Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Política

Nesta quarta no Estadão: “Larga o poço, Graciosa!”

Nesta quarta no Estadão: “Larga o poço, Graciosa!”

José Nêumanne

Orgulha-se Dilma desta Petrobrás que maltrata funcionária que ousa delatar delinquentes?

Na quinta-feira o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, resumiu numa sentença lapidar a frustração de todos os brasileiros com a roubalheira na Petrobrás, que seus subordinados estão investigando na Operação Lava Jato: “Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros”. Fê-lo em Curitiba, onde tinha ido entregar a denúncia deles à Justiça, fechando a semana que começara cobrando a demissão da diretoria da estatal, em solenidade da instituição que chefia, no Dia Internacional de Combate à Corrupção. Incapaz de tomar uma atitude que não seja para cumprir ordem da chefe, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ali presente, ressuscitou o Conselheiro Acácio, de Eça, ao reconhecer a existência de indícios de corrupção na ex-maior empresa do Brasil (agora é a quarta, abaixo de Ambev, Itaú e Bradesco). Só depois negaria legitimidade ao cobrador, na ausência deste.

De fato, não é atribuição de Janot nomear ou demitir funcionários de uma empresa controlada pelo Estado e gerida, em última instância, pela chefe do governo, eleita pela maioria de seus proprietários, os cidadãos. No entanto, o procurador é o encarregado de zelar pela integridade, inclusive moral, das instituições. Faz parte de seus encargos combater a corrupção e denunciar os corruptos, tarefa que a própria “presidenta” encampou, de forma imprópria, na campanha em que se reelegeu. Além disso, ele, como qualquer brasileiro, está vendo nosso patrimônio erodir sob o impacto das picaretadas de um bando liderado pelo doleiro Alberto Youssef, facínora menor do Norte do Paraná. À sombra deste agiam petroleiros desavergonhados, como Paulo Roberto Costa, que o ex-presidente Lula chamava de Paulinho, Renato Duque e Pedro Barusco; e políticos do partido do governo e da base aliada, remanescentes do escândalo do roubo de Santo André, que resultou no assassínio ainda impune do prefeito Celso Daniel. E do mensalão, cujos operadores cumprem pena por graves crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

Se nós, pobres mortais cá na planície, nos enojamos e nos envergonhamos do noticiário que acompanhamos “diuturnamente e noturnamente”, como diria dona Dilma em seu vernáculo mambembe, o que dizer de um funcionário que, por dever de ofício, sabe tudo o que nos chega e muito mais? A reação do causídico Cardozo, ao assumir depois a defesa da diretoria da Petrobrás em entrevista, essa, sim, é que não tem propósito algum. Não tanto porque a função seria do ministro de Minas e Energia, cuja ausência mais uma vez se fez notar. Mas, sim, porque lhe cabe é chefiar, pelo menos em tese, os agentes da Polícia Federal que participam da devassa de algo que nos envergonha e mais deveria escandalizá-lo.

E agora sobram motivos para Cardozo retirar o que disse:

1) Domingo a manchete deste Estado foi: Petrobrás vale menos do que antes do pré-sal. Porque a “empresa, que chegou a valer R$ 737 bilhões em maio de 2008, hoje está avaliada em R$ 127 bilhões”.

2) No mesmo dia a Folha de S.Paulo noticiou a consequência dessa evidência da “gestão desastrosa”, da qual Janot reclamou: “25% dos investidores institucionais (fundos de pensão e investimento) reduziram, desde o início do semestre, em ao menos um terço o número de papéis negociados em Nova York que possuíam”.

3) Por causa disso, as ações preferenciais da estatal caíram anteontem 9,2%, atingindo o menor valor em mais de dez anos e levando o Ibovespa ao pior nível em nove meses. E o dólar subiu até R$ 2,75!

4) Na Veja desta semana, Lauro Jardim informa na coluna Radar: “Enquanto as maiores petrolíferas do mundo tiveram um crescimento médio acima de 20% nos últimos quatro anos, a Petrobrás desvalorizou-se 80,4% entre dezembro de 2010 e dezembro deste ano”. Exemplos: a ExxonMobil valorizou-se 24,5%; a Chevron, 26,2%; e a Shell, 17,5% – no mesmo período.

5) O Globo informou que a estatal comprou uma plataforma da SBM sem valor indicado no contrato. Para receber o US$ 1,2 bilhão da compra a vendedora teve de pagar US$ 36,3 milhões em propinas. Nem um botequim pé-sujo se manteria aberto se seu proprietário se arriscasse a assinar contratos com preço em aberto. Mas o causídico Cardozo jura que não há motivos para a diretoria da Petrobrás largar o poço…

6) Ontem o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro denunciou a estatal por suspeita de superfaturamento.

