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Nesta quarta-feira no Estadão: O bafo da mentira e o beijo da morte

Nesta quarta-feira no Estadão: O bafo da mentira  e o beijo da morte

José Nêumanne

Ao levar o rebanho para o despenhadeiro,  mentindo,

Bolsonaro é o Anticristo da pandemia

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”, disse Jesus (João, 14; 6). João Evangelista, xará de meu avô paterno, era um marqueteiro de gênio: o slogan, composto em tríduo, como convém a apelos que vão ao coração e de lá à razão, resume bem a mensagem, que, creia-se ou não nela, é a mais completa tradução da busca da civilização na demolição da barbárie: a imunidade do espírito pela união do rebanho, com a busca permanente do conhecimento para retardar o fim pela sabedoria. Em três anos de seminário menor, preparei-me em orações, meditações e leituras para encarar o destino, não com trapaças e rixas, mas com resignação e fé. Ou seja, uma mistura de coragem e prudência, preservando o medo, forma imperfeita do cuidado.

Jair Bolsonaro diz-se cristão, exalta Deus como guia, mas, como nunca se deu ao trabalho de ler coisa nenhuma, não se dá conta de que a trilha que segue é o descaminho. Capitão na ativa do Exército, planejou, juntamente com o parceiro de patente Fábio Silva, atentados a bomba em quartéis e na adutora do rio Guandu. Foi condenado por 3 a 0 por terrorismo e indisciplina, na primeira instância. O terror, arma do fundamentalismo religioso radical, seja dos inquisidores católicos medievais, seja de atuais fanáticos de Alá, é um coito de assassinos vocacionais. Ele próprio se define como artilheiro, cuja modalidade é matar. Mente ao rememorar sua participação no combate ao terror de esquerda durante a ditadura. Quando a guerrilha comunista passou pelo Vale do Ribeira, onde morava, não tinha idade para o serviço militar. Uma patranha fácil de desmascarar. Não serviu no Suez nem no Haiti. Nunca participou de uma batalha ou de uma escaramuça. Nada fez de útil em proveito de alguém que não seja ele ou parente seu.

Matar, para ele, não é ofício de soldado, mas vício de charlatão. Em 27 anos na Câmara dos Deputados, em parceria com o médico petista e sindicalista Arlindo Chinaglia, lutou, e ainda luta, pela aprovação da picaretagem médica da pílula do câncer. Vendendo cloroquina a emas no jardim do Palácio da Alvorada, faz o que sempre quis na vida toda: ser camelô de feira livre vendendo óleo de cobra para quaisquer achaques. Ao deblaterar contra o isolamento para evitar o contágio pelo contato com saliva infectada pelo novo coronavírus, não o faz por vocação para a delinquência no exercício ilegal de medicina, mas pela atração irresistível à propagação da morte. Artilheiro que nunca atirou em alvo móvel, quer se consagrar como capitão sem noção das tropas invisíveis do coronel vírus, venha ele da China ou da Martinica.

Apraz-lhe que este se propague pelo mundo e se aproveite para fazer do Brasil cova rasa. Quando definiu a praga como “gripezinha”, não quis desafiá-la, foi pelo mero prazer do engano pelo engodo. À falta de um QI que o aproxime de seres humanos normais, orgulha-se da própria limitação, por usá-la e assim se dar bem na vida. A oportunidade de voltar a mentir um ano depois, valendo-se dos rebentos irracionais que gerou, é a oportunosa ensancha de parecer superior aos outros pelo menos no cinismo sem limite. Num tribunal eclesiástico medieval seria condenado à fogueira por blasfêmia após pecar demais sem motivo justo algum. É o pleno Anticristo: o desvio, a mentira e a morte.

Seu alter ego pelo avesso, Lula, proclamou que a Terra é redonda para humilhar o inimigo, visto como terraplanista. Bobão! Bolsonaro não passa de um oportunista rastaquera que se aproveitou da onda contra a roubalheira e o petismo genérico, que a pratica, para ganhar a eleição presidencial de 2018. E exercer o trabalho que esquerda desunida e Centrão glutão não teriam coragem de realizar sem seu concurso: jogar a Lava Jato e qualquer tipo de higienização na fossa, à qual também destinou o combate à corrupção em geral.

