Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Destaques

Nêumanne entrevista Cézar Benevides

Nêumanne entrevista Cézar Benevides

Ideologia direciona

ensino de ciências humanas,

diz ex-reitor da UFMS

Para Benevides, instituições da República estão sob julgamento de parcela representativa da sociedade brasileira e toda censura é condenável

 

Para o ex-reitor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Cezar Benevides, as universidades públicas brasileiras estão “preocupadas, em sua maioria, com o filtro de acontecimentos vinculados a 1964. Infelizmente, a ideologia direciona o conhecimento científico no âmbito das ciências humanas”. Personagem da série Nêumanne Entrevista neste blog esta semana, o professor respondeu de forma prudente, mas nem por isso, deixou de se posicionar quando lhe perguntei se concordava com o ministro Gilmar Mendes, do STF, que chamou os procuradores da Operação Lava Jato de “organização criminosa”, ou com a resposta que a chefe dos procuradores deu, comparando esse tipo de reação com “estado de exceção: “Fico com a sensatez da procuradora da República, sra. Raquel Dodge”. E disse mais: “Toda e qualquer forma de censura é condenável. A tradição jurídica brasileira se apoia, de maneira geral, na denominada ‘teoria dos frutos da árvore envenenada’. Tais frutos proliferam na atualidade. Temo que essa tendência seja abandonada, contaminando o pensamento e a prática jurídica do País. Os sinais não podem ser desprezados”.

No bate-boca entre o ministro do STF Gilmar Mendes e a procuradora-geral da República Benevides deu razão à sensatez de Raquel Dodge. Foto: Acervo pessoal

No bate-boca entre o ministro do STF Gilmar Mendes e a procuradora-geral da República Benevides deu razão à sensatez de Raquel Dodge. Foto: Acervo pessoal

Cezar Benevides nasceu em João Pessoa em 15 de janeiro de 1954. Estudou na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena, de 1971 a 1973, na Academia da Força Aérea de 1974 a 1975, na Academia Militar das Agulhas Negras de 1976 a 1978 e no curso de Engenharia. Foi licenciado em Ciências Sociais pela Unifil, em Londrina, Paraná. É professor titular aposentado da UFMS desde 2014. Foi pró-reitor de ensino de graduação de 2000 a 2008 e reitor em exercício em diversas ocasiões. Integrou missões no Ministério das Relações Exteriores e no Ministério do Exército. Foi professor visitante da FFLCH-USP, onde realizou o curso de doutorado e o estágio de pós-doutorado. Cezar Benevides cursou o mestrado em História Social na Universidade Federal do Paraná. É membro do Conselho de Administração do Hospital São Julião, sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, em Curitiba, desde 1984. E tem vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior.

 

Nêumanne entrevista Cézar Benevides

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Nêumanne entrevista: Eliana Calmon

Nêumanne entrevista: Eliana Calmon

Não há razão alguma

para afastar Moro,

garante Eliana Calmon

Conforme ex-ministra do STJ, supostas mensagens do Intercept  entre ministro e Dallagnol retratam rotina da relação juiz-promotor em quaisquer julgamentos no País

A ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon acha “inteiramente improvável e até mesmo impossível aceitar uma autoridade séria a proposta, diante da força moral do ministro Sergio Moro, da absoluta falta de provas que motivem o pedido de afastamento e até agora a falta de credibilidade da fonte, principalmente após as notícias trazidas com as investigações que se desenvolvem pela Polícia Federal”. Para ela, que protagoniza a série Nêumanne Entrevista deste blog esta semana, as supostas mensagens trocadas entre o ex-juiz e o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, retratam a rotina das relações entre magistrados e procuradores na Justiça brasileira. Ela relatou nesta entrevista a própria experiência nesse sentido. “Não se pode exigir que o juiz tenha com o advogado de defesa a mesma comunicação que tem com os membros do Ministério Público. Basta observar que o MP se senta à direita do magistrado e o acompanha nos intervalos das sessões, quando a Corte se retira da sala de audiência. Nos tribunais os advogados, por mais intimidade que tenham com os julgadores, não passam do cancelo, o que já é um indicativo da diferença entre eles”, contou.

