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Comentário no Jornal Eldorado: E Odebrecht confirma Palocci

Comentário no Jornal Eldorado: E Odebrecht confirma Palocci

O empreiteiro Marcelo Odebrecht confirmou ontem em depoimento ao juiz Valisney de Oliveira da 10.ª Vara Criminal Federal de Brasília, tintim por tintim, o que Palocci contou à CPI do BNDES a respeito da propina paga por sua empresa ao PT, Lula e Dilma por obras em Angola financiadas a juros de banana pelo banco público brasileiro. E ainda deu detalhes sobre a conta administrada pelo outro delator e abastecida com propinas, o que põe água no chope do PT, que esperava exatamente o oposto depois do depoimento anterior, quando se referiu a diferenças entre a delação dele e a do pai. E também deixou em má situação o presidente do mesmo banco, Montezano, que insiste em classificar os prejuízos dados pela Odebrecht como fruto de más escolhas, e não de corrupção. Tuchê.

 

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Assuntos para comentário da terça-feira 8 de outubro de 2019

1 – Haisem – O que Marcelo Odebrecht trouxe de novo em seu depoimento à Justiça Federal ontem em Brasília sobre o financiamento do BNDES para obras do grupo em Angola

2 – Carolina – Em que ponto esse depoimento do empreiteiro baiano reforça ou reduz o impacto da delação premiada do ex-figurão dos governos petistas de Lula e Dilma Antônio Palocci

3 – Haisem – O que os procuradores da Operação Greenfield, da Justiça Federal em Brasília, trouxeram à luz sobre a manipulação dos recursos dos trabalhadores aposentados da Caixa Econômica Federal, Petrobrás e Correios

4 – Carolina – Que tipo de diversão o líder dos hackers de Araraquara, Valter Delgati Neto, o Vermelho, anda protagonizando aos políticos presos que como ele vivem no famoso presídio da Papuda em Brasília

5 – Haisem – Que fortes motivações têm os senadores para adiarem a última votação do segundo turno da reforma da Previdência da quinta-feira 10 como se esperava para 12 dias depois

6 – Carolina – O que explica a irritação do presidente Jair Bolsonaro e as justificativas de seu ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, mantido no cargo mesmo tendo sido indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público Federal e o que os jornalistas têm com isso

7 – Haisem – O noticiado fiasco do lançamento do livro de memórias de Rodrigo Janot ontem na Livraria Cultura em São Paulo o surpreendeu

8 – Carolina – E qual é o tema de seu artigo semanal no Blog do Nêumanne

Comentário no Jornal Eldorado: De Toffoli a Sílvio na delação de Palocci

Comentário no Jornal Eldorado: De Toffoli a Sílvio na delação de Palocci

A delação de Palocci à Polícia Federal, reproduzida na íntegra no Blog do Fausto no Portal do Estadão, impressiona pelo fato de ter atingido praticamente todos os cofres públicos da União à época dos governos petistas de Lula e Dilma. Esclarece pontos obscuros de investigações passadas, casos da Operação Castelo de Areia e do mensalão. E passeia por vários setores da economia, mostrando como o banqueiro André Esteves quase dobrou o tamanho da sua corretora Bintang, a afiliada da Globo no Sul, RBS, teve dívida perdoada e o dono do SBT foi beneficiado na compra de 35% de seu banco Panamericano, falido, em troca de R$ 19 milhões para o PT. Tudo isso, segundo o ex-figurão petista, foi recompensado à base de propinas para os partidos e seus chefões, como Lula e Dilma.

