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No Blog do Nêumanne: O piquenique das bandalheiras

No Blog do Nêumanne: O piquenique das bandalheiras

Sequestro da Mesa do Senado na votação da reforma trabalhista é o ápice da guerra às instituições

A série de insultos às instituições republicanas culminou ontem com o sequestro da Mesa do Senado por uma horda de bandalheiras – as senadoras Fátima Bezerra (PT-RN) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM,) à frente – para impedir a votação da reforma trabalhista. Ao mandar apagar as luzes do plenário, o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), fez a metáfora típica de membro do baixo clero num cargo do qual não está à altura.

Essa submissão da coisa pública às mesquinhas ambições pessoais da baixa política teve início após o impeachment de Dilma Rousseff (PT-RS), quando seus sequazes percorrerem o Brasil e o mundo a denunciar o “gópi” (da lavra da acima citada Fátima Bezerra), garantindo que a democracia havia sido interrompida por uma intervenção ilegítima. Agora que o governo Temer se assemelha cada vez mais a um zumbi assombrando um Brasil espoliado e intranquilo, os mesmos pregoeiros da desgraça garantem que o eventual substituto provisório e, quem sabe, provável sucessor até 2018, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estaria protagonizando o golpe do golpe. Mas as instituições parecem funcionar e Deus queira que as aparências não nos enganem.

O que não falta desde então, entretanto, são tentativas insidiosas de desmoralizá-las em proveito próprio. O Partido dos Trabalhadores (PT) foi o primeiro a entrar nesse cordão dos “arrasa-instituições”. Defenestrada em processo constitucional normalíssimo, a mineira dos Pampas não perde uma oportunidade de maldizer os Poderes Legislativo e Judiciário, que a depuseram para punir crimes de responsabilidade que ela cometeu, como as famigeradas “pedaladas fiscais”. Sua narrativa da deposição ilícita de uma “presidenta” honesta, sem contas no exterior, pelo vingativo e corrupto inimigo, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que presidia a Casa que a destituiu, com o voto de mais de dois terços do total dos seus membros, correu o mundo para macular o seu afastamento definitivo, satanizando o sistema que a deserdou.

Responsável por sua insensata e inesperada ascensão ao posto máximo da República, o antecessor e padrinho dela, Luiz Inácio Lula da Silva, recorreu a idêntico expediente ao tentar transferir para investigadores, acusadores e julgadores de seus crimes as penas que lhe cabem. Após constatar, em telefonema a um comparsa, que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, seria “ingrato”, incapaz de ser minimamente leal a benfeitores que o promoveram, abusa de ataques insanos ao Ministério Público (MP), à Polícia Federal (PF) e ao juiz federal Sergio Moro, responsáveis pelos cinco processos a que responde. E, dizendo-se vítima de ditadura inexistente, avisou que, se condenado, apelará a Cortes no exterior.

Na guerra de vaidades e por poder nem todos os chefes dessas instituições têm agido de forma incontestável no uso de suas atribuições. Rodrigo Janot, que se jacta de enfrentar, de forma imparcial e sobranceira, os mais poderosos varões nada impolutos da República, escorregou na baba da própria ambição. Em busca de um lugar no pódio da corrida do combate à corrupção, autorizou uma negociação nefasta para o interesse público com os marchantes da família Batista de Anápolis, propiciando-lhes impunidade absurda por sua participação numa ação programada de que a principal vítima foi o presidente da República. A obra-prima dele, a delação premiada de Joesley Batista, seu irmão e seus empregadinhos, resultou num desastre de relações públicas. A troca de 2 mil anos de pena por uma gravação do chefe do governo em flagrante delito empata em desconfiança e impopularidade com a desastrada atuação no comando do Executivo do mais poderoso de seus acusados. Comparar a troca com a “escolha de Sofia”, referência à opção entre dois filhos, salvando um em troca da morte do outro, da protagonista de William Styron, é a metáfora que sai pior do que a tentativa de correção.

