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E o suor da paz?

E o suor da paz?

Recentemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos ensinou que, às vezes, “a violência é uma questão de sobrevivência”. Sua Excelência gosta de umas parábolas, não direi bíblicas, para não ofender o estilo dos evangelistas, mas quase todas meio enigmáticas, como convém a um gênio da comunicação com o povo da rua, que é o caso dele. Esta, de fato, mais parece uma charada rimada que propriamente uma fábula. Seja o que for, seja como for, com rima e tudo, ela é uma bofetada. Pois, mais uma vez, como sempre quando um populista de esquerda fala, isso soa como justificativa do dedo que aperta o gatilho, e não como um jeito compassivo de pensar a ferida que sangra ou mesmo de afagar o parente da vítima, enxugar sua lágrima e lhe dar alguma razão para ainda acreditar na justiça dos homens e no Estado.
Será que a bala que paralisa os membros de Priscila Aprígio, de 13 anos, ferida num entrevero entre bandidos e policiais na porta de um banco garantiu a vida de seu atirador? É claro que, quando alguém lê uma frase infeliz, como a do presidente escolhido direta e soberanamente por milhões de brasileiros, apenas mais um palpite sem nexo no meio de uma porção deles, pensa logo no risco à vida das vítimas. Mas é preciso pensar também no destino dos milhões de brasileiros que comem o pão amassado pelo diabo para sobreviver sem recorrer à violência: eles elegem os cidadãos para a gestão dos negócios públicos e são obrigados a tomar conhecimento diariamente da luta que estes travam para que seja natural o direito dos que usam a violência como meio de vida, e não o de quem ganha a vida com o suor pacífico.

 

© Jornal da Tarde, terça-feira, 06 de março de 2007.

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