O empresário carioca Paulo Marinho, suplente de seu primogênito sonso, lembrou no Twitter: “Essa data me fez lembrar um dia durante a campanha em que estávamos na minha casa e você disse: ‘Se nós não fizermos tudo certo, podemos sair presos’. Hoje eu entendo a sua preocupação e não tenho mais dúvidas de que você será preso, é uma questão de tempo. Sua omissão, negligência e incompetência criminosas já custaram quase 300 mil vidas brasileiras. O seu governo é o beijo da morte!”. O homem que cedeu a própria casa para quartel-general de sua campanha vitoriosa não percebeu que sua disposição de enganar elimina qualquer laivo de memória. O “cavalão de Troia”, que executa no terceiro ano de gestão o que o Centrão e a esquerda não conseguiram em 16, não perde tempo com nada que não seja o interesse pessoal e dos herdeiros, para os quais lega o sangue, o suor e o pranto dos brasileiros que o elegeram ou que não têm coragem de expulsá-lo do descaminho.
Os fanáticos que se manifestam a favor do contágio mortal da pandemia em prol de lojas, estádios e cassinos abertos são oportunistas que o veneram porque venderam a alma ao diabo, cujo pacto seduz mais do que a árdua e nada prazerosa caridade cristã. O resto são cinzas frias.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na página A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 17 de março de 2021)

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No Blog do Nêumanne: Lula cafetinou o PT e prostituiu o Estado

No Blog do Nêumanne: Lula cafetinou o PT e prostituiu o Estado

José Nêumanne

Higienizar ficha suja de Lula e condenar procuradores e juízes que o investigaram, processaram e condenaram é fazer o Brasil recuar à corrupção anterior à Castelo da Areia, nunca punida

Depois de o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), higienizar a ficha suja de Lula, os votos dos colegas Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, na Segunda Turma, para julgar a suspeição do ex-juiz Sergio Moro configuram um despautério. A anulação de quatro sentenças contra o ex-presidente na 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba pode até ser “garantista”, sim, mas o que garante é a impunidade de um condenado. Pois inocenta o réu e os hackers criminosos a serviço do The Intercept Brasil. E encaminha condenação do magistrado que o sentenciou.

Para desacreditar, verbi gratia, o voto de Gilmar basta lembrar que as citações de mensagens obtidas de forma ilícita serão excluídas dele, ao ser publicado. Mas obtiveram o efeito que dele esperava. Como, por exemplo, os muxoxos de “gravíssimo”, expelidos pela colega Cármen Lúcia, antes de manifestar intenção de modificar o dela, até então contra. Chamar a Lava Jato de “quadrilha” e de o “maior escândalo judiciário da História” não são meros arroubos de retórica, mas exageros que não se baseiam nos autos nem em fatos julgados. Quem duvidar consulte os resultados práticos em punição de criminosos de alto coturno confessos.

Dizer que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública destruiu os setores de engenharia e química é ocultar que as empreiteiras condenadas por conluio, aí, sim, com o PT e seus asseclas eram, como demonstram provas, testemunhos e fatos, usinas de corrupção. A suspeição de Moro leva o Brasil de volta ao que era. Na série Nêumanne Entrevista, que este autor publica em blog no portal do Estadão, foi registrado o testemunho do desembargador paulista Fausto De Sanctis, que, na primeira instância, condenou os réus da Operação Castelo de Areia, absolvidos por chicana no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo ele, “agora o Brasil recua para antes da Lava Jato e da Castelo de Areia, da impunidade aceita”.

Se, de fato, o ministro Nunes Marques usar o pedido de vista que fez para estudar bem a questão, votará contra a suspeição. As mensagens de Telegram foram obtidas ilegalmente e Moro já disse que não as reconhece. Quem condenou nem se deu ao trabalho de mandar fazer uma perícia. Escândalo maior de todos é nada ter sido feito até agora contra a corrupção que deu fim à investigação da corrupção da Camargo Corrêa.