Eliana Calmon Alves nasceu na cidade de Salvador (BA) e se formou em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, em 1968; na mesma faculdade, em pós-graduação, tornou-se especialista em processo, em 1982.

Exerceu advocacia liberal e ingressou no magistério superior, por concurso, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Eliana apoia Moro e Dallagnol na controvérsia da Intercept pelo fato de ter vivido a realidade no Fórum e investigado no STJ, tendo sido corregedora da Justiça. Foto: Dida Sampaio/AE

Eliana apoia Moro e Dallagnol na controvérsia da Intercept pelo fato de ter vivido a realidade no Fórum e investigado no STJ, tendo sido corregedora da Justiça. Foto: Dida Sampaio/AE

Integrou os quadros do Ministério Público Federal,  onde permaneceu de 1974 a 1979, sendo procuradora da República em Pernambuco e na Subprocuradoria-Geral da República em Brasília.

Como juíza permaneceu na Bahia por dez anos, de 1979 a 1989, tendo sido representante da Justiça Federal no Tribunal Regional Eleitoral,  de 1983 a 1985, e diretora do foro, nos períodos de 1984 a 1986 e 1988 a 1989, quando foi promovida, por merecimento, para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

No TRF, integrou a comissão encarregada de elaborar o Regimento Interno da Corte, compôs a Comissão de Instalação da Seção Judiciária do Estado do Amapá; participou, em 1991, como examinadora do primeiro concurso para juiz federal substituto da 1ª Região; e criou, em 1992, o Núcleo de Preparação e Aperfeiçoamento de Magistrados Federais da 1ª Região, coordenando-o até março de 1997. Foi eleita representante do TRF-1 junto ao Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal em 1993, presidiu a Comissão de Jurisprudência da mesma Corte de 1995 a 1997, sendo de sua criação a publicação mensal para juízes da 1ª Região, intitulada Sumário Legislativo.

Em julho de 1999 foi promovida para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), sendo a primeira mulher a compor os seus quadros. Nesse tribunal integrou aSegunda Turma, a Primeira Seção, a Corte Especial, a Comissão de Jurisprudência, o Conselho de Administração e o Conselho da Justiça Federal, em  março de 2008.

No magistério, lecionou nas Faculdades de Direito da UFRN, da UFBA, da UCSAL e da AEUDF, como professora de Direito Civil e Direito Processual Civil, de 1972 a 1988; na Faculdade de Direito da Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (AEUDF), de 1977 a 1979; na Faculdade de Direito da Universidade Católica de Salvador e na Fundação Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, de 1982 a 1989.

Como ministra, foi eleita corregedora nacional de Justiça (2010-2012), sendo a seguir eleita diretora da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), cargo que exerceu até sua aposentadoria, em dezembro de 2013.

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Nêumanne entrevista Thaméa Danelon

Nêumanne entrevista Thaméa Danelon

Lava Jato mostrou

que vale a pena ser honesto,

diz procuradora

Thaméa Danelon atribui divulgação de supostas mensagens entre Moro e Dallagnol a tentativa de desmoralizá-los, feita por quem foi ou teme ser punido

