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Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado: Dois pesos e duas medidas

Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado: Dois pesos e duas medidas

O pedido de prisão pelo procurador-geral da República do senador Aécio Neves (PSDB-MG) por ter ele publicado em rede social uma reunião com correligionários, enquanto o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva faz campanha pra eleição de 2018, o que configura crime eleitoral, é um caso típico de dois pesos e duas medidas. Não tenho procuração nem vontade de defender Aécio e vocês todos testemunham que sou forte crítico ao denunciar ter Aécio jogado no lixo da história a esperança de 51 milhões de brasileiros que esperavam dele comportamento no mínimo melhor do que o de seus adversários em cujos 13 anos, 5 meses e 12 dias de desgoverno o Brasil foi jogado na maior crise da História, com mais de 14 milhões de desempregados. Mas parece que Janot tem levado em conta a crítica de Lula tornada pública de que ele é ingrato e resolveu provar que não é, não. Aécio não pode se reunir com correligionários, mas Lula pode fazer campanha fora de época?

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na sexta-feira 16 de junho de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique no link abaixo e, em seguida, no play:

https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-1606-direto-ao-assunto

Para ouvir O vírus da corrupção, com Bezerra da Silva, clique no link abaixo:

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/dois-pesos-e-duas-medidas/

Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 16 de junho de 2017

Você acha que todos os denunciados pelo Ministério Público Federal estão tendo tratamento isonômico por parte do procurador-geral da República Rodrigo Janot?

Infelizmente ontem tive claros indícios de que procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está tendo dois pesos e duas medidas na hora de propor pedidos de prisão para personagens do escândalo de corrupção que espanta e paralisa o País desde que a Operação Lava Jato foi deflagrada há três anos. Ontem os jornais registraram que ele utilizou postagem do senador Aécio Neves no Twitter para reforçar argumentos do pedido de seu  pedido de prisão que já fez antes e que foi negado pelo relator da operação no Supremo Tribunal Federal. Eu mesmo comentei aqui que Janot incluiu em seu novo pedido a denúncia de que no dia 30 de maio, o presidente licenciado do PSDB publicou foto de reunião com os senadores Tasso Jereissati (CE), Antonio Anastasia (MG), Cássio Cunha Lima (PB) e José Serra (SP). Aécio escreveu: “Na pauta, votações no Congresso e a agenda política”, escreveu Aécio. Na ocasião em que citei isso em meu comentário, o Correio Brasiliense, que não tinha lido, registrou que, em meio aos debates sobre os limites de atuação dos Poderes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu mudanças no critério de escolha dos ministros do Superior Tribunal Federal (STF). Em entrevista à Rádio Difusora, de São Luís (MA), o petista defendeu a “harmonia” entre as instituições do país. Embora negue que os presidentes tenham influência sobre os ministros que indicam ao STF, Lula acredita que “o critério está errado” e sugeriu que seja criado um colegiado responsável pela formação do tribunal e seja debatido o tempo de mandato. “Não pode uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até os 75 exercendo o cargo na Suprema Corte”, disse. Desde o fim da ditadura, o petista, que governou o Brasil de 2003 a 2010, foi o presidente que mais indicou ministros ao STF, com oito magistrados recomendados. Foram eles Eros Grau, Carlos Alberto Menezes Direito, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Cezar Peluso, Joaquim Barbosa e Dias Toffoli. Hoje, Lewandowski, Toffoli e Cármen Lúcia seguem no Supremo. Em relação à absolvição da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-presidente admitiu que ocorre uma “politização” do Judiciário, mas ponderou que é necessário buscar harmonia entre as instituições. “Quando um procurador manda investigar e gravar o presidente da República, tudo começa a ficar delicado”, disse, em referência às investigações sobre Michel Temer. Ao tomar conhecimento desse fato, ocorreu-me que Janot, nomeado e reconduzido ao posto por outra petista, Dilma Rousseff, não tem recriminado nem impedido Lula de fazer campanha para presidente antes do tempo para 2018, cometendo crime eleitoral, nem participado da campanha difamatória contra o Brasil aqui e no exterior, o que configura crime de lesa-pátria. Enquanto isso, pede a prisão de Aécio porque ele se reuniu com correligionários, enquanto o próprio relator do caso do tucano, o ministro do STF Marco Aurélio Mello reconhece que as condições do afastamento do mineiro do Senado está sendo cumprido. Configura-se, pois, um caso típico de dois pesos e duas medidas. Não tenho procuração nem vontade de defender Aécio e vocês todos são testemunhos que tenho sido forte crítico da forma como ele jogou no lixo da história a esperança de 51 milhões de brasileiros que esperavam dele comportamento no mínimo melhor do que o de seus adversários em cujos 13 anos, 5 meses e 12 dias de desgoverno o Brasil foi jogado na maior crise da História com mais de 14 milhões de desempregados. Mas parece que Janot tem levado em conta a crítica de Lula tornada pública e resolveu provar que não é ingrato, não. Aécio não pode se reunir com correligionários, mas Lula pode fazer campanha fora de época. Pode isso, Arnaldo, ou melhor, Haisem?

