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Comentário no Jornal da Eldorado: O pacto da vergonha

Comentário no Jornal da Eldorado: O pacto da vergonha

Em reunião domingo com o presidente Michel Temer, presidentes de partidos propuseram um “pacto” para aprovar a reforma da Previdência envolvendo a distribuição do fundo eleitoral e a janela para mudança de partido sem risco de perda de mandato. Todos eles perderam a razão e a vergonha de uma vez por todas. A simples participação de Roberto Jefferson, o delator do mensalão do PT e por isso condenado pelo STF, já é um acinte, como já o fora antes a reunião com outro condenado no mensalão, o dono do PRB Waldemar da Costa Neto, vulgo o Boy. A sugestão dá ideia de como vai ser este ano. Como escrevi no artigo semanal do blog, em 2018 não haverá luta partidária, ideológica nem entre governo e oposição, mas salve-se quem puder e quem não puder que se dane. Chegamos ao vale-tudo total. A solução vai ser mudar pra lua para evitar o nojo total.

(Comentário no Jornal da Eldorado da Rádio Eldorado- FM 107,3 – na terça-feira 5 de dezembro de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 5 de dezembro de 2017 – Terça-feira

Em reunião domingo com o presidente Michel Temer, presidentes de partidos propuseram um “pacto” para aprovar a reforma da Previdência envolvendo a distribuição do fundo eleitoral e a janela para mudança de partido sem risco de perda de mandato. Pelo visto, eles perderam a vergonha de vez, não foi?

A ideia é que dirigentes repassem mais recursos do fundo para parlamentares mais fiéis ao governo e que não aceitem em suas legendas deputados que votaram contra a reforma. A sugestão foi apresentada pelo presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. Na reunião, que aconteceu no Palácio do Jaburu, ele disse que vai dividir o fundo eleitoral de forma proporcional conforme o posicionamento dos parlamentares em três votações importantes: a da reforma trabalhista, a das duas denúncias contra Temer na Câmara e a reforma da Previdência. Aqueles que votarem de forma mais governista receberiam mais recursos do fundo eleitoral.

Presidente licenciado do PSD, o ministro Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) ponderou, no entanto, que essa divisão poderia levar deputados a migrarem para outras legendas durante a janela para livre troca de siglas, prevista para março de 2018.

Jefferson, então, fez a segunda sugestão: de que os dirigentes se comprometessem a só aceitar nesse troca-troca partidário parlamentares que tenham votado a favor da reforma. A ideia, no entanto, enfrenta resistência de alguns partidos. Um dos resistentes é o DEM, que planeja aumentar sua bancada na Câmara em pelo menos nove deputados, a maioria vinda do PSB. “Essa foi uma ideia do Roberto. O DEM não garantiu nada”, disse o líder do partido, deputado Efraim Filho (PB). “Disse que toparia só se todos se comprometessem e que com aqueles que já fechei a ida ao partido isso não valeria”, afirmou o ministro Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços), presidente licenciado do PRB.

Você tem razão. Eles perderam a razão de vez. A simples participação de Roberto Jefferson, o delator do mensalão do PT, condenado por isso pelo STF, já é um acinte. A sugestão dá bem uma idéia de como vai ser este ano. Como escrevi no artigo semanal do blog, em 2018 não haverá luta partidária, ideológica nem entre governo e oposição, mas salve-se quem puder e quem não puder que se dane. Chegamos ao vale-tudo total. A solução vai ser mudar pra lua para evitar o nojo total.

A procuradora-geral da República Raquel Dodge denunciou o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa pelo bunker dos R$ 51 milhões.

As informações foram obtidas pela TV Globo e confirmadas por Breno Pires e Luiz Vassallo, do Estadão.

Apesar de a peça não acusar os peemedebistas de corrupção, a chefe do Ministério Público Federal põe propinas da Odebrecht, esquemas de devolução de salários dos servidores da Câmara, pagamentos do doleiro Lúcio Funaro e desvios relacionados ao ‘Quadrilhão do PMDB’ na Câmara como possíveis origens para as caixas e malas de dinheiro encontradas pela Polícia Federal no apartamento em Salvador.