Para a procuradora da República Thaméa Danelon, “o ataque cibernético criminoso sofrido por diversos procuradores da República e pelo próprio ex-juiz Sergio Moro denotam tentativas de frear” a Operação Lava Jato. “Mas”, pondera, “tenho certeza que a sociedade brasileira não permitirá que a Lava Jato tenha o mesmo fim da Operação Mãos Limpas, na Itália.” Protagonista da série Nêumanne Entrevista nesta semana, ela acha que “a divulgação desses supostos diálogos objetivava apenas tentar desgastar a imagem do ex-juiz Sergio Moro e do procurador Deltan Dallagnol, pessoas que, juntamente com outros agentes públicos, foram responsáveis pela operação policial de combate à corrupção mais bem-sucedida de todos os tempos, pois a Operação Lava Jato condenou e prendeu diversos poderosos das áreas política e empresarial envolvidos em práticas ilícitas por muitos anos, bem como devolveu à sociedade mais de R$ 3 bilhões, valores que foram subtraídos dos cofres públicos pela prática de crimes gravíssimos”. Ela criticou ainda a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, de condicionar o compartilhamento de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Banco Central e da Receita Federal com o Ministério Público e a Polícia Federal, argumentando que “essa rede de compartilhamento de informações é imprescindível para que crimes de lavagem, corrupção internacional e financiamento do terrorismo sejam combatidos.”

Nascida em 2 de junho de 1974, em Santos, Thaméa Danelon é filha de uma pianista e de um advogado ex-corredor de Stock Car de São Paulo. Separados desde cedo, foi criada pela mãe e pelos avós maternos em Santos. Filha única. Estudou em escola francesa de freiras de sua cidade e, como sempre gostou de se expressar em público, e por ter boa oratória, como toda geminiana, era convidada pela madre superiora para realizar a leitura da Bíblia em missas na própria escola.

Thaméa no FBI nos EUA: “A Lava Jato, que devassou o maior esquema de corrupção da humanidade, já devolveu aos cofres públicos mais de R$ 3 bilhões,”. Foto: Acervo pessoal

Thaméa no FBI nos EUA: “A Lava Jato, que devassou o maior esquema de corrupção da humanidade, já devolveu aos cofres públicos mais de R$ 3 bilhões,”. Foto: Acervo pessoal

Por influência de sua mãe, pianista de escolas de balé clássico, cursou balé por oito anos, mas conheceu o karatê aos 11 anos de idade e se apaixonou pelas artes marciais, sendo faixa marrom. Também aprendeu a tocar piano e violão.

Sempre muito estudiosa, aos 17 anos ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Católica de Santos e para conquistar certa “independência financeira” vendia roupas femininas de um amigo que tinha uma confecção. Seu primeiro emprego foi como atendente numa videolocadora, aos 19 anos, local onde conheceu seu primeiro namorado.

Aos 20 anos começou a estagiar no Ministério Público Federal (MPF) e muito se identificou com a carreira de procurador da República, pois “serve à sociedade” em busca de justiça e da diminuição das igualdades sociais. No quarto ano da Faculdade de Direito prestou concurso para analista processual do MPF, cargo de assessoria de procurador, tendo passado em quinto lugar.

Thaméa no Morning Show da Jovem Pan: “partilha dos dados do Coaf é imprescindível para combater crimes de lavagem, corrupção internacional e financiamento do terrorismo. Foto: Acervo pessoal

Thaméa no Morning Show da Jovem Pan: “partilha dos dados do Coaf é imprescindível para combater crimes de lavagem, corrupção internacional e financiamento do terrorismo. Foto: Acervo pessoal

Aos 25 anos foi aprovada no concurso para procurador da República e se mudou para São Paulo. Na nova cidade  deu aulas em universidades e cursos preparatórios para concursos. Como boa descendente de italianos, adora massas, risotos, e cozinhar nos fins de semana para a família. Embora não tenha religião específica, acredita em Deus e tem espiritualidade, crê no poder da oração e da fé. Aos 31 anos casou-se, atualmente é divorciada, e tem uma filha de 9 anos, que diz que “quando crescer será policial federal” (rs).

Mestre em Direito Político e Econômico pelo Mackenzie, foi procuradora-chefe substituta da Procuradoria da República em São Paulo por duas vezes, coordenou o Núcleo de Combate à Corrupção e integrou a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo por dois anos. Atualmente trabalha no combate aos crimes financeiros, de lavagem de dinheiro e corrupção e profere aulas e palestras, pagas e gratuitas. Palmeirense roxa, patriota, esperançosa, otimista e contra injustiças, acredita na evolução da sociedade brasileira e na melhora da situação de nosso país.