A desastrada estratégia do tudo ou nada de Janot terminou por prejudicar muito mais a ação dos procuradores, incluindo os da força-tarefa da Operação Lava Jato, do que todas as tentativas de barrar suas iniciativas feitas pelos suspeitos de corrupção que ocupam cargos de mando na República. Sua sucessora, Raquel Dodge, terá uma missão árdua para corrigir isso, ao mesmo tempo que terá de esgarçar a teia de cumplicidade em que Temer e aliados pretendem enredá-la.

Impossível ainda será deixar o presidente de fora dessa tentativa malfazeja de desmoralizar as instituições da República para tentar safar-se dos próprios erros. Por mais inepta e frágil que seja a peça da acusação da lavra de Janot, que deu entrada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, ela tem como núcleo um fato incontestável: o encontro injustificável de Temer com Joesley na calada da noite, no porão do Jaburu, para tratar de assuntos pra lá de suspeitos e da forma mais inconveniente.

Desde que a reunião foi divulgada, a expectativa de delação de ex-parceiros, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o contador Lúcio Funaro, desafia a reputação impecável alegada pelo morador do Jaburu. Nada disso, contudo, viria à baila se ele não tivesse permitido a constatação lógica de que pode ter cometido delitos de corrupção passiva, obstrução à investigação e formação de organização criminosa no único prazo em que não poderia tê-lo feito: os dois anos e meio em que completaria o mandato reduzido de Dilma Rousseff.

Sem fatos que possam socorrê-lo, o presidente contratou seu amigo fiel e conviva semanal Antônio Cláudio Mariz de Oliveira para enxovalhar a reputação da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de um órgão técnico em cuja boa-fé repousam inquéritos criminais da maior relevância, o Instituto Nacional de Criminalística. Mas o Estado de Direito depende do funcionamento de instituições que a defesa de Temer tem enxovalhado para garantir o bom emprego dele.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pag.2A do Estado de S. Paulo da quarta-feira 12 de julho de 2017)

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/o-piquenique-das-bandalheiras/

No Estadão, desta quarta-feira: Instituições insultadas

No Estadão, desta quarta-feira: Instituições insultadas

Interesse pessoal leva poderosos a tentarem dificultar atuação do Estado de Direito

A série de insultos às instituições republicanas culminou ontem com o sequestro da Mesa do Senado por uma horda de bandalheiras – as senadoras Fátima Bezerra (PT-RN) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM,) à frente – para impedir a votação da reforma trabalhista. Ao mandar apagar as luzes do plenário, o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), fez a metáfora típica de membro do baixo clero num cargo do qual não está à altura.

Essa submissão da coisa pública às mesquinhas ambições pessoais da baixa política teve início após o impeachment de Dilma Rousseff (PT-RS), quando seus sequazes percorrerem o Brasil e o mundo a denunciar o “gópi” (da lavra da acima citada Fátima Bezerra), garantindo que a democracia havia sido interrompida por uma intervenção ilegítima. Agora que o governo Temer se assemelha cada vez mais a um zumbi assombrando um Brasil espoliado e intranquilo, os mesmos pregoeiros da desgraça garantem que o eventual substituto provisório e, quem sabe, provável sucessor até 2018, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estaria protagonizando o golpe do golpe. Mas as instituições parecem funcionar e Deus queira que as aparências não nos enganem.

O que não falta desde então, entretanto, são tentativas insidiosas de desmoralizá-las em proveito próprio. O Partido dos Trabalhadores (PT) foi o primeiro a entrar nesse cordão dos “arrasa-instituições”. Defenestrada em processo constitucional normalíssimo, a mineira dos Pampas não perde uma oportunidade de maldizer os Poderes Legislativo e Judiciário, que a depuseram para punir crimes de responsabilidade que ela cometeu, como as famigeradas “pedaladas fiscais”. Sua narrativa da deposição ilícita de uma “presidenta” honesta, sem contas no exterior, pelo vingativo e corrupto inimigo, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que presidia a Casa que a destituiu, com o voto de mais de dois terços do total dos seus membros, correu o mundo para macular o seu afastamento definitivo, satanizando o sistema que a deserdou.