Ou seja, a lama volta a rondar o Jaburu. Por mais que Temer e seus marqueteiros e bajuladores tentem disfarçar, Geddel e Lúcio sempre foram elementos de sua maior confiança, seja na época da co-gestão com o PT de Lula e Dilma, seja no governo provisório do ex-presidente nacional do PMDB. A notícia é boa, porque mostra que Raquel Dodge não está disposta a queimar sua gestão e sua carreira para garantir fidelidade a Temer e a Gilmar Mendes. Não devemos nos esquecer de que Geddel faz parte daquele quadrilhão do PMDB denunciado três vezes pelo antecessor dela na PGR, Rodrigo Janot. Da cúpula desse grupo criminoso, de acordo com o ex-procurador, fazem parte também Eduardo Cunha e Henriquinho, que estão presos, Rocha Loures, o homem da mochila na Pizzaria Camelo, que está em prisão domiciliar à falta de tornozeleira para usar e Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha no palácio com plenos poderes na República. O avanço do processo contra os irmãos Vieira Lima fragiliza a posição de Lúcio na base de apoio de Temer na Câmara e, sobretudo, expõe o mano Geddel a sua fragilidade psíquica, tornando-o um candidato à delação premiada.

SONORA BEBÊ CHORÃO

Resta ver até quando ele suportará não fazer a própria delação premiada juntando-se ao contador Lúcio Funaro, que era o contador do grupo, segundo as acusações de Janot.

A mesma procuradora-geral da República, Raquel Dodge, surpreende a todos quando enfrentou frontalmente seu padrinho no STF Gilmar Mendes, contestando seu habeas corpus triplo a Jacob Barata e discordando do presidente do TSE quanto à eventual prisão de condenados em segunda instância. Será que ela vai perseverar nesse caminho?

De fato, foi surpreendente a posição de Raqual Dodge, que pediu vista sobre o pedido de seu antecessor de impedimento de Gilmar Mendes nos casos relativos a Jacob Barata, o “rei do ônibus” do Rio, de cuja filha Gilmar e Guiomar foram padrinhos de um casamento de arromba. Ela agora manifestou-se publicamente concordando com a posição de seus subordinados da Lava Jato do Rio de Janeiro de que Gilmar meteu-se no que não devia, pois o relator da Operação Cadeia Velha, um dos motivos do novo pedido de prisão dos empresários dos ônibus cariocas, é Dias Toffoli. Dodge recorreu, como a Lava Jato queria, contra a decisão tripla de soltar Jacob Barata. Quem sabe da relação umbilical entre mestre Gilmar e o discípulo Toffoli não espera grande diferença na decisão do futuro presidente do TSE. Mas ainda assim a surpreendente manifestação de Dodge merece respeito, aplauso, e atenção. Aliás, em mais uma manifestação extemporânea e pesporrenta, o padrinho dela investiu mais uma vez contra a possibilidade de ser cumprida a decisão do STF de que um juiz pode decretar a prisão de um condenado em segunda instância, antes que ela não transite em julgado, ou seja, cumpra toda a via crúcis dos inúmeros apelos a tribunais superiores. Num dos inúmeros seminários de que participa em vez de estar trabalhando como diz que trabalha no STF, Gilmar criticou a prisão provisória “eterna” da Lava Jato. E à imprensa sua pupila Dodge disse que o MPF vai continuar usando instrumentos como delação premiada, leniência, forças-tarefa, execução de pena após a segunda instância e a Lei da Ficha Limpa. Bem-vinda ao clube dos indignados.

Ela também prometeu ontem que o Ministério Público Federal vai redobrar os esforços no combate à corrupção. Foi uma tentativa de deixar claro de que não vai transigir por gratidão?

Pois é, seu Haisem, em discurso ontem, a procuradora Raquel Dodge afirmou que tem ouvido preocupações sobre o combate à corrupção na gestão dela, mas reiterou que seu compromisso com o combate à corrupção é absoluto:

SONORA_DODGE

A firmeza de suas palavras contradiz seu tom suave, feminino, quase infantil. Tomara que se confirme com atos como este recurso contra o habeas corpus de Gilmar aos reis do ônibus no Rio.

