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Comentário no Jornal Eldorado: Por um punhado de verbas

Comentário no Jornal Eldorado: Por um punhado de verbas

A manchete de primeira página do Estadão registra que Temer venceu na CCJ e Maia marcou votação de denúncia no dia 26. O País assiste a cena grotesca de deputados sendo comprados para votaram contra a segunda denúncia de Janot contra Temer, depauperando os cofres esvaziados da República. E aumenta a lista dos amigos próximos do presidente da República que têm problemas com a policia e a Justiça. Cunha, Geddel e Funaro estão presos. Filipelli, Moreira, Padilha e Lúcio, investigados. Rocha Loures foi filmado carregando mochila com dinheiro na porta da pizzaria. Um filme de horror patrocinado pelos parlamentares e pelos supremos ministros da impunidade geral, mas restrita.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 19 de outubro de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário

Eldorado 19 de outubro de 2017 – Quinta-feira

Manchete de primeira página do Estadão registra hoje que Temer vence na CCJ e Maia marca votação de denúncia no dia 26. Portanto, nada de novo no front, como dizia o filme muitas vezes visto?

Por 39 votos a 26, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou nesta quarta-feira, 18, o parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) que pede o arquivamento da denúncia apresentada contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência). O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), confirmou há pouco ao Broadcast Político que fará a votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer no plenário na próxima quarta-feira, 25.

SONORA 1910 ANDRADA

Temer e os ministros foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República por organização criminosa com base nas delações do empresário Joesley Batista e do operador financeiro Lúcio Funaro. Segundo o Ministério Público, o grupo teria recebido pelo menos R$ 587 milhões de propina dos últimos anos, oriundos de órgãos como Petrobrás, Caixa Econômica Federal e Furnas.

O certo é que nada indica que uma surpresa possa levar a um desfecho que atinja Temer e seus dois ministros do coração. Já lá se vão cinco meses e dois dias da divulgação da delação premiada de Joesley Batista e até agora Temer não deum uma explicação satisfatória a respeito. O que o País assiste é a cena grotesca de deputados sendo comprados para votaram contra a segunda denúncia de Janot depauperando os cofres esvaziados da República. E também aumentando a lista dos amigos próximos do presidente da República que têm problemas com a policia e a Justiça. Cunha, Geddel, Funaro estão presos. Filipelli, Moreira, Padilha e Lúcio, investigados. Rocha Loures filmado carregando mochila com dinheiro na porta da pizzaria Camelo. Enfim, um filme de horror patrocinado pelos parlamentares e pelos supremos ministros da impunidade geral, mas restrita.

Também na dobra do alto da primeira página o Estadão registrou que Tasso pede que Aécio abra mão da presidência do PSDB. Quais são as chances que isso aconteça mesmo?

Após mais de 20 dias afastado, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) retomou o mandato, nesta terça-feira, 18, com críticas aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo J&F, e a integrantes do Ministério Público. No plenário da Casa, Aécio afirmou ser vítima de uma armação “ardilosa” e “criminosa”, preparada por “empresários inescrupulosos” e por “homens de Estado”.

SONORA 1910 AÉCIO

Sem citar nomes, Aécio acusou Joesley e Wesley Batista, donos do grupo J&F, de enriquecerem “às custas do dinheiro público”. Disse ainda que os empresários “não tiveram qualquer constrangimento em acusar pessoas de bem na busca de um benefício de um inaceitável acordo de delação”. “O que é mais grave, contribuíram para essa trama homens de Estado, alguns tinham assento até muito pouco tempo na PGR”, completou.

Aécio afirmou que, aos poucos, considera que “parte da verdade está vindo à tona” e que “novos depoimentos, gravações que haviam sido omitidas, vão dando contorno claro às razões que levaram a essa construção criminosa. “Irei trabalhar a cada dia, a cada instante, para provar a minha inocência.”

O tucano disse também que foi alvo de “graves ataques” nos últimos dias por parte de alguns senadores, mas que retorna à Casa “sem rancor ou ódio”. O resultado da votação de ontem foi apertado, por 44 votos a 26 – Aécio precisava de pelo menos 41 votos para derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e retomar o mandato.

Aécio chegou ao Senado por volta das 17 horas desta quarta. No início da tarde, recebeu a notificação formal em sua casa sobre o resultado da votação do plenário que derrubou a decisão do STF e, em seguida, ligou para o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para informar que iria ao Senado.