Nêumanne entrevista

Thaméa Danelon

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Nêumanne entrevista José Murilo de Carvalho (2019 – 27ª)

Nêumanne entrevista José Murilo de Carvalho (2019 – 27ª)

Polarização afasta País

do rumo de crescer

e compartilhar riqueza,

diz historiador

 

Para José Murilo de Carvalho, radicalização difundida pelas redes sociais leva grande maioria de brasileiros a tomar posição

O historiador José Murilo de Carvalho acha que “o Brasil já passou por momentos de polarização política que levaram a revoltas, guerras civis e golpes, como durante as décadas de 1890, 1930 e 1950. Hoje, embora a polarização seja mais verbal, ela é muito mais difundida, graças às redes sociais. Pode-se dizer que a grande maioria dos brasileiros tomou posição.  Não vivemos mais em tempos de revoluções, mas a polarização estéril afasta o País do único rumo que deveria tomar: crescer e compartilhar a riqueza”. Personagem da série Nêumanne Entrevista desta semana, o acadêmico mineiro assegura que “não se pode negar a legitimidade do mandato do capitão reformado. Mas será um duro teste para nossas instituições conter seus impulsos autoritários e, sobretudo, os riscos que correm em seu governo áreas fundamentais como as relações exteriores, a educação e o meio ambiente”. Autor de uma celebrada biografia de dom Pedro II, acredita que o imperador ensinaria o presidente “a respeitar as leis, garantir as liberdades, promover a educação e a cultura e se guiar pelo interesse público, como bom republicano que era”.

Nascido em 8 de setembro de 1939 em  Piedade do Rio Grande, José Murilo de Carvalho saiu do interior de Minas Gerais para iniciar seus estudos. Em 1965 formou-se em Sociologia e Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e a seguir foi para  os Estados Unidos cursar mestrado e  doutorado em Ciência Política na Universidade Stanford, na Califórnia. No mesmo lugar fez seu primeiro pós-doutorado, sendo o primeiro curso especificamente na área de História. É professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor honoris causa da Universidade de Coimbra.

José Murilo de Carvalho atuou profissionalmente em várias universidades, como Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro, Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade de Londres, Universidade da Califórnia, Universidade de Leiden (Holanda), Universidade de Notre Dame (EUA) e Universidade Stanford. Foi ainda pesquisador na  Fundação Casa de Rui Barbosa, na Fundação Getúlio Vargas, no Institute for Advanced Study (EUA), na Maison des Sciences de l’Homme e pelo Centre d’Étude des Mouvements Sociaux (França).

Para José Murilo, Bolsonaro teria a aprender com D. Pedro II, seu biografado, “a respeitar as leis, garantir as liberdades, promover a educação e a cultura e se guiar pelo interesse público, como bom republicano que era”. Foto: Wilton Jr./Agência Estado/AE Foto: Wilton Jr./Agência Estado/AE

Para José Murilo, Bolsonaro teria a aprender com D. Pedro II, seu biografado, “a respeitar as leis, garantir as liberdades, promover a educação e a cultura e se guiar pelo interesse público, como bom republicano que era”. Foto: Wilton Jr./Agência Estado/AE Foto: Wilton Jr./Agência Estado/AE

