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Política

Comentário no Jornal da Gazeta da quinta-feira 25 de setembro de 2014

Comentário no Jornal da Gazeta da quinta-feira 25 de setembro de 2014

 

Presidenciáveis só contam com os erros dos outros 

No Estadão: “Deixem o Paulinho do Lula delatar em paz!”

No Estadão: “Deixem o Paulinho do  Lula delatar em paz!”

José Nêumanne

Não se deve permitir a Dilma e à oposição que saibam antes de todos o que tem dito o delator

O ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que o ex-presidente Lula chamava na intimidade de Paulinho, alimentou, durante algum tempo, a ilusão de que uma eventual delação dele abalaria a República a ponto de ameaçar a realização das eleições de outubro. Seria ele um megalomaníaco? Por mais que as informações que resolveu repassar à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público (MP) sobre a roubalheira na estatal sejam de fato relevantes e ameacem a reputação de vários figurões graduados no alto comando dos Poderes republicanos, ninguém cogitou em momento algum de adiar a disputa. E mais ainda: essa delação não alterou o cacife eleitoral dos candidatos à Presidência de forma mais significativa do que o fez a queda em Santos do avião em que viajava o presidenciável socialista Eduardo Campos.

Não que suas revelações sejam de pouca monta. O que ele já disse e ainda tem a contar é muito relevante e muito grave, como demonstra o pouco que vazou até agora. O suficiente para irritar a ainda favorita à vitória, a presidente petista Dilma Rousseff, que tem passado a impressão generalizada de que se preocupa mais em evitar vazamentos do que em tomar conhecimento dos delitos gravíssimos cometidos para punir os responsáveis por eles.

Os executivos do poder federal e parlamentares eventualmente citados nesses vazamentos também não têm sido atingidos diretamente em suas pretensões de ascensão na carreira. O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), continua favorito na eleição para governador de seu Estado, o Rio Grande do Norte. O mesmo ocorre com o filho de Renan Calheiros (PMDB), que disputa o governo de Alagoas, e o de Edison Lobão (PMDB), que é o preferido do clã Sarney na sucessão de Roseana, no Maranhão. O próprio ministro de Minas e Energia continua fagueiro no posto, embora meio à sombra dos holofotes depois de ter dito à chefona Dilma que as acusações contra ele seriam falsas.

Mesmo tendo sido fundamental para a eleição de pregadores da moral e dos bons costumes, casos de Jânio Quadros e Fernando Collor, no passado, a corrupção como cavalo de batalha volta a ser agora, como já o fora nas duas disputas perdidas pelo brigadeiro Eduardo Gomes, lana caprina. Em artigo em que não se refere à gatunagem, talvez por achá-la irrelevante, o diretor da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Joaquim Falcão, listou uma série de motivos para o eleitor apartidário votar de novo no governo. Está na cara que a economia degringola, e o autor reconhece isso, mas, como ele aduziu, decide-se o voto na vida real e no instante atual.

Falta aos opositores à candidata à reeleição autoridade moral para isolá-la na fogueira de bruxa do furto do erário. O nome do socialista Eduardo Campos certamente vai figurar entre os maganões republicanos citados pelo Paulinho de Lula. Embora nem de longe isso afete a reputação de sua sucessora na corrida presidencial, Marina Silva, é claro que qualquer “malfeito” (para adotar o educadíssimo eufemismo empregado por Dilma para evitar termos pesados como furto na definição de delitos cometidos pela “companheirada”) de Eduardo poderá fragilizá-la.

O caso dos tucanos, embora não citados nos vazamentos que tiram o sono dos governistas, é diferente, mas também não é muito confortável. À medida que a quebra do silêncio pelo delator vai jogando lama na reputação dos maiorais, fica cada dia mais claro que têm relação entre si os três escândalos mais estrondosos dos últimos 12 anos: a morte de Celso Daniel, o mensalão e a roubalheira na Petrobrás. O que já era sabido se tornou comprovado quando apareceu na papelada de Meire Poza, contadora do doleiro Alberto Youssef, o documento do “empréstimo” do operador do mensalão a uma personagem na morte do ex-prefeito de Santo André.