Enquanto isso, o desembargador João Pedro Gebran Neto concluiu seu voto no recurso apresentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) após a condenação no caso do triplex do Guarujá (SP). Isso implica o quê?

O trâmite no tribunal da apelação ajuizada pela defesa do petista indica que o julgamento na segunda instância deverá ocorrer antes do início da campanha presidencial, possivelmente ainda no primeiro semestre de 2018.

Pré-candidato ao Planalto, Lula lidera as pesquisas de intenção de voto. Ele foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro – titular da Operação Lava Jato na primeira instância, em Curitiba – a 9 anos e 6 meses por corrupção e lavagem de dinheiro. Caso o TRF-4 confirme a condenação, o líder petista poderá ficar inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

Gebran, que é o relator da apelação, levou cem dias para concluir o seu parecer – um período menor do que a média dos seus votos na Lava Jato, de 275,9 dias. O seu parecer, que está sob sigilo, foi encaminhado na noite da sexta-feira passada para análise do desembargador Leandro Paulsen, que é o presidente da 8.ª Turma do TRF-4 e o revisor do processo. Cabe a ele pautar a data do julgamento.

Levantamento feito pelo Estado nas 23 apelações relacionadas à Lava Jato já julgadas pelo tribunal mostra que, em média, o envio para o revisor e o início do julgamento na 8.ª Turma ocorrem em um período de 73 dias. O andamento do recurso do ex-presidente deverá ser afetado pelos recessos de fim de ano e o carnaval.

O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente, disse que vai solicitar que o TRF-4 informe o motivo pelo qual o recurso de Lula “está tramitando nessa velocidade, fora do prazo médio observado em outros casos”. “Vamos pedir ao tribunal informações sobre a ordem cronológica dos recursos em tramitação”, afirmou em nota.

A defesa de Lula não perde uma chance de enfrentar os fatos, a lógica e o sentimento de justiça da sociedade brasileira. Todos no Brasil reclamam da lerdeza da Justiça. O advogado exige lerdeza para o tratamento de seu cliente, que, aliás, em Vitória, Espírito Santo, ontem, citou a frase de Zagalo na conquista da Copa das Confederações na África do Sul com seu famoso “vocês vão ter que me engolir”.

Há quase um ano no cargo e hoje considerado carta fora do baralho da próxima eleição presidencial, o prefeito João Doria (PSDB) viu sua reprovação crescer e atingir o mesmo nível de seu antecessor, o petista Fernando Haddad. Isso o surpreende?

O desempenho de Doria na eleição me surpreendeu muito. Mas está cada vez mais evidente de que seu grande feito foi mesmo enfrentar e derrotar os caciques tucanos na prévia do partido, na qual Fernando Henrique, Alberto Goldmann , Serra e Aloysio Nunes apoiaram Andrea Matarazzo. Na eleição, ele foi mesmo beneficiado pela péssima imagem do desempenho desastroso de seu antecessor petista, Fernando Haddad. Na administração, contudo, Doria decepciona a cidade, pois dedicou-se demais a uma aventura eleitoral para presidente, com o olho maior do que a mão. Deu-se mal, como antes já se tinha dado Serra, que, de tanto não cumprir mandatos para disputar o próximo, terminou se queimando em eleições para o Executivo.

Agora, segundo pesquisa Datafolha realizada de terça (28) a quinta (30) da semana passada, 39% dos moradores de São Paulo consideram a gestão tucana ruim ou péssima –exatamente o mesmo índice de desaprovação de Haddad ao final de seu primeiro ano no comando da cidade, em 2013.

Doria ainda tem 29% de ótimo ou bom e 31% que apontam a gestão como regular. Só 1% não soube responder.

Enquanto a população quer mudar pra lua, Doria devia mudar para São Paulo antes que supere o antecessor em filme queimado.

SONORA Eu vou pra lá Ary Lobo

https://www.youtube.com/watch?v=iS1hUy1FUc4

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