 

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Assuntos para o comentário da segunda-feira 7 de outubro de 2019

 

1 – Haisem – O que há de tão espetacular na publicação da íntegra no Blog do Fausto no Portal do Estadão da delação premiada à Polícia Federal do petista do mais alto escalão Antônio Palocci

 

2 – Carolina – O que trazem de novo as revelações feitas aos policiais federais sobre a corrupção nos governos petistas de Lula e Dilma pelo ex-ministro da Fazenda do primeiro e ex-chefe da Casa Civil da outra

 

3 – Haisem – Por que, a seu ver, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, atacou de forma tão virulenta o chamado pacote anticrime do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, em entrevista à Folha de S. Paulo

 

4 – Carolina – Qual é sua opinião sobre declarações do presidente Jair Bolsonaro como “quase estou me casando com Rodrigo Maia” e “Fabrício de Queiros está com sua mãe”

ENTRA: SONORA 12 MAIA ALCOLUMBRE

 

5 – Haisem – Que relevância tem, na sua opinião, o levantamento feito e publicado no fim de semana pelo jornal O Globo dos acordos de leniência firmados pelas autoridades federais com as empresas que protagonizaram escândalos de corrupção nos governos petistas

 

6 – Carolina – No alto da primeira página do Estadão de hoje há uma chamada com o título Câmara pode tornar Lei da Improbidade mais flexível. O que você tem a dizer sobre isso

 

7 – Haisem – O que você achou do fato de o BNDES, enfim, reconhecer, em nota oficial, que a recuperação judicial conseguida pela Odebrecht com o juiz João Rodrigues de Oliveira Filho, da 1.ª Vara de Falências de São Paulo, “não demonstra capacidade de recuperação da empresa”

 

8 – Carolina – O que você acha que levou o empreiteiro Marcelo Odebrecht a só ter encontrado na memória do computador em sua casa detalhes importantes sobre a ação de sua corrupteira de que  tinha se esquecido quando estava preso em correspondência por e-mails

No Blog do Nêumanne: A corrupção do PT, segundo Palocci

No Blog do Nêumanne: A corrupção do PT, segundo Palocci

José Nêumanne

Delação premiada do ex-figurão do PT pode servir como compêndio da roubalheira dos governos petistas, aliados e até do PSDB, que se fingiu de adversário, e envolve de Toffoli a Silvio Santos

Há muito se fala na delação do fim do mundo, que seria feita por Antônio Palocci, que foi prefeito de Ribeirão Preto e substituiu outro prefeito, Celso Daniel, de Santo André, na coordenação do programa de governo da chapa vitoriosa do Partido dos Trabalhadores encabeçada por Lula na eleição presidencial de 2002. O médico sanitarista e militante de esquerda à época da ditadura não era um zé-mané na hierarquia petista. Ao contrário, foi o coordenador da Carta ao Povo Brasileiro, documento com o qual o candidato a presidente tentou tranquilizar o mercado e a classe média quanto a seu descompromisso com mitos do populismo de esquerda, como o calote na dívida. E também com sua adesão a pilares do Plano Real, com o qual o então presidente, Fernando Henrique Cardoso, deteve a inflação e cimentou os fundamentos da responsabilidade fiscal para garantir a estabilidade da moeda.

Com essas credenciais, Palocci dividiu com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o bancário Luiz Gushiken, guru na área das empresas de telecomunicações privatizadas, o poder de membro do triunvirato de espíritos santos de orelha do chefão. Como principal interlocutor e ai-jesus do empresariado, mesmo nos anos difíceis de seus enfrentamentos com os agentes da lei encarregados do combate à corrupção, ocuparia no primeiro governo petista o Ministério da Fazenda. O trio se desfez com a morte de Gushiken, a desgraça policial de Dirceu e o protagonismo do próprio Palocci em escândalos envolvendo propinas e prostitutas. Ainda assim, coube-lhe dirigir a primeira campanha de Dilma Rousseff, em 2010, e foi o primeiro chefe da Casa Civil de seu governo. O mais ingênuo dos coroinhas do mais santo pároco é capaz de imaginar quanto ele sabia.

Preso e condenado pela Operação Lava Jato, acompanhando o festival de delações premiadas de outros ex-dirigentes de estatais e do PT, além de parlamentares de partidos aliados e até do PSDB, tido como adversário, mas, na verdade, oposição amansada a peso de propinas, decidiu trocar o que sabia pela atenuação de penas prevista na lei das delações premiadas. Após ter sua delação rechaçada pelo Ministério Público Federal (MPF), fez acordo com a Polícia Federal. Deste resultou o texto mais completo e com protagonistas mais estrelados do maior caso de corrupção da História. Pepita Ortega, Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Paulo Roberto Netto, do Estado, tiveram acesso e o Blog do Fausto o reproduz. No texto foi revelado o lucro imenso obtido pelo banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, com o uso no mercado de capitais de uma informação de cocheira, como se dizia em notícias de turfe.

