Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Diversos

Nêumanne entrevista Wálter Maierovitch – 2019/01

Nêumanne entrevista Wálter Maierovitch – 2019/01

Juiz narra barbaridades de Battisti

a pretexto da ideologia

Maierovitch diz que Suplicy mentiu para defender italiano, delinquente oportunista cuja organização terrorista aleijava vítimas para servirem de propaganda ambulante

O juiz Wálter Fanganiello Maierovitch, fundador e presidente do Instituto Giovanni Falcone de Ciências Criminais, que leu inúmeras vezes o processo em que o italiano Cesare Battisti foi duas vezes condenado por quatro crimes, garante que ele era um delinquente oportunista, que nunca quis trabalhar. Na volta depois das férias da série semanal Nêumanne Entrevista, publicada neste blog, o ex-ministro responsável pela Secretaria Nacional Antidrogas descreve em detalhes o que conhece dos autos e da História italiana, que lhe serve de pano de fundo, e atribui à esquerda brasileira “pura ignorância” para defendê-lo. Lula, Tarso Genro e outros petistas responsáveis por sua permanência de dez anos no Brasil nunca se deram sequer ao trabalho de consultar o que pensava a esquerda democrática de seu país de origem. O relato do professor de Direito Penal é confirmado pelo fato de a expulsão de Battisti pela Bolívia ter sido festejada por esquerda e direita na Itália. A esse relato Maierovitch adiciona o episódio cruel da carbonização de uma família de pobres trabalhadores italianos, cujo chefe militava num grupo neofascista, por outro facínora, Achille Lollo, adotado como ideólogo pelo PT, do qual foi expulso quando denunciado pelo entrevistado, e pelo PSOL, no qual militou até voltar para a Itália quando sua pena prescreveu.

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Nêumanne entrevista Marina Colasanti

Nêumanne entrevista Marina Colasanti

Escritora aposta que grandes migrações desta era

mudarão a face da Terra

Nascida na Eritreia numa família italiana, com infância na Líbia e toda uma vida no Rio, Marina Colasanti diz que é difícil amar cidade entregue a si mesma

Para a jornalista, escritora e poeta Marina Colasanti, nascida na África e carioca por adoção, “no futuro nossa era não ficará conhecida pelos avanços tecnológicos – que começaram no século 19 com a primeira lâmpada elétrica! – mas como a era das grandes migrações. Pois são elas que, como quando asiáticos atravessaram o estreito de Behring e povoaram a América, mudarão a face do mundo”. Na 36.ª da série de entrevistas do Blog do Nêumanne, a última do ano, pois o entrevistador estará de férias até 9 de janeiro, a feminista da primeira hora falou também de sua relação antiga e íntima com a cidade que cerca o apartamento onde vive com o marido, o poeta e crítico mineiro Affonso Romano de Sant’Anna, autor do poema seminal Que país é este?, ela desabafou: “Hoje, para amar o Rio seria necessária uma cegueira social desmedida. Olho da minha janela e vejo a comunidade lá adiante crescer dia a dia, ocupando o lugar da mata. E sei que lá não há esgoto, a água não é potável, e que as vielas estreitas favorecem o surgir de doenças e o multiplicar-se de gangues de traficantes ou milicianos. Não sou a única a ver esse crescimento. O poder constituído também vê e nada faz. É duro amar uma cidade entregue a si mesma.”

Sobre o Brasil Marina cutuca a ferida: "Recuperamos o voto popular, mas esquecemos de educar os eleitores para o seu exercício." Foto: Fábio Motta/Estadão

Sobre o Brasil Marina cutuca a ferida: “Recuperamos o voto popular, mas esquecemos de educar os eleitores para o seu exercício.” Foto: Fábio Motta/Estadão

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Nêumanne entrevista José Augusto Guilhon

Nêumanne entrevista José Augusto Guilhon

Povo quer menos privilégios, menos incompetência

e menos roubalheira, diz professor

Para Guilhon, Bolsonaro ganhou porque prometeu acabar com tudo o que, em cinco anos de indignação popular, não mereceu resposta da elite política