Enquanto isso, em Curitiba, um ex-ministro de Lula e de Dilma, Antônio Palocci, não deixa barato e espalha brasa contra Mantega…

Pois é. Em alegações finais apresentadas à Justiça Federal em Curitiba, a defesa de Antonio Palocci atribuiu ao seu sucessor no Ministério da Fazenda, Guido Mantega, a responsabilidade por autorizar pagamentos ilegais da Odebrecht na conta do marqueteiro João Santana na Suíça.

Embora não tenha citado expressamente o ex-ministro petista, a defesa destacou trechos do depoimento de Marcelo Odebrecht que atribuíram a Mantega a responsabilidade por gerir pagamentos endereçados ao PT a partir de 2011. “Os valores constantes da planilha ‘italiano’ não eram destinados ao acusado, mas sim ao partido, de forma que, após Antonio Palocci deixar o governo, o montante passou a ser gerido por terceira pessoa”, disse, em referência indireta a Guido Mantega. A defesa de Palocci pediu sua absolvição pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Os advogados apontaram o que consideraram ser inconsistências do depoimento do ex-funcionário do setor de propinas da Odebrecht, Fernando Migliaccio. A crítica foi centrada na quantidade de dinheiro em espécie que Branislav Kontic, seu assessor, supostamente teria buscado na Odebrecht. De acordo com o executivo da Odebrecht, o assessor buscava pelo menos R$ 1 milhão em cada visita. Ele disse também ser possível guardar até R$ 3 milhões em uma mochila. Para apontar suposta inconsistência do relato, a defesa citou o caso do ex-deputado Rocha Loures, flagrado levando R$ 500 mil em uma mala.

SONORA Gargalhada do Rabugento

Não é mesmo de matar de rir, Haisem?

O Globo está publicando que em depoimento prestado na quarta-feira à Polícia Federal, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro reconheceu ter operado caixa dois do PMDB e fez acusações a Michel Temer. Quer dizer que não pararam de aparecer fatos novos contra o presidente?

Segundo uma pessoa com acesso ao interrogatório, o doleiro sustentou que Temer, que presidiu o PMDB de 2001 a 2016, tinha conhecimento de doações ilícitas de campanha feitas à legenda. O Palácio do Planalto negou em nota que Temer tomou conhecimento de financiamento ilegal de campanha para a sigla. “O presidente Michel Temer somente tinha conhecimento de doações legais ao partido”, informa a nota.

Ao longo de quatro horas, o doleiro falou também sobre como funcionavam nomeações a cargos públicos articuladas pelo PMDB e associadas a desvios de recursos. Apontado como aliado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em esquemas de corrupção, Funaro está preso há quase um ano. Nas últimas semanas, ele contratou um advogado especialista em delação premiada. Apesar dos contatos com o Ministério Público Federal (MPF), não há informações de que o acordo tenha sido fechado. Que fatos novos ele terá a delatar?

