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Jornalismo

Nêumanne entrevista Astier Basílio – 2019 (9ª)

Nêumanne entrevista Astier Basílio – 2019 (9ª)

Esquerda armada não lutou

por democracia

nem venerou Goulart, diz poeta

No relato da guerrilha comunista Astier constatou que presidente deposto em 1964 só foi procurado no exílio por seu adversário, o direitista Lacerda

O poeta, crítico, jornalista, dramaturgo e professor paraibano Astier Basílio, que tem pesquisado e escrito, inclusive no blog O Estado da Arte, no portal do Estado, reuniu argumentos e documentos para desfazer dois mitos da “resistência” da esquerda na cena política brasileira: a de que teria pegado em armas para defender a democracia contra a ditadura militar e a de que o ex-presidente João Goulart, homenageado por Fernando Haddad com o nome do Minhocão, substituindo o de outro ex-presidente, o marechal Costa e Silva, tivesse sido herói e exemplo para seus militantes. “Se a esquerda armada lutava pela democracia, então, obrigatoriamente, tinha de ter sido a favor de Goulart. Os fios para enjambrar a tessitura dessa mentira demandaram alguns remendos”, disse ele, que atualmente estuda na capital da Carélia, no norte da Rússia. E na série Nêumanne Entrevista deste blog, nesta semana, ele completou: “Talvez seja por essa razão que nos últimos anos, sobretudo após a chegada da ex-guerrilheira Dilma Rousseff ao poder, houve uma espécie de reescritura do passado, no qual o presidente deposto foi elevado à categoria de herói da esquerda. O curioso é que não houve uma voz que se levantasse a pedir sua volta quando foi apeado do poder. Nenhuma placa com os dizeres ‘volta Jango’ se ergueu nas passeatas contra a ditadura. Nas listas dos presos políticos trocados em sequestros, João Goulart não figurou nem simbolicamente. E, ironia das ironias, talvez o único grande gesto de consideração, depois do golpe de Estado que o depôs, foi-lhe acenado pela  direita, em 1966.  Quem o visitou no exílio não foi nenhum líder guerrilheiro, nenhum prócer da esquerda, mas ninguém menos que Carlos Lacerda. O ex-governador carioca viajou ao Uruguai para articular a Frente Ampla, que restauraria as eleições”.Astier Basílio é poeta, dramaturgo e jornalista.

Astier sobre o sucesso de Putin: "O caráter viril, forte, é exaltado como uma virtude imprescindível a um líder que conduza a Rússia. E ele sabe muito bem isso" Foto: Augusto Pessoa

Astier sobre o sucesso de Putin: “O caráter viril, forte, é exaltado como uma virtude imprescindível a um líder que conduza a Rússia. E ele sabe muito bem isso” Foto: Augusto Pessoa

Autor de 14 livros, entre os quais Funerais da Fala (Prêmio Novos Autores Paraibanos, 2000) e Finais em Extinção (Prêmio Nacional Correio das Artes, 2010). É citado em Uma História da Poesia Brasileira (Ermakof, 2004), de autoria do escritor Alexei Bueno.  Em 2014 venceu o prêmio nacional de dramaturgia da Funarte, com a peça Maquinista, levada aos palcos pelo grupo cearense Pavilhão da Magnólia. Seu último trabalho foi um musical em cordel, Marco do Rei do Ritmo, em homenagem a Jackson do Pandeiro, a ser lançado, pela editora Mondrongo, da Bahia, em junho. Em 2017, seu romance Supermercado Brasil Novo foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura. Com atuação nos cadernos de política e cultura, trabalhou como repórter, subeditor, crítico de teatro e literatura nos jornais Correio da Paraíba e Jornal da Paraíba e foi editor do suplemento Correio das Artes. É colaborador da revista Continente Multicultural, do Recife, e do blog Estado da Arte, do jornal O Estado de S. Paulo. Atuou como professor e coordenador do clube de conversação do Centro de Cultura Brasileira em Moscou. É bolsista do governo russo, estuda atualmente na faculdade preparatória, na Universidade Federal de Petrozavodsk, na República da Carélia. Mês que vem iniciará o canal no YouTube Direto da Rússia, no qual fará pequenas reportagens com o celular, além de comentar os mais importantes episódios e acontecimentos na área da cultura, da política e cotidiano em geral, da Rússia.

Nêumanne entrevista Astier Basílio

Astier diante da casa em que viveu Dostoievski, gênio da literatura russa, que venera desde as leituras de juventude na Paraíba. Foto: Acervo pessoal

Astier diante da casa em que viveu Dostoievski, gênio da literatura russa, que venera desde as leituras de juventude na Paraíba. Foto: Acervo pessoal

Nêumanne – O que o fez sair da Paraíba, perder o contato com os poetas populares que povoaram sua vida desde a infância e mudar-se para a distante e fria Rússia, com uma língua estranha e costumes totalmente diferentes?