“Venho acompanhado da serenidade de homens de bem. Minha história é digna de dedicação, ao longo de 40 anos, aos mineiros e ao Brasil. Estarei pronto para o debate franco e da minha parte sempre de forma respeitosa”, finalizou.

Na tragicomédia do cinismo geral brasileiro, Aécio é estrela de primeira grandeza. As revelações sobre ele são acachapantes, decepcionantes e definitivas. O melhor que faria seria recolher-se ao lar com a família e deixar a política. Mas o que faria sem o foro privilegiado que lhe dá o mandato mal exercido. Um cínico de marca, é o que ele é.

Os auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) concluíram que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) chegou a pagar 20% a mais pelas ações do frigorífico JBS para ajudar a empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista a comprar dois frigoríficos nos Estados Unidos. Aos poucos, a verdade sobre nossa participação no acúmulo de fortuna dos marchantes de Goiás começa a aparecer, é?

A aquisição do frigorífico National Beef Packing e da divisão de carnes da Smithfield Foods foi feita em 2008 pela BNDESPar, divisão de participações do banco. O processo, relatado pelo ministro Augusto Sherman, aponta que as transações irregulares teriam causado um prejuízo de R$ 303,9 milhões aos cofres públicos, em valores atualizados. Desse total, R$ 285,6 milhões dizem respeito à aquisição de participação na empresa pelo banco. Outros R$ 18,3 milhões estão relacionados a dividendos que o banco deixou de receber, já que o valor pago resultaria na compra de um número maior de ações.

Pelo visto, de nada adiantou os irmãos Batista terem protegido Lula, Dilma e Luciano Coutinho, do BNDES, em sua delação premiada demais. Mais dia menos dia os fatos vão aparecendo com as investigações e complicando a situação da J&F e dos procuradores Janot, Miller e Goularte. Como sempre, ninguém dá um pio sobre o relator do Supremo que homologou essa delação absurda, que revoltou a Nação, Luiz Edson Fachin. Esses cidadãos estão sempre acima de qualquer suspeita, filme de Elio Petri

Fernando Henrique, Raquel Dodge e juízes e promotores da Justiça do Trabalho se pronunciaram contra a a portaria do Ministério do Trabalho modificando a fiscalização do trabalho escravo. Há alguém a favor além da bancada ruralista, que a exigiu e conseguir do Temer?

Em encontro com o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, nesta quarta-feira, 18, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge classificou a Portaria MTB nº1129/2017 como um ‘retrocesso à garantia constitucional de proteção à dignidade da pessoa humana’. A portaria dificulta a punição do trabalho escravo.

A norma foi editada há dois dias pelo Ministério do Trabalho. A portaria determina, entre outras coisas, que a inclusão de empresas na “lista suja” do trabalho escravo depende de ato do ministro, o que tira autonomia da área técnica. Ela também muda procedimentos de fiscalização, tornando mais difícil a comprovação do ilícito.

Nesta quarta, Raquel Dodge recebeu o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, e oficializou o pedido de revogação da portaria. A informação foi divulgada pelo Ministério Público Federal.

A procuradora-geral entregou ao ministro ofício em que chama atenção para as violações constitucionais que podem ser efetivadas a partir do cumprimento da norma, além de uma recomendação elaborada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

A procuradora-geral citou ao ministro a dignidade humana, garantida na Constituição, e não apenas a liberdade de ir e vir. “A portaria volta a um ponto que a legislação superou há vários anos”, afirmou Raquel.

Anteontem, membros do Ministério Público Federal e do Ministério Público do Trabalho integrantes da Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), com apoio da Câmara Criminal do MPF (2CCR) e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), elaboraram recomendação para a revogação imediata da Portaria MTB Nº 1129/2017, sob o fundamento de que afronta o artigo 149 do Código Penal e as Convenções 29 e 105 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O documento, entregue em mãos pela procuradora-geral da República ao ministro do Trabalho, foi acompanhado de ofício em que Dodge acrescentou que o trabalho escravo viola a dignidade e não apenas a liberdade da pessoa humana.

(Neste ponto o comentário foi interrompido por um problema técnico de transmissão e tornou-se impossível tocar a música de praxe)

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