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Suingue, forró e chamego

Suingue, forró e chamego

José Nêumanne

Chico Salles é um cabra atrevido do Chabocão, no sertão do Rio do Peixe, lá de onde fui vindo. Um dos ídolos dele, como meu, como de qualquer nordestino, ou melhor, brasileiro que aprecie suingue, forró e chamego é Jackson do Pandeiro. Pois então! Ele sabe que, embora seja um dos pilares da chamada Música Popular Brasileira, seu Zé Gomes não compôs lá muita coisa e gravava o que compunha uma reca de gênios, da qual fazia parte Rosil Cavalcanti, que era pernambucano de origem, mas viveu, trabalhou e ficou famoso, com nariz de palhaço e a alcunha de Zé Lagoa, o campeão de audiência em rádio, na Campina Grande de minha adolescência. Nunca ninguém conseguiu emular Zé Jack no ritmo e na divisão. Mas Chico ousou mostrar que por trás dele havia o Rosil do Brasil. E não é que o danado se saiu bem demais na missão?! Este CD é a melhor prova de que é possível resgatar a genialidade por trás de Jackson exibindo autores do naipe de Rosil. O melhor da verve do autor na interpretação do rei do coco de umbigada foi resgatado numa coletânea primorosamente arranjada e cantada. O sousense da peste tratou o ex-entregador de pão da Panificadora das Neves em Campina Grande como ele merece: com veneração, mas sem endeusá-lo. Com isso, saem ganhando todos: a memória de Jackson, a obra de Rosil, a carreira de Chico Salles. Mas, sobretudo, acima de tudo, o prazer de ouvi-lo, de remexer com ele, ao som do xote Sebastiana, de rolar de rir com A lei da compensação, de tomar conhecimento do melhor do cerne da cultura regional em Cabo Tenório e de chorar de emoção e saudade ouvindo Tropeiros da Borborema, que foi gravada por Luiz Gonzaga, o rei do baião. Pois saiba que a versão de seu Salles não fica devendo nada ao original. Ouça e confira.

José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor.

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