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No Blog do Nêumanne: Ignorância e despudor

No Blog do Nêumanne: Ignorância e despudor

Tuítes de domingos de Bolsonaro (Jair ou Carlos?), reproduzindo vídeo nojento do carnaval num e notícia falsa do site Terça Livre noutro denotam, no mínimo, desconhecimento e falta de compostura

Uma simples calculadora, um instante de lucidez e alguns segundos de humildade cristã nos dedos de digitar dos Bolsonaros – o presidente da República, Jair Messias, e seu “pitbull” de estimação, o zero-dois Carlos, vereador no Rio de Janeiro, poderiam ter poupado dissabores a inocentes e dores de cabeça a seus assessores. Ainda embriagados pela espetacular vitória nas eleições e pela crença de que o mundo se resume a 480 toques de um tuíte, além do engano de que o povo brasileiro é representado por seus seguidores nas redes sociais, o rebento autor e o condescendente progenitor pisaram na jaca, chutaram o balde e entornaram o caldo.

No domingo de carnaval, à noite, a conta de Twitter atribuída a Jair M. Bolsonaro compartilhou um vídeo infame no qual um homem manipulava o próprio orifício extremo de seu aparelho excretor, enquanto outro despejava explicitamente a urina de sua bexiga sobre a cabeça dele. O fetiche é conhecido como golden shower (chuveiro dourado). E Bolsonaro, seja o pai, seja o filho, completou a cena grotesca com um texto absolutamente incompreensível. Foi o seguinte: “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conslusões (sic)”. Cálculos feitos pela assessoria palaciana dão conta de que 69% das reações nas próprias redes sociais foram negativas.

Por falta de espaço para reproduzir o estupor com que vídeo e texto foram recebidos, selecionarei aqui, para gáudio do leitor, duas frases de artigo do ex-deputado federal Fernando Gabeira, que sempre fez questão de ressaltar a excelente relação que manteve na Câmara com o ex-colega. O título sintetiza o texto publicado no Globo de segunda-feira 11 de março de 2019 (página 2): O fim da picada. E é. Vamos às frases. “Opresidente usa a mesma tática da imprensa sensacionalista: isola um fato escabroso, mostra-o nos detalhes e tempera com uma lição de moral, para atenuar a culpa da curiosidade mórbida. Mas nem a imprensa sensacionalista mostraria o que Bolsonaro mostrou.” E “o Brasil é surpreendente, mas jamais pensei numa situação dessas: um presidente da República postar um vídeo pornográfico e perguntar por golden shower no tuíte seguinte”. O tuíte em que Bolsonaro (qual dos dois, afinal?) pergunta qual o sentido da expressão citada acima pode até ser sincero e autêntico, no estilo mais apreciado do chefe da Nação. Afinal, ele nunca se envergonhou de reconhecer que é monoglota (traduzindo: não fala inglês, porque só fala português). Apesar de ser notório admirador de americanos.

Uma semana depois do fuzuê provocado pela cena grotesca, que chocou muita gente, contudo, Bolsonaro (seja o pai, seja o filho) superou a tentativa de se mostrar pregador e cobrador de moral,compartilhando uma cena, mais do que imoral, grotesca, ao tentar provar que a “imprensa” quer ver sua caveira. O site Terça Livre atribuiu à repórter Constança Rezende e ao jornal O Estado de S. Paulo a declaração de que teria a “intenção” de “arruinar Flávio Bolsonaro” e o governo chefiado por seu pai, Jair.

A suposta declaração apareceu entre aspas no título do tuíte, mas não foi extraída de nenhuma das falas do áudio editado, recebido com euforia e fervor pelos bolsonaristas mais entusiastas, inclusive o pai e o filho. Às 20h51 Jair M. Bolsonaro compartilhou a mensagem cometendo o descuido de reproduzir em legendas o que a jornalista realmente fala. Quem tem noções mínimas da língua de William Shakespeare não deve perder tempo procurando a confissão, pois ela simplesmente, se existiu, não foi gravada. A publicação da legenda evitará alguma explicação apressada da equipe de panos quentes do Planalto, pois nem Carlos, o mago das redes sociais, conseguirá fazê-la ressuscitar dos ruídos que ocuparam a gravação. O máximo que encontrará serão frases como “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”, que o Conselheiro Acácio, personagem-símbolo do óbvio ululante de Eça de Queiroz, poderá até reivindicar como de sua lavra, mesmo não sendo, apesar do sobrenome comum, parente do sargento PM Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Este tenta justificar-se ao Ministério Público do Rio contando a história da multiplicação econômica dos cabos eleitorais no gabinete, mas da qual o chefinho nada sabia, coitado.