É vasta sua produção científica, que gira em torno  das  questões de nação, cidadania, justiça e liberdade político-social. Entre os diversos livros e artigos publicados pelo historiador destacam-se as obras A Formação das Almas (1990), na qual aborda o impacto da República na formação do imaginário popular, lançando mão, além das fontes tradicionais, de um vasto material cultural, como imagens plásticas, música, literatura e charges, e  A Cidadania no Brasil (2001), onde traça um longo percurso de como se deu a construção da cidadania no País. O primeiro livro rendeu-lhe os Prêmios Jabuti e Banorte de Cultura Brasileira, ambos em 1991. E com o segundo livro recebeu o Prêmio Casa de las Américas. Além desses, recebeu o prêmio de Melhor Livro de Ciências Sociais, em 1987, pela obra Os Bestializados (1987), e o Prêmio Jabuti por D. Pedro II, ser ou não ser. Entre diversos outros prêmios, destacam-se também as medalhas de oficial (1989) e comendador da Ordem do Rio Branco (1991), ofertadas pelo Itamaraty, e o Prêmio Almirante Álvaro Alberto, do CNPq.

José Murilo de Carvalho, Celso Lafer e Edmar Bacha são os únicos brasileiros a fazerem parte da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Ciências ao mesmo tempo. O historiador foi eleito para a  cadeira de Rachel de Queiroz na Academia Brasileira de Letras em 10 de setembro de 2004. Pode ser considerado um dos pensadores do Brasil.

Nêumanne entrevista

José Murilo de Carvalho

Nêumanne – Em 8 de setembro próximo, o senhor vai completar 80 anos. De tudo o que viveu neste quase século de existência o que mais o alegrou, o que mais o comoveu e o que mais lamentou ter visto, chegando talvez até o ponto de lastimar haver passado por aquilo?

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Nêumanne entrevista Bruno Dantas (2019 – 26ª)

Nêumanne entrevista Bruno Dantas (2019 – 26ª)

Ministro do TCU diz que

todas as instituições

falharam

em mensalão e petrolão

 

Para Bruno Dantas, do TCU, os escândalos de corrupção “só foram possíveis porque os sistemas de controle foram muito falhos”

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas, primeiro a aprovar a decisão de bloquear os bens pessoais de Emílio e Marcelo Odebrecht, ao inaugurar a dissidência de uma decisão contrária do relator, reconheceu que todas as instituições encarregadas de evitar os recentes escândalos de corrupção, como mensalão e petrolão, falharam. O protagonista da série Nêumanne Entrevista desta semana neste Blog do Nêumanne explicou: os casos (que ele chamou de)“macrocorrupção, que nós verificamos, as macroirregularidades que verificamos só foram possíveis porque os sistemas de controle foram muito falhos”. A justificativa para a decisão do colegiado, por 4 a 1, partiu de um pressuposto: “Se você salva a empresa e não tira o dono de dentro dela, na verdade você está premiando quem comandou o crime. Hoje a lei brasileira não prevê uma medida administrativa de obrigatoriedade de o acionista se desfazer das suas ações, da sua participação societária na empresa”, Disse mais: “O Ministério Público (MP) poderia ter feito, lá em 2015 e 2016, quando fez os primeiros acordos de leniência, uma exigência explícita de que as famílias que controlam essas empresas saíssem. E aí, sim, você iria olhar para a empresa com olhos mais impessoais, sem esse gosto de fel, de salvar a empresa e estar salvando também o corrupto”. E completou: “O Brasil não vai suportar ver a sociedade ser punida pela segunda vez. A primeira,quando foi roubada e a segunda, quando as empreiteiras derem um calote nos acordos de leniência e nos danos que eles precisam ressarcir ao erário. Então, a primeira coisa é ir no patrimônio dos acionistas, sócios, donos. Segunda coisa, acho que a AGU, o BNDES, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil deveriam, a partir dessas delações que estão sendo feitas, ingressar com ações para desconstituir esses empréstimos”.

O ministro Bruno Dantas, do TCU, foi o mais jovem a chegar a quase todos os cargos que ocupou. Numa época em que os consultores legislativos (servidores de carreira do Senado que prestam assessoramento a todos os parlamentares, independentemente de partido ou ideologia) eram quase todos de idade superior a 50 anos e, por isso, apelidados de “cardeais do Senado”, ele foi aprovado em concurso e tomou posse, em 2003, com 25 anos, o mais jovem da história da carreira, que já existia havia mais de 40 anos.

