Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Comentário no Jornal Eldorado: Pela bola sete

Comentário no Jornal Eldorado: Pela bola sete

Condenado a 9 anos e 6 meses de prisão, Lula convocou uma entrevista coletiva na sede do PT e não respondeu a perguntas, tratando a imprensa como inimiga e os jornalistas foram porque servem ao público. Ele não respondeu, porque se acha acima do bem e do mal e sabe que não tem defesa a apresentar, argumentos a discutir. Este é o jogo populista dele, mas voto não é detergente e democracia não é só voto, mas também o funcionamento autônomo dos poderes (apud Montesquieu) e dos pesos e contrapesos da Revolução Americana. Mas não adianta chorar, a bola sete está na caçapa.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na sexta-feira 14 de julho de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique no link abaixo:

https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-1407-direto-ao-assunto

Para ouvir Luiz Inácio (300 picarestas), com Paralamas do Sucesso, clique no link abaixo:

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/pela-bola-sete/

Abaixo, íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 14 de julho de 2017 – Sexta-feira

Emanuel: Em título no alto da primeira página, o Estadão cita: “Quem pode decretar meu fim é o povo”, afirma Lula. O que ele quis dizer exatamente com isso?

Em sua primeira fala após a condenação a 9 anos e 6 meses de prisão na Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmouontem que vai se colocar como ‘postulante à candidatura à Presidência da República’ dentro do PT, e criticou a sentença do juiz federal Sérgio Moro alegando ter sido condenado ‘sem provas’.

SONORA 1407 LULA

“Se alguém pensa que com essa sentença me tiraram do jogo, podem saber que estou no jogo”, afirmou. Em pronunciamento dentro do diretório do PT em São Paulo, Lula acusou o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, a quem disse ter como amigo, de mentir para se livrar de mais uma condenação mais dura na Lava Jato e voltou a dizer que se mantém como candidato mesmo após a sentença de Moro. “A sentença é uma peça de estudo profundo de como não se deve fazer um parecer condenatório”, defendeu.O ex-presidente disse desafiar que ‘seus inimigos, sobretudo os meios de comunicação, fizessem um esforço incomensurável para apresentar uma única prova, um papel assinado’ a respeito das acusações do Ministério Público Federal que o levaram a ser sentenciado pelo juiz da Lava Jato. “Eu vou me colocar como postulante à candidatura à presidência da república em 2018. Eu na verdade gostaria de estar nessa mesa no auditório principal de meu partido discutindo a situação do brasil. A situação política do Brasil” . Ele afirmou que ‘a única prova’ existente no processo do caso triplex é a de sua ‘inocência’.Lula foi condenado por corrupção passiva pelo recebimento de vantagem indevida da OAS em decorrência de contrato com a Petrobrás. A lavagem de dinheiro foi atribuída ao petista pela ocultação e dissimulação da titularidade do triplex do Guarujá e por ter sido beneficiário das reformas realizadas no apartamento.Em pronunciamento, Lula afirmou é alvo de jogo político. “Se alguém tiver uma prova contra mim mande para a Justiça. O que me deixa indignado, mas sem perder a ternura, é ser vítima de mentira”, disse.

Convocou uma entrevista coletiva em seu território, não respondeu a nenhuma pergunta, tratou imprensa como inimiga, imprensa foi porque serve ao público, Lula não respondeu porque se sente rei, acima do bem e do mal e porque sabe que não tem defesa a apresentar, argumentos a discutir. Este é o jogo dele. Populismo: não, voto não é detergente e democracia não é só voto, mas também o funcionamento independente dos poderes de Montesquieu, o checks and balances, pesos e contrapesos dos pais fundadores, Lula, o monarca, se acha acima do bem e do mal.

Logo abaixo da notícia, chamada de Vera Magalhães resume bem na primeira página: Lula perdeu o compromisso com os fatos e tem o cinismo e o messianismo como últimas trincheiras.

Eleição sem Lula é fraude? Fraude é um slogan desses, que desafia o Estado de Direito.

Emanuel: A que direção isso vai levá-lo? E em que rumo seguirá o Brasil?