A origem dessa montagem mambembe é Allan Santos, editor do tal Terça Livre, que atraiu os devotos dos Bolsonaros com uma manchete sensacionalista: “Bomba!!!! Jornalista do Estadão confessa: ‘a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo’”. E sua fonte, um blog do “francês” Jawad Rhalib, que se apresenta como jornalista e poupa Allan Santos e os Bolsonaro da primeira acusação, que já não se apoiava em fatos e ganhou a descrição de “denúncia”. Segundo notícia publicada segunda-feira 11 na página 8 de sua edição de política, o Estado registrou: “Constança não deu entrevista ao jornalista francês nem dialogou com ele. Suas frases foram retiradas de uma conversa que ela teve em 23 de janeiro com uma pessoa que se apresentou como Alex MacAllister, suposto estudante interessado em fazer um estudo comparativo entre Donald Trump e Bolsonaro”.  Eis aí uma boa missão para Leonardo de Jesus, o Léo Índio, primo de Carlos e frequentador assíduo dos gabinetes do Palácio do Planalto, sem cargo, mas com um crachá amarelo que lhe permite atravessar portas indevassáveis aos mortais comuns. Os seguidores do Terça Livre e de Carlos e Jair M. Bolsonaro certamente fariam festa com entrevistas de Rhalib e, quem sabe, MacAllister. Por que deixar passar uma chance destas, hein?

Por enquanto, há a esclarecer que a primeira reportagem sobre o caso Fabrício Queiroz não foi escrita por Constança, mas pelo repórter Fábio Serapião, da Sucursal de Brasília. Se Allan Santos e seus sequazes se dessem ao trabalho de ouvir, ver ou ler algum de meus comentários, muitas vezes achincalhados por eles, poderiam ter evitado esse erro crasso. Afinal, chegaram ao preciosismo de encontrar origens genealógicas para a “missão” da moça: ela é filha de Chico Otávio, veterano e brilhante repórter do Globo, não por acaso certamente, autor de um primoroso levantamento sobre milicianos do Rio, a que o ex-deputado Flávio dedicou pronunciamentos, medalhas e empregos para seus parentes, conforme está registrado no acervo do jornal carioca, à disposição de Rhalib e Santos.

Tudo isso pertence a um mundo particular das redes sociais, às quais os Bolsonaros atribuem a vitória eleitoral de outubro. Uma simples calculadora de caixa de padaria desmente esse mito. Jair M. Bolsonaro tem 3,6 milhões e seu filho Carlos, 973 mil seguidores no Twitter. O público do presidente no Facebook é de 9.357.973. São números impressionantes, mas cabe argumentar que no primeiro turno o número 17 na urna eletrônica obteve 49.269.990 votos: 30.119.023 mais do que a turma que o acompanha no Facebook. E ainda convém lembrar que Bolsonaro foi eleito no segundo turno com 57.796.986: 54 milhões a mais do que os seguidores no Twitter. Ou seja: o “povo” a que o chefe do governo se explica nas redes sociais, é menor do que o contingente de mais de 12 milhões de desempregados que ele se comprometeu a socorrer com a retomada da economia e continuam a viver nas calçadas, num espetáculo dantesco de miséria que ainda é encenado no Brasil. Essa parte a calculadora de padaria resolveria.

O exército de vingadores do capitão perseguido pela mídia não dispõe de votos no Congresso para dar ao governo a vitória necessária para tapar o rombo da Previdência Social, construído com a ajuda do chefe, que era parlamentar do baixo clero, que por 27 anos pregou que o buraco não existia. E pior: como foi aqui demonstrado matematicamente, esses cruzados não são suficientes sozinhos para levá-lo ao segundo turno em 2022. Pois ele também foi eleito pelos desiludidos com a política, profissão abraçada por seus amados filhos, e, sobretudo, por quem não suportava mais a roubalheira do PT e da esquerda, em sociedade com MDB e PSDB. Repetir a desqualificação da imprensa, imitando Lula, é trair todo o povo brasileiro. Sem humildade para reconhecer isso nem lucidez para constatar a realidade das ruas, o capitão nem precisa fazer como o califa de Bagdá, Harum Al Rashid: vestir-se de cidadão comum e compartilhar o pão que o diabo amassou com os desempregados nas calçadas. Basta pensar um pouco. Pode, então, descobrir que a reflexão é sempre um ato de sabedoria.

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 11 de março de 2019)

José Nêumanne Pinto

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 11 de março de 2019)

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique aqui.