7) Graça Foster demitiu a geóloga Venina Velosa da Fonseca, assessora do delator premiado Paulo Roberto da Costa, impedindo que ela cuidasse de um “transtorno de ansiedade”, diagnosticado por uma clínica de Cingapura, para onde a tinha exilado. Isso porque esta ousou denunciar irregularidades que fizeram passar de R$ 4 bilhões para R$ 40 bilhões o custo da refinaria de Abreu e Lima (PE). A denúncia consta de documentos entregues por ela ao Valor Econômico. Neles está provado que, ao contrário do que disseram à comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) no Congresso a presidente, Graça Foster, e o diretor de Abastecimento e Refino, José Carlos Cosenza, ambos foram informados pela funcionária e não tomaram nenhuma providência. Ou seja, mentiram! A Petrobrás até tentou ontem desmentir a “empregada” Venina em nota oficial, mas não convenceu nem a Velhinha de Taubaté. Pois há cinco dias, em outra nota, garantia que foram instauradas comissões de inquérito para apurar as denúncias da geóloga. Como pôde investigar informações sem antes recebê-las?

Orgulha-se a presidente Dilma Rousseff da Petrobrás que, gerida por sua amiga Foster, por ela chamada de Graciosa, trata uma trabalhadora como agiu com a denunciante? Ou será o caso de dizer que maltratar um “empregado” que ouse desafiar e delatar delinquentes indicados pelo PT e aliados é mais uma “malfeitoria” da quadrilha que dilapida o patrimônio do povo brasileiro?

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 17 de dezembro de 2014).

Sete bons motivos para Graciosa largar o poço

Sete bons motivos para Graciosa largar o poço

José Nêumanne

Orgulha-se Dilma desta Petrobrás que maltrata funcionária que ousa delatar delinquentes?

Na quinta-feira o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, resumiu numa sentença lapidar a frustração de todos os brasileiros com a roubalheira na Petrobrás, que seus subordinados estão investigando na Operação Lava Jato: “Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros”. Fê-lo em Curitiba, onde tinha ido entregar a denúncia deles à Justiça, fechando a semana que começara cobrando a demissão da diretoria da estatal, em solenidade da instituição que chefia, no Dia Internacional de Combate à Corrupção. Incapaz de tomar uma atitude que não seja para cumprir ordem da chefe, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ali presente, ressuscitou o Conselheiro Acácio, de Eça, ao reconhecer a existência de indícios de corrupção na ex-maior empresa do Brasil (agora é a quarta, abaixo de Ambev, Itaú e Bradesco). Só depois negaria legitimidade ao cobrador, na ausência deste.

De fato, não é atribuição de Janot nomear ou demitir funcionários de uma empresa controlada pelo Estado e gerida, em última instância, pela chefe do governo, eleita pela maioria de seus proprietários, os cidadãos. No entanto, o procurador é o encarregado de zelar pela integridade, inclusive moral, das instituições. Faz parte de seus encargos combater a corrupção e denunciar os corruptos, tarefa que a própria “presidenta” encampou, de forma imprópria, na campanha em que se reelegeu. Além disso, ele, como qualquer brasileiro, está vendo nosso patrimônio erodir sob o impacto das picaretadas de um bando liderado pelo doleiro Alberto Youssef, facínora menor do Norte do Paraná. À sombra deste agiam petroleiros desavergonhados, como Paulo Roberto Costa, que o ex-presidente Lula chamava de Paulinho, Renato Duque e Pedro Barusco; e políticos do partido do governo e da base aliada, remanescentes do escândalo do roubo de Santo André, que resultou no assassínio ainda impune do prefeito Celso Daniel. E do mensalão, cujos operadores cumprem pena por graves crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

Se nós, pobres mortais cá na planície, nos enojamos e nos envergonhamos do noticiário que acompanhamos “diuturnamente e noturnamente”, como diria dona Dilma em seu vernáculo mambembe, o que dizer de um funcionário que, por dever de ofício, sabe tudo o que nos chega e muito mais? A reação do causídico Cardozo, ao assumir depois a defesa da diretoria da Petrobrás em entrevista, essa, sim, é que não tem propósito algum. Não tanto porque a função seria do ministro de Minas e Energia, cuja ausência mais uma vez se fez notar. Mas, sim, porque lhe cabe é chefiar, pelo menos em tese, os agentes da Polícia Federal que participam da devassa de algo que nos envergonha e mais deveria escandalizá-lo.