Responsável por sua insensata e inesperada ascensão ao posto máximo da República, o antecessor e padrinho dela, Luiz Inácio Lula da Silva, recorreu a idêntico expediente ao tentar transferir para investigadores, acusadores e julgadores de seus crimes as penas que lhe cabem. Após constatar, em telefonema a um comparsa, que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, seria “ingrato”, incapaz de ser minimamente leal a benfeitores que o promoveram, abusa de ataques insanos ao Ministério Público (MP), à Polícia Federal (PF) e ao juiz federal Sergio Moro, responsáveis pelos cinco processos a que responde. E, dizendo-se vítima de ditadura inexistente, avisou que, se condenado, apelará a Cortes no exterior.

Na guerra de vaidades e por poder nem todos os chefes dessas instituições têm agido de forma incontestável no uso de suas atribuições. Rodrigo Janot, que se jacta de enfrentar, de forma imparcial e sobranceira, os mais poderosos varões nada impolutos da República, escorregou na baba da própria ambição. Em busca de um lugar no pódio da corrida do combate à corrupção, autorizou uma negociação nefasta para o interesse público com os marchantes da família Batista de Anápolis, propiciando-lhes impunidade absurda por sua participação numa ação programada de que a principal vítima foi o presidente da República. A obra-prima dele, a delação premiada de Joesley Batista, seu irmão e seus empregadinhos, resultou num desastre de relações públicas. A troca de 2 mil anos de pena por uma gravação do chefe do governo em flagrante delito empata em desconfiança e impopularidade com a desastrada atuação no comando do Executivo do mais poderoso de seus acusados. Comparar a troca com a “escolha de Sofia”, referência à opção entre dois filhos, salvando um em troca da morte do outro, da protagonista de William Styron, é a metáfora que sai pior do que a tentativa de correção.

A desastrada estratégia do tudo ou nada de Janot terminou por prejudicar muito mais a ação dos procuradores, incluindo os da força-tarefa da Operação Lava Jato, do que todas as tentativas de barrar suas iniciativas feitas pelos suspeitos de corrupção que ocupam cargos de mando na República. Sua sucessora, Raquel Dodge, terá uma missão árdua para corrigir isso, ao mesmo tempo que terá de esgarçar a teia de cumplicidade em que Temer e aliados pretendem enredá-la.

Impossível ainda será deixar o presidente de fora dessa tentativa malfazeja de desmoralizar as instituições da República para tentar safar-se dos próprios erros. Por mais inepta e frágil que seja a peça da acusação da lavra de Janot, que deu entrada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, ela tem como núcleo um fato incontestável: o encontro injustificável de Temer com Joesley na calada da noite, no porão do Jaburu, para tratar de assuntos pra lá de suspeitos e da forma mais inconveniente.

Desde que a reunião foi divulgada, a expectativa de delação de ex-parceiros, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o contador Lúcio Funaro, desafia a reputação impecável alegada pelo morador do Jaburu. Nada disso, contudo, viria à baila se ele não tivesse permitido a constatação lógica de que pode ter cometido delitos de corrupção passiva, obstrução à investigação e formação de organização criminosa no único prazo em que não poderia tê-lo feito: os dois anos e meio em que completaria o mandato reduzido de Dilma Rousseff.

Sem fatos que possam socorrê-lo, o presidente contratou seu amigo fiel e conviva semanal Antônio Cláudio Mariz de Oliveira para enxovalhar a reputação da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de um órgão técnico em cuja boa-fé repousam inquéritos criminais da maior relevância, o Instituto Nacional de Criminalística. Mas o Estado de Direito depende do funcionamento de instituições que a defesa de Temer tem enxovalhado para garantir o bom emprego dele.