Em delação premiada à Polícia Federal (PF), Antônio Palocci, que não era um pé-rapado, mas um importante chefão do Partido dos Trabalhadores (PT), afirmou que, das mil medidas provisórias editadas por seus companheiros, pelo menos 900 foram movidas a propina. Trocando em miúdos, Lula teria vendido quase mil leis. Por muito menos – prometer indicar um julgador para uma Corte superior – o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy está preso. Se este houvesse feito o que fizeram aqui Lula, Regis Fichtner e Sérgio Cabral, teria ido para a guilhotina. O que estamos assistindo é ao topo do Judiciário protegendo o crime, sentenciado no primeiro grau. O STF não está imune ao mercado persa de promovidos às altas Cortes, escolhidos para inutilizar as sentenças ditas “punitivistas” por advogados grã-finos, emanadas de juízes nomeados por concurso público.

Num dos editoriais antológicos publicados pelo Estadão foi registrado: “Mesmo com a suspeita de que Sérgio Moro foi parcial ao julgar os casos de Lula, (…) não é possível simplesmente considerar, como num passe de mágica, que não houve assalto lulopetista à Petrobrás, que não houve escandalosa promiscuidade no Congresso, que não houve indecente relação de Lula com empreiteiros”. E ainda: “O imbróglio, ademais, diz muito sobre o Judiciário, que sai lanhado. Não há explicação, compreensível para leigos, para o fato de que se tenha levado tanto tempo para processar, julgar e condenar Lula, mesmo diante de tantas evidências; para que a defesa do ex-presidente tenha tido tantas possibilidades de recurso mesmo com condenações em três instâncias; para que o Supremo decidisse pela enésima vez mudar a jurisprudência sobre prisão após condenação em segunda instância, o que permitiu a libertação de Lula; e finalmente para que se tenha decidido somente agora que Curitiba não era o foro correto para os casos do sr. Lula da Silva, sendo que havia jurisprudência específica sobre o escopo da Lava Jato desde 2015 – aliás, citada pelo próprio ministro Fachin em sua intempestiva decisão”.

Para não deixar dúvidas de que essa não é uma posição isolada, talvez convenha lembrar editorial de outro jornal, O Globo, a respeito do mesmo tema. “Não custa lembrar: Lula foi condenado com base em provas robustas, e as sentenças foram confirmadas na segunda instância (TRF-4) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Emilio Odebrecht confessou a participação de sua empreiteira na reforma do sítio de Atibaia. Leo Pinheiro, da OAS, aparece em imagens visitando com Lula as obras que sua empreiteira fazia no triplex do Guarujá. Foram encontrados documentos com rasuras mostrando a troca de um imóvel de padrão comum pelo triplex. Um ex-diretor da OAS relatou tratativas para equipar as cozinhas do sítio e do apartamento, pagas pela empreiteira. Há notas fiscais do negócio. Há vários registros de fotos e vídeos da presença presidencial nos dois lugares”.

E tem mais: “Impossível ainda contestar que as negativas de Lula sempre foram tíbias. Ele quis transformar as investigações em perseguição política para desempenhar o papel de vítima e conquistar simpatia. Mas a nódoa do maior esquema de corrupção já desmascarado no país continuará a manchar sua biografia”.

Pimenta na boca dos outros é refresco e é de que Lula agora reclama, mas inaugurou: vender operação da Polícia Federal. Até o próprio Gilmar, que agora o defende, denunciou o Estado policial sob a batuta de Márcio Thomaz Bastos. Em seu livro Assassinato de Reputações, o delegado Romeu Tuma Júnior, ex-secretário nacional de Justiça de Lula, afirma que, durante seus dois governos, o ex preparou-se para fazer uso deles, o que fez às avessas, para tornar a Polícia Federal uma polícia, não de Estado, mas um instrumento pessoal de pressão e intimidação, uma polícia de partido, uma versão tupiniquim da Stasi alemã ou da checa (polícia secreta russa).