Outro fato novo contra Temer foi a notícia dada no Jornal Nacional de que o chefe de gabinete da Presidência em São Paulo e tesoureiro do PMDB de São Paulo, Arlon Vianna, foi escalado por Temer em 2014 para selecionar profissionais para trabalhar em uma reforma na casa de Norma Tedesco, sogra do presidente, À época, Arlon Vianna era assessor da Vice-presidência. O assunto pode parecer menor, mas o próprio Temer fez um bate-volta de Brasília para reunir-se em seu escritório em São Paulo com Arlon Vianna, o ministro Moreira Franco e sua filha, Maristela Temer. Arlon foi o responsável pela indicação de profissionais para a pintura, limpeza e reparos no imóvel alugado. O Planalto confirmou que ele somente indicou profissionais para “pequenos reparos”. Ao Jornal Nacional, Arlon disse, inicialmente, que “nunca se envolveu” na reforma. “Estou te dizendo, de coração, que não me envolvo nessas coisas. De jeito nenhum. Eu trabalho com doutor Michel há 17 anos, tenho relação muito legal”. Informado, então, de que o próprio Planalto havia confirmado que ele indicara profissionais para a reforma, Arlon Vianna atualizou a resposta: “Não indiquei empresa. Indiquei, se não me falha a memória, um pintor. Que nem sei aonde está. Estou até procurando ele para ele esclarecer. Um pintor, um pedreiro, uma coisa assim. Parou aí. Nem me recordo direito. Pintor ou pedreiro. É a mesma pessoa. Se você vai fazer uma reforminha, tapar buraco, uma pessoa só. Foi até junto com o pai dele. Me parece”, disse. A Folha de S.Paulo noticiou ontem a existência de um e-mail que teria sido encontrado pela Polícia Federal (PF) na casa do coronel João Baptista Lima Filho, amigo de longa data de Michel Temer, reafirmando a ligação dele com a reforma de um imóvel ligado a Maristela Temer, filha do presidente. O e-mail é mais um dos documentos apreendidos que ligariam Lima Filho à obra.

No início do mês de junho, já havia vindo à tona que a Polícia Federal apreendeu no escritório do militar aposentado planilhas de movimentações bancárias associadas ao escritório político de Temer e arquivos relacionados à reforma. Segundo a “Folha”, o e-mail, que é de 2014, foi enviado por um arquiteto e cobra do coronel o pagamento de R$ 44.394,42, referentes a itens como mão de obra e material.

O coronel é investigado pela PF após ser apontado por delatores da JBS como destinatário de R$ 1 milhão em dinheiro por ordem do presidente Michel Temer.

Segundo Ricardo Saud, delator da JBS, na campanha de 2014 Temer teria embolsado R$ 1 milhão dos R$ 15 milhões de propina que o PT repassou ao então vice-presidente para serem redistribuídos ao PMDB.

Os primeiros documentos relacionando o militar a Temer foram apreendidos na Argeplan Arquitetura e Engenharia, em São Paulo, durante a Operação Patmos, deflagrada a partir das delações da JBS.

O GLOBO mostrou que o coronel foi responsável pelo pagamento de material de construção para a reforma. A Argeplan, empresa do próprio Lima Filho, acertou os custos de compras feitas numa empresa no interior de São Paulo, responsável pela obra.

Qual a relação entre essas descobertas e a notícia dada pelo Estadão de que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou adminitiu a possibilidade de o Congresso Nacional suspender o recesso parlamentar para analisar um eventual pedido de denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente?

Pedirei ao almirante Nelson a reprodução da voz de Botafogo Bolinha

SONORA_MAIA

A suspensão do recesso da Câmara é algo positivo. O recesso junino do Congresso num momento de crise como este é algo que não condiz com a natureza de representação da sociedade do Poder Legislativo. Mas convocar o trabalho da Câmara só para atender ao pedido de pressa de Temer para evitar que fatos novos possam prejudicar sua defesa no julgamento pela Câmara do pedido de processar Temer por ter pretensamente cometido crimes no exercício da Presidência é uma demonstração óbvia de que nosso parlamento presta vassalagem aos dirigentes dos partidos e membros da casta que comanda o Brasil oficial. Uma coisa é uma coisa e outra coisa, outra coisa. Suspender as tarefas legislativas para atender ao chamado das quadrilhas, ainda que sejam só as juninas, é uma vergonha, como diria meu amigo Boris Casoi.

 

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