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na PagA2 do Estado de S. Paulo da quarta-feira 12 de julho de 2017)

 

No Blog do Nêumanne: Selvageria no futebol

No Blog do Nêumanne: Selvageria no futebol

Violência depois de jogos do Brasileiro no Rio desmentem lugares-comuns

A morte de um torcedor do Vasco logo após o clássico contra o Flamengo sábado, à tardinha, em São Januário, os riscos compartilhados por crianças, mulheres e famílias inteiras no velho estádio e a confusão antes do jogo do Botafogo contra o Atlético Mineiro na Arena do Engenhão domingo cedo resultarão, enfim, num basta na impunidade dos bandidos que se misturam às torcidas para brigar e ferir? Esta é a pergunta que não quer calar, mas infelizmente ainda não dá para respondê-la.

O procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Felipe Bevilacqua, no calor da hora, antes de terminarem as transmissões dos canais de TV por assinatura, informou que  encaminharia a denúncia contra o clube no início desta semana. Ele admitiu que, independentemente do julgamento, que pode resultar em perdas de mando de campo na primeira divisão do Brasileirão, o local da dita porfia poderá ser interditado, a exemplo do que ocorreu em junho com o Serra Dourada, em Goiânia. E interditou segunda, à tarde… Até a próxima vistoria…

O Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro também prometeu exigir, com igual presteza, a interdição do campo por um longo período. O promotor Rodrigo Terra ressaltou que o pedido do MP ocorrerá de forma distinta ao do STJD. De acordo com ele, o objetivo do pedido de interdição é que sejam apresentados planos estratégicos de segurança para a realização de eventos no estádio. “É uma exigência do Estatuto do Torcedor que haja planos de ação para jogos e campeonatos. Vamos pedir a interdição até que estes documentos sejam apresentados, examinados e aprovados pela Polícia Militar” disse Terra, em entrevista ao canal Sportv.

O que houve duas vezes no fim de semana na zona norte do Rio não foi algo insólito. Mas apenas a repetição de ocorrências mais ou menos graves dentro dos estádios de futebol ou em seus arredores em praticamente todas as cidades brasileiras que sediam partidas de campeonatos estaduais, regionais, federais ou internacionais. A diferença do que se sucedeu dentro e perto do campo do Vasco é que dessa vez os incidentes tiveram início antes do jogo, atingiram o clímax pouco antes de a partida terminar e continuaram nas ruas do entorno, culminando com uma morte.

 Do lado de fora do estádio histórico das celebrações do Dia do Trabalho com o presidente Getúlio Vargas, foi morto a tiros Davi Rocha, de 26 anos, que fazia parte da 9.ª Família da Força Jovem do Vasco, da zona oeste do Rio. Morador de Santa Cruz, o ajudante de eletricista saiu sozinho de casa, mas teria integrado um comboio da torcida. A família até tentou desmentir sua ligação com a “torcida organizada”, mas O Globo a comprovou com fotografias e a reprodução de mensagens em redes sociais.

A ligação da vítima com parte dos agressores não é inusitada, mas, ao contrário, confirma que a paixão por um time ou pelo esporte profissional não passa de pretexto. Todos os eventuais motivos aventados para a eclosão da fúria nas arquibancadas foram negados no desenrolar dos acontecimentos. Antes do apito inicial do árbitro, os repórteres encarregados da cobertura do clássico de maior rivalidade no futebol carioca foram advertidos pelo próprio corpo de segurança do clube anfitrião de que deveriam passar rapidamente, sem demonstrar estranhamento, que poderia ser confundido com hostilidade, num determinado ponto da arquibancada apelidado de “Faixa de Gaza”.

No gramado, diante das duas maiores torcidas da antiga capital federal (daí, a denominação de “clássico das multidões”), os dois times desempenharam uma exibição tensa e faltosa, de baixíssima qualidade técnica, com as atuações merecendo a nota explicitada no placar: 0 a 0. Com a torcida do time visitante segregada a um canto tido como mais seguro da arquibancada, sem esboçar reação notória, o segundo tempo foi iniciado com uma leve melhora da qualidade do prélio.