Ou seja: foi, no mínimo, a cafetina, que vendeu o resultado da prostituição de seus correligionários e apoiadores. De fato, ele não se vendeu. Vendeu o próprio desgoverno. Ou melhor, cafetinou as prostitutas partidárias e prostituiu o Estado.

·        Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne, segunda-feira 15 de março de 2021)

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No Blog do Nêumanne: Lula limpo interessa a Bolsonaro

No Blog do Nêumanne: Lula limpo interessa a Bolsonaro

José Nêumanne

No momento em que governo e oposição se unem para afrouxar as leis que punem políticos gatunos, Fachin anula processos contra petista e presidente poderá enfrentar adversário preferido em 2022

Acusado de tentar subornar um juiz e de tráfico de influência, o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy foi condenado a três anos de cadeia por corrupção pelo 1.º Tribunal Criminal de Paris e cumprirá pena em prisão domiciliar. Sarkozy tentou obter, de forma ilegal, informações de um magistrado sobre uma ação legal em que era investigado, em 2014. Foi assim que comecei comentário em vídeo que postei no sábado 6 de março no Blog do Nêumanne no portal do Estadão. O juiz abordado, Gilbert Azibert, terminou não conseguindo um empregão em Mônaco.

A sentença destacou que Sarkozy usou seu status de ex-presidente para oferecer a Azibert, principal magistrado de Apelações da França, um ótimo emprego em Mônaco em troca de informações confidenciais sobre a tal investigação. O ex-presidente foi investigado por supostos pagamentos ilegais para sua campanha presidencial, em 2007,  da herdeira da grife L’Oréal, Liliane Bettencourt. Com rigor a França tratou o assunto de vincular ou tentar vincular promoções a julgamentos. Ou seja, foi considerado que é corrupção oferecer promoção. Não havia dinheiro em jogo, lembrei no vídeo, que pode ser acessado no blog. E afirmei que a França combateu a perspectiva de mercados persas de nomeações e promoções no Judiciário, método useiro e vezeiro no Brasil. Os tribunais superiores por aqui nada têm que ver com os franceses. Vive la France!

O jornal O Globo tratou do assunto em editorial na segunda-feira 8, chamando a atenção para o fato de que a decisão ainda depende de sentenças emanadas de instâncias superiores e são notórias as dificuldades que o debate levantou naquele país europeu. E concluiu no último parágrafo: “Sempre haverá pressão política para melar investigações. É essencial resistir. Como resumiu o prefeito de Grenoble, Éric Piolle: ‘É preciso que as penas sejam executadas. A não execução das penas é a impunidade’. Vale para a França, vale para o Brasil.” Ou pelo menos deveria valer. Desde 2014 a impunidade tem sofrido vários revezes neste país graças à Operação Lava Jato de Curitiba e a alguns juízes como Sergio Moro, Marcelo Bretas e Walisney de Oliveira. O novo procurador-geral da República, Augusto Aras, seguindo orientação do chefe, que o nomeou passando por cima da tradição de indicar alguém da lista tríplice votada pelos procuradores, já deu por finda a exceção. Como lamentou o desembargador Fausto de Sanctis, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que, na primeira instância, condenou os réus da Operação Castelo de Areia, mas estes seriam absolvidos por uma chicana: a denúncia original baseou-se em informação anônima e isso anulou todas as provas obtidas por agentes e procuradores federais no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O então ministro do STJ Asfor Rocha anulou a Castelo de Areia. Conforme delação de Antônio Palocci, figurão dos governos Lula e Dilma, Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça do primeiro, prometeu a Rocha, presidente do STJ à época, uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Como a vaga acabou não saindo, o pagamento teve de ser feito em propina de R$ 5 milhões, segundo consta na delação premiada de Palocci à Polícia Federal (PF). Isso tudo foi noticiado e por mim comentado no Estadão, neste blog, no rádio e na televisão. A promoção de Asfor Rocha ao STF não saiu porque a presidente Dilma Rousseff preferiu nomear o então também ministro do STJ Luiz Fux, que iria “matar no peito” o processo do mensalão, de cabo a rabo.