Nêumanne entrevista Malu Ribeiro – 2019 (8ª)

Nêumanne entrevista Malu Ribeiro – 2019 (8ª)

Brumadinho ficar impune é desrespeitar

as vítimas e o futuro, diz ambientalista

Malu Ribeiro, da SOS Mata Atlântica, compara o que viu que se tornou o rio Paraopeba contaminado por rejeitos minerais ao panorama de um campo após a batalha

“Foi como reviver o terrível pesadelo do rio Doce, num cenário de total destruição e dor, semelhante ao panorama de uma guerra, composto de destroços humanos e ambientais, onde a vida parece não ter valor algum. Ver um rio tingido de vermelho, cor de sangue, sem vida, em pleno período de piracema, quando a vida deveria estar em sua plenitude, é uma sensação de enorme impotência, que ressalta a nossa incapacidade perante a irresponsabilidade dos grandes degradadores, da impunidade e da falta de respeito pela vida.” Essa descrição precisa e pungente é usada pela jornalista e ambientalista Malu Ribeiro, que coordenou a equipe que percorreu o rio Paraopeba após o arrombamento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, para constatar que ele morreu. Na edição desta semana da série Nêumanne Entrevista, neste blog, ela fez outra observação para ser lida como se fosse uma oração: “As águas do rio fazem a conexão dos povos com o sagrado, com o valor imaterial desse bem, essencial à vida. O sagrado no Brasil está entrelaçado aos nossos rios, não é à toa que a imagem da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, foi encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul”. Amém!

Malu em ação colhe amostras do Rio Paraopeba para concluir que a parte já invadida pela lama do Córrego do Feijão morreu. Foto Giovana Girardi/Estadão

Malu em ação colhe amostras do Rio Paraopeba para concluir que a parte já invadida pela lama do Córrego do Feijão morreu. Foto Giovana Girardi/Estadão

Malu Ribeiro é jornalista, ambientalista, com especialização na área de recursos hídricos e políticas públicas.  Coordenadora da causa Água Limpa e assessora de advocacy e políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, coordena desde 2003 o projeto Observando os Rios,que monitora a qualidade da água em rios e bacias hidrográficas do bioma Mata Atlântica. Conselheira do Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo. Ela também érepresentante das organizações ambientalistas no Conselho Nacional de Recursos Hídricos e do Comitê Gestor do Observatório de Governança da Água.

Dez perguntas para Malu Ribeiro:

 

Nêumanne – O que levou a equipe de pesquisadores da Fundação SOS Mata Atlântica, que a senhora coordenou, a concluir que o Rio Paraopeba morreu?

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No Estadão desta quarta-feira: Bolsonaro é legítimo, mas não é monarca absoluto

No Estadão desta quarta-feira: Bolsonaro é legítimo, mas não é monarca absoluto

Meios de comunicação tradicionais

perderam o poder que tiveram,

mas não têm substitutos

Jair Messias Bolsonaro ganhou, sem dúvida nenhuma, a eleição presidencial em dois turnos em outubro do ano passado. Obteve 57,7 milhões de sufrágios, mais de 10 milhões a mais do que o adversário de esquerda, Lula, representado por seu boneco de ventríloquo, Fernando Haddad. E não é pouco. Entre a divulgação do resultado final e a posse os derrotados ainda tentaram descaracterizar a legitimidade de sua vitória, alegando que ele não conseguiu os sufrágios de mais da metade dos eleitores aptos, pois 89,4 milhões não o escolheram: 47 milhões preferiram o derrotado, 31,3 milhões abstiveram-se, 2,4 milhões ficaram em branco e 8,6 milhões anularam o voto. O argumento é estúpido sob qualquer ponto de vista, pois o slogan “ele não!” não é previsto no ordenamento constitucional de nossa democracia. O voto no Brasil nunca é negativo, mas sempre afirmativo.

No entanto, no momento em que não está com algum dos filhos, principalmente o zero dois, Carlos, o presidente constitucional e legítimo do Brasil precisa refletir um pouco sobre os números do primeiro parágrafo deste texto para adicionar a seu estilo de governar um mínimo de lógica aristotélica. Ninguém aqui quer tirar o mérito do triunfo de um candidato que desafiou todos os lugares-comuns de qualquer pleito eleitoral para qualquer cargo. Afinal, ele não participou de nenhum debate nos veículos de comunicação de massa, gastou uma quantia ínfima, se comparada com as fortunas dilapidadas pelos disputantes, e ainda foi esfaqueado brutal e covardemente num evento público, o que praticamente o impediu de fazer campanha. Todos os méritos ao vencedor!

Mas isso não o torna monarca absoluto para exercer o poder sob a mira da família onipresente e de militantes que se sentem seus donos. Os votos deles foram essenciais, mas não os únicos. Para sê-lo, a vitória teria ocorrido no primeiro turno. Já então tivera apoio de antipetistas inconformados com a eventual permanência da rapina da esquerda nas gestões anteriores, confirmando essa decisão na rodada final.

