Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Jornalismo

Nêumanne entrevista Márcia Lígia Guidin

Nêumanne entrevista Márcia Lígia Guidin

Educadora prefere instrução suprapartidária

a PT e escola sem partido

Márcia Lígia, da Editora Miró, critica demagogia do ProUni de Lula e “colmeias” do colegial unificado dos militares e simpatiza com um ministério só para educação e cultura

“Educadores sérios queremos uma escolha sem o partido da esquerda nem o da direita. Queremos uma escola suprapartidária”, diz a doutora em Literatura pela USP e dona da pequena editora Miró Márcia Lígia Guidin. Ela discorda frontalmente da exaltação dos programas demagógicos pelo candidato petista derrotado à Presidência em outubro, Fernando Haddad, afirmando que  “o ProUni formou  apenas  alguns despreparados  profissionais, que pouco contribuirão para o crescimento dos índices educacionais. Qualquer coisa servia, desde que  se criassem índices de crescimento, que, claro, são desmentidos todos pela divulgação dos resultados acachapantes de avaliações internacionais sobre nós”. E, ao mesmo tempo, diz-se preocupada com a escolha do filósofo colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodríguez pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, “porque é  um intelectual extremamente conservador, o que significa radicalismo, e traz  como  ostensiva bandeira  a adesão à ideia da horrenda Escola  sem Partido (ou seja, da escola sem a  “doutrinação” do que chamam de ‘esquerda’). A  luta para aprová-la no Congresso está cada vez mais forte. Um educador verdadeiramente sério não pode concordar com tal proposta.”

Márcia Lígia diz: "Vamos ver como fica o que mais me assusta e mobiliza, como cidadã e docente: a combalida educação deste país." Foto: Acervo pessoal

Márcia Lígia diz: “Vamos ver como fica o que mais me assusta e mobiliza, como cidadã e docente: a combalida educação deste país.” Foto: Acervo pessoal

Márcia Lígia Guidin nasceu em São Paulo, no bairro do Tatuapé, em 1950.  Naquela época a região era reduto de espanhóis e italianos, exatamente essa a sua origem, acrescida aí da veia  germânica de sua mãe. Estudou sempre em escola pública do Estado, da alfabetização ao fim do ensino médio, e na USP, da graduação  ao  mestrado e doutorado. Por isso dedicou sua vida docente a tentar restituir à sociedade tudo o que sua formação acadêmica  lhe trouxe. Cursou Letras Vernáculas e Germânicas  na graduação, na Faculdade de Filosofia e Ciências  Humanas. Seu mestrado e doutorado abordaram respectivamente análises críticas  de obras de Clarice Lispector e Machado de Assis. Deu aulas da Unip e na ECA-USP. Em andamento há um  estudo de pós-doutorado que analisa  o ensino de literatura nos livros didáticos. O ingresso de Márcia no mundo editorial começou nos anos 1980, como leitora crítica de editora Ática. Tornou-se organizadora de coleções de livros paradidáticos e universitários. Há anos concilia sua vida de professora universitária aposentada com atendimento e aconselhamento a escritores, inéditos ou não. Ministra palestras e cursos de pós-graduação, além de escrever crítica literária regular para o jornal Rascunho. Sua pequena editora, Miró Editorial, edita obras universitárias para adoção em salas de aula. Pertenceu ao Conselho Curador do Prêmio Jabuti por 12 anos.

