Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Poesia

Poema XX, Barcelona, do livro “Barcelona, Borborema”

Deste chão, pedras nascem,
impulso mortal.
Neste vão, pedras morrem,
solitárias e planas.
Em coisas sem vida,
que nunca morrem,
respiram paixões ancestrais
da Catalunha sem fim.
É irregular a superfície
dos caprichos
tecidos por catalão.

Vida, paixão e morte de Güell,
imortal de Gaudí,
mantido podre
no borralho-gelo
deste solo fértil.

O bafo deste parque
sabe a súbito beijo
roubado.

Quase tanka pra Bel

Quase tanka pra Bel

Calma, a lua pula,
pérola de luz ao léu,
na lama do lago.
No colo do meu amor,
fogueira, regato e mar.

Nêumanne 2015

poe1neu600px

Na Quinta Poética

Na Quinta Poética

José Nêumanne Pinto participou em 23 de abril de 2015, às 19h30m, da 74ª Quinta Poética promovida pela Escrituras Editora na Casa das Rosas, em São Paulo. Sob a curadoria de Raimundo Gadelha, Álvaro Alves de Faria, Hamilton de Faria e Nêumanne leram seus poemas em público.

IMG_5368

“As fugas do sol” (poesia), edição completa em mp3

“As fugas do sol” (poesia), edição completa em mp3

Ouça nesta página a edição completa do CD “As fugas do sol”: 01. DISCURSO – 02. O ENCONTRO DE CRISTINO COM VIRGOLINO NA VIOLA DE SEU RAIMUNDO – 03. DESAFIO DE VIOLA REPENTINA E GUITARRA CÉTICA – 04. TRÍPTICO MARINHO – 05. POEMINHA – 06. VAMOS BEBER A TARDE? – 07. ÔMEGA – 08. FUGA DE BAQUE – 09. TECHNICOLOR – 10. NA CASA AVOENGA – 11. SERESTA SERTANEJA – 12. A SEARA DE SARAMAGO – 13. BARCELONA III – 14. BARCELONA VI – 15. BARCELONA XVII – 16. BARCELONA XIX – 17. , – 18. BORBOREMA 9 – 19. BORBOREMA 10 – 20. BORBOREMA 12 – 21. BORBOREMA 13 – 22. BORBOREMA 23 – 23. BORBOREMA 24 – 24. BORBOREMA 25 – 25. LUA NO LAGO – 26. MADEIRO – 27. DECOMPOSIÇÃO DA FOLHA – 28. GARATUJAS DE BAR – 29. POEIRA DE ESTRELAS – 30 BYE

 

Para ler os poemas, acesse o ebook. Clique aqui!

A leste do Éden

A leste do Éden

 

Para Isabel, minha mulher.

José Nêumanne Pinto

 

 

Quando fecho os olhos logo cedo,
vejo no escuro da pálpebra cerrada
os olhos verdes de meu amor:
neles brilham um fulgor novo
e um vezo cheio de perguntas.

Ela me cobra se a amo mesmo
e, aí, dou conta de que muito
é este amor imenso feito mar
e minimalista que nem grão
– o milho verde
e o trigo em pó.
Percebo, pois, que o sentimento,
triste como tarde em queda,
é ainda feliz e gaiato.
E também se alegra
se a íris se molha
e a lágrima pinga,
a gota solta pela pele.
São coisas que se apressam
quando muito custam
e, quanto mais correm,
mais tardam a chegar.

De olhos fechados
e pálpebras caídas,
viajo sem destino
num caminho torto
com curvas e ladeiras,
côncavos e recôncavos.
Ele me parece mais claro,
ainda que nada enxergue,
mas logo fica turvo
se tudo se mostra.

Se digo que a desejo,
escapa de meus dedos
e se finge de zangada,
sorrindo e amuada.
Mas, se a digo linda,
fecha-se em copas,
fingindo assim que preferisse
que eu lhe mentisse,
só pra rir de mim
– a doce safada.

Mas fazer o quê?
Se lhe beijo os seios,
me oferece lábios
e, se lhe acarinho o rosto,
me guia a mão pelo dorso.

Meu amor escorrega
como flui no leito,
macia, lisa e plena,
toda manhã esguia
que nos convoca ao dia,
que prepara a noite,
onde fazemos guerra
com gritos e sussurros,
espingardas sem pólvora
e espadas sem fio.

À noite, sim, o amor é feito
de longos silêncios
e palavras desconexas
inventadas ao acaso,
como as sementes
inventam as flores
e o sol fertiliza a terra.

Depois, na paz do sono,
sonhamos que as metades
só se fazem uma
se a maçã nos morde
e a serpente cala.

JOSÉ NÊUMANNE PINTO

maca2

 

“Para Isabel”

“Para Isabel”

 

O verso em ti se faz de pele,

sabendo a maçã no jardim,

como a gaivota beija o mar,

a estrela Vésper despe o céu

e a rosa espreita o leito nu.

 


isabel2015

Página 2 de 41234
Criação de sites em recife Q.I Genial