E agora sobram motivos para Cardozo retirar o que disse:

1) Domingo a manchete deste Estado foi: Petrobrás vale menos do que antes do pré-sal. Porque a “empresa, que chegou a valer R$ 737 bilhões em maio de 2008, hoje está avaliada em R$ 127 bilhões”.

2) No mesmo dia a Folha de S.Paulo noticiou a consequência dessa evidência da “gestão desastrosa”, da qual Janot reclamou: “25% dos investidores institucionais (fundos de pensão e investimento) reduziram, desde o início do semestre, em ao menos um terço o número de papéis negociados em Nova York que possuíam”.

3) Por causa disso, as ações preferenciais da estatal caíram anteontem 9,2%, atingindo o menor valor em mais de dez anos e levando o Ibovespa ao pior nível em nove meses. E o dólar subiu até R$ 2,75!

4) Na Veja desta semana, Lauro Jardim informa na coluna Radar: “Enquanto as maiores petrolíferas do mundo tiveram um crescimento médio acima de 20% nos últimos quatro anos, a Petrobrás desvalorizou-se 80,4% entre dezembro de 2010 e dezembro deste ano”. Exemplos: a ExxonMobil valorizou-se 24,5%; a Chevron, 26,2%; e a Shell, 17,5% – no mesmo período.

5) O Globo informou que a estatal comprou uma plataforma da SBM sem valor indicado no contrato. Para receber o US$ 1,2 bilhão da compra a vendedora teve de pagar US$ 36,3 milhões em propinas. Nem um botequim pé-sujo se manteria aberto se seu proprietário se arriscasse a assinar contratos com preço em aberto. Mas o causídico Cardozo jura que não há motivos para a diretoria da Petrobrás largar o poço…

6) Ontem o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro denunciou a estatal por suspeita de superfaturamento.

7) Graça Foster demitiu a geóloga Venina Velosa da Fonseca, assessora do delator premiado Paulo Roberto da Costa, impedindo que ela cuidasse de um “transtorno de ansiedade”, diagnosticado por uma clínica de Cingapura, para onde a tinha exilado. Isso porque esta ousou denunciar irregularidades que fizeram passar de R$ 4 bilhões para R$ 40 bilhões o custo da refinaria de Abreu e Lima (PE). A denúncia consta de documentos entregues por ela ao Valor Econômico. Neles está provado que, ao contrário do que disseram à comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) no Congresso a presidente, Graça Foster, e o diretor de Abastecimento e Refino, José Carlos Cosenza, ambos foram informados pela funcionária e não tomaram nenhuma providência. Ou seja, mentiram! A Petrobrás até tentou ontem desmentir a “empregada” Venina em nota oficial, mas não convenceu nem a Velhinha de Taubaté. Pois há cinco dias, em outra nota, garantia que foram instauradas comissões de inquérito para apurar as denúncias da geóloga. Como pôde investigar informações sem antes recebê-las?

Orgulha-se a presidente Dilma Rousseff da Petrobrás que, gerida por sua amiga Foster, por ela chamada de Graciosa, trata uma trabalhadora como agiu com a denunciante? Ou será o caso de dizer que maltratar um “empregado” que ouse desafiar e delatar delinquentes indicados pelo PT e aliados é mais uma “malfeitoria” da quadrilha que dilapida o patrimônio do povo brasileiro?

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 17 de dezembro de 2014).

No Estadão desta quarta: “Palmas para Vaccari, que ele não merece”

No Estadão desta quarta: “Palmas para Vaccari,  que ele não merece”

José Nêumanne

Substituto de Delúbio é aplaudido e blindado por Diretório do PT, apesar das denúncias

O secretário nacional de Finanças do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, foi ouvido, anistiado, aplaudido e blindado pelos integrantes do Diretório Nacional de seu partido na última sexta-feira em reunião num hotel em Fortaleza, à qual compareceu a presidente Dilma Rousseff em pessoa. Idêntico comportamento tiveram os petistas quando seu antecessor no posto de tesoureiro do partido no poder no País, Delúbio Soares, foi processado pela Polícia Federal (PF), acusado pelo procurador-geral da República e condenado pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Tanto Delúbio quanto outros dirigentes do PT e da cúpula do primeiro governo federal petista cometeram os graves crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. E eles ainda cumprem pena.

Ao contrário do antecessor, é bem verdade, Vaccari ainda não foi condenado nem sequer indiciado ou chamado a depor pelos agentes e procuradores que devassam a roubalheira na Petrobrás, apelidada de petrolão. Este nome guarda relação com mensalão, denominação pela qual se tornou célebre o escândalo da compra de apoio de pequenas bancadas no Congresso Nacional pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva e pelo partido dele e de Dilma Rousseff. Mas se tomaram conhecimento do que foi noticiado pelos meios de comunicação ao longo deste ano, nem a presidente nem o ex, muito menos o alto comando do PT, podem alegar desconhecimento das inúmeras vezes que o nome de Vaccari foi citado nas delações premiadas do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que Lula chamava de Paulinho, e do doleiro Alberto Youssef, chamado de Beto até mesmo por companheiros que dizem nunca tê-lo visto.