Não foi à toa que a presidente da República cometeu o lapsus linguae de negar aos jornalistas seu direito (na verdade, dever, pois o direito de ser informado é do cidadão) de investigar. Ela até quis corrigir, mas sua frase, de uma clareza incomum em seu estilo, é injustificável. O delator do mensalão, Roberto Jefferson, contou que no Congresso o assunto era conhecido. E não foi revelado pela oposição, mas, sim, por uma entrevista dele à Folha de S.Paulo. A oposição, comprometida no caso pela origem tucana do esquema em Minas, não se empenhou em esclarecer a confissão de Marcos Valério ao MP de que teria dado R$ 6 milhões a Ronan Maria Pinto para este parar de chantagear Lula e Gilberto Carvalho pelo envolvimento de ambos não na execução de Celso Daniel, mas na garantia de impunidade para os assassinos. Revelada pelo Estado, a transação teve a prova achada pela PF.

A oposição cobra de Dilma sua omissão nos furtos na Petrobrás, pois ela foi ministra de Minas e Energia, chefe da Casa Civil, presidente do Conselho de Administração da estatal e presidente da República enquanto o Paulinho de Lula e seus comparsas assaltavam a empresa. É estarrecedor que alguém pretenda ser uma “gerentona” eficiente sem ter percebido o óbvio. Mas o mesmo se pode dizer do Tribunal de Contas da União e dos parlamentares oposicionistas, que não tomaram conhecimento, por exemplo, de documentos em que o roubo era denunciado interna corporis na empresa.

Como um meliante enviou R$ 1 bilhão para o exterior sem que autoridades ou parlamentares ficassem sabendo? Como um subalterno (caso do delator) pôde cobrar uma propina milionária na compra da refinaria belga no Texas, denunciada pela Veja? O procurador-geral Rodrigo Janot e o juiz Sérgio Moro têm razão ao negar a Dilma (para quem o gatuno “tinha credenciais” para ser diretor da estatal) e à oposição acesso à confissão que a Nação quer que seja levada a termo. E é espantoso que isso  não interfira nos votos dos lesados.

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pag2A do Estado de S. Paulo de 24 de setembro de 2014)

Comentário no Jornal da Gazeta da terça-feira, 23 de setembro de 2014

Comentário no Jornal da Gazeta da terça-feira, 23 de setembro de 2014

 

Dilma faz campanha até nos EUA graças ao tucano FHC

Comentário no Jornal da Gazeta da terça 18 de setembro de 2014

Comentário no Jornal da Gazeta da terça 18 de setembro de 2014

 

Oposição nem percebeu a roubalheira e agora quer se beneficiar

Comentário no Jornal da Gazeta da quinta-feira 11 de setembro de 2014

Comentário no Jornal da Gazeta da quinta-feira 11 de setembro de 2014

 

O País está dividido entre o voto do basta e o voto da Bolsa

Nesta quarta no Estadão: “O petróleo é deles?”

Nesta quarta no Estadão: “O petróleo é deles?”

Roubalheira na Petrobrás não será punida nem terá fim só com reforma política

Desde os anos 50 do século passado, quando a campanha “o petróleo é nosso” resultou na concessão do monopólio de extração e refino de óleo cru à Petrobrás, para isso criada, a esquerda brasileira passou a defendê-la com unhas e dentes. Como se a estatal fosse o mais valioso patrimônio do povo brasileiro. Será que ainda é?

Após a publicação neste jornal da entrevista que o ex-diretor de Gás e Energia da empresa Ildo Sauer deu ao Broadcast Político, serviço da Agência Estado, há, no mínimo, controvérsias a respeito de tal afirmação. Investigado pelo Tribunal de Contas da União, com os bens bloqueados por ter participado da diretoria da petroleira na época em que esta adquiriu metade do controle acionário da refinaria da belga Astra Oil em Pasadena, no Texas, o especialista reconheceu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “intensificou o uso político da Petrobrás”. Sauer não pertence ao chamado Partido da Imprensa Golpista, o PIG, denominação pejorativa com que os petistas definem jornalistas abelhudos que revelam falcatruas cometidas pela “companheirada” no poder. Tampouco é da oposição “revanchista”, que vive procurando pelo em ovo para destronar os populistas desse poder. Ao contrário, ele foi, isso sim, o principal assessor de Lula em petróleo e gás na primeira campanha presidencial vitoriosa deste, razão pela qual foi alçado à diretoria na empresa.