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No Blog do Nêumanne: De quatro em quatro o STF enche a pança

No Blog do Nêumanne: De quatro em quatro o STF enche a pança

Ao chantagear Temer, deputados e senadores para ter reajuste, STF disse que não é aumentado há quatro anos e omitiu que seus gastos com pessoal quadruplicaram em 20 anos

Tentando justificar o injustificável reajuste de seus subsídios de R$ 33 mil para R$ 39 mil, o Supremo Tribunal Federal (STF) usou como pretexto o fato de seus membros não terem recebido aumento algum nos últimos quatro anos. Nenhuma evidência demoveu seus membros da premência de suas necessidades básicas, que teriam deixado de ser atendidas pela defasagem denunciada. Os vencimentos reajustados agravam a situação precária das contas públicas, que já assombram o distinto pagante com o fantasma de uma despesa em cascata de, no mínimo, R$ 4 bilhões até, no máximo, R$ 6 bilhões. Nem a obviedade de que a proximidade de inadimplência na Previdência e em outros setores do Estado, que pode levar à incapacidade de honrar os compromissos cada vez mais gravosos do Tesouro Nacional, nos enche de pavor neste momento em que 12 milhões de brasileiros estão desempregados. Nem a constatação de que quem tem o privilégio de um emprego seguro na economia real não sabe o que é um aumento desde o início da crise, em 2014.

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Nêumanne entrevista José Mario Pereira

Nêumanne entrevista José Mario Pereira

Editor aposta em democracia mais forte

após crise sem precedentes

Zé Mario, da Topbooks, que lançou sucesso de Roberto Campos, diz que só o tempo dirá se Bolsonaro vai tornar País melhor fazendo o que o eleitor exigiu nas urnas

“Se examinarmos a História  do Brasil no século 20, encontraremos inúmeros momentos de crise ética, política e econômica, e analistas ora  pessimistas, ora esperançosos quanto ao futuro. Nos últimos anos o País deparou com uma crise ética e moral sem precedentes, cujas consequências ainda não podemos avaliar em toda a sua dimensão porque continuamos a ser surpreendidos, quase diariamente, por revelações escabrosas. Mas penso que a democracia brasileira sairá fortalecida desse processo e que os intelectuais e artistas podem desempenhar papel relevante como formuladores de ideias e alternativas para a crise que atravessamos.” É isso que pensa José Mario Pereira, entrevistado do Blog do Nêumanne nesta semana. Dono da Topbooks, cujo terceiro lançamento foi seu maior sucesso de público e crítica, A Lanterna na Popa, livro de memórias de Roberto Campos, que volta à moda com a escolha da equipe econômica do presidente eleito, Jair Bolsonaro, a cargo de Paulo Guedes, ousa agora fazer um aposta arriscada. O último título lançado por sua editora é A Alma do Tempo, da lavra de um dos políticos mais importantes da História de nossa República, o mineiro Afonso Arinos de Melo Franco, com 1.780 páginas. E o faz neste momento complicado do mercado editorial, agravado pelo pedido de recuperação judicial de duas grandes redes livreiras, a Cultura e a Saraiva, com dívidas milionárias, e em meio à crise ética, econômica, financeira e política em que o País está imerso. Mas nada disso o abala. “Temos excelentes livrarias, algumas maiores, outras menores, com ótima clientela e bem administradas. Talvez seja o caso de incentivar a criação de livrarias de bairro, pequenas, mas com bom estoque, com livreiros que  conheçam e gostem de livro. Frequento muito os sebos, alguns vendem livros novos também, e seus donos não reclamam de crise. As pessoas estão lendo mais, e vão aonde há novidades e preços razoáveis”, disse, justificando sua iniciativa.

 Zé Mario acha que, se Roberto Marinho estivesse vivo, teria evitado atritos entre profissionais da Globo e candidatos no último pleito. Foto: Acervo pessoal

Zé Mario acha que, se Roberto Marinho estivesse vivo, teria evitado atritos entre profissionais da Globo e candidatos no último pleito. Foto: Acervo pessoal