Isso ocorreu ainda com Régis Fichtner, o todo-poderoso chefe da Casa Civil no governo do famigerado Sérgio Cabral, que promoveu ao mesmo STJ seu cunhado Marco Aurélio Bellizze, indo contra a indicação de Adriana Ancelmo, então mulher do ex-governador, que, afinal, foi preso e condenado a 332 anos de cadeia. Aliás, em sua delação premiada Cabral confirmou tudinho! Mas essa é outra história. E até agora deu em nada.

Recentemente, no Nêumanne entrevista Fausto de Sanctis, publicado no Blog do Nêumanne no portal do Estadão, o desembargador citado criticou o desempenho do presidente Jair Bolsonaro no esforço conjunto dos três Poderes para promover o retrocesso do Brasil à impunidade generalizada. Seus temores se justificam em reportagem publicada nesta segunda-feira 8 de março e assinada pelo repórter Felipe Frazão: “Depois de fracassar na tentativa de blindar parlamentares da prisão, a Câmara se prepara para enfrentar, nas próximas semanas, uma série de discussões com potencial para afrouxar leis anticorrupção e dificultar investigações. Nos bastidores, as medidas são chamadas de ‘pacote da impunidade’ por adversários do presidente da Câmara, Arthur Lira Progressistas-AL). A ofensiva reúne propostas que vão de mudanças nas Leis de Improbidade Administrativa, da Ficha Limpa, da lavagem de dinheiro e da proteção de dados para fins penais até a inviolabilidade de escritórios de advocacia”. A agenda atende a interesses da confraria formada pelo Centrão e pela “oposição de esquerda”, interessados no liberou geral para seus chefões.

O sucesso inevitável dessa catastrófica ofensiva da gatunagem mostra que, mais do que um estelionatário eleitoral, Jair Messias Bolsonaro é o cavalão de Troia que vendeu um discurso inteiramente falso para se eleger. E, depois, cumprir sua missão de destruidor da modernização legislativa nacional para combater a corrupção, que já era adaptada ao mundo civilizado contemporâneo. Ali Babá opera para liberar 40 milhares de ladrões. Essa aliança espúria resultou na anulação dos processos contra Lula em Curitiba pelo relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin,, o que permitirá sua candidatura para ser adversário do presidente, como este deseja, no segundo turno de 2022. E é a liga metálica que impede o impeachment ou a aprovação pela Câmara de investigação dos inúmeros crimes cometidos pelo chefe da famiglia Bolsonaro na asquerosa negligência no combate à pandemia e à recessão por ela provocada. O resto é lorota assassina para acalentar gado.

*Jornalista, poeta e escritor

Comentário no Jornal Eldorado: Governo anuncia vacinas que não comprou

Comentário no Jornal Eldorado: Governo anuncia vacinas que não comprou

Pelo quinto dia seguido, o País registrou na quarta-feira 3 de março o recorde de mortes por covid-19 em 24 horas, com 1.840 óbitos. Com o agravamento da crise sanitária, o Ministério da Saúde diz ter acertado a compra de 99 milhões de doses da vacina da Pfizer e negocia a aquisição do imunizante da Janssen, após rejeitar durante meses propostas das duas empresas. Após meses de negociação, o governo federal decidiu, afinal,  comprar a vacina contra covid-19 produzida pela Pfizer/Biontech, que não confirmou o fechamento do negócio com a velocidade compatível com a situação. Até prova em contrário, dá para confirmar a tragédia anunciada, mas ainda não é possível apostar na esperança da vacina mais usada no mundo inteiro para imunizar o Brasil. São Tomé é, por enquanto, o padroeiro deste comentarista.

