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Na revista Ventura, a edição bilíngue do poema de Nêumanne para Isabel

Na revista Ventura, a edição bilíngue do poema de Nêumanne para Isabel

A edição bilíngue de 2018, número 91, da revista Ventura traz o poema  “Isabel, mar e minas”, de José Nêumanne Pinto, inspirado na sua mulher e musa Isabel de Castro Pinto e traduzido por Lula Freire.

Reproduzimos aqui a versão em inglês e o original em português.

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In the veins of Isabel
flows the blood of the Castros,
revolutionary of the 30’s
and mayor of cities
below the Equator line,
washed and dryed in the waters
of the water reservoir of Condado.
And also of the Pimentel’s,
of grandfather Leone,
dealer of hope
in times of hard work,
in order to live well in scarceness.

In the strainer of Isabel’s hair,
the gold of mine’s is seeked,
as between her lips, sheds
the warmth of coffee
planted in the Paraiba valley
and in the inland of São Paulo.
In the eyes of my beloved
shine sparks of emeralds,
caught in the Tambau sea.

Isabel is my Brazil, my worth Brazil.
Brazil of Bonifacios
Brazil of Tiradentes
Brazil of Villa Lobos
of aunt Ciata, Pizindim
and Heitor dos Prazeres,
of cowboys riding in caatingas
of cattlemen leading cattle on long journeys,
Brazil of Antonio Carlos Jobim and Portinari
Brazil of peasants hurting their fingers
catching capuchos of cotton,
and workers in the bus lane,
of streetcars that no more operate
and of the solitude of truck drivers.

Not this motherland bitten by the aedes aegypti
and corrupted by the zika of thefts,
nor this numb people
by the disease of the tse tse fly,
but the Brazil of our decent fathers
of our mothers teaching us the alphabet,
in the dry darkness of the general plains.

The Brazil marked by the feet of Isabel,
the country shaped by my wife’s hands,
that’s all I wish to legate to the future,
as a heritage made only of peace
without fear nor desperation.

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Nas veias de Isabel
corre sangue dos Castro
de seu avô Ageu,
revolucionário de trinta
e prefeito de cidades
abaixo da linha do Equador,
lavada e quarada nas águas
do açudão de Condado.
E também dos Pimentel
de vovô Leone,
comerciante de esperança
em tempos de trabalho duro
pra viver bem na escassez.

Na bateia dos cabelos de Isabel
se garimpa ouro de minas,
como por entre seus lábios
passa o calor do café
plantado no Vale do Paraíba
e no interior de São Paulo.
Nos olhos de minha amada
fulguram fagulhas de esmeraldas
pescadas no mar de Tambaú.

Isabel é meu Brasil que vale a pena:
o Brasil dos Bonifácios,
o Brasil de Tiradentes,
o Brasil de Villa Lobos,
Tia Ciata, Pizindim e Heitor dos Prazeres,
de vaqueiros cavalgando em caatingas
e boiadeiros guiando boiadas em lonjuras,
o Brasil de Antônio Jobim e de Portinari,
o Brasil de camponeses ferindo dedos
ao catar capuchos de algodão
e de operários na fila do ônibus,
dos bondes que não andam mais
e da solidão dos caminhoneiros.

Não esta Pátria picada pelo Aedes aegypti
e corrompida pela zica do roubo
nem este povo entorpecido
pela moléstia da mosca tsé tsé.
Mas o Brasil de nossos pais decentes
e de nossas mães nos ensinando o beabá
na treva seca dos sertões gerais.
O Brasil pisado pelos pés de Isabel,
o País moldado pelas mãos de minha mulher,
é tudo que eu queria legar pro futuro
como uma herança só de paz,
sem medo nem desesperança.

José Nêumanne Pinto São Paulo, 30 de janeiro de 2016

capadarevista

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