Para Palocci, tudo começou quando Henrique Meirelles, ex-presidente internacional do Banco de Boston e deputado federal pelo PSDB, foi substituído por Alexandre Tombini na presidência do Banco Central. Contou que seu substituto no Ministério da Fazenda nos governos Lula e Dilma, Guido Mantega, informou ao dono do BTG Pactual a queda da taxa Selic de 12,5% para 12%. Foi assim que seu Fundo Bintang foi de R$ 20 milhões para R$ 38 milhões. À época, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi avisada dessa “movimentação atípica”, mas nada apurou nem puniu ninguém. A operação resultou em “doação” de R$ 9,5 milhões para a campanha de Dilma e mais um mimo de 10% dos lucros da Bintang numa conta aberta para Lula na corretora.

De sua delação consta ainda que o ex-assessor jurídico da Casa Civil, então na Advocacia-Geral da União, Dias Toffoli, depois nomeado por Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF), que ora preside, foi encarregado de fazer o acerto de uma dívida milionária de Pedro Moreira Salles, do Unibanco, hoje incorporado ao Itaú, com a Receita Federal. O acerto teria passado por um contato pessoal com o então ministro do STF Sepúlveda Pertence, que, depois, integraria a equipe de defesa de Lula.

O relato em tela também contém o aporte de 5 milhões para pagar ao ex-ministro da Justiça de Lula Márcio Thomaz Bastos por sua ajuda no sepultamento da Operação Castelo de Areia com uma chicana jurídica, aceita pelo então ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Cesar Asfor Rocha. Segundo o relato do ilustre ex-petista, hoje, é claro, execrado pelos maiorais do partido, foi prometida ao ministro uma vaga no STF. O compromisso não foi cumprido, mas o delator garantiu que o ministro citado recebeu propina de R$ 5 milhões.Conforme Palocci, o poste de Lula, a duas vezes eleita presidente Dilma Rousseff, autorizou pessoalmente na residência oficial receber R$ 50 milhões da Camargo Corrêa para a campanha dela, que jura não ter conta no exterior, nessa operação.

Palocci confirmou várias informações, já obtidas pela Lava Jato, extraídas de delações premiadas, caso do truque encontrado pelas empreiteiras corrupteiras Odebrecht e OAS de remunerarem com quantias altíssimas palestras de Lula por meio de sua empresa, a LILS. Em outro escândalo de dimensões ciclópicas, o então diretor jurídico da Odebrecht, Maurício Ferro, de acordo com o delator, teria redigido a Medida Provisória 470, conhecida como “Refis da crise”.

Nelson Barbosa, que era secretário-executivo do Ministério da Fazenda, é citado no relato da autorização pessoal de Dilma ao perdão de dívida da RBS, afiliada da Rede Globo de Televisão no Sul do País, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Na campanha dela em 2014, diz Palocci, e a pedido de Lula, a Caixa Econômica Federal comprou 35% do falido Banco Panamericano, de Silvio Santos, dono do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), em troca de R$ 19 milhões doados ao PT.

Na sexta-feira 4 de outubro, Alberto Bombig escreveu na Coluna do Estadão que “o anexo da delação de Antônio Palocci no qual ele explica o loteamento da máquina pública pelo governo Lula (2003-2010) já é considerado por integrantes do Judiciário e do Congresso uma narrativa histórica sobre a estrutura que o PT e vários partidos políticos (inclusive parte do PSDB) montaram para desviar recursos públicos, uma aula sobre ‘a anatomia de um crime’, na expressão de um membro do STF, especialmente quando o relato do ex-todo-poderoso ministro petista é cotejado com o acervo do julgamento do mensalão (2012)”.  É que, segundo Palocci, desde o início e com as exceções raríssimas do Banco do Brasil (BB) e o Banco Central (BC), todos os órgãos foram usados para desviar recursos. Isso inclui o mensalão. Bombig detalhou: “A interpretação é de que o teor da delação de Palocci nessa parte do loteamento preenche lacunas do julgamento e corrobora condenações” da Lava Jato, ora sob intenso bombardeio pela repercussão da divulgação de supostas mensagens entre Sergio Moro e procuradores da força-tarefa de Curitiba, usadas para pedir o cancelamento da condenação de Lula.

