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Perfil fúnebre de Walter: Dublê de repórter  e empresário

Perfil fúnebre de Walter: Dublê de repórter  e empresário

Com a morte de Walter Fontoura em São Paulo, na madrugada desta terça-feira, 4 de julho, saiu de cena mais um representante de uma geração de jornalistas que tinham ao mesmo tempo faro de notícia, vocação de chefiar equipes e visão de mercado. Há 15 anos, morreu o carioca (como ele) Evandro Carlos de Andrade. Em fevereiro deste ano, foi a vez de Mauro Guimarães, com os mesmos 80 anos de Walter, seu maior amigo. Outro expoente, Oliveiros S. Ferreira, está aposentado, aos 89 anos. Mauro e Walter tiveram importância capital no apanágio jornalístico e empresarial do Jornal do Brasil, hoje limitado à edição virtual. E Walter também participou, como Evandro, do crescimento das Organizações Globo. Oliveiros, celebrado professor da Universidade de São Paulo (USP), teve atuação decisiva na consolidação do Estado de S. Paulo.

walterfontoura

Filho de um oficial da Aeronáutica, Walter passou a infância em Natal, capital do Rio Grande do Norte, cidade e Estado aos quais sempre dedicou carinho filial. Mas sua ligação com o Rio de Janeiro foi muito mais intensa e significativa. Foi redator da primeira coluna política importante na imprensa brasileira contemporânea: o Informe JB, inspiração da Coluna do Estadão, do Painel da Folha de S.Paulo, de SwannAncelmo Góes e Jorge Moreno, no Globo. A prioridade da informação na coluna, cuja marca registrada era o anonimato do autor, contaminou outras tidas como sociais, deixando suas marcas em Zózimo Barroso do Amaral, que foi seu subordinado no Caderno BDireto da Fonte, no Caderno 2, e Mônica Bergamo, na Folha Ilustrada.

Desde muito cedo, Walter chefiou equipes, o mais evidente de seus muitos talentos na gestão de empresas e redações jornalísticas. Fidalgo, com talento de diplomata, empregado na direção do escritório do Instituto Brasileiro do Café em Nova York, ele sempre cultivou fontes e foi, enquanto trabalhou cotidianamente, um feroz caçador de “barrigas”. Graças às fontes que consultava, usou o poder da chefia, por exemplo, para impedir que saísse a nota de uma coluna que desinformava sobre a preferência do presidente Geisel para suceder-lhe pelo general Hugo Abreu, no dia em que João Figueiredo seria anunciado. À época dirigia o “jornal da condessa”, em que trabalhou 18 anos como repórter, redator, editorialista, diretor da sucursal de São Paulo, redator-chefe e vice-presidente da empresa. Nele comandou, nos anos 70, uma equipe de destacados jornalistas, como Carlos Castelo Branco e Villas-Bôas Corrêa. De 1985 a 1997, dirigiu a sucursal paulista do então maior concorrente do JBO Globo.

"Walter, a mulher Arlete e as filhas, ainda pequenas, Claudia e Ana Cristina." Foto do perfil do jornalista no FaceBook https://www.facebook.com/walter.fontoura.5

“Walter, a mulher Arlete e as filhas, ainda pequenas, Claudia e Ana Cristina.”
Foto do perfil do jornalista no FaceBook – https://www.facebook.com/walter.fontoura.5

Fora do jornalismo, empregou o talento de executivo no Conselho Consultivo do Banco Mercantil de São Paulo, para o qual foi convidado por seu amigo, Gastão Vidigal, que ele considerava o banqueiro-síntese do Brasil. Sobre o Mercantil escreveu o livro O Banco, São Paulo e o Brasil. Foi também diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro, vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, membro do Conselho de Orientação Superior da Fiesp, da Editora Páginas Amarelas e do Masp.

Em 2000, Walter Fontoura juntou-se aos amigos publicitários Luiz Sales, Alex Periscinoto e Sergio Guerreiro para fundar a SPGA Consultoria de Comunicação e prestou serviço a presidentes de empresas como Vale, Santos Brasil, Votorantim, Basf e Bradesco.

Caricatura de Walter Fontoura (08/06/1936 a 04/07/2017) de autoria não identificada, copiada da página dele no Facebook.

Caricatura de Walter Fontoura (08/06/1936 a 04/07/2017) de autoria não identificada, copiada da página dele no Facebook.

Por todos esses lugares compartilhou competência, simpatia, elegância e cavalheirismo. Deixa viúva Arlete, com quem teve três filhos, Walter (morto na juventude), Cláudia e Ana, além de cinco netos.

Antonio Foutoura D'Angelo com Walter Fontoura. Foto copiada do perfil do FaceBook: https://www.facebook.com/walter.fontoura.5

Antonio Foutoura D’Angelo com Walter Fontoura. Foto copiada do perfil do FaceBook: https://www.facebook.com/walter.fontoura.5

José Nêumanne Pinto

Jornalista, poeta e escritor

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