Ao dar ao economista Paulo Guedes, na Fazenda, e ao ex-juiz Sergio Moro, na Justiça, “carta branca” – que depois rasgaria ao interferir na negociação da reforma da Previdência e ao “desconvidar” Ilona Szabó da suplência de uma comissão sem poder –, o candidato tornou-se o ai-jesus do chamado “mercado” e de quem temia o desmanche do combate à corrupção. A trajetória do ex-parlamentar revela a guinada nas convicções do antigo crítico da necessidade de equilibrar as contas públicas reduzindo o rombo das despesas com inativos ao adotar o ideário liberal do auxiliar que chamou de “posto Ipiranga”. A desautorização do “indemissível” foi um ritornello a esse passado de fundamentalista devoto.

O presidente ainda tem três anos e dez meses para confirmar sua fidelidade aos acenos que fez ao liberalismo econômico e ao combate ao crime dentro das normas legais vigentes. Só que para tanto deveria cumprir sem tergiversar a promessa que fez no discurso de posse, e repetiu outras vezes, de seguir princípios fundamentais do Estado de Direito, que chefia: o de governar para todos, pois todos são iguais perante a lei – quem votou nele e quem não o escolheu na urna.

Há exemplos históricos de quem seguiu esses conceitos. Seu colega de armas Eurico Gaspar Dutra, ex-chefe militar na ditadura do Estado Novo, orgulhava-se de ter às mãos o “livrinho”, ao qual era tão leal quanto o era aos princípios de sua esposa, dona Santinha. Afinal, ele não interferiu no pacto do PSD, que o elegeu, com a UDN, que ele derrotou na eleição, na votação da Constituição mais liberal da História.

No governo seguinte, Getúlio Vargas, cuja ditadura do Estado Novo ruiu após entrevista do udenista José Américo de Almeida a Carlos Lacerda, do Correio da Manhã, nomeou o paraibano seu ministro de Viações e Obras Públicas, refazendo a aliança antiga de 20 anos na Revolução de 1930.

A “resistência” da esquerda, sob a égide do PT, não tem postura comparável à da UDN de 70 anos atrás e não se exige que o governo atual, escolhido sob a égide do abandono das práticas ilícitas da quadrilha que esvaziou os cofres da República e levou o País à maior crise econômica, política e moral da História, reedite a velha prática.

Mas partir do pressuposto de que as redes sociais devam governar para substituir o que seus usuários, muitos deles à sombra do anonimato e de avatares substituindo fotografias, chamam de mídia lixo com insultos impublicáveis, não encontra amparo na mesma Constituição que legitima o chefe da Nação. Lula, cercado de extremistas que, armados, foram derrotados na guerra suja contra o regime militar, tentou usar suas falanges para destruir os meios burgueses de comunicação e malogrou. Na Vila Euclides, no auge de seu poder sindical, fazia as massas de grevistas ecoarem “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. Hoje, 39 anos depois, ele está preso por corrupção, os sindicatos perderam a força e a emissora, com todos os seus defeitos, ainda é líder de audiência.

Desde aqueles anos 80, os veículos de imprensa e difusão pelo rádio ou pela televisão perderam muito do poder que tinham no fim do século 20, mas há algo que não pode ser deixado de lado no meio dessa crise. Talvez o presidente, notório admirador da democracia americana, devesse atentar para a observação judiciosa do historiador Timothy Snyder, professor de uma das mais respeitáveis instituições da cultura do Tio Sam, a Universidade Yale, em entrevista a Daniel Haiddar, publicada no Estado do domingo 3 de março (pág. A8).

Disse o autor de Road to Unfreedom (A Caminho da Negação da Liberdade): “Qualquer oportunidade que tenhamos de reverter tendências, como desigualdade, corrupção ou aquecimento global, depende do trabalho de seres humanos reais para descobrir coisas e escrever sobre o que eles investigaram. Não há substituto para o jornalismo. A internet não substitui isso”. É isso mesmo.

José Nêumanne Pinto – Jornalista, poeta e escritor

No Blog do Nêumanne: O bloco dos sujos

No Blog do Nêumanne: O bloco dos sujos

O leque aberto com Lava Jato e operações contra a corrupção pode revelar omissões premiadas, câmbio negro do silêncio de delatores e mercado persa de nomeações no Judiciário, que demandam Lava Toga e Lava Beca

A confissão do ex-governador do Estado do Rio Sérgio Cabral Filho está fazendo o Poder Judiciário, até agora intocado nas célebres operações de combate à corrupção (Lava Jato, Greenfield, Cadeia Velha e tantas outras, que ganharam fama e prestígio após muitos anos de impunidade garantida) perder o sono.

