Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Poesia

“Para Isabel”

“Para Isabel”

 

O verso em ti se faz de pele,

sabendo a maçã no jardim,

como a gaivota beija o mar,

a estrela Vésper despe o céu

e a rosa espreita o leito nu.

 


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Para minha Madonnella de Campina Grande

Para minha Madonnella de Campina Grande

Quando estou dormindo e meu amor me abraça por trás, Sinto que Deus cala e observa a harmonia de sua obra E o diabo cede a um cansaço de milênios para cochilar. As ondas do mar suspendem seu salto na areia E as estrelas ficam perfeitamente visíveis no céu, Ainda que o sol atravesse a vidraça do quarto Para beijar nossos lençóis, nossas fronhas e nossos cabelos. Então, meu amor coça a ponta do nariz nas minhas costas. Percebo que não há lavas nos vulcões em erupção E os anjos tocam em sua fanfarra um ritmo de axé. Vem um cheiro de pão quente da Padaria das Neves E o fluxo dos rios altera as rotas dos viajantes. Embarco numa viagem de férias por um instante Quando a mãozinha de meu amor pousa na minha Sobre o peito cansado de guerra e, enfim, em paz. Meu amor ressona no meu ouvido suavemente E me pergunto, atrevido, em quantas manhãs mais Me sentirei feito um bobo de sua Corte Real. Ao beijar seus lábios de caju assim logo cedo, Mordo a maçã do Eden, bebo um gole de coco E estico os músculos como se nada mais houvesse a fazer A não ser dançar uma valsa de Strauss Em algum terreiro baldio do sertão de minha infância. JOSÉ NÊUMANNE PINTO

“Lamento por Canudos”, de Gereba e Zé Nêumanne

“Lamento por Canudos”,  de Gereba e Zé Nêumanne

Lamento por Canudos 

de Gereba e Zé Nêumanne

Na escada de Monte Santo

Me perdi da cega fé,

O pó que enxuga meu pranto

Faz feridas no meu pé.

 

As bandeiras do beato,

Da cor de lama rachada,

Chupam, como carrapatos,

Almas de gente alquebrada.

 

O chão de Jeremoabo

Me transforma em matador.

Aqui faço e ali acabo

E lá se fabrica a dor.

 

As estrelas de Corisco

Anunciam Satanás,

Na guerra se encontra risco,

Mas há quem busque cartaz.

 

Os aboios do vaqueiro

São lamentos de marfim.

Neles acho o verdadeiro

Pressentimento do fim.

 

Pois, se a terra é do homem

E o sertão vai se acabar,

Quais dos frutos todos comem,

Quantos vão chegar ao mar?

 

 

Poesia: Edição Especial de Aniversário de José Nêumanne Pinto

Poesia: Edição Especial de Aniversário de José Nêumanne Pinto

 

Ouça a edição completa do CD  “As fugas do sol”,  em mp3.

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Se preferir, acesse a coletânea dos 30 poemas do CD “As Fugas do Sol”.

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O mistério deste Natal

O mistério deste Natal

Ainda não era Natal
quando acordei, me virei de lado
e vi teus cabelos me sorrirem,
emoldurados pelo Atlântico
a perder de vista.

E o Natal ainda não havia chegado
quando, à noite, fizemos amor
e descobri, sem árvore,
que teu presente este ano
era apenas a felicidade.

José Nêumanne

 

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Poema de José Nêumanne no “Amar verbo atemporal”. Convite

Poema de José Nêumanne no “Amar verbo atemporal”. Convite

Celina Portocarrero teve a idéia de fazer uma antologia com 50 poemas de amor de autores mortos consagrados e mais 50 inéditos de poetas (23 mulheres e 27 homens) em atividade, nascidos entre 1936 e 1989 em todas as regiões do País. Amar, verbo atemporal, 100 poemas de amor, editado pela Rocco, será lançado segunda 6 de julho na Livraria da Travessa de Ipanema, no Rio, e terça 14 na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, na Vila Madalena, em São Paulo. O da página 111 é de José Nêumanne Pinto:

NOTURNO

Um relâmpago rasga a noite
qual navalha afiada na pedra,
a batucada da chuva no asfalto,
ao som de motores que roncam
e de pneus patinando em poças.
A vida não é muito mais do que isto:
uma treva úmida e renitente
com brilhos e ruídos de repente,
o sorriso cúmplice na fotografia
e o cheiro da mulher amada no lençol.

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