Como Luiz Gushiken e Ricardo Berzoini, Vaccari é egresso do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Como sindicalista ocupou a presidência da Bancoop, cooperativa acusada por mutuários de ter vendido moradias que não entregou ou, quando o fez, não ter cumprido o que foi acertado e pago. E a Justiça acatou as denúncias.

Costa e Youssef acabaram de contar a policiais e procuradores federais que participam da Operação Lava Jato que o tesoureiro recebia a parte que cabia ao PT na propina de 3% da roubalheira na Petrobrás destinada a três partidos (os outros, também da base aliada, claro, seriam o PP e o PMDB). A hipótese de que os delatores premiados tenham mentido, seja por que razão tiverem, é injustificável. Com o farto noticiário a respeito do escândalo protagonizado pela dupla, acusada de ter lavado R$ 10 bilhões, qualquer um sabe que só é reduzida ou cancelada a pena do delator quando o que ele contou pode ser comprovado nas investigações ou com documentação. Caso minta, perde o prêmio.

Três procuradores federais foram à Suíça para de lá repatriarem, com autorização do Paulinho do Lula, dono das contas sigilosas, quase R$ 100 milhões, mais do que receberam os ganhadores da Mega Sena acumulada na semana passada. Devem trazer também os extratos das contas, que darão a agentes e promotores novas pistas para desvendar outros tentáculos do funcionamento do esquema, definido pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Newton Trisotto como “uma das maiores vergonhas da humanidade”. Isso dará razão ao colega dele no STJ Félix Fischer, segundo quem nenhum outro país viveu “tamanha roubalheira”. É pouco?

A bagagem dos viajantes poderá confirmar ainda que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) não exagerou quando declarou, em entrevista a Roberto D’Ávila na GloboNews, que não perdeu a eleição presidencial para um partido, mas, sim, para “uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinadas por esse grupo político que aí está”. A exceção da verdade deve bastar para livrar Aécio de processo do PT. O Gávea Golf Club do Rio já expulsou o ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco, que confessou ter roubado US$ 100 milhões da estatal. E o PT expulsou quem?

Em Fortaleza, Vaccari jurou que nada fez de errado, nada tem a temer, e alegou ser alvo sistemático de “injustiças”, que não teriam razão de ser. Que ofensas teria feito a mutuários da Bancoop, que presidiu de 2004 a 2010, para que o processassem? Que motivos pessoais teriam os promotores para o denunciarem em 2010 por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro? Quais razões ocultas teriam os ministros do STJ que permitiram acesso à movimentação de suas contas bancárias nos dez anos anteriores? Diz o tesoureiro que nada foi encontrado que o desabonasse, como se a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico bastasse para inocentá-lo. Como se não conhecesse o tal do caixa 2!

Quebrado seu sigilo telefônico, os investigadores tomaram conhecimento das conversas que manteve com os protagonistas da Lava Jato. Mas ele garantiu à “companheirada” que apenas marcou ao telefone encontros para captar recursos legais para as campanhas do partido. A revelação dos grampos ter-lhe-ia causado “constrangimentos familiares”. Mais constrange as famílias honestas do Brasil saber que ele e seu partido nunca agiram como se tivessem aprendido algo com os erros do mensalão. Nem se corrigiram. As evidências trazidas a lume não pela oposição nem pelo Partido da Imprensa Golpista (o PIG), mas pela PF e pelo Ministério Público Federal, é que a punição de Dirceu, Genoino, Delúbio e João Paulo Cunha não serviu de exemplo para seu estilo de gestão financeira nem para o presidente do PT, Rui Falcão, que puxou as palmas do Diretório para ele.

A cúpula petista nunca recuou da convicção de que os réus do mensalão são heróis nacionais, e não delinquentes, como foi determinado pelo STF. A presidente Dilma Rousseff nunca a desautorizou nem pediu desculpas à Nação pela participação de seu partido no mensalão e no petrolão. Isso leva a deduzir que o PT só quer a democracia para chegar ao poder, mas não aceita as regras do Estado Democrático de Direito para gerir o bem público.

