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Uma pedra no caminho de Serra

Por mais ridícula que seja, a candidatura de José Aníbal é um obstáculo para Serra chegar aos Bandeirantes

 
Ao abrir mão de 33 dos 48 meses de gestão na prefeitura do maior município do País, conquistada legitimamente nas urnas, o tucano José Serra não trocou o duvidoso, que seria a disputa federal contra o petista Luiz Inácio Lula da Silva, pelo certo, que será o pleito estadual contra a ex-prefeita Marta Suplicy ou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercandante, ambos do mesmo PT presidencial. Mas decerto sua tarefa será bem menos árdua (embora não mais suave) que a do ex-governador do maior Estado da Federação Geraldo Alckmin que tentará evitar que o presidente da República permaneça onde já se encontra. Pode haver muito de exagero retórico (incomum no estilo dele) de Serra em sua declaração de que a decisão foi a mais difícil de sua vida, mas um certo grau de sinceridade, nem sempre incompatível com o exercício da política, arte de mistificar, esse seu desabafo deve conter.
Missão mais dura Serra já cumpriu a contento ao derrotar a petista Marta Suplicy quando esta era prefeita e aprovada pela população (até o dia da eleição). E, pelo que pôde fazer nos 15 meses iniciais de sua gestão, deu mostras de ter sido capaz de superar a antecessora no quesito eficiência administrativa. Só um fanático petista de carteirinha deixará de reconhecer que ele foi até agora melhor prefeito que ela, que agravou os deslizes de antes da eleição com a opção absurda de abandonar a cidade ao deus-dará depois da derrota nas urnas, numa demonstração de desconhecimento da natureza do cargo que ocupava e de descrença na memória popular. Isso não quer dizer que a terceira vitória consecutiva – como candidato a prefeito, como prefeito e agora como candidato a governador – esteja assegurada a Serra contra Marta. Até porque esta é pule de dez no PT, mas ainda vai ter de tirar do caminho o senador Mercadante, que não desponta bem nas pesquisas nem conta com a simpatia do comissário José Dirceu, senhor da máquina partidária, mas também não é carta fora do baralho.
Fato é que Serra depende mesmo é de si próprio (como o Santos no campeonato paulista de futebol), mas seu desempenho eleitoral também poderá ser influenciado (para o bem ou para o mal) pela trajetória da candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência. Este, como se sabe, terá mais dificuldades para superar Lula, candidato à reeleição, que o pretendente a manter a hegemonia tucana e a herança deixada por Mário Covas batendo o PT. E, se não transformar em votos paulistas os índices de aprovação de sua gestão no Estado, o ex-governador poderá tornar mais complicada a tarefa de Serra de evitar que o PT bata os pregos no caixão da pretensão do PSDB de, perdendo a eleição federal, pelo menos manter o poder no Estado.
Se Serra vencer, um eventual chope petista pela vitória federal não será batizado, mas o prêmio de consolação para o alto tucanato não será desprezível. Afinal, São Paulo é o maior Estado da Federação. E a prometida lealdade de seu sucessor na Prefeitura, o pefelista Gilberto Kassab, será concretizada sem dúvida nenhuma. Uma derrota no Estado significará, ao contrário, a perda da prefeitura da Capital, pois o novo prefeito terá mais dificuldades para administrar sem apoio dos petistas no poder na União e no Estado e à tentação de se tornar ele próprio um candidato forte à sucessão estadual em quatro anos.
Para tanto Serra terá de superar desde já um obstáculo inesperado. Com quatro pontos nas pesquisas e sem nada que justifique sua teimosia, a não ser a dificuldade que certos tucanos têm de enxergar um palmo à frente do bico, o vereador José Aníbal insiste em se candidatar. No panorama político estadual, imaginar que a estupenda votação que obteve para a Câmara Municipal o credencia a disputar uma prévia com um candidato do peso do ex-ministro da Saúde, derrotado no pleito eleitoral por Lula no segundo turno e ex-prefeito que bateu a antecessora nas urnas é algo absurdo. E até ridículo.

 
© Jornal da Tarde, 04 de abril de 2006.
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