Natural de Quixadá, Ceará, José Mario Pereira fundou a Topbooks em abril de 1990. Publicou, entre vários nomes importantes, Franklin de Oliveira, Otto Maria Carpeaux, José Paulo Paes, Luiz Costa Lima, Evaldo Cabral de Mello, Mary Del Priore,  Maria José de Queiroz, Roberto Campos, Afonso Arinos de Melo Franco, Olavo de Carvalho, Bruno Tolentino, Wilson Martins, Miguel Reale, Roberto Marinho, Nélida Piñon, Lêdo Ivo, Ivan Junqueira, Delfim Netto e José Neumanne Pinto. Também devolveu às estantes do País a obra de Manuel Bomfim e títulos há muito esgotados de Joaquim Nabuco, José Veríssimo, Oliveira Lima e Gilberto Freyre. No plano internacional, lançou livros fundamentais, como  a Areopagítica, de John Milton, os Panfletos Satíricos, de Swift, a Lírica, de Dante, Jerusalém Libertada, de Torquato Tasso, as Memórias de George Kennan, os Ensaios de David Hume e a obra completa de Rimbaud, traduzida por Ivo Barroso. O grande sucesso da Topbooks, que a tornou nacionalmente conhecida, é sem dúvida Lanterna na Popa, livro de memórias de Roberto Campos, lançado em setembro de 1994. O volume de 1.417 páginas rapidamente virou best-seller e alcançou a marca de 100 mil exemplares vendidos. Em 2002, Zé Mario – como é conhecido – foi convidado pelo Liberty Fund, de Indianápolis,nos Estados Unidos, para editar as traduções de dez livros do catálogo dessa prestigiosa fundação americana. Os primeiros títulos da coleção Liberty Classics começaram a chegar ao mercado brasileiro em novembro de 2003; um segundo programa, de mais dez títulos, foi aprovado em 2005, e já são 19 os livros editados. Como autor, Zé Mario escreveu José Olympio – O Editor e sua Casa, duplamente premiado: ganhou o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, e o Senador José Ermírio de Moraes, dado pela Votorantim, em parceria com a Academia Brasileira de Letras. Dono de imensa biblioteca, o editor da Topbooks é colaborador freqüente de jornais e revistas literárias.

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No Estadão desta quarta-feira: Era tudo mentira

No Estadão desta quarta-feira: Era tudo  mentira

Lula, Dilma, Dirceu, “são” Gushiken e Palocci

chefiaram furto dos fundos de pensão

As informações na reportagem Palocci acusa Lula de interferir em fundos de pensão, de Ricardo Brandt, publicada na página A10 do Estado de domingo passado, são fundamentais para que se conheça em toda a extensão a que ponto chegou o planejamento do Partido dos Trabalhadores (PT) para executar a maior rapina dos cofres públicos da nossa História.

Nela o repórter reproduziu o depoimento completo, lógico, bem encadeado e muito verossímil dado em delação premiada pelo ex-ministro da Fazenda da primeira gestão petista na Presidência da República e ex-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff à Polícia Federal (PF) em Curitiba, onde cumpre pena, da qual pede redução. Não chega mais a espantar ninguém, pois as notícias de jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão já contaram em detalhes como os desgovernos da República entre 2002 e 2016 saquearam com volúpia, método, determinação e cinismo todos os cofres disponíveis do erário. Mas esclarece como foi possível realizar essa empreitada hercúlea e ambiciosa.

Segundo o relato, o ensaio geral do acabamento da ficção de terror e mistificação política e econômica começou com a criação, em dezembro de 2010, da empresa Sete Brasil, com o objetivo de contratar a construção dos navios-sonda de estaleiros. No depoimento ficou claro que o pretexto do investimento de dinheiro público na tal firma, segundo o qual serviria para garantir o apoio à indústria nacional e defender a autonomia do País, libertando-o da dependência de fornecedores estrangeiros, não passava de balela. Conforme Palocci, o que se queria desse dinheiro não era empregá-lo num objetivo teoricamente nacionalista e patriótico, mas apenas abastecer as campanhas políticas do PT com recursos desviados de contratos firmados entre a Petrobrás, estatal inteiramente aparelhada pela “companheirada”, e empreiteiras dispostas a se associarem no negócio sujo. O esquema foi treinado com diligência, como um curso prático a ser aplicado no Estado inteiro.

