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Um bode exangue

Não são poucos os analistas políticos que acreditam na possibilidade de o senador Aluizio Mercadante ter sido escolhido pelo PT para cumprir na eleição para o governo de São Paulo, no lugar da ex-prefeita da Capital Marta Suplicy, a tarefa de perder. E, assim, evitar transtornos para o favoritismo do presidente Lula à própria reeleição. O raciocínio tem alguma lógica e encontra respaldo na estratégia que os petistas adotaram, com apoio da Polícia Federal (PF), de tentar transferir apenas para as costas largas deste “pato manco” a culpa toda pela lambança do falso dossiê antitucano, que explodiu na campanha como uma bomba de efeitos catastróficos. O petardo armado e disparado por terroristas suicidas, contudo, terminou foi impedindo que Luiz Inácio Lula da Silva vencesse a contenda logo no primeiro turno.
Diante do adiamento do resultado final para daqui a 26 dias, deu para concluir que a estratégia de usar o cadáver da candidatura do senador como escudo para o favoritismo do presidente não funcionou a contento. Mais da metade do eleitorado deixou o (ainda) favorito fritando até o fim do mês, exposto às intempéries de uma campanha difícil, na qual foi possível observar que alguns petistas nunca conseguem resistir à própria vocação para o delito e a trapalhada. Nos velhos tempos do sindicalismo “autêntico” do ABC, a massa reunida no campo de jogo do Estádio de Vila Euclides berrava em uníssono: “O povo não é bobo.” Se o então líder sindical Lula houvesse prestado mais atenção nisso, talvez tivesse aprendido que de nada ia servir fingir imolar um bode exangue para tentar ganhar o campeonato logo na preliminar.
© Jornal da Tarde, terça-feira, 3 de outubro de 2005. .

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