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 3 de dezembro de 2014)

 

Combate à corrupção não é obra de Dilma

Combate à corrupção  não é obra de Dilma

JOSÉ NÊUMANNE

Nem o governo mandou apurar nem a oposição alertou antes para o escândalo da Petrobrás

Acredite quem quiser: a presidente reeleita, Dilma Rousseff, tentou, na reunião do G-20 na Austrália, da forma canhestra que lhe é habitual, tirar proveito da notícia da prisão de empreiteiros na sétima etapa da Operação Lava Jato. Como se esta fosse uma obra de sua administração, a exemplo do PAC, do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida. Em sua peculiar versão sobre os fatos da atualidade, teve o desplante de exaltar como mérito do próprio governo o fato de agora se investigar a corrupção “pela primeira vez na História do Brasil”. Como diria Jack, o Estripador, vamos por partes. Primeiramente, a roubalheira na Petrobrás é, sim, e disso ninguém tem mais como discordar, o maior escândalo de corrupção da História do Estado brasileiro, desde que o português Tomé de Souza desembarcou na Bahia para ser nosso primeiro governador-geral. Nada se lhe compara em grandeza de valores, vileza de ações e resultados funestos para uma empresa criada para tornar concreto o lema da esquerda nos anos 50 do século passado – “o petróleo é nosso”. O petróleo, descobriu-se agora, não é nosso, é deles: do PT, dos partidos da base, de desavergonhados funcionários de carreira da petroleira e de doleiros delinquentes. Ainda não apareceram indícios na investigação de que Dilma e seu antecessor na Presidência, Lula da Silva, tivessem tirado algum proveito financeiro do butim. Mas não há mais dúvidas de que ambos estavam a par de tudo. Sabe-se disso não apenas por ter o doleiro Alberto Youssef, um meliante de terceira categoria do Norte do Paraná, contado em delação premiada a agentes federais e promotores. Há provas documentais e históricas, como acaba de revelar o Estado: em 2009, o Tribunal de Contas da União (TCU), no exercício de sua assessoria ao Legislativo, avisou o Congresso que não permitisse o repasse de R$ 13,1 bilhões à Petrobrás porque seus fiscais haviam auditado irregularidades em obras da estatal. O Congresso proibiu, Lula vetou a decisão e mandou dar dinheiro às obras suspeitas. Mas o então presidente não se limitou a vetar os dispositivos orçamentários e liberar as verbas glosadas pelo TCU: também abusou da jactância de hábito ao fazer troça da mania que o órgão teria de “querer mandar em tudo”. Se José Sérgio Gabrielli, então presidente da maior empresa brasileira e seu homem de confiança, não lhe contou, o TCU, no mínimo, avisou. Não se pode dizer que Gabrielli seja confiável aos olhos de Dilma, mas, além de ter sido ministra das Minas e Energia, ou seja, responsável pela atuação da estatal e presidente de seu Conselho de Administração, ela, como chefe da Casa Civil, não podia desconhecer o alerta do TCU nem o desafio em forma de veto do chefão e padrinho. É fato que a oposição não se pode jactar de ter sido a responsável pela revelação do escândalo do petrolão nem dos casos que o antecederam: o mensalão e a execução do prefeito de Santo André e então coordenador de programa de governo da campanha de Lula à Presidência em 2002, Celso Daniel. A descoberta de documento de um “empréstimo” de R$ 6 milhões do operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes, a um dos protagonistas do escândalo de Santo André, Ronan Maria Pinto, pela Polícia Federal (PF) nos papéis apreendidos em mãos de Meire Poza, contadora de Youssef, desvendou a conexão entre os três casos. Valério disse há dois anos que deu essa quantia ao empresário de ônibus para sustar chantagem dele contra Lula. O papel é uma evidência de que o mensalão não serviu apenas para comprar apoio de pequenos partidos no Congresso ao governo, mas também para afastar suspeitas de envolvimento da cúpula da gestão federal e do PT não na execução de Celso Daniel, mas no acobertamento dos verdadeiros assassinos, protegidos pela versão da polícia paulista, sob égide tucana (sem aval do Ministério Público), de que o crime teria sido ocasional. Nestes 13 anos, nos governos Alckmin, Lembo, Serra e Goldman, a oposição não se aproveitou do fato de comandar a polícia estadual paulista para produzir sequer uma investigação decente que convencesse a família de que a morte de Daniel teria sido casual. Como é de conhecimento geral, tucanos e democratas também nada tiveram que ver com a delação do petebista Roberto Jefferson sobre o mensalão, escândalo do qual foi protagonista José Janene, um dos autores intelectuais da roubalheira na Petrobrás, que teria resultado na lavagem de R$ 10 bilhões. A Operação Lava Jato é um trabalho que a Nação não deve a nenhum “sinal verde” de Dilma ou de Lula nem à denúncia de tucano algum. Mas, sim, às divisões internas da Polícia Federal, ao poder autônomo do Ministério Público Federal, à competência técnica e ao tirocínio corajoso e probo do juiz federal paranaense Sérgio Moro. O sucesso das investigações também se deve à delação premiada, à qual o “Paulinho” de Lula e “Beto” Youssef recorreram para não padecerem o que hoje padece Marcos Valério por ter achado que seus poderosos parceiros não o abandonariam. Não houve ordem “republicana” para investigar, processar e prender todos os culpados, “doa a quem doer”. Nem denúncias de uma oposição indolente e nada vigilante. Dilma também anunciou em Brisbane que a Lava Jato pôs fim à impunidade. Bem, aí depende! A impunidade no Brasil já teve um grande baque com as condenações do mensalão. Graças ao relatório de implacável lógica de Joaquim Barbosa, políticos tiveram a inédita sensação de eleitores serem iguais a eleitos perante a lei. As diferenças na execução penal, contudo, mostram que essa igualdade continua relativa: a banqueira, os advogados e o publicitário continuam na cadeia e os insignes companheiros que tinham mandato ou ministério estão “presos” em casa. A prisão dos empreiteiros mostra que a delação premiada é mesmo pra valer. Mas os políticos eventualmente delatados ainda continuam soltos. Jornalista, poeta e escritor (Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo da quarta-feira 19 de novembro de 2014)