Os fundos de pensão – instrumento de poupança usado no sistema capitalista para substituir com mais eficiência e sustentabilidade os métodos da previdência social, que garante a sobrevivência de executivos e trabalhadores quando se aposentam – serviram como uma luva a interesses ladinos de larápios petistas. Afinal, eles lidam com quantias bilionárias e são geridos num sistema partilhado por representantes do poder público, dos sindicatos e dos funcionários a serem beneficiados com seu usufruto. Com a parceria de sindicatos dominantes nas estatais, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e militantes estrategicamente distribuídos em tais empresas, o PT tinha a faca e o queijo na mão.

“Segundo Palocci, Lula e Dilma teriam determinado indevidamente a cinco ex-dirigentes dos fundos de pensão do Banco do Brasil (Previ), da Caixa Econômica Federal (Funcef) e da Petrobrás (Petros), indicados aos cargos pelo PT, que capitalizassem o ‘projeto sondas’. A operação financeira, que resultou na criação da Sete Brasil, em 2010, buscava viabilizar a construção no Brasil dos navios-sonda – embarcações que perfuram os poços de petróleo – para a Petrobrás explorar o pré-sal. A estatal anunciara em 2008 que precisaria de 40 equipamentos – no mundo, existiam menos de 100. ‘Dentro desse investimento, tinha todo ilícito possível’, afirmou o ex-ministro, em depoimento à PF”, de acordo com Brandt. Os dirigentes citados são Sérgio Rosa e Ricardo Flores, da Previ, Guilherme Lacerda, do Funcef, e Wagner Pinheiro e Luís Carlos Afonso, da Petros.

Isso tudo é pra lá de repugnante. Afinal, o furto dilapidava a poupança de trabalhadores, cujo nome o PT usa. E a corrupção descarada só não arruinou os fundos de pensão citados porque dinheiro limpo dos contribuintes e dos próprios beneficiários os estão salvando. E a bancarrota do Postalis mostra que não são únicos.

Palocci revelou aos investigadores que “o PT ocupou os comandos da Previ, Funcef e Petros desde o início do governo Lula, em 2003. O ex-ministro das Comunicações Luiz Gushiken (que morreu em 2013) era o principal responsável pela área. Palocci diz que foi padrinho político de Sérgio Rosa e Wagner Pinheiro e que o ex-ministro José Dirceu indicou Guilherme Lacerda – todos com aval de Gushiken”.

José Dirceu, condenado solto por benemerência do trio “Solta o Chapa” do STF – Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli –, pode argumentar que o antigo rival no comando do primeiro desgoverno Lula não tem como comprovar as acusações. Mas Brandt já avisou que Palocci deu o roteiro para a PF encontrar as tais provas. E a simples menção a Dirceu na narrativa já deveria bastar para o plenário do STF revogar a decisão que o liberou até do uso de tornozeleiras eletrônicas.

O ex-presidente do STF Ricardo Lewandowski tem mais ainda a explicar depois desse relato dos prolegômenos da rapina. Gushiken, ex-dirigente sindical bancário em São Paulo e responsável pelos fundos no latifúndio do PT, foi absolvido post mortem com pompa e misericórdia no julgamento da AP 470, vulgo mensalão, no STF. O revisor do processo, Lewandowski, fez um elogio fúnebre hagiográfico sobre o ora citado por Palocci, como se, mais que monge budista, que ele fingia ser, fosse um santo.

É útil lembrar que em 2009 a revista Piauí publicou Sérgio Rosa e o mundo dos fundos, de Consuelo Dieguez. Lá está escrito: “Bolchevique de cabo a rabo na juventude, o presidente da Previ administra um caixa de 121 bilhões de reais e, segundo o sociólogo Francisco de Oliveira, é representante de uma nova classe”. Nos fundos de pensão foi usado o método descrito por Lenin no artigo Todo o poder aos sovietes, no Pravda, em 18 de julho de 1917.