Numa jogada violenta no campo de ataque do dono da casa, o artilheiro Luís Fabiano, conhecido como Fabuloso, deu uma entrada de extrema violência num adversário, o zagueiro Leo Duarte, que saiu machucado de campo. O lance foi interrompido e o gol anotado pelos anfitriões em seguida, anulado com a paralisação da partida. Foi uma espécie de senha para o começo da violência: bombas, água em copos de plástico, barras de ferro e varetas transformadas em lança foram jogadas no gramado, no qual o visitante terminou marcando o único tento, da vitória.

O melhor relato da batalha campal que se seguiu ao apito final do árbitro foi escrito pelo repórter Pedro Ivo Almeida, do Uol, que salvou uma criança de nove anos, com incômodo respiratório provocado pelo gás de pimenta jogado pela Polícia Militar (PM) para tentar acuar os arruaceiros. Depois de molhar os olhos, a boca e o nariz do menino envergando uma camisa do Vasco com seu nome – Carlos Henrique – estampado abaixo do número 10, usado pelo ídolo do time, Nenê, o repórter teve a lucidez de chamar a atenção de seus leitores para alguns lugares-comuns que em nada ajudam a entender. Mas, ao contrário, só trazem mais confusão às vãs tentativas de acabar com a insensatez reinante nas explosões de violência e nos métodos utilizados sem resultado para detê-las.

Um lugar-comum negado é o de que a violência resulta da paixão exacerbada dos torcedores por seus clubes de coração e sua rivalidade com os adversários. Na verdade, tudo foi planejado antes. A guerra se travou no espaço reservado unicamente à torcida “da casa” e foi exercida por quem acorreu ao jogo para bater e matar, não para torcer. Esporadicamente as torcidas se aproximaram e jogaram objetos nos adversários tornados inimigos.. Mas o conflito travou-se apenas entre cruz-maltinos.

Dessa forma, o martírio de São Januário desafiou a falsa solução da torcida única, a que as autoridades responsáveis pela segurança recorrem sempre para evitar desforços físicos entre rivais, sendo que, na verdade, as brigas entre quadrilhas organizadas fantasiadas de torcedores de um time são mais comuns do que imagina a vã filosofia de policiais e promotores.

O presidente do Vasco, Eurico Miranda, inculpou a PM por não ter feito com competência a revista de quem teve acesso às arquibancadas com bombas. O major PM Hilmar Faulhaber, do Grupamento Especial de Policiamento de Estádios, deu entrevista insinuando que funcionários do clube podem ter guardado as bombas no campo da batalha para serem usadas durante o jogo disputado no gramado. Nenhum dos dois convence. Eurico quis provar que seu estádio é seguro e foi desmentido pelos fatos: ficou evidente que o imóvel é velho e não dispõe das condições exigidas para a realização de clássicos em suas dependências. O oficial não apresentou provas de que sua hipótese não passava de mera desconfiança.

A tentativa feita pelo cartola de explicar a tragédia como reação indignada à situação calamitosa do Estado do Rio, a cuja elite política, aliás, ele pertence, ou à crise econômica, moral e política do Brasil padece de extremado irrealismo. A culpa do Estado pelas ocorrências lamentáveis de sábado limita-se ao abandono em que se encontra o Maracanã, construído pela prefeitura do Rio para a Copa de 1950 e hoje gerido pelo governo do Estado, mas no centro de uma polêmica judicial depois que o consórcio, formado por uma empresa gestora americana e a empreiteira Odebrecht, envolvida na corrupção investigada pela Operação Lava Jato, decidiu devolver ou transferir a concessão. Eurico não pode, contudo, usar essa justificativa, pois o jogo de sábado só foi realizado na praça esportiva obsoleta do clube que preside por ele ter exigido exercer seu direito de mando, com evidente prejuízo neste particular desde a interdição decretada dois dias depois da tragédia num bairro que o samba consagrou como símbolo da adesão do malandro ao operário que ia de bonde ao emprego.