No Estadão: Tucanos dão tiro na pata

No Estadão: Tucanos dão tiro na pata

Petista infiltrado ou direitista, quem exige golpe militar na rua precisa ser identificado

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), coordenador jurídico da campanha de Aécio Neves para a Presidência da República, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) “auditoria especial” sobre o resultado da eleição para presidente. O pedido foi criticado pelo corregedor-geral Eleitoral, João Noronha, e considerado “de imprudência a toda prova” pelo procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot. Não ficou claro até que ponto o maior partido de oposição pode ser responsabilizado pela iniciativa. No PSDB ninguém a avalizou, mas também ninguém a desautorizou.

Foi correta a reação discreta de Janot, mas Noronha poderia limitar-se a jogar a petição no lixo, em vez de, irritado, de forma imprópria para o caso e para seu cargo, fazer comparação indevida: “Não somos a Venezuela, a Bolívia. O Brasil é um país democrático, e temos uma Justiça Eleitoral democrática”. Ele se imiscuiu nos negócios da economia interna do partido interessado: “Não acredito que Aécio esteja por trás disso”. E se excedeu ao considerar que o palpite infeliz “é muito negativo para a imagem do processo eleitoral e para o processo democrático”. Ninguém precisa arvorar-se em defensor do coordenador jurídico da campanha tucana para estranhar a reação do corregedor. Bastava-lhe destinar o desatino a seu lugar, o lixo, calar e embarcar para Nova York.

O destempero do corregedor não obscurece, contudo, o óbvio tiro na pata que os tucanos dispararam tanto ao dar entrada na petição tendo como base fofocas de rede social quanto por não terem esclarecido quem no partido avalizou esse tresloucado gesto. Se foi uma atitude isolada, que tivesse sido imediatamente desautorizada. De qualquer maneira, já que o tiro foi dado e não se pode dizer que a pata do PSDB tenha sido quebrada por efeito dele, é o caso de aproveitar a “inoportunosa ensancha” para deixar claro que oposição precisa ser feita com coragem, objetividade e, sobretudo, suor. Pois exige de quem a faz muita responsabilidade. E ainda extremado apego aos fatos.

Deste honroso espaço em página de jornal, este escriba, acusado de pertencer ao Partido da Imprensa Golpista (PIG), clamou no deserto de moral e civismo em que se transformaram a prática política e o exercício do poder dito republicano no Brasil pela maior responsável por mantê-los em alta, a presidente da República. Candidata à reeleição, Dilma Rousseff, do PT, convocou uma rede nacional de rádio e televisão, recorrendo à força do cargo, para fazer campanha para a reeleição louvando os próprios feitos a pretexto, por exemplo, de celebrar o Dia do Trabalho – episódio lembrado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Sua Excelência Excelentíssima fez campanha ao anunciar benefícios para empregadas domésticas, que até hoje não se empenhou em tornar factíveis. Calçou as chuteiras da Pátria quando seu conhecimento de arquibancada, adquirido quando acompanhava o pai ao Mineirão para torcer pelo Atlético antes até de o estádio existir, indicou ser oportuno. E logo as descalçou quando os alemães mandaram os anfitriões pentear sete macacos com um pente só. Nenhum ministro do TSE, incluídos o corregedor e seu presidente, Dias Toffoli, pode alegar que de nada sabia. Pois ela mesma, adepta do “sincericídio” temerário, como foi mostrado na escandalosa compra da refinaria da Astra Oil em Pasadena pela Petrobrás, invocou o príncipe das trevas ao garantir que para ganhar uma eleição “a gente faz o diabo”.