Nos últimos dois anos os meios de comunicação têm publicado que Cabral dispõe de uma lista de 97 nomes de juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores e membros do Ministério Público. O emedebista, que foi aliado in pectore dos petistas Lula da Silva e DilmaRousseff, mas apoiou Aécio Neves, do PSDB, na eleição de 2014, foi levado a concluir que terá de delatar, depois de ter adotado várias estratégias que não tiveram o condão de aliviar sua barra, como se diz na gíria carioca. Um empecilho previsível, contudo, impediu que ele sequer começasse a negociar com o Ministério Público Federal (MPF) ou, em última instância, como fez o ex-maioral petista Antônio Palocci, com a Polícia Federal (PF). Sem alternativa, numa evidente movimentação para obter redução de pena a partir de um acordo de delação premiada, ele promoveu uma ciranda, cirandinha de advogados pulando de banca em banca, malogrando sempre pela ineficácia dos métodos empregados: enfrentamento do juiz da causa, Marcelo Bretas, hoje quase tão famoso e respeitado no Brasil quanto o de Curitiba, atualmente ministro da Justiça, Sergio Moro, e negativa peremptória de afirmações de cúmplices que fazem delação premiada. Ao contrário do que ocorreu com alguns desses companheiros de condenação, caso do ex-chefe de sua Casa Civil Régis Fichtner, seu então secretário da Saúde Sérgio Côrtes e empresários como Jacob Barata, vulgo “o rei dos ônibus”, beneficiados pelo espírito benemérito do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes ou pela  proteção familiar do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Aurélio Bellize, promovido por mercê de sua interferência, Cabral foi somando anos de pena em suas condenações sem que ninguém nas altas Cortes do Judiciário se apiedasse de suas agruras. Não conseguiu, porém, tirar do bolso do colete o curinga que lhe restava do baralho, ou seja, delatar a turma do Batman, que se ausentou das listas da Odebrecht, da OAS e de outros fornecedores de seu bilionário propinoduto. O problema é que o que lhe convinha prejudicava os interesses profissionais e pecuniários dos causídicos que contratou. Estes, sensatamente, temiam que suas bancas viessem a ser perseguidas, renegadas e esvaziadas pelos alvos que ameaçava atingir: os magnatas das mais elevadas Cortes. Foi aí que jogou o orgulho na latrina da cela e partiu para a opção viável: a “humildade” de contar toda a verdade, delatar sem prêmio. E, aí, surgiu sua terceira face: o chefão arrogante e impiedoso virou o réu confesso “viciado em dinheiro”, em busca de piedade e compreensão dos procuradores que antes desprezava e do juiz que já tentara enfrentar. como se ainda ocupasse o gabinete mais poderoso do Palácio Guanabara. O autor destas linhas, com seu testemunho de leitor fiel e atento, vem acompanhando e comentando a estratégia de Cabral, que é diminuir seu tempo na prisão, condenado a quase 200 anos, e também proteger a sua “riqueza”, a ex-primeira dama Adriana Ancelmo, condenada a 18 anos.

A recente prisão de seu braço direito, negociador de todos os achaques, o chefe da Casa Civil de seus governos, Regis Fitchner, acelerou esse movimento. Seu ex-primeiro-ministro, como agora ele definiu, tinha sido preso em 2017 e, naquela ocasião, ameaçou contar coisas do Judiciário que nem o diabo sabia. Não teve tempo de fazê-lo, pois rapidamente foi solto, graças ao desembargador Espírito Santo. Amém.

Agora, Regis Fichtner foi preso novamente e Cabral está abrindo a boca, “sentindo-sealiviado”. O “aliviado” Cabral acusou Regis Fichtner de ser o coordenador dos esquemas de pagamento de propinas, operacionalizando o disfarce de caixa 2. O agora “arrependido” e loquaz ex-governador confirmou entregas de propinas no Palácio Guanabara e por meio do escritório de advocacia de Fichtner, com o emprego de honorários superfaturados. Quem pode garantir que esse caso tenha sido o único? Ora, pelo visto, a Lava Jato ainda tem salas que precisam ser abertas.

Vamos a elas:

1) As omissões premiadas

A confissão de Sérgio Cabral de superfaturamento em obras da Odebrecht no Rio não constou da delação dos 78 executivos da companhia. Nenhum dos solícitos súditos dos empreiteiros “teutobaianos” contou que a empreiteira pagou propinas para transformar o velho Estádio Mário Filho, o maior do mundo, o templo do maracanazo de 1950, em Arena Maracanã, palco das finais da Copa do Mundo da Fifa em 2014 e da primeira medalha de ouro olímpica da seleção nacional na final do futebol da Olimpíada do Rio, de cuja escolha Cabral participou como governador, na companhia de alguns “sócios”, como o famoso “rei Arthur”.  Lembra-se? E agora?