No Senado, auxiliou na elaboração de projetos importantes e auxiliou atividades de parlamentares de diversos partidos, como Antero Paes de Barros, na CPI do Banestado, José Jorge, na reforma do Judiciário, e Marco Maciel, na Comissão de Constituição e Justiça. Em 2007, com a saída do então consultor-geral, a associação dos consultores mobilizou-se para fazer uma eleição e indicar ao presidente do Senado um nome para a função. Houve apenas dois candidatos e Bruno Dantas venceu com 70% dos votos de seus pares, tornando-se o mais jovem consultor-geral da história do Senado, com 30 anos. A história repetiu-se quando foi eleito pelo plenário do Senado para mandatos no Conselho Nacional do Ministério Público (2009) e no Conselho Nacional de Justiça (2011), quando tinha 31 e 33 anos respectivamente. A chegada no Tribunal de Contas da União com 36 anos seguiu o mesmo script.

Bruno tomou posse no TCU em 2014 e, cinco anos depois, fala de sua experiência no posto: "O Brasil não vai suportar ver a sociedade ser punida pela segunda vez." Foto: Acervo pessoal

Bruno tomou posse no TCU em 2014 e, cinco anos depois, fala de sua experiência no posto: “O Brasil não vai suportar ver a sociedade ser punida pela segunda vez.” Foto: Acervo pessoal

Mas quem vê os êxitos profissionais,acaba não descobrindo as imensas dificuldades que o jovem baiano enfrentou desde que se mudou para Brasília, em 1998. Filho de uma bancária e um pequeno comerciante, chegou à capital porque sua mãe (recém-divorciada) havia sido transferida a contragosto de Feira de Santana para Taguatinga. O início foi difícil, o salário da matriarca era muito baixo para custear as despesas da família. Foram morar numa sobreloja na Praça do Bicalho, em Taguatinga Norte.

No térreo funcionava um bar barulhento que só fechava às 2 da manhã, e era a única hora em que o universitário Bruno Dantas conseguia se concentrar nos estudos. Ia de ônibus para a Universidade Católica de Brasília em Taguatinga Sul, mas sempre sonhou em mudar de vida por concurso público. E conseguiu. Com poucos meses em Brasília, disputou e foi aprovado em concurso público para o Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Foi empossado com 20 anos. Trabalhava numa cidade-satélite distante chamada Samambaia, ia de ônibus para o trabalho e de lá pegava outro ônibus para a Universidade Católica, em Taguatinga Sul.

A aprovação no concurso do Tribunal de Justiça fez o jovem Bruno Dantas despertar para seu próprio potencial. Ainda na metade do curso de Direito, começou a estudar para concursos públicos que exigiam curso superior. Tentou inúmeros. E foi aprovado em quase todos: delegado de Polícia Federal, Petrobrás, Caixa Econômica Federal, BR Distribuidora, Câmara dos Deputados e Senado.

A convivência com os “cardeais” (os consultores mais experientes) do Senado, fez despertar o interesse pela carreira acadêmica. Fez mestrado e doutorado na PUC-SP sem se afastar do trabalho. Depois fez três pós-doutorados, um na UERJ, outro na Cardozo School of Law, de Nova York, e o último no Instituto Max-Planck, de Luxemburgo. Escreveu ou coordenou mais de dez livros, publicou mais de uma centena de artigos científicos e profere palestras em todo o Brasil. Atualmente é professor de mestrado da FGV Direito-Rio e da Uninove, em SP.

 

 

 Nêumanne entrevista Bruno Dantas

 

Nêumanne – Não tenho muita familiaridade com julgamentos do Tribunal de Contas da União (TCU). Por isso, não estranhe minha pergunta: é incomum nas decisões internas do tribunal reverter um voto vencido em início de uma dissidência que terminou vencendo por 4 a 1, uma goleada, como aconteceu no caso do bloqueio de bens dos empreiteiros Emílio e Marcelo Odebrecht?