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Assuntos para comentário da quinta-feira 4 de março de 2021

1 – Haisem – Com recorde de 1,8 mil mortes, Brasil compra doses da Pfizer – Este é o título da chamada do lugar mais alto da primeira página da edição impressa do Estadão de hoje.  A que estatística tétrica o País terá de chegar para nossos dirigentes políticos e líderes econômicos acordarem e reagirem

2 – Carolina – PIB cai 4,1% em 2020, País deixa grupo de dez maiores economias – Esta é a manchete da primeira página do jornal desta quinta-feira.  O que levou a essa catástrofe econômica e o que pode nos tirar desse poço que parece não ter fundo

3 – Haisem – Senado aprova texto da ajuda emergencial – Este é outro título de chamada na primeira página do Estadão hoje. Que alento nos traz essa notícia para as vítimas mais pobres da pandemia e da recessão, a seu ver

4 – Carolina –  Ministério de Educação promete punir fala política em Universidade – Este é o título de mais uma chamada de primeira página do jornal de hoje. Em que esse tipo de autoritarismo intolerante pode ajudar a instrução superior neste país sem esperança

5 – Haisem – Um terço de comissão que analisa a Lei da Improbidade pode se beneficiar do projeto – Este é o título de chamada na capa do Portal do Estadão. A que conclusões é possível chegar dessa notícia do levantamento feito pela Ong Transparência Brasil, a pedido do Estadão, na comissão da Câmara de Deputados que debate a lei em teoria imaginado para punir deputados federais desonestos

6 – Carolina – Qual a importância da notícia de que a namorada do empresário que vendeu a mansão ao senador Flávio Bolsonaro assessorou o ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça, que liderou os votos da Quinta Turma favoráveis ao primogênito do presidente da República

 

Estreia! Comentários na Rádio Blue Med 013 de Santos

Estreia! Comentários na Rádio Blue Med 013 de Santos

1 – 01/03 – Rosa Weber detém ímpeto de Bolsonaro de usar de forma politiqueira UTIs para covid. 
 
2 – 02/03 – Ataque da Câmara a humorista Danilo Gentili é asquerosa censura autoritária. Para ouvir o comentário, clique aqui. 
 
3 – Hoje ´Bolsonaro é responsável pela apatia com que Brasil enfrenta pandemia. Para ouvir o comentário, clique aqui. 
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No Blog do Nêumanne: Para genro de Sílvio, SUS pertence ao patrão

No Blog do Nêumanne: Para genro de Sílvio, SUS pertence ao patrão

José Nêumanne

Ministro das Comunicações confunde erário, que é público e permanente, com propriedade particular do chefe, que é pessoal, ao divulgar lista de verbas para UTIs como se fossem doações

As ditas “raposas felpudas” da política de Minas Gerais à época da democracia muito liberal regida pela Constituição de 1946 pensavam que para qualquer político profissional tornar-se figura nacional relevante precisava partir do prestígio eleitoral pessoal em seu Estado natal. Nestes nossos tempos de neoevangelismo mercantil, essa lição da sabedoria do PSD e da UDN de antanho nada vale, pois manda o brocardo evangélico “ninguém é profeta em sua terra”, simplificação vulgar da palavra de Jesus Cristo, tal como transcrita pelo evangelista Lucas: “Nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra”. Aluízio Alves, contudo, não se tornou um nome de relevo na República brasileira por ter sido editor-chefe da Tribuna da Imprensa, jornal de Carlos Lacerda, no Rio, mas por seus mandatos de governador e deputado federal pelo Rio Grande do Norte, a ponto de iniciar dinastia de governadores, prefeitos e parlamentares potiguares até hoje.

Robinson Faria elegeu-se governador do mesmo Estado por razão independente de quaisquer ligações oligárquicas, mas não deixou de ter vencido o pleito pelo apoio de um agregado, Sílvio Santos, sogro de seu filho Fábio, que não conseguiu fazer seu sucessor por ter-lhe sucedido uma adversária. A professora paraibana Fátima Bezerra, que se tornou notória nacionalmente por ter cunhado a palavra “gópi” para definir o impeachment da correligionária petista Dilma Rousseff, foi o governador mais votado pelos potiguares na História e teve sua atuação nacional ofuscada pela do jovem deputado federal. Fábio foi nomeado ministro das Comunicações do desgoverno de Jair Bolsonaro pelo parentesco. O SBT do animador de auditório, notório por bajular governantes, aplaudiu e apoiou o chefe do Executivo, que considera o restante da chamada “mídia” inimiga mortal, em especial a Globo, líder em audiência. Outro ponto em comum de Robinson com Jair Messias é que ele foi processado pelo Ministério Público sob a acusação da mesma prática de extorsão de funcionários fantasmas bem remunerados que aflige a famiglia presidencial.