Na manhã do domingo seguinte, antes da disputa entre Botafogo e Atlético-MG no Estádio Nilton Santos, construído para os Jogos Panamericanos do Rio e adaptado para ser uma moderna arena, usada na Olimpíada do Rio em 2016, torcedores cariocas e mineiros entraram em confronto perto da estação de Engenho de Dentro, da Supervia. Ou seja, e la nave va e vida que segue. Ou melhor, a violência, a mortandade e a impunidade continuam… Também no futebol.

  • Jornalista, poeta e escritor

( Publicado no Blog do Nêumanne, Politica, Estadão, na segunda-feira 10 de julho de 2017)

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Estadão às 5 da TV Estadão: Leal a quem, cara-pálida?

Estadão às 5 da TV Estadão: Leal a quem, cara-pálida?

Na Argentina, o mais cotado dos eventuais sucessores de Temer, que balança e está para cair da Presidência da República, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), erra ao se declarar leal ao presidente e que aprendeu isso em casa. Na verdade, como parlamentar, deve lealdade à República, a seu Estado e a seu eleitorado. Como presidente da Câmara, deveria ser leal aos deputados, particularmente a seus apoiadores. Não é, ao contrário do que deu a entender, subordinado ao chefe do Executivo. Ainda que fosse, declarações do tipo em nada ajudam o presidente que está para ser substituído. Este foi o primeiro tema da conversa com Adriana Ferraz, do Estadão, no Estadão às 5 da TV Estadão.

(Estadão às 5, transmitido por Youtube, Twitter e Facebook na sexta-feira 7 de julho de 2017, às 17 horas)

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Estadão às 5, da TV Estadão: O fim da Lava Jato

Estadão às 5, da TV Estadão: O fim da Lava Jato

Comunicado da PF noticiando a dissolução da força-tarefa da Operação Lava Jato, embora fosse esperada e demonstre que as investigações de Curitiba se espalharam por outros lugares, foi recebido com desconfiança pela população e indignação pelos procuradores, que veem na medida uma consequência do acordão de políticos investigados de vários partidos. É difícil convencer a população de que o combate à corrupção continua e que não houve nada de trágico. Este é o primeiro tema de minha conversa com Adriana Ferraz, repórter de politica no Estadão e âncora do Estadão às 5, no qual também debatemos a polêmica sobre a ida de Rodrigo Janot para acusar Temer na CCJ da Câmara e outros temas.
(Estadão às 5, da TV Estadão, transmitido por Youtube, Twitter e Facebook na quinta-feira 6 de julho de 2017, às 17 hs)
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O fim da Lava Jato

Perfil fúnebre de Walter: Dublê de repórter  e empresário

Perfil fúnebre de Walter: Dublê de repórter  e empresário

Com a morte de Walter Fontoura em São Paulo, na madrugada desta terça-feira, 4 de julho, saiu de cena mais um representante de uma geração de jornalistas que tinham ao mesmo tempo faro de notícia, vocação de chefiar equipes e visão de mercado. Há 15 anos, morreu o carioca (como ele) Evandro Carlos de Andrade. Em fevereiro deste ano, foi a vez de Mauro Guimarães, com os mesmos 80 anos de Walter, seu maior amigo. Outro expoente, Oliveiros S. Ferreira, está aposentado, aos 89 anos. Mauro e Walter tiveram importância capital no apanágio jornalístico e empresarial do Jornal do Brasil, hoje limitado à edição virtual. E Walter também participou, como Evandro, do crescimento das Organizações Globo. Oliveiros, celebrado professor da Universidade de São Paulo (USP), teve atuação decisiva na consolidação do Estado de S. Paulo.