Lula marcha para o isolamento. Desde impeachment de Dilma, caminha de volta para o sindicato. Manifestações na Paulista no ano passado mostram isso. Wagner Freitas no palácio a bala. Multidões vão minguando, o sonho vai se tornando em pesadelo. Não havia ninguém na sede do PT ontem, apenas a cúpula do partido. Vivem da ilusão dos 30% das pesquisas, esquecendo os 60% de rejeição da Ipsos. Não tem quem ganhe eleição majoritária com uma rejeição dessa. Lula aposta tudo na tal da pós-verdade e com isso vai empurrando o Brasil contra o muro do caos. PSDB volta a cair na cantilena do vamos deixar o porco sangrar de depois da denuncia do mensalão. Os Bourbons da frase famosa de Talleyrand – nunca esqueceram e nunca aprenderam. No isolamento de Brasília. 1993 Itamar 300 picaretas, Paralamas do Sucesso. Como Maranhão 1966 de Glauber, o verso famoso de Belchior a vida é muito pior. Brasília isola e Lula vive esse isolamento.

Mas a realidade é que ele foi condenado a nove anos e meio de prisão e 19 anos sem cargo público. Agora conta com o cipoal político. Melhor descrição é artigo de Joaquim Falcão e Silvana Batini, os infindáveis recursos. Ele fala mal da Justiça, mas é com ela, principalmente com os digitnários que ele e Dilma nomeou com que ele conta. Quer ganhar com a barriga, empurrando o Brasil com ela. Mas está condenado e vai depender da Justiça que ele execra. Acordão contra Lava Jato, PF, MPF e a democracia. Lula é o chefão. Temer com o poder na mão. O PSDB fingindo que é oposição com Aécio mais encalacrado no STF. Todos juntos para salvar os privilégios pessoais, contra as instituições.

Guerra contra as instituições meu artigo no Estadão anteontem

Emanuel: Isso tem a ver com o que o advogado de defesa do presidente Michel Temer, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, disse ontem na Câmara de que há uma “cultura punitiva” no País, citando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado ontem a nove anos e seis meses de prisão. “Pau que mata Chico, mata Francisco. Pau que mata Michel, mata Lula”? 

SONORA 1407 MARIZ

Exatamente, completamente, como dizia meu professor de matemática, que nunca conseguiu me ensinar muita coisa da disciplina: quod erat demonstrandum. O que eu tinha a demonstrar. Mariz, que é amigo de Temer, faz referência à frase que ficou famosa com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot Javou, em sua sabatina no Senado de recondução à PGR. Ele disse à época para o senador Fernando Collor: “Pau que dá em Chico, dá em Francisco”.  Mariz disse que os deputados devem pensar que, “nesta progressão, a cultura punitiva vai atingir qualquer cidadão brasileiro”. “Nós precisamos nos defender de um avanço indevido do Ministério Público”, disse aos parlamentares. É a tática da vitória de Temer: a famosa propaganda da vodca: Eu sou você amanhã. Os discursos se complementam. Temer lembra através de seu advogado que um terço dos deputados e mais ou menos a mesma proporção dos vereadores também serão alcançados pela mão longa da polícia, do ministério público e da Justiça Federal antes de acabar o mandato de Dilma que Temer está cumprindo e pretende cumprir até dezembro de 2018. E Lula ameaça com os exércitos do MST e os votos dos grotões, expressão criada por Tancredo Neves na fase final da ditadura.

Emanuel: E você acha que foi por isso que Temer ganhou a polêmica votação que arquivou o relatório a favor da denúncia de Janot na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara ontem?

Acho não. Tenho certeza. Vamos à notícia dada pelo Estadão a respeito da votação histórica, dada em manchete de primeira página?

“Temer vence na CCJ e decisão no plenário fica para agosto.

Depois de diversas manobras do Palácio do Planalto, entre elas a troca de integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o governo obteve duas vitórias nesta quinta-feira, 13, no colegiado – conseguiu derrubar o relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) e aprovar um voto separado pela rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer. O parecer segue agora para a apreciação do plenário.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou que a votação da denúncia contra o presidente acontecerá no dia 2 de agosto. “É a melhor data. Foi um acordo entre a base e a oposição”, disse Maia.

Trocas foram contestadas, mas não há o que fazer contra elas. Coluna do Estadão citou na semana mesma atitude tomada por Lula e Dilma. Mas não é só isso: cadeira é do partido e o líder põe quem quer. Também não é democrático membro da CCJ se considerar dono do lugar, pois a democracia não comporta esse tipo de atitude. O problema é que a frágil legitimidade e a baixíssima popularidade do governo que comanda o leme da nau dos insensatas chamada Brasil ficam cada vez mais expostos, dificultando a gestão da República e as soluções que precisam ser dadas para acabar com a crise econômica, o impasse política e o desmanche moral. Agora é a oposição que espera o governo sangrar. Quem garante que não vai esperar sentada? Está contando muito com o imponderável.