Para o especialista em ciências políticas paraense, radicado em São Paulo, José Augusto Guilhon de Albuquerque, o capitão e deputado Jair Bolsonaro ganhou a disputa eleitoral em outubro “porque ‘foi o único que, em vez de dizer ‘vou fazer o mesmo de sempre, só que melhor, mais bonito ou mais radical’, disse que ia acabar com tudo o que, em cinco anos de indignação popular, não mereceu resposta da elite política”. Na entrevista da semana ao Blog do Nêumanne, o professor titular aposentado da USP analisou em profundidade a cena política nacional, tema de sua especialidade, desde os movimentos de rua há cinco anos até a eleição de dois meses atrás. Ao explicar por que as massas que saíram à rua não se mobilizaram, como era de esperar, em torno do impeachment de Dilma, ele ponderou: “A aprovação das massas foi silenciosa porque já estava rouca de se esgoelar em vão. Note-se que o impeachment só foi encaminhado pelo PSDB quando se tornou evidente que o tapetão não garantiria a posse de Aécio sem uma nova eleição, mas não em resposta aos 80% que rejeitavam Dilma e continuaram rejeitando o seu legítimo herdeiro, Temer, o que mostra o grande consenso popular, e não a divisão radical da sociedade.  A imensa maioria busca a mesma coisa: menos desgoverno, menos politicagem, menos privilégios, menos incompetência, menos roubalheira”.

Para Guilhon, em 2013, o povo disse estar “por aqui” com a política e os políticos, com o modo como somos tratados pelas elites dirigentes

Para Guilhon, em 2013, o povo disse estar “por aqui” com a política e os políticos, com o modo como somos tratados pelas elites dirigentes

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Nêumanne entrevista Márcia Lígia Guidin

Nêumanne entrevista Márcia Lígia Guidin

Educadora prefere instrução suprapartidária

a PT e escola sem partido

Márcia Lígia, da Editora Miró, critica demagogia do ProUni de Lula e “colmeias” do colegial unificado dos militares e simpatiza com um ministério só para educação e cultura

“Educadores sérios queremos uma escolha sem o partido da esquerda nem o da direita. Queremos uma escola suprapartidária”, diz a doutora em Literatura pela USP e dona da pequena editora Miró Márcia Lígia Guidin. Ela discorda frontalmente da exaltação dos programas demagógicos pelo candidato petista derrotado à Presidência em outubro, Fernando Haddad, afirmando que  “o ProUni formou  apenas  alguns despreparados  profissionais, que pouco contribuirão para o crescimento dos índices educacionais. Qualquer coisa servia, desde que  se criassem índices de crescimento, que, claro, são desmentidos todos pela divulgação dos resultados acachapantes de avaliações internacionais sobre nós”. E, ao mesmo tempo, diz-se preocupada com a escolha do filósofo colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodríguez pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, “porque é  um intelectual extremamente conservador, o que significa radicalismo, e traz  como  ostensiva bandeira  a adesão à ideia da horrenda Escola  sem Partido (ou seja, da escola sem a  “doutrinação” do que chamam de ‘esquerda’). A  luta para aprová-la no Congresso está cada vez mais forte. Um educador verdadeiramente sério não pode concordar com tal proposta.”

Márcia Lígia diz: "Vamos ver como fica o que mais me assusta e mobiliza, como cidadã e docente: a combalida educação deste país." Foto: Acervo pessoal

Márcia Lígia diz: “Vamos ver como fica o que mais me assusta e mobiliza, como cidadã e docente: a combalida educação deste país.” Foto: Acervo pessoal