Disse e fez, pois essa não seria promessa a não ser cumprida. Moeu Marina Silva, negra de origem pobre, como se esta fosse uma reles mucama da elite branca que assola o País. Depois, para provar que vovô Tancredo Neves era da mesma estirpe do ex-Paulo Maluf – antes de este apoiar Fernando Haddad, claro –, como garantia padim Lula no Colégio Eleitoral, escalpelou o neto Aecinho sem dó nem bafômetro.

Fez isso tudo sem que corregedor e presidente do TSE resolvessem dar paradeiro até que o mineirinho “cachaceiro” – conforme comprova a larga experiência no ramo de seu acusador, o mesmo patrono da presidenta (sic, pra que discutir com madame?), o padim Lula – resolveu reagir. Não se ouviu falar do corregedor, mas o presidente do TSE resolveu tornar-se o supremo inquisidor da “baixaria eleitoral” generalizada e bateu o martelo para pôr ordem no pelourinho.

Talvez o corregedor estivesse em Nova York então. Mas a imagem da Justiça Eleitoral brasileira foi maculada – e muito – na tentativa de transferir votos em branco para Moreira Franco (hoje ministro da reeleita) para derrotar o antigo líder de Dilma, o socialista moreno Leonel Brizola, na eleição para o governo do Estado do Rio em 1982. A fraude, batizada de “diferencial delta”, foi denunciada e Brizola venceu o pleito. E ele morreu certo de ter sido vítima de golpe similar para facilitar a vitória de Collor (hoje senador da base governista), abrindo passagem para Lula, e não para ele, rumo ao segundo turno, em 1989.

Nos 12 anos sob Lula e Dilma, os tucanos poderiam ter usado seu poder político para investigar a coleta e apuração eletrônicas, sob suspeita desde a manipulação tentada por Figueiredo e pelo bicheiro Anísio Abrão David no caso Proconsult. E deveria ter levado o TSE à exaustão exibindo evidências de associação de Dilma com o demo pela reeleição. Mas preferiu refestelar-se na sombra e água fresca da oposição indolente. Assim, perdeu a moral para pedir a recontagem de votos. E para fazer qualquer outra acusação sem prova. Como a do senador Álvaro Dias (PR), que atribuiu a “infiltrados” do PT apelos a golpe militar, que podem gerar no movimento contra Dilma efeito nocivo similar ao dos black blocs em junho de 2013. Não é impossível. Mas é mais provável que essa seja obra da extrema direita. E, seja devoto de Dilma ou de Bolsonaro, o sabotador deve ser identificado e apontado como inimigo da democracia.

José Nêumanne Pinto

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pag. A2 do Estado de S. Paulo da quarta 5 de novembro de 2014)

No Estadão: Contra o ódio e o preconceito

No Estadão:  Contra o ódio e o preconceito

Aécio revive conciliação do avô Tancredo; Dilma repete intransigência feroz do ex-chefe Lula

Meu amigo Luiz Guimarães, engenheiro, financista, aposentado, sonha ter acesso a qualquer hora aos candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves, que disputam o segundo turno no domingo, para lhes sugerir um ritual: estender uma Bandeira Nacional defronte à cama para refletir todo dia, ao acordar, sobre seu dístico, Ordem e Progresso. Petistas, que se dizem socialistas, e tucanos, que se creem social-democratas, poderão pensar que é uma sugestão conservadora, de direita, neoliberal. Na verdade, é um lema positivista, adotado por influência dos seguidores de Auguste Comte entre os fundadores de nossa República. Para Luiz, a reflexão deve começar pela ordenação das palavras: “Sem ordem não há progresso”. É, faz sentido!

A sugestão vale para todos os eleitores que irão às urnas em quatro dias. Ainda que se altere a sequência dos vocábulos, convém que o brasileiro se lembre do hino, da bandeira, do sentido de pátria e de comunidade antes que ódio e preconceito contaminem as relações entre amigos e parentes, separando pais e filhos, irmãos e primos, sócios e parceiros. Na segunda-feira, entre as lágrimas dos derrotados e os fogos dos vitoriosos, seria muito bem-vinda uma convocação à reconciliação de todos. Como escreveu Ana Maria Machado no Globo de domingo, “discordando, mas trocando ideias para vencer os problemas do país. Que não são poucos. Não precisamos acrescentar a eles a intolerância, o ressentimento, a baixaria que busca se vingar”.