Emanuel: Mas isso que você chama de legitimiidade frágil e popularidade baixíssima não impediram de o governo Temer obter uma grande vitória com a aprovação da reforma trabalhista, que você mesmo tem elogiado aqui em seus comentários, certo?

De fato, como já conversamos aqui, grande vitória de Temer, de capote, 50 a 26, capote, aliás, repetido ontem na CCJ. E, sobretudo, todas as vezes, grande derrota da oposição de esquerda, que já perdeu feio as eleições municipais no ano passado e tem levado um baile por dia no Congresso, além de ter sido desmoralizada com sua atitude estúpida do churrasquinho na laje da professora Fátima Bezerra fazendo aquela propaganda da dentda faminta na carne da Friboi, assim como os goles de vodca servidos depois por Mariz na sessão de ontem. O seqüestro da mesa do Senado pelas damas afoitas da esquerda quebrou o compromisso com Temer pela votação pacífica da reforma. Quem não tem voto não canta de galo. Paulo Abi Ackel (PSDB-MG) no lugar de Zveiter com votação expressiva 41 a 24 na CCJ, outro capote. É isso que tira a autoridade de Lula em seu discurso de enfrentamento do Estado Democrático de Direito.

Em cerimônia sem a participação das principais centrais sindicais, o presidente Michel Temer sancionou ontem a reforma trabalhista. O Palácio do Planalto comemorou a mudança que altera mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e Temer disse que, apesar da “suposta crise”, há “entusiasmo enorme” com o governo. O Planalto editará medida provisória para ajustar itens da reforma e descartou a volta do imposto sindical pago por trabalhadores.

A reforma trabalhista dá força à negociação coletiva e flexibiliza as relações trabalhistas com a adoção de novos contratos, como o intermitente. As novas regras passam a valer em 120 dias e o governo prevê maior dinamismo do mercado de trabalho. A cerimônia para a sanção contou com a presença maciça de ministros e parlamentares da base governista em um esforço para mostrar coesão mesmo enquanto o governo tenta se desvencilhar do processo contra o presidente.

Parabéns, palmas para Temer, Rogério Marinho e Ricardo Ferraço, os congressistas relatores. E vamos nos despedindo por aqui com a música de 1993 com que meu conterrâneo Herbert Viana que, sem querer, mostrou como Lula ia governar manipulando os 300 picaretas da Câmara

Som na caixa, Almirante

SONORA Luiz Inácio (300 picaretas) – Paralamas do Sucesso

https://www.youtube.com/watch?v=LXk6B5O-0-A

Eldorado 14 de julho de 2017 – Sexta-feira

SONORA 1407 LULA

SONORA 1407 MARIZ

SONORA Luiz Inácio (300 picaretas) – Paralamas do Sucesso

https://www.youtube.com/watch?v=LXk6B5O-0-A Começar no 0:39

Emanuel: Em título no alto da primeira página, o Estadão cita: “Quem pode decretar meu fim é o povo”, afirma Lula. O que ele quis dizer exatamente com isso?

Em sua primeira fala após a condenação a 9 anos e 6 meses de prisão na Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmouontem que vai se colocar como ‘postulante à candidatura à Presidência da República’ dentro do PT, e criticou a sentença do juiz federal Sérgio Moro alegando ter sido condenado ‘sem provas’.

SONORA 1407 LULA

“Se alguém pensa que com essa sentença me tiraram do jogo, podem saber que estou no jogo”, afirmou. Em pronunciamento dentro do diretório do PT em São Paulo, Lula acusou o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, a quem disse ter como amigo, de mentir para se livrar de mais uma condenação mais dura na Lava Jato e voltou a dizer que se mantém como candidato mesmo após a sentença de Moro. “A sentença é uma peça de estudo profundo de como não se deve fazer um parecer condenatório”, defendeu.O ex-presidente disse desafiar que ‘seus inimigos, sobretudo os meios de comunicação, fizessem um esforço incomensurável para apresentar uma única prova, um papel assinado’ a respeito das acusações do Ministério Público Federal que o levaram a ser sentenciado pelo juiz da Lava Jato. “Eu vou me colocar como postulante à candidatura à presidência da república em 2018. Eu na verdade gostaria de estar nessa mesa no auditório principal de meu partido discutindo a situação do brasil. A situação política do Brasil” . Ele afirmou que ‘a única prova’ existente no processo do caso triplex é a de sua ‘inocência’.Lula foi condenado por corrupção passiva pelo recebimento de vantagem indevida da OAS em decorrência de contrato com a Petrobrás. A lavagem de dinheiro foi atribuída ao petista pela ocultação e dissimulação da titularidade do triplex do Guarujá e por ter sido beneficiário das reformas realizadas no apartamento.Em pronunciamento, Lula afirmou é alvo de jogo político. “Se alguém tiver uma prova contra mim mande para a Justiça. O que me deixa indignado, mas sem perder a ternura, é ser vítima de mentira”, disse.