Márcia Lígia Guidin nasceu em São Paulo, no bairro do Tatuapé, em 1950.  Naquela época a região era reduto de espanhóis e italianos, exatamente essa a sua origem, acrescida aí da veia  germânica de sua mãe. Estudou sempre em escola pública do Estado, da alfabetização ao fim do ensino médio, e na USP, da graduação  ao  mestrado e doutorado. Por isso dedicou sua vida docente a tentar restituir à sociedade tudo o que sua formação acadêmica  lhe trouxe. Cursou Letras Vernáculas e Germânicas  na graduação, na Faculdade de Filosofia e Ciências  Humanas. Seu mestrado e doutorado abordaram respectivamente análises críticas  de obras de Clarice Lispector e Machado de Assis. Deu aulas da Unip e na ECA-USP. Em andamento há um  estudo de pós-doutorado que analisa  o ensino de literatura nos livros didáticos. O ingresso de Márcia no mundo editorial começou nos anos 1980, como leitora crítica de editora Ática. Tornou-se organizadora de coleções de livros paradidáticos e universitários. Há anos concilia sua vida de professora universitária aposentada com atendimento e aconselhamento a escritores, inéditos ou não. Ministra palestras e cursos de pós-graduação, além de escrever crítica literária regular para o jornal Rascunho. Sua pequena editora, Miró Editorial, edita obras universitárias para adoção em salas de aula. Pertenceu ao Conselho Curador do Prêmio Jabuti por 12 anos.

Nêumanne entrevista Márcia Lígia Guidin

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Nêumanne entrevista José Mario Pereira

Nêumanne entrevista José Mario Pereira

Editor aposta em democracia mais forte

após crise sem precedentes

Zé Mario, da Topbooks, que lançou sucesso de Roberto Campos, diz que só o tempo dirá se Bolsonaro vai tornar País melhor fazendo o que o eleitor exigiu nas urnas

“Se examinarmos a História  do Brasil no século 20, encontraremos inúmeros momentos de crise ética, política e econômica, e analistas ora  pessimistas, ora esperançosos quanto ao futuro. Nos últimos anos o País deparou com uma crise ética e moral sem precedentes, cujas consequências ainda não podemos avaliar em toda a sua dimensão porque continuamos a ser surpreendidos, quase diariamente, por revelações escabrosas. Mas penso que a democracia brasileira sairá fortalecida desse processo e que os intelectuais e artistas podem desempenhar papel relevante como formuladores de ideias e alternativas para a crise que atravessamos.” É isso que pensa José Mario Pereira, entrevistado do Blog do Nêumanne nesta semana. Dono da Topbooks, cujo terceiro lançamento foi seu maior sucesso de público e crítica, A Lanterna na Popa, livro de memórias de Roberto Campos, que volta à moda com a escolha da equipe econômica do presidente eleito, Jair Bolsonaro, a cargo de Paulo Guedes, ousa agora fazer um aposta arriscada. O último título lançado por sua editora é A Alma do Tempo, da lavra de um dos políticos mais importantes da História de nossa República, o mineiro Afonso Arinos de Melo Franco, com 1.780 páginas. E o faz neste momento complicado do mercado editorial, agravado pelo pedido de recuperação judicial de duas grandes redes livreiras, a Cultura e a Saraiva, com dívidas milionárias, e em meio à crise ética, econômica, financeira e política em que o País está imerso. Mas nada disso o abala. “Temos excelentes livrarias, algumas maiores, outras menores, com ótima clientela e bem administradas. Talvez seja o caso de incentivar a criação de livrarias de bairro, pequenas, mas com bom estoque, com livreiros que  conheçam e gostem de livro. Frequento muito os sebos, alguns vendem livros novos também, e seus donos não reclamam de crise. As pessoas estão lendo mais, e vão aonde há novidades e preços razoáveis”, disse, justificando sua iniciativa.

 Zé Mario acha que, se Roberto Marinho estivesse vivo, teria evitado atritos entre profissionais da Globo e candidatos no último pleito. Foto: Acervo pessoal

Zé Mario acha que, se Roberto Marinho estivesse vivo, teria evitado atritos entre profissionais da Globo e candidatos no último pleito. Foto: Acervo pessoal