É hora de cobrar a conta: investigar os beneficiados pelo PT com dinheiro dos fundos de pensão e fazer acareação de Palocci com seus dirigentes.

*José Nêumanne

Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Página A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira. 28 de novembro de 2018)

Para ler no Portal do Estadão clique aqui.

Nêumanne entrevista Evandro Affonso Ferreira

Nêumanne entrevista Evandro Affonso Ferreira

Palavra é tapete mágico

em que Evandro atravessa

abismo do indizível

Autor de Grogotó!, colecionador de prêmios literários, resume ofício em seu estilo minimalista e irreverente: tudo o que é ruim pra vida é bom pra literatura

Quando este entrevistador se referiu à “esquerda Rouanet” e aos efeitos na cultura pátria da lei que leva o nome de seu autor, o ficcionista Evandro Affonso Ferreira, protagonista da série Nêumanne Entrevista desta semana neste blog, não se fez de rogado e respondeu da forma como está acostumado a escrever. Antecipe aqui a leitura da resposta na reprodução ipsis litteris logo abaixo: “Rouanet… Em que esquina, rua, em que time joga esse senhor? Não conheço. Minha empreitada é escrever…. Escrevo possivelmente para driblar a inquietude; para, quem sabe, não deixar a esperança se desvanecer de vez. Hipóteses. Sei que juntos, palavras e eu, frustramos o inacessível, o acaso; decodificamos o insondável, desbastamos limites linguísticos. Sei que ela, a palavra, é meu tapete mágico sobre o qual atravesso abismo do indizível.”

Quando o entrevistador falou da esquerda Rouanet, Evandro perguntou: "em que time joga esse senhor?" Foto: Ninil/Acervo pessoal

Quando o entrevistador falou da esquerda Rouanet, Evandro perguntou: “em que time joga esse senhor?” Foto: Ninil/Acervo pessoal

Evandro Affonso Ferreira é autor de vários romances, entre eles, Minha Mãe se Matou semDizer Adeus (Record), Prêmio APCA de Melhor Romance do Ano; O Mendigo que Sabia de Cor osAdágios de Erasmo de Rotterdam (Record), Prêmio Jabuti de Melhor Romance do Ano; Não TiveNenhum Prazer em Conhecê-los (Record), Prêmio Bravo de Melhor Romance do Ano; e NuncaHouve Tanto Fim como Agora (Record), Prêmio APCA de Melhor Romance do Ano. Foi dono dos sebos Sagarana e Avalovara, em São Paulo, e como gerente da livraria Boa Vista recebia aos sábados visitas de Mário Chamie, Zé Rodrix, Aquiles do MPB4, Humberto Mariotti e outros intelectuais que davam tudo por um dedo da prosa doce e amarga dele.

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O artigo do blog: Calma, que o Brasil é nosso

O artigo do blog: Calma, que o Brasil é nosso

É natural que vencidos nas eleições não fiquem felizes, mas é burrice agourar futuro governo, pois estamos todos no mesmo barco e ninguém será poupado no naufrágio

Comemorar a vitória do adversário não é usual na natureza humana. Vencedores festejam e derrotados tomam fel no velório. Mas aos Nostradamus de xepa de feira e Cassandras de ocasião convém receitar boas doses de Rivotril e baldes de suco de maracujá geladinho. Esta não terá sido a última eleição do século: o mais tardar daqui a dois anos serão disputados pleitos municipais, nos quais mais uma vez o humor popular será testado e nenhum eleitor será obrigado a contrariar seus interesses votando em quem não atender à vontade comum. Quem chora agora pode comemorar em outra ocasião, pois, todo mundo sabe, um dos maiores e mais ministrados tônicos da velha democracia é o rodízio do poder.

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