Convocou uma entrevista coletiva em seu território, não respondeu a nenhuma pergunta, tratou imprensa como inimiga, imprensa foi porque serve ao público, Lula não respondeu porque se sente rei, acima do bem e do mal e porque sabe que não tem defesa a apresentar, argumentos a discutir. Este é o jogo dele. Populismo: não, voto não é detergente e democracia não é só voto, mas também o funcionamento independente dos poderes de Montesquieu, o checks and balances, pesos e contrapesos dos pais fundadores, Lula, o monarca, se acha acima do bem e do mal.

Logo abaixo da notícia, chamada de Vera Magalhães resume bem na primeira página: Lula perdeu o compromisso com os fatos e tem o cinismo e o messianismo como últimas trincheiras.

Eleição sem Lula é fraude? Fraude é um slogan desses, que desafia o Estado de Direito.

Emanuel: A que direção isso vai levá-lo? E em que rumo seguirá o Brasil?

Lula marcha para o isolamento. Desde impeachment de Dilma, caminha de volta para o sindicato. Manifestações na Paulista no ano passado mostram isso. Wagner Freitas no palácio a bala. Multidões vão minguando, o sonho vai se tornando em pesadelo. Não havia ninguém na sede do PT ontem, apenas a cúpula do partido. Vivem da ilusão dos 30% das pesquisas, esquecendo os 60% de rejeição da Ipsos. Não tem quem ganhe eleição majoritária com uma rejeição dessa. Lula aposta tudo na tal da pós-verdade e com isso vai empurrando o Brasil contra o muro do caos. PSDB volta a cair na cantilena do vamos deixar o porco sangrar de depois da denuncia do mensalão. Os Bourbons da frase famosa de Talleyrand – nunca esqueceram e nunca aprenderam. No isolamento de Brasília. 1993 Itamar 300 picaretas, Paralamas do Sucesso. Como Maranhão 1966 de Glauber, o verso famoso de Belchior a vida é muito pior. Brasília isola e Lula vive esse isolamento.

Mas a realidade é que ele foi condenado a nove anos e meio de prisão e 19 anos sem cargo público. Agora conta com o cipoal político. Melhor descrição é artigo de Joaquim Falcão e Silvana Batini, os infindáveis recursos. Ele fala mal da Justiça, mas é com ela, principalmente com os digitnários que ele e Dilma nomeou com que ele conta. Quer ganhar com a barriga, empurrando o Brasil com ela. Mas está condenado e vai depender da Justiça que ele execra. Acordão contra Lava Jato, PF, MPF e a democracia. Lula é o chefão. Temer com o poder na mão. O PSDB fingindo que é oposição com Aécio mais encalacrado no STF. Todos juntos para salvar os privilégios pessoais, contra as instituições.

Guerra contra as instituições meu artigo no Estadão anteontem

Emanuel: Isso tem a ver com o que o advogado de defesa do presidente Michel Temer, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, disse ontem na Câmara de que há uma “cultura punitiva” no País, citando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado ontem a nove anos e seis meses de prisão. “Pau que mata Chico, mata Francisco. Pau que mata Michel, mata Lula”? 

SONORA 1407 MARIZ

Exatamente, completamente, como dizia meu professor de matemática, que nunca conseguiu me ensinar muita coisa da disciplina: quod erat demonstrandum. O que eu tinha a demonstrar. Mariz, que é amigo de Temer, faz referência à frase que ficou famosa com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot Javou, em sua sabatina no Senado de recondução à PGR. Ele disse à época para o senador Fernando Collor: “Pau que dá em Chico, dá em Francisco”.  Mariz disse que os deputados devem pensar que, “nesta progressão, a cultura punitiva vai atingir qualquer cidadão brasileiro”. “Nós precisamos nos defender de um avanço indevido do Ministério Público”, disse aos parlamentares. É a tática da vitória de Temer: a famosa propaganda da vodca: Eu sou você amanhã. Os discursos se complementam. Temer lembra através de seu advogado que um terço dos deputados e mais ou menos a mesma proporção dos vereadores também serão alcançados pela mão longa da polícia, do ministério público e da Justiça Federal antes de acabar o mandato de Dilma que Temer está cumprindo e pretende cumprir até dezembro de 2018. E Lula ameaça com os exércitos do MST e os votos dos grotões, expressão criada por Tancredo Neves na fase final da ditadura.