Nesta quadra sombria da pandemia de covid-19, Fábio passou a protagonizar ainda mais a cena administrativa nacional quando usou sua pasta para divulgar valores distribuídos pela União para o Sistema Único de Saúde (SUS) no atendimento aos casos graves da covid-19, provocada pelo novo coronavírus. Fê-lo com a intenção de responder à ação conjunta dos governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e da Bahia, Rui Costa (PT), reclamando ao Supremo Tribunal Federal (STF) da suspensão de verbas para funcionamento de unidades de terapia intensiva (UTIs) em postos públicos de saúde no plano nacional de combate à moléstia.

Fábio Faria não foi propriamente original. A confusão entre público e privado é um hábito arraigado nos clãs Faria e Bolsonaro, como atesta a denúncia de peculato pelo Ministério Público do Rio contra o primogênito do presidente. A transformação de ex-aliados tornados adversários políticos em inimigos figadais fica patente nas filiações partidárias dos Estados que reclamaram ao STF da redução de UTIs de dezembro para janeiro. E a mistura de mentira e insinuação de corrupção contra governadores é prática corrente da narrativa eleiçoeira da extrema direita militarista e golpista.

A ação de Doria, Dino e Costa foi rapidamente atendida pela relatora sorteada na cúpula do Judiciário para julgar a causa: Rosa Weber concedeu a liminar, a ser julgada pelo plenário. E argumentou, de forma categórica: “É de se exigir do governo federal que suas ações sejam respaldadas por critérios técnicos e científicos, e que sejam implantadas, as políticas públicas, a partir de atos administrativos lógicos e coerentes. E não é lógica nem coerente, ou cientificamente defensável, a diminuição do número de leitos de UTI em um momento desafiador da pandemia, justamente quando constatado um incremento das mortes e das internações hospitalares”. E mais: “Afigura-se o perigo da demora, que se revela intuitivo frente aos abalos mundiais causados pela pandemia e, particularmente no Brasil, diante das mais de 250 mil vidas vitimadas pelo vírus espúrio. O não endereçamento ágil e racional do problema pode multiplicar esse número de óbitos e potencializar a tragédia humanitária. Não há nada mais urgente do que o desejo de viver”, concluiu, com ênfase.

A lição de espírito público e empatia humana, emanada da decisão da ministra, dificilmente será bem recebida por Fábio Farinha, Eduardo Pesadelo e Jair Boçalnaro. A nota oficial do Ministério da Saúde a esse respeito abusou do tom de cantina de caserna, ao concluir: “O pedido solicitado à nobre ministra é injusto e desnecessário, uma vez que o SUS vem cumprindo com as suas obrigações. Cabe, portanto, a cada governo fazer a sua parte”. Dois dias depois da decisão de Rosa Weber, o chefe de Farinha e Pesadelo, charlatão-mor da República Jair Boçalnaro, voltou a adotar retórica negacionista e desumana. Num encontro rotineiro com fanáticos seguidores, disparou: “Parece que quanto mais morrer, melhor para alguns setores da sociedade brasileira. Somos a oitava economia do mundo, nosso IDH não é tão bom perto do Primeiro Mundo. O que leva nosso país a ser o 26.º em morte por milhão de habitantes? Alguma coisa está acontecendo por aqui. Só pode ser o tratamento precoce, não tem outra explicação. Por que a grande mídia teima em criminalizar quem fala isso?”.

Resta saber se, na reunião do plenário para decidir sobre o pedido de Doria, Dino e Costa, os outros dez ministros do “pretório excelso” entenderão a aula de gestão pública e amor ao próximo dada por Weber.

  • Jornalista, poeta e escritor

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