a batalha

“Foi como reviver o terrível pesadelo do rio Doce, num cenário de total destruição e dor, semelhante ao panorama de uma guerra, composto de destroços humanos e ambientais, onde a vida parece não ter valor algum. Ver um rio tingido de vermelho, cor de sangue, sem vida, em pleno período de piracema, quando a vida deveria estar em sua plenitude, é uma sensação de enorme impotência, que ressalta a nossa incapacidade perante a irresponsabilidade dos grandes degradadores, da impunidade e da falta de respeito pela vida.” Essa descrição precisa e pungente é usada pela jornalista e ambientalista Malu Ribeiro, que coordenou a equipe que percorreu o rio Paraopeba após o arrombamento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, para constatar que ele morreu. Na edição desta semana da série Nêumanne Entrevista, neste blog, ela fez outra observação para ser lida como se fosse uma oração: “As águas do rio fazem a conexão dos povos com o sagrado, com o valor imaterial desse bem, essencial à vida. O sagrado no Brasil está entrelaçado aos nossos rios, não é à toa que a imagem da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, foi encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul”. Amém!

Malu em ação colhe amostras do Rio Paraopeba para concluir que a parte já invadida pela lama do Córrego do Feijão morreu. Foto Giovana Girardi/Estadão

Malu em ação colhe amostras do Rio Paraopeba para concluir que a parte já invadida pela lama do Córrego do Feijão morreu. Foto Giovana Girardi/Estadão

Malu Ribeiro é jornalista, ambientalista, com especialização na área de recursos hídricos e políticas públicas.  Coordenadora da causa Água Limpa e assessora de advocacy e políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, coordena desde 2003 o projeto Observando os Rios,que monitora a qualidade da água em rios e bacias hidrográficas do bioma Mata Atlântica. Conselheira do Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo. Ela também érepresentante das organizações ambientalistas no Conselho Nacional de Recursos Hídricos e do Comitê Gestor do Observatório de Governança da Água.

Dez perguntas para Malu Ribeiro:

 

Nêumanne – O que levou a equipe de pesquisadores da Fundação SOS Mata Atlântica, que a senhora coordenou, a concluir que o Rio Paraopeba morreu?

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Nêumanne entrevista Fernando Coelho – 2019 (7ª)

Nêumanne entrevista Fernando Coelho – 2019 (7ª)

Brasil se especializou no crime

de matar rios, diz poeta

 

Para jornalista Fernando Coelho, deputados e senadores, “cavalheiros da desonra”, não representam cidadão, que não respeita Justiça, que não prendeu o presidente do Flamengo

Fernando Coelho, poeta e jornalista baiano, lamenta que “as centenas de mortos não representamnada para a papelada que se junta para justificativas e negativas” no Brasil de hoje. Na edição desta semana da série Nêumanne entrevista, ele interrompeu a redação de seus textos de sucesso nas redes sociais para fazer um desabafo definindo a tragédia que protagonizamos e assistimos. Ele acha que “o Brasil morreu nestes tempos. Não adianta o ministro da Educação, que virou um bedel nacional, mandar filmar crianças cantando o Hino Nacional e gritando por Deus.” E acrescentou: o helicóptero em que Boechat morreu “tem o perfil do País atual, uma montagem de vários pedaços de filosofias, ideologias, interesses políticos, tudo no elo das finanças, do interesse financeiro. E o povo, que paga a conta inocentemente, ainda imagina que o Estado trabalha. O Estado não trabalha, não gera renda, nós, o zé-povinho, é que pagamos. E estamos morrendo nas Upas, nas filas, desabando nas lotéricas, nos caixas do BB e da CEF, dois gigantescos bancos públicos, que nos tratam como mendigos e tinham obrigação moral com a população. Tenho medo.”

Fernando na Praia de Itapuã mantendo viva a chama de seu amor pelo litoral da Bahia, fonte de inspiração dele e de Caymmi. Foto: Afonso Ferreira

FFernando tem 12 livros publicados, 11 de poemas e Salvador-Guia de Cheiros, Caminhos e Mistérios, roteiro da cidade da capital da Bahia, prefaciado por Jorge Amado

O jornalista, poeta e escritor Fernando Coelho tem 12 livros publicados, 11 de poemas e Salvador-Guia de Cheiros, Caminhos e Mistérios, roteiro da cidade da capital da Bahia, prefaciado por Jorge Amado, 4 edições esgotadas há 25 anos. Chefiou a reportagem do jornalismo na Rede Globo de Televisão durante anos, dirigiu o Departamento de Esportes e chefiou a redação do Jornalismo da TV Cultura, foi repórter especial da Rádio Globo, criou e dirigiu o programa Terra Brasilisna Rede Banderiantes. Foi ainda assessor de iImprensa da Global Editora. Implantou e dirigiu as duas primeiras televisões legislativas do Brasil na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara de Vereadores de São Paulo. E também diretor de Comunicação Social e Marketing da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Exerceu o cargo de Diretor de Comunicação e Promoção do Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan, do ministério da Cultura), além de diretor de Comunicação Social e Marketing da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo. Em 2008, recebeu a Medalha da Imigração, do Itamaraty, por sua obraAgenda Manabu Mabe. A editora Aquariana publicou a Coleção Poeta Fernando Coelho, com três títulos.

Fernando na Praia de Itapuã mantendo viva a chama de seu amor pelo litoral da Bahia, fonte de inspiração dele e de Caymmi. Foto: Afonso Ferreira

Fernando na Praia de Itapuã mantendo viva a chama de seu amor pelo litoral da Bahia, fonte de inspiração dele e de Caymmi. Foto: Afonso Ferreira

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