walterfontoura

Filho de um oficial da Aeronáutica, Walter passou a infância em Natal, capital do Rio Grande do Norte, cidade e Estado aos quais sempre dedicou carinho filial. Mas sua ligação com o Rio de Janeiro foi muito mais intensa e significativa. Foi redator da primeira coluna política importante na imprensa brasileira contemporânea: o Informe JB, inspiração da Coluna do Estadão, do Painel da Folha de S.Paulo, de SwannAncelmo Góes e Jorge Moreno, no Globo. A prioridade da informação na coluna, cuja marca registrada era o anonimato do autor, contaminou outras tidas como sociais, deixando suas marcas em Zózimo Barroso do Amaral, que foi seu subordinado no Caderno BDireto da Fonte, no Caderno 2, e Mônica Bergamo, na Folha Ilustrada.

Desde muito cedo, Walter chefiou equipes, o mais evidente de seus muitos talentos na gestão de empresas e redações jornalísticas. Fidalgo, com talento de diplomata, empregado na direção do escritório do Instituto Brasileiro do Café em Nova York, ele sempre cultivou fontes e foi, enquanto trabalhou cotidianamente, um feroz caçador de “barrigas”. Graças às fontes que consultava, usou o poder da chefia, por exemplo, para impedir que saísse a nota de uma coluna que desinformava sobre a preferência do presidente Geisel para suceder-lhe pelo general Hugo Abreu, no dia em que João Figueiredo seria anunciado. À época dirigia o “jornal da condessa”, em que trabalhou 18 anos como repórter, redator, editorialista, diretor da sucursal de São Paulo, redator-chefe e vice-presidente da empresa. Nele comandou, nos anos 70, uma equipe de destacados jornalistas, como Carlos Castelo Branco e Villas-Bôas Corrêa. De 1985 a 1997, dirigiu a sucursal paulista do então maior concorrente do JBO Globo.

"Walter, a mulher Arlete e as filhas, ainda pequenas, Claudia e Ana Cristina." Foto do perfil do jornalista no FaceBook https://www.facebook.com/walter.fontoura.5

“Walter, a mulher Arlete e as filhas, ainda pequenas, Claudia e Ana Cristina.”
Foto do perfil do jornalista no FaceBook – https://www.facebook.com/walter.fontoura.5

Fora do jornalismo, empregou o talento de executivo no Conselho Consultivo do Banco Mercantil de São Paulo, para o qual foi convidado por seu amigo, Gastão Vidigal, que ele considerava o banqueiro-síntese do Brasil. Sobre o Mercantil escreveu o livro O Banco, São Paulo e o Brasil. Foi também diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro, vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, membro do Conselho de Orientação Superior da Fiesp, da Editora Páginas Amarelas e do Masp.

Em 2000, Walter Fontoura juntou-se aos amigos publicitários Luiz Sales, Alex Periscinoto e Sergio Guerreiro para fundar a SPGA Consultoria de Comunicação e prestou serviço a presidentes de empresas como Vale, Santos Brasil, Votorantim, Basf e Bradesco.

Caricatura de Walter Fontoura (08/06/1936 a 04/07/2017) de autoria não identificada, copiada da página dele no Facebook.

Caricatura de Walter Fontoura (08/06/1936 a 04/07/2017) de autoria não identificada, copiada da página dele no Facebook.

Por todos esses lugares compartilhou competência, simpatia, elegância e cavalheirismo. Deixa viúva Arlete, com quem teve três filhos, Walter (morto na juventude), Cláudia e Ana, além de cinco netos.

Antonio Foutoura D'Angelo com Walter Fontoura. Foto copiada do perfil do FaceBook: https://www.facebook.com/walter.fontoura.5

Antonio Foutoura D’Angelo com Walter Fontoura. Foto copiada do perfil do FaceBook: https://www.facebook.com/walter.fontoura.5

José Nêumanne Pinto

Jornalista, poeta e escritor

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