Esse caso não é único no capítulo a que me tenho referido frequentemente, seja neste espaço semanal no Blog do Nêumanne, seja no Estadão Notícias, no comentário matutino da Rádio Eldorado (FM 107.3) e no canal com meus vídeos no YouTube. O assunto também tem sido tratado fora do território fluminense e da roubalheira do MDB, aliado do PT de Lula e Dilma. Recente reportagem da Folha de S.Paulo revelou as estranhezas que acontecem em delações/omissões premiadas. Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, do ninho tucano, estava pronto para delatar. Aí, Aloysio Nunes Ferreira arrumou para ele um novo advogado, Roberto Santoro, que “funcionou como salvador da pátria” ao conseguir um habeas corpus deGilmar Mendes, soltar Paulo Preto e abortar sua delação premiada. Dia destes, a Polícia Federal(PF) pôs os olhos em e-mails de uma filha do dito cujo lamentando o favor que terminou desfavorecendo o favorecido. Em idêntica busca e apreensão recente foi revelado o diário do engenheiro referindo-se a um “anjo protetor Gi” na mesma linha em que o ministro Gilmar era citado.

A desconfiança da filha de que Paulo Preto deveria ter seguido a trilha da delação confirmou-se com a prisão do pai, agora condenado a 27 anos por fraude em licitações e formação de cartel de empreiteiras para a construção do trecho sul do Rodoanel,  a primeira condenação da Lava Jato de São Paulo. Qual será agora a estratégia de Roberto Santoro, o “salvador da pátria”? Santoro é figurinha conhecida no meio jurídico, pois faz dupla com o advogado Frederick Wassef, que,segundo o colunista do Globo Lauro Jardim, “opera nas sombras”. A dupla está trabalhando também para o clã Bolsonaro. Não deixaremos de acompanhar suas façanhas.

O primeiro caso de omissões premiadas, que não diz respeito nem a Cabral nem ao tucanato emplumado, mas “desempoderado”, está indo a julgamento. O relator da Operação Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, vai pôr no plenário a votação sobre a validade ou não da delação dos quatro executivos do Grupo J&F, tendo em vista que houve “omissão de fatos criminosos” pelos delatores. Se o plenário do STF julgar que houve omissões, as benesses recebidas pelos irmãos Joesley e Wesley irão por água abaixo por um bom motivo. Quando o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, protagonista da excelente reportagem de José Fuchs, no Estado(Economia, B4) de domingo, Os privilegiados da Previdência, por receber R$ 37,3 mil de aposentadoria, usou Joesley para gravar a confissão do ex-presidente emedebista Michel Temer (que lhe disse “tem que manter isso aí, viu?”), o marchante de Anápolis ganhou o prêmio de anistiapara penas que somariam 200 anos de cadeia, conforme revelou o repórter do Estado Marcelo Godoy. Tudo por ter contado que administrava contas de Lula e Dilma no exterior, das quais nunca apresentou uma provinha sequer.

2) O câmbio negro das omissões premiadas por meio de pagamento a advogados

Há que apurar quem paga os advogados dos envolvidos na Lava Jato, no caso de Palocci: os novos-ricos Adriano Bretas e Tracy Reinaldet. Palocci não pode ser, pois o ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma tem seus recursos bloqueados, assim como outros envolvidos na mesma e célebre operação. O site O Antagonista informou também que executivos da empreiteira OAS foram acusados de combinar delações favoráveis à empresa e, em contrapartida, receberam polpudas remunerações. Grave! Não pode cair na vala comum do esquecimento.

3) O uso de bancas de advocacia como instrumento de lavagem de dinheiro, que é caso do escritório de Regis Fichtner, de acordo com o que já se sabe, também pelo depoimento de seu ex-chefe e sócio Cabral.

4) O mercado persa de nomeações, as  incestuosas relações entre advogados e juízes, que foi confirmado pelo mesmo Sérgio Cabral, que confessou que ele e Regis Fichtner indicaram vários ministros para as Cortes superiores. Aqui não pode valer aquela velha saída petelulista da “falta de provas” nem dispensar a investigação pelo mesmo motivo pelo qual a chapa Dilma-Temer foi absolvida no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob presidência do onipresente Gilmar Mendes e o olhar curioso, arguto e probo do ministro relator, Herman Benjamin, ou seja, o “excesso de provas”.

Ainda sobre esse mercado persa de nomeações, em sua proposta de delação premiada Palocci narrou que Márcio Thomaz Bastos prometeu ao ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Asfor Rocha uma vaga no STF em contrapartida à anulação da Operação Castelo de Areia. A vaga não saiu, mas a referida operação foi anulada no STJ, onde Asfor se aposentou, passando a fazer parte da casta de privilegiados da Previdência, tal qual Janot. Isso sem falar que todos nós sabemos, pois ficou público, que o próprio Lula colocou Márcio Thomaz Bastos para advogar para a Camargo Corrêa, livrando a empresa, os empreiteiros e os políticos e arquivando a Castelo de Areia, o trailer da Lava Jato. Não têm faltado evidências de que este escriba não está vendo pelo em ovo.