Natural de Quixadá, Ceará, José Mario Pereira fundou a Topbooks em abril de 1990. Publicou, entre vários nomes importantes, Franklin de Oliveira, Otto Maria Carpeaux, José Paulo Paes, Luiz Costa Lima, Evaldo Cabral de Mello, Mary Del Priore,  Maria José de Queiroz, Roberto Campos, Afonso Arinos de Melo Franco, Olavo de Carvalho, Bruno Tolentino, Wilson Martins, Miguel Reale, Roberto Marinho, Nélida Piñon, Lêdo Ivo, Ivan Junqueira, Delfim Netto e José Neumanne Pinto. Também devolveu às estantes do País a obra de Manuel Bomfim e títulos há muito esgotados de Joaquim Nabuco, José Veríssimo, Oliveira Lima e Gilberto Freyre. No plano internacional, lançou livros fundamentais, como  a Areopagítica, de John Milton, os Panfletos Satíricos, de Swift, a Lírica, de Dante, Jerusalém Libertada, de Torquato Tasso, as Memórias de George Kennan, os Ensaios de David Hume e a obra completa de Rimbaud, traduzida por Ivo Barroso. O grande sucesso da Topbooks, que a tornou nacionalmente conhecida, é sem dúvida Lanterna na Popa, livro de memórias de Roberto Campos, lançado em setembro de 1994. O volume de 1.417 páginas rapidamente virou best-seller e alcançou a marca de 100 mil exemplares vendidos. Em 2002, Zé Mario – como é conhecido – foi convidado pelo Liberty Fund, de Indianápolis,nos Estados Unidos, para editar as traduções de dez livros do catálogo dessa prestigiosa fundação americana. Os primeiros títulos da coleção Liberty Classics começaram a chegar ao mercado brasileiro em novembro de 2003; um segundo programa, de mais dez títulos, foi aprovado em 2005, e já são 19 os livros editados. Como autor, Zé Mario escreveu José Olympio – O Editor e sua Casa, duplamente premiado: ganhou o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, e o Senador José Ermírio de Moraes, dado pela Votorantim, em parceria com a Academia Brasileira de Letras. Dono de imensa biblioteca, o editor da Topbooks é colaborador freqüente de jornais e revistas literárias.

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Nêumanne entrevista Evandro Affonso Ferreira

Nêumanne entrevista Evandro Affonso Ferreira

Palavra é tapete mágico

em que Evandro atravessa

abismo do indizível

Autor de Grogotó!, colecionador de prêmios literários, resume ofício em seu estilo minimalista e irreverente: tudo o que é ruim pra vida é bom pra literatura

Quando este entrevistador se referiu à “esquerda Rouanet” e aos efeitos na cultura pátria da lei que leva o nome de seu autor, o ficcionista Evandro Affonso Ferreira, protagonista da série Nêumanne Entrevista desta semana neste blog, não se fez de rogado e respondeu da forma como está acostumado a escrever. Antecipe aqui a leitura da resposta na reprodução ipsis litteris logo abaixo: “Rouanet… Em que esquina, rua, em que time joga esse senhor? Não conheço. Minha empreitada é escrever…. Escrevo possivelmente para driblar a inquietude; para, quem sabe, não deixar a esperança se desvanecer de vez. Hipóteses. Sei que juntos, palavras e eu, frustramos o inacessível, o acaso; decodificamos o insondável, desbastamos limites linguísticos. Sei que ela, a palavra, é meu tapete mágico sobre o qual atravesso abismo do indizível.”

Quando o entrevistador falou da esquerda Rouanet, Evandro perguntou: "em que time joga esse senhor?" Foto: Ninil/Acervo pessoal

Quando o entrevistador falou da esquerda Rouanet, Evandro perguntou: “em que time joga esse senhor?” Foto: Ninil/Acervo pessoal

Evandro Affonso Ferreira é autor de vários romances, entre eles, Minha Mãe se Matou semDizer Adeus (Record), Prêmio APCA de Melhor Romance do Ano; O Mendigo que Sabia de Cor osAdágios de Erasmo de Rotterdam (Record), Prêmio Jabuti de Melhor Romance do Ano; Não TiveNenhum Prazer em Conhecê-los (Record), Prêmio Bravo de Melhor Romance do Ano; e NuncaHouve Tanto Fim como Agora (Record), Prêmio APCA de Melhor Romance do Ano. Foi dono dos sebos Sagarana e Avalovara, em São Paulo, e como gerente da livraria Boa Vista recebia aos sábados visitas de Mário Chamie, Zé Rodrix, Aquiles do MPB4, Humberto Mariotti e outros intelectuais que davam tudo por um dedo da prosa doce e amarga dele.

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