Papisa da literatura infantojuvenil no Brasil, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, ela sabe o que escreve. E poderá praticar a ideia em família: seu irmão, Franklin Martins, é o guerrilheiro que imaginou, planejou e comandou na rua o sequestro do embaixador americano no Brasil Charles Elbrick, na ditadura militar. Hoje ele é um dos assessores que ajustam a mira da metralhadora giratória da presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, do PT, primeiro contra Marina Silva, do PSB, e agora contra o tucano Aécio Neves.

Com a enxurrada de porcaria despejada no horário que nada tem de gratuito no rádio e na TV e no debate do SBT, Jovem Pan e UOL, seis dias atrás, ficou uma impressão de que aqui se pratica uma política de terra arrasada, na qual nada sobrará para os derrotados e tampouco para os vencedores. A estes talvez nem restem as batatas, troféus da guerra das tribos na fábula escrita por outro Machado, o de Assis. Vencedores e vencidos mostram-se dispostos a negar tudo uns aos outros, nada lhes restando, mesmo que o dilúvio universal desabe sobre as nascentes dos rios que formam as represas do sistema Cantareira, quase totalmente exaurido, no momento em que este texto é lido, sob sol forte e aridez.

Este jornal publicou domingo evidências de que há uma forte tendência política em crescimento no Brasil: o antipetismo. Caudatária dessa há outra, subterrânea e sub-reptícia: é a dos anti-Lula. Ela começou, sorrateira, nas manifestações de rua de junho de 2013, em que multidões reclamaram da péssima gestão pública em serviços públicos essenciais à sobrevivência e à dignidade do cidadão. Essa não é obra exclusiva do PT nem dos herdeiros de Lula, mas há indicações seguras no noticiário recente de que se agravou muito sob a égide de uma aristocracia socialista que se considera acima do bem e do mal e acha que pode tudo. Até mesmo reduzir pela metade o patrimônio da maior empresa estatal do País, a Petrobrás, sem que ninguém perceba, proteste ou cobre.

Sem organização política nem propostas concretas, as massas rebeladas refluíram ao impacto de pedradas e coquetéis molotov de anarquistas que deturparam as manifestações quebrando tudo, violando a lei e desafiando o Estado Democrático de Direito. O movimento desfigurou-se, mas abriu uma porta de saída para antigos enfants gatés do lulopetismo. Primeiro, Marina Silva. Depois, Eduardo Campos.

A queda do avião particular em que este viajava foi uma espécie de senha para permitir a ressurreição e, depois, a organização das forças políticas contra o lulopetismo na sociedade. A volta da disputa direta entre PSDB e PT, que pareciam, de início, fadados ao convívio forçado na luta contra a direita egressa do regime autoritário, permitiu definir em definitivo os contendores. De um lado, os trabalhadores de todas as rendas, que sustentam um Estado estroina, voraz, corrupto e ineficaz, resolveram votar a contragosto em Aécio, que passou a simbolizar a insatisfação generalizada contra “tudo o que está aí”. A ele se juntaram lideranças que antes sempre se reuniram sob as asas do profeta, e agora magnata, do agreste, Lula da Silva: Campos, Marina, Eduardo Jorge, etc. Do outro, a ex-guerrilheira Dilma congrega os assistidos pelo Bolsa Família e os socialistas de conveniência, que trocaram as cobranças de moralidade pelo usufruto de propinas justificadas pela secular retórica antiburguesa, que não só permite e perdoa, mas até abençoa o furto como justa expropriação. Se as pesquisas desta vez estiverem certas, o Brasil está dividido ao meio entre duas bandas radicais e inconciliáveis.

A passeata de Aécio domingo em Copacabana, com bandeiras do Brasil substituindo cartazes partidários, lançou-o como herdeiro da reconciliação feita sob Dutra após o Estado Novo e por seu avô, Tancredo Neves, no fim do regime pós-1964. O PT de Lula investe em Dilma contra a composição com intransigência feroz. Como antes: três deputados foram expulsos do partido porque votaram em Tancredo no Colégio Eleitoral. E Luiza Erundina, que costurou a aliança do PSB com Marina, foi expelida dele porque aceitou dirigir a Secretaria de Administração Pública no governo de coalizão de Itamar Franco, do qual Fernando Henrique foi alçado à glória de dois mandatos ganhos em primeiro turno graças ao real. Esse grupo se candidata a substituir o Ordem e Progresso por Ódio e Preconceito na bandeira do Brasil. É isso aí.

José Nêumanne Pinto

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pag. A2 do Estado de S. Paulo da quarta-fe9ira 22 de outubro de 2014).

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