No depoimento do mesmo Palocci à CPI do BNDES, ele informou que a Odebrecht obteve créditos em troca de recursos de campanha para o PT. A CEF e o BB já pediram o cancelamento da recuperação judicial da empreiteira baiana e o BNDES considerou, em nota oficial, que a dita proposta “não demonstra capacidade de recuperação da empresa”. A Caixa pediu ainda o afastamento dos sócios do dia a dia da empreiteira. O banco de fomento deveria ir além e, apelando à Justiça, recuperar o empréstimo sem garantias à Odebrecht usando para essa ação esse depoimento de Palocci à referida CPI do BNDES.  Gustavo Montezano, o yuppie da  Tijuca, tem, de fato, é de abrir a tal caixa-preta do BNDES e apurar como o banco público emprestou R$ 8,7 bilhões sem garantia nenhuma. Ele deve esta e outras explicações aos trabalhadores brasileiros, cujos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) emprestaram ao BNDES.

Aproveito aqui para chamar a atenção do leitor para depoimento na sexta-feira à Justiça Federal no qual Marcelo Odebrecht disse que entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) entre 5 mil e 6 mil e-mails para serem anexados aos inquéritos abertos em sua delação. Ele contou que só teve acesso à caixa de correspondência eletrônica após sua saída da prisão, e antes só delatou o que sabia de memória. Quem acredita que o empreiteiro se esqueceu de relatar e entregar à época esses e-mails ao MPF da Lava Jato? Fala sério. Claro que não. Na certa, omitiu de propósito da delação o que daria prejuízo à Odebrecht. Sem rodeios, omitiu onde tinha a receber e onde tinha possibilidades de negócios para a sua empreiteira/corrupteira. No MP já estão abertas discussões de forçar nova delação de Odebrecht ou cancelar os benefícios por omissão deliberada.

Só o combate à corrupção com a verdade dos fatos salvará o Brasil.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne, segunda-feira 7 de outubro de 2019)

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Comentário no Jornal da Gazeta: Senado quer seu dinheirinho

Comentário no Jornal da Gazeta: Senado quer seu dinheirinho

Seria natural que a votação do segundo turno, capítulo final da novela, da Previdência ocorresse na quarta-feira, dia 9, mas foi adiada sem motivo aparente para semana que vem. Agora o líder do PSL, senador Major Olímpio, diz que se espera que seja mesmo no dia 22 de outubro. O adiamento se explica pela chantagem que parte de seus colegas faz para tirar mais dinheiro em emendas para si próprios ou para objetivos pessoais, partidários ou familiares. E, assim, a economia esperada já foi reduzida em meio trilhão de reais, que o pagador de impostos deixará de economizar.

 

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Direto ao Assunto no YouTube: O Senado furta o povo

Direto ao Assunto no YouTube: O Senado furta o povo

O líder do PSL no Senado, senador Major Olímpio (SP), já avisou que a votação do segundo turno da reforma da Previdência na Casa não será feita antes de 22 de outubro. E que os senadores  “estão querendo colocar situações para discutir e para protelar a reforma”. Qualquer brasileiro mais ou menos informado sabe o que significa a palavra “situações”. Os senadores estão reduzindo a economia calculada pela equipe econômica do governo, que já caiu em R$ 500 bilhões em relação a R$ 1 trilhão e 300 bilhões, previsto anteriormente. Ou seja, os senadores, que dizem representar os Estados, onde mora o povo, estão embolsando o resultado de sua chantagem implícita em prejuízo do cidadão. Isso é furto. Direto ao assunto. Inté.  E só a verdade nos salvará.
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