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Nêumanne entrevista René Ariel Dotti (2019 – 25ª)

Nêumanne entrevista René Ariel Dotti (2019 – 25ª)

Lula é ladrão junto

a nosso povo crucificado,

ataca jurista

Professor Dotti acha que Lula livre lembra queremismo getulista, com a diferença de que PT exercitou terror ao atacar críticos, em vez da verdade que defendem

Para o advogado da Petrobrás na ação contra Lula no caso do triplex do Guarujá, René Ariel Dotti, “o bordão ‘Lula livre’ nos remete ao queremismo e à canção carnavalesca: “Bota o retrato do velho outra vez/ Bota no mesmo lugar/ Bota o retrato do velho outra vez/ Bota no mesmo lugar/ O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar.Protagonista desta semana da série Nêumanne Entrevista, o professor Dotti foi fundo: “Lula é um dos ladrões reencarnados que está exposto perto da cruz do povo brasileiro. Morrer a própria morte por suas mãos, isso nunca! Matar, sim!  Morrer não é preciso!  Viver é preciso!”. Conhecido pelo destemor na defesa de presos políticos à época da ditadura militar, o jurista paranaense citou: “No excelente e corajoso livro Corrupção da Inteligência Flávio Gordon demonstra, à evidência, como o PT se organizou, se preparou e dominou o Estado, manipulou mídias, anarquizou as fontes de criação das universidades, produziu uma novilíngua de comunicação, desqualificou a crítica honesta atacando o crítico, e não a verdade que ele defende; exercitou o terror.”

Dotti, advogado da Petrobrás, fala no julgamento dos recursos de Lula na 8.ª Turma do TRF 4 em Porto Alegre, tendo ao fundo o advogado do réu, Cristiano Zanin. Foto: TRF 4

Dotti, advogado da Petrobrás, fala no julgamento dos recursos de Lula na 8.ª Turma do TRF 4 em Porto Alegre, tendo ao fundo o advogado do réu, Cristiano Zanin. Foto: TRF 4

René Ariel Dotti nasceu em 1934, e faz questão de contar, a 200 metros do local onde foi armado o altar onde o papa João Paulo II rezaria missa na primeira visita à sua cidade natal, Curitiba, em 1990. Casado desde 1989 com Rosarita, tem duas filhas — Rogéria, professora de Direito Penal, e Cláudia, veterinária — e quatro netos. Destacou-se profissionalmente como advogado de presos políticos que defendia na Justiça Militar, sendo o caso mais notório o que ficou conhecido como Novembrada. É professor titular de Direito Penal da Universidade Federal do Paraná. Atuou como auxiliar de acusação, contratado pela Petrobrás, na ação em que o ex-juiz Sergio Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por haver se beneficiado de propinas para adquirir e reformar apartamento tríplex na praia das Astúrias, no Guarujá. Autor de vários artigos publicados no Brasil e no exterior, destaca, entre outros livros, ter publicado Proteção daVida Privada e Liberdade de Informação (Revista dos Tribunais, 1980) e Bases e Alternativas para o Sistema de Penas (Revista dos Tribunais, 1998).

Nêumanne entrevista René Ariel Dotti

 

Nêumanne – O senhor atuou como advogado auxiliar da acusação nos processos da Lava Jato e, numa sessão de interrogatório do principal réu da ação do triplex do Guarujá, que, segundo o Ministério Público, pertence a Lula, viu-se obrigado a chamar a atenção do chefe da equipe da defesa do ex-presidente petista, advogado Cristiano Zanin Rodrigues, pela forma desrespeitosa como se dirigia ao juiz Sergio Moro, que comandava o interrogatório. O que o levou a tomar essa atitude?

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