Sauer relatou que, com o advento do presidencialismo de coalizão no Brasil, “no governo Fernando Henrique”, passaram a comandar a empresa “despachantes de interesses”, a serviço de “contratistas, partidos e políticos”. A versão do técnico padece de imprecisão, mas isso não importa tanto. Acontece que a troca de cargos no Executivo por apoio político no Legislativo teve início antes, desde a promulgação da Constituição de 1988, por culpa da qual a negociata passou a ser chamada de “governabilidade”, o que tornou o Congresso um balcão de negócios e os cargos em ministérios, autarquias e estatais, moedas de troca.

Isso não tem relevância porque o técnico, que não é simpatizante do PSDB, não citou casos em que o mau uso por ele denunciado de bons empregos na cúpula da Petrobrás tenha sido flagrado e investigado nos governos Sarney, Collor, Itamar ou Fernando Henrique. Não se pode dizer o mesmo das três gestões federais do Partido dos Trabalhadores (PT) – duas sob a batuta de Lula, com Dilma Rousseff ministra de Minas e Energia, depois chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da estatal, e o mandato dela mesma. Comparado com a roubalheira na Petrobrás nestes 12 anos, o “mar de lama” que levou Getúlio ao suicídio se reduz a uma reles pocinha.

Quem tiver alguma dúvida está convidado a ler o noticiário sobre a delação premiada que um ex-colega de Sauer na cúpula da petroleira, Paulo Roberto Costa, tenta obter da Justiça em troca de delatar todos os outros detentores de benefícios durante sua mais que temerária gestão na Diretoria de Abastecimento. Segundo testemunhos, o delator era carinhosamente chamado de Paulinho por Lula em pessoa. E ainda que este volte a exercitar sua recente e conveniente amnésia, desconhecendo pessoas de cuja intimidade notoriamente privou, é indesmentível que o indiciado e preso pela Polícia Federal operou sob a chefia de alguém de alta confiança do ex-presidente da República, José Sérgio Gabrielli, e ao lado da atual presidente da estatal, Graça Foster, que Dilma trata como Gracinha. Não é?

Os meios de comunicação já informaram que o preso, ora em alto destaque, dispõe da nada módica quantia de US$ 23 milhões em contas sigilosas na Suíça. Isso equivale a quase US$ 1 milhão por vez das 24 nas quais foi distinguido com a subida honra de substituir Gabrielli num dos mais acalentados sonhos de consumo de qualquer executivo que se preze no País: o maior poder na maior das empresas pátrias.

O secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que a revelação feita pela Veja resulta do “desespero” da oposição ante a perspectiva de perder a eleição. Mas, conforme as pesquisas, Dilma é que está ameaçada por Marina Silva, que, se a eleição fosse hoje, a venceria. Essa bravata confirma que a lógica aristotélica não foi sua disciplina favorita no seminário. Ele já tentou desmentir João Daniel, irmão de Celso, de que teria levado malas de dinheiro de Santo André para a sede nacional do PT. Fez o diabo para apagar suas impressões digitais no escândalo do tráfico de influência de que foi acusada Rosemary Noronha, amiga de Lula. E recentemente, acusado pelo motorista Ferreirinha de tê-lo ameaçado para evitar que este contasse que carregava pacotes de dinheiro para o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, jurou que apenas lhe aconselhou prudência.

Mas sua chefe o superou em desfaçatez ao dizer que, se houve desvio na Petrobrás, “a sangria estancou”. Como fazê-lo, se ela nem sabe onde o sangue jorra? E não seria algo como: será proibido roubar se o furto anterior não tiver de ser punido? Ela distorce fatos por estar certa de que o eleitor crerá em tudo o que ela contar em troca da mais Bolsa Família. Como escreveu Ricardo Noblat, em sua coluna no Globo, ela foi, como Lula, surpreendida pelo escândalo do mensalão. Ignorou a suspeita de “malfeitos” atribuídos a Erenice Guerra, seu braço direito na Casa Civil. E se pediu desculpas a Fernando Henrique e à mulher, Ruth, sobre quem foi produzido um dos dossiês falsos chamados pelo delegado Romeu Tuma Jr. de “assassinatos de reputações”, nunca puniu os autores.

Agora Dilma quer utilizar a delação do ex-enfant gaté do PT para tornar obrigatório o financiamento público de campanhas e forçar o plebiscito para reformar a política. Nada disso tem que ver com a roubalheira na Petrobrás. É apenas uma tentativa de deixar os gatunos impunes e, em vez de puni-los, lhes transferir a posse do petróleo que, em tese, seria nosso.

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pag. A2 do Estado de S. Paulo da quarta-feira 10 de setembro de 2014)

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