Emanuel: E você acha que foi por isso que Temer ganhou a polêmica votação que arquivou o relatório a favor da denúncia de Janot na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara ontem?

Acho não. Tenho certeza. Vamos à notícia dada pelo Estadão a respeito da votação histórica, dada em manchete de primeira página?

“Temer vence na CCJ e decisão no plenário fica para agosto.

Depois de diversas manobras do Palácio do Planalto, entre elas a troca de integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o governo obteve duas vitórias nesta quinta-feira, 13, no colegiado – conseguiu derrubar o relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) e aprovar um voto separado pela rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer. O parecer segue agora para a apreciação do plenário.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou que a votação da denúncia contra o presidente acontecerá no dia 2 de agosto. “É a melhor data. Foi um acordo entre a base e a oposição”, disse Maia.

Trocas foram contestadas, mas não há o que fazer contra elas. Coluna do Estadão citou na semana mesma atitude tomada por Lula e Dilma. Mas não é só isso: cadeira é do partido e o líder põe quem quer. Também não é democrático membro da CCJ se considerar dono do lugar, pois a democracia não comporta esse tipo de atitude. O problema é que a frágil legitimidade e a baixíssima popularidade do governo que comanda o leme da nau dos insensatas chamada Brasil ficam cada vez mais expostos, dificultando a gestão da República e as soluções que precisam ser dadas para acabar com a crise econômica, o impasse política e o desmanche moral. Agora é a oposição que espera o governo sangrar. Quem garante que não vai esperar sentada? Está contando muito com o imponderável.

Emanuel: Mas isso que você chama de legitimiidade frágil e popularidade baixíssima não impediram de o governo Temer obter uma grande vitória com a aprovação da reforma trabalhista, que você mesmo tem elogiado aqui em seus comentários, certo?

De fato, como já conversamos aqui, grande vitória de Temer, de capote, 50 a 26, capote, aliás, repetido ontem na CCJ. E, sobretudo, todas as vezes, grande derrota da oposição de esquerda, que já perdeu feio as eleições municipais no ano passado e tem levado um baile por dia no Congresso, além de ter sido desmoralizada com sua atitude estúpida do churrasquinho na laje da professora Fátima Bezerra fazendo aquela propaganda da dentda faminta na carne da Friboi, assim como os goles de vodca servidos depois por Mariz na sessão de ontem. O seqüestro da mesa do Senado pelas damas afoitas da esquerda quebrou o compromisso com Temer pela votação pacífica da reforma. Quem não tem voto não canta de galo. Paulo Abi Ackel (PSDB-MG) no lugar de Zveiter com votação expressiva 41 a 24 na CCJ, outro capote. É isso que tira a autoridade de Lula em seu discurso de enfrentamento do Estado Democrático de Direito.

Em cerimônia sem a participação das principais centrais sindicais, o presidente Michel Temer sancionou ontem a reforma trabalhista. O Palácio do Planalto comemorou a mudança que altera mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e Temer disse que, apesar da “suposta crise”, há “entusiasmo enorme” com o governo. O Planalto editará medida provisória para ajustar itens da reforma e descartou a volta do imposto sindical pago por trabalhadores.

A reforma trabalhista dá força à negociação coletiva e flexibiliza as relações trabalhistas com a adoção de novos contratos, como o intermitente. As novas regras passam a valer em 120 dias e o governo prevê maior dinamismo do mercado de trabalho. A cerimônia para a sanção contou com a presença maciça de ministros e parlamentares da base governista em um esforço para mostrar coesão mesmo enquanto o governo tenta se desvencilhar do processo contra o presidente.

Parabéns, palmas para Temer, Rogério Marinho e Ricardo Ferraço, os congressistas relatores. E vamos nos despedindo por aqui com a música de 1993 com que meu conterrâneo Herbert Viana que, sem querer, mostrou como Lula ia governar manipulando os 300 picaretas da Câmara

Som na caixa, Almirante

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