Casos escabrosos acontecem mesmo. Para ilustrar, Eurico Teles, o atual presidente da Oi, que os novos acionistas querem substituir, foi denunciado pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, em 2014, e réu em 2017, por formação de quadrilha, estelionato, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro.  O esquema, segundo a PF, consistia em subornar um escritório de advocacia que defendia 13 mil clientes em ações contra a Oi, em troca de encerramento dos processos judiciais. Ou seja, Eurico e a Oi compravam o defensor de seus clientes insatisfeitos. O fim dessa história é público e notório. A Oi faliu devendo R$ 65 bilhões aos credores, principalmente o contribuinte brasileiro.

Para encerrar, vamos aproveitar o que resta do tríduo do Rei Momo e festejar, pois o Brasil tem tudo para ser, de fato, passado a limpo. Que desfilem todas as alas deste bloco sujo Perdidos do Brasil. Vêm aí a Lava Toga e a Lava Beca. Aleluia, amém, nós todos!

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado no Blog do Nêumanne na segunda-feira 4 de março de 2019)

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Nêumanne entrevista Fernando Coelho – 2019 (7ª)

Nêumanne entrevista Fernando Coelho – 2019 (7ª)

Brasil se especializou no crime

de matar rios, diz poeta

 

Para jornalista Fernando Coelho, deputados e senadores, “cavalheiros da desonra”, não representam cidadão, que não respeita Justiça, que não prendeu o presidente do Flamengo

Fernando Coelho, poeta e jornalista baiano, lamenta que “as centenas de mortos não representamnada para a papelada que se junta para justificativas e negativas” no Brasil de hoje. Na edição desta semana da série Nêumanne entrevista, ele interrompeu a redação de seus textos de sucesso nas redes sociais para fazer um desabafo definindo a tragédia que protagonizamos e assistimos. Ele acha que “o Brasil morreu nestes tempos. Não adianta o ministro da Educação, que virou um bedel nacional, mandar filmar crianças cantando o Hino Nacional e gritando por Deus.” E acrescentou: o helicóptero em que Boechat morreu “tem o perfil do País atual, uma montagem de vários pedaços de filosofias, ideologias, interesses políticos, tudo no elo das finanças, do interesse financeiro. E o povo, que paga a conta inocentemente, ainda imagina que o Estado trabalha. O Estado não trabalha, não gera renda, nós, o zé-povinho, é que pagamos. E estamos morrendo nas Upas, nas filas, desabando nas lotéricas, nos caixas do BB e da CEF, dois gigantescos bancos públicos, que nos tratam como mendigos e tinham obrigação moral com a população. Tenho medo.”

Fernando na Praia de Itapuã mantendo viva a chama de seu amor pelo litoral da Bahia, fonte de inspiração dele e de Caymmi. Foto: Afonso Ferreira

FFernando tem 12 livros publicados, 11 de poemas e Salvador-Guia de Cheiros, Caminhos e Mistérios, roteiro da cidade da capital da Bahia, prefaciado por Jorge Amado

O jornalista, poeta e escritor Fernando Coelho tem 12 livros publicados, 11 de poemas e Salvador-Guia de Cheiros, Caminhos e Mistérios, roteiro da cidade da capital da Bahia, prefaciado por Jorge Amado, 4 edições esgotadas há 25 anos. Chefiou a reportagem do jornalismo na Rede Globo de Televisão durante anos, dirigiu o Departamento de Esportes e chefiou a redação do Jornalismo da TV Cultura, foi repórter especial da Rádio Globo, criou e dirigiu o programa Terra Brasilisna Rede Banderiantes. Foi ainda assessor de iImprensa da Global Editora. Implantou e dirigiu as duas primeiras televisões legislativas do Brasil na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara de Vereadores de São Paulo. E também diretor de Comunicação Social e Marketing da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Exerceu o cargo de Diretor de Comunicação e Promoção do Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan, do ministério da Cultura), além de diretor de Comunicação Social e Marketing da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo. Em 2008, recebeu a Medalha da Imigração, do Itamaraty, por sua obraAgenda Manabu Mabe. A editora Aquariana publicou a Coleção Poeta Fernando Coelho, com três títulos.

Fernando na Praia de Itapuã mantendo viva a chama de seu amor pelo litoral da Bahia, fonte de inspiração dele e de Caymmi. Foto: Afonso Ferreira

Fernando na Praia de Itapuã mantendo viva a chama de seu amor pelo litoral da Bahia, fonte de inspiração dele e de Caymmi. Foto: Afonso Ferreira

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